A garota do calendário: Janeiro

Audrey Carlan · Capítulo 6 de 10

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A garota do calendário: Janeiro

Capítulo 6

 

— Acorda, linda — ouvi, logo antes de sentir o formigamento quente quando a mão de Wes encontrou a pele nua da minha bunda.

— Ai! — Pulei, agarrando o edredom para me cobrir. — O que é isso?! — gritei.

Fui recebida com um sorriso em vez de um pedido de desculpas.

— Vamos, coloque um biquíni e roupas confortáveis. Estamos indo para a praia! — Wes exclamou, claramente animado com a perspectiva de um dia à beira-mar.

Ele tinha trabalhado demais na semana anterior. Eu só o via no fim de cada noite, tirando um jantar de negócios insuportavelmente chato. Nesse meio-tempo, eu tinha almoçado com Jennifer Underwood, a esposa do diretor do novo filme, e com a mãe de Wes, Claire. Todo mundo parecia estar levando as coisas numa boa. Wes também não parecia ter problemas com isso. Disse que era ótimo que eu fizesse amigos enquanto ele estava ocupado. Parecia mais preocupado com a possibilidade de eu ficar entediada o dia todo do que com o potencial apagamento das barreiras emocionais, pelo fato de eu sair com sua família e me aproximar da esposa do seu colega de trabalho.

— Como assim, estamos indo para a praia? Você sabe que estamos em janeiro e está frio pra caramba? — Puxei o edredom sobre a cabeça e voltei para meu esconderijo acolhedor.

Senti o colchão afundar, me prendendo. Wes puxou o cobertor de cima da minha cabeça e fez uma manobra ninja, juntando minhas mãos no alto e as segurando. Ele se inclinou e me deu um beijo molhado, lento e tão profundo que meus dedos se curvaram. A área entre minhas pernas começou a esquentar e pulsar. Meu Deus, o homem sabia beijar. Ele puxou o cobertor para baixo e cutucou meu mamilo, primeiro com o nariz, em seguida sugando a ponta com a boca.

— Agora sim. Esse é o jeito certo de acordar uma mulher — falei, com um gemido baixo.

Ele me recompensou com uma sucção profunda.

— Vou me lembrar disso da próxima vez. Se eu fizer você gozar, seu humor vai melhorar? — Sua língua tocou a ponta do meu mamilo enquanto brincava com ele. Os dedos da outra mão apertavam e acariciavam o outro seio.

Concordei com a cabeça, em silêncio, perdida demais na sensação que ele despertou, uma chama lenta que me deixou fraca e incapaz de falar.

Ele riu contra meu peito.

— Se eu colocar a língua em você e lhe der o alívio que está procurando, você vai fazer o que eu mandar?

Era impossível negar. Com sua boca e seus dedos adorando meus seios, eu não podia deixar de concordar com qualquer coisa que ele quisesse.

— Sim, sim! — gemi.

Sua cabeça se moveu do meu peito até as costelas, mordiscando ao longo do meu abdome, até que ele estava lá. Bem ali, dando-me tudo o que eu queria e mais. Wes poderia ser um medalhista na arte do sexo oral. Sabia exatamente quando morder, apertar, chupar, lamber. E fazia isso com refinamento.

Mordida.

Apertão.

Chupada.

Lambida.

Segui por um redemoinho de tesão enquanto ele acariciava meu centro de prazer com a língua, até que eu me desmanchei. Meu corpo se curvou, as mãos voaram até seus cabelos para segurá-lo contra minha carne úmida. Ele rosnou enquanto me devorava, perdido no momento tanto quanto eu. Possivelmente ainda mais, a julgar pela forma como mergulhou o pau dentro de mim.

Só fomos para a praia uma hora depois.

Quando chegamos, fomos recebidos por um instrutor de surfe chamado Amil.

— Você me trouxe para ficar vendo vocês surfarem? — perguntei, imediatamente após apertar a mão do sr. Surfista Maravilhoso. Meu tom não foi agradável.

Wes olhou para Amil, depois para mim, e sorriu. Seu sorriso era travesso, e eu soube naquele momento que estava incluída na programação.

— Não. Na verdade eu trouxe você aqui porque nós vamos surfar. O Amil vai me ajudar a mostrar como as coisas funcionam. Ele tem todos os equipamentos e roupas de mergulho femininas. É dele a loja de surfe que fica lá embaixo, na praia. — Apontou para um lugar ao longe.

Olhei para Wes, seu cabelo loiro balançando com o sopro de ar frio da manhã. Um brilho em seus olhos verdes os fez parecer quase esmeralda à luz do começo do dia. Ele era tão bom de olhar quanto as ondas quebrando na praia.

— Você está falando sério?

Ele assentiu e fez um gesto para Amil. O instrutor se virou — me dando uma visão incrível de suas costas musculosas e bronzeadas — e pegou uma roupa de mergulho que parecia ser do meu tamanho.

— Deve servir. Você tem o quê, um e setenta e sete, uns sessenta e três quilos?

— Um e setenta e três. E a sua mãe não te ensinou que jamais se deve comentar o peso de uma mulher?

Amil balançou a cabeça e riu.

— Não posso dizer que ela tenha ensinado.

— Então ela falhou no trabalho — falei, inexpressiva. — É grosseiro e as mulheres odeiam. Você é casado? — Ele balançou a cabeça. — Namorada? — Ele balançou a cabeça novamente, ainda sorrindo. — É isso. — Bati palmas, como se tivesse acabado de comprovar a teoria da relatividade de Einstein.

Wes riu alto ao meu lado.

— Ela está certa, cara — disse. Fiquei um pouco surpresa por ele usar essa palavra tão californiana. Não que ele não fosse descolado; ele era. Muito. Só que era sempre um pouco mais formal.

— Desculpe, Mia. Minhas sinceras desculpas. Eu só queria ter certeza de que a roupa serviria. — Ele me entregou um macacão de mergulho preto.

Após repetidas tentativas de me enfiar naquela coisa incrivelmente apertada, que apelidei de roupa da Mulher-Gato, finalmente conseguimos colocá-la no lugar. Meus seios estavam apertados contra o tecido de neoprene. Tudo que eu queria era abrir a parte de cima e libertar os dois. Olhando para meu corpo, não pude evitar uma risadinha interna. Aquilo definitivamente me lembrava a Mulher-Gato. Eu me sentia ridícula, embora o olhar quente de Wes demonstrasse que eu não estava realmente. Parecia mais que ele estava pronto para rasgar o macacão. Amil, no entanto, não estava apreciando a nossa falta de atenção às suas instruções. Eu só queria começar a praticar logo.

Finalmente, Amil terminou os ensinamentos da “arte do surfe” e Wes me levou até a praia. Ele carregou nossas pranchas enquanto caminhávamos pela areia.

— Eu consigo levar minha própria prancha, sabia?

Seus olhos brilharam quando o sol os tocou.

— Tenho certeza de que há muitas coisas que você consegue fazer, linda. Mas eu não me sentiria um homem de verdade se não ajudasse a minha garota. Além disso, você está demonstrando espírito esportivo.

Sua garota?

Ele acabou de dizer isso?

— Minha garota? — perguntei, antes que o pensamento se tornasse algo perversamente emocional.

Ele sorriu.

— Sim, você sabe o que eu quero dizer. — E deu de ombros.

Hum, não, cacete, eu não sabia o que ele queria dizer. Quando estava prestes a cavar mais fundo essa mina terrestre, Amil nos interrompeu:

— Certo, vamos remar e praticar um pouco na parte mais calma da água.

— Vamos lá. Não banque a gatinha assustada — Wes disse, acrescentando um som estranho de miado. Os homens simplesmente não conseguem imitar bichinhos. Acabam soando mais como um animal moribundo do que como uma bola de pelos fofa.

Quando eu estava começando a protestar, Wes bateu com força em minha bunda e me arrastou para o mar. Mas, na água, foi um perfeito cavalheiro. Me ajudou a ir para a área mais apropriada e trabalhou comigo nas posições, poses e equilíbrio que eu estava aprendendo. Decidimos que eu deveria ficar de joelhos primeiro e pegar o jeito, antes de tentar ficar de pé.

Assim que a novidade e o nervosismo passaram, descobri que podia pegar pequenas ondas deitada. Levou mais de uma hora para eu conseguir ficar de joelhos, mas eu não poderia ter ficado mais orgulhosa de mim mesma. Quando consegui pegar uma onda daquele jeito, ouvi Wes gritando e vibrando. Nunca senti mais orgulho na vida. Normalmente eu torcia por minha irmã, Maddy, ou por minha melhor amiga, Ginelle, quando ela dançava. Mesmo na época em que eu praticava dança contemporânea e fazia performances incríveis, não tinha esse sentimento de realização. Talvez agora fosse por causa daquele pedaço de homem de um metro e oitenta e tantos me esperando na praia enquanto eu remava. Sua prancha estava enfiada na areia. Fui em direção a ele, soltando a minha enquanto corria.

— Você viu aquilo? — gritei de alegria, correndo para ele.

— Claro que vi! Foi incrível! Mandou bem, linda — disse ele, de braços abertos. Trombei em seu peito, nos derrubando no chão. No mesmo instante, seus lábios estavam nos meus, suas mãos em meus cabelos molhados, me segurando contra ele. Wes tinha gosto de sal e mar. Mágico. Continuamos assim por alguns minutos, até que fomos interrompidos por um pigarro. As mãos dele tinham soltado a minha cabeça e estavam agarrando firmemente minha bunda, sua ereção pressionando exatamente onde eu mais queria. Nós nos separamos lentamente, ofegantes e sorrindo feito bobos, para ver a risada de Amil.

Wes me ajudou a levantar e me puxou para perto dele, nossas roupas de mergulho coladas.

— Você foi ótima — ele disse com orgulho, deslizando o polegar pela minha bochecha antes de me dar um beijo suave nos lábios.

— Obrigada por me ensinar. Podemos ir de novo? — perguntei, animada com a perspectiva de pegar ondas novamente.

— Por você, qualquer coisa. Minha doce Mia.

 

A terceira semana da minha estadia foi preenchida com mais jantares de negócios chatos e outro evento cheio de ostentação. Eu não me importava muito com as festas. Era bom passear, provar comidas deliciosas e tomar champanhe e vinhos caros, mas não era exatamente divertido. Wes passou aquelas noites em conversas profundas, interagindo como o homem de negócios que era.

Ele não estava brincando quando disse que não tinha tempo para um relacionamento de verdade. A mulher que se envolvesse com ele passaria muito tempo sozinha. Ele precisaria de alguém que tivesse uma vida plena e uma carreira, e que se sentisse feliz em ser sua garota da meia-noite — disponível quando ele chegasse em casa tarde para uma noite de sexo e carinho antes de cair no mundo dos sonhos e começar tudo de novo na manhã seguinte. Uma pontada rápida atingiu meu estômago com o pensamento de Wes com outra mulher. Apaixonando-se, casando-se, tendo filhos, vivendo feliz para sempre, enquanto eu estaria fazendo o quê? Sendo uma acompanhante?

Descartei a massa folhada que havia pegado e, em vez disso, virei minha taça de champanhe em um gole só.

— Uau, calma aí, Speed Racer — Wes falou, passando um braço ao redor da minha cintura e me puxando para seu lado. — Está tentando ficar bêbada? — Seus olhos se estreitaram, mas a sugestão de um sorriso no canto da boca confirmou sua intenção de brincar.

— Por quê? Vai se aproveitar de mim se eu estiver? — perguntei com um tom malicioso, pressionando os seios em seu peito.

Ele respirou fundo, apertando-me mais, e fixou os olhos nos meus.

— Com certeza — disse, sem humor algum. Apenas a insinuação de Wes me possuindo já me deixou com a calcinha molhada.

— Não me deixe com tesão. Não é justo, já que você ainda tem negócios a tratar. — Fiz beicinho e beijei a lateral de seu pescoço, certificando-me de passar os lábios lentamente ao longo da base.

Ele gemeu baixinho e pressionou os quadris contra mim, para que eu pudesse sentir o calor e a força de seu desejo.

— Como é que eu vou deixar você ir embora daqui a oito dias? — Seu olhar e o aperto firme de sua mandíbula enfatizaram a seriedade de sua declaração.

Respirei fundo e olhei fixamente em seus olhos. Aqueles que passei a adorar, mais que quaisquer outros.

— As coisas são como são. Tem que ser assim — eu o lembrei.

Ele se inclinou e encostou a testa na minha.

— E se eu não quiser que seja? — Ele perguntou a única coisa que havíamos concordado que não deveria ser dita. O pensamento, a mera sugestão de mais, ia contra tudo o que havíamos negociado quando assinei o contrato. E também poderia quebrar as regras que ele estabeleceu na primeira vez em que transamos, mais de duas semanas antes.

— Não faça isso — sussurrei. Ele prendeu a respiração, soltando-a em seguida. Eu podia sentir o calor contra meus lábios úmidos.

— Tudo bem, não vou fazer — ele disse de um jeito definitivo, que pareceu renovar o compromisso de manter as coisas como deveriam ser. Como tinham que ser.

Não havia outra opção para mim. Mesmo que eu quisesse mais — coisa com a qual eu não conseguia lidar no momento —, não era possível. Eu ainda precisava de um milhão de dólares e meu pai ainda precisava ser salvo. Não havia ninguém além de mim para resolver isso. Eu não arriscaria a vida dele por uma possibilidade ínfima de felicidade. Jamais seria capaz de me perdoar se escolhesse minha vida em detrimento da do meu pai. Independentemente de ele ser um alcoólatra que passou a maior parte do tempo jogando, se embebedando e arruinando nossa estabilidade financeira, ele ainda era uma das únicas pessoas que me amavam de verdade. E eu nunca o abandonaria. Nem mesmo por Wes. Ainda que o pensamento enchesse minha mente, coração e alma de esperança, não era para ser. Eu tinha um trabalho a fazer e o faria, ou morreria tentando.

— Vem, vamos dançar — Wes chamou, deixando o momento pesado se dissipar lentamente quando me levou para a pista. O evento desta noite era uma festa de apresentação para os futuros funcionários, equipe técnica, investidores e atores confirmados do filme em que ele estava trabalhando, Código de honra. Era a primeira noite em que ele conseguia comemorar sua realização, e eu estava determinada a colaborar para isso.

No momento em que ele me abraçou, pensei em nosso tempo juntos. As duas últimas semanas tinham sido como um sonho realizado. Quando tia Millie me ofereceu o trabalho, acreditei, honestamente, que estava vendendo um pouco da minha alma. Agora que tivera mais de duas semanas para me acostumar com a ideia, e imaginava como seria com os futuros clientes, achei que passaria o próximo ano tranquilamente. Talvez conseguisse até fazer contatos na indústria em que planejava entrar quando meu ano de trabalho acabasse. A menos que eu passasse a gostar e continuasse fazendo isso, juntando uma boa quantia. Não que eu fosse ver todo esse dinheiro ainda este ano. Só ficaria com o suficiente para mandar para Maddy cobrir as despesas da faculdade e um pouco para pagar as contas do meu minúsculo apartamento.

Imaginei que, se recebesse cem mil por mês durante o próximo ano, me sobrariam duzentos mil depois que a dívida de um milhão de dólares fosse liquidada. Isso significava que eu poderia pagar à vista a faculdade de Maddy, no valor de cem mil, e guardar o restante. Isso me daria o suficiente para mandar três mil por mês para as despesas de subsistência dela e do meu pai, pagar meu aluguel de mil dólares e ainda guardar alguns milhares no banco para minhas contas.

Claro, meu tempo não seria realmente meu, o que acabaria por estressar cada nervo do meu corpo, mas eu esperava que meus futuros clientes fossem como Wes: trabalhassem muito e precisassem pouco de mim. Assim eu poderia relaxar em suas casas magníficas.

Deixar Wes, no entanto, ia ser difícil. Eu me perguntei se seria assim com todos os outros. Eu estava adorando nosso tempo juntos, e o sexo era fora do normal. A lembrança do que ele havia feito comigo esta manhã fez meu rosto esquentar. A maneira como ele me pegou contra a parede do chuveiro... Senhor, o homem sabia trepar.

— Ei, você está vermelha. Está se sentindo bem? — Ele parou de dançar e eu me afastei de seu olhar intenso antes de inclinar a cabeça em seu peito. Seus batimentos cardíacos me levaram de volta a um estado contemplativo. Balancei os quadris, mostrando a ele que eu não tinha parado de dançar. Queria sentir seus braços ao meu redor. Ele me fazia sentir como se eu fosse a única mulher no mundo que podia prender sua atenção.

— Estou bem. Está quente aqui. E você me deixa mais quente ainda. — Apoiei o queixo em seu peito e nós nos olhamos.

O olhar de Wes se concentrou em meu rosto, seus olhos me analisando.

— Sabe, você é a mulher mais preciosa que eu já conheci, além da minha mãe e da minha irmã.

— Preciosa? — Eu ri.

— É. Em outras palavras... — Ele se inclinou e deslizou a bochecha ao longo da minha, até alcançar minha orelha. — ... você é importante para mim.

Eu o abracei bem apertado. Queria que ele soubesse como era importante para mim também, mas não conseguia encontrar as palavras. Elas ficaram presas em minha garganta enquanto eu agarrava suas costas, as unhas arranhando através do paletó. Ele se afastou, saindo do meu aperto.

— Ei, ei. Não precisamos seguir nessa direção, Mia, mas você precisa saber. — Balancei a cabeça, sem querer ouvi-lo confessar qualquer sentimento que eu não poderia retribuir. Wes segurou meu rosto em suas mãos quentes. — Mia, escute... — Respirei fundo e esperei que ele dissesse o que precisava. — Só porque não vamos estar juntos, como um casal, quando você for embora, não significa que não podemos manter contato. Continuar sendo amigos. — Eu podia dizer, pelo tom da sua voz, que ele estava sendo sincero.

A sensação de alívio girou no ar ao meu redor, fazendo um enorme sorriso surgir em meu rosto.

— Sério?

Ele assentiu.

— Sério, linda — prometeu. — Agora, vamos pegar uma bebida e aproveitar o resto da noite. Eles vão anunciar os papéis do elenco de Código de honra, embora a maioria de nós já saiba. É parte da diversão. — Ele piscou e eu concordei.

Assim que chegamos ao bar, topei com Jennifer Underwood.

— Mia, que bom te ver! Eu estava te procurando — ela disse apressadamente, me puxando para o lado. Os olhos de Wes encontraram os meus, a preocupação evidente em seu olhar. Balancei a cabeça com um gesto de “não se preocupe”.

— O que houve, Jen?

Ela se inclinou para a frente num tom conspiratório, depois olhou ao redor para se certificar de que ninguém ouviria o que estava prestes a me contar.

— Eu estou atrasada — disse, mordendo o lábio em seguida.

— Sinto muito — respondi, sem saber do que ela estava falando.

Ela conteve um suspiro resignado, então se inclinou novamente e sussurrou:

— Não, eu estou atrasada. O meu fluxo.

Nesse momento, a ficha caiu. Ah, caramba! Ela estava atrasada! Quando nos encontramos para almoçar, uma semana após o jantar em que nos conhecemos, ela me agradeceu muito por ter mudado sua vida. Aparentemente, quando foi para casa e contou ao marido, Jay, que queria ter um bebê, ele se animou. Ela disse que ele já queria começar a tentar na noite de núpcias, mas eles tinham se casado tão rápido que ele achou que ela preferia esperar. Agora, pelo que ela havia contado, eles estavam feito coelhos, procurando fazer um bebê.

Segurei as mãos dela com firmeza e a puxei para perto.

— Quantos dias? Vocês mal começaram a tentar.

— Eu sei! — Sua voz se elevou e alguns homens de terno olharam em nossa direção. Puxei-a para um canto. — Estou com cinco dias de atraso, mas nunca atrasei um dia sequer.

— Puta merda! — soltei.

— Pois é!

— Ah, meu Deus!

— Eu sei! — ela gritou e começamos a pular como duas menininhas, os saltos batendo no chão de ladrilhos. Abracei-a com força. Eu não costumava ser carinhosa com outras mulheres; na maior parte do tempo, era apenas com Ginelle e Maddy, mas eu sentia uma conexão com Jennifer. Ela era uma boa pessoa, e eu já a considerava uma amiga.

— Você vai ter que me manter atualizada quando eu for embora. — Ela assentiu. Essa era uma das coisas que eu escondera de Wes. Não contei a ele que tinha dito a Jennifer o que eu era, mas a fiz jurar que guardaria segredo; até o momento, ela tinha cumprido com sua palavra. — Isso é incrível. O que o Jay disse?

— Ele já quer contar para todo mundo que estou grávida, mesmo sem termos certeza. — Ela revirou os olhos e balançou a cabeça.

— Os homens são uns idiotas — eu disse e ela concordou. — Então, se você engravidou imediatamente, meu palpite é que está com umas duas semanas. Isso significa que um teste de farmácia pode não dar o resultado correto por mais duas semanas. A melhor aposta, se você estiver morrendo de vontade de saber, é consultar um médico e fazer um exame de sangue. Imagino que seja o teste mais seguro. — Foi o que eu pensei. Marquei uma consulta para sexta-feira. Então eu vou saber com certeza. A menos, é claro, que a minha menstruação venha. — O rosto dela se contorceu em uma careta.

Abracei-a e, em seguida, voltamos a caminhar para perto dos rapazes.

— Vamos pensar positivo e torcer pelo melhor, tá? — sugeri e ela concordou, feliz de novo.

Chegamos quando um pequeno grupo de pessoas estava se reunindo ao redor do palco montado no enorme salão de baile. O quarteto parou de tocar. Wes segurou meu braço e me entregou uma taça de champanhe.

— Está tudo bem?

— Mais que bem.

— Algo que eu deva saber? — Uma sobrancelha se ergueu até a linha do cabelo.

Balancei a cabeça.

— Não. Aguarde as cenas dos próximos capítulos.

Ele riu e me levou até o palco quando o apresentador começou a anunciar os papéis no filme.

— Está animado? — perguntei.

— Eu já sei quem foi escalado. — Ele sorriu.

— E daí? Agora todo mundo vai ficar sabendo e vai falar nisso por meses! Eu estou animada, e só sei a sinopse da história.

A mão de Wes deslizou em meu ombro, me segurando e me mantendo a seu lado enquanto víamos as pessoas subirem ao palco. Cada um agradeceu quando seu nome e personagem foram anunciados.

— Estou louca para saber quem vai ser o soldado Will, aquele que manda cartas para Allison, o amor da vida dele. Aliás, quem vai fazer a Allison? — Eu me virei para olhar para ele. Nossos olhares se encontraram.

— Ninguém — ele respondeu.

— Hã? Mas eu achei que ela fosse o grande amor do Will. — Eu tinha certeza de que minha expressão era confusa enquanto meus olhos se estreitavam para o rosto bonito de Wes. Ele sorriu e gesticulou para o palco.

— Observe. — E ergueu o queixo exatamente quando uma bela e sedutora mulher de cabelos negros se aproximou do palco. Eu conhecia aquela atriz! Gina DeLuca. Ela era alta e magra, mas tinha curvas que não acabavam nunca. Todos os homens a admiravam, e as mulheres queriam ser como ela. O que a tornava ainda melhor era o fato de ser supersimpática e se apresentar às mulheres mais jovens em uma perspectiva positiva.

Então, ainda aplaudindo, fiquei chocada quando o mestre de cerimônias apresentou a atriz.

— Gina DeLuca para o papel principal feminino, Mia Culvers!

Meu queixo caiu.

— Não acredito! — Me virei para Wes.

— Surpresa! — Seu sorriso era absolutamente estonteante. Algo que eu jamais esqueceria.

— Você trocou o nome da personagem principal para Mia?

— Troquei — ele disse, sem acrescentar mais nada.

Pisquei algumas vezes, sentindo os olhos úmidos quando olhei para ele.

— Por quê?

— Porque você é importante.