A evolução recente do setor bancário no Brasil
Anexos: Análise individual dos maiores bancos
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 5 partes.
No segmento de pessoas jurídicas, destaca-se a carteira de pequenas e médias empresas, que, em 2007, representou 23% da carteira de crédito total, contra 9,4% em 2002. A evolução é decorrente da ampla oferta de linhas de crédito para automóveis, veículos pesados, máquinas e equipamentos. Também se destacaram os produtos Conta-Corrente Garantida com Cartões e o Capital de Giro Premium, com isenção da última parcela.
O desempenho do segmento de Grandes Empresas, por sua vez, tem sido prejudicado pela maior acessibilidade dessas empresas ao mercado de capitais, o que possibilitou uma maior diversificação das fontes de financiamento. Também contribuiu para o baixo desempenho desse segmento a apreciação do real, até 2007, que impactou a carteira de crédito indexada e denominada em moeda estrangeira.
Na área de crédito rural, o Santander tem participação relevante, sendo uma das maiores instituições financeiras do Estado de São Paulo, com destaque para o financiamento da agropecuária. Em 2007, o banco alcançou o quarto lugar no ranking dos maiores financiadores agrícolas do país. A significativa participação da instituição no financiamento agrícola foi herdada do Banespa, que tinha forte tradição na agricultura paulista (Valor Econômico, 24/4/2007 [2]).
Apesar do crescimento da carteira de crédito, o Índice de Inadimplência não sofreu grandes alterações até 2007. No primeiro semestre de 2008, esse índice atingiu 5,8%, maior do que o
verificado nos anos anteriores (Gráfico I.7.3).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Santander.
Gestão de riscos
O modelo de gestão de riscos de crédito e mercado adotado pelo Santander para proteger o capital e garantir a rentabilidade dos negócios está sintonizado com os princípios globais do Grupo Santander, dentre os quais se destacam a independência e as decisões colegiadas. A área de gestão de riscos é composta pelo Comitê Executivo de Riscos e por vários comitês de crédito, estruturados por região e frentes de negócios.
O grupo Empresas e Varejo concentra Pequenas e Médias Empresas, Governos e Instituições e Pessoas Físicas com baixo valor médio de dívida por pessoa/empresa. As avaliações, feitas por carteira de produtos, ocorrem periodicamente, por meio de Programas de Gestão de Crédito. Em 2007, para absorver a onda de crescimento do crédito, esses programas permitiram agilização no processo de concessão, com a utilização de modelos de aprovação automática.
Já a área de riscos nos negócios Santander Global Banking & Markets e Empresas inclui as grandes companhias, que são distribuídas por setores de atuação e avaliadas individualmente, no mínimo uma vez ao ano ou quando necessário. Os clientes são avaliados a partir de um modelo de pré-classificação que fixa limites máximos de risco por meio de sistema de medição e segmento de capital econômico.
Desde 2006, o Santander informa, para o Banco da Espanha, os números de Basileia II pela abordagem Standard, também conhecida como Método Padronizado Simplificado, que considera ratings externos de agências internacionais como Moodys, Fitch e Standard & Poor's.
A instituição também já definiu um cronograma, que é acompanhado por seus reguladores – Banco Central do Brasil e Banco da Espanha –, para ingressar em Modelos Internos Avançados (AIRB – Advanced Internal Ratings Based), a opção mais completa e de maior sensibilidade ao risco. Essa abordagem utiliza uma extensa base histórica de operações, garantias e ratings internos para medir três fatores básicos do risco de crédito: a probabilidade de inadimplência (PD) da contraparte, a capacidade de recuperação dos créditos em inadimplência (LGD) e a exposição efetiva no momento do default (EAD).
A entrada em Modelos Internos é de importância vital e estratégica para o Santander, uma vez que os bancos com as melhores práticas de gestão de riscos terão clara vantagem competitiva frente aos demais concorrentes. Com base nos dados comportamentais de cada cliente, o modelo indicará as possíveis estratégias a serem adotadas antes que esse se torne inadimplente.
O Índice de Basileia do Santander atingiu 13,57% em junho de 2008, acima do mínimo exigido pelo Banco Central. Entretanto, esse índice vem decrescendo desde 2004, quando atingiu 16,96%
(Gráfico I.7.4).
Nos últimos anos, o banco vem aumentando suas provisões para créditos de liquidação duvidosa. Esse aumento se deve ao crescimento das carteiras de crédito Pessoa Física e Pequenas e Médias Empresas, de maior retorno, porém consideradas de maior risco. A inadimplência, entretanto, permaneceu controlada (Valor Econômico, 25/10/2007).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Com relação à composição da carteira de crédito por nível de risco, os créditos classificados entre AA e C representaram 91,1% do total da carteira em junho de 2008. Desde 2005, observa-se uma tendência de queda do percentual de operações concentradas
nessa faixa de risco (Tabela I.7.4). Essa redução se deve ao crescimento das operações de maior risco – Pessoas Físicas e Pequenas e Médias Empresas.
Tabela I.7.4 – Composição da Carteira de Crédito por Nível de Risco
(%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Santander.
Índices de cobertura e de eficiência
Seguindo uma tendência do setor bancário, o Índice de Cobertura do Santander vem crescendo significativamente, atingindo 198,3% em junho de 2008, contra 53,3% em 1998. Essa evolução se deve ao crescimento de 1.461% das Receitas de Prestação de Serviços no período de 1998 a 2007, contra um crescimento de somente
349% das Despesas de Pessoal (Tabela I.7.5).
Tabela I.7.5 – Índice de Cobertura (em R$ milhões)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Esse aumento das receitas de prestação de serviços pode ser explicado pela ampliação das operações de maior participação nas receitas totais: operações de crédito, administração de fundos e cartões de crédito, que responderam por 28,8%, 22,5% e 14,9% do
total de receitas, respectivamente (Gráfico I.7.5).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Santander.
Em 2007, o Índice de Eficiência do Santander foi de 53,8%, contra
58,9% em 2006 (Gráfico I.7.6). Esse índice vem apresentando tendência de queda, sendo que a significativa redução verificada em 2001 foi resultado de um programa de redução dos gastos de pessoal, de redução nas despesas de provisão em crédito e do aumento nas receitas de comissões.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Composição dos ativos e das receitas de
intermediação financeira
A carteira de Ativos do Santander é composta, principalmente, por Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil, que responderam, em junho de 2008, por 32,9% dos ativos totais. Até 2006, a participação da carteira de TVM e Instrumentos Financeiros Derivativos era maior do que a da carteira de Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil entretanto, desde 2007; essa composição
se inverteu (Tabela I.7.6).
Tabela I.7.6 – Composição dos Ativos (em %)
1) Inclui Disponibilidades, Relações Interfinanceiras, Relações de
Interdependências, Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa, Outros Valores e Bens, Imobilizado de Arrendamento e Permanente.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Verificou-se um significativo crescimento das Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil, no período de dezembro de 1997 a junho de 2008. Enquanto essas operações cresceram 6.593%, a carteira de TVM cresceu 2.250% nesse período. A carteira de TVM e Instrumentos Financeiros Derivativos é composta, principalmente, por títulos públicos. Essa participação, entretanto, vem decrescendo, passando de 84,6%, em 2002, para 68,4%, em junho
de 2008 (Tabela I.7.7).
Tabela I.7.7 – Composição da Carteira de Títulos e Valores
Mobiliários (%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
As receitas com Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil e as Operações com TVM também são os principais componentes das Receitas de Intermediação Financeira do Santander. No período de 1999 a 2002, as Operações com TVM representaram a maior parte das receitas; entretanto, a partir de 2003, as Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil passaram a ser as principais responsáveis pelas Receitas de Intermediação Financeira, com uma
participação de 52,2% no primeiro semestre de 2008 (Tabela I.7.8).
Tabela I.7.8 – Composição das Receitas de Intermediação
Financeira (em %)
1) Inclui Operações com Instrumentos Financeiros Derivativos,
Operações de Câmbio e Aplicações Compulsórias.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
O crescimento das receitas de operação de crédito e arrendamento mercantil verificado nos últimos anos foi consequência, principalmente, do aumento da carteira de crédito, sobretudo da carteira de crédito pessoa física e crédito imobiliário.
Nos últimos anos, o fraco desempenho dos resultados das operações com TVM e instrumentos financeiros derivativos deveu-se, principalmente, aos impactos negativos da redução das taxas de juros. Apesar disso, no período de 1998 a 2007 as receitas com Operações com TVM foram as que mais cresceram – uma ampliação de 729,3%.
Resultados
O lucro líquido do Santander vem apresentando bom desempenho desde 2002, após as aquisições realizadas, alcançando R$ 1,85 bilhão em 2007 e R$ 793 milhões no primeiro semestre de 2008
(Gráfico I.7.7). Esse resultado representou 11% do lucro do grupo (Valor Econômico, 8/2/2008).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Nos últimos anos, o bom desempenho alcançado foi resultado do crescimento da carteira de crédito (Valor Econômico, 25/10/2007) e da evolução favorável das receitas atreladas aos negócios comerciais: receitas com operações de crédito e prestação de serviços. O prejuízo verificado em 2001, por sua vez, foi resultado das provisões realizadas após a aquisição do Banespa.
No primeiro semestre de 2008, entretanto, o resultado foi impactado negativamente pelas novas regras criadas pelo Banco Central para a cobrança de tarifas, que provocaram um menor crescimento das receitas com prestação de serviços. O Retorno Anualizado Sobre o Patrimônio Líquido Médio atingiu 17,1% no primeiro semestre de
2008, contra 21,3% em 2007 e 16,1% em 2006 (Gráfico I.7.8). Em 2008, o Santander foi o primeiro dos grandes bancos a disponibilizar empréstimo pessoal com garantia de imóvel, o chamado “home equity,” bem popular em outros países. Semelhante ao que é oferecido no segmento de veículos, o novo produto funcionará como um refinanciamento da moradia já quitada, que permanecerá alienada em nome do banco durante a vigência do contrato. Com essa modalidade, o banco pretende atrair o segmento de pessoas físicas de alta renda e as pequenas e médias empresas (Valor Econômico, 4/7/2008).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Santander.
Tendências recentes
A estratégia do Santander tem sido focada na ampliação do crédito, na bancarização (Valor Econômico, 6/7/2007), na diversificação do portfolio (Valor Econômico, 17/4/2007) e na administração de folhas de pagamento. O foco na administração de folhas de pagamento permite o aumento da receita por cliente, a penetração de produtos e a ampliação do crédito, principalmente o crédito consignado, o financiamento ao consumo e as operações com cartão de crédito (Valor Econômico, 1/10/2007).
A ampliação do crédito é uma das principais metas do Santander, que tem se especializado, crescentemente, no varejo. O segmento de cartões de crédito, por exemplo, é considerado de forte potencial de expansão por ser um produto que tende a se popularizar ainda mais (Valor Econômico, 6/7/2007).
A instituição começou a operar com leasing para pessoas físicas em 2008 e pretende se concentrar nesse segmento nos próximos anos, com o objetivo de ampliar sua participação no mercado de crédito em geral e, principalmente, no financiamento de automóveis (Valor Econômico, 8/2/2008).
No crédito imobiliário, segmento considerado importante para o banco, a instituição vem firmando parcerias comerciais com empresas incorporadoras, como Rodobens, Cyrella, Rossi, Tecnisa e Agra. O Santander também vem criando canal de relacionamento com as imobiliárias, estratégia que já é responsável por 14% do fluxo de origem dos negócios. Como exemplo, pode ser citada a parceria firmada com a imobiliária Itaplan, para concessão de empréstimos habitacionais (O Estado de S. Paulo, 27/6/2008 [2]). A atuação da instituição no crédito habitacional está concentrada, principalmente, nas regiões Sul e Sudeste, onde o valor médio das moradias é maior (Valor Econômico, 1/4/2008 [1]).
O banco pretende ampliar sua atuação no crédito imobiliário para baixa renda, por meio de recursos do FGTS, sendo que já começou a operar com essa linha junto aos servidores públicos do Estado de São Paulo. Para o banco, o segmento de mercado que atende famílias com renda entre cinco e dez salários mínimos é o mais promissor (Valor Econômico, 24/1/2008; Valor Econômico, 25/4/2008; Valor Econômico, 4/7/2008).
O Santander também tem como estratégia a ampliação da sua atuação no segmento de pequenas e médias empresas. Em 2008, o banco lançou três novas linhas de financiamento, uma delas em parceria com a Microsoft e a Telefônica (DCI – SP, 17/9/2008).
Como parte de sua estratégia, a instituição também não descarta eventuais aquisições em segmentos específicos, como o de financeiras ou outros nichos de crédito (Valor Econômico, 6/7/2007). Após as medidas do Banco Central que liberaram o compulsório, o Santander anunciou que já comprou dez carteiras de bancos menores em 2008. A instituição ainda negocia a compra de outras carteiras (Valor Econômico, 28/10/2008).
O Santander da Espanha anunciou um investimento de US$ 800
milhões26 no Brasil, até 2010, e a meta de conquistar 3 milhões de novos clientes, além do lançamento de um fundo de US$ 1 bilhão para investimento em projetos de infraestrutura na América Latina, principalmente no Brasil e no México, onde estão concentrados os maiores projetos. A expectativa é que a instituição tenha um papel importante junto aos projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A instituição pretende ampliar sua atuação junto ao que chama de classes médias emergentes, uma vez que, segundo projeções dos economistas do banco, o Brasil deve ser o país no qual mais famílias vão ascender à classe média. Portanto, uma das estratégias a ser focada pela instituição é a bancarização. Para o Santander, o Brasil é o terceiro país mais importante do grupo (Valor Econômico, 6/7/2007).
Para tornar essa estratégia viável, o Santander pretende expandir sua rede de atendimento, reforçando as operações nas regiões onde é mais forte, ou seja, Sul, Sudeste e grandes cidades do país (Valor Econômico, 3/11/2008 [2]).
Atuação externa 27
O Grupo Santander, fundado em 1857 na Espanha, é a maior instituição financeira da zona do euro por capitalização em bolsa, estando presente em mais de 40 países. Em junho de 2008, contava com mais 11 mil agências, 131 mil funcionários, 65 milhões de clientes e volume de recursos administrados superior a 1 trilhão de euros.
O grupo é segmentado em três áreas geográficas: Europa Continental, que é subdividida nas unidades Red Santander, Banesto, Santander Consumer Finance e Portugal; Reino Unido, representado pelo Banco Abbey, instituição adquirida pelo grupo em 2004; e América Latina, composta pelas unidades do Brasil, México e Chile. As áreas com maior quantidade de pontos de atendimento são Europa Continental e América Latina, com participação de
53,3% e 40,4%, respectivamente (Gráfico I.7.9).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo Santander.
O grupo atua, principalmente, em três grandes áreas: Banco Comercial (Varejo), Banco de Atacado Global (para grandes clientes) e Gestão de Ativos e Seguros.
A carteira de crédito atingiu 573 bilhões de euros em junho de 2008, um crescimento de 396% em relação a dezembro de 1998. A instituição vem buscando ampliar a participação da concessão de créditos com garantias reais. Em junho de 2008, essa participação
atingiu 56,8% (Gráfico I.7.10).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo Santander.
A participação do crédito no total de ativos do grupo também vem apresentando crescimento. Essa participação foi de 62,4% em junho
de 2008, contra 48,9% em 1998 (Gráfico I.7.11).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo Santander.
A unidade que tem maior participação no crédito total do Grupo Santander é o Reino Unido, seguido pelo Red Santander. No período de dezembro de 2005 a junho de 2008, a unidade que apresentou maior crescimento da carteira de crédito foi a situada no
Brasil, com uma ampliação de 84,7% (Tabela I.7.9).
Tabela I.7.9 – Participação na Carteira de Crédito Total (%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo Santander.
Todas as empresas do grupo têm rigorosas regras de conduta, que se enquadram na legislação norte-americana. No início de 2007, o Santander obteve a certificação da Lei Sarbanes-Oxley, que atesta o cumprimento das regras estabelecidas pela legislação norte-americana. A lei defende o interesse dos investidores e protege a sociedade, estabelecendo critérios de transparência e rigorosos controles internos.
A instituição também se comprometeu formalmente com o Banco de Espanha a utilizar os enfoques mais avançados para fins de cálculo de capital regulatório, tanto em risco de crédito quanto em risco operacional. Tais metodologias fazem uso de modelos internos de mensuração de riscos, proporcionando a otimização de alocação de capital regulatório e um ambiente de controle de riscos em linha com as melhores práticas de mercado.
O Índice de Basileia do grupo atingiu 11,43% em junho de 2008, menor do que o verificado em anos anteriores, porém, acima do
mínimo exigido pelo Acordo da Basileia, de 8% (Gráfico I.7.12).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo Santander.
O Índice de Eficiência, por sua vez, vem decrescendo nos últimos anos, passando de 62,1% em 1998 para 40,37% no primeiro
semestre de 2008 (Gráfico I.7.13).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo Santander.
O Índice de Eficiência das unidades do grupo também apresentou tendência de queda, sendo que, no primeiro semestre de 2008, as unidades do Reino Unido e de Portugal apresentaram índices
maiores em relação às demais (Tabela I.7.10).
Tabela I.7.10 – Índice de Eficiência (%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo Santander.
Em 2007, o grupo alcançou um lucro líquido de 8,6 bilhões de euros. No primeiro semestre de 2008, o lucro já atingiu 5 bilhões de euros.
Nos últimos anos, a tendência tem sido de crescimento (Gráfico
I.7.14).
1) Excluindo receitas/despesas extraordinárias.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo Santander.
A unidade que mais contribuiu para o resultado do grupo foi a Red Santander; entretanto, as unidades da América Latina são as que
mais têm apresentado crescimento em sua contribuição (Tabela
I.7.11).
Tabela I.7.11 – Benefício Atribuído ao Grupo (%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo Santander.
O Retorno sobre o Patrimônio Líquido do Grupo Santander atingiu 18,6% no primeiro semestre de 2008, com tendência de oscilação
no período analisado (Gráfico I.7.15).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo Santander.
Com relação às unidades do grupo, os maiores retornos são do Chile, Reino Unido e Brasil. No período analisado, as unidades que mais cresceram com relação a esse índice foram Chile, Portugal,
México e Brasil (Tabela I.7.12).
Tabela I.7.12 – Retorno sobre o Patrimônio Líquido das Unidades do
Grupo1 (%)
1) Excluindo as receitas/despesas extraordinárias.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo Santander.
Com relação às estratégias recentes, o Grupo Santander tem buscado unificar sua marca em todas as nações onde atua, para simbolizar o fortalecimento dos negócios nos mercados globais. A decisão foi pautada pela crença de que uma assinatura com a qual possa se identificar em todos os mercados é essencial para competir em condições de igualdade com os demais grandes bancos mundiais.
O grupo também procura se concentrar em clientes pessoas físicas e pequenas e médias empresas, que respondem por 84% dos resultados do banco. Recentemente, a instituição também se voltou para produtos mais rentáveis, porém com maior risco, principalmente na América Latina. Essa estratégia provocou o aumento da provisão para créditos duvidosos.
No mercado de financiamento de imóveis, por exemplo, o Santander é líder na Espanha e no Chile (Gazeta Mercantil, 26/9/2007). O grupo também tem forte atuação no mercado de financiamento de veículos (Valor Econômico, 11/4/2006).
As expectativas do Santander com relação à América Latina são bem otimistas (Valor Econômico, 3/7/2007 [2]). Nesse sentido, foi lançado, no final de 2006, o Plano América 2010, que detalha as estratégias que o banco utilizará para duplicar seu tamanho na região. Estão previstos investimentos de US$ 2 bilhões até 2010 (Valor Econômico, 6/7/2007).
Em julho de 2007, o Santander também lançou um fundo de US$ 1 bilhão para investimento em projetos de infraestrutura na América Latina, principalmente no Brasil e no México, onde estão concentrados os maiores projetos. A instituição pretende ampliar sua atuação junto ao que chama de classes médias emergentes, visando dobrar sua fatia de mercado em cinco anos. Os setores prioritários serão transportes, saneamento, habitação e comunicações, segmentos que o Santander classifica como “infraestrutura social” (Valor Econômico, 6/7/2007).
A aquisição do ABN também faz parte da estratégia do grupo de ampliar seus negócios na América Latina (Valor Econômico, 8/10/2007). As projeções do banco para Brasil e América Latina consideram que a região está gerando novas riquezas financeiras e crescendo acima da média dos países desenvolvidos. Na avaliação dos executivos do Santander, a crise financeira recente, apesar de ter afetado o valor de várias companhias europeias que investem na região, não irá afetar, na mesma proporção, os investimentos dessas empresas em ativos fixos no Brasil e demais países da região.
O próprio Santander foi afetado, embora menos do que outros bancos europeus e americanos. Em dezembro de 2006, o banco tinha um valor de mercado de 88 bilhões de euros, capitalização que caiu para 73 bilhões de euros em 30 de junho de 2008, segundo cálculos da instituição. O grupo está, então, adaptando sua operação para reduzir os impactos da crise. Uma das medidas adotadas inclui um crescimento mais equilibrado com menor foco no crédito. Essa estratégia, entretanto, não será adotada para os países emergentes, em que a intenção é aumentar o volume das operações (Valor Econômico, 8/7/2008).
HSBC
Histórico e estrutura
O HSBC Holdings foi fundado em 1865 e é sediado em Londres, Inglaterra. A instituição atua nos segmentos de varejo, commercial, corporate, investment e private banking; trade services; cash management; serviços de tesouraria e mercados de capital; seguros e previdência; empréstimos e financiamentos; fundos de pensão e investimento, dentre outros.
O banco iniciou suas operações no Brasil em 26 de março de 1997, com a aquisição do Bamerindus. Essa aquisição deu origem ao HSBC Bamerindus S.A., que, em 1999, passou a se chamar HSBC Bank Brasil S.A. – Banco Múltiplo, com a logomarca HSBC + Hexágono, seguindo o projeto de unificação mundial da marca no mundo.
O maior acionista do banco é o HSBC Bank, com 99,396% do capital social, seguido pelo HSBC Leasing Arrendamento Mercantil (Brasil) S.A. e por Outras Participações Minoritárias, com participações de 0,601% e 0,003%, respectivamente.
Rede de atendimento
A rede de atendimento do HSBC, presente em 559 municípios brasileiros, é composta por 924 agências, 453 postos de atendimento bancários, 1.022 postos de atendimento eletrônicos, 2.419 ambientes de autoatendimento, 5.500 caixas automáticos e 26 mil funcionários. Os clientes contam, ainda, com 25 mil caixas automáticos na rede compartilhada com outros bancos no Brasil, banco 24 horas e uma dependência no exterior localizada em Grand Cayman.
O HSBC disponibiliza, também, 250 agências próprias da Financeira Losango, que oferece financiamento de veículos, Conta Losango, crédito consignado, cartões de crédito, seguros e correspondentes bancários nos pontos de venda. A financeira atua por meio de 21 mil parcerias com grupos varejistas com forte penetração regional (Valor Econômico, 4/1/2008; Valor Econômico, 20/6/2008; Valor Econômico, 14/7/2008).
A maior parte dos pontos de atendimento está concentrada na região Sudeste, sendo que 76,8% desses pontos estão localizados
nas regiões Sudeste e Sul (Gráfico I.8.1).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site da
Febraban.
Internacionalmente, o Grupo HSBC está presente em 86 países e territórios, sendo um dos maiores grupos financeiros do mundo. Disponibiliza mais de 1 milhão de caixas automáticos para saques no exterior, por meio da rede Cirrus/MasterCard e Visa Plus/Visa, e aproximadamente 50 milhões de estabelecimentos conveniados com as redes MasterCard Maestro e Visa Electron para compras com cartão de débito no Brasil e no exterior.
Base de clientes
A carteira do HSBC Bank Brasil é de aproximadamente 5,6 milhões de clientes Pessoa Física e 347,6 mil de clientes Pessoa Jurídica, segmentados em Varejo, Commercial Banking, Corporate, InvestmentBanking and Markets e Private Banking. Por meio da Financeira Losango, o HSBC atende 18 milhões de clientes (Gazeta Mercantil, 24/3/2008 [2]), concentrados nas classes C, D e E.
No segmento de Private Bank, a instituição atende clientes com aplicações acima de R$ 1,6 milhão, estando presente nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, nos municípios de Salvador, Curitiba e Porto Alegre e no Distrito Federal (Valor Econômico, 20/5/2008).
Captações
O HSBC capta recursos principalmente por meio de Depósitos a Prazo, que representaram, em junho de 2008, 80,1% do total de recursos captados. As captações por depósito representaram 97,9% do total, contra somente 2,1% captado por meio do mercado aberto
(Tabela I.8.1).
Tabela I.8.1 – Composição das Captações (em %)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Os Depósitos a Prazo foram a forma de captação que mais cresceu no período de dezembro de 1997 a junho de 2008 – uma ampliação de 2.511%. Os Depósitos à Vista também tiveram participação significativa nas captações totais, de 11,8% em junho de 2008.
Carteira de crédito
A carteira de crédito do HSBC vem apresentando crescimento significativo nos últimos anos, tendo alcançado, em junho de 2008,
R$ 30,4 bilhões (Gráfico I.8.2).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Esse crescimento tem sido impulsionado, principalmente, pelo segmento Pessoas Físicas, que, em junho de 2008, atingiu uma participação de 50,6% da carteira de crédito total do HSBC. De dezembro de 1999 a junho de 2008, esse segmento apresentou um
crescimento de 2.287,8%, o maior verificado no período (Tabela
I.8.2).
As linhas que mais contribuíram para esse bom desempenho da carteira de Pessoas Físicas foram o financiamento de veículos e o crédito consignado. No primeiro semestre de 2008, a carteira de financiamento de veículos representava 20% da carteira total, com um crescimento de 44% em relação ao primeiro semestre de 2007. A carteira de crédito consignado, por sua vez, atingiu uma participação de 6% do total da carteira de crédito, com um crescimento de 53% em relação ao primeiro semestre de 2007.
Tabela I.8.2 – Composição da Carteira de Crédito por Cliente (%)
1) Composto, principalmente, por operações de cartões de crédito,
crédito pessoal, empréstimos consignados e CDC veículos.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco HSBC.
O segmento de cartões também vem apresentando resultado positivo. Em 2007, foram colocados no mercado mais de 3 milhões de cartões. Com isso, a unidade brasileira do banco inglês foi a que mais emitiu cartões no mundo, entre os 83 países onde o HSBC opera (Valor Econômico, 4/1/2008). O volume de recursos movimentado pelos cartões da instituição cresceu 80% em 2007, sendo que o banco fechou o ano com uma base de 8 milhões de cartões, incluindo os da Financeira Losango, que pertence ao grupo (Valor Econômico, 4/1/2008).
Portanto, o resultado operacional do HSBC permaneceu fortemente concentrado no segmento de Pessoas Físicas, cuja participação cresceu de 29%, em 2006, para 36%, em 2007, seguido pelo segmento de Pequenas e Médias Empresas, que representou 31%, em 2007, contra 34%, em 2006.
O segmento de pequenas e médias empresas também vem apresentando crescimento significativo (Gazeta Mercantil, 19/8/2008). No primeiro semestre de 2008, de 15% a 20% dos recursos destinados às pequenas empresas foram direcionados para investimento. No caso das médias empresas, esse percentual foi de mais de 30% (Valor Econômico, 4/9/2008).
A instituição tem forte atuação no comércio exterior, que vem apresentando altas taxas de crescimento. O HSBC usou sua presença global como principal estratégia para esse crescimento (Valor Econômico, 4/6/2008).
Apesar do crescimento da carteira de crédito, o HSBC registrou um índice de inadimplência de 4,9% em 2007, contra um índice de 6,3% em 2006, refletindo, assim, uma melhoria da qualidade de crédito. Na Financeira Losango, o índice está estabilizado em torno de 10%, desde o início de 2007 (Valor Econômico, 20/6/2008).
Gestão de riscos
O controle do HSBC sobre os riscos de mercado é baseado em uma política de limitar as operações de pessoas físicas a operações comerciais, restringindo as negociações dos produtos derivativos mais complexos apenas a escritórios com nível de experiência e conhecimento de produto apropriado e sistemas de controle robustos. Nesse processo de crescimento das operações de crédito, a instituição também busca se concentrar em ativos com garantias reais.
Com relação ao Índice de Basileia, o HSBC alcançou o índice de 13,11% em junho de 2008. Desde 2005, esse índice vem
apresentando redução (Gráfico I.8.3).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
A participação dos créditos concentrados nos níveis AA, A, B e C atingiu 93,4% em junho de 2008, não tendo sofrido alterações significativas desde 2000. Entretanto, houve uma redistribuição entre esses níveis de risco, com uma diminuição das operações concentradas no nível AA e uma ampliação das operações
classificadas como A e B (Tabela I.8.3).
Tabela I.8.3 – Composição da Carteira de Crédito por Nível de Risco
(%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco HSBC.
Índices de cobertura e de eficiência
O Índice de Cobertura do HSBC atingiu 131% em junho de 2008. Nos últimos anos, verifica-se uma tendência de crescimento desse
índice (Tabela I.8.4).
Tabela I.8.4 – Índice de Cobertura (em R$ milhões)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Esse crescimento pode ser explicado pela ampliação de 449,3% nas Receitas de Prestação de Serviços no período de 1997 a 2007, contra uma ampliação de somente 207,2% nas Despesas de Pessoal.
O Índice de Eficiência, por sua vez, atingiu 65,9%, em junho de 2008. Até dezembro de 2006, esse índice apresentava tendência de queda; entretanto, em 2007 e no primeiro semestre de 2008,
apresentou crescimento (Gráfico I.8.4).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco HSBC.
Composição dos ativos e das receitas de
intermediação financeira
A carteira de ativos do HSBC é composta, principalmente, por Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil, que representaram 31,1% do total de ativos em junho de 2008. Até 2001, as Operações com TVM e Instrumentos Financeiros Derivativos eram os principais componentes da carteira, sendo que, em junho de 2008, essa participação atingiu 15,8%, contra 28,6%
em dezembro de 2001 (Tabela I.8.5).
Tabela I.8.5 – Composição dos Ativos (em %)
1) Inclui Disponibilidades, Relações Interfinanceiras, Relações de
Interdependências, Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa, Outros Valores e Bens, Imobilizado de Arrendamento e Permanente.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
No período de dezembro de 1997 a junho de 2008, as Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil foram os componentes do ativo que mais cresceram – uma ampliação de 1.410%. A carteira de TVM é composta, principalmente, por títulos públicos. Em junho de 2008, a participação desses títulos atingiu 81,9%, contra 88,9% em dezembro de 2007. Desde 2004, esse percentual vem
decrescendo (Gráfico I.8.5).
O comportamento das Receitas de Intermediação Financeira foi semelhante. As receitas originárias das Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil representaram 74,6% do total das receitas no primeiro semestre de 2008. A participação dessas operações vem crescendo significativamente, enquanto as receitas decorrentes das Operações com TVM vêm diminuindo sua participação, desde
2002, atingindo 19,4% em junho de 2008 (Tabela I.8.6).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco HSBC.
Tabela I.8.6 – Composição das Receitas de Intermediação
Financeira (em %)
1) Inclui Operações com Instrumentos Financeiros Derivativos,
Operações de Câmbio e Aplicações Compulsórias.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Resultados
O HSBC Bank Brasil obteve lucro líquido de R$ 1,24 bilhão em 2007, o maior resultado desde o início de suas operações no país, em 26 de março de 1997, representando um crescimento de 31%
em relação a 2006 (Gráfico I.8.6). Desde 2004, o lucro do banco vem crescendo significativamente, sendo que, no primeiro semestre de 2008, o lucro líquido foi de R$ 769 milhões. O crédito foi o grande impulsionador dos resultados positivos da instituição.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
O Retorno sobre o Patrimônio Líquido, por sua vez, foi de 29,94% em junho de 2008, sendo que, desde 2004, a instituição mudou seu patamar de retorno, mantendo-se com um desempenho anual acima
de 20% (Gráfico I.8.7).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco HSBC.
Essa alteração foi resultado do direcionamento ao mercado de crédito ao consumidor, suportado pelas aquisições da Losango, Valeu e Credimatone.
Tendências recentes A principal estratégia da instituição é ampliar a carteira de crédito com garantia, principalmente consignado, veículos e imóveis. No final de 2007, a participação desse tipo de crédito na carteira total foi de 50%, sendo que o HSBC pretende aumentar esse percentual para 60% (Valor Econômico, 11/12/2007). A forte expansão do mercado de crédito veio acompanhada da ampliação dos prazos, que chegaram a níveis inéditos para o financiamento do consumo. Em 2006, o HSBC foi o primeiro banco a lançar o prazo de amortização de 72 meses (Valor Econômico, 30/10/2007).
O segmento de pequenas e médias empresas também tem grande importância para o HSBC. A modalidade de antecipação de recebíveis tem sido utilizada pelo banco como forma de ampliar a atuação nesse nicho de mercado. Os riscos não são altos, já que a garantia é um ativo real, possibilitando que as taxas de juros para as empresas sejam menores. A instituição disponibiliza a antecipação de diversos ativos, além do desconto de duplicatas, como cheques, cartão de crédito e aluguéis. Para reforçar o segmento, o HSBC investiu em sistemas e em modelos de avaliação de riscos. Uma das principais inovações foi o sistema de desconto via internet, em que o banco cadastra todos os recebíveis das grandes empresas. Dessa forma, as pequenas empresas, fornecedoras de serviços para as grandes, podem escolher a data e as taxas de desconto desses recebíveis (Valor Econômico, 17/9/2007 (2)).
O HSBC também pretende investir no segmento de cartões. No início de 2008, o banco lançou um cartão que reembolsa o portador, sempre que utilizado em postos de combustível. Serão devolvidos ao cliente, na fatura, 3% das despesas. Para possibilitar a operacionalização desse produto, o HSBC fechou acordo com algumas redes de postos no país. Além do “HSBC Cartão Combustível,” o banco lançou, por meio da Losango, uma conta-corrente “popular” para as classes D e E, com cartão de débito da bandeira Visa e um título de capitalização.
A Losango foi a grande responsável pelo aumento da base de cartões do banco em 2007. Por meio de acordos da financeira com redes varejistas, foram emitidos 1,7 milhão de cartões, destinados, principalmente, a pessoas de menor renda, das classes C e D. Além disso, a financeira vendeu outros 1,4 milhão de cartões do banco. Como resultado, o Brasil foi o maior emissor mundial de cartões do HSBC (Valor Econômico, 4/1/2008).
Os cartões direcionados para empresas, chamados cartões corporativos, também vêm apresentando altas taxas de crescimento. O HSBC, que entrou no mercado de cartões corporativos em fevereiro de 2007, já emitiu 70 mil cartões. O banco pretende lançar novos produtos para o segmento, sendo que uma das possibilidades é disponibilizar para as empresas o cartão que reembolsa na fatura os gastos em postos de combustíveis, atualmente disponível somente para pessoas físicas (Valor Econômico, 7/1/2008).
Apesar da recente onda de fusões e aquisições verificada no Brasil, o HSBC pretende priorizar o crescimento orgânico. Para possibilitar esse crescimento, o banco se concentrará na faixa de menor renda, por meio da Losango. A iniciativa de bancarização do HSBC foi lançada em janeiro de 2008 e incluiu a criação da Conta Losango, que funcionará como uma conta-corrente acoplada à poupança (Gazeta Mercantil, 31/3/2008 (1)).
Em abril de 2008, o HSBC lançou um projeto de expansão da Financeira Losango, por meio do qual serão montados quiosques dentro de lojas de varejo com as quais a Losango já possui acordo no Crédito Direto ao Consumidor (CDC). A estratégia também inclui o aprofundamento no relacionamento com o cliente, focando produtos como cartão de crédito e Conta Losango, que permitem uma relação mais duradoura com o cliente, em detrimento dos empréstimos pessoais. O Nordeste tem sido a região em que a financeira mais cresce, mas a intenção é ampliar as operações para todos os Estados do país (Valor Econômico, 20/6/2008; Valor Econômico, 14/7/2008).
A instituição também está investindo no segmento de renda mais alta. O HSBC pretende ampliar a base de clientes desse segmento, por meio da abertura de agências exclusivas, chamadas Premier Centers. Somente nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, serão abertas 67 agências (O Globo, 8/4/2008).
Atuação externa 28
Com sede em Londres, a rede internacional do Grupo HSBC é composta por 10 mil escritórios em 86 países e por 312 mil colaboradores. O grupo atende mais de 128 milhões de clientes e possui ações cotadas nas Bolsas de Londres, Hong Kong, Nova York, Paris e Bermudas, com mais de 200 mil acionistas em cerca de cem países e territórios.
Em 2008, o grupo financeiro britânico liderou o ranking Forbes 2000 das maiores companhias do planeta. O índice anual examinou empresas de 26 setores de atividade em 60 países, classificando-as sob critérios de vendas, lucros, ativos e valor de mercado.
O grupo divide suas operações em cinco regiões: Europa, Hong Kong, Ásia (inclui a Austrália e os países do Oriente Médio), América do Norte e América Latina.
A região com maior participação na carteira de ativos da instituição é a Europa, seguida pela América do Norte, com participações de 50,4% e 20,8%, respectivamente. Somente a região de Hong Kong representa 15,3% dos ativos do grupo. As regiões que mais cresceram desde dezembro de 2004 foram Europa e América Latina
(Tabela I.8.7).
A participação da carteira de crédito nos ativos totais atingiu 36,9% em 2008, sendo que essa participação vem decrescendo desde
2005 (Gráfico I.8.8).
Tabela I.8.7 – Distribuição Regional dos Ativos (%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo HSBC.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo HSBC.
Em 2008, a carteira de Empréstimos Pessoais representou 47,2% dos empréstimos totais do banco, sendo que os principais componentes dessa carteira têm sido as hipotecas residenciais e os cartões de crédito, com participações de 55,3% e 17%, respectivamente.
As regiões com maior participação na carteira de crédito do grupo são Europa e América do Norte, que, em 2008, atingiram participações de 45,7% e 27,5%, respectivamente. Entretanto, a região que apresentou maior crescimento da carteira de crédito desde 2004 foi a América Latina, com uma ampliação de 169,5%
(Tabela I.8.8).
Em 2008, todas as regiões, exceto a América do Norte, registraram crescimento da carteira de crédito, com destaque para os empréstimos para clientes comerciais.
Tabela I.8.8 – Distribuição Regional da Carteira de Crédito (%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo HSBC.
A cultura de gerenciamento do risco de crédito do Grupo HSBC é aplicada em todos os países e regiões onde atua e tem como objetivo minimizar as perdas de crédito e aumentar o retorno sobre o risco ajustado.
O Índice de Solvência da instituição atingiu 11,4% em 2008, o menor desde 1998, entretanto está acima do mínimo exigido, de 8%
(Gráfico I.8.9).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo HSBC.
Com relação ao Índice de Eficiência, verificou-se um aumento significativo em 2008, provocado, principalmente, pelo baixo desempenho da América do Norte. As regiões com maiores Índices de Eficiência são Europa e América Latina; entretanto, há uma tendência de queda, verificada desde 2004. A região de Hong Kong
apresentou os menores índices no período (Tabela I.8.9).
As regiões que mais têm contribuído para o resultado do grupo são Europa, Hong Kong e América do Norte. Entretanto, em 2007 e 2008, o baixo desempenho da América do Norte afetou
negativamente o lucro do HSBC (Tabela I.8.10).
Tabela I.8.9 – Índice de Eficiência (%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo HSBC.
Tabela I.8.10 – Participação no Lucro Antes dos Impostos (%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo HSBC.
O bom desempenho do HSBC Brasil em 2007, consequência do crescimento da carteira de crédito, adicionado ao encolhimento da instituição nos Estados Unidos, por conta da desaceleração da economia americana, fez com que a participação brasileira no resultado mundial do banco aumentasse de 1,9% em 2006 para 3,6% em 2007. A meta é que em cinco ou dez anos ela chegue a 5%, e que a participação da América Latina suba dos atuais 9% para 12% (Valor Econômico, 11/12/2007).
O Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio acompanhou o desempenho do lucro com uma queda de 15,9% em 2007 para
4,7% em 2008 (Gráfico I.8.10). Essa queda foi provocada, principalmente, pelos resultados negativos da América do Norte.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Grupo HSBC.
O baixo desempenho da América do Norte em 2007 e 2008 foi consequência, principalmente, do aumento, desde 2006, da inadimplência nas operações da Holsehold Internacional, especializada em financiar compras de imóveis por clientes de alto risco de crédito nos Estados Unidos (Valor Econômico, 4/3/2008 [2]).
A partir das perdas verificadas na América do Norte, a instituição chegou à conclusão de que a concessão de empréstimos pessoais diretos em grande escala e de forma indiscriminada não é viável. O HSBC, então, adotou a estratégia de suspender esse tipo de empréstimo, com exceção dos cartões de crédito, e de fechar as unidades que eram responsáveis por sua concessão na América do Norte.
Por outro lado, o HSBC reconhece que os países em desenvolvimento estão crescendo mais rápido do que as economias desenvolvidas. Nesse sentido, o banco tem focado os mercados emergentes, principalmente na Ásia. A meta, anunciada em 2008, é obter 60% do lucro em mercados emergentes (Valor Econômico, 4/8/2008).
Em 2007, seguindo essa estratégia, o HSBC adquiriu 51,02% de participação no Korea Exchange Bank (KEB), o sexto maior banco da Coreia do Sul (Valor Econômico, 3/9/2007 [3]). Em 2008, adquiriu operações do The Chinese Bank, em Taiwan, e do IL&FS Investsmart, na Índia. Também anunciou a aquisição do Bank Ekonomi, da Indonésia.
A instituição considera que a atividade na Ásia é muito mais antiga e consolidada e que os países asiáticos crescem mais rapidamente do que os países da América Latina. Entretanto, a estratégia de avançar entre os emergentes também inclui a América Latina. Em 2006, o HSBC comprou o Banistimo, do Panamá, com presença em cinco outros países da região, além de ter adquirido a operação da Banca Nazionale del Lavoro, da Argentina. A instituição também adotou a estratégia de crescimento orgânico, por meio da criação de um novo banco no Peru (Valor Econômico, 4/3/2008 (2)).
No Brasil, o HSBC vem crescendo a uma velocidade suficiente para manter sua participação de mercado entretanto, segue como o de menor volume de negócios entre as grandes instituições de varejo.
A bancarização é foco da estratégia de crescimento orgânico em países em desenvolvimento. Em Hong Kong, por exemplo, a cada quatro habitantes, três têm conta no HSBC (Gazeta Mercantil, 31/3/2008 [2]).
A América Latina oferece muitas possibilidades de crescimento orgânico, uma vez que o HSBC estima que dois terços da população da região, localizados principalmente no México e no Brasil, não são bancarizados (Valor Econômico, 18/4/2008).
1 Ações do banco que estão pulverizadas no mercado.
2 As microempresas e empresas de pequeno porte representam 94,3% dos clientes pessoa jurídica do Banco do Brasil (posição junho/2008).
3 Carteira de Terceiros.
4 As operações classificadas entre os níveis de risco “AA” e “C” são consideradas como de curso normal. As operações no nível “D” são consideradas como em estágio de administração de risco, devendo-se buscar sua redução ou a agregação de garantias de maior liquidez. Já as operações classificadas nos níveis de risco entre “E” e “H” são consideradas como de curso anormal, podendo resultar em perdas parciais, depois de esgotados os métodos de cobrança cabíveis.
5 O risco médio dessa carteira está fortemente influenciado pelas operações das safras de 2005 a 2007, prorrogadas com saldo total de R$ 16,5 bilhões.
6 Expressa a capacidade de cobertura das Despesas de Pessoal apenas com as Receitas de Prestação de Serviços (RPS).
7 Expressa a relação entre as despesas administrativas e as receitas operacionais.
8 Somente com o fornecimento de funding ao BMC, pois, até a aprovação da compra pelo Banco Central, o Bradesco não tinha a gestão do BMC.
9 A fim de assegurar uma execução mais eficiente das políticas sociais, a Caixa desenvolveu o Cadastro Único, ferramenta capaz de apresentar informações sobre o perfil socioeconômico de aproximadamente 53,5 milhões de pessoas situadas abaixo da linha de pobreza.
10 Os demais colaboradores são estagiários, adolescentes aprendizes e prestadores de serviços.
11 Grande parte dos bancos privados capta através de Certificados de Depósitos Bancários – CDBs, que têm maior custo.
12 Essa Medida é válida por dois anos, prorrogável por mais dois anos.
13 A integração das duas instituições foi concluída em 2000.
14 De Nederlandsche Bank.
15 Em 2006, através dos canais Real Internet Banking, Disque Real e ATMs, foram captados pela instituição R$ 6,5 bilhões em depósitos e fundos, e concedidos quase R$ 3,7 bilhões em empréstimos.
16 O serviço preferencial Van Gogh foi lançado em 2003, adaptando para o Brasil uma experiência bem-sucedida do ABN-Amro na Ásia.
17 Financiamento de projetos em que a estrutura financeira e de garantias é assegurada exclusivamente pelo próprio projeto em desenvolvimento.
18 Títulos de renda fixa distribuídos no mercado internacional.
19 As perdas derivadas de variação cambial em investimentos no exterior não são dedutíveis para fins de impostos.
20 As regras contábeis holandesas se diferenciam, em alguns pontos, das regras brasileiras; entretanto, essa diferença não irá interferir nesta análise, uma vez que, para possibilitar a comparação, neste item, serão adotados os critérios holandeses também para o Brasil.
21 Atende Pessoas Físicas e Pessoas Jurídicas com mais de 1 milhão de euros disponível para investimento.
22 Inclui administração de ativos e passivos.
23 Certificados de Depósitos de Ações – são os ativos mais líquidos do Unibanco.
24 As novas operações de crédito imobiliário são contratadas com alienação fiduciária, o que reduz as taxas médias de inadimplência.
25 Pessoas físicas com investimentos acima de R$ 3 milhões.
26 Corresponde a 40% do total de recursos que o Santander pretende investir na América Latina até 2010, através do Plano América 2010.
27 As regras contábeis espanholas se diferenciam, em alguns pontos, das regras brasileiras, como na contabilização de venda de papéis e compra de folha de pagamento. Entretanto, essa diferença não irá interferir nesta análise, uma vez que, para possibilitar a comparação, neste item serão adotados os critérios espanhóis também para o Brasil.
28 As regras contábeis inglesas se diferenciam, em alguns pontos, das regras brasileiras; entretanto, essa diferença não irá interferir nesta análise, uma vez que, para possibilitar a comparação, neste item serão adotados os critérios ingleses também para o Brasil.
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Patrícia Olga Camargo
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