A garota do calendário: Janeiro

Audrey Carlan · Capítulo 8 de 10

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A garota do calendário: Janeiro

Capítulo 8

 

O restaurante Nobu, em Malibu, era requintado. Era como entrar em um mundo particular, elegante e privado. Todos os atores, diretores e roteiristas de Código de honra estavam presentes. Não tinha muita gente, talvez umas quarenta pessoas. Quando chegamos, a hostess nos levou a uma área externa reservada. O pátio tinha um deque de madeira enorme que se estendia pela grande varanda, com móveis de vime, almofadas e mesas rústicas. Toda a extensão era aberta para uma vista de cento e oitenta graus da praia. O sol estava se pondo, e as cores do céu refletidas na água eram de tirar o fôlego. Wes me puxou em seus braços quando segurei a grade e me abraçou por trás.

— Linda — disse em meu ouvido, antes de passar o nariz para cima e para baixo, na base do meu pescoço.

— Muito — concordei.

— Não a vista. Você. — Ele mordeu aquele ponto em que o pescoço encontra o ombro, provocando arrepios crescentes de excitação, inchando e doendo deliciosamente dentro de mim.

— Fala mansa. — Belisquei a lateral de sua coxa, onde minha mão descansava.

— Ai! Vamos ver se eu vou voltar a elogiar a dama — ele disse, fingindo indignação.

Virei-me, passei as mãos ao redor de seu pescoço e o beijei. Nada indecente, apenas um encontro de lábios. Senti falta dele no decorrer do dia, enquanto ele estava no trabalho, e essa era a nossa primeira chance de estar perto.

Ele gemeu em minha boca, se afastou e olhou para mim. Depois de um momento, balançou a cabeça e sorriu. Eu sabia que ele queria me dizer alguma coisa, mas, naquele momento, estava consciente de que não seria algo que eu poderia aguentar. Então falei:

— Vamos pegar uma bebida e algo para comer?

Seus ombros caíram. O clima estava quebrado.

— Claro — ele disse, agarrando minha mão e me levando para o bar. Pegamos bebidas e, em seguida, um garçom apareceu e nos ofereceu petiscos no estilo asiático. Enquanto conversávamos e comíamos, a mulher mais bonita que eu já tinha visto veio caminhando por entre as pessoas. Ela usava um vestido tomara que caia vermelho profundo, que acentuava os seios grandes. A bainha ficava logo acima dos joelhos, valorizando as pernas incrivelmente longas. Tinha os cabelos pretos e espessos como os meus, mas os dela formavam mechas soltas que caíam sobre a pele perolada. Lábios vermelhos brilhantes e a maquiagem esfumada nos olhos completavam o visual. Ela era o sonho de qualquer homem e o pesadelo de qualquer mulher. Exceto o meu. Eu queria ser ela!

— Gina. — Wes estendeu a mão para a mulher deslumbrante. — Eu gostaria que você conhecesse minha amiga, Mia Saunders. — Os olhos dela se arregalaram e seus lábios se curvaram em um sorriso pela forma como ele disse “amiga”.

Ela colocou a mão pequena no ombro de Wes, olhou para ele e piscou de maneira adorável antes de virar para mim. Ele estava completamente encantado por ela. Caramba, eu também. Uma beleza como a dela não aparece com muita frequência.

— Gina DeLuca. — Ela estendeu a mão e eu a apertei. — Qualquer amigo do Wes é meu amigo também. — Sua voz soava como se estivesse cantando, com uma espécie de vibração sensual. Após o cumprimento, ela se postou à minha frente e pressionou descaradamente o peito contra o de Wes. — Estou realmente ansiosa para começar a filmar a sua história. O enredo é fascinante. — Sua mão se aproximou e acariciou a lapela dele. Ele ficou ali, sem palavras, olhando nos olhos daquela mulher muito sexy.

Senti como se estivesse invadindo um momento privado. Certamente eu não era necessária naquela conversa. E, apesar do que prometera a mim mesma, estava ficando com ciúme. Não, eu não tinha nenhum direito sobre Wes oficialmente, mas era sua acompanhante pelos próximos dias, caramba! Pigarreei. Isso em nada quebrou o feitiço que ela exercia sobre ele.

— Talvez a gente possa passar o texto na minha casa em algum momento, para eu entrar no espírito da personagem. — Ela lambeu os lábios e meu estômago queimou de raiva. Quem aquela mulher achava que era?!

— Hum, claro, é... Parece... hã — Wes tentou falar, e para mim bastou. Afastei-a do caminho, interrompendo educadamente.

— Amor, estou morrendo de fome. Vamos sentar e comer? — Pisquei para ele, mas tinha certeza de que não surtia o mesmo efeito. Wes olhou para mim, balançou a cabeça, e um sorriso surgiu em seus lábios. Seus olhos brilharam e ele me puxou para seu lado, com a mão na minha cintura.

— Qualquer coisa para a srta. Mia — disse, beijando minha testa. — Desculpe, Gina. Pode nos dar licença?

Olhei para a bela raposa de cabelos negros. Sua boca estava escancarada, como se não pudesse acreditar que eu havia me intrometido em seu jogo quando, na verdade, foi ela que se intrometeu no meu.

— Mia? Igual à do filme? — ela perguntou.

Wes olhou para mim com aquele sorriso de derrubar calcinhas.

— Eu queria algo para lembrar da minha garota quando ela se for — ele disse, sem olhar para Gina em nenhum momento. Esse gesto encheu meu coração de alegria e tristeza, por saber que o deixaria em breve.

— Lembrar dela? Para onde você vai? — ela me perguntou diretamente, cruzando os braços.

Respirei fundo e fechei os olhos.

— Seattle — respondi e vi quando Wes estremeceu.

— Ah, é? Para quê?

— A trabalho. — Eu não tinha nada melhor a dizer. Era verdade, mas eu não iria revelar para aquela mulher que eu era uma prestadora de serviço ou que Wes era praticamente um cara livre que poderia apreciar seus avanços.

Gina revirou os olhos.

— E o que você faz?

— Bom, nesse trabalho especificamente, vou posar para um pintor durante o próximo mês.

Ela abriu um sorriso falso.

— E você estará usando alguma roupa durante essas pinturas? — Foi direto ao ponto.

— Acho que já chega, Gina. Nos vemos no set em uma semana. Vem, Mia, vamos pegar algo para comer e encontrar um lugar para sentar. — Ele segurou meu quadril e me virou, caminhando na direção oposta à da bela atriz.

Conseguimos uma mesa no canto, que tinha uma vista ainda melhor do mar à noite. Um garçom trouxe mais bebidas e colocou um prato de aperitivos entre nós. Assim que dei uma mordida e deixei a massa folhada derreter na boca, Wes atacou:

— Então, Seattle? — Apenas assenti, sem querer discutir o assunto. — E a Gina estava certa na suposição que fez?

Dei outra mordida no canapé de peixe e tive que conter um gemido. Nossa, aquele lugar era incrível.

— Estava, Mia? Você vai ficar nua na frente de um artista enquanto ele te pinta? — Em vez de responder, dei de ombros. — Eu fiz uma pergunta simples — ele disse, com os dentes cerrados.

— Talvez. Ele pinta nus, então é uma possibilidade — falei, pensando que seria melhor que a verdade absoluta ou uma mentira pura e simples.

Wes balançou a cabeça e tomou um longo gole de sua cerveja.

— Eu preciso de uma bebida de verdade. — Ele se levantou e foi até o bar. Eu me recostei na cadeira, pensando no que esta noite estava se transformando. Senti ciúme dele, e agora ele estava com ciúme de um cara que nenhum de nós conhecia. Que porcaria estava acontecendo?

Quando ele voltou, trazia um copo cheio de um líquido âmbar que fez meu estômago revirar. Desde a primeira noite, ele tinha se esforçado para não tomar uísque, e eu era grata por isso. Agora, porém, ele estava bebendo como se fosse água.

— Por que você está bravo?

Ele balançou a cabeça.

— Não estou bravo. — Cerrou os dentes, um músculo em sua mandíbula se remexendo.

— Acho que eu sei quando você está bravo. Estamos vivendo juntos há quase um mês.

— Você quer mesmo fazer isso? — ele finalmente perguntou.

— Não é questão de querer. Eu preciso! — sussurrei, inclinando-me para a frente. Ele olhou em volta.

— Você não precisa fazer merda nenhuma. Todo mundo tem uma escolha. Você poderia ficar aqui. — E ali estava. Ele definitivamente queria que eu ficasse, mesmo sabendo que eu não podia.

— Não faça isso...

— Por que não?! Porque isso vai te fazer sentir algo? — ele perguntou em tom de desdém.

Eu me levantei e fui embora. Wes não me seguiu.

 

O som de vidro se quebrando me acordou de um sono pesado. Levantei-me e andei pelo corredor na ponta dos pés, mantendo-me em um silêncio mortal até que encontrei Wes rindo, com metade da jaqueta no corpo e a outra retorcida em sua mão, como se estivesse tentando tirá-la.

Fui até ele e puxei a jaqueta. Foi uma péssima ideia. Assim que ficou livre, ele me empurrou com tudo contra a parede oposta, os lábios em meu pescoço. Ele mordeu com força e eu gritei, tentando afastá-lo.

— Mia, Mia, Mia, eu te quero tanto. Não quero perder você... por favor — ele implorou, mas eu não tinha ideia do que suas palavras bêbadas e enroladas realmente significavam.

— Vem. Vou te levar para a cama — eu disse, tentando guiá-lo. Ele deu alguns passos, parou e me agarrou novamente. Minhas costas bateram em outra parede. Desta vez sua mão segurou meu peito e ele apertou meu mamilo com dedos experientes. Eu gemi.

— Porra, eu amo esses barulhos que você faz. Algo entre um gemido e um lamento. Deixa o meu pau muito duro. — E ele não estava brincando. Sua ereção estava dura como uma rocha. Antes que eu pudesse me mover, ele colocou uma perna minha ao redor do seu quadril. Mesmo em estado de embriaguez, ele sabia exatamente o que estava fazendo. Seus movimentos só estavam um pouco mais lentos e menos coordenados.

— Wes, aqui não. Você precisa ir para a cama.

— Vem comigo? — ele pediu, lambendo e mordendo a base do meu pescoço. — Fica comigo, na minha cama.

— Tá, tudo bem. Vamos transar na sua cama desta vez — eu disse, levando-o para o quarto. Ao chegarmos lá, ele se virou, me agarrou pela cintura e me beijou. Mesmo com gosto de uísque, bebida que eu não suportava, seu sabor era delicioso.

— Não. Eu quero que você durma comigo. A noite toda. Quero acordar com você uma vez — ele pediu, conduzindo-me para a cama.

Ele se sentou, puxou minha calcinha e eu levantei a camisola, ficando parada diante dele, nua como no dia em que nasci.

— Eu amo esse corpo. — Sua mão traçou minha clavícula, depois o seio, onde ele deu um pequeno aperto, seguindo para a curva da minha cintura, passando pelo osso do quadril até a minha coxa. Tremi quando ele completou a jornada do outro lado. — Só desta vez, fique a noite toda. Me deixe acordar com você. — Ele se inclinou, tomando um mamilo em sua boca. Raios de eletricidade envolveram meus membros, o prazer sendo o primeiro a surgir, seguido pela luxúria e pela necessidade.

— Só desta vez — repeti.

Naquela noite, fizemos amor pela segunda vez. Amor desesperado e arrebatador. Em algum momento no meio da noite, Wes acordou sóbrio e me possuiu novamente. Disse que queria reviver tudo o que fizemos, assim teria certeza de que se lembraria. De minha parte, eu sabia que jamais esqueceria.

 

Acordei com ele me observando. Seu cabelo loiro e desgrenhado caiu sobre os olhos, e eu o afastei para o lado, querendo vê-lo por inteiro à bela luz da manhã.

— Por que você é uma acompanhante? — ele perguntou. Não havia julgamento ou dureza em sua voz. Apenas uma pergunta, como se ele estivesse morrendo de curiosidade para saber desde o primeiro dia. E provavelmente estava mesmo.

Tinha chegado a hora. Wes merecia saber o motivo pelo qual eu não poderia lhe dar mais. Eu sabia que ele queria que eu ficasse, provavelmente morasse com ele, para vermos como seria viver juntos de verdade. Ele sabia que eu não me incomodaria que ele fosse tão ocupado, a razão pela qual ele alegava não ter um relacionamento. Eu sabia cuidar de mim e já tinha provado isso. Não era uma mulher pegajosa, como a maioria das esposas-troféu. Mas essa era a questão. Eu não queria ser uma esposa ou namorada-troféu. Era importante para mim encontrar meu próprio caminho, ser eu mesma. E naquele momento eu não podia fazer isso, porque tinha que ajudar meu pai.

Em vez de dourar a verdade ou inventar alguma coisa plausível, fui honesta com ele.

— Meu pai deve dinheiro para uns caras muito cruéis. Muito dinheiro.

— Eu tenho muito dinheiro — ele disse calmamente. Lágrimas se formaram no canto dos meus olhos com sua declaração. Virei-me para ele, juntei as mãos e as coloquei embaixo da bochecha. Ele imitou minha postura.

— Sim, eu sei, mas é o seu dinheiro. Meu pai se endividou com um agiota por causa de jogo. Estou trabalhando para saldar essa dívida.

— Quanto?

— Um milhão.

Ele soltou uma respiração lenta.

— Eu tenho muito dinheiro sobrando, Mia. Eu posso ajudar você.

Balancei a cabeça. Sabendo o tipo de homem que Wes Channing era, eu tinha certeza de que, assim que descobrisse que minha família estava em apuros, ele iria querer ajudar. Só que esse problema era meu, não dele.

— Eu sei que pode, mas eu não pediria a sua ajuda. — Era preciso deixar bem claro que essa era uma decisão minha. Eu não era uma donzela em perigo e ele não era um príncipe num cavalo branco, tentando salvar o dia. Contos de fadas não existem, especialmente para garotas de Las Vegas com um caminhão de bagagem.

— Mas e se eu quiser ajudar?

— Você é muito gentil, Wes.

Ele balançou a cabeça e deitou de costas.

— Não, Mia, não sou. Eu sou egoísta. Não quero que você vá embora. Não quero que você vá posar nua para um artista rico de Seattle. Quero você aqui, comigo, na minha casa e na minha cama. E pago o preço que for preciso para conseguir isso.

Perdi o fôlego.

— Você me ama, Wes?

Seu olhar se prendeu no meu.

— Humm. — Ele lambeu e mordiscou os lábios carnudos. Me fez desejar beijá-lo. — Eu só sei que gosto de você. Gosto muito de você.

Abri um grande sorriso e tracei seu nariz com a ponta do dedo.

— Eu também gosto de você, Wes. Muito. Mas eu tenho que fazer isso. Não só pelo meu pai, que é o motivo principal, mas por mim também. E você não precisa de distrações. As filmagens começam na semana que vem. Você vai dirigir pela primeira vez...

Ele passou a mão pelo cabelo.

— Eu sei de todas essas coisas. Isso não muda o fato de que eu quero você aqui.

— Eu sei que não. E, para ser honesta, eu não quero ir, mas vou. E nós dois vamos continuar amigos, certo?

Ele suspirou e puxou meu corpo para cima do seu. Descansei os braços sobre seu peito e apoiei o queixo em seu esterno.

— Claro que vamos. Para falar a verdade, você é a melhor garota que eu já tive.

Minhas sobrancelhas se ergueram.

— Quer dizer, você sabe, a melhor amiga.

— Sei. — Dei um beijo em seus lábios.

— Então você vai embora em dois dias, e não há nada que eu possa fazer ou dizer para você ficar?

Balancei a cabeça e a descansei sobre seu coração, deixando as batidas pesadas me levarem para um lugar que era meio vigília, meio sono. Eu sabia, no fundo do meu coração, que a única razão para eu ficar, para considerar ficar, seria se ele me amasse. Não havia como negar que eu estava me apaixonando por ele, mas tentei conter o sentimento, sabendo que o amor nunca deveria fazer parte da equação. Não depois de me apaixonar por todos os homens com quem eu tinha transado. Desta vez, com Wes, eu havia protegido o meu coração com tanta força que ele só conseguiu pequenos pedaços ao longo do caminho. Todo o resto ainda estava seguro, comigo no controle total.

— Então, como ficamos? — Ele deslizou as mãos para baixo, segurando minhas nádegas, e as apertou. Isso me fez pensar em como eu sentiria falta de suas habilidades na cama. Voltar a ter um namorado movido a pilhas não estava no topo da lista de coisas que eu queria fazer em Seattle. Ver o fálico Space Needle — isso, sim, estava no topo da lista.

— Que tal como amigos? — sugeri. Ele fez uma careta. — Melhores amigos? — tentei.

Ele me levantou pela cintura, centralizando o pau duro entre minhas coxas, e eu afundei sobre ele, sentindo centímetro por centímetro do seu comprimento. Senhor, o homem era bem-dotado. E o melhor: sabia exatamente como usar o que tinha.

— Colorida — sussurrei quando ele me penetrou fundo. Ele sorriu. — Amizade colorida — esclareci, inclinando a cabeça para trás, apoiando as mãos em seu peitoral musculoso e o apertando por dentro.

O corpo de Wes tensionou.

— Agora você está falando a minha língua. — Ele me direcionou para cima e então para baixo, com força. Nós dois gritamos. — Agora comece a cavalgar.