A garota do calendário: Janeiro

Audrey Carlan · Capítulo 5 de 10

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A garota do calendário: Janeiro

Capítulo 5

 

Mal cruzamos a porta quando Wes me virou e usou seu corpo para me pressionar contra a parede. Seus lábios foram imediatamente para a pele sensível do meu pescoço. Ele lambeu a longa trilha entre minha clavícula e a parte de trás da orelha. Os pelos na minha nuca se eriçaram, arrepios percorreram minha pele enquanto eu fechava os olhos. As mãos de Wes passaram por debaixo da minha saia e sobre a minha bunda, então ele levantou uma de minhas pernas e depois a outra, sem o menor esforço, colocando-as ao seu redor. Ergueu meu corpo longilíneo e cheio de curvas contra o seu e me pressionou com força de encontro à parede.

— Vou entrar tão fundo que você vai me sentir na garganta — prometeu.

— Cacete... — falei enquanto ele me carregava na direção do meu quarto.

— Exatamente. — Ele mordeu meu pescoço, arrastando os dentes pela base esbelta.

Cada nervo, cada poro, cada molécula minha estava concentrada em se fundir a esse homem.

Sem rodeios, ele me jogou na cama e olhou para baixo.

— Tire o vestido — exigiu. Seus olhos estavam escuros, repletos de luxúria. Eu podia dizer que ele estava tentando se controlar, pois abriu e fechou as mãos, os tendões em seu pescoço inchados de desejo.

Puxei o vestido sobre a cabeça e fiquei de joelhos, usando um sutiã azul-escuro e fio dental combinando. Ao me ver exposta, ele respirou fundo e assobiou.

— Sua vez. Tire o terno — eu disse, enquanto passava as mãos sobre as taças do sutiã. Sua mandíbula estava apertada quando ele deixou cair o paletó e a gravata rapidamente, e abriu a camisa para revelar o peito bronzeado que eu tanto amava. Mordi o lábio. — Tudo. Quero tudo de fora. — Minha voz soou rouca e necessitada.

Wes sorriu. Lentamente, tirou o cinto e baixou a calça. Pegando um preservativo do bolso, rasgou-o com os dentes e o colocou em sua ereção, tudo sem quebrar o contato visual. Levei a mão às costas e abri o fecho do sutiã. Assim que sua calça caiu no chão, a peça a seguiu.

— Cacete, não consigo nem olhar para você. — Sua voz estava cheia de admiração. — Tão linda. — Ele apertou os dentes com tanta força que eu pude ouvir o barulho.

Minha sobrancelha se ergueu e eu observei toda a sua glória nua. Alto, bronzeado, músculos definidos e um pau duro e grosso, pronto para dar prazer.

— Você também não é nada mal — falei enquanto apreciava a vista.

— Prove — ele provocou com um sorriso. Minhas palavras de ontem à noite se voltaram contra mim, revelando que ele prestava muita atenção nas nossas interações. Isso me deixou feliz, tonta, de uma forma que eu não queria pensar muito a respeito.

Engatinhando para a beirada da cama, coloquei as mãos em seu peito rígido. Inclinei-me e lambi um mamilo. Ele gemeu e grunhiu baixo quando mordisquei o pedaço de carne. Suas mãos envolveram meus cabelos. Levei o rosto para perto do dele e oscilei sobre seus lábios, próxima o suficiente para que ele pudesse sentir minha respiração. Ele lambeu a boca, preparando-se para aquele primeiro toque. Mas eu não cedi. Em vez disso, beijei apenas o canto de seus lábios.

— Está brincando comigo? — ele perguntou, em um tom divertido.

Passei o queixo ao longo de sua bochecha. Em seguida, mordisquei e lambi o lóbulo de sua orelha.

— Do que você está falando? — sussurrei, certificando-me de soprar ar suficiente contra o ponto sensível, de modo que ele entendesse minha intenção.

Seus dedos seguraram meus quadris e se enrolaram em minha calcinha, puxando-a para baixo sem a menor cerimônia. Engoli em seco quando o ar encontrou meu centro molhado.

— Acho que você está — ele respondeu e, em seguida, empurrou-me para trás, sobre a cama. Caí em uma lufada contra a nuvem confortável de cobertores.

Assim que abri os olhos, suas mãos estavam em meus joelhos. Ele os afastou, viu meu sexo úmido e dolorido e gemeu. Passou um dedo pela umidade. Também gemi quando ele acariciou meu feixe de nervos sensível e apertado.

— Vou te devorar. — Seus olhos brilharam para os meus. — Mas primeiro preciso estar dentro de você.

Ele se posicionou sobre a minha fenda e colocou apenas a ponta ali dentro. Arqueei, querendo mais, precisando de mais. Usando a força do torso, ele pairou sobre mim.

— Olhe para mim enquanto possuo você pela primeira vez — disse, com um rosnado sexy e possessivo. E eu olhei. Assisti enquanto ele me tomava centímetro por centímetro. Os lábios do meu sexo foram estendidos, sua espessura me fazendo sentir completa, no limite da capacidade, mais que qualquer outro amante que já tive.

Gemi, inclinando a cabeça para trás, sem ser capaz de olhar enquanto ele enfiava os últimos centímetros para dentro. Já estava muito profundo.

— Mia — ele sussurrou, com a voz tensa. Meus olhos se abriram e encararam seu olhar repleto de luxúria. Apoiando-se nos cotovelos, ele segurou meu rosto com as duas mãos. Levou os quadris para trás e começou a se mover enquanto seus lábios tomavam os meus. Unidos naquele momento como um corpo só, não havia Wes ou Mia. Havia apenas nós.

O beijo foi ardentemente sensual, molhado e avassalador. Ele mergulhou a língua em minha boca, da mesma forma que seu pau entrou em meu corpo. Com precisão, profundidade e muito prazer, exatamente como eu me sentia, estremecendo com o esforço.

Envolvi as pernas e os braços ao redor dele, segurando-o enquanto ele me penetrava cada vez mais, seu membro alcançando lugares que eu nem sabia que existiam. Ele desencadeava sentimentos tão intensos que eu gritei e me agarrei a ele quando a primeira onda de orgasmo atingiu meu corpo.

— Puta merda, Mia. Você me aperta de um jeito tão gostoso. Mais uma vez, linda. — Wes me conduziu pelo orgasmo, mas não encontrou sua própria libertação. Nossa, o homem tinha uma energia... Tirei a sorte grande quando minha tia me encaminhou para ele.

Wes chupou meus lábios e, em seguida, saiu de dentro de mim. Antes que eu pudesse protestar, ele me virou e puxou meu quadril para cima.

— Porra de traseiro perfeito. Caramba, Mia. — Ele deu um tapa em um lado, voltando para o calor entre minhas pernas antes mesmo que a ardência provocada pelo contato deixasse minha pele.

— Porra, você sabe mesmo o que está fazendo — gemi, empinando os quadris.

Ele agarrou minhas laterais e estabeleceu um ritmo punitivo. Eu podia ouvir os sons dos nossos corpos se chocando um contra o outro.

— Preciso daquele apertão no meu pau de novo — Wes rosnou quando se inclinou sobre mim e colocou a mão entre minhas pernas. Seus dedos se concentraram em meu gatilho, e eu me perdi. Estremecendo ferozmente, as paredes do meu sexo apertaram seu pau duro até que ele rugiu. Mais três estocadas rápidas e todo o seu corpo ficou imóvel sobre a minha bunda enquanto ele pulsava dentro de mim.

Wes desabou sobre meu corpo, sua respiração saindo em ondas curtas contra os pelos da minha nuca. Nós dois estávamos sem fôlego, perdidos em nosso prazer. Ele saiu de dentro de mim e me puxou para seu peito. Passamos os minutos seguintes nos beijando como adolescentes. O quarto cheirava a mar, sexo e restos mortais do meu perfume, Trésor. Praticamente a perfeição. Se pudesse engarrafar esse cheiro, eu o usaria todos os dias.

Deitados juntos, me curvei contra seu peito.

— Então, me conta alguma coisa...

Wes riu.

— Você poderia ser mais específica?

Dei de ombros.

— Me conta algo sobre você. — Com um dedo, tracei círculos sobre seu peito.

Ele suspirou.

— Humm, você sabe que eu amo escrever roteiros de cinema. — Assenti com a cabeça. — E surfar. — Ele piscou e eu sorri. — Você conheceu meus pais e minha babá. Bom, ela era minha babá quando eu era menino. Agora ela cuida da casa.

— A sra. Croft?

Ele assentiu.

— O que mais tem para saber?

Olhei para ele, estreitando os olhos.

— Muita coisa. Você tem irmãos?

— Uma irmã. Mais velha que eu. Casada, mas sem filhos. Ela é professora em uma escola primária. O marido é o diretor da escola.

— O que basicamente explica como eles se conheceram. — Balancei as sobrancelhas e ele piscou. — Qual é o nome dela?

— Jeananna. E você, tem irmãos?

— Sim, uma irmã. Maddy, ou melhor, Madison. Cinco anos mais nova. Ela tem dezenove e está na faculdade em Las Vegas.

— Por que você se mudou para cá?

Aconcheguei-me mais perto dele.

— Eu precisava de uma mudança. E achei que atuar era minha vocação. Ainda acho, mas... — Não queria entrar na história da minha vida.

— Mas? — ele perguntou e eu balancei a cabeça. — Se você queria ser atriz, como é que virou acompanhante?

— Dinheiro. — Dei de ombros. — Você é o meu primeiro, sabia? — confidenciei. Ele se virou para mim e ficamos frente a frente. Seu rosto estava confuso. — Meu primeiro cliente — expliquei.

— Ah. E que tal? — Ele sorriu.

Fingi indiferença.

— Hum... sete, numa escala de zero a dez, eu diria.

Ele rolou sobre mim, prendendo meus braços ao lado do corpo.

— Ei! — repreendi, com um grande sorriso estampado no rosto.

— Sete? Você me dá um sete, mesmo sem ter base de comparação? — Ele me deu um beijo babado. Suas mãos tocaram minhas costelas e, instantaneamente, comecei a me contorcer. Eu uivava de tanto rir. Quando ele viu como eu sentia cócegas, começou a cutucar minhas costelas, cintura e coxas até eu me debater e gritar para ele parar, o riso distorcendo minha visão.

— Admita! Eu sou um gigantesco dez. — Ele diminuiu a velocidade e então parou com a tortura.

— Tudo bem, tudo bem. — Inspirei profundamente o ar abençoado em meus pulmões. — Posso dizer que você é um sólido oito. — Ele mexeu os dedos novamente. — Tudo bem, nove! — gritei e ele continuou com as cócegas. — Nove e meio! — Ele parou.

— Nove e meio dá margem para aperfeiçoamento... — Seus olhos brilhavam de alegria. — Vou reverter isso e transformar em dez antes que o mês acabe!

Fiquei sozinha nos dias que se seguiram, pois Wes estava trabalhando em seu estúdio no filme Código de honra. Ele voltava para casa todas as noites. Jantávamos juntos, assistíamos a um filme ou ele lia um livro. Então ele me extasiava, antes que um de nós se levantasse e fosse para seu próprio quarto. A rotina funcionava melhor do que eu imaginara. Eu tinha muita diversão e sexo mais que fenomenal, sem o risco de que emoções irritantes atrapalhassem. Esse negócio de acompanhante era demais.

Tombei para o lado depois de dar uma tremenda cavalgada em Wes.

— Agora, linda, isso sim foi a porra de um dez! — ele elogiou. Rindo, belisquei seu mamilo de brincadeira. — Ai! Megera!

— Você é louco, sabia? — Ele se inclinou e me beijou, a mão deslizando em meu cabelo, me puxando para cima dele. — De novo?

— Não tenho culpa. Você deixa meu pau mais duro que uma prancha de surfe. — Ele lambeu minha boca e apertou a parte carnuda do meu quadril.

— Você realmente comparou seu pau com uma prancha? — Ele parou de beijar e me olhou, um brilho sério no olhar.

— Comparei, não é?

Acenei, concordando, erguendo muito as sobrancelhas.

— O seu corpo me deixa burro, e eu esqueço como se faz para juntar as palavras — ele se desculpou.

— Que seja! Estou dolorida e preciso dormir. Então, levante e leve essa bunda sexy de volta para o seu quarto. — Escorreguei de cima do seu corpo novamente, acomodando a cabeça no travesseiro e me aconchegando no edredom.

A mão de Wes deslizou para cima e para baixo em minhas costas.

— Não está esquecendo de nada, linda? — ele perguntou, as palavras com um toque de humor. Abri um olho enquanto ele me encarava. — Você está na minha cama — terminou com um sorriso.

— Ai, cacete — bufei, jogando as cobertas para o lado e pulando para fora da cama enquanto ele se aninhava no edredom. Saindo de seu quarto completamente nua, ouvi-o dizer:

— Amanhã é o brunch com meus pais. Esteja pronta às dez!

— Vá se danar! — gritei por cima do ombro. Assim que me virei em direção ao meu quarto, dei de cara com Judi. Seus olhos se arregalaram quando ela viu meu corpo nu.

— Puxa! Jesus amado — ela ofegou, cobrindo os olhos. A surpresa fez seu sotaque se acentuar.

Eu me encolhi e me apressei, passando por ela.

— Desculpe, sra. Croft. Eu não queria assustá-la — falei. Do fim do corredor, pude ouvir Wes, o filho da mãe, se matando de rir. Ele deve ter ouvido quando fui flagrada por Judi. Ótimo. Ela já achava que eu era uma prostituta contratada, agora provei que ela estava certa.

— Você está adorável, Mia — a mãe de Wes elogiou, me puxando para seus braços. Foi estranha a sensação de receber um abraço maternal, como se ela realmente quisesse me dar carinho.

— Obrigada, sra. Channing. Sua casa é muito bonita. — Ela sorriu e eu olhei ao redor do solário, que estava arrumado para o brunch de domingo. Um mordomo me ofereceu um coquetel em uma taça de cristal.

Dei uma olhada pelo ambiente. Havia sido decorado com elegância e luxo. Ricos tons de dourado e creme foram combinados com bordô e marinho. A mesa estava posta com louças brancas e um padrão de renda, da mesma cor, trabalhada na extremidade. Mais talheres que o necessário para uma refeição de três pratos estavam dispostos ao lado de cada um deles. Um buquê de rosas exuberantes estava exposto no centro da mesa, trazendo a sensação de verão, apesar de ser janeiro. Mas acho que não importava, afinal L.A. não é o Meio-Oeste. Era como em casa, em Vegas; não tínhamos dias malucos de frio, em que a temperatura chegava a vinte graus negativos. Tenho certeza de que nunca ficou abaixo de zero. Pelo menos não durante os meus vinte e quatro anos de vida. Caramba, eu só vi neve algumas poucas vezes.

— Aí está você! — Uma loira sorridente apareceu. Um homem alto, muito magro, usando óculos com aro de tartaruga, vinha atrás dela.

— Oi, maninha — Wes a cumprimentou, puxando a bela mulher para seus braços. Ela recuou e apertou seu queixo.

— Você está bonito, Wes. — Ele abriu um enorme sorriso. Maior do que eu tinha visto na vez em que ele me fez cócegas.

— Mana, quero que você conheça minha amiga Mia. — Ele colocou a mão na base das minhas costas.

Estendi a mão.

— Oi. Jeananna, certo?

Ela assentiu com a cabeça e me cumprimentou.

— Então... — disse, olhando para o irmão e depois para mim. — Amiga, é?

Wes riu.

— Sim, mana. Amiga. — Enfatizou a palavra.

Ela revirou os olhos.

— Como quiser — respondeu, enquanto seus cabelos loiros balançavam e os olhos verdes brilhavam de felicidade.

Depois que as apresentações foram feitas e nós estávamos à mesa, a diversão realmente começou.

— Então, Mia, o que você faz? — Jeananna me perguntou. — Vocês se conheceram no trabalho?

Olhei para Wes e percebi que ele parecia estar sem palavras.

— Podemos dizer que sim — saí pela tangente, comendo um pedaço de quiche.

Sem cerimônia, Claire Channing se intrometeu:

— Ah, por favor. Claro que ele não a conheceu no trabalho. A Mia é uma acompanhante. Eu mesma a escolhi. Não tenho um excelente gosto, Wes? — O tom de Claire foi indiferente, nem aí para o fato de que não era nada comum escolher uma acompanhante para o filho. Definitivamente, isso era bem bizarro.

Os olhos de Jeananna se arregalaram em choque.

— Você é uma garota de programa?

Wes e eu falamos ao mesmo tempo.

— O que você disse? — perguntei, enquanto ele a repreendeu:

— Não, ela não é!

Empalideci. A quiche, de repente, pesou em meu estômago.

— Então você não está dormindo com o meu irmão? — ela perguntou, sem nenhuma ponta de malícia, como se perguntasse sobre o tempo.

— Hum... — comecei a responder.

— Isso não é da sua conta. — Wes se levantou e jogou o guardanapo na mesa. O rubor cobria suas bochechas e seu pescoço. — Não vou deixar você insinuar essas coisas sobre a Mia.

Jeananna se levantou e correu ao redor da mesa.

— Desculpe, não foi intencional! Acabei de ouvir a palavra “acompanhante” e, sabe, cheguei à conclusão errada. Eu não quis dizer nada com isso. — Ela parecia preocupada.

Claire se levantou.

— Tudo bem, tudo bem. Jeananna não quis ofender. Foi um mal-entendido — ela tentou colocar panos quentes, mas Wes não deixou passar.

— Nada disso — ele resmungou. — A Mia é minha amiga. Ela pode ter sido contratada para me ajudar a enfrentar almoços, jantares e eventos tediosos por um mês, mas não é uma prostituta. — Seus olhos se fixaram nos meus e brilharam de remorso. — Desculpe, Mia. — Eu soube então que precisava consertar as coisas.

Respirei fundo.

— Olha, foi um mal-entendido mesmo. Pensei a mesma coisa quando a minha tia Millie abordou o assunto, mas decidi tentar e estou feliz por isso. Conhecer o Wes, e agora vocês, tem sido uma experiência maravilhosa para mim. — Os olhos de Claire se aqueceram e ela voltou a se sentar, e Jeananna fez o mesmo depois de abraçar o irmão. — Além disso, vocês viram o sapato que eu ganhei? — Neste momento, virei na cadeira e ergui a perna, como minha professora de dança ensinou a fazer. — Maravilhoso!

A mão de Claire foi até a boca, cobrindo o riso. Jeananna olhou para meus pés com uma pitada de inveja. Seu marido não disse nada, mas encarou minha perna como se estivesse procurando as respostas para o universo, e o pai de Wes bateu no ombro dele, como quem diz “Muito bem, filho!”.

— Enfim, eu quero saber mais sobre vocês — mudei de assunto, tomando um gole do meu champanhe com suco de laranja. — O Wes me disse que você é professora, e você diretor. Como é essa experiência?

O restante da tarde passou sem contratempos. Claire e Weston Segundo, assim como Jeananna e seu marido, Peter, compartilharam comigo histórias de quando Wes era bebê e de como foi crescer na família Channing. Ri mais naquela tarde do que durante todo o ano passado. A vibração alegre era quase demais para alguém como eu, que nunca teve uma família de verdade, suportar. Passei a maior parte da infância e da adolescência com meu pai, que bebia, e ajudando a criar minha irmã caçula. Mesmo sabendo que meu pai nos amava mais que tudo, ele não conseguia parar de jogar ou beber para afastar as lembranças de nossa vida quando minha mãe ainda estava por perto.

Na saída, Claire fez Wes prometer me levar novamente no próximo domingo. Ele concordou. Enquanto estávamos indo para o seu jipe, ele me abraçou e deu um beijo doce em meus lábios.

— Foi divertido, sabia?

Sorri de volta. O calor enchia meu coração, a ponto de explodir.

— Foi mesmo. Um dos melhores dias que passei em muito tempo. Obrigada por me trazer.

Ele sorriu e piscou.

— Quando quiser, linda. Eles gostaram de você.

Coloquei o cinto e olhei pela janela enquanto ele dirigia para fora dos portões, de volta para a estrada sinuosa, saindo do bairro nobre.

— Gostei deles. Muito. Você tem uma família legal. É um cara de sorte.

Ele fez uma careta.

— Como é a sua família? — perguntou, tão baixo que mal pude ouvi-lo sobre o som do vento balançando meu cabelo. Inclinei-me para trás e vi a praia ao longe, as ondas quebrando ao longo da costa.

— Minha irmã, Maddy, é incrível. Ela é brilhante. Vai ser cientista. Passei a maior parte do tempo, enquanto crescia, tomando conta dela.

— Onde estavam seus pais?

— Pai — corrigi. Seus olhos encararam os meus brevemente. Dentro deles pude ver pesar e tristeza. Não por ele, mas por mim. Desviei o olhar. — Minha mãe era dançarina em Las Vegas. Abandonou a gente quando eu tinha dez anos, e a Maddy, apenas cinco.

Wes mordeu a unha do polegar, mas manteve os olhos na estrada.

— Ela nunca mais voltou?

— Não. — Balancei a cabeça. — E, por causa disso, meu pai começou a beber. Muito. E a jogar mais ainda.

Ele segurou minha mão e entrelaçou os dedos nos meus, antes de puxá-los para seus lábios, beijando o dorso.

— É por isso que você está fazendo o que está fazendo?

Eu poderia ter mentido e inventado uma história, mas isso teria arruinado o que havíamos construído — a honestidade completa e total a que tínhamos nos comprometido para fazer com que a situação funcionasse para nós dois. Em vez de responder, só anuí com a cabeça.

— Quer me contar mais? — Seu tom de voz era suave e suplicante.

Mas era muito cedo. Eu não estava pronta para compartilhar meu fardo com ninguém. Ele era um cara tão bom que iria querer resolver o problema. Pagar a dívida ou algo louco assim. E era problema meu. Meu pai e o constante desejo de salvá-lo. Era eu quem tinha que fazer isso.

— Você vai me contar algum dia?

— Sim. — Era o máximo que eu podia prometer naquele momento.