A garota do calendário: Janeiro

Audrey Carlan · Capítulo 2 de 10

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A garota do calendário: Janeiro

Capítulo 2

 

Weston Charles Channing III. Fiquei olhando para o papel, me perguntando por que alguém iria querer ter um numeral romano no fim do nome. Eu poderia apostar que ele era um garoto rico e pretensioso cuja mãe não queria constrangimentos por vê-lo desfilar em eventos elegantes com vagabundas de Hollywood. Pelo menos, na minha cabeça, esse era o único motivo para que alguém tão devastadoramente bonito precisasse contratar uma acompanhante. Folheando as páginas, encontrei a lista de regras que a “sra. Milan” havia me entregado na noite anterior.

 

1. Esteja sempre com a melhor aparência possível. Nunca deixe que o

cliente a veja desarrumada. Você deve estar sempre maquiada, com o

cabelo arrumado, unhas feitas e roupas perfeitamente passadas. O

cliente vai lhe fornecer um guarda-roupa à escolha dele. Suas medidas e

preferências foram enviadas ao personal stylist dele.

 

Revirei os olhos e encarei, já com saudade, a pilha de calças jeans no meu armário. Personal stylist? Nossa, essas pessoas tinham muito dinheiro. Era tão difícil assim escolher suas próprias roupas? Minhas medidas tinham sido enviadas? Ótimo. Agora o cara sabia que eu precisava perder uns quilinhos. Ter um metro e setenta e três me dava a vantagem de parecer mais magra do que era, mas eu sabia que minha tia preferia que suas meninas usassem tamanho trinta e quatro. Eu era um quarenta e dois curvilíneo, às vezes quarenta e quatro, para ser sincera. Provavelmente eu seria considerada plus size no mundo da moda.

Ele escolheu você. Lembrei disso ao encher uma pequena mochila com itens de primeira necessidade. Hidratante, maquiagem, perfume, meu Kindle e uma bolsinha com minhas bijuterias favoritas. Não havia nada de valor, mas eram minhas coisas, e, no mínimo, eu precisava me sentir eu mesma de alguma forma. Peguei também um diário sem uso e meu bloco de papel de carta personalizado. Levando em conta que seria uma longa experiência, com um ano de duração, eu poderia muito bem tentar aprender algo com isso. Caramba, talvez eu pudesse até escrever meu próprio roteiro de cinema um dia.

Jogando a mochila sobre a cadeira estofada do apartamento barato que eu alugara, olhei para o restante da lista.

 

2. Sorria constantemente. Nunca pareça estar brava, triste ou

emocionalmente instável. Os homens não contratam uma mulher para

lidar com seus problemas emocionais. Eles a contratam para que não

tenham de fazer isso.

 

Sem emoção. Essa eu já tinha sacado. Eu refletira muito sobre isso após ter falado com Millie e concordado com o trabalho.

 

3. Não fale, a menos que falem com você. Você vai estar lá para ser bonita

e encantadora quando for requisitada. Discuta com o cliente as

necessidades dele antes de qualquer evento social ou profissional, para

que vocês estejam de acordo a respeito de sua posição.

 

Quantos anos temos? Cinco? Seja uma Barbie. Entendi. Isso é fácil.

 

4. Esteja disponível o tempo todo. Se o cliente quiser apenas ficar em

casa, fique com ele. Seja respeitosa, mostre boas maneiras e se

mantenha atenta às orientações do cliente. Se ele desejar companhia,

oferecer um afago é aceitável. Sexo não é obrigatório.

 

Ela esperava que eu oferecesse um afago ao cliente quando ele quisesse transar? Ri alto. Seria uma transição interessante. “Ei, cara, quer um afago?” Um riso abafado deixou meus lábios enquanto eu continuava a ler.

 

5. Sexo com o cliente não está incluído no contrato. Se você optar por

oferecer companhia sexual, será uma escolha sua, e não

responsabilidade da Exquisite Acompanhantes de Luxo. Exigimos, no

entanto, que todas as nossas acompanhantes façam uso de algum

método anticoncepcional que possa ser comprovado. Exames de sangue

poderão ser solicitados.

 

Aonde ela queria chegar com essa merda? Fala sério. Quem iria querer engravidar de um homem que acabou de conhecer e por quem não está apaixonada? Ah, sim, homens ricos, mulheres burras. A receita certa para o desastre. Bem, eu não era uma dessas mulheres. Uma vez que meu pai estivesse seguro e a dívida paga, minha vida voltaria ao normal. Seja lá o que isso significasse.

Olhei para o relógio e percebi que estava na hora de ir. Ainda que Millie quisesse que eu chegasse em uma de suas limusines, garanti a ela que eu mesma me encontraria com o cliente. Essa foi minha única exigência. Se este primeiro encontro desse certo, então eu estaria disposta a aceitar que os outros clientes me pegassem. Por enquanto eu estava desconfiada pra caramba e iria de moto. Mesmo tendo prometido a ela que pegaria um táxi. Como se ela fosse descobrir.

Usando meu jeans preto mais sexy e um top de malha preto e justo, vesti minha jaqueta curta de couro e botas de camurça de cano longo. Eu sabia que Millie me mataria se me visse com essa roupa, mas eu precisava do elemento surpresa para conhecer o tal Weston Charles Channing Terceiro antes de concordar de bom grado em ser sua acompanhante pelas próximas quatro semanas.

Finalmente, a mensagem de texto chegou. Veio de um número desconhecido.

 

Ansioso para conhecê-la. Praia El Matador.

Encontre a escada de concreto que leva até a

praia. Vejo você em breve.

 

Intrigante. Ele estava querendo me encontrar na praia às oito da manhã? Rapidamente, peguei meu iPhone e pedi orientação à Siri, percebendo que já eram sete horas. A voz automatizada me indicou a praia e mostrou que ficava pouco mais de nove quilômetros a noroeste de Malibu. Devia ser perto da casa dele, porque levava uma hora inteira de moto da minha, no centro da cidade, até a praia. Meu apartamento não era grande, apenas alguns metros quadrados, onde o futon que comprei por cinquenta dólares em um bazar de garagem servia como sofá e cama, mas era o que eu podia pagar. Olhando ao redor, notei que tinha feito a decoração do jeito mais aconchegante que pude. As paredes eram bege-claro, e, embora a mobília fosse desencontrada e não combinasse, de alguma forma o conjunto tinha ficado bom.

Era o primeiro lugar que eu podia chamar de meu. E agora eu precisava deixá-lo. Peguei a garrafa de água e derramei o resto no vaso de bambu que eu mantinha no pequeno balcão da cozinha. Era uma triste tentativa de ser ecologicamente correta, e, supostamente, era uma planta da sorte. Eu esperava que ela sobrevivesse. Enquanto caminhava porta afora com a mochila no ombro e o capacete na mão, notei quanto a planta e eu tínhamos em comum. Certamente eu esperava sobreviver a essa ausência também.

 

Cascalhos se soltaram e pedras pularam pelo chão quando Suzi derrapou até parar, antes de bater na viga de metal que terminava pouco antes de um penhasco rochoso. A escada de concreto — que eu estava procurando ao longo da praia — era claramente visível desta área de estacionamento. Esta parte da praia era pequena e parecia isolada. Apenas um carro estava estacionado na manhã fria de segunda-feira. Provavelmente porque pessoas normais estão trabalhando às oito da manhã de um dia útil. Eu não sabia o que pensar sobre encontrar meu cliente naquele lugar, mas não estava chateada com isso. A vista era incrível; a praia, de tirar o fôlego. As ondas azuis batiam contra a areia em nuvens brancas quando quebravam. Era uma das poucas vezes que eu tinha ido à praia desde que me mudara para cá, seis meses antes. A maior parte do meu tempo era ocupada tentando entrar no mundo das artes cênicas. O local não importava. Eu só precisava dar o fora do deserto. O mar era o oposto do calor seco de Las Vegas, e o contraste era reconfortante à sua maneira.

Uma figura solitária surfava. Acompanhei com os olhos a pessoa pegar todas as ondas como um profissional, mergulhando a longa prancha amarela para coincidir com as elevações do mar. Observei atentamente o local, mas não vi ninguém mais. Não havia outros carros estacionados além de um jipe e da minha moto. Será que ele ainda não havia chegado?

Observei o surfista por mais alguns momentos enquanto ele deslizava em cima de uma onda até a areia. Ele pulou quando a prancha o levou delicadamente para a beira. Devia surfar havia muito tempo para ter esse nível de equilíbrio e força. Talvez desse aulas ali, embora eu não tivesse visto nenhum tipo de construção por toda a orla. O homem sacudiu o cabelo e soltou a cordinha que conectava a prancha ao seu tornozelo. Eu não podia ver suas feições daquela distância. Como se estivesse em câmera lenta, o surfista olhou em minha direção. Ele não podia ver o meu rosto, pois eu ainda estava de capacete. Levantei a viseira para enxergar melhor e vi quando ele abriu o zíper da roupa de mergulho e revelou uma quantidade enorme de músculos molhados, fortes e bronzeados. Tirou os braços de dentro da roupa e a deixou cair na cintura enquanto levantava a prancha e seguia até a areia fofa em uma corrida.

Em completo e absoluto fascínio, vi seu corpo se mover na paisagem. O surfista era uma delícia. Dava um novo significado à expressão “colírio para os olhos”. Ele continuou a se aproximar, o peitoral quadrado e o abdome definido cada vez mais visíveis com a proximidade. O pedaço sexy de pele que mergulhava fazendo um V delicioso tinha pontos de areia e água do mar misturados. Aquilo me fez perguntar qual seria o seu sabor. Salgado por causa do mar com notas do gosto natural.

O calor tomou meu corpo quando ele chegou à escada. Meus ouvidos começaram a estalar e eu senti como se o mar estivesse rugindo, causando um ruído oscilante dentro do capacete. Era como estar em um carro com todas as janelas fechadas e alguém abrir uma delas. Instantaneamente, você se vê inundado pelo som distorcido que atravessa seu ouvido, como uma coisa física batendo contra o tímpano.

Lentamente, tirei o capacete e joguei o pescoço para trás, permitindo que meu cabelo balançasse e se soltasse, livre do confinamento. Respirei fundo quando o homem que eu estava esperando parou no topo da escada e me encarou. Seu olhar era... intenso, lascivo. Grandes gotas de água pingavam de seu cabelo sobre os ombros largos e escorriam até o peito, que poderia ter sido esculpido por deuses.

Ele deslizou os olhos das minhas botas até as coxas, depois para o meu peito, até finalmente encontrar o meu olhar.

— Que prazer inesperado. — Ele sorriu.

— Sim, inesperado. — Lambi os lábios, que haviam ficado secos de repente, e mordi o inferior. Ele se movia com leveza enquanto caminhava até o Jeep Wrangler 4 x 4 cinza. Não era um carro caro, embora parecesse estar em boas condições. Não tinha capota, e imaginei que era para que o dono pudesse colocar uma prancha gigante na parte de trás sem nenhum problema. Aquela coisa era leve? Eu achava que não, mas ele fazia parecer que não pesava nada. Os músculos de seus braços se esticaram e tensionaram quando ele posicionou a prancha no lugar, e uma onda de excitação formigou por meus poros.

— Você é a Mia? — ele perguntou quando desci da moto e andei a passos largos, certificando-me de conferir um balanço extra a meus quadris. Seus olhos pareciam cintilar em apreciação enquanto acariciavam minhas formas.

— Sou eu. E você é o Weston Charles Channing Terceiro? — Levantei três dedos e coloquei a mão no quadril.

Ele riu e se apoiou na lateral do jipe, me oferecendo uma visão ainda melhor do seu peito nu. Caramba, ele era lindo. Seus olhos verdes ficaram escuros ao encontrarem os meus.

— Terceiro. — Ele imitou meu gesto. — Meus amigos me chamam de Wes — disse, casualmente.

— E eu sou sua amiga? — perguntei, tímida.

— Espero que sim, srta. Mia. — Ele piscou, virou-se e deu a volta no jipe. Pegou uma camiseta branca e rapidamente a puxou sobre a cabeça, cobrindo o belo corpo. Quase agradeci pela distração. Imediatamente a Barbie bobinha deixou o recinto e a Mia inteligente fez sua aparição mais uma vez. — Está pronta para ir?

— O dinheiro é seu. Você diz onde e quando — falei.

Wes lambeu os lábios, me encarou novamente, sorriu e balançou a cabeça.

— Eu ia te oferecer uma carona, mas parece que você já tem como ir.

— Tenho sim. Eu sigo você.

 

No momento em que chegamos a sua casa, em Malibu, minha libido já estava novamente sob controle, embora eu achasse que não demoraria muito para voltar à tona. Os portões se abriram e eu o segui por um pequeno caminho sinuoso, até pararmos em frente a uma construção que mais parecia algo que se vê nas montanhas. Não uma cabana feita de troncos de árvores, mas a casa era toda de pedras gigantes entremeadas com madeira. Uma vegetação exuberante a cercava por todos os lados, fazendo-a parecer aninhada em um jardim secreto.

Tirei o capacete e peguei a mochila enquanto o acompanhava, subindo os degraus de pedra. A porta não estava trancada quando ele a abriu. Acho que, quando se vive em Malibu e se tem grandes portões com cercas ao redor da propriedade, não há muita preocupação com a segurança. Talvez ele tivesse vigias em algum lugar.

Entramos em uma sala grande e cavernosa, com vigas de madeira escura expostas que se encontravam no centro. O piso era feito da mais rica cerejeira e revestia todo o espaço suntuoso. Vários tapetes de cores escuras e rústicas cobriam o assoalho ao lado do sofá macio bordô, que parecia fofo o suficiente para que se pudesse correr e saltar em cima dele. A sala era iluminada e arejada, cercada de janelas. O home theater era enorme e tomava uma parede inteira, de quinze metros. Espalhada pela prateleira e em nichos, havia uma grande variedade de livros e DVDs. Tapeçarias em tons vibrantes enchiam as paredes. Plantas e obras de arte estavam por toda parte. Não era o que eu esperava de um homem na casa dos vinte e tantos ou trinta anos. Fiz uma anotação mental para descobrir sua idade em algum momento, assim como o que ele fazia. É preciso ser muito inteligente ou financeiramente independente para ter aquelas coisas.

— Este lugar é incrível — eu disse enquanto saía pelas portas francesas que davam para a varanda de madeira com grade de ferro fundido. A vista era de uma paisagem montanhosa que ia até o horizonte e parecia não ter fim. Viver no centro de Los Angeles não me dava muitas oportunidades de apreciar o sul da Califórnia como eu estava vendo naquele lugar.

Wes sorriu e pegou minha mão. A dele era quente e macia. Confortável.

— Venha aqui. Vou te mostrar o que me atraiu neste lugar. — Ele me puxou para segui-lo ao redor da varanda até o lado oposto da enorme casa, de modo que eu pudesse conhecer a outra vista.

O que vi roubou meu fôlego quando finalmente chegamos ao outro lado da varanda.

— Ah, meu Deus — sussurrei, em completa reverência. Sua mão apertou a minha, fazendo um raio de eletricidade formigar na parte de trás do meu pescoço. Eu estava diante de uma vista panorâmica do oceano Pacífico, que se estendia por metade da casa. Wes se inclinou na minha direção e sussurrou no meu ouvido, apontando para uma faixa de areia aninhada contra um terreno rochoso.

— Aquela é a praia El Matador — ele disse, perto o suficiente para que eu sentisse sua respiração beijar meu rosto. Eu quase podia ver as ondas em que ele estava surfando.

— É... — Fiquei sem palavras.

— Incrível, eu sei — ele completou, mas não de forma presunçosa. Não, ele realmente parecia admirar a vista, o que me surpreendeu. Afinal, ele vivia ali, via aquilo todos os dias e ainda se sentia arrebatado pela dádiva diante de si. Percebi, então, que talvez eu tivesse sido precipitada ao pensar que ele era um riquinho desocupado e metido a besta. Seus olhos refletiam algo mais maduro, que ia além da idade. Ele segurou minha mão e me puxou para dentro da casa. — Vou mostrar o seu quarto.

Eu o segui através das centenas de metros quadrados do interior. Os cômodos surgiam diante de meus olhos e desapareciam antes que eu tivesse a chance de dar uma espiada. Achei estranho que ele continuasse a segurar minha mão, mas não disse nada, por medo de que ele a soltasse. Era bom sentir aquela mão grande e quente na minha. Me fazia sentir segura e protegida, de um jeito que eu não experimentava havia anos.

Wes me levou até um conjunto de portas duplas. Finalmente soltou minha mão e abriu as duas portas ao mesmo tempo.

— Este será o seu espaço pelos próximos vinte e quatro dias. — Ele sorriu quando entrei.

O quarto era completamente branco. Inteiro. Móveis, roupa de cama, até mesmo a decoração era feita em vários tons de branco, com toques mínimos de cor. Era um contraste muito dramático com as cores ricas da sala de estar. Sem perceber, fiz uma careta.

— Não gostou? — Suas mãos caíram ao lado do corpo. Ele se moveu e abriu mais um conjunto de portas duplas, revelando uma tonelada de roupas, tudo extremamente colorido, com uma variedade de texturas e tecidos. Agora sim. Eu poderia morar dentro do closet. Era grande o suficiente para isso. Passei os dedos pelas roupas penduradas, todas ainda com a etiqueta.

— É lindo, obrigada. Então, por que você não me conta um pouco sobre o motivo de eu estar aqui? — perguntei ao sair do closet e me sentar na cama. Wes era alto, grande, mas não musculoso demais. Tinha mais de um metro e oitenta e o corpo de um nadador forte, que definitivamente passava um bom tempo na academia levantando peso.

Ele respirou fundo, se sentou e levou a mão ao queixo, apoiando o cotovelo no braço da cadeira.

— Minha mãe — disse, como se isso explicasse todos os segredos do universo. Ergui uma sobrancelha, e ele balançou a cabeça. — Tem alguns eventos, profissionais e pessoais, dos quais eu preciso participar nas próximas semanas. Ter uma mulher ao meu lado vai ajudar a afastar as socialites e interesseiras que muitas vezes disputam a minha atenção, impedindo que eu interaja com as pessoas que preciso.

— Então você precisa de um escudo contra periguetes? — Eu ri, cruzei as pernas, tirei a bota de cano alto, estiquei a outra perna e repeti o processo. Wes assentiu e observou, com muita atenção, enquanto eu remexia os pés doloridos dentro da meia. Olhei para baixo e percebi por que ele estava com a mão sobre a boca, numa tentativa velada de conter o riso.

Eu estava usando meias com motivos natalinos. As meias listradas, vermelhas e verdes, compridas até os joelhos, me encararam, provando que eu tinha cometido um suicídio fashion. Sem falar que eu estava certa de que tinha acabado de quebrar uma das regras de Millie para as acompanhantes, já que estava usando peças terrivelmente feias. Mordi o lábio e arrisquei um olhar para Wes, mas ele apenas continuou sorrindo como um gato que engoliu o canário.

Revirando os olhos, bufei.

— Eu me arrumei no escuro.

— Obviamente. — Ele riu. — Achei fofo.

— Fofo? Que péssimo. — Estreitei os olhos para ele. — Você acha que eu sou fofa? Bom, agora não tem devolução, amigo. Como você mesmo disse, vou ficar por aqui durante vinte e quatro dias. Nada de trocas. — Levantei e coloquei as mãos nos quadris.

Ele se recostou e cruzou os pés descalços. Ah, eu não tinha notado seus pés. Eram magros, longos e bem cuidados. Minúsculos grãos de areia estavam grudados no peito do pé. A libido que eu tinha chutado para o meio-fio espiou de seu esconderijo e estava prestando muita atenção nos mínimos detalhes do homem diante de mim. Não era justo. Até os pés dele eram sexy.

— Relaxa, Mia. Eu disse que as suas meias são fofas, não você. Você é, muito provavelmente, uma das mulheres mais lindas que eu já tive o prazer de conhecer. Mal posso esperar para te ver nua. — Seus lábios se contraíram em um sorriso e seus olhos arderam.

Respirei lentamente e o encarei enquanto ele se levantava. Nossos olhares se encontraram, e pareceu que muitos minutos haviam se passado enquanto observávamos as nuances um do outro.

— Hum, bem, fico feliz em saber que você me acha bonita o suficiente para estar aqui. Como você mesmo disse, fui contratada por um mês e... espere... — De repente a ficha caiu. — Desculpe. Mal pode esperar para me ver nua? — As palavras saíram da minha boca num turbilhão. — Isso não está no contrato...

— Ah, eu sei muito bem o que está no contrato — Wes disse, aproximando-se de mim, deslizando a mão ao redor da minha cintura e me puxando contra seu corpo.

Engoli em seco quando o volume duro de sua enorme ereção pressionou minha barriga. Ele estudou meu rosto e se inclinou para mais perto. Tão perto que eu podia sentir o sopro de sua respiração contra meus lábios aquecidos.

— Se você ficar nua, não vai ser porque estou pagando por isso.

Os lábios de Wes tocaram a pele logo atrás da minha orelha, onde ele deu um beijo suave. Fiquei completamente imóvel, sentindo o prazer subir pelos meus membros, os nervos focados, à espera do seu próximo toque. A aspereza de seu queixo, com a barba por fazer, deslizou pelo meu, suave, provocando arrepios em minha coluna e uma onda de calor entre minhas coxas.

— Você vai tirar a roupa para mim quando estiver pronta para isso. Não vou nem precisar pedir — ele sussurrou antes de dar um beijinho no canto da minha boca. Então se afastou, os olhos verdes irradiando luxúria. — Tenho trabalho a fazer no meu escritório. Fique à vontade para olhar por aí, tomar sol, usar a piscina. Preciso que você esteja pronta e usando um vestido bonito às cinco em ponto. Temos um jantar de negócios. — Com um último aperto em meu quadril, ele se virou e partiu. A pele naquele ponto ainda sentia a força de seu toque.

— Droga — falei, zonza depois de prender a respiração por tanto tempo. No momento em que seus lábios tocaram a parte de trás da minha orelha, perdi a capacidade de respirar. — Vou ter problemas.