A evolução recente do setor bancário no Brasil
Anexos: Análise individual dos maiores bancos
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 5 partes.
Por meio da estrutura organizacional adotada em janeiro de 2006, o ABN divide suas atividades em sete unidades de negócios: Países Baixos, Europa, América do Norte, América Latina, Ásia, Private
Clients21 22 e Global Clients . A América Latina, que abrange Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Paraguai, Uruguai e Venezuela, é a região com maior participação na rede de
atendimento da instituição, seguida pela Europa (Gráfico I.5.8). Tabela I.5.9 – Participação das Unidades de Negócio no Ativo Total
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo ABN.
A Unidade de Negócio da Europa é composta por 23 países na Europa, exceto os Países Baixos, além do Cazaquistão, Uzbequistão, Egito e África do Sul. A Unidade da Ásia é composta por 16 países, incluindo Indonésia, China, Cingapura e Japão. Na Unidade da América Latina, o Brasil, por meio do Banco Real, representa a maioria das operações.
A Europa é a região com maior participação no ativo total do Grupo ABN. Essa participação atingiu 48,8% em 2007 e vem apresentando crescimento nos últimos anos. A América Latina, por sua vez, foi a
região que mais cresceu desde 2004 (Tabela I.5.9).
(%)
1) Crescimento verificado de dezembro/2006 a dezembro/2007.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo ABN.
Em dezembro de 2007, a Carteira de Crédito representou 38,7% dos Ativos Totais. Essa participação vem decrescendo desde 2001
(Gráfico I.5.9).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo ABN.
A redução verificada em dezembro de 2007 foi consequência das vendas da Antonveneta (Unidade de Negócio Europa) e do LaSalle (Unidade de Negócio América do Norte), ocorridas nesse ano.
O segmento de Pessoas Jurídicas é o que tem maior participação na carteira de crédito, com uma contribuição de 53,1% em dezembro de 2007, contra 44,8% do segmento de Pessoas Físicas. De dezembro de 2003 a dezembro de 2007, a carteira de Pessoas Físicas cresceu 13,1%, contra 10,3% da carteira de Pessoas
Jurídicas (Tabela I.5.10). Os principais componentes da carteira de Pessoas Físicas são as hipotecas, com uma participação de 78,4% em dezembro de 2007.
Tabela I.5.10 – Composição da Carteira de Crédito (%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo ABN.
A unidade de negócio com maior participação na carteira de crédito do ABN é a Países Baixos, seguida pela Europa e América Latina. A unidade que apresentou maior crescimento desde dezembro de
2004 foi a América Latina, com uma ampliação de 199% (Tabela
I.5.11). Esse crescimento foi resultado, principalmente, do aumento das operações de crédito no Brasil e da apreciação do real em relação ao euro.
Tabela I.5.11 – Participação das Unidades de Negócio na Carteira
de Crédito (%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo ABN.
O crescimento verificado na Ásia, por sua vez, foi resultado da ampliação dos empréstimos direcionados ao consumo e das operações com cartões de crédito.
Nas Unidades de Negócio da Europa, América do Norte e Ásia a carteira de crédito de Pessoas Jurídicas é predominante, ao passo que nos Países Baixos e na América Latina a carteira de Pessoas
Físicas também tem participação significativa (Tabela I.5.12).
Tabela I.5.12 – Composição da Carteira de Crédito das Unidades de
Negócio em 2007 (%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo ABN.
Com relação à gestão de riscos, o grupo tem sua atuação regulada pelas legislações holandesa e norte-americana, além da regulação local dos países e territórios onde desenvolve suas operações. Obedece também aos requerimentos introduzidos, mais recentemente, pela Lei Sarbanes-Oxley, da US Securities and Exchange Commission, criada para garantir a integridade da administração, das auditorias e dos empregados. Essa regulação permitiu que a instituição atingisse um Índice de Basileia de 14,61% em 2007, acima, portanto, do mínimo exigido pelo Comitê da
Basileia, de 8% (Gráfico I.5.10).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo ABN.
Com relação ao Índice de Eficiência, verifica-se uma tendência de crescimento nos últimos anos. Em 2007, esse índice atingiu 83,5%,
o maior já alcançado desde 1998 (Gráfico I.5.11).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo ABN.
Esse alto Índice de Eficiência é resultado, principalmente, dos altos índices verificados na Europa e na América do Norte. A América Latina é a Unidade de Negócio com o menor Índice de Eficiência
(Tabela I.5.13).
Tabela I.5.13 – Índice de Eficiência das Unidades de Negócio (%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo ABN.
O Grupo ABN atingiu um lucro líquido de 9.975 milhões de euros em 2007, o maior já alcançado pela instituição desde 1998. A Unidade de Negócio que mais contribuiu para esse resultado foi a América do Norte, seguida pelos Países Baixos, com participação de 80,1%
e 13,5%, respectivamente (Tabela I.5.14). O alto lucro alcançado pela América do Norte em 2007 foi resultado da venda da instituição LaSalle.
Tabela I.5.14 – Participação das Unidades de Negócio no Lucro
Líquido (%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo ABN.
O Retorno sobre o Patrimônio Líquido, por sua vez, atingiu 38,4% em 2007, o maior desde 1998. Nesse período, o índice variou;
entretanto, permaneceu acima de 20% desde 1999 (Gráfico I.5.12).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo ABN.
Unibanco
Histórico e estrutura
O Unibanco originou-se da Casa Moreira Salles, uma das mais importantes lojas de comércio de Poços de Caldas, Minas Gerais, fundada por João Moreira Salles em 1918, cuja seção bancária recebeu autorização de funcionamento do governo federal em 27 de setembro de 1924. Em 1931, a seção bancária da Casa Moreira Salles foi transformada em uma instituição independente, a Casa Bancária Moreira Salles, passando a ter significativa importância no financiamento de empreendimentos da região.
Em julho de 1940, surge o Banco Moreira Salles, resultado da fusão entre a Casa Bancária Moreira Salles, o Banco Machadense e a Casa Bancária de Botelhos. Iniciou-se, então, a expansão da instituição, que deixou de ser um banco regional do sul de Minas Gerais. Foram inauguradas a agência do Rio de Janeiro, em abril de 1941, e a agência de São Paulo, em julho de 1942.
O banco se associou com o Commerzbank AG, em 1968, e com o Crédit Suisse, em 1969. Em 1970, a instituição absorveu o Banco Predial do Estado do Rio de Janeiro, iniciando um novo perfil institucional, de popularização como banco de varejo. Associou-se, ainda, com o Dai-Ichi Kangyo Bank e com o Philadelphia International Investment Corporation, em 1972, e com o Harris Bankcorp, Inc. e o White Weld, em 1973. Em 1975, o grupo era constituído por quinze empresas, que passaram a ter uma única denominação: Unibanco. Em 1983, a Unibanco Seguradora associou-se à Sul América, líder do setor de seguro naquele momento, por meio de uma troca de participações. Dessa associação, foi criada a Sul América Unibanco Seguradora.
A década de 1990 foi um marco na trajetória do Unibanco. O banco chegou às primeiras posições entre as maiores instituições financeiras do país e seu valor de mercado cresceu 69 vezes.
Em 1995, foi criado o Unibanco Asset Management, primeira instituição especializada na administração de recursos de terceiros no país. A instituição era controlada pelo Unibanco, mas tinha existência jurídica independente do controlador. Ainda em 1995, o Unibanco adquiriu parte dos ativos do Banco Nacional S.A., passando a contar com uma rede de 1.446 dependências no Brasil, cerca de 2,1 milhões de clientes e uma base de 1,4 milhões de portadores de cartão de crédito. Em 1996, o banco adquiriu 50% da Fininvest, financeira com grande experiência no segmento de crédito direto ao consumidor e pertencente ao grupo Icatu. Em 2000, o Unibanco adquiriu o controle integral da Fininvest e do Credibanco.
Em 1997, a instituição lançou suas ações na NYSE, tornando-se o primeiro banco brasileiro a negociar seus títulos na bolsa de Nova York, mediante a maior oferta registrada no mercado internacional já realizada por uma instituição financeira latino-americana. Nesse mesmo ano, associou-se com o grupo financeiro AIG, American International Group, na área de seguros. Com a AIG, mantém também associação na Unibanco AIG Previdência.
Em 1999, o Unibanco adquiriu, por meio de uma emissão de ações, o Banco Bandeirantes, passando a contar com um novo sócio estrangeiro: a Caixa Geral de Depósitos. A aquisição permitiu um aumento da participação em mercados estratégicos, como São Paulo e a região Nordeste do Brasil. Essa operação também possibilitou um avanço significativo das atividades da seguradora do Unibanco. O maior grupo financeiro de Portugal, que controlava o Bandeirantes, passou a deter 12,3% do capital total do Unibanco, integrando o bloco de acionistas estrangeiros, junto com o alemão Commerzbank AG e o japonês Mizuho Financial Group.
Em 2003, o banco passou por importantes mudanças societárias. Uma oferta de permuta deu o direito a todos os acionistas preferenciais de converter suas ações em Units (certificados de depósito de ações representativos de uma ação preferencial da Unibanco Holdings e uma ação preferencial do Unibanco). O acionista Mizuho vendeu toda a sua participação e o Commerzbank disponibilizou uma parcela de suas ações ao mercado, permitindo um aumento significativo de liquidez das ações do Unibanco no mercado brasileiro.
Em junho de 2004, o Unibanco adquiriu a totalidade das ações do Banco BNL do Brasil S.A., de titularidade da Banca Nazionale del Lavoro, assumindo a operação brasileira do banco. Ainda em 2004, o Unibanco foi o primeiro banco brasileiro a aderir aos Princípios do Equador, conjunto de medidas socioambientais utilizadas na avaliação e na concessão de crédito a projetos de infraestrutura.
No início de 2008, o Unibanco anunciou a criação de um banco de investimento para se beneficiar das oportunidades existentes no mercado de ações, principalmente pelas operações de ofertas iniciais de ações, modalidade que cresceu significativamente nos últimos anos. Apesar de chegar atrasado em relação aos seus concorrentes Itaú e Bradesco, que constituíram suas unidades independentes há mais tempo, o Unibanco tinha sua origem no Banco de Investimento Brasil (BIB), sendo que, até 2001, 70% dos seus ativos estavam no banco de atacado. Somente nos últimos anos o varejo se tornou predominante na instituição (Valor Econômico, 1/4/2008 [2]).
Atualmente, a Unibanco Holdings é controladora do Unibanco e seus ativos consistem unicamente da participação no Unibanco. O Grupo Moreira Salles é detentor de 67,6% das ações. As demais
são, principalmente, 23 Units , e estão pulverizadas no mercado
(Gráfico I.6.1).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Unibanco.
Rede de atendimento
A rede de atendimento do Unibanco é constituída por 35 mil funcionários e 1.828 pontos de venda, sendo 954 agências, 280 Pontos de Atendimento Bancário e 594 lojas, quiosques e minilojas Fininvest. A instituição disponibiliza, ainda, terminais de autoatendimento, internet banking e atendimento pelo celular. Em janeiro de 2009, 67,7% dos pontos de atendimento estavam
concentrados na região Sudeste (Gráfico I.6.2). Nos últimos anos, a distribuição dos pontos de atendimento pelo território brasileiro não sofreu alterações significativas.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site da
Febraban.
Nos últimos anos, foram firmadas diversas parcerias com redes de varejo. Em agosto de 2001, o Unibanco estabeleceu uma aliança estratégica com a Globex S.A., proprietária da rede de lojas de eletrodomésticos Ponto Frio, presente em todo o país. Nessa transação, foram adquiridos 50% de participação na PontoCred, subsidiária da Globex, empresa responsável pelos financiamentos aos clientes do Ponto Frio.
Em setembro de 2001, a Fininvest estabeleceu uma parceria com o Magazine Luiza, rede brasileira de lojas de departamentos que atua no Estado de São Paulo, no sul do país e no sul de Minas Gerais. A parceria gerou uma nova empresa, a LuizaCred, para oferecer financiamento aos clientes do Magazine Luiza.
Em novembro de 2003, o Unibanco adquiriu 100% do capital da Creditec, empresa com importante atuação no segmento de crédito pessoal e de financiamento de bens e serviços para as classes B, C e D. Com nove anos de mercado, a Creditec possuía cerca de 600 mil clientes cadastrados na época de sua aquisição. Em 2004, todas as lojas Creditec foram convertidas em lojas Fininvest.
Em março de 2004, o Unibanco adquiriu a totalidade das cotas da HiperCard Administradora de Cartão de Crédito Ltda. A HiperCard surgiu como empresa de cartões de crédito “private label“ do Supermercado Bompreço, em 1982. O cartão da rede é, atualmente, o principal meio de pagamento utilizado nas lojas da rede Bompreço e Wal-Mart, sendo aceito em mais de 80 mil pontos de venda no Nordeste do Brasil.
Em agosto de 2004, o Unibanco e o Sonae firmaram parceria para a criação de uma financeira. O Sonae atua no segmento de hipermercados e de supermercados, com lojas nas regiões Sul e Sudeste do país.
Em junho de 2005, o Unibanco, que já possuía 51% das ações do Banco Dibens, passou a deter 100%. A nova estrutura permitiu a consolidação das operações da Unibanco Financeira e do Banco Dibens. A marca Dibens passou a ser utilizada para financiamento de veículos pesados e a Unibanco Financeira, para veículos leves e motos.
Em agosto de 2006, o Unibanco e o grupo Ipiranga anunciaram a constituição de uma sociedade de crédito, financiamento e investimento. Além dos cartões de crédito, foram disponibilizados produtos financeiros, como crédito pessoal e crédito direto ao consumidor. Atualmente, a rede conta com aproximadamente 4.200 postos.
Ainda em 2006, o Unibanco firmou parceria com o grupo VR, distribuidora de benefícios da área de recursos humanos, para a concessão de crédito e financiamento de produtos, capital de giro, seguro de vida em grupo e previdência. O grupo VR possui mais de 20 mil acordos com empresas e seus produtos são aceitos em mais de 200 mil estabelecimentos comerciais. Nesse mesmo ano, foi estabelecida uma associação com o Banco Cruzeiro do Sul, para desenvolvimento de negócios na área de crédito consignado, por meio da constituição de uma empresa financeira em sociedade. Todas essas parcerias permitiram que o Unibanco ocupasse posição de destaque na oferta de produtos e serviços, principalmente ao segmento de baixa renda, com baixo grau de bancarização.
O segmento de cartões de crédito do Unibanco é constituído pelas empresas Unicard (emissora e administradora de cartões Visa e MasterCard, e líder no segmento de cartões cobranded no país), HiperCard (principal meio de pagamento utilizado nas lojas da rede Bompreço e Wal-Mart) e RedeCard (empresa responsável pela captura e transmissão de transações dos cartões de crédito e débito das bandeiras MasterCard, MasterCard Maestro, RedeShop, MasterCard Electronic, Maestro e Diners Club International).
A rede internacional do Unibanco, por sua vez, é constituída por agências em Nassau e nas Ilhas Cayman, escritórios de representação em Nova York, subsidiárias bancárias em Luxemburgo, nas Ilhas Cayman e no Paraguai, e por uma corretora em Nova York, a Unibanco Securities Inc.
Por meio dessa rede, o Unibanco busca atender clientes estrangeiros interessados no Brasil, bem como oferecer à base de clientes no Brasil acesso eficaz e permanente, direto ou via balanço, a recursos disponíveis no mercado internacional. As subsidiárias e agências da instituição no exterior também captam recursos para o financiamento do comércio internacional e para a concessão de empréstimos a clientes.
Base de clientes
Em junho de 2008, o Unibanco atingiu 29,6 milhões de clientes, distribuídos nos quatro principais segmentos de atuação do banco: Varejo, Atacado, Seguros e Previdência e Gestão de Patrimônios. O Unibanco atende seus clientes de maneira segmentada desde o início da década de 90, com uma oferta de produtos e serviços diferenciados e sob medida para aumentar sua competitividade no mercado. O crescimento da base de clientes verificado nos últimos anos é decorrente, principalmente, da expansão do número de folhas de pagamento, de clientes de cartões de crédito, do número de parcerias firmadas com varejistas e de aquisições.
No segmento de varejo, o Unibanco atende as pequenas e médias empresas e as pessoas físicas de todos os níveis de renda e com investimentos financeiros abaixo de R$ 3 milhões.
No financiamento ao consumidor e no segmento de cartões de crédito o Unibanco opera também por meio de parcerias com redes varejistas, atacadistas, supermercados, lojas de materiais de construção, dentre outras. No total, são cerca de 250 parcerias, que têm como objetivo a obtenção de ganhos de escala e de capilaridade geográfica, fundamentais para o crescimento dos negócios do banco. Podem ser citadas as redes Wal-Mart, Leroy Merlin, Rede Muffato, Tumelero, Bretãs, Rede Nordestão, grupo Ipiranga e Banco Cruzeiro do Sul.
O Unibanco também atua por meio das Financeiras de Crédito ao Consumidor Fininvest, Banco Dibens (responsável pelo financiamento de veículos), PontoCred (disponibiliza financiamentos aos clientes da rede de lojas de eletrodomésticos Ponto Frio) e LuizaCred (disponibiliza financiamento aos clientes do Magazine Luiza). Por meio das marcas populares, são atingidas as camadas da população de baixa renda. O Unibanco considera que tal estratégia evita o atendimento do mercado de massa dentro das agências e protege assim o padrão de qualidade oferecido pelo Unibanco aos clientes de maior renda.
No segmento de Microcrédito, o banco atua desde 1998, com a RioCred. Em 2002, a instituição consolidou sua posição no microcrédito com a Unibanco Microinvest, resultado de uma parceria entre o Banco Fininvest, que detém 82% do capital, e o International Finance Corporation (IFC), braço financeiro do Banco Mundial. O principal objetivo da empresa é a oferta de produtos financeiros para microempreendedores por meio de um modelo de distribuição com mais de 200 pontos de atendimento e 51 agentes de microcrédito. Desde o lançamento do programa até o ano de 2007, foram concedidos aproximadamente R$ 38 milhões em créditos destinados à aquisição de máquinas e equipamentos, capital de giro ou reformas. Mais de 10 mil clientes já foram beneficiados com esse tipo de crédito. Atualmente, a empresa atende, principalmente, o setor de comércio e serviços.
Os produtos para Micro, Pequenas e Médias Empresas, por sua vez, são constituídos por transações com garantia de recebíveis, crédito rotativo, financiamento de veículos, cheque especial, conta garantida, capital de giro e repasses BNDES/Finame, dentre outros. Esses produtos possibilitam as ações de vendas cruzadas, como a conquista de folhas de pagamento e afiliação de lojistas/varejistas e parceiros das empresas de cartão de crédito.
No atacado, o atendimento é feito por meio da estratégia de cobertura regional e conhecimento setorial, voltada para o relacionamento de longo prazo. Nesse segmento, o banco se destaca nas áreas de fusões e aquisições, project finance, renda fixa e renda variável, derivativos e operações estruturadas.
No segmento de Seguros e Previdência, o Unibanco atua por meio da Unibanco AIG Seguros & Previdência, que oferece, a pessoas físicas e jurídicas, seguro de vida, de automóvel, de bens e acidentes, planos de pensão e aposentadoria, bem como produtos e serviços correlatos.
No segmento de Gestão de Patrimônios, o banco oferece produtos de investimentos via Unibanco Asset Management (UAM) para grandes investidores pessoas física e jurídica, e atende clientes com investimentos acima de R$ 3 milhões, por meio do segmento Private Banking.
Captações
O Unibanco capta recursos principalmente por meio de depósitos a prazo, que representavam, em junho de 2008, 43,4% do total de recursos captados. A participação das captações no mercado aberto, por sua vez, também é significativa e vem apresentando crescimento expressivo, passando de 33,3% em dezembro de 1997
para 41,6% em junho de 2008 (Tabela I.6.1).
Tabela I.6.1 – Composição das Captações (em %)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Como parte de sua estratégia, o Unibanco tem se concentrado em captações de CDBs de baixo custo. Além disso, com o recente ciclo de aumento da taxa de juros, houve maior demanda por produtos indexados à taxa interfinanceira (CDI) em relação a depósitos de poupança e fundos de investimento.
O fim da CPMF afetou negativamente os depósitos à vista, já que trouxe muito mais mobilidade aos recursos. Essa maior mobilidade adicionada à nova regulamentação do Banco Central sobre depósitos compulsórios e à maior demanda do mercado por aplicações de menor risco provocaram o crescimento do saldo de depósitos a prazo e interfinanceiros.
Carteira de crédito A carteira de crédito do Unibanco vem crescendo significativamente nos últimos anos, passando de R$ 8,5 bilhões, em dezembro de
1997, para R$ 55,6 bilhões, em junho de 2008 (Gráfico I.6.3).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Até março de 2008, a carteira de crédito do Unibanco vinha crescendo a taxas superiores às do Sistema Financeiro Nacional. No segundo trimestre de 2008, a taxa de crescimento do Unibanco foi inferior.
A carteira de crédito que tem maior participação é a de Grandes Empresas, que representou, em junho de 2008, 37,5% da carteira total. Essa participação, entretanto, vem apresentando tendência de queda, com exceção do primeiro semestre de 2008, em que essa participação cresceu. O crescimento pode ser explicado pela maior procura por recursos no sistema financeiro local, devido à redução da liquidez nos mercados internacionais e às grandes operações sindicalizadas, de grandes multinacionais brasileiras em seus planos
de expansão (Tabela I.6.2).
A participação da carteira de Micro, Pequenas e Médias empresas também vem decrescendo. Os segmentos que vêm aumentando sua participação na carteira de crédito total são, principalmente,
Veículos e Cartões de Crédito (Tabela I.6.2).
Tabela I.6.2 – Composição da Carteira de Crédito (em %)
1) Na carteira de crédito consignado, o crescimento informado
abrange o período de dezembro/2006 a junho/2008.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Unibanco.
Os destaques da carteira de varejo, nos últimos anos, foram os segmentos de automóveis, pequenas e médias empresas, cartões de crédito e crédito consignado. No segmento de automóveis, a instituição atua no financiamento de veículos leves e pesados, em todo o território nacional. Os veículos são financiados, principalmente, por meio de concessionárias, o que reduz significativamente o risco de crédito nessa carteira. O Unibanco também optou por não estender os prazos de financiamento além do plano de 48 meses. Essas características resultaram em um índice de inadimplência de aproximadamente 3%, abaixo do índice médio do mercado, que foi de 3,7%.
A evolução da carteira de crédito consignado foi resultado da intensificação da oferta deste produto aos clientes. O Unibanco atua neste segmento com correspondentes bancários, incluindo a Fininvest, no banco múltiplo e em parcerias. Desde o último trimestre de 2007, o Unibanco decidiu se concentrar em sua carteira de originação própria, evitando adquirir créditos consignados originados por terceiros. Como esses créditos adquiridos anteriormente começam a se maturar, a chegar aos seus prazos de vencimento, essa carteira de créditos consignados adquiridos está em queda e será gradualmente substituída pelos créditos consignados de originação própria. A carteira própria de crédito consignado da instituição é composta, principalmente, por operações com aposentados, que representaram 41% destas, seguidas pelo setor privado, com 30%, e pelo setor público, com 29%.
O crédito imobiliário, que atende toda a cadeia de construção, desde o financiamento para pessoas físicas e jurídicas até a incorporação de empreendimentos, também vem apresentando crescimento, atingindo, em junho de 2008, participação de 3% da carteira total de ativos do banco.
As financeiras de crédito ao consumidor apresentaram um crescimento modesto, que o Unibanco atribui a uma menor atratividade para esse tipo de financiamento, uma vez que, atualmente, existem opções mais baratas para o tomador e de menor risco para o sistema, como é o caso do crédito consignado.
A partir de meados de 2005, o Unibanco tomou a decisão de restringir o crédito em algumas modalidades, sobretudo em algumas carteiras das financeiras de crédito ao consumidor e em algumas modalidades na rede de agências. A adoção desta política se deu em razão do aumento da inadimplência então detectada no Sistema Financeiro Nacional e da alteração na qualidade do crédito dessas modalidades, devido à mudança estrutural ocorrida no mercado brasileiro com a introdução do crédito consignado. Já no quarto trimestre de 2006, as operações de crédito das financeiras de crédito ao consumidor retomaram o crescimento, devido, principalmente, à melhora da qualidade de crédito e à reformatação da oferta da instituição para o segmento de crédito consignado.
Com relação ao Índice de Inadimplência, verificou-se redução de 5,4%, em 2006, para 3,9%, no final de 2007, como resultado de uma política conservadora de administração de riscos da carteira. Em junho de 2008, o índice ficou praticamente estável, atingindo 4%
(Gráfico I.6.4). O segmento de maior risco, responsável por grande parte da despesa de provisão para perdas com créditos, é o de crédito direto ao consumidor em parcerias com lojistas.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Unibanco.
Gestão de riscos
O Índice de Basileia do Unibanco alcançou 13,71% em junho de 2008, acima do mínimo exigido pelo Banco Central, de 11%. Até 2003, esse índice apresentava trajetória de crescimento, porém
essa trajetória se reverteu a partir de 2004 (Gráfico I.6.5).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
A composição da carteira de crédito apresentou melhoria, com aumento dos créditos concentrados nos níveis de risco AA, A, B e C, de 90,8% em dezembro de 2000 para 95,3% em junho de 2008
(Tabela I.6.3).
Tabela I.6.3 – Composição da Carteira de Crédito por Nível de Risco
(%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Unibanco.
A política de administração de riscos do Unibanco, aliada ao crescimento de carteiras de menor risco, como consignado e veículos, possibilitou a contínua melhora na qualidade da carteira de crédito. Essas mudanças refletiram-se na queda da margem financeira e da despesa de provisão para perdas com créditos de liquidação duvidosa.
A administração do risco de crédito é realizada por meio da aplicação de políticas de avaliação, concessão, monitoramento e controle do crédito. As políticas compõem-se de definições de limites de crédito, buscando evitar concentração em clientes e setores específicos que possuam alto fator de risco. A decisão sobre crédito a empresas é embasada em fatores como histórico financeiro, fluxos de caixa, qualidade da administração, histórico de relacionamento, situação de mercado e outros fatores relacionados a risco de crédito.
A administração de crédito no segmento de varejo, por sua vez, exige sistema e processos especializados, dado o considerável volume de solicitações. São utilizados vários instrumentos estatísticos para avaliação e impostos rigorosos padrões de originação e administração da carteira de crédito, incluindo restrições aos aumentos de limites de crédito e às renovações de limites de cheque especial.
É realizado acompanhamento e monitoramento da carteira de crédito, com análises individuais das maiores exposições e concentrações, e cálculos de perdas esperadas e inesperadas por meio de modelos matemáticos e estatísticos.
Índices de cobertura e de eficiência
O Índice de Cobertura, que representa a razão entra as Receitas de Prestação de Serviços e as Despesas de Pessoal, vem crescendo significativamente no Unibanco, passando de 91,5% em 1997 para 140,1% no primeiro semestre de 2008. Esse crescimento pode ser explicado pela ampliação das Receitas de Prestação de Serviços em 242,7%, no período de 1997 a 2007, contra um crescimento de somente 109,6% nas Despesas de Pessoal, nesse mesmo período
(Tabela I.6.4).
Tabela I.6.4 – Índice de Cobertura (em R$ milhões)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
O menor crescimento das receitas de prestação de serviços no primeiro semestre de 2008 se deve à queda nas receitas com tarifas cobradas de clientes e à estratégia de crescimento da base de clientes por meio da isenção de algumas tarifas. Grande parte dos produtos ofertados está focada na baixa renda, como os cartões sem anuidade. Essas receitas também foram impactadas pela alteração da regulamentação de tarifas bancárias estabelecida pelo Banco Central, que entrou em vigor em abril de 2008.
Por outro lado, contribuíram positivamente para o resultado das receitas de prestação de serviços aquelas advindas das operações de cartões de crédito (Unicard e HiperCard), devido ao crescimento do faturamento da base de cartões, e as provenientes de transações estruturadas de mercado de capitais.
Em junho de 2008, as linhas que mais contribuíram para a geração de Receitas de Prestação de Serviços foram os Cartões de Crédito e Conta-Corrente, que tiveram participação de 27,8% e 21,5%,
respectivamente (Gráfico I.6.6).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Unibanco.
O Índice de Eficiência apresentou-se praticamente constante até 2004, quando então passou a decrescer, atingindo 42% no primeiro
semestre de 2008 (Gráfico I.6.7).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Unibanco.
Composição dos ativos e das receitas de
intermediação financeira O Unibanco atingiu um total de ativos de R$ 169,7 bilhões em junho de 2008, sendo que as Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil representaram 32,8% desse valor, contra 15,6% da carteira de Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros e Derivativos. O comportamento da participação dessas carteiras no total de ativos nos últimos anos não apresentou uma tendência específica; entretanto, a carteira de Operações de Crédito mantém-se, desde 1997, como o ativo de maior participação na carteira total
de Ativos (Tabela I.6.5).
Os segmentos da carteira de crédito que mais vêm contribuindo para o crescimento dos ativos são o de financiamento de automóveis, pequenas e médias empresas, cartões de crédito e carteira de originação própria de crédito consignado.
A Carteira de Títulos e Valores Mobiliários é composta, principalmente, por Títulos Públicos, que, em junho de 2008, responderam por 76,7% do total da carteira, contra 50,7% em
dezembro de 1998 (Tabela I.6.6).
Tabela I.6.5 – Composição dos Ativos (em %)
1) Inclui Disponibilidades, Relações Interfinanceiras, Relações de
Interdependências, Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa, Outros Valores e Bens, Imobilizado de Arrendamento e Permanente.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Tabela I.6.6 – Composição da Carteira de Títulos e Valores
Mobiliários (em %)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Unibanco.
As Receitas de Intermediação Financeira alcançaram R$ 12,8 bilhões no primeiro semestre de 2008, sendo que as Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil foram responsáveis por 64,5% dessas receitas, percentual que não sofreu alterações significativas nos últimos anos. As Operações com Títulos e Valores Mobiliários responderam por 22,7% do total das receitas no primeiro semestre
de 2008 (Tabela I.6.7).
Tabela I.6.7 – Composição das Receitas de Intermediação
Financeira (em %)
1) Inclui Operações com Instrumentos Financeiros Derivativos,
Operações de Câmbio e Aplicações Compulsórias.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Resultados
O Lucro Líquido do Unibanco vem apresentando tendência de crescimento. Em 2007, foi alcançado o resultado de R$ 3.499
milhões, o maior da história da instituição (Gráfico I.6.8).
No primeiro semestre de 2008, o lucro líquido atingiu R$ 1,5 bilhão. As atividades que mais contribuíram para esse resultado foram as de intermediação financeira. Também apresentaram contribuição significativa as Tarifas Bancárias e os Cartões de Crédito.
O crescimento do resultado da intermediação financeira pode ser explicado, principalmente, pelo aumento do volume de crédito e pela elevação das taxas de juros em algumas carteiras.
O Retorno Anualizado sobre o Patrimônio Líquido Médio foi de 26,6% no segundo trimestre de 2008. Apesar de não ter sofrido alterações significativas de 1995 a 2004, esse índice apresentou
tendência de crescimento a partir de 2005 (Gráfico I.6.9).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Unibanco.
Tendências recentes
O Unibanco vem acompanhando o ritmo do mercado na expansão do crédito, destacando-se na carteira de pessoas físicas. O significativo avanço desse segmento vem sendo impulsionado pelas operações de crédito consignado e de financiamento de veículos. Ao contrário do ocorrido em 2006, o Unibanco não hesitou em entrar no disputado mercado de crédito consignado em 2007. Apesar de adotar como estratégia preferencial o desenvolvimento de carteira própria, a instituição também vem buscando a aquisição de carteiras de outras instituições, focando as operações com empresas privadas e beneficiários do INSS (Valor Econômico, 9/11/2007).
Apesar da expansão verificada na carteira de crédito, a qualidade do crédito melhorou. A inadimplência, medida pelos atrasos acima de 60 dias, não sofreu alterações significativas (Valor Econômico, 9/11/2007).
Isso porque as carteiras que vêm apresentando maior expansão são aquelas com maior garantia, como financiamento de veículos,
crédito consignado e crédito imobiliário. 24 Caso fossem excluídas essas operações, a inadimplência teria aumentado em 2006 e teria se mantido em nível elevado. Sem o crédito consignado, a inadimplência do crédito pessoal (acima de 90 dias), no final de 2007, passaria de 5,3% para 14,7% (Valor Econômico, 13/3/2008).
Com a expectativa de crescimento do crédito imobiliário nos próximos anos, o Unibanco aumentou o foco neste segmento. A estrutura de atendimento foi reforçada e os processos de documentação e aprovação de crédito foram agilizados. Visando ampliar a originação de negócios, o Unibanco intensificou o relacionamento com as principais incorporadoras, construtoras e imobiliárias do país.
A expansão do crédito direcionado às construtoras se acelerou e avança em uma velocidade quase semelhante à dos empréstimos bancários destinados à habitação para as pessoas físicas. O Unibanco também tem feito parcerias com imobiliárias para o financiamento de imóveis usados. A instituição fechou parceria com o Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis de São Paulo (Secovi-SP), com a Rede São José dos Campos, formada por 11 imobiliárias, e com a Júlio Bogoricin, do Rio de Janeiro. O objetivo principal dessas parcerias é atrair as classes B e C, devido à expectativa de crescimento nesses segmentos (Valor Econômico, 18/4/2007; Valor Econômico, 3/9/2007).
Uma importante tendência verificada nos últimos anos é de mudança do mix da carteira de crédito da instituição. Em 2003, a distribuição era de 50%-50%, entre o varejo e o atacado. Atualmente, o varejo representa 63% da carteira, demonstrando a evolução da estratégia, anunciada em 2004, de migrar para aquelas carteiras que tivessem maior margem, maior taxa de crescimento e maior capacidade de rentabilizar a operação.
A estratégia de segmentação do banco também foi direcionada para os segmentos com maior margem e maiores taxas de crescimento, especialmente os segmentos de financiamento ao consumo e cartões de crédito, voltados principalmente para classes mais baixas.
Para o banco, o setor de financiamento ao consumo é um dos segmentos que apresentam maior crescimento e maior rentabilidade no mercado brasileiro de serviços financeiros. Atingir uma forte presença nesse mercado é parte central da estratégia de ganhar escala no negócio de varejo e atingir o segmento de renda mais baixa do mercado.
Em 30 de outubro de 2008, foi anunciada a fusão do Unibanco com o Itaú, que originará a instituição Itaú-Unibanco Holding (IU), uma das vinte maiores instituições financeiras do mundo, a maior do Brasil e o maior conglomerado financeiro privado do Hemisfério Sul, de acordo com dados do final do terceiro trimestre de 2008 (Valor Econômico, 3/11/2008). O Unibanco possuirá 34% da nova instituição, enquanto o restante será detido pelo Itaú (Reuters, 3/11/2008).
Em novembro de 2008, o Unibanco anunciou a compra da participação de 48% da americana AIG, na Unibanco AIG, impulsionado, principalmente, pela crise internacional, que afetou severamente a AIG. Dessa forma, o Unibanco pôs fim a uma parceria de onze anos e assumiu o controle majoritário da (agora) Unibanco Seguros e Previdência (Valor Econômico, 30/10/2008).
O encerramento da sociedade poderá abrir caminho para a integração das áreas de seguros, previdência privada e capitalização do Unibanco e do Itaú, que foi um dos motivos que impulsionaram a operação de fusão (Gazeta Mercantil, 28/11/2008).
Santander
Histórico e estrutura
O Banco de Santander foi fundado em 15 de maio de 1857, na Espanha, por iniciativa de um grupo de comerciantes vinculados à economia da região e ao comércio colonial. O banco é o maior da zona do euro por capitalização em bolsa e está entre as maiores instituições financeiras do mundo.
O primeiro escritório de representação do Santander no Brasil foi instalado em 1970 e, em 1982, foi inaugurada a primeira agência para o público. Em 1991, começaram as operações do banco de investimento Santander Investment no Brasil. A partir da segunda metade da década de 1990, o Grupo Santander decidiu ampliar seus investimentos no Brasil e, impulsionado pelo momento de consolidação do setor financeiro no país, executou um plano de aquisição de instituições com perfis distintos e públicos-alvo estratégicos.
Essa estratégia, que correspondeu a um investimento no país de US$ 7,2 bilhões, foi iniciada com a aquisição do Banco Geral do Comércio S.A., em 1997, e do Banco Noroeste S.A., em 1998, ambos com concentração no varejo no Estado de São Paulo. Em janeiro de 2000, a instituição adquiriu o Conglomerado Financeiro Meridional, formado pelos bancos Meridional, um importante banco regional de varejo do Rio Grande do Sul, e Bozano-Simonsen, um banco de atacado com experiência em atividades de mercado de capitais. O projeto de aquisições culminou em 2000 na compra, por meio de leilão de privatização, do Banespa, banco estadual com forte atuação no varejo e uma expressiva rede de agências e clientes. Em 2001, foi instituído o conglomerado financeiro Santander Banespa, que passou a ser um dos principais bancos privados do país.
Após esses investimentos, a instituição passou de um banco concentrado em atividades de Atacado para um banco universal. Entre dezembro de 2000 e dezembro de 2003, o banco dedicou-se a consolidar as operações brasileiras, com ênfase para a tecnologia. Em agosto de 2006, as diretorias executivas do Banco Santander Meridional S.A. (BSM), do Banco Santander Brasil S.A. (BSB), do Banco Santander S.A. (BSSA) e do Banco do Estado de São Paulo S.A. (Banespa) e o Conselho de Administração do Banespa aprovaram a proposta de reestruturação societária constituída pelas incorporações do BSB, do BSSA e do Banespa pelo BSM. A instituição passou a denominar-se Banco Santander Banespa S.A., permanecendo vinculada societariamente ao Banco Santander Central Hispano.
Em 2007, como parte da estratégia de negócios em todas as nações onde atua, o Grupo Santander promoveu a unificação da marca para simbolizar o fortalecimento dos negócios nos mercados globais. No Brasil, a instituição passou a denominar-se Banco Santander S.A., assim como todas as outras instituições do mundo pertencentes ao grupo. Além dessa unificação, foram aprovados vários procedimentos da reestruturação societária, objetivando a racionalização operacional. Dessa forma, a comparação dos dados dos anos de 2007 e 2008 com os dados dos anos anteriores deve considerar essas alterações (Valor Econômico, 30/4/2007). Em março de 2007, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou a abertura de capital do banco.
A instituição opera como banco múltiplo e desenvolve suas operações por meio das carteiras comercial, de câmbio, de investimento, de crédito e financiamento, de crédito imobiliário e de arrendamento mercantil. Por meio de empresas ligadas, atua também nos mercados de seguros, previdência privada, capitalização, arrendamento mercantil, administração de fundos de terceiros e corretagem de valores mobiliários e de seguros. Todas essas operações são conduzidas em conjunto no mercado financeiro, por meio do Banco Santander S.A., da Santander Seguros S.A. e de suas respectivas controladas. O Banco Santander S.A. é a instituição-líder do conglomerado econômico financeiro perante o Banco Central do Brasil, sendo integrante do Grupo Santander Central Hispano, controlado pelo Banco Santander, S.A., com sede na Espanha.
Em outubro de 2007, como vimos, o ABN-Amro foi adquirido pelo consórcio formado pelo Santander, o britânico Royal Bank of Scotland (RBS) e pelo belgo-holandês Fortis. O consórcio dividiu o ABN conforme os interesses geográficos de cada membro do grupo. A divisão envolveu 4.500 agências distribuídas em 53 países, sendo que o Fortis ficou com as operações da Holanda e com as operações de administração de ativos e o RBS ficou com as operações de atacado e de banco de investimento e com as atividades na Ásia e nos EUA. O Santander, por sua vez, ficou com a unidade italiana e com as operações brasileiras.
A aquisição do ABN permitiu que o Santander ampliasse, no Brasil, sua atuação no crédito para pessoa física e no financiamento de veículos, segmentos nos quais o banco espanhol não tinha participação significativa. No caso do financiamento de veículos, por meio da financeira Aymoré, o ABN detinha 16% do mercado, enquanto o Santander possuía 7% (Valor Econômico, 1/10/2007). Os dois bancos também se complementam nos negócios, uma vez que o ABN tinha forte concentração no Varejo, enquanto o Santander é mais especializado nos negócios com Grandes Empresas.
Em 24 de julho de 2008, o Banco Santander Espanha passou a exercer efetivamente o controle societário indireto das empresas do Conglomerado ABN-Amro Real no Brasil, após o cumprimento de todas as condições para a transferência do controle, especialmente a obtenção da aprovação do De Nederlandsche Bank (Banco Central da Holanda) e do Banco Central do Brasil.
A partir de 29 de agosto de 2008, o Banco ABN-Amro Real S.A. e o ABN-Amro Brasil Dois Participações S.A. e respectivas empresas controladas passaram a integrar os conglomerados financeiro e econômico-financeiro Santander. Dessa forma, como os números apresentados neste trabalho vão até junho de 2008, a análise não foi afetada por essa aquisição.
Rede de atendimento
O Santander atua em todos os segmentos do mercado financeiro, por meio de uma rede com 22.141 funcionários, 2.121 agências e postos de atendimento e 7.558 caixas eletrônicos. O banco atende todo o país com produtos de atacado e concentra suas operações de varejo nas regiões Sul e Sudeste, onde estão localizados 95,2%
dos pontos de atendimento (Gráfico I.7.1), sendo que o Estado de São Paulo concentra a maioria deles. O Rio de Janeiro, por sua vez, é o Estado no qual a instituição mais vem crescendo (Valor Econômico, 6/7/2007).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site da
Febraban.
Com a aquisição do banco ABN, a instituição passou a contar com 3.551 pontos de atendimento e 17.978 terminais de autoatendimento, localizados principalmente nas regiões Sul e Sudeste. O ABN também fortaleceu o Santander em regiões onde sua participação era menor, como o Nordeste (Valor Econômico, 1/10/2007).
Por meio de uma parceria com a Rede Verde-Amarela (RVA), o Santander detém 10 mil pontos de atendimento e 22.342 terminais e caixas interligados, distribuídos por todo o país. O banco também integra a Rede Banco24Horas, que disponibiliza 30.067 equipamentos, e possui, ainda, o Autoatendimento Móvel, instalado em eventos sazonais. Os clientes também podem ser atendidos 24 horas por meio dos canais diferenciados de acesso, como telefone fixo, telefone celular e internet banking.
O Santander Banespa conta, ainda, com uma financeira própria, a Olé, criada em dezembro de 2005 com o objetivo de financiar o consumo de não correntistas das classes “C” e “D,” captando clientes exclusivamente fora da rede do banco.
Base de clientes
O Banco Santander no Brasil possuía, em junho de 2008, 8,5 milhões de clientes, sendo 4,5 milhões de correntistas. Parte desses clientes foi herdada do Banespa, que administrava a folha de pagamento dos funcionários do governo de São Paulo. Mesmo após a transferência da folha para a Nossa Caixa, no início de 2007, os depósitos do banco cresceram, o que pode ter sido resultado de retenção de parte dos correntistas e da aquisição de novos clientes, inclusive com a conquista da folha do governo do Rio de Janeiro (Valor Econômico, 1/10/2007). Em 2008, a instituição adquiriu os clientes globais do ABN (Valor Econômico, 8/2/2008).
A estratégia da instituição contempla uma segmentação dessa base de clientes, com modelos diferenciados de atendimento, em quatro grandes áreas de negócios: Varejo, Empresas, Santander Global Banking & Markets e Gestão de Recursos de Terceiros.
O Varejo atende aos segmentos Pessoa Física e Business – empresas com faturamento de até R$ 20 milhões. O segmento Pessoa Física vem apresentando crescimento significativo nos últimos anos, alcançando 7,4 milhões de clientes em 2007 (Valor Econômico, 1/10/2007). Cada cliente dispõe de uma oferta de, pelo menos, quatro produtos ou serviços diferenciados. O Santander vem ampliando sua participação de mercado nos produtos para esse segmento, principalmente em cartões de crédito, financiamento de veículos e crédito consignado. Já o segmento de empresas de pequeno e médio porte, com faturamento anual até R$ 20 milhões, atingiu 300 mil clientes em 2007 (Valor Econômico, 1/10/2007).
O segmento Empresas tem como foco de atuação as companhias e grupos econômicos com faturamento anual superior a R$ 20 milhões. O segmento conta, ainda, com uma célula exclusiva denominada Real Estate, para o atendimento a empresas e grupos econômicos nacionais ou multinacionais ligados à área de construção e incorporação imobiliária. A atuação do segmento Empresas abrange todo o território nacional, com 36 escritórios localizados nas principais regiões do país. O banco vem buscando fortalecer sua presença comercial no segmento Corporate nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
O segmento Santander Global Banking & Markets atende os grupos econômicos e grandes corporações nacionais e internacionais, e fechou o ano de 2007 com, aproximadamente, 400 clientes corporativos e institucionais. Nesse segmento, a estratégia é fortalecer a posição como um banco de relacionamento global, em linha com os modelos adotados pelo grupo no exterior.
O segmento de Gestão de Recursos de Terceiros é responsável pela gestão de fundos de investimento direcionados a pessoas físicas e jurídicas e pela administração de recursos de terceiros do
segmento 25 Private .
A instituição também atua no segmento de governos e instituições, que é direcionado ao atendimento de entidades e empresas dos governos federal, estadual e municipal, além de instituições privadas com faturamento acima de R$ 20 milhões, ligadas, principalmente, às áreas de saúde e associações. No segmento de agronegócios, o Santander ocupa posição de destaque. Em dezembro de 2007, era a maior instituição privada no Estado de São Paulo e a terceira no Brasil.
O Santander considera que o modelo de segmentação adotado permite o desenvolvimento de produtos e serviços que se enquadrem no perfil de cada segmento, favorecendo a eficácia da equipe comercial. Com base nesse modelo, foram criados cartões diferenciados, diversos planos de investimento e pacotes de serviços que consideram o potencial e o perfil de cada segmento.
Captações
O Santander capta recursos principalmente por meio de depósitos a prazo; entretanto, a participação dessa forma de captação vem decrescendo, passando de 78,3% em dezembro de 1997 para 54% em junho de 2008. As Captações no Mercado Aberto, por sua vez, vêm aumentando sua participação, atingindo 27,1%, em junho de
2008, contra 16,7%, em dezembro de 1997 (Tabela I.7.1).
Tabela I.7.1 – Composição das Captações (em %)
1) Nos segmentos de Poupança e Outros o crescimento informado
refere-se ao período de dezembro/1998 a junho/2008.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Carteira de crédito A carteira de Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil do Santander atingiu R$ 41,9 bilhões em junho de 2008, o que representou um crescimento de 660% em relação a dezembro de
1997 (Gráfico I.7.2).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
O segmento com maior participação na carteira de crédito do Santander é o de Pessoas Jurídicas, que representou 52,7% da carteira total em junho de 2008. Essa participação, entretanto, vem decrescendo, enquanto a participação da carteira de Pessoas
Físicas vem aumentando (Tabela I.7.2).
Tabela I.7.2 – Composição da Carteira de Crédito por Cliente (em
%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Santander.
Considerando o período de dezembro de 2000 a junho de 2008, o segmento que mais cresceu foi o de Pessoas Físicas, com um desempenho positivo acumulado de 505,9%. As linhas que mais têm contribuído para esse crescimento são as de financiamento de veículos e crédito consignado, que representaram 12,8% e 5,7% em 2007, com crescimento de 234,4% e 449,4% no período de 2003 a
2007, respectivamente (Tabela I.7.3).
Tabela I.7.3 – Composição da Carteira de Crédito – Pessoa Física
(%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Santander.
No segmento de crédito consignado, em que o banco atua desde 2003, o destaque são as operações com o setor público, que representam mais de 60% do total. No final de 2007, o banco mantinha 1.500 convênios de crédito consignado, num total de mais de 500 mil clientes.
No segmento de financiamento de veículos, o destaque tem sido o Canal Externo, ou seja, o crédito concedido diretamente por lojas e concessionárias. O Santander começou a atuar nesse segmento em 2003, principalmente por meio da sua financeira Olé (Valor Econômico, 11/4/2006).
Os segmentos de cartões e crédito habitacional também são considerados relevantes para o Santander. Um dos motivos para o bom desempenho do segmento de cartões, em 2007 e 2008, foi o lançamento, em meados de 2007, do Cartão Santander Free, isento de tarifas e anuidades. Até o final de 2007, o produto já contava com mais de 650 mil adesões. Outro destaque desse segmento é a Conta Paga Santander, lançada no terceiro trimestre de 2007, que possibilita ao cliente concentrar o pagamento de suas contas em data única, com prazo de até 40 dias para o pagamento, sem juros e multa. Esse produto já representa 3% do faturamento total do segmento de cartões.
No segmento de crédito habitacional, o crescimento deve-se, principalmente, à oferta de novas opções de prazos e à simplificação do processo de obtenção de crédito. O Santander foi o primeiro banco a estender, em outubro de 2007, o prazo de amortização para 30 anos (Gazeta Mercantil, 26/9/2007) e a realizar empréstimos prefixados, que, em 2007, representaram 44% das operações da instituição. Em parte, esse comportamento se deve à própria estratégia mundial do banco, que considera o crédito imobiliário uma excelente ferramenta de fidelização e captação de clientes. Em 2007, 60% da produção do banco atendeu não correntistas (Valor Econômico, 24/1/2008). Apesar do aumento do crédito para o segmento habitacional, a inadimplência não aumentou. No primeiro semestre de 2008, o índice de inadimplência acima de 90 dias foi de 0,2% (Valor Econômico, 25/7/2008).