Amor de Salvação

Camilo Castelo Branco · Capítulo 16 de 26

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Amor de Salvação

Capítulo XIV

No mesmo dia, um deputado chegado do Minho, entregou a Affonso uma carta de sua mãe, incluindo outra de Mafalda. A senhora de Ruivães felicitava o filho por saber que elle procurava os passatempos da capital, admoestando-o a que procedesse honradamente no gozo dos prazeres, para que elles se não derrancassem em flagellos da consciencia, e infamia. Mafalda, em poucas linhas, pedia-lhe que se não esquecesse d'ella, e fosse fiel á promessa de estimal-a como irmã.

O deputado bracharense era sujeito que sabia as cousas para as dizer, e saltava a quatro pés por cima d'isto que chamam delicadeza em assumptos de coração.

Pelo que, o expansivo deputado fallou assim a Affonso:

—Ainda me lembro de v. exc.ª, quando rapazola estudava rhetorica em Braga. Está certo de ser agarrado pelo regedor, quando foi ás Ursulinas atacar as freiras? Pois fui eu quem, a pedido de sua mãe, lhe vali no processo instaurado.

—Não sabia—atalhou Affonso—Aproveito a opportunidade para agradecer a v. exc.ª...

—Não tem de que. Mas, com effeito—volveu o deputado, a rir de esperto—olhe v. exc.ª o que fazem mulheres... ou mulherinhas... por que a final a morgadinha da Fervença acanalhou-se até ir casar com um bruto de Tibães... Soube isto v. exc.ª?

—Perfeitamente. Era impossivel que eu o não soubesse...— respondeu attentamente Affonso.

—Eu conheço Eleuterio Romão dos Santos—continuou o informador—O homem torce as grandes orelhas que tem, por que ella tem-lhe feito dar a agua pela barbella. V. exc.ª ha-de saber isto...

—Não sei senão que Theodora é mulher de Eleuterio.

—Então eu lhe conto. A rapariga tem figados, e ninguem o dirá vendo aquella lesma, que parece feita de manjar branco. Assim que entrou em casa, e se viu com o sogro Romão e com a sogra Eleuteria deu ao diabo a cardada, poz-se nas suas tamancas, e mobilou as suas salas e os seus quartos á moderna. O Eleuterio quiz reguingar-lhe; mas ella, ás primeiras testilhas, fallou em divorcio, ou cousa peor ainda, que era, pelos modos, fugir de casa, e procurar v. exc.ª O marido poz as mãos na cabeça, quando ouviu fallar em divorcio. A fortuna alli é quasi toda de Theodora. Se ella se levantasse com o seu casal, o velhaco do tio, que preparou semelhante desgraça de casamento, dava um estouro. Começaram a fazer-lhe todas as vontades á moça. Para que lhe ha-de ella dar? Imagine lá v. exc.ª para que lhe deu na veneta?

—Eu sei cá...—disse anhelante de curiosidade Affonso.

—Fez-se doutora!... Mandou comprar dous carros de livros ao Porto; fechou-se no seu escriptorio, que parecia uma livraria de convento, e começou a lêr de noite e de dia. Lá de dia passe; mas de noite, dava isso que pensar a Eleuterio casado á face da igreja, e dono da mulher pelos seus justos cabaes. Passado tempo, deu-lhe outra mania: fez-se cavalleira, e rompia a galope pelo campo de Santa Anna em Braga, a levantar poeira que parecia um esquadrão de cavallaria! Não parou ainda aqui o desarranjo d'aquella cabeça! Tomou lacaio, deu-lhe libré avivada de vermelho, e andava por essas estradas do Minho com o lacaio em correrias de douda. Uma hora viam-na em Landim, outr'ora em Santo Thyrso, depois em Lessa de Palmeira... Que novidades lhe estou contando!...— concluiu sorrindo o narrador.

—E do procedimento d'ella que se dizia?—atalhou Affonso, vivamente empenhado nas revelações do chanissimo legislador.

—Do procedimento d'ella a que respeito?—perguntou o deputado, com suspeitoso sorriso.

—Amantes, quero dizer se a opinião publica lhe dava amantes.

—Eu lhe digo: quando v. exc.ª estava em Lessa com sua mãe, e a morgada lá foi com o marido, alguem disse que o marido era um simplorio. Ora isto parece-me que alguma cousa queria dizer...

O deputado espirrou uma risada de finura velhaca, e ajuntou:

—Depois, quando v. exc.ª esteve em Ruivães uma temporada, e Theodora sahia para aquelles lados, já todo o bicho careta dizia que o adulterio estava provado por todos os artigos do codigo, e por mais alguns que esqueceram aos corpos legisladores.

Aqui deu o representante de Braga uma segunda risada, expressiva de agudeza muito mais faceta. Affonso sorriu-se, e deixou-o esvasiar a pojadura da verbosidade chula.

—Não se falla por lá de mais ninguem que eu saiba—tornou o deputado—Mas o marido! aquelle palerma, que lhe não vai á mão, e a deixa andar em filistrias de cavallo e lacaio, faz-me pena, sinceramente lh'o digo, por que houve alguem que me affirmou que a mulher, quando está fechada na livraria, não o admitte á sua presença, e até me disseram que ella passa toda a noite a consultar os seus livros! Logo: aquelle marido está n'uma posição critica, matrimonialmente fallando. Parece-lhe isso, snr. Affonso?

Aqui expediu o sujeito terceira risada, que tinha idéa occulta, a meu vêr, inconciliavel com o comedimento desejavel n'uma pessoa grave... de mais a mais deputado a côrtes!

—E como está ella?—perguntou Affonso—Ainda é bonita?

—Agora é que ella está completa. Encheu muito de hombros, e tudo á proporção. Está muito alta, e esvelta, que parece ingleza. E o garbo com que ella sacode um cavallo... V. exc.ª está a mangar commigo?—perguntou de subito o deputado, após um instante de reflexivo silencio?

—Se estou a mangar com v. exc.ª?! que pergunta!

—Sim! pois o snr. Affonso vem-me perguntar a mim se ella está bonita?! Quem sabe melhor que v. exc.ª como ella está?!... Ora, meu amigo, vá contar essas historias aos da Lourinhã. Cá para mim vem barrado!

—Dou-lhe palavra de honra—redarguiu Affonso—que a minha pergunta foi sincera. Eu vi Theodora; mas tão de relance, que não pude reparar-lhe nas feições.

—A sua palavra de honra tem para mim o peso d'um Evangelho, —tornou gravemente o cavalheiro de Braga.—Pois, senhor, o mundo está enganado. A voz geral dá v. exc.ª como amante de Theodora. Eu não me atrevia a dizer-lh'o tanto ás escancaras; porém, chegadas as cousas a este ponto, fique sabendo que ninguem acredita na sua innocencia, excepto o Eleuterio, que é muito bom homem.

É escusado dizer que o individuo riu de novo, esfregou as mãos, e exclamou abruptamente aguilhoado pelo instincto oratorio:

—Ainda ha quem case! Ainda ha victimas que espontaneamente se offereçam no altar das mulheres! Chegamos a um tempo em que ninguem póde sinceramente dizer que conhece seu pae. Os assentos dos baptismos estão todos falsificados. Os mandamentos da lei de Deus, o nono sobre todos, vai ser tirado do cathecismo. Vem ahi um tempo em que o artigo da lei santa ha-de ser assim reformado: «Não desejarás a tua mulher para não incommodar os direitos do proximo!» Onde irá isto assim parar, snr. Affonso de Teive?

O deputado entre serio e risonho, prolongou por tres quartos de hora, em estylo declamativo, um aranzel de lugares-communs, entremeado de pilherias, com referencia á degeneração da sociedade, no capitulo casamento. Affonso achava picante de grosso sal a iracundia comica do legislador, e estimulava-lhe a veia. A final o deputado, contente de si, foi para S. Bento, mais que muito persuadido de ser elle o predestinado para levantar voz no parlamento decretando a moralisação das familias.

Affonso ficou pensativo. As revelações lisongeavam-no. O odioso do caracter de Theodora desvaneceu-lh'o a impressão já magestosa, já condolente do viver da morgada. Uma sublime desgraçada!—dizia elle comsigo—Uma sublime desgraçada, que, ligada a mim, seria a mais sublime das creaturas!

E, trabalhado por esta idéa que pertinazmente lhe martellou no animo, Affonso de Teive arrependeu-se de ter queimado a carta recebida na manhã d'aquelle dia. Queria relêl-a, mettêl-a a beijos na retentiva do coração!

Á noite foi ao theatro, e entreteve-se largo tempo com D. José de Noronha. Versou a pratica sobre o aceitar benignamente os acommettimentos de Theodora. D. José mostrava-se já enfastiado da imbecilidade moral do seu amigo, e, por tanto lhe pedia, que de todo em todo esquecesse a mulher, e se portasse como rapaz de certa ordem; ou obedecesse ao coração, aceitando a felicidade das mãos fosse de quem fosse.

N'esta mesma noite, o moço, vencido a final pela irresistivel necessidade de ser semelhante a todos os homens, escreveu uma estirada carta. Principiava nas recordações da infancia de ambos: devia de ser alta e amoravel poesia, como o coração a trasborda, se d'um ponto negro da vida os olhos rompem as trevas, e vão lá ao longe remergulhar-se no pelago da luz, que mais não ha-de raiar em nossos dias. Tristeza mais que todas magoativa!

Depois, memorava os dias de amor, desabrochado já o seio em plena florescencia, com os seus desejos balbuciados em phrases todas alma e enleio, dulcissima linguagem, que era ainda a das chimeras pueris, mal desvanecidas no trajecto da infancia á adolescencia. Poesia ainda, flôr sempre lustrosa e verdejante, porque a sua tige está continuo a medrar em lagrimas, d'onde paixão nenhuma hedionda dos vindouros tempos lhe ha-de extirpar a raiz.

Seguia-se o recordar as dôres atrozes do abandono d'ella, quando o moço em Lisboa e Ruivães, duas vezes se atirára aos braços da morte, aceitando o inferno, se o lembrar-se o condemnado da mulher que amou na terra, não era lá o maximo tormento.

A final, após os queixumes, subia-lhe do coração aos olhos n'uma lagrima o perdão. Perdão e amor: que não ha ahi, em alma humana, perdoar ingratidões sem beijar a mão que nos alanceou. Esquecer, sim; mas esquecer é desprezo, não é perdão.

Escripta e fechada a carta, sobreesteve Affonso no remettêl-a. Acaso iria ella, sem desvio, ás mãos de Theodora? As injustas suspeitas não poderiam ter Eleuterio de sobre-aviso? E, de mais, reatadas as ligações de estima, iria Affonso, contra a vontade de sua mãe, para casa, e sustentaria alli o cortejo á mulher casada?

Estes quesitos fallavam á razão; porém, a pobresinha da razão, estava já escondida na consciencia, e a consciencia ensurdecera com a guisalhada do baile carnavalesco em que seu dono a mandára estudar os costumes do seu tempo.

Foi a carta com direcção a Braga. Era dia de feira quando ella chegou ao correio: estava alli o marido de Theodora vendendo cereaes. Foi á lista postal vêr se seu pae tinha carta de parentes do Brazil; e, como não se entendia bem com os nomes maiores de tres syllabas, pediu que lhe lessem a lista inteira. Quando o obsequioso leitor chegou a Theodora Palmyra Villar de Sousa, exclamou Eleuterio:

—É a minha mulher! Ha-de ser carta do livreiro.

Convem saber que a morgada se entendia directamente com os seus livreiros fornecedores.

Eleuterio foi tirar a carta, e deu-lhe nos olhos, afóra o lustre do sobre-escripto, o lacre azul fechado com armas, e, mais que tudo, a marca de Lisboa.

Não me atrevo a compôr o soliloquio de Eleuterio Romão. Sei que elle andava com a carta ás voltas, entre mãos, e ás vezes esfregava entre dous dedos o papel, como se pelo tacto podesse inferir do contheudo. Estava com elle o regedor da sua freguezia, o mesmo que lêra a lista, e lhe lia na alma agora.

—Que estás a malucar, Eleuterio?—disse elle—A modo que essa carta te deu no gôto!...

—A fallar a verdade—respondeu o marido de Theodora—esta letra não na conheço, nem estas armas reaes!... Minha mulher não conhece ninguem em Lisboa, e estas letras, compadre, parece que rezam Lisboa.

—É como diz: Lisboa, sem tirar nem pôr. E então?... achas que ella...

—Estão-me a dar guinadas de abrir isto!... Que dizes tu, compadre?

—Eu cá, se fosse commigo, já a carta estava aberta. Mulher minha a ter cartas, sem eu saber de quem!... Deus me defenda!

Palavras mal eram ditas, que Eleuterio quebrou o lacre, e passou a carta ao regedor, dizendo:

—Lê lá... ella é tamanha! parece uma sentença!... Vamos vêr isso, que eu já me não sinto escorreito.

O regedor tomou o manuscripto de oito paginas entre as mãos, poz-se em attitude abrindo as pernas em circumflexo, tossiu, tomou folego, deu crena de saliva aos beiços, e leu engasgadamente: «D'onde vem esta celestial harmonia, que a minha alma ouviu, quando o céo me bafejava a infancia, e as delicias todas da existencia me eram prenunciadas nos sonhos?...»

O regedor revirou os olhos pasmados a Eleuterio, e disse:

—Tu percebeste isto, compadre?

—Assim me Deus salve, que não percebi palavra,—respondeu Eleuterio Romão esbugalhando os olhos sobre a escripta cabalistica.

—Portuguez acho que é!—tornou o regedor, consultando a opinião do compadre.

—Isso é, lá portuguez é... Ora torna a dizer.

O leitor repetiu, e disse:

—Falla aqui em alma, e sonhos, e delicias. Sabes que mais? Isto, seja lá o que fôr, não me cheira bem!... Aqui, Deus me perdôe, ha maroteira d'aquella casta!... Deixa-me vêr mais um bocado a vêr se pesco alguma cousa. E, continuando, leu:

«Sonhos de anjo, alumiados pela imagem lucida da filha da minha alma! volvei, volvei, orvalhai a flôr requeimada, dai uma lufada de primavera ao meu coração regelado pelos frios d'esta infinda noite... Oh minhas donosissimas chimeras!...»

—E agora entendeste?—voltou o regedor—eu estou como a Felicia d'Abrantes, peor que d'antes. Isto se não é latim, é o diabo por elle!

—Queres tu que se pergunte a alguem!?—acudiu Eleuterio—A gente ha-de achar quem lhe explique isto cá em Braga... Falla-se ahi a um padre que eu conheço, ao capellão das Ursulinas.

—Dizes bem... Tu não has-de ir para casa sem tirar isto a limpo... Queres tu vêr que ahi vem o homem que nos explica o negocio?— perguntou o magistrado administrativo—É meu compadre Fernão de Fonte Boa.

Era Fernão de Teive, conhecido por de Fonte-Boa, por ser lá o seu morgadio. Com o velho fidalgo vinha Mafalda, apoiada no braço d'elle, com doentio aspecto.

O regedor descobriu de longe a cabeça, e sahiu ao encontro de Fernão, que o recebeu com o agrado dos antigos fidalgos.

—Que é feito de ti, compadre, que te não vejo ha cem annos?— disse o velho—Desde que te fizeram regedor, acho que não cuidas senão em fabricar deputados, e comer os salpicões dos recrutas passados pela malha! Anda lá, meu homem, que em tempos melhores havias de ganhar o posto de capitão-mór, que geito para comer os saudosos lombos tens tu. Então que é feito, rapaz? quem é aquell'outro? Se me não engano, é o Eleuterio do Romão.

—Para servir a v. exc.ª—disse Eleuterio com tres mesuras de cabeça exageradas—Sou eu para servir a v. exc.ª

Fernão inclinou um olhar ironico sobre o hombro da filha, e disse com um mal represo frouxo de riso:

—Aqui tens o marido da morgadinha da Fervença.

Mafalda escassamente lançou um olhar ao sujeito, e baixou os olhos com gesto de notavel commoção.

E o regedor tirando a carta da algibeira, disse:

—Eu queria consultar o meu excellentissimo compadre a troco d'uma carta que nem eu nem meu compadre Eleuterio entendemos. A gente, como o outro que diz, o que sabe é de lavoura, e mal assigna o seu nome. O caso é este: aqui o compadre achou no correio esta carta p'rá mulher. Teve lá seus arrepios, e abriu-a. Começamos a lêr, mas nem p'ra traz nem p'ra diante. As palavras parecem portuguezas, acho eu; mas nós não sabemos o que ellas rezam. Se o senhor compadre fizesse favor de lêr isto...

Fernão de Teive ia a tomar a carta já aberta da mão do regedor, quando sentiu extraordinario peso no braço esquerdo, olhou em sobresalto, e viu Mafalda a desmaiar, com o rosto banhado de suor. Chamou-a, e ella, expedindo uns agudos soluços, quiz em vão pendurar-se do pescoço do pae. Tomou-a o velho nos braços com tremente anciedade, e transportou-a para dentro de uma loja, pedindo a brados um facultativo.

O regedor e Eleuterio seguiram Fernão, afflictos do successo. Na mão do regedor estava ainda a carta. O velho, sem atinar com o motivo do accidente, olhou machinalmente para o papel, e teve um repellão intuitivo, sem ainda o comprehender.

Tirou com desabrimento a carta da mão do compadre, examinou-a pela luneta, leu as primeiras linhas, desviou os olhos, meditou, lançou de arremesso o papel ao chão, e disse:

—Deixem-me... não sei o que é... Vão-se embora...

Os homens iam sahir, quando elle os chamou com phrenesi, pediu a carta, e desfêl-a em pedacinhos, exclamando:

—Isto não é nada, nada vale, podem ir com Deus.

Eleuterio estava assombrado, e o compadre abria e fechava a bocca em signal do seu espanto e compaixão. Em boa fé, o regedor acreditou atacado de demencia o velho, ao vêr a filha em trances de morte. Afastaram-se em consultas, dando cada qual sua razão do caso, bem que Eleuterio ia mediocremente satisfeito da rasgadura da carta.

Quando recobrou o alento, Mafalda levou as mãos ao rosto do pae, e murmurou mui carinhosa:

—Perdôe-me, por quem é! Perdôe esta fraqueza da sua infeliz filha!

—Pobre anjo—balbuciou o velho—Que has-de tu fazer-lhe? Deus mandou-te aquelle desengano... Recebe-o tu, reportada e humilde, de suas divinas mãos. Precisavas d'isto, para em fim te convenceres.

Mafalda pediu ao pae que a levasse ao primeiro templo aberto. Ajoelhou ao altar do Senhor dos afflictos, chorou, e viu as lagrimas do velho ajoelhado á beira de ella. Ergueu-se com pacifico semblante e disse:

—Estou melhor, meu pae. Deus não falta aos infelizes sem culpa, nem mesmo aos culpados... Tambem orei pelo primo Affonso.

—Eu não orei—disse o pae—mas rasguei o documento de sua infamia.