
A política no limite do pensar
Política é disputa pelo poder, e disputa aí quase sempre quer dizer contradição: é esse hábito que Giannotti examina. Começa por Aristóteles, que chama os escravos de “instrumentos animados” e mesmo assim os conta na comun-idade da polis, e pela Atenas que vivia de escravos e do tributo da Liga de Delos, logo transferido para a cidade. Depois vêm a vontade geral de Rousseau, em que o voto vencido vira erro de julgamento, o capítulo XVII do Leviatã, o discurso de Robespierre lido por Claude Lefort, os artigos de Foucault sobre a Revolução Iraniana e o valor e o fetichismo em O capital, confrontados com o capital-patrimônio de Piketty. O capítulo sobre a decisão vai de Schmitt, com o par amigo e inimigo, ao estado de exceção de Agamben. Sem revolução no horizonte, a aposta é na democracia, que recoloca amigos e inimigos como aliados e adversários.


