A evolução recente do setor bancário no Brasil
Anexos: Análise individual dos maiores bancos
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 5 partes.
%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site da
Caixa Econômica Federal.
Em junho de 2008 o saldo da carteira de crédito apresentou ampliação de 26,7%. O segmento que mais tem apresentado crescimento é o de Pessoas Jurídicas, entretanto sua participação
na carteira total não é significativa (Tabela I.4.2). Na carteira de Pessoas Físicas destacam-se as operações de crédito rotativo, o crédito à habitação, o crédito consignado e o penhor.
Recentemente, o segmento de Habitação vem obtendo recordes históricos. Em junho de 2008, a contratação por intermédio dos diversos programas habitacionais alcançou R$ 35,6 bilhões. No ano de 2007, esse bom desempenho garantiu ao banco a participação em quase um quarto no mercado de financiamento habitacional (Valor Econômico, 15/1/2008 [1]).
A CEF encerrou o ano de 2007 com recorde de contratação em habitação, saneamento e infraestrutura. Foi contratada a quantia de R$ 37,2 bilhões, dos quais R$ 21,5 bilhões foram destinados à habitação, sendo que R$ 31,6 bilhões referem-se a recursos destinados a obras do PAC.
Por meio dos Feirões da Casa Própria, realizados anualmente desde 2005, a Caixa se aproxima do mutuário final, ampliando as contratações (Valor Econômico, 16/1/2007). Em 2007, os Feirões foram responsáveis pela realização de negócios no valor de R$ 349 milhões. O aumento do prazo de amortização para 30 anos, a partir de outubro de 2007, também contribuiu para a ampliação das contratações (Valor Econômico, 3/9/2007).
A grande participação da Caixa no segmento habitacional também é consequência do fato de a instituição ser o principal banco na execução dos programas habitacionais do governo federal. Dentre esses programas, que atendem famílias de baixa renda, principalmente aquelas com renda mensal de até três salários mínimos, podem ser citados o Crédito Solidário, que utiliza recursos do Fundo de Desenvolvimento Social (FDS), o Programa de Arrendamento Residencial (PAR) e os programas habitacionais subsidiados com recursos do Orçamento Geral da União – OGU. Grande parte dos recursos utilizados para contratação dos financiamentos habitacionais, entretanto, é originária do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
No segmento de Pessoas Físicas, as linhas que mais têm apresentado crescimento são a de crédito direto ao consumidor (Valor Econômico, 21/3/2007) e a de crédito consignado. Desde 2004, com uma alteração na legislação que permitiu a contratação com aposentados e pensionistas sem a necessidade de transferência de domicílio bancário e de vinculação do benefício ao banco concessor de empréstimos e financiamentos, o segmento de consignação consolidou-se como a linha de crédito de maior procura pela população, com um crescimento de 135,3% em relação a 2003.
Recentemente, o crescimento do crédito consignado foi impulsionado pela transferência para a Caixa das carteiras dessa modalidade dos bancos BMG e Banco Mercantil do Brasil (BMB), em 2005 (Valor Econômico, 27/6/2007). Em 2007, 60% da carteira era formada por aposentados e pensionistas do INSS (Valor Econômico, 2/7/2007). A carteira de crédito consignado representou, no primeiro semestre de 2008, 25% da carteira total de pessoas físicas.
No segmento de cartões de crédito e débito, cuja carteira passou a ser diretamente administrada pela Caixa em 2002, foram realizadas, no primeiro trimestre de 2008, 77,5 milhões de transações, totalizando R$ 4,5 bilhões. A base de cartões alcançou 47 milhões de unidades, sendo que os cartões de débito atingiram uma base de 43,2 milhões, um crescimento de 11,55% em relação ao primeiro trimestre de 2007.
A linha de penhor vem apresentando expressivo crescimento nos últimos anos, atingindo uma participação de 17% da carteira de Pessoas Físicas em junho de 2008. A Caixa é o único banco que oferece esse tipo de empréstimo, que continua atrativo pela facilidade e pela pouca burocracia. No primeiro semestre de 2007, foram emprestados R$ 2 bilhões em penhor, sendo que R$ 187 milhões foram destinados à linha de Micropenhor – penhor para baixa renda. Os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Pará responderam por 61% do total de aplicação realizada em maio de 2007 (Valor Econômico, 14/6/2007). O Micropenhor foi lançado em agosto de 2004, como alternativa de crédito facilitado e com juros baixos para a população de baixa renda, contribuindo para a consolidação do Microcrédito no Brasil.
No segmento Pessoas Jurídicas, destaca-se a ampliação da atuação da Caixa junto às micro e pequenas empresas. No primeiro semestre de 2008, esse segmento representou 90% do total da Carteira Pessoa Jurídica. As principais linhas são as operações de Capital de Giro – Desconto, Cheque Empresa CAIXA, GIM e Conta Garantida. Na linha de Investimento, destacam-se o PROGER, linha de crédito instituída pelo Ministério do Trabalho para empreendimentos que visem a geração de emprego e renda, e as operações com recursos do BNDES. Em 2007, a instituição destinou R$ 35,4 bilhões para micro, pequenas e médias empresas, o que representou um aumento de 51,92% em comparação aos R$ 23,3 bilhões desembolsados em 2006 (DCI – SP, 23/4/2007).
O direcionamento ao segmento de Micro e Pequenas Empresas foi incentivado pela política governamental de expansão do acesso ao crédito, reforçada pela aprovação da nova lei das Micro e Pequenas Empresas. Entretanto, a alta inadimplência desse segmento, que alcançou 8% no início de 2007, contra 5,3% no início de 2006, impactou negativamente no resultado da instituição em 2007 (Folha de S. Paulo, 24/11/2007). Essa estratégia já foi revista pelo banco, inclusive com mudanças na diretoria; entretanto, o segmento de Micro e Pequenas Empresas continua sendo um dos focos da instituição (O Globo, 24/11/2007).
Gestão de riscos
Nos últimos anos, a Caixa vem buscando alinhar-se às melhores práticas de gestão de riscos e ao cumprimento das exigências do Novo Acordo de Capitais da Basileia, conforme cronograma e critérios de implementação estabelecidos pelo Banco Central do Brasil. Visando refletir a priorização estratégica e a decisão de implantar os modelos avançados previstos no Novo Acordo, o Conselho Diretor da Caixa aprovou a criação do Projeto Estratégico Basileia II, que passou a gerenciar todas as ações em andamento na instituição para adequação aos requisitos desse Novo Acordo.
O Índice de Solvabilidade – Basileia – manteve-se, desde 2001, acima dos 11% exigidos pelo Banco Central. Nesse período, o índice apresentou crescimento, partindo de 13,56% em 2001 para
20,35% em junho de 2008 (Gráfico I.4.3).
Nos últimos anos, verificou-se uma melhora significativa na carteira de crédito. As operações classificadas nos níveis AA, A, B e C representaram 87,52% do total da carteira de crédito em junho de
2008, contra 63,45% em dezembro de 2001 (Tabela I.4.3).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Tabela I.4.3 – Composição da Carteira de Crédito por Nível de Risco
(%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site da
Caixa Econômica Federal.
Índices de cobertura e de eficiência O Índice de Cobertura, que representa a razão entre as Receitas de Prestação de Serviços e as Despesas de Pessoal, cresceu significativamente de 1997 a 2003, quando alcançou 114%. De 2004 a 2006, esse índice sofreu pequena queda, voltando a crescer em
2007 (Tabela I.4.4).
Tabela I.4.4 – Índice de Cobertura (em R$ milhões)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Esse comportamento pode ser explicado pelas maiores despesas de pessoal a partir de 2003, em relação ao período anterior. Em 2007, esse aumento foi compensado por um aumento expressivo nas Receitas de Prestação de Serviços (RPS). De 1997 a 2007, o crescimento das RPS foi de 223,4%, enquanto as Despesas de Pessoal cresceram 107,8%.
As RPS são compostas, principalmente, por receitas de administração do FGTS, de administração de fundos de investimento e de tarifas de convênio. Em junho de 2008, essas receitas representaram 33,1%, 11,5% e 10,2% do total de RPS,
respectivamente (Gráfico I.4.4).
1) Todas as outras receitas representam menos de 5% na RPS total.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site da
Caixa Econômica Federal.
O Índice de Eficiência, por sua vez, tem se mantido constante nos últimos anos, com exceção o ano de 2007, quando sofreu um significativo aumento. Em junho de 2008, o Índice de Eficiência da
Caixa atingiu 65,30% (Gráfico I.4.5).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site da
Caixa Econômica Federal.
Composição dos ativos e das receitas de
intermediação financeira
Os ativos da Caixa são compostos, principalmente, por Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos, os quais, em junho de 2008, representavam 44% dos Ativos Totais, contra 24% das Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil. Essa distribuição não sofreu alterações significativas desde 2001. No período de 1997 a 2000, entretanto, essa composição era inversa, com as Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil representando 44,7% dos Ativos Totais em 2000, contra 7,4% de participação dos Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos
Financeiros Derivativos (Tabela I.4.5). Essa mudança de comportamento a partir de 2001 foi resultado das medidas adotadas pelo Proef.
Tabela I.4.5 – Composição dos Ativos (em %)
1) Inclui Disponibilidades, Relações Interfinanceiras, Relações de
Interdependências, Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa, Outros Valores e Bens, Imobilizado de Arrendamento e Permanente.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
A carteira de Títulos e Valores Mobiliários também foi a que mais cresceu no período, com uma expansão de 995,1%, contra somente de 9,5% da carteira de Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil. Grande parte da carteira de Títulos e Valores Mobiliários da Caixa é formada por títulos públicos, cuja carteira alcançou, no final de 2007, um saldo de mais de R$ 100 bilhões (Correio Brasiliense, 24/11/2007). Em dezembro de 2006, esse saldo era de R$ 92,43 bilhões, alcançando R$ 112,4 bilhões em setembro de 2008. Ou seja, a participação dos títulos públicos nos ativos totais da CEF é significativa, caindo, entretanto, de 44% em dezembro de 2006 para 41% em setembro de 2008.
Desde 2002, as Receitas de Intermediação Financeira são compostas, principalmente, por Operações com Títulos e Valores Mobiliários, seguidas pelas Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil. Assim como ocorreu com os Ativos Totais, a composição das Receitas de Intermediação Financeira era inversa até 2001
(Tabela I.4.6).
Tabela I.4.6 – Composição das Receitas de Intermediação
Financeira (em %)
1) Inclui Operações com Instrumentos Financeiros Derivativos,
Operações de Câmbio e Aplicações Compulsórias.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
As receitas com Operações com Títulos e Valores Mobiliários, principais componentes das Receitas de Intermediação Financeira, atingiram uma participação de 50,7%, no primeiro semestre de 2008
(Tabela I.4.6). Apesar do crescimento verificado desde 2001, essas receitas sofreram redução nos anos de 2004 e 2007, o que pode ser explicado, principalmente, pela redução da taxa de juros promovida pelo Banco Central, uma vez que a quase totalidade da carteira de títulos da instituição é composta por títulos públicos.
Resultados
A Caixa encerrou o primeiro semestre de 2008 com um lucro de R$ 2.543 milhões, um crescimento de 48% em relação ao mesmo
período de 2007 (Gráfico I.4.6). Desde 2005, o banco vem obtendo lucros recordes, devido, principalmente, à significativa expansão das receitas com operações de crédito, especialmente no segmento de crédito consignado (O Globo, 24/11/2007).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Em 2007, entretanto, o lucro da instituição não foi muito significativo, se comparado ao lucro obtido por outros bancos. Esse desempenho deveu-se, principalmente, ao aumento da inadimplência nas operações de crédito, especialmente no segmento de micro e pequenas empresas.
Para alguns especialistas do sistema financeiro, a estratégia adotada, voltada para a pequena empresa, foi incentivada pelo governo, que buscou atender esse segmento por meio, por exemplo, do incentivo à ampliação da facilidade de bancarização, da criação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas e do estímulo aos consórcios. Esse direcionamento também foi resultado da busca da instituição por novos clientes, após perder mercado no segmento de crédito consignado, modalidade de baixo risco que passou a atrair outros bancos (O Globo, 24/11/2007).
O Retorno sobre o Patrimônio Líquido da CEF atingiu 44,9% no primeiro semestre de 2008, contra 40,7% no primeiro semestre de 2007. Em 2007, esse índice foi de 23,71% contra 25,99% em 2006
(Gráfico I.4.7). Essa redução acompanhou a queda do lucro líquido.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site da
Caixa Econômica Federal.
Tendências recentes
A principal estratégia da Caixa tem sido ampliar a concessão de crédito. A orientação recente do governo é para que a CEF atue, principalmente, nos segmentos de habitação, saneamento básico e micro e pequenas empresas (DCI – SP, 22/9/2008). A instituição tem atuação significativa no segmento habitacional, principalmente junto às famílias de baixa renda (Valor Econômico, 16/1/2007). Nesse segmento, a atuação da Caixa é fortemente influenciada pelas estratégias do governo, as quais priorizam as famílias com renda de até cinco salários mínimos, que é a faixa onde se concentra a maior parte do déficit habitacional.
No primeiro semestre de 2008, 62% dos créditos habitacionais foram direcionados para famílias com renda de até cinco salários mínimos. Apesar de representar a maioria, essa participação decresceu em relação a 2007, quando atingiu 86% (Diário de S. Paulo, 18/8/2008).
Recentemente, principalmente a partir de 2008, o governo (por meio da Caixa) vem tomando várias medidas para impulsionar o crédito habitacional, o que resultou em contratações recordes no primeiro semestre de 2008. Essas medidas preveem redução de juros, ampliação do prazo de amortização, redução da parcela de entrada do financiamento, ampliação da disponibilização de recursos e flexibilização das regras do FGTS, dentre outras.
O Ministério das Cidades e o Conselho Curador do FGTS também determinaram que no mínimo 50% dos financiamentos fossem direcionados para a aquisição de imóveis novos ou na planta, com o objetivo de criar novos postos de trabalho e gerar renda. No primeiro semestre de 2008, os imóveis novos representaram 52% dos contratos de financiamento (O Dia – RJ, 8/8/2008).
O banco também pretende investir no financiamento às construtoras de imóveis novos, criando áreas específicas dentro de algumas agências para atender as empresas (Valor Econômico, 15/1/2008 [2]). Nesse sentido, a CEF assinou convênios habitacionais com grandes construtoras, para financiamento da produção e comercialização de unidades habitacionais. Dentre as empresas que firmaram esse convênio com a Caixa, podem ser citadas a Tecnisa, a Fit Residencial (empresa criada pela Gafisa), Tenda, Camargo Corrêa, HM Engenharia, MRV, Riwenda, Titton Brugger, Abyara, Trisul, Asa Incorporadora e Goldfarb. No total, foram assinados treze convênios com construtoras desde 2007 (Destak Jornal, 24/3/2008; Gazeta Mercantil, 26/3/2008; DCI – SP, 2/4/2008 (2); DCI – SP, 16/5/2008; Diário de S. Paulo, 27/5/2008; O Estado de S. Paulo, 27/6/2008).
Apesar dos problemas enfrentados com a inadimplência em 2007, a Caixa pretende continuar investindo fortemente no segmento de micro e pequenas empresas. O regime de gestão foi revisado e foi criada uma vice-presidência exclusiva para pessoas jurídicas.
Para apoiar e incentivar o uso adequado dos recursos, a CEF assinou, em junho de 2008, um convênio com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com o objetivo de fortalecer a capacidade empresarial do empreendedor e aumentar a sua competitividade. O Sebrae entrará com os instrumentos de capacitação e a Caixa, com o apoio financeiro às empresas (Carta Capital, 20/7/2008).
À medida que os outros bancos tentam acessar mercados tradicionalmente ocupados pela Caixa, como o crédito consignado e o crédito habitacional direcionado à baixa renda, a instituição avança em segmentos em que sua atuação não era tão expressiva, como as classes média e alta. Essa estratégia foi favorecida pela medida adotada pelo Conselho Curador do FGTS, que retirou, em outubro de 2007, o limite superior de renda de R$ 4,9 mil mensais, abrindo a possibilidade de detentores de contas no FGTS há mais de três anos financiarem imóveis de até R$ 350 mil (Valor Econômico, 31/10/2007). No segmento de renda mais alta atendido com recursos do FGTS, o chamado Pró-Cotista, o fundo decidiu direcionar 70% dos R$ 909 milhões, previstos para 2008, para a Caixa, contrariando os demais bancos (Valor Econômico, 24/1/2008).
A CEF também pretende investir no crédito consignado, segmento que cresceu com a transferência das operações do Banco BMG. De junho de 2006 a maio de 2007, o crescimento foi de 46%. Apesar do aumento do interesse dos demais bancos nesse segmento, ainda há espaço para crescimento dessas operações na Caixa, devido à grande quantidade de clientes aposentados e pensionistas do INSS (Valor Econômico, 2/7/2007).
Também faz parte das estratégias da Caixa um programa de internacionalização, que tem como objetivo ampliar a atuação da instituição no segmento de pessoas jurídicas. Com a ampliação das exportações, grande parte dos clientes da instituição passou a buscar outros bancos para fechar operações de câmbio. Assim, em 2006, a instituição obteve autorização do Banco Central para operar com câmbio para pessoas jurídicas. O banco pretende concentrar sua atuação no segmento de micro e pequenas empresas, que não é o foco da maioria dos outros bancos (Valor Econômico, 21/9/2007).
A instituição também passou a disponibilizar financiamentos com Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) (Valor Econômico, 21/9/2007), com o objetivo de ampliar sua participação no financiamento ao comércio exterior. A pretensão da CEF é atingir, em até seis anos, de 5% a 6% de participação nas operações de financiamento a empresas brasileiras no mercado internacional (DCI – SP, 9/11/2007).
A Caixa ainda tem papel fundamental no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado pelo governo federal em 22 de janeiro de 2007, que pretende investir, nos próximos quatro anos, R$ 503,9 bilhões em infraestrutura. A instituição é a principal responsável pelo financiamento dos investimentos em infraestrutura, habitação e saneamento ambiental, respondendo por 20% do total de investimentos programados. No primeiro semestre de 2008, 5.048 municípios, de um total de 5.562, tinham obras federais financiadas pela Caixa. Esse total não inclui obras dos Ministérios da Saúde e da Educação (Valor Econômico, 15/4/2008).
Com o lançamento do Programa, a expectativa é que o crédito oferecido pela instituição cresça consideravelmente. Em 2007, o governo disponibilizou R$ 8,8 bilhões para operações de saneamento e infraestrutura. Para dar vazão a esses valores, o Tesouro concedeu crédito especial de R$ 5,2 bilhões à Caixa, o que permite a elevação do limite de financiamento da empresa. A estimativa é que, no período de 2007 a 2010, cerca de R$ 106,3 bilhões passem pela Caixa, com destino ao setor habitacional. Desse total, R$ 55,9 bilhões serão aplicados em programas e financiamentos para a compra da casa própria para famílias com renda de até cinco salários mínimos (Valor Econômico, 23/1/2007).
Em 2008, a CEF assumiu uma estratégia de diminuir a importância dos títulos e valores mobiliários em seu balanço e transferir essas carteiras para operações de crédito. A alta capacidade de ampliar a carteira de crédito pode ser explicada pela forma de captação, de custo menor em relação à dos outros bancos. Além de contar com uma caderneta de poupança que cresce a taxas recordes, a CEF controla recursos federais, como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Em 21 de outubro de 2008, foi editada a Medida Provisória n° 443,
que possibilitou 12 que os bancos públicos comprassem instituições financeiras privadas – inclusive os segmentos de seguros, previdência e capitalização –, além de permitir à Caixa a constituição de um banco de investimento e a aquisição de participação minoritária em empresas da construção civil ou outras que julgar atrativas (Valor Econômico, 23/10/2008). A Medida Provisória ainda precisa ser aprovada pela Câmara. A edição dessa medida foi estimulada pelas recentes fusões e aquisições ocorridas no setor, principalmente do Unibanco e Itaú, e pela necessidade de ampliação da liquidez do sistema em um período de crise.
A CEF pretende investir na aquisição de carteiras nos segmentos de leasing, financeiras, corretoras de valores, crédito imobiliário, infraestrutura e saneamento. Em 29 de outubro de 2008, a instituição informou já ter adquirido carteiras de crédito de seis bancos pequenos e médios, concentradas, principalmente, nos segmentos de crédito consignado e debêntures (Valor Econômico, 29/10/2008).
ABN-Amro
Histórico e estrutura
O ABN-Amro é um banco internacional, criado em 1824, na Holanda. A instituição iniciou suas operações no Brasil em 1917, com o nome de Banco Holandês da América do Sul, com escritórios no Rio de Janeiro e Santos, e atuação limitada ao financiamento ao comércio exterior.
O banco se expandiu com a combinação de aquisições e crescimento orgânico. Em 1963, adquiriu 50% do controle da Aymoré de Crédito, Financiamento e Investimento, adquirindo o restante da participação em 1970 e tornando-se importante financiador do consumo. Em 1993, o nome da instituição foi alterado para ABN-Amro Bank e, em julho de 1998, foi anunciada a compra
do Banco Real,13 instituição fundada em 1925. O ABN adquiriu, ainda, o Banco de Pernambuco (Bandepe), em 1998, o Banco da Paraíba (Paraiban), em 2001, e o Banco Sudameris, em 2003.
A aquisição do Sudameris, que atua no Brasil desde 1910, adicionou mais de 700 mil clientes concentrados nos segmentos de mais alta renda, além de ampliar a participação do banco na região Sudeste, principalmente no Estado de São Paulo. O Banco Sudameris também adicionou ao ABN serviços de alta qualidade direcionados para os segmentos de pequenas empresas e pessoas físicas premium, além de uma ampla experiência nas operações voltadas para o comércio internacional e na administração de recursos de terceiros.
Em 2007, o ABN-Amro foi adquirido pelo consórcio de bancos formado pelo espanhol Santander, o britânico Royal Bank of Scotland (RBS) e pelo belgo-holandês Fortis. O consórcio dividiu o ABN conforme os interesses geográficos de cada membro do grupo. A divisão envolveu 4.500 agências distribuídas em 53 países. O belga Fortis ficou com as operações da Holanda e com as operações de administração de ativos. O britânico RBS ficou com as operações de atacado e de banco de investimento e com atividades na Ásia e nos EUA. As operações brasileiras ficaram com o Santander, criando um dos líderes do setor bancário brasileiro. O Santander ficou, também, com a unidade italiana do ABN (Valor Econômico, 1/10/2007).
Em 24 de julho de 2008, o Banco Santander S.A., com sede na Espanha, passou a exercer efetivamente o controle societário indireto das empresas do Conglomerado ABN-Amro Real no Brasil,
após a obtenção da aprovação dos Bancos Centrais da Holanda 14 e do Brasil. O Banco Santander será a instituição líder dos Conglomerados Financeiro e Econômico-Financeiro perante o Banco Central do Brasil.
O Banco ABN-Amro Real S.A. está organizado sob a forma de banco múltiplo autorizado a operar com as carteiras comerciais, inclusive as de operações de câmbio, de investimento, de crédito, financiamento e investimentos e crédito imobiliário. O Banco ABN– Amro Real S.A. é uma subsidiária do ABN-Amro Bank N.V., com sede em Amsterdã.
Em 30 de junho de 2008, o Banco ABN-Amro Real S.A. detinha 98,6% do total do capital social da instituição. As demais ações estavam distribuídas entre o ABN-Amro Asset Management (0,3%), Real Capitalização S.A. (0,5%) e Real Tokio Marine Vida e Previdência S.A. (0,6%). O conjunto de instituições que conduz as operações do banco faz parte da estrutura do Conglomerado e atua de forma integrada no mercado financeiro, de previdência e capitalização.
Rede de atendimento
Em junho de 2008, o ABN contava com 34 mil funcionários e 8,6 mil pontos de vendas, sendo 1.148 agências, além de pontos de atendimento bancário, 129 Lojas Consumer (Aymoré) e rede Banco–24Horas. A instituição disponibiliza, ainda, 10 mil caixas eletrônicos e 1,4 mil correspondentes bancários, além do Real Internet Banking, o Disque Real (atendimento telefônico) e o Real WAP Banking (atendimento via celular). O atendimento por canais
eletrônicos é o que mais vem crescendo nos últimos anos. 15
As agências estão localizadas, principalmente, na região sudeste, seguida pelas regiões Nordeste e Sul, com uma participação de
63,6%, 14,7% e 9,5%, respectivamente. (Gráfico I.5.1).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site da
Febraban.
As parcerias com correspondentes bancários constituem importante canal de distribuição dos produtos. Em 2006, o volume de processamento por intermédio de correspondentes respondeu por 29,3% de todos os recebimentos do banco, contribuindo para a elevação da capilaridade da rede.
O ABN-Amro Real oferece, ainda, um portfolio completo de produtos de seguro, vida e previdência. Na área internacional, a instituição oferece financiamentos e serviços de comércio exterior, câmbio e garantias internacionais. São disponibilizados, por meio da internet, dados completos, em tempo real, sobre o fluxo de câmbio e a documentação pertinente às operações de comércio exterior do cliente.
Base de clientes O ABN possui 13,1 milhões de clientes (Valor Econômico, 1/10/2007), sendo 4,2 milhões de correntistas. A atuação do ABN– Amro Real segue uma estratégia de segmentação, sendo que a gestão do relacionamento com clientes se organiza em três grandes áreas de negócios: Varejo, Aymoré e Empresas.
No Varejo, o banco atende pessoas físicas e pequenas empresas. Os correntistas pessoas físicas são agrupados em três segmentos, de acordo com a renda pessoal e o nível de relacionamento que
mantêm com o ABN-Amro Real: Clássico, Especial e 16 Van Gogh .
Pessoas físicas de alta renda têm também à disposição a divisão de Private Banking.
A instituição vem aumentando sua atuação junto ao segmento de pequenas empresas, o que vem sendo acompanhado pela introdução de melhorias de produtos e processos e pela adoção de ferramentas refinadas de avaliação de risco e de conceitos de cadeia de valor e gestão de carteira. A instituição também se propõe a oferecer a esse segmento produtos que, tradicionalmente, se destinavam apenas às grandes corporações, como lançamento de debêntures, eurobonds e ações.
Por meio da Aymoré, o ABN oferece produtos de financiamento ao consumo, principalmente para a aquisição de veículos. Posicionada como uma das líderes entre as financeiras do país, a Aymoré também oferece as linhas de Crédito Direto ao Consumidor (CDC), empréstimos pessoais (Club Card), consórcio de veículos e imóveis e financiamento de veículos pesados (caminhões e máquinas agrícolas). A financeira identifica grande potencial de crescimento em veículos pesados e iniciou a atuação nesse segmento firmando acordos com as principais montadoras do país.
O processo de solidificação da Aymoré deu-se a partir da estratégia de foco no relacionamento com os revendedores independentes, aqueles que trabalham com variadas marcas e não estão atrelados às redes de concessionárias das montadoras. Essa parceria trouxe vantagens para todos os participantes. A financeira encontrava espaço para crescimento em um mercado de baixa concorrência, os revendedores passavam a ter meios formais de financiar suas vendas e os clientes tinham mais opções para a compra de veículos a prazo.
Ao identificar a tendência de consolidação do mercado, a Aymoré revisou sua estratégia para contemplar, também, as concessionárias das montadoras. Dessa forma, foram firmadas parcerias com diversas redes de concessionárias, sobretudo dos fabricantes que chegaram ao Brasil a partir do final dos anos 90. Nesse segmento, a Aymoré atua também por meio da WebMotors, maior portal brasileiro da indústria automotiva, adquirida pelo banco em 2002. O portal engloba toda a cadeia desse setor, desde montadoras e fábricas de autopeças até anunciantes, revendedores e clientes finais, que têm à disposição os produtos de financiamento da Aymoré.
Utilizando essa experiência adquirida no mercado automotivo, o ABN passou a oferecer financiamento para aquisição de outros bens. Adotou, então, algumas premissas que sustentaram o crescimento da Aymoré: a distribuição por revendedores e a opção por produtos de maior valor agregado e, portanto, passíveis de pagamento parcelado de longo prazo. Totalmente alinhados a essas características, três segmentos acabaram se solidificando nos últimos anos: móveis de alto padrão, pacotes turísticos e computadores.
No segmento de Empresas, por sua vez, o banco atende médias e grandes empresas, oferecendo uma gama de soluções financeiras, de banco comercial e banco de investimento. No segmento de grandes corporações, o ABN-Amro Brasil atende multinacionais brasileiras e estrangeiras, desenvolvendo soluções específicas e customizadas para atender às necessidades das estratégias de negócios de seus clientes corporativos, incluindo assessoria em
operações de fusão e aquisição e operações de 17 project finance . Como parte de um grande grupo financeiro internacional, o banco também permite aos clientes acesso global e experiência de atuação nos mais importantes mercados financeiros e de capitais, participando de transações estratégicas e da consolidação de grandes empresas dos principais setores econômicos no país.
Desde maio de 2005 a instituição retomou as atividades no mercado de capitais de renda variável, atuando em joint venture com o Rothschild, o que permitiu que o ABN passasse a atuar em dez países. Presta serviços de assessoria, orientando empresas na abertura de capital e oferta secundária de ações, e na organização e no preparo para exposição a um novo ambiente operacional. Em 2006, o banco participou de 16 ofertas iniciais de ações IPOs e liderou uma operação no setor de construção civil.
Por meio do ABN-Amro Asset Management, a instituição oferece fundos e carteiras administradas para atender às diferentes necessidades de investimentos dos clientes dos segmentos de varejo, private banking, empresas, investidores institucionais e seguradoras. O ABN-Amro Asset Management está presente em 24 países e, em 2006, administrava globalmente 193 bilhões de euros.
Captações
A principal forma de captação do ABN são os Depósitos a Prazo, modalidade responsável por 55,1% do total de recursos captados
(Tabela I.5.1). A redução dessa forma de captação em 2006 e 2007 foi resultado da oferta de novos produtos de investimento na rede de atendimento.
Tabela I.5.1 – Composição das Captações (em %)
1) Crescimento de dezembro/1999 a junho/2008.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
As Captações de Mercado Aberto, por sua vez, respondem por 21,9% do total de recursos captados pelo banco, sendo que essa participação vem apresentando crescimento significativo desde 2006.
Os Depósitos à Vista e os Depósitos de Poupança passaram a ter uma maior participação a partir de 1999, principalmente devido à aquisição do Banco Real. Atualmente, essas modalidades representam, respectivamente, 9,3% e 12,2% do total de recursos captados.
Carteira de crédito
A carteira de Crédito e Arrendamento Mercantil atingiu R$ 60 bilhões em junho de 2008, um crescimento significativo em relação a dezembro de 2007, de 62,6% em apenas seis meses. No período de 1999 a 2005, a carteira apresentou crescimento, decrescendo
nos anos de 2006 e 2007 (Gráfico I.5.2).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Os segmentos em que a instituição mais atua são Pequenas Empresas e Veículos, que responderam por 27,2% e 26% do saldo da carteira de crédito em 2007. A participação do segmento de Grandes Empresas, por sua vez, vem diminuindo nos últimos anos,
atingindo, em 2007, 4,4% do saldo da carteira de crédito (Tabela
I.5.2). Essa redução pode ser explicada, principalmente, pela maior liquidez observada no mercado de capitais, que possibilitou que essas empresas optassem pela diversificação das suas fontes de financiamento. Como consequência, a carteira de grandes empresas registrou uma retração de 33,8% em relação a 2005.
O segmento de Médias Empresas também tem uma participação relevante, sendo o segmento que mais cresceu desde 2005. Em 2007, esse grupo respondeu por 20,3% do saldo da carteira de
crédito, contra 18,8% em 2006 e 16,5% em 2005 (Tabela I.5.2).
Tabela I.5.2 – Composição da Carteira de Crédito (%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco ABN-Amro Real.
Em 2007, o segmento de Pessoas Físicas respondeu por 43,7% do total da carteira de crédito. A maioria dos financiamentos é direcionada para aquisição de veículos, por meio da financeira Aymoré. As modalidades que vêm apresentando maior crescimento são crédito pessoal, crédito consignado, financiamento de bens duráveis, financiamento de veículos e crédito habitacional.
O crédito consignado começou a ser trabalhado pelo Banco Real nos anos 90, a partir da forte presença que possuía no setor público. Atualmente, a estratégia do banco nesse segmento é focar os funcionários públicos e de empresas privadas. Em 2007, a participação desse segmento na carteira de crédito total atingiu 6%.
Seguindo uma tendência do setor bancário, a base de cartões da instituição vem crescendo consideravelmente. Esse aumento decorre de uma oferta ampliada para todos os segmentos, incluindo pequenas e médias empresas e não correntistas. Essa modalidade representou, em 2007, 1,1% do total da carteira de crédito da instituição.
O setor imobiliário, por sua vez, respondeu por 4,4% do saldo da carteira de crédito do ABN em 2007. A instituição considera que o mercado imobiliário possui potencial de crescimento e posiciona-se nesse setor com uma proposta completa, visando atender toda a cadeia de fornecimento, oferecendo desde produtos de financiamento imobiliário para pessoas físicas e empresas até soluções de desintermediação da indústria por meio de estruturas de securitização de recebíveis imobiliários. O banco vem investindo no atendimento personalizado a construtoras e imobiliárias e em linhas diferenciadas para os clientes.
O crescimento da carteira Pessoa Jurídica, por sua vez, foi impulsionado, principalmente, pelo crédito a pequenas e médias empresas, as quais foram ampliadas devido à maior disponibilidade de produtos de financiamento e ao acesso a novos mercados e novas formas de financiamento. Essa ampliação foi acompanhada pela adoção de ferramentas mais refinadas de avaliação de risco e de conceitos de cadeia de valor e gestão de carteira. Além disso, a introdução de melhorias de produtos e processos e a ampliação de investimentos em tecnologia vêm permitindo ao banco aumentar a rentabilidade dessas operações, por meio da ampliação do escopo dos produtos oferecidos, do incremento no número de clientes e, consequentemente, do fluxo financeiro transacionado.
O crédito para empresas médias, por sua vez, foi impulsionado pela elevada oferta de financiamento ao comércio exterior, pela maior oferta de produtos e pela maior demanda por parte desses clientes, com destaque para operações de leasing, financiamento de máquinas e equipamentos e capital de giro. O ABN disponibilizou operações mais sofisticadas, como reestruturação de passivos e de mercado de capitais. A instituição apoiou empresas brasileiras em
seu processo de internacionalização, estruturou 18 bonds com prazos de até dez anos, e coordenou e liderou operações de mercado de capitais.
O ABN-Amro Brasil também tem forte atuação no mercado de financiamento ao comércio exterior. São tomadoras desses recursos tanto as grandes corporações quanto as médias e pequenas empresas exportadoras e, em menor proporção, importadoras. No âmbito interno, o ABN-Amro Brasil também é um importante agente repassador de recursos do BNDES.
Com relação ao índice de inadimplência, este tem se mantido baixo, apesar do crescimento da carteira de crédito. Em dezembro de 2007, esse índice atingiu 2,8%, contra 3,2% em dezembro de 2006. O aumento de 2006 foi provocado, principalmente, pela maior
inadimplência da carteira de crédito de Pessoas Físicas (Tabela
I.5.3).
Tabela I.5.3 – Índice de Inadimplência – Acima de 90 dias (%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco ABN-Amro Real.
Gestão de riscos
A gestão de riscos do ABN-Amro Real abrange a gestão dos riscos de crédito, mercado, liquidez, operacional, socioambiental e de reputação, e ocorre de maneira integrada, por meio de uma estrutura de comitês, envolvendo a alta e média administração e as diversas áreas de negócios e infraestrutura.
As políticas de crédito estabelecem comitês e alçadas de aprovação para clientes pessoa física e empresas, com modelos e ferramentas de gestão desenvolvidos de forma a capturar a realidade brasileira. Os comitês têm responsabilidade de monitorar e agir sobre a concentração de riscos em segmentos, produtos e setores econômicos.
O gerenciamento de risco de capital busca otimizar a relação risco/retorno, de forma a minimizar perdas, por meio de estratégias de negócios bem definidas, procurando maior eficiência na composição dos fatores que impactam no Índice de Solvência – Basileia. A instituição administra o risco de mercado, bem como a liquidez e o risco operacional, de forma alinhada com o modelo internacional adotado pelo Grupo ABN-Amro N.V.
O Índice de Solvabilidade atingiu 13,62% em junho de 2008. Apesar de ter se mantido acima do mínimo exigido pelo Banco Central, de 11%, o índice tem apresentado tendência de queda desde 2005
(Gráfico I.5.3).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Devido ao aumento da concessão de crédito e ao direcionamento para segmentos de maior risco ocorridos nos últimos anos, a instituição tem adotado a estratégia de elevar as reservas de provisão para créditos de liquidação duvidosa, com o objetivo de minimizar os impactos da inadimplência.
O crescimento da oferta de crédito para pessoas físicas foi baseado na abordagem do Crédito Certo, adotado como alicerce em ferramentas de avaliação do risco comportamental do cliente. O incremento da carteira de pequenas e médias empresas dá-se a partir da análise de toda a cadeia de empresas e fornecedores que envolvem o cliente.
Em junho de 2008, 92,6% das operações estavam concentradas nos níveis AA, A, B e C, não sofrendo alterações significativas desde 2000. Destaca-se o significativo crescimento das operações classificadas no nível de risco “AA,” que atingiu 41,3% em junho de
2008, contra 7,5% em dezembro de 2000 (Tabela I.5.4).
Tabela I.5.4 – Composição da Carteira de Crédito por Nível de Risco
(%)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco ABN-Amro Real.
Índices de cobertura e de eficiência
O Índice de Cobertura das Despesas de Pessoal cresceu significativamente nos últimos anos, seguindo uma tendência observada em todo o setor bancário. Em junho de 2008, esse índice
atingiu 113,7%, contra 9,6% em 1997 (Tabela I.5.5).
Esse crescimento foi resultado de um aumento de quase 22.000% da Receita de Prestação de Serviços, contra uma ampliação de 1.700% nas Despesas de Pessoal. O crescimento das Receitas de Prestação de Serviços foi impulsionado, principalmente, pela ampliação da base de clientes, do número de transações financeiras, dos serviços de cobrança, da concessão de crédito, das atividades de banco de investimento e das receitas com cartões. As receitas com cartões, por sua vez, foram impulsionadas pelo aumento da base de cartões emitidos, do número de estabelecimentos credenciados, da oferta segmentada, atingindo um grupo maior de clientes, e do uso de meios eletrônicos de pagamento.
Em 2007, a receita com cartões representou 20,3% da Receita de Prestação de Serviços total, sendo que as Tarifas Bancárias e
Outras Tarifas e Comissões representaram 68% (Gráfico I.5.4).
Tabela I.5.5 – Índice de Cobertura (em R$ milhões)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco ABN-Amro Real.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco ABN-Amro Real.
O Índice de Eficiência vem melhorando continuamente, com exceção do ano de 2004, em que esse índice aumentou, ou seja, piorou. Em 2007, o ABN atingiu um Índice de Eficiência de 49,6%
contra 67,6% em 2000 (Gráfico I.5.5).
O maior índice em 2004 foi resultado de dispêndios mais elevados em tecnologia, da depreciação de novos investimentos e do treinamento e comunicação que visaram à equiparação de sistemas e equalização de processos, padrões de atendimento e canais de distribuição do Banco Real e do Banco Sudameris.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco ABN-Amro Real.
A melhoria do Índice de Eficiência em todos os outros anos foi resultado de uma combinação da expansão das atividades de crédito e do incremento das receitas de prestação de serviços gerados por uma base maior de clientes e pelo aprofundamento do relacionamento com clientes.
Composição dos ativos e das receitas de
intermediação financeira
Em junho de 2008, a instituição alcançou um total de ativos de R$ 164,2 bilhões. Desse total, 36,6% representam Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil e 14,3% representam Títulos e Valores Mobiliários (TVM) e Instrumentos Financeiros Derivativos. A participação das Operações de Crédito vinha crescendo desde 1999 – ano em que o ABN adquiriu o Banco Real –, mas a partir de 2006 essa participação começou a decrescer. A carteira de TVM e Instrumentos Financeiros Derivativos começou a decrescer em 2005
(Tabela I.5.6).
Tabela I.5.6 – Composição dos Ativos (em %)
1) Inclui Disponibilidades, Relações Interfinanceiras, Relações de
Interdependências, Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa, Outros Valores e Bens, Imobilizado de Arrendamento e Permanente.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
O valor total de ativos do ABN vem crescendo significativamente nos últimos anos. As principais causas deste crescimento foram a expansão da carteira de crédito, da carteira de câmbio, do saldo das
operações com TVM e das aplicações interfinanceiras (Tabela I.5.6). Essas ampliações foram possibilitadas pelas aquisições efetuadas no período, com destaque para a aquisição do Banco Real em 1998 e do Banco Sudameris em 2003.
Em junho de 2008, a carteira de Títulos e Valores Mobiliários atingiu R$ 23,4 bilhões, sendo composta, principalmente, por títulos públicos. Em dezembro de 2007, os títulos públicos representavam 60,8% do total da carteira, contra 24,2% dos títulos privados e 15%
dos derivativos (Tabela I.5.7).
Tabela I.5.7 – Composição da Carteira de Títulos e Valores
Mobiliários (em %)
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco ABN-Amro Real.
Nos últimos anos, entretanto, a carteira de TVM vem apresentando mudanças em sua composição. A carteira de títulos privados vem aumentando sua participação em relação à carteira de títulos públicos.
Com relação às Receitas de Intermediação Financeira, as Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil são as que apresentam maior participação. Em junho de 2008, essas operações representaram 76,1% do total das receitas, contra 15,4% das
Operações com Títulos e Valores Mobiliários (Tabela I.5.8).
Tabela I.5.8 – Composição das Receitas de Intermediação
Financeira (%)
1) Inclui Operações com Instrumentos Financeiros Derivativos,
Operações de Câmbio e Aplicações Compulsórias.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
No período de 1997 a 2007, as receitas originadas das Operações com TVM foram as que mais cresceram, com uma ampliação de 7.076,1%, contra 1.367,3% das Operações de Crédito e Arrendamento Mercantil.
Nos últimos anos, o crescimento das Receitas de Intermediação Financeira vem sendo impulsionado, principalmente, pelos resultados nas operações de seguros, previdência e capitalização e pela expansão do crédito, especialmente nos segmentos de pessoas físicas e de pequenas empresas. Esse crescimento também está associado à estratégia orientada para o desenvolvimento de negócios com clientes e as aquisições e investimentos na expansão orgânica, que resultaram em uma ampliação da base de clientes, de contas-correntes e da capilaridade e disponibilidade da rede de distribuição (por meio da introdução de novas formas de acesso aos serviços bancários, como os serviços via celular e internet).
Resultados
No primeiro semestre de 2008, o lucro do Banco ABN-Amro foi de R$ 900 milhões. A instituição fechou o ano de 2007 com um lucro
líquido de R$ 2,6 bilhões (Gráfico I.5.6), o maior já registrado desde a instalação do banco no Brasil.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco Central do Brasil.
Contribuíram para esse resultado o forte crescimento dos negócios, investimentos em infraestrutura, expansão da rede de atendimento e expansão das operações de crédito, principalmente de operações de financiamento imobiliário, de cartões e de leasing para pessoas físicas. Também se destacou o segmento de pequenas e médias empresas. Além do aumento da oferta de crédito, as empresas de menor porte estão, igualmente, demandando mais recursos para investimentos, enquanto as grandes empresas encontram outras fontes de financiamento. Com isso, a carteira para pessoas jurídicas caminha para uma combinação mais rentável, já que o retorno do segmento de pequenas e médias empresas é maior (Valor Econômico, 31/7/2007).
Desde 1996, o lucro do ABN vem crescendo, com exceção dos anos
de 1998 e 2003, em que houve decréscimo (Gráfico I.5.6). Essa redução pode ser explicada pela desvalorização do dólar, que impactou a posição de hedge, causando um aumento na linha de
impostos. 19 O impacto positivo ou negativo dessa estrutura de proteção é resultante da tributação/dedutibilidade da variação cambial em momentos de apreciação ou depreciação, respectivamente, do real frente às moedas estrangeiras, o que gera um impacto direto no lucro líquido.
O Retorno Sobre Patrimônio Líquido Médio atingiu 16,2% no primeiro semestre de 2008, uma queda significativa em relação aos anos anteriores, em que esse índice se manteve acima de 20% em todo o período, com exceção do ano de 2004, em que atingiu 18,4%
(Gráfico I.5.7).
Fonte: Elaboração própria a partir de dados extraídos do site do
Banco ABN-Amro Real.
Tendências recentes
O ABN vem ampliando sua carteira de crédito, com destaque para as operações de leasing, por meio de uma estratégia de participar ativamente dos projetos de expansão de seus clientes, e não apenas com recursos financeiros. A estratégia está centrada no desenvolvimento e na ampliação da atuação junto a pessoas físicas e pequenas e médias empresas, segmentos identificados globalmente pelo grupo como importantes para o crescimento orgânico dos próximos anos.
O crédito consignado também é considerado, pelo ABN, estratégico e com forte potencial de expansão. Recentemente, a instituição iniciou parcerias com sete fabricantes de eletroeletrônicos e com uma rede de varejo de móveis para oferecer produtos financiados aos clientes consignados do banco, em uma espécie de oferta fechada (Valor Econômico, 2/7/2007). O banco vem direcionando sua atuação para o setor privado, devido ao aumento da demanda nesse segmento e à alteração das regras do INSS, o que dificultou os empréstimos ao setor público (Valor Econômico, 19/8/2008).
O ABN também vem investindo no crédito para pequenas e médias empresas. Recentemente, o banco iniciou a inauguração de plataformas de atendimento personalizado dentro das agências. O ABN pretende elevar a participação desse segmento na sua receita líquida, que foi de 25% no primeiro semestre de 2008 (Valor Econômico, 9/9/2008).
No setor imobiliário, acompanhando os outros grandes bancos, o ABN ampliou o volume de crédito destinado às construtoras e incorporadoras e passou a operar com recursos do FGTS. O interesse principal da instituição é nas pessoas físicas, que irão adquirir os imóveis prontos, pois, além de serem mais rentáveis, se manterão clientes do banco por vinte anos (Valor Econômico, 28/6/2007; Valor Econômico, 15/1/2008 [1]). Para possibilitar essa estratégia, a instituição iniciou um programa de avaliação sustentável dos projetos financiados (Valor Econômico, 3/9/2007 [2]). Esse tipo de parceria com construtoras e incorporadoras para financiamento de empreendimentos já foi firmado com a Gafisa e a Rodobens (Destak Jornal, 24/3/2008).
O banco também vem procurando se associar aos corretores, a fim de agilizar o crédito imobiliário, sem que o cliente precise ir à agência. O ABN fechou parceria com a imobiliária carioca Ética, especializada no mercado de imóveis usados, para facilitar a concessão de crédito para a compra da casa própria. O foco da parceria são os imóveis usados de até R$ 120 mil, destinados à classe C. O acordo com a Ética permite que a corretora indique a fonte de financiamento no ato da negociação da venda e o cliente pode saber em 24 horas se tem ou não condições de ser financiado. A operação de crédito, que antes era concluída em, no mínimo, 45 dias, passou a ter a possibilidade de ser concluída em 20 dias. O ABN pretende firmar parcerias semelhantes em São Paulo, Salvador, Curitiba e Recife (Valor Econômico, 18/4/2007 [2]).
A instituição também retomou os financiamentos de imóveis comerciais, com foco nas ampliações de redes varejistas, hospitais e universidades, além de financiamento da construção e expansão de plantas industriais (Valor Econômico, 5/12/2007 [2]).
Recentemente, o ABN tem buscado alterar sua estratégia com relação à segmentação. Como o custo transacional decresce quando há um aumento de escala, o ABN considera que ampliar o fluxo de produtos padronizados é essencial para o crescimento dos resultados. Nesse contexto, o banco inovou e integrou, ao final de 2005, a gestão de produtos que atendem pessoas físicas e empresas. Foram excluídas as operações feitas sob medida para grandes empresas e clientes pessoa física de alta renda, atendidos em private banking, assim como operações de cartões, setor imobiliário e de gestão de recursos de terceiros. Como resultado dessa estratégia, foi ampliada a oferta de produtos padronizados, reduzindo os custos transacionais e promovendo ganhos de eficiência e escala.
A recente aquisição do ABN pelo Santander permitirá que o ABN reforce o Santander em mercados em que o banco espanhol não possui alta participação, como é o caso do crédito para pessoa física e do financiamento de veículos. O banco também fortalecerá o Santander em regiões onde sua participação é menor, como o Nordeste. Atualmente, o Santander concentra suas operações majoritariamente no eixo Sudeste-Sul, enquanto o ABN possui uma maior cobertura nacional. Apesar da eventual superposição de agências em São Paulo, as instituições consideram que a base de clientes é distinta, uma vez que o ABN-Amro Real atua, principalmente, na faixa de renda mais alta (Valor Econômico, 1/10/2007).
Atuação externa 20
O ABN-Amro foi criado em 1824, na Holanda. Atualmente, possui representações em 55 países, com mais de 100 mil funcionários e 4.700 agências, proporcionando aos seus clientes acesso aos principais mercados financeiros internacionais.
Em 17 de outubro de 2007, a maior parte do capital do ABN foi adquirida pelo consórcio formado pelos bancos The Royal Bank of Scotland (RBS), Fortis e Santander. O processo de transferência das atividades e dos clientes do ABN para os bancos do consórcio teve início no primeiro semestre de 2008; portanto, grande parte da análise estendeu-se apenas até 2007, com o objetivo de desconsiderar as significativas alterações ocorridas no primeiro semestre de 2008.