A evolução recente do setor bancário no Brasil
Anexos: Análise individual dos maiores bancos
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 5 partes.
Anexos: Análise individual dos
maiores bancos
Banco do Brasil
Histórico e estrutura
O Banco do Brasil é uma sociedade de economia mista, criada em 12 de outubro de 1808, com ações negociadas em bolsa desde 1906. Desde que suas atividades foram iniciadas, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro de 1809, o banco exerceu papel de autoridade monetária, desenvolvendo atividades fundamentais para dinamizar o capital e promover a indústria nacional. A partir de 1945, o controle monetário e a preparação da organização de um banco central, até então exercidos pelo Banco do Brasil, passaram a ser de responsabilidade da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc).
A partir de 1986, quando deixou de ser autarquia de crédito – passando a ter, então, uma atuação mais similar à de outros bancos públicos e privados –, a instituição ampliou sua atuação como banco comercial, conquistando a liderança em vários segmentos do mercado financeiro nacional.
Em 3 de abril de 2001, o Banco do Brasil adotou a configuração de Banco Múltiplo, o que o habilitou a operar as carteiras comercial, financeira e de leasing. Também foi adotada nova estrutura, com foco no cliente, caracterizada pela segmentação em três pilares negociais: Atacado, Varejo e Governo, além do pilar Recursos de Terceiros.
Ainda em 2001, o governo federal anunciou o Programa de Fortalecimento das Instituições Financeiras Federais (Proef), cujas medidas provocaram efeitos relevantes para o Banco do Brasil, como, por exemplo, a permuta dos títulos emitidos pela República Federativa do Brasil no exterior (brady bonds) por títulos da dívida interna de emissão do Tesouro. Também foi efetuada a troca de ativos de pouca liquidez e baixa qualidade (principalmente da carteira de crédito) por ativos mais líquidos e remunerados a taxas de mercado (principalmente títulos públicos) (Versiani, 2003; Folha de S. Paulo, 22/9/2008).
Em 2002, o Estatuto Social do Banco foi adequado ao objetivo de garantir maior transparência e melhores práticas de Governança Corporativa, o que culminou na entrada da instituição no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), em 2006.
Por meio do BB Banco de Investimentos, subsidiária integral, o Banco do Brasil participa de empresas nos ramos de seguros (Brasil Veículos Cia. de Seguros, Cia. de Seguros Aliança do Brasil e Brasilsaúde), previdência (Brasilprev) e capitalização (Brasilcap), disponibilizando um amplo portfolio de produtos não bancários.
Agente financeiro da União, o Banco do Brasil tem o Tesouro Nacional como seu principal acionista, com 65,3% do capital, seguido pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), com 10,5% das ações, e pelo BNDESpar – empresa de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social –, com 2,5% das ações. O restante das ações, 21,7%, está
alocado em 1 Free-Float , distribuído entre Pessoas Físicas, Jurídicas
e Capital Estrangeiro (Tabela I.1.1).
Tabela I.1.1 – Composição Acionária (%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco do Brasil.
Nos últimos anos vem crescendo a participação do free-float no capital do Banco do Brasil, sendo que, quando a instituição aderiu ao Novo Mercado, em 2006, comprometeu-se a atingir 25% desse tipo de ação até 2009. Ainda em 2006, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou proposta de elevação da participação estrangeira no capital social da instituição de 5,6% para 12,5%. Em junho de 2008, o CMN autorizou o aumento da participação estrangeira no capital social para 25%.
Desde 2002, tem sido observado um expressivo aumento da participação de investidores estrangeiros no capital do Banco. Essa participação, que era de 0,9% em 2002, passou para 11,9% em
junho de 2008, representando 55% do free-float (Gráfico I.1.1).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco do Brasil.
Rede de atendimento
O Banco do Brasil está presente em 3.274 municípios brasileiros, encerrando o primeiro semestre de 2008 com 84,3 mil funcionários, 9,5 mil estagiários, 15,6 mil pontos de atendimento e 4,3 mil correspondentes da rede “Aqui tem BB,” com destaque para o correspondente BB-Visanet. O banco disponibiliza, ainda, 38,8 mil terminais de autoatendimento, além de canais alternativos, como o internet banking, a Central de Atendimento, o Portal BB e a prestação de serviços pelo celular. Os clientes do Banco do Brasil também podem utilizar os terminais de autoatendimento da Caixa Econômica Federal, do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), que são compartilhados com o BB. Por meio do Banco Popular do Brasil (BPB), o BB disponibiliza, ainda, serviços para a população de baixa renda. O BPB encerrou o primeiro semestre de 2008 com uma rede de 2.795 correspondentes bancários presentes em 1.378 municípios.
No Brasil, o banco tem maior presença na região Sudeste, seguido
pelas regiões Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Norte (Gráfico I.1.2). Essa participação não sofreu alterações significativas nos últimos anos. Observa-se um pequeno aumento da participação das regiões Norte e Nordeste, desde 2004, acompanhado de diminuição da participação da região Sudeste.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site da
Febraban.
Em 2007, o BB anunciou o lançamento do Projeto Nordeste, em que procura se aproximar dos governos da região (Valor Econômico, 22/10/2007). A instituição considera a região Nordeste como um mercado com forte potencial de crescimento e, com exceção de alguns segmentos, como o de cartão de crédito, esse potencial não tem sido bem aproveitado pelo setor bancário. O BB pretende ocupar essa lacuna, por meio, por exemplo, da sua experiência com agricultura e no atendimento de governos. Essa maior aproximação com os governos locais também aumenta a possibilidade de o banco firmar novos contratos no mercado de folhas de pagamento dos Estados (Valor Econômico, 20/9/2007).
No exterior, a rede do Banco do Brasil é formada por 42 pontos de atendimento (15 agências, 10 subagências, 12 escritórios de representação e 5 subsidiárias), distribuídos em 23 países. Além de sua rede própria no exterior, o banco mantinha, em junho de 2008, uma rede complementar de 1.426 bancos correspondentes, distribuídos em 151 países.
Base de clientes O Banco do Brasil conta com 27,4 milhões de clientes correntistas, sendo que 93,5% são pessoas físicas e 6,5% são pessoas jurídicas. A instituição possui, ainda, 14,7 milhões de clientes não correntistas, dentre poupadores, beneficiários do INSS e consumidores de outros produtos e serviços.
Os clientes são segmentados por renda, perfil, investimentos e relacionamento com a instituição. Os segmentos nos quais eles são alocados são: varejo, que inclui pessoas físicas e micro e pequenas
empresas; 2 atacado, que inclui empresas médias e grandes e o segmento corporate; governo, que atende entidades da administração pública; e agronegócio.
Os serviços disponíveis para a população de menor renda, principalmente trabalhadores do setor informal, são oferecidos por meio da subsidiária integral Banco Popular do Brasil (BPB), criada em 2003. Desde sua criação, o BPB já concedeu mais de R$ 424,6 milhões em crédito.
Em maio de 2008, foi criada a Diretoria Menor Renda, com o intuito de ampliar o foco estratégico em clientes com renda de até um salário mínimo, que correspondem a cerca de 8,3 milhões de correntistas do BB, 1,4 milhão de correntistas do Banco Popular do Brasil e 15 milhões de clientes não correntistas que mantêm algum tipo de relacionamento com o BB. A nova diretoria absorveu as operações do Banco Popular e centralizou a gestão dos Correspondentes Bancários e as ações relativas ao Desenvolvimento Regional Sustentável (Gazeta Mercantil, 16/5/2008).
No relacionamento com o governo, o Banco do Brasil atua nas esferas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, apresentando–se como um dos principais parceiros do governo na implementação de políticas, programas e projetos voltados para o desenvolvimento nacional. Nesse segmento, podem ser destacados os contratos para administração das folhas de pagamento das esferas de poder. Em dezembro de 2007, o BB tinha sob sua responsabilidade o processamento de 45 mil folhas de pagamento, um importante instrumento de fidelização de clientes pessoa física.
Captações
O saldo de recursos captados pelo Banco do Brasil atingiu, em junho de 2008, R$ 288,8 bilhões, um crescimento de 366,7%, em relação a dezembro de 1997. Merecem destaque as captações de mercado aberto e os depósitos a prazo, que correspondem a 60%
do total de recursos captados (Tabela I.1.2).
No segmento de depósitos a prazo, a principal forma de captação são os depósitos judiciais, que totalizaram R$ 31,3 bilhões, em junho de 2008, um crescimento de 18,3% em relação a junho de 2007.
Tabela I.1.2 – Composição das Captações (em %)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
No período de dezembro de 1997 a junho de 2008, as Captações no Mercado Aberto foram a forma de captação que mais cresceu. Uma das explicações para o crescimento de 1.320,2%, nesse período, foi
a intensificação das operações compromissadas,3 que atingiram R$ 46,4 bilhões, em junho de 2008, um crescimento de 42,7%, em doze meses.
Carteira de crédito
A carteira de crédito do Banco do Brasil, que inclui os segmentos de Varejo, Comercial, Agronegócios, Comércio Exterior, Exterior e
Demais, atingiu R$ 176,4 bilhões, em junho de 2008 (Gráfico I.1.3).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Nos últimos anos, observa-se um aumento na participação do segmento de varejo na carteira total. Essa participação, que era de 20% em 2002, alcançou 34,2% em junho de 2008. No período de 2002 a junho de 2008, a carteira de varejo foi a que mais cresceu,
com uma ampliação de 417% (Tabela I.1.3).
A participação da carteira comercial estava em queda até 2005, quando atingiu 13,6% da carteira total. A partir de 2006, entretanto, essa carteira vem apresentando tendência de crescimento, atingindo 21,3% da carteira total do banco em junho de 2008
(Tabela I.1.3).
A carteira de agronegócios também apresentou crescimento expressivo nos últimos anos, com uma participação de 32,4% em junho de 2008 e um crescimento de 266,7% de dezembro de 2002 a junho de 2008. Até 2006, essa carteira era a que tinha maior participação na carteira total de crédito, sendo substituída pela carteira de varejo em 2007. A participação das carteiras de Comércio Exterior e Exterior apresenta tendência de queda nos
últimos anos (Tabela I.1.3).
Tabela I.1.3 – Composição da Carteira de Crédito (em %)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco do Brasil.
A Carteira de Crédito de Varejo engloba os produtos destinados, principalmente, às Pessoas Físicas e às Micro e Pequenas Empresas. A carteira de crédito de Pessoas Físicas, por sua vez, inclui as operações de Crédito Direto ao Consumidor (CDC), operações com cartão de crédito e o segmento de cheque especial.
O segmento de maior destaque é o Crédito Consignado, que responde por 21,6% do total desta carteira. De dezembro de 2003 a junho de 2008, o crescimento da carteira de crédito consignado foi de 2.437%. A carteira de Financiamento a Veículos também apresentou crescimento significativo, passando a representar 7,25%
da carteira de varejo em junho de 2008 (Tabela I.1.4).
Tabela I.1.4 – Composição da Carteira de Crédito de Varejo (%)
1) No segmento de veículos, o crescimento informado engloba o
período de dez./05 a jun./08.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco do Brasil.
Os empréstimos na modalidade de Crédito Consignado estão concentrados nos servidores públicos, que representaram, no final do primeiro semestre de 2008, 82,2% do volume da carteira. Os aposentados e pensionistas do INSS representaram 7,5% da carteira e os trabalhadores da iniciativa privada, 10,3%.
Já a carteira de financiamento de veículos, reestruturada em 2006, apresentou um crescimento expressivo devido à estratégia de firmar parcerias com concessionárias e multimarcas, para oferecimento de financiamentos. Essas parcerias foram responsáveis por 33,5% do volume contratado no primeiro semestre de 2008, representando 25,3% do total da carteira de financiamento de veículos.
No segmento de crédito imobiliário, o Banco do Brasil começou a atuar em fevereiro de 2007, por meio de uma parceria com a Associação de Poupança e Empréstimo do Exército (Poupex), para oferta do produto, enquanto aguardava autorização para operar com carteira própria (Valor Econômico, 1/6/2007). Por meio desse convênio, foram concedidos R$ 252,8 milhões em cartas de crédito e liberados R$ 88,8 milhões em financiamentos imobiliários.
Em dezembro de 2007, o BB começou a operar com sua carteira própria de crédito imobiliário, atendendo, inicialmente, os clientes do Estado de São Paulo. Em março de 2008, o Banco Central autorizou o BB a direcionar 10% de seus depósitos em conta-poupança ao crédito imobiliário, por meio do Sistema Financeiro de Habitacão (SFH) (DCI – SP, 2/4/2008). O banco enfrentava restrições legais para atuar nesse segmento porque os recursos captados nas cadernetas de poupança deveriam ser direcionados, obrigatoriamente, para o crédito rural (Valor Econômico, 24/4/2007; Folha de S. Paulo, 15/5/2008).
No segmento de microcrédito, por meio do Banco Popular do Brasil (BPB), o Banco do Brasil viabilizou, em 2007, R$ 1,9 milhão em operações para o público de menor renda e microempreendedores. O BPB encerrou o primeiro semestre de 2008 com R$ 11,1 milhões, em créditos concedidos no período, e saldo em carteira de R$ 25,1 milhões.
No segmento de cartões, o Banco do Brasil atingiu uma base de 75 milhões de cartões, em junho de 2008, sendo 23,7 milhões de cartões de crédito e 51,2 milhões de cartões de débito. Destaca-se a base de 1,4 milhão de cartões emitidos, em parceria com 21 empresas de diversos segmentos.
O segmento de Micro e Pequenas Empresas, que engloba operações de Giro, operações com base em recebíveis, o BB Giro Rápido, as operações de Proger Urbano Empresarial e Outros, representava, em dezembro de 2007, 42,8% da Carteira de Varejo, contra 45,3% em dezembro de 2006. Essa redução deve-se, principalmente, à estratégia do banco de concentrar esforços em produtos voltados às pessoas físicas, como CDC Veículos, Consignação e Cartão de Crédito. Dessa forma, as carteiras de crédito destinadas às Micro e Pequenas Empresas vêm diminuindo sua participação na Carteira de Varejo do Banco do Brasil.
A Carteira de Crédito Comercial engloba os produtos destinados, principalmente, às médias e grandes empresas e aos clientes corporate, incluindo operações de Capital de Giro, Investimento, Recebíveis, Conta Garantida e Outros. A linha com maior participação nessa carteira é a de Capital de Giro, que representou 62% do total da carteira, em junho de 2008. Esta modalidade também foi a que cresceu mais rapidamente nos últimos anos.
A linha de Investimento, destinada, principalmente, à ampliação ou modernização da produção via aquisição de máquinas e equipamentos, também tem participação significativa, de 21% da carteira comercial. Destacam-se as operações com repasses de recursos do BNDES e Finame, que atingiram saldo de R$ 5,2 bilhões no primeiro semestre de 2008.
O aumento da participação da carteira comercial na carteira total do
Banco do Brasil, nos últimos anos (Tabela I.1.3), foi consequência, principalmente, do incremento de operações com grandes grupos empresariais. Esse crescimento, por sua vez, deveu-se, principalmente, à queda da taxa de juros, que fez com que as grandes empresas voltassem a tomar empréstimos em bancos, retomando uma alternativa de financiamento que vinha sendo substituída, desde 2005, por operações no mercado de capitais (Valor Econômico, 26/7/2007).
Com relação à carteira de crédito de agronegócio, o Banco do Brasil é líder entre as instituições financeiras integrantes do Sistema Nacional do Crédito Rural, com participação de 62,6% em junho de 2008. No final do primeiro semestre de 2008, a carteira de agronegócios representava 32,4% da carteira de crédito total do BB
(Tabela I.1.3), sendo composta por 35,9% de operações de investimento, 34,7% de operações de custeio, 27,8% de comercialização e 1,5% de crédito agroindustrial.
O crescimento dessa carteira nos últimos anos, entretanto, foi inferior ao verificado nas carteiras de Pessoa Física e Jurídica, devido ao processo de recuperação da renda em curso no setor produtivo rural e à busca por empréstimos de menor risco, como o crédito consignado e o financiamento de veículos. Por sua relevância na carteira do BB, o menor crescimento do crédito rural, em 2007, contribuiu para que a instituição perdesse participação no mercado de crédito.
Como principal financiador do Agronegócio no País, o BB é responsável pela execução dos programas do governo para esse segmento. Os recursos disponibilizados são obtidos por meio dos depósitos de poupança e à vista, Programa de Geração de Emprego e Renda da Área Rural (Proger Rural), Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (Pronaf), Fundo Constitucional de Desenvolvimento do Centro–Oeste (FCO) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Para financiamentos a taxas controladas, com os recursos captados por meio da poupança e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), o BB recebe do Tesouro Nacional, na forma de equalização, a diferença entre os custos da captação, os riscos, os custos administrativos e tributários e o valor cobrado do tomador do crédito para tornar essa intermediação viável. A título de equalização, a instituição recebeu R$ 562 milhões no primeiro semestre de 2008.
A carteira de comércio exterior do Banco do Brasil é composta por operações de financiamento à exportação nas modalidades Adiantamento sobre Contratos de Câmbio (ACC), Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE), Financiamento à Importação e BNDES-Exim. Essa carteira é composta, principalmente, por operações de financiamento à exportação, nas modalidades Adiantamento sobre Contratos de Câmbio (ACC) e Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACE), que respondem por 59,2% do total de empréstimos da carteira de crédito para o comércio exterior. Em seguida, a linha BNDES-Exim responde por 30,9% da carteira. Como agente financeiro exclusivo da União no Programa de Financiamento às Exportações (Proex), que oferece crédito em condições compatíveis com as praticadas no mercado internacional para os exportadores brasileiros, o banco desembolsou, no primeiro semestre de 2008, US$ 115,8 milhões na modalidade Financiamento e US$ 81,5 milhões na modalidade Equalização.
Com relação ao Índice de Inadimplência da carteira de crédito da instituição, verifica-se uma redução, apesar da expansão da carteira. O índice para operações vencidas há mais de 60 dias alcançou 2,8%, no segundo trimestre de 2008, contra 3,3%, no
quarto trimestre de 2007 (Gráfico I.1.4). O índice de atraso até 90 dias atingiu 2,5%, no segundo trimestre de 2008, contra 2,4% registrado no mesmo período de 2007.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco do Brasil.
A elevação nos índices de atraso da Carteira de Crédito verificada em 2007, em relação a 2006, deve-se, principalmente, ao processo de renegociação de operações rurais ocorrido no final de 2007.
Gestão de riscos Os riscos de mercado, liquidez, crédito e operacional são gerenciados pelo Banco do Brasil de acordo com as melhores práticas adotadas no mercado internacional. Todas as decisões relacionadas à gestão de riscos são tomadas de forma colegiada, por meio de processo decisório estabelecido. No intuito de atender às exigências do Novo Acordo de Capitais – Basileia II e alinhado às melhores práticas de gestão de riscos, o Banco do Brasil desenvolveu metodologia própria para apuração dos componentes de risco. O banco direciona seus esforços para a adoção de modelos internos de avaliação dos riscos para cálculo da exigência de capital.
O índice de adequação de capital do banco – Índice de Basileia – apresentava tendência de crescimento até dezembro de 2006. Entretanto, em 2007, esse índice atingiu 15,6%, chegando a 13,1%
em junho de 2008 (Gráfico I.1.5). Essa redução pode ser explicada pela ampliação das operações de crédito e pelo crescimento dos créditos tributários, que exigem alocação de capital da ordem de 300%.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco do Brasil.
Com relação à distribuição da carteira de crédito, 90,4% das
operações está concentrada nos níveis de risco AA, A, B e C 4
(Tabela I.1.5).
Tabela I.1.5 – Composição da Carteira de Crédito por Nível de Risco
(%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco do Brasil.
A Carteira de Crédito de menor qualidade do Banco do Brasil é a de
Agronegócios,5 em que, em junho de 2008, somente 85,5% das operações estavam concentradas nos níveis de risco AA, A, B e C. No caso das operações de varejo, esse percentual era de 89,8%. As demais carteiras, Comercial, Comércio Exterior e Exterior, podem ser consideradas de melhor qualidade, uma vez que mais de 98% das operações estavam concentradas nos quatro primeiros níveis de risco.
Nos últimos anos, tem se verificado uma melhora de risco, devido ao crescimento na carteira de operações de linhas de crédito com menores taxas de juros e melhores garantias, como crédito consignado e financiamento a veículos.
Índices de cobertura e de eficiência
O Índice de Cobertura 6 tem apresentado tendência de crescimento, atingindo 130,9% no primeiro semestre de 2008, contra 44,3% em
1998 (Tabela I.1.6). Esse crescimento pode ser explicado pelo controle dos custos administrativos e pelo aumento das Receitas de Prestação de Serviços (RPS). No período de 1998 a 2007, as Receitas de Prestação de Serviços cresceram 294,5%, enquanto as Despesas de Pessoal aumentaram 61,9%.
Tabela I.1.6 – Índice de Cobertura (em %)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
As Receitas de Prestação de Serviços são compostas, principalmente, por Tarifas de Conta-Corrente e por Tarifas de Administração de Fundos, que representaram 48,2% do total das
RPS, no primeiro semestre de 2008 (Gráfico I.1.6). As Tarifas de Conta-Corrente, entretanto, vêm reduzindo sua participação, enquanto as receitas de Administração de Fundos e de Cartão vêm apresentando crescimento.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco do Brasil.
A recente retração das Receitas com Tarifas de Conta-Corrente reflete a mudança de política do banco na cobrança de tarifas, antecipando-se à Resolução CMN 3.518/07, que disciplina a cobrança de tarifas para pessoas físicas.
O Índice de Eficiência7 caiu significativamente no período, passando de 92,2% em 1999 para 44,5% no primeiro semestre de 2008
(Gráfico I.1.7).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco do Brasil.
Composição dos ativos e das receitas de
intermediação financeira
Os ativos do Banco do Brasil são compostos, principalmente, por Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos, além de Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil. Desde 2003, a composição desses ativos vem se invertendo, com ampliação da participação das Operações de Crédito, frente aos Títulos e Valores Mobiliários (TVM). Enquanto, em dezembro de 2002, os ativos totais eram compostos por 34,7% de TVM e 26,7% de Operações de Crédito, em junho de 2008 esses percentuais atingiram 17,4% e 43,7%, respectivamente. No período de dezembro de 1997 a junho de 2008, o saldo das Operações de Crédito cresceu 480,8%, contra 143,6% dos Títulos e Valores
Mobiliários (Tabela I.1.7). A carteira de TVM é composta, principalmente, por títulos públicos, que representaram 94,4% da carteira em junho de 2008.
Tabela I.1.7 – Composição dos Ativos (em %)
1) Inclui Disponibilidades, Relações Interfinanceiras, Relações de
Interdependências, Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa, Outros Valores e Bens, Imobilizado de Arrendamento e Permanente.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
A composição das Receitas de Intermediação financeira também vem apresentando comportamento semelhante. A receita com operações de crédito vem ampliando sua participação no total de receitas nos últimos anos. No primeiro semestre de 2008, essa participação foi de 65,5%, contra 38,2% em 2002. As receitas com operações de TVM, por sua vez, representavam 42% da receita total
em 2002, contra 31% no primeiro semestre de 2008 (Tabela I.1.8).
Tabela I.1.8 – Composição das Receitas de Intermediação
Financeira (em %)
1) Inclui Operações com Instrumentos Financeiros Derivativos,
Operações de Câmbio e Aplicações Compulsórias.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
A alteração nas composições dos ativos e das receitas de intermediação financeira a partir de 2002 pode ser explicada, principalmente, pelos efeitos das medidas implementadas pelo Programa de Fortalecimento das Instituições Financeiras Federais (Proef).
Resultados
No ano de 2007, o Banco do Brasil alcançou um lucro líquido de R$ 5,1 bilhões, um crescimento de 750% em relação a 1997. O lucro da instituição tem crescido significativamente nos últimos anos,
principalmente a partir de 2002 (Gráfico I.1.8). O lucro acumulado no primeiro semestre de 2008 atingiu R$ 4 bilhões; entretanto, esse resultado foi impactado extraordinariamente em R$ 970 milhões, em decorrência, principalmente, da venda da participação da Visa Internacional e da venda de ações da Telemar Participações.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
A queda do lucro líquido em 2007, em relação a 2006, foi resultado do aumento das despesas de investimento em reorganização das atividades do banco e do menor crescimento da carteira de crédito. Esse menor crescimento foi provocado pela redução do ritmo de crescimento do crédito para o agronegócio e o comércio exterior, além da queda das operações realizadas no exterior devido à valorização do real (Valor Econômico, 27/2/2008).
Devido ao foco dado pela administração do banco ao crescimento da carteira de crédito, o resultado financeiro oriundo das operações de crédito foi o que mais contribuiu para o desempenho do Banco do Brasil, com destaque para o resultado das operações com pessoas físicas. Entretanto, ressalte-se que o resultado adicionado pelas operações direcionadas a pessoas jurídicas vem crescendo em ritmo ainda superior ao das pessoas físicas. O resultado originado no crédito ao agronegócio registrou retração em relação a junho de 2007, em razão do menor volume de receitas de equalização.
Acompanhando o lucro líquido, o Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio melhorou significativamente a partir de 2002 (apesar da queda em 2007), atingindo 25,4% no primeiro semestre de 2008
(Gráfico I.1.9).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco do Brasil.
Tendências recentes
Recentemente, o Banco do Brasil vem adotando medidas de fortalecimento e ampliação dos produtos ofertados, com o objetivo de se preparar para o crescente acirramento da concorrência no setor bancário, devido, principalmente, ao acesso dos funcionários públicos à conta-salário a partir de janeiro de 2012 – grande parte dos clientes do BB recebe salário pelo banco –, à compra do ABN-Amro pelo Santander e à recente fusão do Itaú com o Unibanco. Para enfrentar esse acirramento da concorrência, o Banco do Brasil aposta na expansão dos negócios com o segmento varejo, ofertando novos produtos de crédito e, em especial, dos negócios com clientes não correntistas. Crédito consignado, financiamento a veículos, crédito imobiliário e cartões terão importante papel nessa estratégia de crescimento.
Financiamento de veículos e crédito imobiliário são dois novos segmentos que o BB pretende desenvolver para recuperar a posição de liderança entre as instituições financeiras. O banco pretende firmar parcerias com construtoras e concessionárias para ampliar sua atuação nesses segmentos. A carteira de financiamento de veículos fechou o balanço de 2007 com um saldo equivalente a somente 10% do saldo dos principais concorrentes (Valor Econômico, 4/3/2008; DCI – SP, 2/4/2008).
A instituição pretende ampliar sua atuação no segmento de crédito imobiliário, que, além de crescer rapidamente, proporciona maior fidelização de clientes. O Banco do Brasil começou a operar com recursos da poupança em junho de 2008 e também está aguardando autorização para operar com financiamento habitacional, com recursos do FGTS (Agora São Paulo, 16/8/2008).
Para fortalecer a estratégia de negócios com não correntistas, o banco se concentrará na formação de novas parcerias varejistas para financiamento do consumo, por meio de cartões e empréstimos, e para oferta de produtos de seguridade. Em 2007, foram firmadas 13 novas parcerias e emitidos 1,1 milhão de cartões de parcerias. Essa estratégia foi adotada tardiamente em relação aos concorrentes Bradesco e Itaú, que já tinham conquistado grandes clientes, como Casas Bahia e Pão de Açúcar. Por isso, o BB se concentrou, primeiramente, em acordos regionais, conquistando clientes nacionais, como a Saraiva (Valor Econômico, 23/8/2007).
Com o objetivo de fazer frente ao recente movimento de aquisição de instituições financeiras por seus principais concorrentes, o Banco do Brasil também tem buscado a aquisição de outras instituições. Essa estratégia foi favorecida pela Medida Provisória n° 443, que autorizou o BB e a Caixa Econômica Federal a comprarem outras instituições financeiras.
Foi iniciado o processo de incorporação do Banco do Estado do Piauí (BEP), já federalizado, do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) e do Banco Nossa Caixa. Ainda está sendo negociada a incorporação do Banco Regional de Brasília (BRB).
Essas operações são vistas como estratégicas para o Banco do Brasil manter a liderança de mercado. Tradicionalmente, os bancos privados cresceram por meio de fusões e aquisições, enquanto o BB se expandiu de forma orgânica, pela abertura de agências e aumento da base de clientes (Valor Econômico, 17/9/2007).
O movimento de incorporação de bancos estaduais também tem papel estratégico na conquista de folhas de pagamento de órgãos públicos, no aumento da participação do banco no mercado de empréstimos consignados para funcionários públicos estaduais, e na expansão da capilaridade da instituição. A aquisição do Besc e do BEP, por exemplo, permitirá o avanço do Banco do Brasil no crédito consignado e a ampliação da sua base de clientes (Valor Econômico, 17/3/2008).
A incorporação do Besc, que foi federalizado após receber socorro financeiro do Tesouro, também daria um novo impulso ao segmento de crédito imobiliário, uma vez que a Besc Crédito Imobiliário é a décima maior instituição na captação de caderneta de poupança vinculada à habitação, com uma carteira de crédito imobiliário de R$ 73 milhões. A instituição, entretanto, tem atuado de forma limitada devido às restrições impostas pelo contrato que prevê sua privatização. A aquisição, portanto, disponibilizaria fundos para que o BB expandisse suas operações com maior velocidade (Valor Econômico, 24/4/2007).
Em maio de 2008, foram iniciadas as negociações com o governo do Estado de São Paulo para incorporação do Banco Nossa Caixa pelo Banco do Brasil. O processo de aquisição foi concluído em novembro de 2008, com a aquisição, pelo BB, de 71% do capital do Banco Nossa Caixa, sendo que a intenção é que ocorra, ainda em 2009, uma oferta pública para compra das demais ações (Valor Econômico, 21/11/2008). A fusão possibilitará o fortalecimento do BB no Estado de São Paulo, além de trazer 800 mil funcionários públicos da carteira da Nossa Caixa e os depósitos judiciais, considerados de baixo custo, que somam R$ 14,9 bilhões (Valor Econômico, 23/5/2008).
A decisão de fusão também foi incentivada pela presença vulnerável do Banco do Brasil no agronegócio paulista, que, por sua vez, começou a atrair o interesse de outros bancos, como o Santander. A Nossa Caixa agregaria uma carteira importante, principalmente de pequenos e médios agricultores (Folha de S. Paulo, 23/5/2008).
O BB também pretende investir em aquisições de instituições financeiras privadas. As carteiras de maior interesse são a de financiamento de veículos e crédito imobiliário (Valor Econômico, 4/3/2008).
Em 2009, a instituição anunciou a aquisição de 49% do capital do Banco Votorantim. O principal atrativo do Votorantim é a BV Financeira, especializada em financiamento de veículos, que é um segmento no qual o BB tem grande interesse. Outro negócio atrativo do Votorantim para o BB é a carteira de clientes de atacado (Valor Econômico, 7/11/2008). A vantagem da participação minoritária para o BB é o ganho de agilidade na tomada de decisões, como, por exemplo, no pagamento de salários mais competitivos. Atualmente, o banco tem limites por ser uma instituição pública (Folha de S. Paulo, 9/11/2008).
Banco Itaú
Histórico e estrutura
O Banco Itaú Holding Financeira S.A. é uma sociedade anônima de capital aberto que, em conjunto com empresas coligadas e controladas, atua no Brasil e no exterior, por meio das carteiras comercial, de investimento, de crédito imobiliário, de crédito, financiamento e investimento e de arrendamento mercantil. O banco também atua nas operações de câmbio e em atividades complementares, como as de Seguros, Previdência Privada, Capitalização, Corretagem de Títulos e Valores Mobiliários e Administração de Cartões de Crédito, Consórcios, Fundos de Investimentos e Carteiras Administradas.
A instituição começou a operar no Brasil em 30 de dezembro de 1943, com o nome de Banco Central de Crédito S.A. Em 1964, a instituição se fundiu com o mineiro Banco Itaú S.A., passando a adotar o nome de Banco Federal Itaú.
O grande salto do Itaú ocorreu após 1965, com a reforma da Lei Bancária, quando o banco pôde constituir seu banco de investimento e abrir agências nas principais capitais brasileiras.
Para possibilitar seu crescimento, o banco passou a buscar as fusões e aquisições. Comprou o Banco Sul-Americano do Brasil, em 1966, o Banco América, em 1969, o Banco Aliança, em 1970, o Banco Português do Brasil, em 1973, e o Banco União Comercial, em 1974, quando se tornou o segundo maior banco privado do país (Folha de S. Paulo, 28/8/2008).
Em 1976, o Itaú criou a segmentação de clientes, a partir da atribuição de estrelas aos melhores correntistas, sendo o “cliente cinco estrelas” aquele que nunca tinha o seu cheque devolvido. Em 1980, iniciou-se a internacionalização do Banco Itaú, com a inauguração de uma agência em Nova York, a primeira da instituição no exterior.
Em 1988, o Itaú organizou-se como banco múltiplo, centralizando, em carteiras, as operações que antes eram realizadas por empresas distintas no grupo. Na década de 90 tem início um processo de reformulação do sistema de atuação no mercado de varejo. A ampliação da segmentação iniciou-se com a criação do Private Bank, para atender pessoas físicas de alta renda.
Com o fim da inflação alta no país, o Itaú voltou a fazer aquisições. Em 1995, assumiu o controle acionário do Banco Francês e Brasileiro S.A., reforçando sua posição no segmento de clientes de alta renda, tesouraria e corporate banking. Surgiu, dessa forma, o Itaú Personnalité.
Em 1997, no primeiro leilão de privatização de bancos estaduais, o Itaú adquiriu o Banco Banerj S.A., fortalecendo sua atuação no mercado do Rio de Janeiro. Em 1998, foi adquirido o controle acionário do Banco do Estado de Minas Gerais S.A. (Bemge). Em novo leilão de privatização, em 2000, o Banco Itaú adquiriu o controle acionário do Banco do Estado do Paraná S.A. (Banestado), passando a deter a maior participação de mercado no Paraná. No final de 2001, o Itaú adquiriu o Banco do Estado de Goiás S.A. (BEG). Em 2002, o Banco Itaú iniciou suas operações na Bolsa de Nova York (NYSE). No final desse mesmo ano, o Itaú anunciou a associação com o BBA Creditanstalt, originando o Itaú BBA, um dos principais bancos de atacado do país.
Em 2003, o Banco Itaú S.A. iniciou uma reorganização societária, que culminou na criação do Banco Itaú Holding Financeira S.A. A nova instituição passou a controlar as empresas financeiras do conglomerado. Ainda em 2003, foi adquirido o controle acionário do Banco Fiat, com o objetivo de ampliar a atuação do Itaú no mercado de financiamento de bens de consumo.
No final de 2006, o Itaú adquiriu a carteira de US$ 3,7 bilhões de clientes do private banking do BankBoston na América Latina, que pertencia ao Bank of America (BAC). O banco americano assumiu uma participação de 7,44% no Itaú (Valor Econômico, 18/4/2007).
Em abril de 2007, o grupo Itaú adquiriu a carteira do ABN-Amro em Miami e Montevidéu, passando a ser o terceiro maior private banking da América Latina, atrás apenas dos bancos internacionais UBS e Citigroup (Valor Econômico, 18/4/2007). Nesse mesmo ano, foram aprovadas as aquisições das operações do BankBoston no Chile e no Uruguai, além da aquisição integral do BankBoston International, com sede em Miami, e do BankBoston Trust Company Limited, com sede em Nassau. Os dois últimos foram adquiridos por meio do Banco Itaú Europa e da sua subsidiária Banco Itaú Europa Luxembourg.
Em abril de 2008, o Banco Itaú adquiriu a totalidade das ações da Unión Capital AFAP S.A., empresa administradora de fundo previdenciário, que detém 20% dos ativos dos fundos de pensão do Uruguai. A efetivação da operação foi aprovada pelos órgãos reguladores em julho de 2008. Com relação à estrutura acionária da instituição, pouco mais da metade das ações está pulverizada no
mercado – Free-Float (Gráfico I.2.1).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Itaú.
Rede de atendimento
O Itaú está presente em todo o país, por meio de uma rede de 3,6 mil agências e postos de atendimento bancário e mais de 24 mil caixas eletrônicos e pontos de atendimento eletrônico em empresas. Os pontos de atendimento apresentam forte concentração no
Sudeste do Brasil, que detém 67,9% do total da rede (Gráfico I.2.2). Também fazem parte do Banco Itaú Holding Financeira S.A. os bancos Itaú Chile, Itaú Uruguai, Itaú Argentina, Itaú e Itaú BBA. O Itaú BBA é responsável pelas atividades de corporate e investment banking, atendendo, aproximadamente, 2 mil grupos econômicos entre os maiores do País. São ofertadas desde operações típicas de banco comercial até operações de mercado de capitais e assessoramento em fusões e aquisições. No exterior, o Itaú BBA atua, principalmente, com operações de câmbio, estruturação de operações de longo prazo, em formato bilateral e/ou em regime de sindicato com outras instituições, e no financiamento ao comércio exterior.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site da
Febraban.
A instituição disponibiliza amplo atendimento por meio do internet banking e do telefone celular, pelo qual é possível realizar transferências, pagamentos de títulos, consulta de saldos, consulta de dados de fundos de investimento, consulta de saldo de aplicações em ações, dentre outros (Valor Econômico, 15/6/2007).
O segmento de crédito ao consumo do Itaú é atendido por meio da rede de lojas Taií – Financeira Itaú (Trishop Promoções e Serviços), criada em 2004, que conta com 736 lojas e 344 pontos de atendimento eletrônico. Por meio das três financeiras Itaú – FIT, Itaú CBD-FIC e Americanas Itaú-FAI –, a rede Taií disponibiliza financiamento e cartões de crédito, principalmente para clientes sem acesso aos serviços financeiros tradicionais.
A rede de lojas próprias da Taií-FIT atua nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo, Bahia, Pernambuco, Goiás e Ceará. A Financeira Itaú CBD-FIC oferece produtos e serviços para clientes das unidades de negócios Pão de Açúcar, Extra, Extra-Eletro, Compre Bem e Sendas. A Itaú. FAI, por sua vez, atua por meio dos pontos de venda das Lojas Americanas (LASA) e Americanas Express, bem como dos sites de venda de produtos Americanas.com e Shoptime.
A rede do Itaú Holding no exterior conta com agências em Nova York e Ilhas Cayman, do Banco Itaú Buen Ayre, com a subsidiária Itaubank, do Banco Itaú Europa, e com o Banco Itaú Europa Luxemburgo, além das unidades do Itaú BBA. A instituição possui unidades e realiza operações no Japão, China, Estados Unidos, Ilhas Cayman, Nassau, Portugal, Inglaterra, Argentina, Chile e Uruguai. Em 2007, consolidou-se o processo de fortalecimento das operações corporate no Chile, por meio do Itaú Chile. A aquisição das operações do BankBoston no Chile e no Uruguai, aprovadas em 2007 pelas autoridades reguladoras desses países, aumentou consideravelmente a participação internacional do Itaú no varejo.
A Itaú Holding também tem uma atuação significativa no financiamento ao comércio exterior, na colocação de eurobonds e na oferta de operações financeiras mais sofisticadas no exterior, por meio de suas subsidiárias localizadas na América do Norte, Europa e Ásia.
Base de clientes
Os clientes do Itaú são segmentados em não correntistas, pessoas físicas, pessoas físicas de alta renda (Itaú Personnalité), clientes com elevado patrimônio financeiro (Itaú Private Bank), microempresas, pequenas empresas, médias empresas, grandes corporações, investidores institucionais e poder público. A Itaú Holding alcançou cerca de 24 milhões de clientes em dezembro de 2007, sendo que quase metade deles são não correntistas.
O segmento de clientes não correntistas é atendido dentro da estrutura da Itaucred e tem crescido rapidamente nos últimos anos. Esses clientes utilizam, principalmente, os serviços de cartões de crédito, financiamento de veículos e crédito ao consumo. Somente a financeira Taií possui 6,7 milhões de clientes.
As aquisições de operações de private bank do BankBoston International (BBI), com sede em Miami, do BankBoston Trust Company Limited (BBT), com sede em Nassau, e do ABN-Amro Bank N.V. (Miami e Montevidéu) ampliaram a atuação do Itaú junto aos clientes do segmento Private Bank. A integração com o BankBoston também possibilitou um expressivo crescimento da carteira de clientes Pequenas e Médias Empresas, durante o ano de 2007.
Em setembro de 2007, os clientes com faturamento anual entre R$ 150 milhões e R$ 250 milhões foram transferidos do Banco Itaú para o Banco Itaú BBA, que passou a atender as 2 mil maiores empresas clientes da holding, com serviços de banco de atacado, de investimento, além de outros mais identificados com o varejo, como folhas de pagamento para funcionários. Por meio do Itaú BBA, essas empresas podem acessar o mercado de capitais, realizar emissão pública inicial de ações (IPO), obter empréstimos mais estruturados ou utilizar derivativos financeiros mais complexos (Valor Econômico, 5/12/2007).
No segmento Corporate, o Itaú ocupa a liderança em fundos de investimento para clientes pessoa jurídica, com uma participação de 15,5% do mercado. No segmento de Investidores Institucionais, que abrange a administração de recursos de clientes, o Itaú manteve-se na liderança como o maior gestor privado de recursos de Entidades de Previdência Complementar Privadas, com uma participação de mercado de 20,2%, segundo o ranking Anbid de dezembro de 2007. No segmento Poder Público, o Itaú atendia, no final de 2007, 902 órgãos públicos, sendo responsável pela folha de pagamento de cerca de 1,78 milhão de servidores.
Captações
O perfil das captações do Banco Itaú está intimamente ligado à gestão de liquidez, em que o fluxo de caixa é administrado de forma que as captações efetuadas dos clientes sustentem suas operações de crédito. Em junho de 2008, o total de recursos captados atingiu R$ 185 bilhões, sendo que, até março de 2008, as captações eram feitas, principalmente, por meio de depósitos, que representaram 55% do total de recursos captados. Entretanto, em junho de 2008, essa participação foi de 47%, contra 53% das Captações de Mercado Aberto. Por outro lado, observa-se uma tendência de queda da participação dos depósitos de poupança e de aumento de participação dos Depósitos a Prazo, principais componentes dos
Depósitos (Tabela I.2.1).
Tabela I.2.1 – Composição das Captações (em %)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
O expressivo crescimento das Captações de Mercado Aberto deve-se à maior demanda por ativos de crédito, que fez com que o Itaú suprisse sua necessidade marginal de funding com captações no mercado.
Carteira de crédito
A carteira de crédito do Banco Itaú, que alcançou R$ 89,8 bilhões
em junho de 2008 (Gráfico I.2.3), é formada pelas carteiras de Pessoa Física – cartão de crédito, crédito pessoal e veículos –, Pessoas Jurídicas – micro, pequenas, médias e grandes empresas –, Créditos Direcionados e pelas carteiras da Argentina, Chile e Uruguai. A estratégia do Itaú para a carteira de empréstimos e financiamentos tem sido privilegiar aqueles capazes de oferecer melhor relação entre risco e retorno nas operações.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Nos últimos anos, os segmentos que mais têm contribuído para o crescimento da carteira de crédito são o de financiamento de veículos e o de crédito às micros, pequenas e médias empresas. A carteira de empréstimos de empresas é a que tem maior participação na carteira total, atingindo 46,8%, em junho de 2008; entretanto, nos últimos anos essa participação vem caindo. A participação da carteira de pessoas físicas, por sua vez, tem apresentado tendência de crescimento, passando de 28,7% em
dezembro de 2003 para 42,1% em junho de 2008 (Tabela I.2.2).
As operações de empréstimo e financiamento das micro, pequenas e médias empresas também vêm se destacando, com um crescimento de quase 500%, no período de dezembro de 2003 a junho de 2008. Esse crescimento foi superior à média do mercado, destacando-se os produtos de curto prazo. A ampliação da atuação do banco entre esses clientes foi possibilitada pela aquisição do BankBoston, que era um dos líderes nesse nicho de mercado (Valor Econômico, 8/8/2007 [2]). No momento da aquisição do banco estrangeiro, a participação desses clientes no total de empréstimos do Itaú passou de 18,7% para 22% (O Globo, 1/11/2006).
Tabela I.2.2 – Composição da Carteira de Crédito (%)
1) Crescimento verificado de dezembro/2005 a junho/2008.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Itaú.
A expansão da carteira de Grandes Empresas foi provocada pela intensificação do relacionamento com clientes e pela crescente demanda por crédito por parte das empresas de grande porte, mesmo considerando a facilidade de acesso que esses clientes têm a fontes de financiamento alternativas no mercado de capitais. A aquisição do BankBoston também contribuiu significativamente para o bom desempenho desse segmento. O expressivo aumento da participação dessa carteira ocorrido em dezembro de 2007, em relação a dezembro de 2006, deve-se ao início, no primeiro semestre de 2007, das operações do banco no Chile e no Uruguai (Valor Econômico, 8/8/2007 (2)).
As operações de crédito das unidades do Itaú no exterior – Argentina, Chile e Uruguai – também tiveram uma expansão expressiva, impulsionadas, principalmente, pelas operações com clientes pessoa jurídica. A redução da participação na carteira total verificada no primeiro semestre de 2008, em relação a 2007, deve-se, principalmente, à desvalorização cambial do peso chileno em relação ao real, o que afetou o valor da carteira do Itaú naquele país.
Na carteira de crédito pessoas físicas, o segmento de financiamento de veículos é o que tem apresentando melhor desempenho, com um crescimento de 717% no período de dezembro de 2003 a junho de 2008, impulsionado, principalmente, pelas operações do Banco Fiat (Valor Econômico, 5/4/2007). Além do Banco Fiat, o Itaú adquiriu as carteiras da Fináustria e do Banco Intercap. Em junho de 2008, a carteira de veículos representou 24,4% da carteira total do Itaú,
contra 9,9% em dezembro de 2003 (Tabela I.2.3).
Tabela I.2.3 – Participação da Carteira de Crédito Pessoa Física na
Carteira Total (em %)
1) Crescimento verificado de dezembro/2005 a junho/2008.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Itaú.
As operações de cartão de crédito também tiveram um crescimento significativo em 2007 e no primeiro semestre de 2008, resultado da crescente popularização desse instrumento como meio de pagamento e financiamento. O banco encerrou o primeiro semestre de 2008 com 16,2 milhões de cartões e faturamento de R$ 22,7 bilhões. A conquista de clientes de menor poder aquisitivo vem impulsionando as emissões de cartões, enquanto a expansão do faturamento tem sido consequência, principalmente, do aumento dos gastos dos clientes de renda mais alta (Valor Econômico, 4/7/2007 [1]).
O segmento de crédito para consumo, administrado pela Taií, destaca-se pela venda de crédito pessoal, cartões de uso restrito (private label), cartões de crédito Itaucard VISA e MasterCard (co-branded), além de outros produtos de crédito voltados ao consumo. Os produtos são oferecidos por meio de lojas próprias ou por meio de parcerias com grandes varejistas brasileiros. A carteira de crédito da Taií, excluindo o crédito consignado, atingiu a marca de R$ 2 bilhões em junho de 2008.
A carteira de crédito consignado do Itaú alcançou a marca de R$ 3,3 bilhões em 2007, uma evolução de 45,8% em relação a 2006. Em 2007, as operações desse segmento resultaram, principalmente, de um acordo entre o Itaú e o Banco BMG para a distribuição do produto nos canais de venda Itaú. O BMG é líder em empréstimos consignados, principalmente para aposentados e pensionistas do INSS, sendo um dos bancos que mais geram créditos de varejo no país (Valor Econômico, 13/9/2007). Grande parte dos empréstimos para não correntistas realizados pela Taií foi feita por meio do crédito consignado. No primeiro semestre de 2007, por exemplo, o total de empréstimos para não correntistas foi de R$ 3,8 bilhões, sendo que R$ 2,5 bilhões foram de crédito consignado (Valor Econômico, 8/8/2007 [2]).
No primeiro semestre de 2008, o saldo dessa carteira atingiu R$ 3,2 bilhões. Enquanto a carteira composta pelas operações com clientes correntistas cresceu 11,9% em relação ao trimestre anterior, alcançando R$ 959 milhões, o saldo das operações de crédito consignado dos clientes não correntistas apresentou redução de 6,2%, no mesmo período. Essa redução foi resultado, basicamente, do término do acordo estabelecido com o Banco BMG para a aquisição de novas operações de crédito consignado.
Apesar desse crescimento verificado na carteira de crédito, o índice de inadimplência não sofreu grandes alterações. Após atingir 5,3% em 2006, o índice caiu para 4,3% no primeiro semestre de 2008. O índice referente aos clientes pessoa física atingiu 6,6%, enquanto o índice associado aos clientes pessoa jurídica alcançou 1,5%
(Gráfico I.2.4).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Itaú.
Gestão de riscos
O Itaú criou uma estrutura específica para o Basileia II, em forma de comitês, com a participação de todas as áreas que, de alguma forma, estejam envolvidas com a adequação dos controles de risco aos padrões exigidos pelo Novo Acordo. O Índice de Basileia atingiu 17,1% em junho de 2008, contra 18,7% em dezembro de 2007