A evolução recente do setor bancário no Brasil

Patrícia Olga Camargo · Capítulo 6 de 6 · parte 2/5

Páginas do PDF

A evolução recente do setor bancário no Brasil

Anexos: Análise individual dos maiores bancos

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 5 partes.

(Gráfico I.2.5). Essa redução ocorreu, principalmente, devido à recompra de ações pela tesouraria do banco, durante o período. Nos últimos anos, esse índice não tem sofrido alterações significativas, mantendo-se elevado em relação ao mínimo exigido.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Banco Itaú.

Com relação à qualidade da carteira de crédito, a participação dos créditos classificados entre os níveis “AA” e “C” atingiu 91,9% da carteira. Após redução, em 2006, essa participação voltou a crescer

em 2007 e no primeiro semestre de 2008 (Tabela I.2.4). A carteira de maior qualidade é a de grandes empresas, enquanto a de menor qualidade é a de crédito pessoal.

Tabela I.2.4 – Composição da Carteira de Crédito por Nível de Risco

(%)

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Banco Itaú.

 

Índices de cobertura e de eficiência

No primeiro semestre de 2008, as receitas de prestação de serviços totalizaram R$ 4,5 bilhões, enquanto as despesas de pessoal atingiram R$ 2,4 bilhões. Esses resultados levaram a um Índice de

Cobertura de 190,1% (Tabela I.2.5).

Tabela I.2.5 – Índice de Cobertura (em %)

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Banco Central do Brasil.

A recente redução do Índice de Cobertura foi consequência, principalmente, do menor crescimento da receita de prestação de serviços. Esse menor crescimento foi provocado, basicamente, pela campanha de redução de tarifas para fidelização de clientes, anunciada em agosto de 2007, em antecipação à Resolução CMN 3.518/07, que disciplina a cobrança de tarifas para pessoas físicas. Foram verificadas reduções das receitas de serviços de conta-corrente e das receitas de operações de crédito e garantias prestadas.

Apesar da recente redução, o Índice de Cobertura apresentou crescimento significativo no período analisado, passando de 121,6% em 1997 para 190,1% no primeiro semestre de 2008. Esse crescimento foi resultado da ampliação de 406,2% das receitas de prestação de serviços, contra um crescimento de somente 207,7% das despesas de pessoal verificado no período.

Os principais componentes das Receitas de Prestação de Serviços são as receitas de Administração de Recursos e as receitas de Cartões de Crédito. No primeiro semestre de 2008, esses dois segmentos foram responsáveis por 58,7% do total das receitas

(Gráfico I.2.6).

O Índice de Eficiência, por sua vez, atingiu 43,6% no primeiro semestre de 2008, contra 46,2% em 2007. Desde 2001, quando era

de 62,1%, esse índice vem decrescendo (Gráfico I.2.7).

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Banco Itaú.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Banco Itaú.

 

Composição dos ativos e das receitas de

intermediação financeira

Os principais componentes da carteira de ativos do Itaú são as Operações de Crédito e Garantias, que, no primeiro semestre de 2008, alcançaram uma participação de 26,4% no total de ativos. A carteira de Títulos e Valores Mobiliários, por sua vez, tem apresentado tendência de queda, atingindo uma participação de

12,9% em junho de 2008 (Tabela I.2.6).

Tabela I.2.6 – Composição dos Ativos (em %)

 

1) Inclui Disponibilidades, Relações Interfinanceiras, Relações de

Interdependências, Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa, Outros Valores e Bens, Imobilizado de Arrendamento e Permanente.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Banco Central do Brasil.

Os títulos públicos são os principais componentes da carteira de Títulos e Valores Mobiliários, com uma participação de 41,6%

(Gráfico I.2.8), sendo que 61,5% desses títulos são nacionais.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Banco Itaú.

Em junho de 2008, as operações de crédito representaram 73,4% do total das receitas de intermediação financeira, enquanto o resultado de títulos e valores mobiliários contribuiu com 17%. A participação das operações de crédito tem crescido, principalmente a partir de 2004, enquanto a participação do resultado de TVM vem

apresentando tendência de queda (Tabela I.2.7).

Tabela I.2.7 – Composição das Receitas de Intermediação

Financeira (em %)

 

1) Inclui Operações com Instrumentos Financeiros Derivativos,

Operações de Câmbio e Aplicações Compulsórias.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Banco Central do Brasil.

 

Resultados

No primeiro semestre de 2008, o lucro líquido consolidado do Itaú foi de R$ 4,1 bilhões. No ano de 2007, o lucro líquido foi de R$ 5,1

bilhões, contra R$ 6,9 bilhões em 2006 (Gráfico I.2.9). O resultado da instituição tem sido impulsionado, principalmente, pelas operações de crédito.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Banco Central do Brasil.

O menor lucro da instituição, apontado em 2007 pelo Banco Central, foi decorrente da amortização, no período, de todo o ágio de R$ 4,435 bilhões pago na aquisição do BankBoston (Valor Econômico, 4/7/2007 [2]).

O Retorno Anualizado sobre o Patrimônio Líquido Médio – ROE Anualizado atingiu 27,7% em junho de 2008, índice abaixo das taxas anuais registradas a partir de 2000. Em 2007, esse índice foi

de 32,1%, contra 28,8% em 2006 (Gráfico I.2.10).

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Banco Itaú.

 

Tendências recentes

Até 2004, o Itaú manteve uma política de crédito conservadora, pautada em rígido controle de riscos, com elevados níveis de aplicações em Títulos e Valores Mobiliários. Entretanto, nos últimos anos observa-se uma redução dessas aplicações, devido a um maior redirecionamento dos ativos para operações de crédito. Com isso, o Itaú deverá competir no mercado de forma mais agressiva na obtenção de funding para fazer face à expansão de sua carteira de crédito, que é o foco atual da instituição.

O Itaú vem apostando, também, no potencial de crescimento do crédito imobiliário, financiamento de veículos, crédito consignado e empréstimos a pequenas e médias empresas (Valor Econômico, 13/2/2008). O crédito imobiliário é considerado um segmento importante para o banco, uma vez que estabelece um relacionamento de longo prazo com o cliente, podendo gerar vínculos contratuais de até 25 anos. O Itaú vem investindo, principalmente, no crédito direcionado para as construtoras e incorporadoras (Valor Econômico, 28/6/2007; Valor Econômico, 3/9/2007). Em 2008, por exemplo, o banco celebrou um contrato de abertura de linha de crédito com a Agra Empreendimentos Imobiliários, para aquisição de terrenos e financiamento da construção de seus empreendimento (DCI – SP, 16/5/2008). O banco tem, ainda, uma parceria com a HM Engenharia para financiamento de empreendimentos (Destak Jornal, 24/3/2008).

O Itaú também tem como estratégia o estabelecimento de parcerias com imobiliárias, como, por exemplo, o acordo firmado com a Lopes Consultoria de Imóveis, em dezembro de 2007, para agilizar as concessões. O acordo tem validade de vinte anos e garante exclusividade ao Itaú para promover o financiamento dentro das lojas da corretora (Dinheiro – SP, 6/4/2008). O principal objetivo dessa parceria é a ampliação do financiamento de imóveis usados (DCI – SP, 31/3/2008).

A instituição também tem investido na melhoria dos processos, expandindo os canais de atuação comercial e buscando ampliar sua participação de mercado. Foram lançados, ainda, novos produtos com taxas de juros reduzidas e prazos de financiamento de até 25 anos. A instituição também passou a operar, desde outubro de 2007, com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para repasse de recursos para o financiamento imobiliário. O objetivo é atrair clientes de renda mais baixa (Valor Econômico, 31/10/2007).

As operações de financiamento e leasing de veículos também são importantes para o banco, uma vez que se enquadram em sua estratégia de ampliação da carteira com manutenção de uma adequada relação entre risco e retorno. Já que as garantias são os próprios veículos financiados, essas operações representam riscos relativamente baixos. O mesmo ocorre com o crédito consignado, carteira de baixo risco. O Itaú busca ampliar sua atuação nesse segmento por meio da aquisição de carteiras de crédito (Valor Econômico, 13/2/2008).

No segmento de crédito ao consumidor, a instituição busca crescer por meio do estabelecimento de parcerias, como as estabelecidas com Grupo Pão de Açúcar e com as Lojas Americanas S.A. Em outubro de 2008, o banco firmou um acordo válido por dez anos com as Lojas Marisa para distribuir produtos de sua subsidiária financeira, a Itaú Holding Financeira, diretamente a clientes varejistas, em suas lojas. O acordo prevê a criação de um novo cartão de crédito, com ambas as marcas, para ser distribuído e comercializado nas unidades das Lojas Marisa (Valor Econômico, 20/10/2008).

O segmento de cartões também é muito lucrativo para o banco. O Itaú é uma das instituições líderes nesse segmento e pretende expandi-lo, principalmente, por meio da ampliação do número de cartões para a população de baixa renda (Folha de S. Paulo, 26/3/2008).

O segmento de pequenas e médias empresas é uma área para a qual a Itaú Holding tem ambiciosos planos de expansão. A instituição acredita que esse segmento tem um forte potencial de crescimento para os próximos anos, devido, principalmente, ao aumento do universo de clientes potenciais e à base de clientes incorporada com a aquisição do BankBoston. A expectativa do banco é de que, nos próximos anos, grande parte da expansão de crédito para pessoa jurídica venha do segmento de pequenas e médias empresas, uma vez que as grandes empresas têm a opção de recorrer aos instrumentos do mercado de capitais para a captação de seus recursos.

As ações implementadas pela instituição nos últimos anos buscam capturar negócios além das fronteiras da atividade bancária tradicional, por meio de parcerias, incorporações de carteiras específicas ou aquisições. Podem ser citados, como casos recentes, o BankBoston, o ABN-Amro em Miami, Banco Fiat, Redecard, Orbitall, Credicard, Grupo Pão de Açúcar, Lojas Americanas S.A., BMG, Lopes Imobiliária, Lojas Marisa, dentre outros.

As aquisições são consideradas importantes pelo Itaú para enfrentar a concorrência acirrada, principalmente após a aquisição do holandês ABN pelo consórcio formado por RBS e Santander. Nesse sentido, em 30 de outubro de 2008, o Itaú anunciou sua fusão com o Unibanco. A nova empresa, Itaú-Unibanco Holding (IU), será uma das vinte maiores instituições financeiras do mundo, a maior do Brasil e o maior conglomerado financeiro privado do Hemisfério Sul, de acordo com dados do final do terceiro trimestre de 2008 (Valor Econômico, 3/11/2008). Após a operação, a Itaú S.A. deterá 66% da IU Participações, enquanto o restante será detido pelos controladores do Unibanco (Reuters, 3/11/2008).

O Itaú-Unibanco pretende recorrer a novas aquisições para crescer no crédito consignado e no exterior. O Itaú entrou com atraso no crédito consignado. Tentou comprar o Banco BMG, mas a transação não foi concluída. O Unibanco, por sua vez, tem uma atuação mais significativa nessa área.

Com relação à atuação internacional, a nova instituição pretende ampliar sua atuação por meio de aquisições de bancos no exterior. Apenas de 5% a 6% dos resultados vêm das operações internacionais, que estão relacionadas, principalmente, a operações de apoio a empresas brasileiras no exterior, com exceção dos negócios na Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, onde o banco possui redes locais, com operações de varejo. O objetivo do novo banco é elevar esse percentual (Valor Econômico, 10/12/2008).

 

Bradesco

Histórico e estrutura

O Banco Bradesco S.A. é uma companhia aberta de direito privado que opera como Banco Múltiplo, desenvolvendo atividades bancárias por meio de suas carteiras comerciais, de operações de câmbio, de crédito ao consumidor, de crédito imobiliário e de cartões de crédito. Por intermédio de suas controladas, atua em diversas outras atividades, como Arrendamento Mercantil, Banco de Investimentos, Administração de Consórcios, Seguros, Previdência e Capitalização.

O Bradesco foi fundado em 1943, em Marília, no interior de São Paulo, com o nome de Banco Brasileiro de Descontos. Em 1951, a instituição tornou-se o maior banco privado do Brasil. Nessa mesma década, o Bradesco chegou ao norte rural do Paraná e criou a Fundação Bradesco, que tinha como objetivo oferecer educação gratuita a crianças, jovens e adultos carentes.

Na década de 70, as altas taxas de crescimento do Brasil favoreceram a expansão do banco, que passou a ter uma atuação significativa no segmento de crédito, principalmente no financiamento de veículos. A instituição incorporou 17 outros bancos, atingindo, em 1978, um total de mil agências. Na década de 80, o Bradesco formou o Grupo Bradesco Seguros, passando a atuar nos segmentos de seguro, de previdência privada aberta e de capitalização.

Em janeiro de 2007, o Bradesco anunciou a compra do banco BMC, instituição fundada em 1939, com forte atuação no segmento de crédito consignado, com agências em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Fortaleza, Recife, Salvador, Campinas, São José do Rio Preto e Joinville (Agência Estado, 24/1/2007).

Quanto à estrutura societária da instituição, a maior acionista é a empresa holding Cidade de Deus – Companhia Comercial de Participações, que detém 24,51% do capital total, seguida pela Fundação Bradesco, com 8,58%. A maior parte das ações, 59,94%,

está pulverizada no mercado (Gráfico I.3.1).

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Bradesco.

 

Rede de atendimento

O Bradesco conta com mais de 83 mil trabalhadores e uma ampla rede de atendimento, composta por 3.193 Agências (3.176 do Bradesco, 16 do Banco Finasa BMC e 1 do Bradesco BBI), 27,4 mil máquinas da Rede de Autoatendimento Bradesco Dia&Noite, 4,6 mil máquinas da Rede Banco24Horas, 13,4 mil Pontos Bradesco Expresso (Correspondentes), 5,9 mil Agências do Banco Postal, 3,3 mil Postos e Pontos de Atendimento Bancário em Empresas, 1,6 mil Correspondentes Bancários do Banco Finasa BMC, para atendimento nos segmentos consignados e veículos, e 268 Filiais da Finasa Promotora de Vendas. Os clientes também contam com o compartilhamento da rede com o Banco do Brasil e com o atendimento por meio do telefone (fixo e celular) e do internet banking.

A maior parte dos pontos de atendimento do Bradesco está localizada no Sudeste, com uma participação de 53,9%, seguido pelo Nordeste, que tem uma participação de 19% do total de pontos

de atendimento (Gráfico I.3.2). Nos últimos anos, a distribuição dos pontos de atendimento pelo país não tem se alterado consideravelmente, destacando-se um pequeno aumento da participação da região Norte, acompanhado de pequena redução na participação da região Sudeste.

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Bradesco.

Além do Banco de Varejo, a Organização Bradesco possui as empresas de arrendamento mercantil Bradesco Leasing S.A. Arrendamento Mercantil, Zogbi Leasing S.A. Arrendamento Mercantil e Bankpar Arrendamento Mercantil S.A., além da carteira de arrendamento mercantil do Banco Finasa S.A.

O Banco Finasa disponibiliza financiamento de crédito direto ao consumidor para aquisição de bens e serviços, além de operações de leasing e crédito pessoal, sendo que sua carteira de arrendamento mercantil é composta, basicamente, por operações de financiamento de veículos destinadas às pessoas físicas. A instituição atua principalmente por meio de parcerias com grandes montadoras e revendas de veículos, caminhões e implementos, e com importantes redes de lojas de comércio varejista, contando com 33.816 Lojas e Revendas Conveniadas, sendo 21.151 pontos de revenda de veículos.

O Banco Bradesco BBI S.A. é o Banco de Investimento da Organização Bradesco, responsável pelo desenvolvimento de operações nos segmentos de Renda Variável, Renda Fixa, Operações Estruturadas, Fusões e Aquisições, Financiamento de Projetos e Tesouraria.

O Banco Postal atua em todos os municípios brasileiros, buscando a inclusão da população não bancarizada, por meio de serviços como recepção e encaminhamento de propostas de abertura de contas e de propostas de crédito, saques e depósitos em conta-corrente e poupança, recebimento de títulos de cobrança bancária e de contas de consumo, pagamento de benefícios do INSS e empréstimos on-line para clientes com limite disponível, dentre outros.

O Banco Postal foi criado em 2001, por meio de um acordo, válido até 2011, com a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) para oferta de produtos e serviços (Valor Econômico, 19/9/2007). A parceria contribui para a ampliação do atendimento das comunidades locais, especialmente nas localidades não assistidas pela Rede Bancária, além de se constituir em um ponto de apoio aos clientes do Bradesco que transacionam em todo o Brasil.

No segmento de correspondente, a instituição atua por meio da Rede Bradesco Expresso, firmando parcerias com supermercados, farmácias, magazines, lojas de departamentos e outras redes varejistas. Para o Bradesco, essa é a melhor forma de chegar aos clientes de baixa renda, em especial à população não bancarizada. Os principais serviços prestados são de recebimento de contas de consumo, tributos e boletos de cobrança, recarga de celular pré-pago e saques em conta-corrente, poupança e INSS.

A rede do Bradesco no exterior é formada por 12 unidades, sendo uma agência em Nova York, três em Grand Cayman (sendo uma do BMC) e uma em Nassau, além de 7 subsidiárias: Banco Bradesco Argentina S.A., em Buenos Aires; Banco Bradesco Luxembourg S.A., em Luxemburgo; Bradesco Securities, Inc., em Nova York; Bradesco Securities UK Limited, em Londres; Bradesco Services Co., Ltd., em Tóquio; Cidade Capital Markets Ltd., em Grand Cayman; e Bradesco Trade Service Ltd., em Hong Kong. A principal atividade dessas unidades no exterior é de apoio ao financiamento do comércio exterior brasileiro, bem como de captação de recursos na comunidade financeira internacional e nas empresas brasileiras com unidades no exterior.

Em setembro de 2008, o Bradesco assinou um acordo para fazer parte da Rede Connector, uma aliança internacional composta por 13 instituições financeiras de mais de 30 países da Europa, Estados Unidos, Oceania e, com a entrada do Bradesco, da América Latina. Pelo acordo, as companhias brasileiras clientes do Bradesco terão acesso a uma rede de mais de 20 mil agências dos bancos que fazem parte da associação, especializada na prestação de serviços de cash management. Os serviços incluem o gerenciamento de todo o fluxo financeiro das empresas, como pagamentos, arrecadação de tributos, importação, exportação, maior facilidade na abertura de contas em outros países e na gestão de tesouraria internacional. Outra vantagem é a indicação de clientes corporativos em cada país para os bancos que fazem parte da rede. O Bradesco também deverá atender os clientes que fazem parte da associação (Valor Econômico, 17/9/2008).

Acordo semelhante foi firmado com o BBVA, em agosto de 2008. A estratégia do Bradesco ao firmar esse tipo de acordo teve como objetivo principal responder à ameaça de concorrência representada pela unificação do Santander com o ABN-Amro, instituições que têm forte atuação no gerenciamento de caixa para clientes (Valor Econômico, 14/8/2008).

A área de cash management vem ganhando importância para o Bradesco, nos últimos anos, e a associação vem em um momento importante em que várias empresas brasileiras estão em processo de internacionalização (Valor Econômico, 17/9/2008).

 

Base de clientes

Em junho de 2008, a base de clientes do Bradesco alcançou 37 milhões (incluindo seguros e capitalização), sendo 20 milhões de correntistas. Dos correntistas, 95% são clientes Pessoa Física e 5% são clientes Pessoa Jurídica. O processo de segmentação de clientes do Bradesco alinha-se à tendência de mercado, que consiste em reunir grupos de clientes de um mesmo perfil, permitindo, assim, atendimento diferenciado e crescentes ganhos de produtividade.

Em sua estratégia de segmentação, o Bradesco classifica os clientes nos segmentos Varejo, Prime, Private, Empresas e Corporate. O Bradesco Varejo atende pessoas físicas, sendo considerado um segmento estratégico e prioritário pelo banco. Em dezembro de 2007, eram atendidos mais de 18 milhões de clientes correntistas. O Bradesco Prime atua no segmento de pessoas físicas de alta renda, atendendo 389 mil clientes, por meio de uma rede de atendimento de 228 agências. O Bradesco Private Banking atende pessoas físicas de elevado patrimônio. Em dezembro de 2007, essa divisão gerenciava R$ 33,7 bilhões, de um total de 5.109 clientes.

O Bradesco Empresas – Middle Market atende grupos econômicos com faturamento anual entre R$ 30 milhões e R$ 350 milhões, por meio de 68 Agências exclusivas, presentes nas principais capitais brasileiras, sendo que 57 estão localizadas nas regiões Sul e Sudeste. Esse segmento atende 24.771 empresas em diversos setores da economia.

O Bradesco Corporate atende grandes grupos econômicos, com faturamento anual superior a R$ 350 milhões. Em março de 2008, eram atendidos 1.204 grandes grupos econômicos, distribuídos nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Pernambuco e Bahia.

O Bradesco também atende o Poder Público, incluindo Entes e Órgãos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, nos âmbitos federal, estadual e municipal, além das Autarquias, Fundações Públicas, Empresas Públicas e de Economia Mista, Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) e Forças Auxiliares (Polícias Federal, Militar e Civil), Notários e Registradores.

 

Captações

A captação de recursos do Bradesco é feita, principalmente, por meio de depósitos, que representaram 54,9% do total captado, em junho de 2008. Dentre os recursos captados por meio de depósitos, os depósitos a prazo são os que têm maior participação no total de

recursos captados pelo banco (Tabela I.3.1).

Tabela I.3.1 – Composição das Captações (em %)

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Banco Central do Brasil.

Nos últimos anos, observa-se, entretanto, uma tendência de queda da participação dos depósitos, acompanhado do aumento da participação das captações no mercado aberto, que atingiu 45,1% em junho de 2008. A principal causa desse resultado tem sido a queda da participação dos depósitos de poupança, que representavam 15,2% do total captado em junho de 2008, contra 51,8% em dezembro de 1997.

 

Carteira de crédito

Nos últimos anos, a carteira de crédito do Bradesco vem crescendo consideravelmente, atingindo R$ 125,5 bilhões em junho de 2008, um crescimento de 651,5% em relação a dezembro de 1997

(Gráfico I.3.3).

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Banco Central do Brasil.

Em junho de 2008, 59,6% da carteira foram direcionados para o segmento Pessoas Jurídicas, sendo que as Grandes Empresas tiveram uma participação de 28%, enquanto o segmento de Micro, Pequenas e Médias Empresas representou 31,6% do total da carteira. O crédito para pessoas físicas respondeu por 40,4% da

carteira da instituição (Tabela I.3.2).

Tabela I.3.2 – Composição da Carteira de Crédito por Tipo de

Cliente (%)

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Bradesco.

Nos últimos anos, verifica-se um crescimento da participação da carteira de Micro, Pequenas e Médias Empresas e, principalmente, da carteira de pessoas físicas. A participação da carteira de Grandes Empresas, por sua vez, vem apresentando tendência de queda. Na carteira Pessoa Jurídica destacam-se os produtos Repasse BNDES, Financiamento à Exportação, Capital de Giro e Leasing. O produto “Capital de Giro” é o que tem maior participação da carteira Pessoa Jurídica, representando 16,5% em junho de 2008.

A evolução das operações de crédito destinadas às pessoas físicas foi o fator fundamental para o crescimento recente da carteira de crédito. A carteira de financiamento de veículos é a que tem maior participação na carteira de Pessoa Física do Bradesco, representando 47,9% em junho de 2008, sendo que essa

participação vem crescendo nos últimos anos (Tabela I.3.3).

Tabela I.3.3 – Composição da Carteira de Crédito Pessoa Física (%)

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Bradesco.

Na modalidade Crédito Pessoal, destaca-se o Crédito Consignado, que representou 11,1% da carteira de Pessoas Físicas em junho de 2008. As modalidades de financiamento de veículos e de crédito consignado têm grande importância para o banco, uma vez que, por suas garantias e características, proporcionam à carteira um nível mais adequado de risco de crédito. O financiamento de veículos é oferecido, principalmente, por meio da Finasa e do Banco Ford, adquirido em 2002.

No segmento de cartões de crédito, o Bradesco vem ampliando a sua participação de mercado. A aquisição da bandeira American Express, em maio de 2006, contribuiu significativamente para essa expansão, principalmente com relação aos clientes de maior nível de renda. Em junho de 2008, a base de Cartões de Crédito do banco alcançou 32,3 milhões, um crescimento de 45,5% nos últimos doze meses. O faturamento, por sua vez, atingiu R$ 21 bilhões, o que representou um crescimento de 25,4% em doze meses.

As operações com cartões Private Label, sobretudo, na linha de crédito rotativo, também contribuíram para a expansão da carteira de crédito. A instituição atua por meio de acordos operacionais com redes de lojas varejistas dos segmentos de eletrodomésticos, supermercados, lojas de departamento, vestuário, farmácia e cosméticos. Destacam-se os acordos com as Casas Bahia, Comper, Carone, Dois Irmãos, G. Barbosa, Coop, LeaderCard, Lojas Esplanada (Grupo Deib Otoch), Luigi Bertolli, Panvel, Drogasil, Lojas Hering e O Boticário. Por meio desses acordos, o Bradesco busca valorizar e fidelizar clientes, facilitando o acesso aos produtos e serviços bancários.

O Bradesco começou a atuar com os cartões Private Label em 2005 e, desde então, a base desse tipo de cartão é a que mais tem crescido. Em 2006, 2007 e junho de 2008, o crescimento em relação aos últimos doze meses foi de 206,3%, 98% e 85,3%, respectivamente. Só com a rede de supermercados nordestina G. Barbosa, o Bradesco tem 2 milhões de cartões em operação. Atualmente, o grupo ocupa o quarto lugar no ranking nacional de supermercados (Valor Econômico, 19/4/2007).

Na carteira Outros, destaca-se a carteira de Crédito Imobiliário, que representou, em junho de 2008, 3,4% da carteira de Pessoas Físicas do banco. O bom desempenho dessa carteira é resultado, principalmente, do aumento da demanda (Valor Econômico, 22/3/2007), do aumento do prazo de amortização para 25 anos e da criação de um site voltado à prestação de serviços para auxiliar os interessados na aquisição da casa própria.

A instituição vem ampliando, principalmente, o crédito imobiliário destinado às construtoras e incorporadoras, sendo que essa estratégia resultou em um aumento de 100% no saldo do crédito para empresas, contra 30% observado no segmento de pessoas físicas (Valor Econômico, 28/6/2007; Valor Econômico, 3/9/2007).

O índice de inadimplência aumentou em 2006, devido ao crescimento verificado na inadimplência das carteiras Pessoas Físicas e Micro, Pequenas e Médias Empresas. De 2006 a junho de 2008, entretanto, esse índice se manteve praticamente constante, com uma melhora na inadimplência apenas da carteira de Micro,

Pequenas e Médias Empresas (Tabela I.3.4). O Bradesco, como vimos, busca reduzir a inadimplência por meio da estratégia de privilegiar operações com menor risco de crédito, como consignados e financiamento de veículos.

Tabela I.3.4 – Índice de Inadimplência – Acima de 90 dias (%)

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Bradesco.

 

Gestão de riscos

O Bradesco aborda o gerenciamento de todos os riscos inerentes às suas atividades – de Crédito, Mercado, Liquidez e Operacional – de modo integrado, permitindo que sejam efetivamente identificados, avaliados, monitorados, controlados e mitigados de modo centralizado.

Desde 2003, o Bradesco vem se preparando para atender às exigências de Basileia II, sendo que, em 2004, com a publicação do documento definitivo sobre o Novo Acordo de Capital – International Convergence of Capital Measurement and Capital Standards –, a instituição estabeleceu um plano de implementação interno. Dentre as atividades estabelecidas para adequação, podem ser destacadas a revisão e atualização dos modelos de concessão e de recuperação de crédito, o armazenamento de dados históricos sobre default, recuperações e perdas operacionais, a revisão dos processos de gestão de limites e garantias, a avaliação dos dados e modelos de riscos de mercado e de liquidez e a certificação, pela auditoria interna, de todos os processos e modelos relacionados a Basileia II.

O Índice de Basileia do Bradesco no consolidado financeiro atingiu 14,35% em junho de 2008, superior, portanto, ao mínimo de 11% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional. Entretanto, em dezembro de 2007 e junho de 2008 esse índice ficou abaixo da

média alcançada pelo Bradesco no período de 2002 a 2006 (Gráfico

I.3.4).

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Banco Central do Brasil.

Essa redução foi provocada pela ampliação das operações de crédito, o que aumentou a alavancagem (Valor Econômico, 11/8/2008). Nos últimos anos, tem se verificado uma tendência de aumento da participação das operações de crédito classificadas nos níveis “AA,” “A,” “B” e “C,” que passou de 90% em 2000 para 93,4%

em junho de 2008 (Tabela I.3.5).

Tabela I.3.5 – Composição da Carteira de Crédito (%)

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Bradesco.

A carteira de melhor qualidade do Bradesco é a de Grandes Empresas, em que 98,8% das operações estão classificadas entre os níveis de risco “AA” e “C,” contra 94% da carteira de Micro, Pequenas e Médias Empresas e 89,4% da carteira de Pessoas Físicas. Em todas as carteiras, entretanto, tem se verificado uma melhora da qualidade do crédito.

 

Índices de cobertura e de eficiência

No primeiro semestre de 2008, as Receitas de Prestação de serviços atingiram R$ 3,6 bilhões, enquanto que as Despesas de Pessoal alcançaram R$ 2,9 bilhões. Como resultado, o Índice de Cobertura das Despesas de Pessoal pela Receita de Prestação de

Serviços, foi de 124,5% (Tabela I.3.6).

Tabela I.3.6 – Índice de Cobertura (em R$ milhões)

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Banco Central do Brasil.

O crescimento verificado no Índice de Cobertura deve-se à ampliação de 433,3% das Receitas de Prestação de Serviços, no período de 1997 a 2007, contra uma ampliação de somente 236,5% nas Despesas de Pessoal, nesse mesmo período. Os principais itens que contribuíram para o crescimento das Receitas de Prestação de Serviços foram as rendas de cartão e as tarifas de conta-corrente, que representaram, respectivamente, 24,9% e

20,7% das receitas em junho de 2008 (Gráfico I.3.5).

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Bradesco.

O menor crescimento das Receitas de Prestação de Serviços, verificado em 2008, deve-se, principalmente, ao realinhamento de tarifas relativas à conta-corrente cobradas das pessoas físicas e da menor receita de operações de crédito em decorrência da redução na cobrança de Taxa de Abertura de Crédito (TAC).

O Índice de Eficiência Operacional tem apresentando tendência de queda nos últimos anos. O índice foi de 41,3% em junho de 2008,

contra 60,5% em 2000 (Gráfico I.3.6). Esse resultado foi consequência, principalmente, da combinação do controle das despesas com o esforço para o aumento das receitas.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Bradesco.

 

Composição dos ativos e das receitas de

intermediação financeira

Os ativos do Bradesco alcançaram um total de R$ 348,4 bilhões em junho de 2008, conforme critérios adotados pelo Banco Central, que consideram o balanço operacional dos bancos, incluindo somente as operações financeiras, não contabilizando operações como as de seguros, previdência e capitalização, segmentos em que a atuação do Bradesco é significativa (Valor Econômico, 3/7/2007). O principal componente da carteira de ativos do Bradesco é a carteira de Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil, com uma

participação de 36% em junho de 2008 (Tabela I.3.7).

Tabela I.3.7 – Composição dos Ativos (em %)

 

1) Inclui Disponibilidades, Relações Interfinanceiras, Relações de

Interdependências, Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa, Outros Valores e Bens, Imobilizado de Arrendamento e Permanente.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Banco Central do Brasil.

As Operações de Títulos e Valores Mobiliários representaram 12,2% do total de ativos contra 26% em dezembro de 2001. A partir de 2002, essa carteira começou a perder participação, devido, principalmente, à ampliação da carteira de Aplicações Interfinanceiras e, a partir de 2005, à ampliação da carteira de Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil. A carteira de Títulos e Valores Mobiliários é composta, principalmente, por títulos públicos, que representaram 53,6% em junho de 2008, contra 64,5% em dezembro de 2004; portanto, verifica-se uma tendência de

queda nessa participação (Tabela I.3.8).

Tabela I.3.8 – Composição da Carteira de TVM (%)

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Bradesco.

As Receitas de Intermediação Financeira alcançaram R$ 24,1 bilhões no primeiro semestre de 2008, sendo que, no ano de 2007, esse montante foi de R$ 38 bilhões. Com exceção dos anos de 2000, 2003 e 2004, essas receitas têm apresentado crescimento,

desde 1997 (Tabela I.3.9).

Tabela I.3.9 – Composição das Receitas de Intermediação

Financeira (em %)

 

1) Inclui Operações com Instrumentos Financeiros Derivativos,

Operações de Câmbio e Aplicações Compulsórias.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Banco Central do Brasil.

No primeiro semestre de 2008, a participação das receitas com Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil foi de 69,2% do total das receitas, contra uma participação de 16,2% das receitas de Operações com Títulos e Valores Mobiliários. Apesar de ser o item com maior participação nas receitas totais, desde 1998, a participação das receitas de Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil decresceu até 2003, quando atingiu 58,1%. A partir de 2004, entretanto, sua participação tem aumentado.

 

Resultados No primeiro semestre de 2008, o Lucro Líquido do Bradesco atingiu R$ 4,1 bilhões, sendo que, em 2007, a instituição atingiu um Lucro Líquido de R$ 8,1 bilhões, o maior da sua história. O Lucro Líquido tem apresentado tendência de crescimento nos últimos anos, passando de R$ 800 milhões em 1997 para R$ 8,1 bilhões em 2007

(Gráfico I.3.7).

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Banco Central do Brasil.

Os itens que mais têm contribuído para o resultado do Bradesco são o Segmento Segurador (operações de seguros, previdência e capitalização), seguido pelas Receitas de Prestação de Serviços e pelas Operações de Crédito. No primeiro semestre de 2008, 69% do lucro total foram originados das atividades financeiras, enquanto 31% resultaram das atividades de seguros, previdência e capitalização (Agência Estado, 6/8/2008).

Os produtos que mais contribuíram para a significativa participação das Operações de Crédito no resultado do banco foram as operações de crédito consignado, de financiamento de veículos e as operações com cartões Private Label.

O retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio Anualizado atingiu 28,6% em junho de 2008, maior do que os retornos alcançados em 2003, 2004 e 2007, porém, menor do que os resultados verificados

em 2005 e 2006 (Gráfico I.3.8).

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Bradesco.

 

Tendências recentes

A expectativa do Bradesco é que ocorra um crescimento da demanda por seus produtos e serviços, principalmente por operações de crédito. Neste contexto, a instituição buscará manter o foco no mercado doméstico, principalmente no crédito imobiliário, financiamento de veículos, crédito consignado e crédito ao consumo.

Para atingir essas metas, o banco buscará expandir, continuamente, a base de clientes, em especial no Varejo, cujo potencial de crescimento é expressivo entre a população não bancarizada, principalmente por meio do Banco Postal e de outros Correspondentes.

No segmento de crédito imobiliário, a instituição tem se concentrado, principalmente, no crédito para construtoras e incorporadoras, financiando, inclusive, os terrenos (Valor Econômico, 3/9/2007). Em 2007, cerca de 77% das concessões foram dirigidas às construtoras (Valor Econômico, 5/12/2007 [2]). Em 2008, por exemplo, o Bradesco concedeu uma linha de crédito para produção à Rossi Residencial, no valor de R$ 1 bilhão (Gazeta Mercantil, 24/3/2008). O Bradesco também vem investindo em consórcios imobiliários, que constituem a linha que resulta em maior receita para o banco em relação a outros consórcios (Valor Econômico, 22/3/2007).

O banco também aposta no financiamento de imóveis usados, que, em 2008, representava 26% da carteira total de crédito imobiliário. Para ganhar espaço nesse segmento, o Bradesco vem buscando se associar às imobiliárias, para que o cliente não precise ir à agência (Valor Econômico, 18/4/2007 [2]). No primeiro trimestre de 2008, a instituição possuía 130 contratos fechados com imobiliárias e 450 com construtoras (DCI – SP, 31/3/2008).

A expectativa quanto ao segmento de financiamento de veículos é de crescimento expressivo. Entretanto, devido ao aumento da inadimplência verificada no primeiro semestre de 2008, a Finasa reduziu o prazo de amortização para 60 meses, operando com 72 meses apenas em casos excepcionais de modelos novos. Os juros também aumentaram e a financeira ficou mais rigorosa no momento de avaliar a ficha cadastral de novos clientes (Diário de S. Paulo, 28/8/2008).

Com relação ao crédito consignado, o Bradesco pretende ampliar suas operações. Com a compra do BMC, aprovada em agosto de 2007 pelo Banco Central, a instituição pretende chegar à liderança do segmento de crédito consignado no país. Desde que o BMC foi adquirido, em janeiro de 2007, o volume de empréstimos aumentou

de R$ 115 milhões para R$ 250 milhões por mês.8 O objetivo da instituição é ultrapassar o líder BMG, que, em junho de 2007, apresentava uma carteira de R$ 3,5 bilhões (Valor Econômico, 7/8/2007; Valor Econômico, 19/9/2007).

No crédito ao consumo, o Bradesco buscará aumentar os empréstimos para a classe C, sem aumentar a inadimplência. Por meio da Finasa, os bons pagadores da classe C recebem ofertas de cartões de crédito com bandeira, crédito pessoal parcelado e financiamento de veículos (Valor Econômico, 19/4/2007; Valor Econômico, 30/10/2007).

O Bradesco considera que a experiência do varejo na concessão de crédito em períodos nos quais os bancos estavam fora do mercado (antes da década de 90, por exemplo) é extremamente importante. A instituição concede mais crédito por meio das parcerias da Finasa com as redes varejistas, como Casas Bahia e G. Barbosa, do que por meio das contas-correntes no Banco Postal (Valor Econômico, 19/4/2007).

O Bradesco já se prepara para enfrentar o aumento da concorrência no setor financeiro, com a compra do ABN-Amro pelo Santander e com a fusão do Itaú e do Unibanco. Sua estratégia, entretanto, se concentrará no crescimento no mercado interno. Ao contrário do seu concorrente Itaú-Unibanco, o Bradesco não pretende, no momento, investir no mercado externo (Valor Econômico, 26/11/2008).

Na atual fase de expansão das instituições financeiras brasileiras, o Bradesco pode ser considerado o banco mais agressivo na política de aquisições. Serão continuamente avaliadas as alianças estratégicas em potencial e oportunidades de consolidação, inclusive propostas de privatizações e aquisições ou outras formas que possibilitem a ampliação da participação de mercado ou da eficiência do banco. A instituição já demonstrou interesse pela Nossa Caixa (já adquirida pelo Banco do Brasil), Votorantim, Safra (O Estado de S. Paulo, 8/11/2008) e pelas operações do Citibank no Brasil (Folha de S. Paulo, 25/11/2008).

Em outubro de 2008, o Bradesco anunciou a compra de carteiras de crédito de financiamento de veículos e de consignado de bancos de menor porte. A compra foi estimulada pela medida tomada pelo Banco Central que ampliou de 40% para 70% o percentual do compulsório sobre depósitos a prazo que pode ser destinado à compra de carteiras de crédito (Valor Econômico, 14/10/2008). A instituição ainda analisará a compra de outras carteiras de crédito. Caixa Econômica Federal

Histórico e estrutura

A Caixa Econômica Federal é uma instituição financeira sob a forma de empresa pública, com personalidade jurídica de direito privado, criada em 12 de janeiro de 1861, com o objetivo de incentivar a poupança e conceder empréstimos sob penhor. Em 1934, por determinação do governo federal, a instituição assumiu a exclusividade dos empréstimos sob penhor, com a consequente extinção das casas de prego operadas por particulares. A partir de 1961, a instituição passou a deter o monopólio das Loterias Federais.

Em 1986, a CEF incorporou o Banco Nacional de Habitação (BNH), passando a atuar como agente operador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), antes gerido pelo BNH. Em 1989, todas as contas recolhedoras do FGTS existentes na rede bancária foram centralizadas na Caixa, que passou a administrar a arrecadação desse fundo e o pagamento dos valores aos trabalhadores.

Em 2001, o governo federal implementou o Programa de Fortalecimento das Instituições Financeiras Federais (Proef), com o objetivo de adequar os bancos federais aos padrões de capitalização e de provisão de riscos de crédito estabelecidos pelo Acordo da Basileia. Como resultado desse programa, a CEF teve seu capital aumentado e procedeu-se, também, à troca de ativos de pouca liquidez e baixa qualidade (principalmente empréstimos imobiliários) por ativos mais líquidos e remunerados a taxas de mercado (principalmente títulos públicos). O risco de crédito foi transferido para o Tesouro Nacional, no caso de operações ligadas a programas de governo, e à Empresa Gestora de Ativos (Emgea), uma empresa especialmente criada para esse fim (Versiani, 2003; Folha de S. Paulo, 22/9/2008). Por esse motivo, observaremos que grande parte dos dados analisados apresentam alteração a partir de 2002, principalmente as operações de crédito, já que grande parte da carteira de crédito da Caixa foi cedida à Emgea, durante a execução do Proef.

O capital da Caixa pertence integralmente à União. Dessa forma, a instituição auxilia na execução da política de crédito do governo federal, atuando, prioritariamente, no fomento ao desenvolvimento urbano, por meio dos segmentos de habitação, saneamento e infraestrutura, e na administração de fundos, programas e serviços de caráter social.

Dentre os serviços de apoio ao governo federal, podem ser citados o financiamento à produção de habitações para famílias de baixa renda, acompanhado de ações técnicas sociais destinadas ao fortalecimento, organização e apropriação dos bens produzidos, de forma a dar sustentabilidade aos empreendimentos e fixar as famílias nas áreas de intervenção; transferência de recursos e acompanhamento das obras executadas por meio do Orçamento Geral da União (OGU); pagamento de benefícios dos programas

sociais de transferências de renda do governo federal,9 tais como Bolsa Família, Agente Jovem, Auxílio Aluno, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), Garantia Safra, De Volta para Casa, Pró-Jovem, Bolsa Atleta, Escola de Fábrica, Ação Griô, Chapéu de Palha e Plano de Formação e Valorização do Pescador; coleta e gestão de dados contábeis e gerenciais de todos os entes da Federação, auxiliando na aplicação da Lei de Responsabilidade Fiscal no país; execução do Programa de Financiamento Estudantil (FIES), destinado ao financiamento da graduação em ensino superior de estudantes que não tenham condições de arcar com os custos de sua formação; e a atuação como patrocinadora oficial do atletismo brasileiro, da ginástica artística brasileira e, por meio das loterias, do Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) e dos atletas do paradesporto.

Além do segmento de habitação, a Caixa é o principal agente do governo federal na operacionalização dos programas de saneamento e infraestrutura e de transferência de recursos aos Estados e municípios, referentes aos convênios com o Fundo Nacional de Saúde (FNS) e Fundação Nacional de Saúde (Funasa). A instituição também é agente administrador do Fundo de Investimento FGTS (FI-FGTS), criado em 2007, para financiar segmentos como construção, reforma, ampliação ou implantação de empreendimentos de infraestrutura em rodovias, portos, hidrovias, ferrovias, além de obras de energia e saneamento. Operacionaliza, ainda, o Programa Nacional de Apoio à Modernização da Gestão e do Planejamento dos Estados e do Distrito Federal (PNAGE), além de financiar e operacionalizar o Programa Nacional de Apoio à Gestão Administrativa e Fiscal dos Municípios Brasileiros (PNAFM).

A CEF também é responsável pela administração de fundos de investimentos e loterias, bem como pela administração e transferência do Seguro-Desemprego, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS), Programa de Integração Social (PIS), Fundo de Desenvolvimento Social (FDS), Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) e Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS). Na qualidade de agente operador do FGTS, a Caixa é responsável pela administração de 62 milhões de contas ativas e 6,8 milhões de contas inativas, totalizando um saldo de R$ 137,8 bilhões. A instituição também atua nos segmentos de Seguros, Previdência, Capitalização e Consórcio.

 

Rede de atendimento

A rede de atendimento da Caixa abrange todos os 5.561 municípios brasileiros, contando com mais de 100 mil empregados, sendo

quase 75 mil destes concursados, 10 e com 22.628 pontos de atendimento entre agências, lotéricas e correspondentes CAIXA AQUI, postos de atendimento bancário e eletrônico e salas de autoatendimento. A instituição disponibiliza, ainda, terminais eletrônicos, Banco 24h, CAIXA Rápido, débito automático, atendimento telefônico, internet banking e serviços de mobile banking – serviços financeiros para celular e computador de mão – PDA.

Para ampliar as possibilidades de atendimento e reduzir os custos, a Caixa e o Banco do Brasil firmaram um acordo para compartilhamento de canais de atendimento alternativos. As Casas Lotéricas destacam-se como importantes canais para pagamento de contas de energia elétrica, água e telefone, bem como para o recebimento dos benefícios do governo federal. Em 2007, a arrecadação das lotéricas foi recorde, alcançando R$ 5,2 bilhões, sendo que R$ 2,4 bilhões foram repassados ao governo federal e a entidades não governamentais para aplicação em programas na área da educação, cultura, esporte e segurança.

Os pontos de atendimento estão localizados, principalmente, na região Sudeste, que concentra 43,7% das unidades, seguida pelas

regiões Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte (Gráfico I.4.1). Recentemente, o Nordeste tem sido o mercado em que a Caixa cresce de forma mais acelerada.

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site da

Febraban.

No mercado externo, a atuação da Caixa está baseada no relacionamento com emigrantes brasileiros, os quais utilizam os canais de atendimento do banco para envio de recursos ao Brasil; nos acordos de cooperação técnica assinados com diversos países; e na identificação de oportunidades de negócios em âmbitos nacional e internacional.

Em 2007, foram inaugurados os dois primeiros Escritórios de Representação Internacional, localizados no Japão, na cidade de Hamamatsu, e nos Estados Unidos, na cidade de Jersey. Por meio desses escritórios, a Caixa pretende atrair brasileiros que vivem no exterior e fechar parcerias com outras instituições financeiras, ampliando as remessas de emigrantes brasileiros, consideradas importantes fontes de recursos para lastrear suas operações de financiamento de comércio exterior. Os escritórios também funcionam como ponto de apoio para empresas brasileiras que fazem negócios no exterior. A unidade nos Estados Unidos será responsável, ainda, pelo relacionamento com organismos multilaterais de crédito, como o Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) (Valor Econômico, 21/9/2007).

A CEF também opera em Portugal, por meio de parceria com o Millennium BCP, firmada em 2005, e negocia com outros bancos acordos semelhantes para atuar em países com presença significativa de brasileiros, como França, Itália, Espanha e Inglaterra. Esse convênio facilitou as remessas de emigrados brasileiros ao país, possibilitadas desde 2004 por meio do Caixa Internacional.

 

Base de clientes

A CEF é o maior banco público da América Latina, atingindo uma base de 33,6 milhões de clientes em junho de 2008, uma expansão de 42% em relação a 2006. Desses clientes, 85% são caracterizados no segmento essencial. O banco encerrou o primeiro semestre de 2008 com 11,5 milhões de contas-correntes de pessoas físicas e 973,2 mil de pessoas jurídicas, representando uma evolução de 16,8% no número de contas em relação ao mesmo período de 2007. Por meio da Conta Caixa Fácil, foram incluídos no sistema bancário 5,5 milhões de brasileiros, até junho de 2008. Os clientes da conta dispõem de limites rotativos, que variam de R$ 200,00 a R$ 1.000,00, por meio do Crédito CAIXA Fácil.

A Caixa possui, também, forte atuação junto ao poder público. Além de disponibilizar recursos e firmar acordos para administração das folhas de pagamento, a instituição auxilia as prefeituras e governos estaduais a projetarem e acompanharem obras promotoras de desenvolvimento urbano, contribuindo, também, para a adoção de soluções mais eficientes para a gestão financeira dos municípios.

 

Captações

A Caixa capta recursos principalmente por meio de depósitos, sendo que, em junho de 2008, estes representaram 77,8% dos recursos captados. Desde 2002, entretanto, observa-se uma tendência de aumento nas Captações de Mercado Aberto, em relação à captação por meio de depósitos. Em junho de 2008, 22,2% dos recursos foram captados por meio do Mercado Aberto, contra 3,5% em

dezembro de 1997 (Tabela I.4.1).

Tabela I.4.1 – Composição das Captações (em %)

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Banco Central do Brasil.

A principal mudança ocorreu a partir de 2002, decorrente das medidas adotadas pelo Proef. A queda nas taxas de juros e o aumento na renda proporcionaram uma marca histórica para a caderneta de poupança, que, em junho de 2008, registrou 25 meses seguidos de captação positiva. Os recursos depositados em poupança representaram, em junho de 2008, 43,4% do total de recursos captados.

A captação em poupança é importante para a Caixa porque tem

baixo custo11 e alavanca recursos para a expansão do crédito imobiliário e, na faixa livre, para a expansão da carteira de crédito comercial. No primeiro semestre de 2008, o banco contava com 35,5 milhões de cadernetas de poupança (Valor Econômico, 11/6/2008).

A forma de captação que mais cresceu no período de 1997 a junho de 2008 foi a de Depósitos à Vista, com um crescimento de 325,5%, seguido pelos Depósitos de Poupança, que apresentaram uma

expansão de 253,5% (Tabela I.4.1).

 

Carteira de crédito

Após uma significativa redução em dezembro de 2001 (devido às medidas implementadas por meio do Proef), a Carteira de Crédito e Arrendamento Mercantil da Caixa apresentou expressivo crescimento, partindo de R$ 19,7 bilhões em dezembro de 2001 para R$ 63,6 bilhões em junho de 2008, uma ampliação de 223%

(Gráfico I.4.2).

Em junho de 2008, 75,4% do saldo de operações de crédito eram constituídos por operações das carteiras de Habitação (pessoas físicas e pessoas jurídicas) e de Pessoas Físicas. A participação do Setor Público foi de 6,7%, enquanto a carteira de Pessoas Jurídicas

teve uma participação de 4% (Tabela I.4.2).

 

Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do

Banco Central do Brasil.

Tabela I.4.2 – Composição da Carteira de Crédito por Cliente (em

Continuar: parte 3 de 5