A Promessa do Tigre
CAPÍTULO 2 Exibição
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Exibição
Perdi o fôlego e m eu corpo ficou paralisado. Num instante de pânico, pensei ter desaparecido, m as o rei olhava sucessivam ente para m im e m eu pai, tentando avaliar nossas reações. Felizm ente, o véu disfarçou o choque, que consegui esconder depressa. A tensão na m ão de m eu pai não transparecia em seu rosto, e ele deu um sorriso forçado.
– E há quanto tem po planej a isso, Grande Rei? – indagou Lokesh educadam ente, em bora eu soubesse que ele estava fervendo de raiva.
Fiquei com o estôm ago em brulhado, doendo – um a indicação de que m eu pai estava concentrando o poder à sua volta. Eu nunca o sentira em anar dele com tanta força antes. Praticam ente percebia as trevas se fundindo dentro dele, fervilhando, crescendo com o um vulcão prestes a entrar em erupção. Causou-m e surpresa ver sua capacidade de contê-las.
– Ah, faz várias sem anas, pelo m enos. Devo adm itir que estou satisfeito com o resultado. Tudo indica que a oferta despertou o interesse de m uitos hom ens poderosos. Eu m e em penhei m uito em alim entar o desej o deles de desposar a filha de m eu fam igerado conselheiro m ilitar. O fato de tantos deles estarem presentes hoj e é um tributo à nossa reputação m útua e às suas incursões em nom e de m eu reino, m eu am igo. Para não m encionar os boatos verdadeiros e conhecidos por todos acerca de sua beleza, m inha querida.
O rei acrescentou essa últim a parte tentando m e baj ular, m as suas palavras m e deram calafrios. Eu sabia que nada convenceria m eu pai a m e casar com alguém , nem m esm o um hom em do qual ele possivelm ente tivesse algo a ganhar. O fato era que eu pertencia a ele, que não tinha a m enor intenção de m e deixar partir. Isso ficara m uito claro ao longo dos anos.
Finalm ente, m eu pai se pronunciou. Com um sorriso dissim ulado, disse:
– É um a im ensa satisfação serm os úteis à casa real. Minha filha ficaria... honrada em conhecer os pretendentes que o senhor trouxe ao nosso reino.
Não ignorei o “nosso” que m eu pai usou para se referir ao reino, m as, fora isso, o que ele disse m e causou perplexidade. Ao ver que ele não encontrara um a form a inteligente m as educada de rej eitar a oferta do rei, não pude deixar de m e perguntar qual seria sua estratégia.
É claro que ele poderia ter argum entado que eu era j ovem dem ais, que era a única m ulher para cuidar da casa desde que m inha querida m ãe falecera – m entira em que alguém ingênuo com o o rei facilm ente acreditaria – ou que não era o m elhor m om ento. Até m esm o eu seria capaz de pensar em vários m otivos para racionalizar um a rej eição discreta à oferta do rei.
Talvez m eu pai sim plesm ente não quisesse deixar o rei constrangido. Pode ser que tivesse sido pego de surpresa e ainda não houvesse pensado em um a alternativa. Arrisquei um a olhada ao hom em de pé ao m eu lado e vi que ele estava novam ente controlado, bancando o diplom ata enquanto exam inava cada um dos pretendentes. O poder crescente que eu havia sentido dim inuíra, ocultando-se de todos, com exceção dos m ais perspicazes.
Por m ais que eu tentasse im pedir que desabrochasse em m eu coração um a esperança de que a oferta do rei viesse a se concretizar, isso aconteceu. Mesm o os hom ens m ais vis presentes na festa eram m elhores alternativas do que continuar com m eu pai. Bastaria um descuido da segurança, um instante de despreocupação, um fragm ento de confiança, e eu fugiria com Isha. Talvez esse plano absurdo fosse a m inha salvação.
O rei fez o anúncio im ediatam ente, convidando m eu pai e eu a ficarm os de pé ao lado dele na tribuna.
– Meus am igos, aproxim em -se! Com o todos sabem , eu não fui abençoado com filhos e não tenho um sucessor real. Mas isso não quer dizer que m eu reino sej a desprovido de j oias preciosas. Com efeito, m eu inteligente e m ais leal conselheiro m ilitar tem um a filha m ais adorável que um a deusa, e ele gentilm ente m e cedeu a oportunidade de oferecê-la em casam ento com o se eu m esm o fosse seu pai. O que buscam os é um a união, um a com binação perfeita. Ela desej a se unir ao noivo adequado, é claro, porém se tratará de um a fusão não apenas de pessoas, m as de nações, de poder e de riquezas. Venham ! Vej am m ais de perto. Seu decoro é im pecável. Sua inocência e sua j uventude perm itirão que o m arido a m olde ao tipo de com panheira que lhe sej a m ais apropriado. Ela será um a esposa m ais perfeita do que vocês j am ais sonharam .
O rei ficou de pé e deu um a volta ao m eu redor. Relutante, m eu pai soltou m eu braço. Ser exibida assim era hum ilhante, m as era ainda pior saber que m eu pai encontraria algum a form a de m e culpar pelos atos do rei. Não som ente m e daria um a surra severa com o em hipótese algum a deixaria a cidade. Ao m enos enquanto m eu futuro estivesse incerto.
Apreciando o fato de ser o centro das atenções, o rei prosseguiu com um floreio. Cada frase sua agitava ainda m ais a m ultidão:
– Em verdade, nunca vi um a flor de tam anha beleza. É um a j oia tão rara quanto preciosa. Posso afirm ar isso pois sou um dos poucos privilegiados que j á a viram sem o véu.
Nesse m om ento, m eu pai olhou para m im com os olhos faiscantes com o lâm inas afiadas. Desde m uito tem po ele insistia que eu usasse o véu em público e eu sem pre havia obedecido. O rei nunca tivera a oportunidade de ver m eu rosto – ou ao m enos isso era o que eu acreditava. O único lugar em que ficava sem véu era nos m eus aposentos.
– Preciso confessar, m eu am igo. – O rei deu uns tapinhas nas costas de m eu pai. – Eu estava passando pela sua residência e vi sua filha pela j anela aberta, o rosto radiante ilum inado pelo luar. Fiquei cativado por suas lindas feições.
Senti o coração pesar. Geralm ente eu tinha todo o cuidado para m e esconder do m undo exterior, m as, na lua cheia, uns m eses atrás, eu não estava conseguindo dorm ir. Fazia calor e fui em silêncio até a j anela, deixando que a brisa am ena e a luz fria da lua banhassem m inha pele quente. Deve ter sido nessa ocasião que o rei m e viu.
Agora, graças à confissão do rei, eu seria transferida. Não haveria m ais flores porque não haveria m ais j anelas. Isha e eu seríam os instaladas em algum a m asm orra fechada, sem luz, sem ar, sem sequer um vislum bre do m undo lá fora.
Abatida, continuei prestando apenas um m ínim o de atenção ao rei.
– Em bora eu sej a um hom em velho – disse ele –, ainda assim fiquei encantado com sua enorm e beleza. Meu conselheiro m ilitar a m anteve todos esses anos som ente para si, m as ocultar este tesouro do m undo é um crim e. Assim , hoj e m eu presente para vocês será perm itir que partilhem do esplendor de m eu palácio, apreciem os frutos suculentos de m eu j ardim e se deleitem com a perfeição de nossas m ulheres.
Eu não sabia o que o rei ia fazer até que eu o notei atrás de m im . Meio sem j eito, ele arrancou m eu véu, descobrindo m eu rosto. Os gram pos foram puxados dolorosam ente dos m eus cabelos, e várias m echas pretas e com pridas caíram soltas j unto com o véu dourado. Eu m e senti nua e exposta, m as fiquei firm e, sabendo instintivam ente que tentar m e esconder não seria a coisa certa a fazer.
Por algum a razão, m eu pai perm itira aquilo. Talvez fosse para m e ensinar um a lição ou para m e colocar em m eu lugar. Qualquer que fosse o m otivo, senti a necessidade de m e proteger e, no que dizia respeito a m eu pai, proteção significava som ente um a coisa. Assim , endireitei os om bros, adotei um a expressão im passível e baixei o olhar.
O rei pôs a m ão sob m eu queixo e ergueu m inha cabeça.
– Perm ita que todos a vej am , m inha querida.
Eu lhe dei um sorriso educado e olhei em volta, para as pessoas que m e encaravam . Pude ouvir alguns arquej os. Vários hom ens m e lançaram olhares m aliciosos e algum as m ulheres m e observaram com evidente invej a. Outros ainda m e fitavam com pena ou m e exam inavam da cabeça aos pés de form a fria e calculista. Contudo, qualquer que fosse a reação de cada um , parecia não haver um a alm a no salão que não tivesse os olhos fixos em m im .
Mas então a encontrei. Um único hom em estava no fundo do salão, de pé, observando a estátua da deusa Durga. Ele segurava um prato cheio e estava de costas para nós enquanto com ia, aparentando total desinteresse no anúncio do rei.
O hom em era j ovem – talvez apenas poucos anos m ais velho do que eu. Vestia um casaco preto com detalhes dourados que acentuavam seus om bros fortes e sua cintura estreita. Os cabelos cheios, na altura dos om bros, tinham cachos nas pontas, e m e surpreendi ao perceber que queria ver seu rosto. Por que um homem viria à celebração se não quisesse participar dela? Talvez não tivesse interesse em arrum ar um a noiva. Quando ele tocou exatam ente no m esm o ponto da m ão da deusa em que eu havia tocado antes, m inha curiosidade se aguçou. Quem era ele?
– Aí está. Eu não disse que ela era linda? – perguntou o rei abertam ente.
– De tirar o fôlego – m urm urou um hom em que m e olhava de form a lasciva e m e lançou um sorriso sugestivo.
– Adorável – acrescentou um senhor m ais velho que se aproxim ou, se apresentou a m eu pai e lem brou ao rei quem era.
Ele parecia gentil. Talvez estivesse se oferecendo com o noivo.
Eu nunca m e perm itira considerar a possibilidade de ter a chance de m e casar com um hom em j ovem e bonito, alguém que eu pudesse am ar e em quem pudesse vir a confiar. Para os m eus obj etivos, um hom em m ais velho talvez fosse um a escolha m elhor, pois provavelm ente seria m ais fácil escapar dele. Quando um cavalheiro m ais m aduro olhou em m inha direção, eu lhe dei um sorriso tím ido.
Meu pai estava ocupado e não viu, m as Haj ari, sim , e eu sabia que teria que prestar contas depois. Talvez pudesse conseguir m e salvar com alguns sorrisos cautelosos e um pouco de interesse fingido. Quando o rei m e apresentou form alm ente ao velho sultão, criei coragem e perguntei se ele gostaria de m e fazer com panhia.
Ele ficou encantado e ofereceu o braço para m e acom panhar até as m esas do bufê. O rei nos observou com orgulho. Eu não ousei olhar para m eu pai. Infelizm ente, m eu segurança nos seguia de perto.
– Não ligue para Haj ari, o m eu guarda – falei. – Meu pai m e am a cegam ente e sem pre zela pela m inha segurança.
– Claro, eu com preendo – respondeu o hom em bem -vestido. Enquanto enchia um prato para nós dois, ele perguntou: – A senhorita gostaria de m orar à beira-m ar?
– O senhor m ora em Mum bai? – perguntei atenciosam ente.
– Não, m oro em Mahabalipuram . Já ouviu falar de m inha cidade?
– Confesso que não.
– Nossa cidade é agitada, com um porto bem m ovim entado. Fazem os com ércio com m uitas terras distantes e tem os vários artesãos e escultores que em belezam nossos tem plos e santuários. Talvez devesse considerar nos fazer um a visita.
– Ela não gostaria de m orar num a cidade de m arinheiros rudes, Devanand. O lugar dela é num a cidade bela. Perm ita-m e m e apresentar, m inha j ovem . Meu nom e é Vikram Pillai.
– Ora, você é um m ercador! Seu título foi com prado. Eu tenho sangue real! – disse Devanand.
– Seu sangue é velho. Ela precisa de um noivo capaz de cam inhar sem aj uda.
– Com o se atreve?! Por favor, querida, não dê ouvidos às tolices dele. Um a j ovem inocente e cheia de viço com o a senhorita não deve ser subm etida a essas perturbações inadequadas.
– A j uventude dela é a grande questão. Eu sou um pretendente m uito m elhor. E tenho m uita riqueza a oferecer. Ninguém possui caravanas de com ércio m ais lucrativas do que as m inhas.
– Você pode ter m ais dinheiro à sua disposição, m as não se esqueça de que eu possuo um a frota. Um a aliança com m eu reino seria um a decisão m uito m ais sábia.
– Isso é o que verem os!
– Pode ter certeza disso!
Senti-m e grata quando o hom em m ais j ovem de bigode caído nos deixou em paz, m as ele não foi o único a nos interrom per. Vários hom ens nos cercaram , cada um disputando a m inha atenção e oferecendo riquezas, terras, títulos, coisas inim agináveis em troca da m inha m ão. Era sufocante. O pouco de com ida que eu conseguira pegar de nosso prato em com um logo se transform ou em cinza em m inha boca. Um a m ão agarrou m eu braço e m e puxou para fora do círculo de um j eito não m uito delicado.
– Cavalheiros, m inha filha retornará em alguns instantes. Por favor, perm itam -m e conversar com ela em particular um m om ento.
Meu pai segurava m eu braço de m odo resoluto e exibia um a expressão estranha. Não havia dúvida de que estava irritado com toda aquela situação e considerava o assédio dos hom ens de m uito m au gosto. Mas, ao m esm o tem po, por trás de seu olhar havia algo, um prazer inexplicável que fez m eu sangue gelar.
Ele m eneou a cabeça, cum prim entando alguém que passava, e esperou até ficarm os a sós. Então disse, em voz baixa:
– O rei gentilm ente nos convidou – o sarcasm o escorrendo das palavras – a passarm os a noite aqui. Você vai se retirar para a ala das m ulheres. Assim que o rei der boa-noite aos convidados, Haj ari a acom panhará até os portões externos. Quero que se com porte com o decoro que eu espero e, de m anhã, eu a m andarei cham ar. Se eu descobrir qualquer coisa, o que quer que sej a, no seu com portam ento que eu considere inadequado ou que não sej a de m eu agrado, Isha sofrerá horrivelm ente. Estou sendo claro?
– Sim , pai.
– Muito bem . Agora, cubra o rosto. Os hom ens j á a observaram o suficiente por hoj e.
– Claro.
Im ediatam ente voltei a prender o véu e, quando estava do agrado de m eu pai, ele m e deixou de novo a sós com Haj ari, que sussurrou no m eu ouvido:
– Você pensa que esta é sua chance de ir em bora, m as não vai a lugar algum . Está se exibindo por aí com o se fosse o grande prêm io do rei, m as nós dois sabem os que não passa de um brinquedinho. Um a pequena boneca quebrada. – Haj ari se arriscou a passar a m ão pelo m eu braço. Fiquei rígida, m as não disse nada. – Eu sei algo que todos esses hom ens não sabem . Você bem que gosta de apanhar. Um dia, quando seu pai não estiver de olho, vou lhe m ostrar com o é que se brinca de verdade.
Felizm ente, outro pretendente apareceu naquele m om ento e Haj ari se afastou. Passei o resto da noite ocupada, de braços dados com vários hom ens que tentavam m e conquistar de um j eito ou de outro, em bora todos soubéssem os que a decisão estava nas m ãos do rei e de m eu pai, não nas m inhas. Se eu pudesse escolher, provavelm ente ficaria com Devanand. A ideia de que Isha e eu pudéssem os desaparecer em um navio rum o a um a terra distante era sedutora.
Ao longo da noite, em algum as ocasiões vi de relance o estranho que vagava pelo salão, sem pre em silêncio. Não havia dúvida de que fosse um guerreiro. Sua constituição forte e seus trej eitos deixavam isso óbvio. A certa altura, um a serviçal que carregava um a bandej a com frutas fatiadas tropeçou e ele não só segurou a bandej a com o aj udou a m ulher a se equilibrar. Naquele m om ento, ele se virou e perdi o fôlego. Era o hom em m ais lindo que eu j á tinha visto.
Novam ente de braços dados com Devanand, perguntei com cautela:
– Quem é aquele j ovem ? O que está ali, vestido de preto.
– Onde?
– O que está conversando com Vikram Pillai – m urm urei.
– Ah, é o filho m ais j ovem de Raj aram .
– Raj aram ? – indaguei.
– É. O irm ão dele é o herdeiro do trono, então ele não seria um bom pretendente para a senhorita, se é isso o que está pensando. Mas não m e surpreende que tenha perguntado. Ele é j ovem e im agino que um a m oça com o a senhorita o considere atraente.
Rapidam ente dei palm adinhas no braço do rei de Mahabalipuram e reforcei sua autoestim a.
– De m aneira algum a. Eu apenas não fui apresentada a ele ainda.
– É pouco provável que ele se case antes do irm ão. Talvez tenha vindo negociar a m ão do irm ão em seu lugar.
– Isso não foi m encionado. Além do m ais, ele é m uito j ovem , e pode ser m ais conveniente para m im desposar alguém com m ais experiência. Um hom em de m ais idade pode m e aj udar a navegar pelas águas conturbadas da j uventude. Não concorda?
Ele riu, satisfeito com m inha referência à cidade dele, e m e apresentou a outros hom ens que considerava seus aliados.
Finalm ente as festividades foram concluídas e aqueles que passariam a noite no palácio foram acom panhados até seus respectivos aposentos para descansar. Haj ari e eu seguim os um a serviçal que nos conduziu ao longo de um a série de corredores com pridos. Estava tarde e a lua cheia proj etava sua doce lum inosidade sobre nós. A cada poucos passos, um portal descoberto perm itia que a brisa am ena da noite agitasse m inhas saias.
Quando chegam os a um portão duplo m inuciosam ente entalhado, a serviçal se inclinou em reverência e o abriu, indicando que eu devia entrar. Haj ari estreitou os olhos, com o num a advertência, m as não disse nada. Após as portas se fecharem atrás de m im , bloqueando a visão do guarda de m eu pai, dei um suspiro de alívio e segui a serviçal.
Ela m e conduziu até um quarto espaçoso, com um a cam a enorm e. Um banho havia sido preparado e ela ficou para m e aj udar. Um a cam isola fora deixada para m im , e, quando eu j á estava à vontade, a serviçal partiu. Fiquei sozinha. Realm ente sozinha. Não sabia o que aconteceria com igo quando o sol nascesse na m anhã seguinte, m as, por ora, estava fora de perigo.
Sem conseguir dorm ir apesar de estar exausta, m e levantei da cam a e fui até a sacada. A lua estava m ais baixa, m as calculei que havia se passado apenas um a hora desde que eu fora m e recolher. A brisa suave trazia o arom a de j asm ins e ouvi o som inconfundível de água. Um a série de degraus ligava a sacada a um andar superior, e de repente percebi que o j ardim suspenso do rei poderia estar a poucos passos de distância.
Olhando à m inha volta, m e tornei invisível e, oculta e guiada pela luz do luar, adentrei a noite.