A garota do calendário: Janeiro
Capítulo 4
Quando voltamos para casa naquela noite, fingi estar cansada e praticamente corri para o quarto, trancando a porta. Esperei, tentando ouvir através da madeira se ele iria me seguir. Apesar de querer estar com ele entre os lençóis, eu realmente deveria manter distância entre nós. Não tive tempo suficiente para me convencer de que não deveria me conectar emocionalmente a Wes. Ele foi tão gentil, tão humilde, fazendo questão de me incluir em todas as conversas de negócios, mesmo as mais casuais. Era sensato que eu me lembrasse do meu lugar. Eu não era nada além de uma funcionária contratada.
Por outro lado, por que eu não podia me divertir? Eu era adulta, ele era um homem incrivelmente sensual e disponível. Éramos jovens e ficaríamos quase um mês juntos. Se a química sexual desta noite indicasse alguma coisa, eu apostaria minha moto que ele era fantástico na cama. Seria bom fazer sexo, me deixar levar. Fazia um ano que eu não transava, e meu vibrador não estava mais dando conta. Eu precisava dessa conexão física. O corpo quente de um homem.
Fiquei parada no meio do quarto, olhando para todos aqueles tons de branco. A cama parecia uma nuvem macia. Eu apostava que era confortável também. Wes não parecia o tipo de cara que poupava em tecidos de luxo para seus convidados. Não, ele garantia que tudo fosse perfeito. Caminhando ao redor do cômodo, pensei no meu próximo passo. Ele estava lá fora, em algum lugar. De acordo com o relógio sobre a mesa de cabeceira, já era tarde. Uma da manhã. Tínhamos tido uma grande noite. De brincadeira, contei quantas mulheres interesseiras se aproximaram dele e quantas vezes fiz cara de nojo. Vinte e quatro. Ele teve vinte e quatro admiradoras esta noite. Fazia total sentido precisar contratar um escudo. Se ele tivesse passado algum tempo conversando com aquelas mulheres, não teria feito contato com nenhum dos produtores, diretores ou atores que estavam no evento.
E Wes estava perfeitamente ambientado. Movia-se ao redor do salão como o óleo gira ao redor da água, furtivo, fluido, e nunca permanecia mais tempo com uma pessoa do que com as outras. Eu tinha certeza de que havia um método nessa loucura, mas não perguntei. Apenas o segui e agi como um escudo. Quando um palito com peitos se aproximava, eu me apresentava e fazia questão de me inclinar e tocá-lo, para que a mulher fizesse uma carranca e rastejasse para longe, como a serpente que era. Todas eram. Além da mãe de Wes, Claire, não conheci uma única mulher decente. E poucas tinham mais de vinte e cinco anos. Parecia que os homens mais velhos da indústria do cinema gostavam de ter beldades presas a eles. As mulheres só ficavam ali ao lado, com os olhos insípidos encarando fixamente algo pela janela enquanto se balançavam sobre os saltos agulha e tomavam champanhe absurdamente caro. Provavelmente passavam a noite chapadas de tanto beber, mas não a ponto de se tornar inconvenientes.
Acho que, se você parar para pensar, eu não era muito diferente. Tecnicamente, eu estava ao lado de Wes pela mesma razão que todas elas estavam ali: dinheiro. Eu precisava de grana e, se elas precisavam ou queriam, realmente não fazia diferença. Ao pensar nisso, meu estômago se contraiu desconfortavelmente. Aquela revelação me fez sentir uma onda de enjoo e repulsa.
Sem perceber o que estava fazendo, comecei a caminhar pela casa às cegas. Quando cheguei à sala de estar, entrei em um corredor que não tinha visto antes. Havia um único conjunto de portas duplas no final. Pressionei o ouvido contra elas e pude ouvir o som de uma televisão. Surpreendendo a mim mesma, bati.
— Entre — ouvi Wes dizer.
Inspirando profundamente, abri a porta. Ele estava sentado, recostado na cabeceira da cama de madeira maciça. O quarto era escuro, parecido com uma caverna. Tinha uma lareira acesa de um lado e, do outro, uma parede toda de vidro — que eu suspeitava ter vista para o mar, já que sabia de que lado da casa estávamos. As cortinas estavam quase todas fechadas. Móveis masculinos, de madeira pesada, preenchiam as paredes. Olhei para a TV, pausada no que parecia ser um jogo de futebol.
Wes não disse nada quando, finalmente, meu olhar encontrou o seu. Não se moveu um centímetro sequer. A pele de seu peito nu brilhava num tom dourado à luz da lareira enquanto ele se reclinava, usando apenas a calça do pijama. Meu Deus, ele era uma obra de arte. A luz do fogo cintilava pelas ondulações do abdome musculoso e do peitoral definido, me fazendo salivar. Meu coração começou a bater muito forte, e eu tinha certeza de que ele também podia ouvir. Em vez de fingir que queria perguntar algo ou que estava perdida e voltar para meu quarto, coloquei a mão no fecho do vestido e o puxei.
Em um movimento rápido, a peça caiu no chão, formando uma pilha de seda púrpura. Wes ofegou quando joguei para trás os cabelos que estavam caídos na frente do meu corpo. Fiquei perfeitamente imóvel, usando apenas uma calcinha mínima de renda preta e sapatos de salto alto.
— Venha aqui. — Sua voz era profunda e tensa. O tom descontraído de antes, de quando nos conhecemos e do coquetel desta noite, desaparecera. Em seu lugar havia controle, desejo e luxúria. Minhas três coisas favoritas.
Com empenho, caminhei como um felino até a lateral da cama, parando a meio metro dele. Eu podia sentir o calor da lareira tocar minha pele, aquecendo-a. Quando o olhar de Wes observou cada centímetro do meu corpo, meus mamilos endureceram dolorosamente, enquanto o espaço entre minhas pernas latejou. A cada minúsculo movimento de seus olhos sobre uma curva, uma parte nua, meu clitóris pulsava, implorando para ser tocado.
— Vire-se — foi a segunda coisa que ele disse depois que entrei. Não falei nada. Ainda de sapatos, girei, mostrando a ele o meu traseiro. Ele grunhiu baixinho com a visão.
O calor do fogo aqueceu a parte da frente do meu corpo, e, quando pensei que morreria com a expectativa, uma carícia, leve como uma pluma, começou em minha nuca, descendo pelo pescoço e se movendo lentamente pela coluna, tocando cada curva e saliência. Ofeguei ao sentir que o mesmo calor que me envolvia na frente atingiu também minhas costas, mas não vinha da lareira. O cheiro de mar e de homem permeava o ar ao meu redor, e eu fechei os olhos. Quando o toque leve ficou mais intenso, a mão de Wes segurou meu braço e me puxou para ele. Pele contra pele.
Pude sentir sua respiração em meu pescoço quando ele afastou meu cabelo para o lado. O outro braço me envolveu, e uma mão forte apertou um seio nu assim que seus lábios tocaram a base sensível do meu pescoço. Não pude evitar. Gemi no momento em que o polegar e o indicador pressionaram a ponta dura, enviando ondas de excitação por todas as minhas terminações nervosas.
— Linda, nós precisamos definir algumas regras básicas. — Sua voz era um murmúrio contra minha pele. Ele girou a língua sobre um ombro e deu uma mordida.
Eu gemia.
— Regras básicas? — Mal consegui pronunciar as palavras enquanto desfrutava de seus dedos talentosos puxando e esfregando meus mamilos. Meu corpo estava em estado de alerta máximo, suas mãos massageando e acariciando meus seios à medida que aqueles dedos implacáveis provocavam em cada mamilo uma doce tortura.
— Regra número um: vamos fazer uma quantidade insana de sexo este mês. — Ele pressionou as duas pontas ao mesmo tempo, com mais força. Gritei em êxtase, o calor entre minhas pernas encharcando o fio de tecido que eu usava.
— Isso é uma regra? — perguntei, sem fôlego, inclinando-me mais em sua direção, pressionando a bunda contra sua grossa ereção. Me pareceu uma regra boa demais.
Wes gemeu e contra-atacou, torcendo meus mamilos e adicionando uma quantidade perfeita de dor ao prazer.
— Regra número dois: enquanto estivermos juntos, somos apenas eu e você. Pelo mês inteiro nós vamos ser monogâmicos.
Mordi o lábio e me concentrei em movimentar os quadris, pressionando o que eu podia sentir que era um pacote bastante impressionante.
— Concordo.
Ambas as mãos se afastaram do meu peito por um instante para em seguida voltar, meio molhadas. Elas deslizavam suavemente em cada aréola e eu derreti, quase incapaz de me manter em pé.
Ele deve ter sentido minha instabilidade e se mexeu para colocar um braço ao redor da minha cintura, me prendendo, mas manteve a doce sedução em meus seios. Caramba, o homem era meu novo herói. Se ele continuasse com aquilo, eu gozaria sem sequer ter sido penetrada. Estendi um braço para trás, segurando-o pelo pescoço, curvando meu corpo em sua mão, desejando demais beijá-lo, mas seu aperto em minha cintura e a pressão firme de seu corpo em minhas costas me impediram.
— Regra número três: nós nunca vamos dormir na mesma cama. Não queremos confundir isto com algo que não é. Eu gosto de você, Mia. Muito. Não quero magoá-la fazendo você acreditar que estou em condições de ter um relacionamento. Tudo bem? — A mão que estava em minha cintura se moveu para baixo, muito baixo, até que estava ali, bem onde eu mais queria.
— Ah, puta merda, entendi — eu disse, mexendo os quadris contra seu dedo em movimento. E eu entendia. Nós queríamos a mesma coisa: amizade e alívio físico.
Ele riu contra meu pescoço, os sopros de ar movimentando meu cabelo. De repente ele me virou, caiu de joelhos e desceu minha calcinha. Ela ficou presa em meus tornozelos, já que eu não havia tirado os sapatos. Quando meu olhar se fixou no seu, ele me abriu com os polegares, tocando-me com a língua, descendo direto para o clitóris.
— Oh, oh, oh. — Fui relegada a monossílabos e nada mais.
Entre lambidas, eu podia jurar que ele começou a falar. Meu cérebro teve muita dificuldade para entender, mas finalmente ele se afastou e eu voltei a lhe dar total atenção, agarrando seu cabelo, tentando empurrá-lo de volta para minha fenda sensível.
— Regra número quatro. — Seus olhos brilharam e ele inalou meu cheiro. Em seguida lambeu os lábios, como se estivesse degustando uma iguaria em um banquete. — Nunca se apaixonar — disse com um sorriso, sugando então a protuberância pulsante, passando a língua na ponta.
Quase caí. Inclinei-me para trás, e ele me ajudou a me deitar na cama, com as pernas balançando sobre a beirada, abrindo-as ao máximo — com ele entre elas.
— Isso pode ser impossível... — sussurrei, enquanto sua língua se movia sobre meu sexo. Eu estava no limite quando ele parou no meio de uma combinação perfeita da língua e do dedo em ação. Gemi alto.
— Como é? — ele disse, a voz firme como o fio de uma navalha. Segurei seus cabelos e me apoiei nos cotovelos.
— Relaxa, Wes. Estou apaixonada pela sua língua. Agora retome a ação e me faça gozar para que eu possa retribuir o favor.
O sorriso mais sexy que já vi surgiu em seu rosto.
— A melhor decisão que eu tomei na vida foi contratar você. — Ele lambeu os lábios e se inclinou para se deliciar na carne molhada. Levantei os quadris.
— Prove — desafiei. E ele o fez, repetidas vezes.
— Por que mesmo nós vamos jantar com esse cara? — perguntei, enquanto Wes me guiava até o elevador que nos levaria a um restaurante no topo de um arranha-céu. Eu morava em Los Angeles havia seis meses e nunca tinha ido a um jantar elegante durante esse tempo. Isso me fez pensar em como minha vida amorosa era triste. Pelo menos, com este trabalho, comecei a experimentar as coisas boas da vida... Eu esperava que fosse um efeito colateral agradável. Acho que dependeria do cliente. Agora, porém, eu estava segurando a mão daquele que eu considerava o homem mais sexy do mundo — e aproveitando ao máximo.
Na noite passada, depois que ele me satisfez várias vezes com a boca, retribuí o favor, dando a ele o que eu consideraria um boquete de primeira. Depois que ele gozou, tomamos banho juntos e conversamos. Quando notei que ele ficou duro mais uma vez, prontamente me pus de joelhos e cuidei dele. Em seguida ele me levou, com os dedos, a mais um estado de felicidade saciada. Por estranho que pareça, esta manhã percebi que ainda não fizemos sexo de verdade. Além disso, não nos beijamos. Foi, de longe, a melhor experiência sexual que já tive, no entanto o lado emocional foi deixado para trás. Talvez esse fosse, na verdade, o truque. Minha melhor amiga, Ginelle, e todas as outras amigas já tinham descoberto isso.
Apenas trepar... sem amarras.
Para mim, isso não era nada natural. Ainda que eu me considerasse uma pessoa forte, cheia de atitude e sempre focada em meus objetivos, me apaixonei por cada homem com quem transei.
Cada um deles.
Depois da noite passada, porém, me senti melhor com Wes do que jamais me senti com qualquer um deles, e tudo se baseou em respeito mútuo, amizade e uma boa quantidade de orgasmos perfeitos. Depois de terminarmos o banho, ele ficou no quarto e eu segui pelo corredor, passando pela sala de estar e me jogando na cama assim que cheguei ao meu quarto. Lembro-me vagamente de Wes me cobrir e beijar minha testa com um “Boa noite, linda”. Então, acordei com minha agenda do dia sendo enfiada debaixo da porta, e ovos com bacon na mesa do café da manhã. Enquanto Wes e eu analisávamos os compromissos da semana, a sra. Croft nos serviu. Wes explicou os pontos mais delicados — se um evento era casual ou não, por exemplo — e eu fui fazendo anotações sobre roupas, cronogramas e objetivos de cada saída.
Parecia um trabalho de verdade. Como se eu fosse a assistente pessoal de Weston Charles Channing Terceiro e não uma prostituta. Tecnicamente eu não era uma prostituta, embora tivesse tido contato sexual com ele no primeiro encontro. Mas isso foi porque eu estava com tesão, me sentindo sozinha e mal comigo mesma. E ele era gostoso. Wes definitivamente resolveu meu problema e definiu as regras. Eu estava feliz com elas e planejava cumpri-las. Sem trepar com outras pessoas, nada de dormir juntos, no sentido real de dormir, e não se apaixonar. Mole, mole.
Wes apertou o botão para o último andar e se inclinou contra a parede do elevador.
— É uma reunião com o diretor principal do quarto filme da série Honor, que se chama Código de honra. É sobre um soldado que escreve mensagens e códigos secretos para seus oficiais enquanto atua como agente infiltrado junto ao inimigo. Ele envia mensagens para a namorada com os mesmos códigos, mas ela não sabe o que significam até que ele a leva em uma viagem para que ela aprenda a decifrá-las.
Sorri para ele, observando que seus olhos se iluminaram ao contar o enredo.
— Parece muito romântico.
Ele sorriu e levantou as sobrancelhas.
— Essa é a ideia. Isso atrai as mulheres para filmes que são mais voltados aos homens. Sangue, violência, explosões, militares, espionagem, coisas com as quais os caras se identificam.
Assenti e o acompanhei enquanto ele me levava a uma mesa elegante com quatro cadeiras. Um homem de terno e uma loira miúda já estavam sentados ali.
— Sr. Underwood, sra. Underwood. — Wes estendeu a mão para apertar a deles. — Bom ver vocês. Esta é minha amiga, Mia Saunders.
Eu os cumprimentei e Wes puxou a cadeira para que eu me sentasse. Sorri para ele e seus olhos se suavizaram momentaneamente antes de voltar à postura de homem de negócios. A bela loira ao meu lado disse que seu nome era Jennifer e elogiou meu vestido. Na verdade era um traje bastante simples, azul-royal com um recorte na gola em V profundo, o que oferecia um bom decote, mas, tirando isso, era transpassado na frente, amarrado ao lado, sem nenhum outro enfeite. Eu usava o cabelo solto e alisado, como uma cortina preta brilhante nas costas. A melhor parte da produção eram os sapatos.
A sra. Croft podia se parecer com Mary Poppins, mas devia ter cartão fidelidade em lojas como Prada, Gucci e Louis Vuitton e estar por dentro das últimas tendências, pois acertou em cheio nas ankle boots Louis Vuitton. Se eu não conseguisse alcançar meu objetivo com esse emprego em um ano, pelo menos teria um bom dinheiro em sapatos e roupas de grife, se precisasse. Esse par custava mil duzentos e cinquenta dólares na internet. Podia parecer meio interesseiro, mas tive que verificar.
— O vestido não é nada. Dê uma olhada nestes sapatos! — Mostrei meu pé e imediatamente começamos a tagarelar sobre roupas, designers e o que ela fazia durante o dia. Basicamente nada. Ela era, oficialmente, uma esposa-troféu e passava os dias cuidando para que as necessidades do sr. Underwood fossem atendidas. Percebi que isso significava que ela fazia o que queria o dia inteiro, se certificava de que a cozinheira preparasse o que o marido gostava, que a empregada cuidasse das roupas dele, mantivesse a casa limpa e que ela estivesse deslumbrante, depilada, definida e pronta para quando ele chegasse em casa depois de trabalhar o dia todo.
— É verdade. Não sei o que fazer sozinha — Jen sussurrou. Isso aí, em vinte minutos já estávamos nos tratando pelo primeiro nome e ela estava me contando seus problemas. Eu tinha esse efeito sobre as pessoas. Descobri que ela conhecera o marido, com quem se casara havia apenas um ano, no auge de seus vinte e três anos (ele tinha trinta e oito), quando fora escalada como figurante em um de seus filmes. Aparentemente, fora amor à primeira vista (ou desejo à primeira vista). Ri internamente da minha própria piada.
Retorcendo os lábios, inclinei-me para perto dela.
— Por que você não faz trabalho voluntário ou algo assim? Tem algum hobby?
Seus grandes olhos azuis, como os de uma corça, piscaram alegremente.
— Eu amo nadar. Nado todos os dias! — Ela realmente parecia gostar. Seu corpo era esbelto, mas não da forma anoréxica que era moda em Hollywood. Ela definitivamente tinha peitos falsos, mas eles ficavam bem em seu manequim trinta e oito.
— Você poderia fazer trabalho voluntário em alguma instituição de jovens — sugeri, mas ela franziu o rosto e balançou a cabeça.
— Acho que o Jay não iria gostar muito.
Refleti a respeito por um minuto.
— Você gosta de crianças?
Mais uma vez, seus olhos se iluminaram como velas em um bolo de aniversário.
— Eu amo crianças! Acredite ou não, eu era professora de pré-escola antes de conhecer o Jay. — Ela olhou para o marido e seu sorriso se ampliou. Vi quando ele olhou para ela, piscou e continuou a conversar com Wes. Ela se virou para mim, mais animada do que antes. Era contagiante de tão feliz que estava.
— Por que você não trabalha com crianças, ou, melhor ainda, por que não tem um filho?
Sua cabeça oscilou, como se tivesse sido atingida. Então ela olhou para Jay e depois para mim.
— Estamos casados há um ano, e namoramos por poucos meses antes disso. Você não acha que é muito cedo? — ela perguntou, embora eu pudesse ver suas engrenagens funcionando.
Dei de ombros e tomei um grande gole do meu vinho.
— Não importa o que eu acho. Só importa o que vocês dois acham e querem. Se você quer ter filhos e é jovem o suficiente para isso, vá em frente. Além disso, ele é quinze anos mais velho que você. Pode ser mais difícil para alguns nadadores encontrarem o caminho. Talvez leve algum tempo até você engravidar. — Recostei-me na cadeira, despreocupadamente.
Enquanto pensava nisso, Jen foi ficando entusiasmada. Suas costas estavam eretas, os joelhos balançando, e ela não conseguia parar de se mexer e sorrir. Seus olhos estavam fixos no marido. Novamente, ele se virou e olhou para ela. Mas desta vez levantou um dedo para Wes, para interromper o que estavam falando. Eu havia me desligado da conversa dos homens quando percebi que Jen não era uma loira burra.
— O que houve, querida? — Jay perguntou à mulher.
Ela abriu um grande sorriso, e juro que ele poderia levar a paz ao Oriente Médio.
— Só estou feliz. Mal posso esperar para conversarmos quando chegarmos em casa. — Ela se inclinou e colocou a mão sobre a dele na mesa. Ele chegou perto dela, deu um selinho em seus lábios e acariciou seu nariz.
— É algo que não pode esperar? — perguntou, preocupado, redirecionando completamente o foco para a mulher.
Ela o beijou suavemente e balançou a cabeça.
— Não, é uma coisa boa. Muito boa.
Wes se inclinou e deslizou um braço ao meu redor.
— Algo que eu deva saber? — perguntou, em tom conspiratório.
— Dou o serviço mais tarde — sussurrei em seu ouvido, me referindo à fofoca.
— Estou contando com isso. — Ele acariciou meu pescoço. — E vou querer saber o que está acontecendo ali também. — Gesticulou, inclinando a cabeça para o casal feliz que parecia estar sonhando acordado. Dei risada de sua insinuação evidente.
O jantar transcorreu sem problemas. Aparentemente, ajudei a manter Jen ocupada, o que permitiu que Jay se sentisse à vontade para discutir o próximo filme. No fim das contas, ele deixaria Wes dirigir várias cenas do casal, com diálogos mais pesados e, possivelmente, as cenas românticas na cama. Achei aquilo hilário e ri quando ele contou.
Os olhos de Wes encontraram os meus e se estreitaram.
— Desculpem. Lembrei de algo engraçado que aconteceu mais cedo. Não se incomodem comigo — falei, mas podia dizer, pela forma como Wes colocou a sobremesa de lado, que eu levaria uma bronca mais tarde.
— O que foi tão engraçado? — ele perguntou quando Jay saiu para fumar e Jennifer foi com ele.
Afastando o guardanapo, inclinei-me para perto dele.
— Só achei engraçado que o sr. Não-Estou-Em-Condições-De-Ter-Um-Relacionamento vai dirigir cenas românticas. Me pareceu completamente fora da sua zona de conforto. Só isso. — Eu ri.
Senti que havia tocado em seu ponto fraco quando ele levou a mão para a base do meu pescoço.
— Você não reclamou ontem à noite. — Sua voz baixou para aquele timbre sensual, o mesmo de quando ele estava ditando as regras. Isso fez o fogo tomar meu corpo, aquecendo o espaço entre minhas pernas.
Estávamos perto, tão perto que a distância entre meus lábios e os seus era de quatro ou cinco centímetros. Com certeza perto o suficiente para que ele pudesse sentir minha respiração em sua boca enquanto eu falava.
— A noite passada foi foda... — Ele inspirou e lambeu os lábios. Estava tão gostoso e eu o queria tanto. — Tirando... — acrescentei — ... o fato de que nós não fodemos de verdade. — Deixei a palavra “fodemos” rolar de meus lábios. — Nós fizemos sexo, não romance.
A mão de Wes segurou meu pescoço enquanto seu polegar acariciava minha bochecha e seus lábios se aproximavam ainda mais, mas sem tocar os meus. Eu praticamente senti o gosto do café que ele tomou depois do jantar.
— É isso o que você quer? Romance? — ele perguntou, seus lábios pairando contra os meus.
— Não. Eu quero foder... — Mal soltei a palavra e senti uma mão pesada pousar em meu ombro.
— Dois pombinhos apaixonados! — Jay Underwood quebrou o clima, e nós nos ajeitamos na cadeira. Eu estava começando a pensar que jamais sentiria o gosto suculento de sua boca, a pressão de seus lábios nos meus, e eu queria tanto... Caramba! Eu estava ficando muito impaciente com isso, mas de jeito nenhum daria o primeiro passo.
Wes cobriu a boca com a mão. Tenho certeza de que foi para encobrir a risada silenciosa.
— Mais tarde, linda. Temos a noite toda — prometeu.
— Sim, sim. Já ouvi isso antes. — Fingi um bocejo, levantei meu chá e tomei um gole. Morno. Blergh.
Sua boca se abriu e ele balançou a cabeça, os olhos verdes deslumbrantes à luz das velas.
— Desafio aceito.