Amor de Salvação

Camilo Castelo Branco · Capítulo 13 de 26

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Amor de Salvação

Capítulo XI

Sorriu Affonso do meu melindroso sentimentalismo, retorceu destrahidamente os longos bigodes por sobre a barba listrada de fasciculos brancos, afogueou o seu cachimbo de barro negro, e continuou:

«Eu é que verdadeiramente chorava, quando acabei de lêr esse papel. Ficas sabendo a impressão que em mim fez a carta de Theodora. Não ha vergonha que eu omitta n'esta confissão geral. Sou o juiz do homem que fui. Julguei-me e condemnei-me ao opprobrio de levantar da lama o coração velho, e mostral-o com nausea ao enojo dos que vão passando...

—Mas eu não vejo ahi cousa indecorosa de que te envergonhes!...—atalhei.

«Vês, pelo menos, a baixeza do meu espirito, senão antes a crassa sandice de pensar que as accusações de Theodora estavam justificadas por essa frandulagem de palavras sonoras, e apostrophes melo-dramaticas. O castigo da minha miserrima estupidez virá depois... Lá chegaremos.

«Li terceira vez a carta, e abri a janella do meu quarto. O vento ramalhava nas carvalheiras, e o céo d'aquella noite não tinha uma estrella. Appeteci embrenhar-me na escuridão do arvoredo. Abri de manso a porta do meu quarto, e, pé ante pé, ganhei a varanda d'onde era facil o salto á rua. Acabava eu de saltar, quando do escuro de uma janella contigua á varanda, me surdiu a voz de Mafalda.—Não tinhas necessidade de saltar, primo—disse ella— Chamasses que se te abriam as portas.

«—Estás a pé ainda, minha prima?—perguntei eu, corrido da surpreza, e algum tanto contrariado da espionagem.—Nunca me deito mais cedo—respondeu ella com brandura—Quando as noites são assim tristes, gosto de as vêr... Está vento, primo;—continuou retirando-se—não estejas ahi ao ar desamparado. Boas noites.»

«E fechou rapidamente a janella.

«Encaminhei-me á alamêda dos banhos, na inepta esperança de vêr alli vestigios de Theodora, ou não sei se ella mesma. Não sei ao que ia. É impossivel explicar o intento que nos impelle em casos semelhantes, quando a gente, alguns annos depois, inquire de si mesmo o sentido das suas intenções: são actos estranhos á razão, dos quaes só póde desculpar-se o delírio. A verdade é que eu fui á alamêda, e andei, palmo a palmo, recordando-me do local em que ella me sahiu, e a direcção que tomára na retirada. Sentei-me n'um dos bancos de pedra, e conjecturei se ella teria estado alli sentada. Cerrei ouvidos a todos os rumores para escutar o som das palavras de Theodora, que me ecoavam do intimo coração. Atirei com a alma supplicante e desesperada áquelle céo de bronze, negro como ella. Pedia a Deus o esquecimento da mulher, com a vehemencia do justo atribulado que pede a corôa do triumpho.

«Levantei-me, e andei por as trevas, esbarrando nas arvores, e refrigerando o fogo da testa e mãos nas fontes e charcos que topava. Ao arraiar da manhã, estava eu nas raizes da Falperra. Senhoreou-me então um somno lethargico e invencivel. Adormeci com a face encostada á raiz d'uma arvore, e acordei, coberto de camarinhas de orvalho, ao calor dos primeiros raios do sol. Retrocedi pela estrada das Taipas, e entrei em casa, quando meu tio Fernão, admirado de minha falta, andava indagando dos criados, se eu sahira de madrugada.

«Mafalda appareceu-me com o semblante pallido, os olhos raiados do muito chorar, e o azul-violeta das olheiras carregado e distendido até meia-face. Meu tio ligeiramente alludiu á minha falta, na presença da filha. Sahimos da mesa de almoço, e entramos na sala, onde Mafalda recordava as suas musicas ao piano, e, algumas vezes, se acompanhava cantando. N'este dia, a adoravel penitente sentou-se ao piano; e, com uma só das mãos, dedilhou umas toadas monotonas, mas celestialmente saudosas e melancolicas. O velho acenou-me, a occultas da filha. Segui-o; sahimos, e caminhamos a pé na direcção das ruinas de Citania. A meio caminho estava uma casa alagada, com uns lanços de muro ainda em pé. O velho avisinhou-se das ruinas, estendeu o braço com o indicador apontado, e disse: Aquelles pardieiros pertenceram a teu tio-avô Christovão de Teive. N'aquelle tempo, os homens de vida infamada, quando os ultimos invernos lhe geavam na cabeça, e os sinos, dobrando a finados, lhes attrahiam os olhos para a sepultura, o remorso penetrava-os até ao amago, e estorcia-os nas roscas das suas mil viboras, até que Deus se amerceava d'elles, e os tomava para o seu tribunal. Teu tio-avô foi um mau desgraçado. O amor de uma mulher da côrte entrou-lhe no coração, e apodreceu-lh'o á força de lhe derrancar o sangue com as torturas da perfidia. O moço empestado veio para a provincia, e sevou o seu odio em quantas victimas pôde surprehender adormecidas no regaço do seu anjo de innocencia. Aos quarenta annos, pesou sobre elle a maldição de Deus. Desde a raiz dos cabellos até á raiz das unhas chagou-se-lhe o corpo de lepra. De repente, em redor d'elle fez-se uma solidão horrenda. Desampararam-no todos. Nem os engeitadinhos, indigitados como filhos d'elle, ousavam chegar-lhe um pucaro de agua. Christovão de Teive tinha esta casa, aqui afastada de visinhos, construida não sei para que fim ha tres seculos. Aqui se encerrou e viveu quinze annos aquelle vivo amortalhado nas ulceras da sua pelle. A sua companhia era a ama, que o amamentára, e que Deus, em recompensa, preservou da terribilissima enfermidade. Morreu o desamparado, legando esta casa á mulher que lhe cerrára as palpebras. A enfermeira foi depós elle, devolvendo a casa aos herdeiros de seu amo. Cincoenta annos depois, quando eu aqui vim, encontrei estes pardieiros. Dos nossos parentes ninguem poz pé a dentro das soleiras, que alli estão, onde existiram as portas...

«Deteve-se meu tio breves instantes, e concluiu:—Affonso, o divino Mestre doutrinava com parabolas: o homem d'estes calamitosos tempos moralisa com exemplos. Teu tio-avô começou como tu: vê tu, meu sobrinho, se vingas um correr de vida melhor que o d'elle. Se uma mulher te cancerou o peito, esconde-te, depura-te, faz-te bom, e depois volve ao mundo a procurar a felicidade do coração. Em quanto esse dia de regeneração não chegar, foge das mulheres puras. Eu tenho uma filha unica, um thesouro que Deus me confiou. Minha filha chora por ti. Affonso, se as lagrimas d'ella te não resgatam das presas d'uma mulher perdida, foge, e foge hoje mesmo. Agora, silencio, Affonso...

«Na madrugada do dia seguinte, sahi das Taipas, e fui para Ruivães. Dias depois, desisti do plano de me formar, e fui para o Porto. Sahia um vapor para Liverpool: embarquei, e estive na Inglaterra; passei a França; e de França fui residir na Suissa uns seis mezes. O arrependimento de deixar minha mãe e a minha terra seguiu-me sempre. Resolvi regressar por muitas vezes; mas, fatalmente, a primeira imagem que eu via, voando em espirito á patria, não era a de minha mãe. Ella sempre, Theodora sempre!

«Ao cabo de um anno de expatriação, voltei para o Porto. Dava-me então como curado. A memoria d'ella era já fria: o pulso não se accelerava, nem do coração me subia á cabeça um golfo ardente de sangue. Fui alegrar minha mãe, ao lado da qual encontrei Mafalda, que lhe assistia á convalescença d'uma perigosa enfermidade. Notei sensivel mudança no rosto de minha prima. Os risos do anjo tinham ascendido ao céo no perfume de suas orações. A coruscante luz d'aquelles olhos tinham-na apagado os prantos. As madeixas cahiam-lhe soltas sem flôres, sem ornatos, como dons de quem os esquece, ou não sabe de que elles valham ás venturas da existencia. Porém, formosa da aureola santa da dôr sem culpa. Que paixão me avassallou n'aquelles primeiros dias! com que religiosidade eu beijava a mão de minha mãe aquecida pelos labios d'ella! Recordo-me de a encontrar sosinha no pomar. Sentei-me ao lado da mulher purissima. Tomei-lhe com subita sofreguidão os dedos que me offereciam um pomo. Não ousei beijar-lh'os... apenas balbuciei: minha querida irmã!... Mafalda respondeu—Deves assim chamar-me, por que eu já me afiz a chamar minha mãe á tua, meu primo.

«A paz dos primeiros dias, aquelle suave repousar do espirito, entre as duas carinhosas almas, que m'o distrahiam com as indiziveis doçuras da domesticidade, durou menos de tres semanas. Ao sentir-me fatigado da igualdade de todas as horas, angustiei-me, e cobrei horror do meu futuro. «Que abominavel homem sou!» dizia eu no meu intimo senso, repellindo-me a mim proprio com uma restante força de virtude—Se me repugna o crime, por que a não esqueço? Se a não posso esquecer, para que me devoro n'estas covardes tentativas de lhe fugir? Odeio-a, e, em minha alma lhe exoro perdão d'este odio. Se me doe o coração saudoso d'ella, abomino-me, e recurvo sobre mim proprio as unhas d'esta feroz paixão.

«A fugir de mim mesmo, ia abrigar-me sob os olhos de Mafalda. Ella via nos meus olhares a submissão imploradora, e não entendia a covarde procedencia d'aquelle fital-a com tanta brandura. Apreciou-me erradamente. Teve-se em conta de amada. E, quando eu mais atormentado pelejava com a visão de Lessa e da lamêda das Caldas, Mafalda rehavia do céo os jubilos de outros dias, e a purpura do rosto. A compadecida amargura, com que eu a fitava, afigurava-se á ingenua menina a expressão do amor contemplativo, como ella o sentira e escondera sempre de todos, salvo de seu pae.

«Minha mãe, a occultas da sobrinha, perguntava-me a respeito d'ella cousas, cujo fito estava posto no casamento. Eu respondia a verdade, como se Deus necessitasse interrogar a minha consciencia. Mostrava receios de ter desbaratado as flôres do coração, ao apuro de não ter já virtudes que me fizessem um digno esposo d'ella. Minha mãe não podia entender-me; obrigava-me suavemente a explicações, e, ouvindo-me, dizia soluçante: «Não se quebrou ainda o fatal encantamento!... Deus te salve, meu desgraçado filho!»

«A quarenta passos de distancia de minha casa está uma cruz de pedra tosca, sobre uma peanha de cantaria. A esta cruz se referia Theodora, na carta que lêste. Quando ella tinha seis annos, esteve com sua mãe uma temporada em nossa casa, e voltou alli aos nove. Algumas vezes nossas mães se sentaram nos degraus do cruzeiro, em quanto nós, com vergonteas floridas de acacias e arvores de fructa, teciamos uns desageitados festões que dependuravamos dos braços da cruz.

«Levou-me para lá o coração dez annos depois. Sentei-me na peanha da cruz. Acaso relanceei os olhos pela pedra, que lhe formava o sôcco, e vi letras. Reparei, e reconheci os caracteres de Theodora. Eram duas datas: 5 de Julho de 1848, com a assignatura inicial T. P. Seguia-se a outra, em letras mais de fresco: 10 de Setembro de 1849, com as mesmas iniciaes, e as seguintes palavras: Aqui veio orar a alma penada. Eu estava então em 15 de Setembro d'aquelle anno. Cinco dias antes, pois, alli tinha estado Theodora.

«Recolhi-me com febre. Á celestial graça de Mafalda, que me sahiu ao tope da escada, respondi com uma affectuosidade falsa. Importunava-me o anjo. Eu queria então uma orgia infernal. Queria arder e palpitar no deleite sequioso, que zomba dos deveres, e insulta o espantalho da moral, impassivel carrasco das organisações ardentes. O aspecto mavioso de Mafalda era uma lança que me traspassava. Fugi-lhe, e, por alguns dias, raras horas nos encontramos.

«Voltei novamente ao cruzeiro. Do braço esquerdo da cruz pendia uma corôa de flôres do campo; e, na base, inscripta outra data: 20 de Setembro de 1849—Meia noite—O sol de amanhã queimará as flôres; mas o braço da cruz redemptora permanecerá aberto para os desgraçados. T. P.

«Eu queria esconder de minha mãe estas inscripções, feitas a lapis. Embebi um lenço em agua, e desfil-as. Hei-de agora confessar-te que a pertinacia de Theodora, por algumas horas, me pareceu ridicula.

—Tambem a mim me está parecendo isso, ainda agora—observei eu, animado pela confissão da pessoa, menos idonea para embicar no irrisorio romanticismo da esposa de Eleuterio Romão dos Santos.

«Mas, proseguiu Affonso de Teive—esta judiciosa critica, no dia seguinte, converteu-se em piedade...

—Em amor—atalhei.

«Amor, sim, amor indomavel, amor faminto de vêl-a e de ouvil-a, de chorar com ella, de arrebatal-a ao marido, e insultar a sociedade e Deus na posse d'ella.

«Esporeava-me este designio, quando entrei em casa. Minha prima estava na primeira sala. Ergueu-se. Tomou-me com brandura a mão, levou-a ao coração arquejante, e disse-me:—Os braços da cruz redemptora estão sempre abertos para os desgraçados. As palavras, embora escriptas por mão criminosa, são santas. Meu pobre Affonso, já que ella te deu a desgraça, aceita-lhe tambem o conselho.—Beijou-me a palma da mão, e sahiu da sala.

«Mafalda tinha visto, primeiro que eu, as palavras de Theodora. Comprehendera o mysterio, resistira ao impeto de as tirar, e, desde aquella hora, promettera a Deus exercitar todos os recursos de seu coração para me acautelar das cavillações da mulher ardilosa.

«Que poderia fazer a simples creatura? O infinito das forças humanas fez ella em meu resgate; mas muito já por noite dentro de minha vida lhe havia de conceder o céo um pleno dominio em minha razão.

«Logo, ao outro dia, Mafalda pediu-me que sahisse com ella a um passeio longe por esses pinhaes fóra até ao mosteiro de Landim.

«Sosinhos?—lhe perguntei—Por que não! sosinhos, com os nossos anjos da guarda, e o coração de tua mãe comnosco, meu querido Affonso.

«Sahimos. Mafalda ia taciturna. De encontro ao meu braço direito batia-lhe o coração com celeridade irregular. E eu sentia um enleio, uma constricção de alma, que não atinava com os termos communs d'uma palestra entre dous primos. No alto d'um sêrro, d'onde haviamos de descer para umas veigas, Mafalda sentou-se, e abrangeu com os olhos lagrimosos a redondeza dos horisontes. Perguntei-lhe que razão tinha para chorar. Respondeu-me que a mortificava a idéa de me vêr ir talvez para sempre do lado de minha mãe e dos parentes que me estremeciam.

«Quem te disse que eu deixo minha mãe e parentes?—redargui— Dizes-m'o tu, se eu t'o perguntar com as mãos postas—respondeu ella, pondo as mãos em supplica.

«Tartamudiei confusamente. As minhas palavras vinham falsificadas do espirito. Aqueceram-se-me as faces, porque eu não estava afeito a mentir. O coração teve quinhão d'este pejo: a meiga creatura, que me interrogava, tinha uns ares de divinisação, que me incutiam uma especie de escrupulo religioso.

«—Vejo que te afflijo, meu primo—interrompeu Mafalda—És ainda bom, que não podes mentir á tua amiga. Queres ir ao teu destino... Vai, mas... escuta-me...

«Seguiu-se um longo silencio, que ella mesma interrompeu, exclamando, em pranto desfeito:—Não posso!... A Virgem do céo não ouviu os meus rogos!...

«Acariciei-a com o melindre de irmão, instando-a a que fallasse. Articulou ainda algumas palavras desatadas, faceis, porém, de se ligarem em meu espirito prevenido. Atalhei-a muito commovido, n'estes termos: «Deves ter directo instincto do céo, minha prima, por que a tua alma virginal é pura de toda a falsidade, e não póde ser enganada. Sabes que eu vou fugir, sem eu ter annunciado a nossa mãe este novo golpe. Fujo, minha irmã, por que entre a tua celestial dedicação e as minhas desvairadas paixões está o infinito. Tu és a creatura que ainda não sonhou o mal, sedenta d'uma alma cheia das crenças da juventude. Vês a minha vida, posta em assedio pelas tentativas da mulher unica do meu amor, da mulher perdida para mim e para si propria perdida... observas isto com teus olhos inexperientes, e pasmas do poder infernal d'esta mulher. Oh! que Deus te livre de ainda veres o mundo, despido das vestes que a tua candura lhe empresta! Deus te poupe a debruçares-te sobre o abysmo d'onde se tira a luz, ao clarão da qual se observam as chagas da sociedade. Esconde-te de mim, e de todo homem que viu o mundo; esconde-te, anjo do paraiso, para que nenhum homem te diga o que viu. Eu não sei como ousaria contar-te as minhas desventuras, Mafalda. A tua linguagem perdi-a, quando sahi d'estas florestas, onde nós nos entendiamos como as avesinhas do céo se entendem. Que hei-de eu dizer-te hoje? Com que termos te mostrarei a minha indignidade!

«Mafalda poz-me com muita suavidade a mão na bocca, e disse: —Não digas mais nada, meu irmão, que já disseste tudo... A mulher unica do teu amor... a mulher unica do teu amor é... ella!...—Os soluços embargaram-lhe a voz. Falleceram-me a mim espiritos com que tentasse consolal-a. Todas as palavras, sem vehemencia de dentro, seriam pallidas e vans. Mentir, bem que eu podesse, de que serviria?... O meu silencio era angustioso. Recriminava-me por me ter exposto áquelle dialogo...»

«Com satisfação a vi erguer-se, e dizer-me:—Voltemos, primo?... Vamos para casa. Não percas instantes da companhia de tua mãe. Vamos...»

«N'este momento, á raiz da serra, onde ia a estrada de Landim, passava uma mulher cavalgando a galope. Ia sósinha. Eu não a tinha visto ainda, quando Mafalda, apontando-a com o braço tremulo disse:—A mulher unica do teu amor...

«N'este instante, esqueci o anjo, que me estava alli chorando, não sei mesmo se desejei que Deus o chamasse para a sua patria; e adorei o demonio, que passava lá em baixo, com o véo esvoaçante, por entre nuvens de pó, sacudidas das patas do arremessado cavallo.