As cinco feridas emocionais
3. O abandono
CAPÍTULO 3
O ABANDONO
Abandonar alguém é deixá-lo, largá-lo, não querer mais se preocupar com ele. Muitas pessoas confundem rejeição com abandono. Às vezes nos julgamos rejeitados, pois o outro nos repele, não nos quer mais ao seu lado. Não devemos nos prender à situação vivida, mas sim à dor vivida. Para saber qual ferida foi ativada, devemos estar atentos à nossa reação e à pessoa com quem vivemos o problema. Se é alguém do mesmo sexo que nós, a ferida ativada é sempre a da rejeição; se a pessoa é do sexo oposto, é a ferida do abandono.
A ferida vivida no caso de um abandono, assim como as três próximas feridas que analisaremos, trata do ter e do fazer (somente a ferida da rejeição toca diretamente o ser).
Veremos, aqui, alguns exemplos de situações capazes de despertar a ferida do abandono numa criança. Ela pode se sentir abandonada:
se sua mãe passar de repente a se ocupar com um novo bebê. O sentimento de abandono será ainda mais forte se o bebê necessitar de cuidados especiais por ser doente ou problemático. A criança terá a impressão de que a mãe a abandona continuamente para cuidar do outro. Começará a achar que será assim para sempre, que nunca mais terá de volta a mãe de antes.
se seus pais saem para trabalhar diariamente e dedicam pouco tempo a ela.
quando é levada para o hospital e seus pais têm que deixá-la lá. Ela não compreende o que acontece. Se tem consciência de que foi um pouquinho malcriada nas semanas anteriores e que os pais se aborreceram com seu comportamento na ocasião, o sentimento de abandono pode ser ainda mais pronunciado. No hospital, ela pode resolver acreditar que os pais a abandonaram para sempre. Mesmo recebendo a visita diária dos dois, a dor gravada no momento em que ela se sentiu abandonada prevalece. Esse sofrimento a incita a criar uma máscara para si, julgando que esta a ajudará a não reviver mais a dor. quando os pais a deixam com alguém durante as férias, mesmo que seja com a avó.
se sua mãe está sempre doente e seu pai vive muito ocupado ou ausente e ela é obrigada a se virar sozinha.
Conheci uma senhora que viveu um medo terrível quando seu pai faleceu. Sua morte, que ela encarou como um abandono, foi muito marcante, pois na época sua mãe não cansava de lhe dizer que a expulsaria de casa assim que ela fizesse 21 anos. Essa senhora, que se sentia rejeitada pela mãe, teve medo porque pensava o tempo todo: “O que vai acontecer comigo sem papai para cuidar de mim quando eu tiver que ir embora?”
Várias pessoas que sofrem da ferida do abandono relataram falta de comunicação com o genitor do sexo oposto quando eram jovens. Julgavam esse pai (ou mãe) fechado demais e o recriminavam por deixar o outro genitor ocupar todo o espaço. E estavam convencidas de que a figura parental do sexo oposto não se interessava por elas.
De acordo com minhas observações, a ferida do abandono é vivida com o genitor do sexo oposto. Em contrapartida, observei que muitas vezes uma pessoa que sofre de abandono também vivencia a rejeição. Quando jovem, por exemplo, a menina se sente rejeitada pela mãe e abandonada pelo pai, que, a seu ver, deveria ter lhe dado mais atenção e cuidado para que ela fosse aceita pela mãe. Uma criança pode se sentir abandonada pelo genitor do mesmo sexo, mas, na realidade, é a ferida da rejeição que ela vivencia. Por quê? Porque o genitor do mesmo sexo que não liga para ela age assim por rejeitar a si mesmo e, no fundo, a criança percebe isso. Quando um pai rejeita a si próprio e tem um filho homem, é normal e humano que ele rejeite o garoto, até inconscientemente, pois este lhe evoca sua própria pessoa. O exemplo da senhora que perdeu o pai aos 18 anos ilustra bem essa dupla ferida de rejeição e abandono.
Aprofundando um pouco mais esse estudo de caráter, você perceberá que a maioria das pessoas tem mais de uma ferida. Mas nem todas elas sentem o mesmo grau de dor.
Os que sofrem de abandono não se sentem alimentados afetivamente. A falta de alimento físico também pode despertar a ferida do abandono, que se manifesta normalmente antes dos 2 anos de idade. A máscara que o indivíduo cria para si a fim de tentar esconder de si próprio sua ferida é a do dependente. Utilizarei então essa palavra para descrever a pessoa que sofre de abandono. Irei designá-la ao longo de todo o livro como dependente.
Quem utiliza essa máscara exibe um corpo carente de tônus. Um corpo esguio, magro e apático indica uma ferida do abandono mais profunda. O sistema muscular é pouco desenvolvido e parece não ser capaz de manter o corpo ereto. Este exprime exatamente o que se passa no interior da pessoa. O dependente acredita que não pode conquistar nada sozinho e que precisa de outra pessoa para auxiliá-lo. Seu corpo reflete essa necessidade de apoio. Não é difícil ver em sua figura a criancinha que precisa de ajuda.
Grandes olhos tristes também indicam a ferida do abandono. As pernas são fracas. Os braços são compridos demais, pendendo ao longo do corpo. É o tipo de indivíduo que parece não saber o que fazer com os braços, principalmente quando há outras pessoas olhando. Ele também pode ter uma aparência curvada, como se a coluna não fosse capaz de suportar completamente seu peso. E algumas partes do corpo – como ombros, seios, nádegas, bochechas, barriga, saco escrotal – podem ser caídas ou flácidas.
Como se pode ver, a característica mais marcante no dependente é a falta de tônus muscular. Se você perceber isso em alguém, provavelmente essa pessoa adota a máscara de dependente para esconder a ferida do abandono.
Não se esqueça de que é a intensidade da ferida que determina a espessura da máscara. Uma pessoa muito dependente terá sempre as características mencionadas acima. Se um indivíduo tem apenas algumas delas, é porque sua ferida é mais leve. É importante observar que, no caso de uma pessoa gorda que carece de tônus em determinadas partes do corpo, seu excesso de peso pode indicar outra ferida (que nós analisaremos mais adiante).
Você deve aprender a diferenciar a máscara do escapista da do dependente. Pode haver duas pessoas muito magras ao seu lado e uma ser escapista e a outra, dependente. Ambas podem ter tornozelos pequenos e punhos finos. A diferença é perceptível sobretudo no tônus. O escapista, apesar de sua magreza ou baixa estatura, mantém-se aprumado, ao passo que o dependente adota uma postura apática. O escapista parece ter a pele mais colada nos ossos, porém com um sistema muscular sólido, enquanto o dependente é mais adiposo, embora careça de tônus.
Quando uma pessoa sofre das duas feridas, da rejeição e do abandono, é possível detectar em seu corpo determinadas características do escapista e do dependente. A ferida que salta mais aos olhos indica aquela de que a pessoa sofre com mais regularidade.
Olhar as pessoas à sua volta para descobrir suas feridas é um excelente exercício de intuição. Como o corpo diz tudo sobre a pessoa, há cada vez mais gente tentando modificar sua aparência física, geralmente por meio da cirurgia plástica ou da malhação. Quando tentamos esconder nosso corpo, buscamos dissimular as feridas que ele representa.
Na verdade, é com nossa intuição que podemos descobrir as partes que as pessoas tentam transformar em si mesmas. Por exemplo, observando uma cliente durante uma consulta, notei que ela tinha seios firmes e bonitos, quando, na realidade, a minha primeiríssima impressão era a de que ela tinha os seios caídos. Foi um “flash” de poucos segundos. Mas, como aprendi a confiar em minha intuição, falei com ela sobre a reação que tive e perguntei-lhe se havia feito uma cirurgia plástica. Ela confirmou, dizendo que recorreu à cirurgia porque não gostava de seus seios caídos.
Às vezes é um pouco mais difícil enxergar com clareza certos detalhes físicos, principalmente do corpo feminino, por causa dos vários acessórios usados pela mulher – sutiãs, ombreiras, enchimentos para as nádegas – que confundem o olhar. De toda forma, a pessoa que se olha no espelho não pode mentir para si mesma. Recomendo, portanto, que siga sua intuição e sua primeira impressão ao examinar outra pessoa.
Conheço homens que fazem musculação desde adolescentes, mas que, apesar do tórax e dos braços bem definidos, apresentam certa falta de tônus. Quando interrompem os exercícios físicos, seu corpo volta a dar mostras de flacidez. Isso acontece apenas nos homens dependentes. Não é porque escondemos fisicamente uma ferida que ela é sanada. Volto ao meu exemplo do ferimento na mão, citado no primeiro capítulo. Esconder a mão numa luva ou atrás das costas não faz a ferida se curar.
Dos cinco tipos, o dependente é o mais apto a se tornar vítima. Há fortes probabilidades de que um de seus pais ou mesmo ambos sejam igualmente vítimas. A vítima é uma pessoa que engendra dificuldades de todo tipo ao longo da vida, em especial problemas de saúde, para chamar a atenção para si. Isso provê as necessidades do dependente, que julga nunca ter o suficiente. Ele acha que, se não conseguir atrair a atenção do outro, não poderá contar com seu apoio. Podemos notar esse fenômeno nos dependentes quando eles ainda são muito jovens. A criança dependente precisa sentir que, se der um passo em falso, contará com alguém para ajudá-la a se recuperar.
É uma pessoa que dramatiza muito: o mais ínfimo incidente ganha proporções gigantescas. Se, por exemplo, seu cônjuge não liga para avisar que chegará atrasado, ela pensa no pior e não compreende por que ele a deixa sem notícias, fazendo-a sofrer tanto. Ao depararmos com uma pessoa que se comporta como vítima, costumamos nos perguntar como ela consegue arranjar tantos problemas. O dependente, por sua vez, não vive esses incidentes como obstáculos. Ao contrário, encara seus problemas como dádivas, pois chamam a atenção dos outros para si. Isso impede que se sinta abandonado. Ser abandonado é mais doloroso do que encarar os múltiplos problemas que ele cria. Só um outro dependente pode realmente compreender isso. Quanto mais uma pessoa age como vítima, mais se agrava sua ferida do abandono.
Pude constatar, entre outras coisas, que uma vítima costuma gostar de fazer o papel de salvador – como, por exemplo, quando o dependente desempenha o papel de pai com relação a seus irmãos ou tenta tirar alguém que ele ama de uma dificuldade qualquer. São meios sutis de receber atenção. Na realidade, quando o dependente faz muito por outra pessoa, ele deseja sobretudo ser elogiado, sentir-se importante. No entanto, essa atitude acarreta dores nas costas, pois ele coloca sobre si responsabilidades que não são suas.
Ele costuma ter altos e baixos. Durante certo tempo, está feliz e tudo corre bem; de repente sente-se infeliz e triste. Pergunta-se inclusive o porquê disso, já que essa situação é frequente e acontece sem motivo aparente. Mas, se ele procurar bem, descobrirá seu medo da solidão.
A forma de ajuda de que o dependente mais carece é o apoio dos outros. Tenha ou não dificuldade para tomar decisões por si próprio, o dependente costuma pedir a opinião ou a aprovação dos outros antes de decidir qualquer coisa. Ele precisa se sentir amparado em suas decisões. Suas expectativas em relação aos outros estão ligadas ao que eles podem fazer para ajudá-lo. Mas não é uma ajuda física que ele procura, e sim o apoio de alguém no que ele faz ou quer fazer. Quando é apoiado, sente-se amado.
O dependente pode parecer preguiçoso, pois não gosta de praticar esportes ou executar tarefas manuais sozinho; ele precisa da presença de alguém a seu lado. Quando faz alguma coisa para o outro, é na expectativa de um retorno de afeição. Quando recebe a afeição almejada, compartilhando uma atividade agradável com outra pessoa, ele deseja que aquilo dure. E o fim de um prazer é vivido como um abandono.
A pessoa dependente, inclinada para seu lado vítima, tende a ter uma voz de criança e a fazer muitas perguntas, em especial se for uma mulher. Isso pode ser constatado quando ela pede ajuda: tem grande dificuldade de aceitar uma recusa e sua tendência é insistir. Quanto mais sofre ao receber um “não” como resposta, mais propensa ela fica a utilizar todos os meios para obter o que quer, ou seja, usando manipulação, manha, chantagem emocional, etc.
O dependente pede conselhos com frequência, pois não se julga capaz de chegar lá sozinho, mas isso não significa que escute as sugestões recebidas. Ele fará o que lhe der na veneta, uma vez que o que procurava não era necessariamente ajuda, mas sim apoio. Quando está com outras pessoas, deixa que andem à sua frente, pois prefere que elas o guiem. Acredita que, se se sair bem sozinho, ninguém cuidará dele no futuro, e o isolamento, de que ele quer fugir a todo custo, virá.
De fato, a solidão é o maior medo do dependente. Ele está convencido de que é incapaz de administrá-la. Por isso se agarra aos outros e faz de tudo para chamar a atenção. Está disposto a qualquer coisa, até mesmo a encarar situações penosas, para ser amado. Seu medo é: “O que farei sozinho, o que será de mim?” Está em constante conflito com ele próprio: se por um lado quer muita atenção, por outro teme, ao demandar demais, que isso termine importunando o outro e este decida abandoná-lo. O dependente usa o sofrimento para tolerar determinadas situações, embora não admita isso. Tomemos o exemplo de uma mulher que vive com um homem que a espanca. Deixá-lo talvez signifique para ela mais sofrimento do que suportá-lo. Na realidade, sua existência repousa na esperança, numa esperança emotiva. Ela não pode admitir sua ferida, pois, se fizer isso, correrá o risco de reviver o sofrimento que essa ferida representa.
A pessoa dependente é aquela com maior capacidade de não enxergar problemas no seu casamento. Temendo ser abandonada, prefere acreditar que tudo vai bem. Se o outro lhe comunica que deseja partir, ela sofre horrores porque, cega para os problemas, não espera por eles. Se esse for o seu caso e você se vê preso, esquivando-se com medo de ser abandonado, procure apoio. Construa uma imagem mental, imagine alguma coisa que o reconforte. Não “desista”; principalmente se você está vivendo momentos de desespero e acha que não pode mais receber ajuda externa. Talvez você pense que não pode se safar sozinho, mas esteja certo de que para todo problema há uma solução. Apoiando a si mesmo, a luz se fará e você encontrará a solução.
O dependente mostra grande dificuldade com a palavra “deixar”, que, para ele, é sinônimo de “abandono”. Se, por exemplo, o dependente fala com uma pessoa que lhe diz “Tenho que deixar você agora, preciso ir”, seu coração se ressente. O simples fato de ouvir a palavra “deixar” lhe desperta emoções. Para não se sentir abandonado, é preciso que o outro lhe explique a razão de sua partida, de preferência sem usar essa palavra.
Quando o dependente se sente abandonado, ele acha que não é suficientemente importante para merecer a atenção do outro. Observei muitas vezes que, se ouso consultar meu relógio para ver a hora (o que faço muito por causa da minha agenda cheia) quando estou na companhia de uma pessoa dependente, sua fisionomia muda. Sinto quanto aquele gesto a transtorna. Ela julga imediatamente que o meu compromisso é mais importante do que ela.
Esse tipo de pessoa também tem dificuldade em deixar um lugar ou abandonar uma situação. Mesmo que o lugar para onde se dirige pareça agradável, ela fica triste ao pensar na partida. Tomemos o exemplo de alguém que parte para uma viagem de algumas semanas. Ele terá dificuldade em se despedir dos colegas, do trabalho ou do lar. E, quando chegar o momento de voltar para casa, ele viverá novamente uma resistência a deixar esse lugar, bem como as pessoas que lá se encontram.
A emoção mais intensa vivida pelo dependente é a tristeza. Ele a sente no fundo de si, sem compreender nem poder explicar de onde ela vem. Para não senti-la, procura a presença dos outros. Pode, no entanto, tomar uma decisão drástica, ou seja, retirar-se, largar a pessoa ou situação que lhe causa essa tristeza ou esse sentimento de solidão. Ele não percebe que, todas as vezes que desiste de alguém ou de algo, também está cometendo um ato de abandono. Nesse momento de crise, ele pode inclusive pensar em suicídio. Em geral, é somente uma simples ameaça, pois tudo o que ele procura, na verdade, é apoio. Se ele tentar o suicídio, falhará. Se, depois de várias tentativas, ninguém resolver lhe dar apoio, é possível que termine conseguindo suicidar-se.
O dependente costuma temer toda forma de autoridade. Ele imagina que alguém que exibe uma voz ou um ar autoritário não vai querer perder tempo com ele. Julga-o indiferente e frio. É por essa razão que é tão caloroso com os outros. Acha que, sendo assim, os outros também serão calorosos e atenciosos em vez de frios ou autoritários.
O dependente costuma empregar bastante as palavras “ausente” e “sozinho”. Ao falar de sua infância, por exemplo, dirá que o deixavam frequentemente sozinho, que sua mãe e seu pai estavam ausentes. Pode reconhecer que sofre de isolamento quando vive uma grande ansiedade ao se imaginar na solidão. Acha que tudo seria muito melhor se tivesse alguém a seu lado. Qualquer ser humano pode se sentir sozinho, mas sem sofrer em demasia com isso. O grau de ansiedade determina o grau do sofrimento. Sentir-se isolado também gera um sentimento de urgência nesse tipo de pessoa, pois ela tem medo de que o que lhe falta lhe seja recusado ou se torne inacessível no momento em que ela o desejar. O que se esconde por trás da sensação de isolamento é: o indivíduo dependente se fecha inconscientemente para a coisa ou pessoa que tanto deseja junto a si. Ele não se abre para receber ou aceitar aquilo ou aquele que deseja por medo de não merecê-lo. Até porque ele tem medo das emoções que toda essa atenção poderia fazê-lo viver. É comum observarmos esse comportamento entre os inúmeros indivíduos que sabotam a própria felicidade. Assim que uma relação se torna mais intensa, eles dão um jeito de acabar com ela.
A pessoa dependente chora com facilidade, sobretudo quando fala de seus problemas ou aflições. Em seu pranto, podemos sentir que ela acusa os outros de se esquivarem quando ela tem problemas ou adoece. Acusa até Deus de abandoná-la. Pensa que tem razão. Não percebe que é ela própria quem abre mão dos outros. Tampouco se dá conta da quantidade de projetos em curso que ela abandona. Seu ego lhe prega peças; como, aliás, faz a todos nós.
O dependente precisa da atenção e da presença dos outros, mas não percebe a quantidade de vezes que não age com os outros como gostaria que agissem com ele. Por exemplo, ele gosta de sentar-se sozinho para ler um livro, mas não suporta que seu cônjuge faça o mesmo. Adora ir sozinho a certos lugares, mas se sentirá abandonado e desdenhado se o parceiro agir da mesma forma. Ele pensa: “Na verdade, não sou suficientemente importante para que ele me convide.” Se não for chamado para uma reunião ou para um encontro ao qual acredita que deveria comparecer, se sentirá muito mal. E mergulhará numa grande tristeza, num sentimento de abandono e de autodesprezo.
O dependente tem o hábito de tocar na pessoa amada. Em criança, a menina se liga fisicamente ao pai e o menino, à mãe. Num casal, é comum o dependente se apoiar no outro ou lhe dar a mão ou tocá-lo. Quando está de pé, ele procura se recostar numa parede ou numa porta. E, mesmo sentado, tem dificuldade de se manter aprumado; apoia seu braço no encosto ou afunda na cadeira. De todo modo, tem dificuldade de se manter ereto, tende a se inclinar para a frente.
Quando você vir alguém procurando muita atenção numa reunião, observe seu corpo e verá o dependente que mora nele. Em minhas oficinas noto que há sempre pessoas aproveitando os intervalos para me fazer perguntas em particular. Constato invariavelmente que elas portam a máscara de dependente. Em geral, peço-lhes que me façam as mesmas perguntas durante a oficina, pois são boas questões e as respostas podem interessar aos outros participantes. Quando a aula recomeça, elas quase sempre se negam a perguntar qualquer coisa. O que lhes interessava era que eu lhes respondesse em particular. Às vezes, aconselho a essas pessoas que procurem uma terapia para obterem assim toda a atenção que desejam. Entretanto, essa solução tem seus limites, uma vez que pode alimentar a ferida em vez de curá-la.
Outra maneira de chamar a atenção é ocupar uma função que implique acesso a um grande público. Muitos cantores, atores e artistas são dependentes. Eles se sentem bem no papel de vedete, de destaque.
Numa consulta particular, o dependente é o tipo que mais costuma estabelecer uma transferência com seu terapeuta. Ele procura no profissional o apoio não recebido dos pais ou do cônjuge. Uma amiga psicóloga me contou que certo dia um cliente teve uma crise de ciúmes quando ela lhe comunicou que seria substituída por um colega durante suas duas semanas de férias com o marido. Percebendo que o cliente fizera uma transferência, logo viu que se tratava de um perfil dependente. Sempre recomendo aos meus amigos psicólogos e terapeutas que sejam bem vigilantes, pois há grande risco de transferência quando seu cliente sofre de abandono.
O dependente é uma pessoa que se entrosa facilmente com os outros, o que o leva a sentir-se responsável pela tristeza e felicidade alheias, da mesma forma que ele julga que os outros são responsáveis pela felicidade ou infelicidade que sente. Uma pessoa exclusivista – também denominada pessoa psíquica – sente as emoções dos outros e se deixa influenciar por elas com facilidade. Paradoxalmente, esse desejo de fusão engendra muitos medos, podendo inclusive chegar à agorafobia.
Essa fobia consiste num medo doentio de espaços abertos e locais públicos. É a fobia mais comum. As mulheres são duas vezes mais propensas a ela do que os homens. Muitos homens escondem sua agorafobia no alcoolismo. Preferem tornar-se alcoólatras a confessar seu grande e incontrolável medo. O agorafóbico queixa-se frequentemente de viver ansioso e angustiado, a ponto de entrar em pânico. Uma situação angustiante acarreta no agorafóbico reações fisiológicas (palpitação cardíaca, ausências, tensões ou fraquezas musculares, transpiração, dificuldades respiratórias, náuseas, incontinência urinária, etc.) que podem levar ao pânico, reações cognitivas (sentimentos de estranheza, medo de perder o controle, de enlouquecer, de ser humilhado publicamente, de desmaiar, de morrer, etc.) e reações comportamentais (fuga das situações de ansiedade e, naturalmente, de todo lugar que lhe pareça distante do local ou da pessoa reconfortante de que ele precisa). A maioria dos agorafóbicos sofre de hipoglicemia.
O medo e as sensações que o agorafóbico experimenta são tão fortes que o levam inclusive a evitar as situações que não pode evitar. É por essa razão que ele precisa encontrar alguém próximo e acolhedor com quem sair e um lugar reconfortante onde se refugiar. Há inclusive pessoas que simplesmente não conseguem sair mais. Encontram sempre uma boa razão para isso, antecipando tragédias que nunca se concretizam.
A maioria dos agorafóbicos foi muito dependente de suas mães quando jovens e se sentiram responsáveis por sua felicidade e por ajudá-las em seu papel de mãe. O agorafóbico pode se ajudar emocionalmente resolvendo sua relação com a mãe.
Os dois grandes temores do agorafóbico são o medo de morrer e o medo da loucura. Após encontrar agorafóbicos em quase todas as oficinas que ministrei, pude fazer uma síntese interessante a respeito desse transtorno, o que ajudou centenas de indivíduos. Esses medos vêm da infância e foram vividos no isolamento. Um foco propício à eclosão desse mal é a morte ou a loucura de alguém no círculo familiar.
Esse medo de morrer no agorafóbico é vivido em todos os níveis, embora ele nem se dê conta disso. Ele não se julga capaz de enfrentar uma mudança em qualquer domínio que seja, pois isso representaria uma morte simbólica. Eis por que toda mudança lhe gera angústia e acentua seu grau de agorafobia. Isso pode acontecer em momentos de transição, como a passagem da infância à adolescência, da adolescência à idade adulta, de solteiro a casado, uma transferência de cargo, uma mudança de domicílio, um novo trabalho, uma gravidez, um acidente, uma separação, a morte ou o nascimento de alguém, etc.
Durante vários anos, esses medos e angústias podem ser inconscientes e represados. E então, um dia, quando atinge seu limite mental e emocional, o agorafóbico não consegue mais se conter e seus medos se tornam conscientes e visíveis.
O agorafóbico costuma ter uma imaginação fértil e descontrolada. Ele se vê em situações muito além da realidade e se julga incapaz de fazer frente a essas mudanças. Sua grande atividade mental o faz temer a loucura. Ele não ousa falar sobre suas questões com os outros, pois receia que o considerem louco. É preciso compreender que isso não é loucura, mas uma sensibilidade forte e mal administrada.
Se você se encaixa nos critérios acima, saiba que o que está vivendo não é loucura e não mata. Você simplesmente se abriu demais, quando jovem, para as emoções dos outros, julgando ser responsável pela felicidade ou infelicidade deles. Por conseguinte, tornou-se demasiado psíquico para poder estar à espreita e prevenir os infortúnios. Eis por que você absorve todas as emoções e medos alheios quando se vê num local público. O mais importante é aprender a verdadeira noção de responsabilidade, pois aquela em que você acreditou até agora não é boa para você.
Constatei o caráter do dependente na maioria dos agorafóbicos que encontrei até agora. Na definição da agorafobia, consta o medo da morte e da loucura. No âmago do dependente, quando um ente querido falece, ele vive um sentimento de abandono. Sente cada vez mais dificuldade para aceitar a morte de quem quer que seja, pois cada morte reabre sua ferida do abandono, contribuindo para acentuar seu grau de agorafobia. Pude observar que a pessoa cuja ferida do abandono predomina tem mais medo da morte, enquanto aquela cuja ferida predominante é a traição tem mais medo da loucura. Discorro sobre a ferida da traição no Capítulo 5.
A mãe dependente, exclusivista, depende muito do amor do filho e faz de tudo para que ele perceba isso. O amor dos outros, principalmente dos mais próximos, ampara os dependentes. Ajuda-os a se manterem de pé. Ouvi pessoas dependentes dizerem: “Não posso suportar uma circunstância em que alguém não me ama; farei de tudo para dar um jeito nessa situação.” Quando alguém dependente afirma “É importante você me ligar para me dar notícias”, na realidade quer dizer “Quando você me liga, eu me sinto importante”. Ele precisa a todo custo que os outros o façam sentir-se importante, pois não consegue isso por si mesmo.
Quando em contato com os problemas causados pela sua dependência, o indivíduo anseia ser independente. Julgar-se independente torna-se, então, uma reação muito comum nessas pessoas, que adoram dizer aos outros a que ponto se consideram independentes. Entretanto, isso só faz acentuar e esconder a ferida do abandono, uma vez que ela não é tratada.
Por exemplo, uma pessoa dependente diz que não quer ter filhos e usa como justificativa o desejo de conservar a própria independência. Na verdade, no homem dependente, isso costuma esconder o medo de não receber mais toda a atenção de sua parceira se houver uma criança em casa. No caso da mulher dependente, por sua vez, o medo maior é o de se sentir sufocada por todas as obrigações que um filho acarreta. Em contrapartida, se ela quiser ter filhos, se sentirá mais confortável enquanto eles ainda forem crianças, pois serão mais dependentes dela. Isso a faz se sentir mais importante. O dependente tem mais interesse em alcançar a autonomia do que a independência. Explico como conseguir isso no último capítulo.
Em sua vida sexual, o comportamento do dependente também é assim. Ele usa o sexo para prender o outro. Isso é mais perceptível na mulher. Quando a pessoa dependente se sente desejada por outra, ela se julga mais importante. Entre os cinco tipos, eu diria que a pessoa que receia ser abandonada é a que mais ama o sexo, tendo impulso sexual mais intenso que o seu cônjuge. Não é raro observar que os indivíduos que se queixam de falta de sexo em geral sofrem da ferida do abandono e usam a máscara de dependente.
Quando a mulher dependente não deseja fazer sexo, ela não diz isso a seu parceiro. Prefere fingir desfrutar, pois não quer perder uma oportunidade de se sentir desejada. Conheci inclusive algumas mulheres que aceitaram manter seu relacionamento mesmo sabendo que o marido tinha outra. O homem dependente, por sua vez, prefere fingir não saber que a mulher tem um amante. Essas pessoas preferem suportar esse tipo de situação a serem abandonadas. Não é o seu ideal, mas elas estão dispostas a tudo para não perder o parceiro.
Depois de tudo que foi dito neste capítulo, fica evidente que a ferida do abandono afeta nossa comunicação. Os medos que impedem o dependente de se comunicar com clareza e expor suas demandas são: de chorar, de que o outro vá embora, de que o outro não concorde e ignore o que é dito ou pedido, de receber um não, de ser rechaçado, de não ser apoiado como espera, de não corresponder às expectativas dos outros. Se você se vê nesses medos, precisa compreender que não está sendo você mesmo e que é sua ferida do abandono que está prevalecendo.
Na esfera alimentar, o dependente consegue comer muito sem ganhar peso. Como sua atitude interior geral é nunca ter o suficiente, é também essa a mensagem que seu corpo recebe quando ele come. Seu corpo reage em consequência disso. Quando uma pessoa come, mesmo que muito pouco, pensando estar ingerindo muito, seu corpo recebe essa mensagem e reage como se fosse muito. E ela passa, então, a ganhar peso.
No capítulo anterior, mencionei que o escapista tem tendência a se tornar anoréxico, enquanto o dependente tende mais para a bulimia. Minhas pesquisas me levam a concluir que, quando um homem dependente tem sintomas de bulimia, é porque ele procura nutrir-se de sua mãe, tamanha é a falta que sente dela. Quando a bulimia se manifesta numa mulher dependente, é o seu pai que lhe faz falta. Quando essas pessoas não têm substituto para o pai ausente, fazem uma transferência para a comida. A palavra “devorar”, aliás, está muito presente em seu vocabulário. Elas dirão, por exemplo, “Meu filho devora toda a minha energia” ou “Meu trabalho devora o meu tempo”.
O dependente prefere os alimentos macios aos alimentos duros. Em geral, também gosta muito de pão, que é o símbolo da terra provedora. Ele mastiga lentamente para fazer durar o prazer e a atenção, em especial quando está na companhia de outras pessoas. Aliás, as pessoas dependentes não gostam de fazer refeições sozinhas, principalmente fora de casa. Além disso, tendo dificuldade com a palavra “deixar”, nunca deixam nada no prato. Tudo isso se passa de maneira inconsciente.
No tocante às doenças, o dependente em geral foi uma criança doente, fraca ou franzina. Eis alguns males que podem se manifestar nas pessoas que sofrem da ferida do abandono:
asma. Uma doença em que a expiração torna-se difícil ou penosa. No plano metafísico, essa doença indica que a pessoa “recebe” mais do que deveria e só “dá” com grande dificuldade.
bronquite. Quando o dependente sofre de um problema nos brônquios, isso indica que ele tem a impressão de não receber o suficiente de sua família, da qual depende extremamente. Ele tem interesse em acreditar que possui um lugar na família, e não precisa se esforçar para conseguir acreditar nisso.
problemas no pâncreas (hipoglicemia e diabetes) e nas glândulas suprarrenais. Por conta de seu lado psíquico exclusivista, o dependente é propenso a ter problemas no pâncreas e nas glândulas suprarrenais. Todo o seu sistema digestivo permanece frágil porque ele acredita não ter se alimentado adequadamente, mesmo que essa carência não tenha nenhuma relação com o plano físico. Embora a carência se situe no plano afetivo, seu corpo físico, sendo o reflexo de seu psiquismo, recebe a mensagem dessa falta.
miopia. Doença comum nos dependentes, ela representa a dificuldade de enxergar longe. Está ligada ao medo do futuro, sobretudo de enfrentá-lo sozinho.
histeria. O dependente que alimenta muito o seu lado vítima pode vir a sofrer desse mal. Em psicologia, dizemos que a pessoa histérica é semelhante à criança que teme ser privada do leite materno e abandonada – é por isso que ela manifesta suas emoções de forma ruidosa.
depressão. Vários dependentes acabam sofrendo de depressão quando sua ferida é muito grave e eles percebem sua incapacidade de se sentir amados como desejariam. É também uma maneira de obter atenção. enxaqueca. A pessoa dependente sofre desse mal porque evita ser ela mesma. Ela bloqueia seu verdadeiro Eu. Faz malabarismos para ser o que
os outros querem que ela seja ou vive demasiado na sombra das pessoas que ama.
doenças raras ou doenças ditas incuráveis. Pude observar que o dependente contrai com mais frequência enfermidades graves ou que exigem atenção especial. Ressalto que, quando a medicina tacha uma doença de incurável, ela nos anuncia, na realidade, que a ciência não descobriu ainda uma cura para ela.
As doenças e indisposições acima mencionadas também podem se manifestar em pessoas com os outros tipos de ferida, mas parecem bem mais comuns nas pessoas que sofrem de abandono.
Se você se reconhece na ferida do abandono, lembre que essa ferida foi gerada pelo genitor do sexo oposto ao seu e continua a ser ativada por qualquer outra pessoa do sexo oposto. Logo, é completamente normal e humano ter ressentimentos em relação a esse genitor ou a essas pessoas.
Enquanto guardarmos ressentimento contra um de nossos pais (mesmo
inconscientemente), nossas relações com todas as outras pessoas do mesmo
sexo desse genitor serão difíceis.
Em geral, o genitor responsável pela nossa ferida (pai no caso das mulheres e mãe no caso dos homens) também viveu a mesma ferida no passado, ativada pelo genitor do sexo oposto (que tem o mesmo sexo que você). As mesmas feridas se repetem de geração em geração.
Lembre-se de que nossa incapacidade de nos perdoar pelo que fizemos aos outros (ou a nós mesmos) é a principal causa de uma ferida. É difícil para uma pessoa se perdoar, pois, em geral, ela nem mesmo percebe que se odeia. Quanto mais profunda a ferida do abandono, maior o grau de autoabandono ou de abandono a outras pessoas, situações ou projetos. Nós criticamos nos outros tudo que nós mesmos fazemos e não queremos ver. Eis a razão por que atraímos para nosso convívio indivíduos que apontam o que fazemos de errado.
Assim como na ferida da rejeição, a vergonha é um sentimento comum. É normal achar vergonhoso ter comportamentos que criticamos nos outros.
Logo, é importante e urgente saldar tudo com nossos pais, pois é desse modo que deixaremos de repetir o mesmo tipo de situação. Pesquisas nas áreas da medicina e da psicologia constataram a perpetuação, de geração para geração, de doenças ou comportamentos destrutivos. Elas apontam para a existência de famílias de diabéticos, cardíacos, cancerosos, asmáticos, da mesma forma que para famílias de violentos, incestuosos, alcoólatras, etc.
Se você reconhece em si próprio as características do dependente, mesmo tendo recebido muita atenção por parte do seu genitor do sexo oposto, eis o que pode ter acontecido: a atenção recebida talvez não tenha correspondido àquela que você desejava. Ou talvez você tenha se sentido sufocado por essa atenção.
Posso citar como exemplo meu filho mais velho, em quem a figura do abandono permanece presente no corpo de adulto. Dos meus três filhos, ele foi o que recebeu mais atenção da minha parte. Ainda jovem e sem trabalhar fora, eu ficava em casa com ele. E era muito rígida e severa em situações que, segundo ele, não justificavam tal atitude. Eu não o largava; vigiava tudo que fazia porque queria fazer dele um ser humano perfeito (segundo minha noção de perfeição). Hoje compreendo que não era esse o tipo de atenção que meu filho desejava. Ele, então, viveu a ferida do abandono e acho normal que tenha me culpado na juventude. Agora percebo que essa experiência fazia parte de seu plano de vida e que tínhamos de compreender várias coisas juntos. Ele precisava de uma mãe como eu para realizar seu processo de perdão frente ao abandono e eu precisava de um filho como ele para me ajudar a quitar algumas coisas com meu pai. Falarei mais sobre isso no capítulo sobre a traição.
As leis espirituais explicam que, enquanto uma pessoa não tiver vivido uma experiência no amor, ela deverá voltar à Terra para reviver a mesma experiência. Voltamos com as mesmas almas, mas em papéis diferentes. Tudo isso para termos uma chance de quitar definitivamente o que não saldamos em nossas vidas pregressas.
Não se esqueça de que as características e os comportamentos descritos neste capítulo estão presentes apenas quando uma pessoa vítima de abandono veste
sua máscara de dependente, julgando assim evitar o sofrimento. Conforme a
gravidade da ferida e a intensidade da dor, essa máscara pode ser usada com
maior ou menor frequência.
Como acontece na ferida da rejeição e em todas as outras que trataremos daqui em diante, a pessoa sempre usa uma máscara específica por medo de reviver a ferida original. No caso deste capítulo, o indivíduo se esconde atrás da máscara do dependente para fugir do sentimento de abandono.
Se você tem a ferida do abandono, provavelmente se reconheceu em alguns dos traços de personalidade que descrevi aqui. Mas reforço que, qualquer que seja a ferida, é quase impossível que alguém se identifique com todas as características referentes a ela. No entanto, quanto mais profunda for sua ferida, mais frequente será o uso da máscara, ou seja, mais características irá apresentar.
CARACTERÍSTICAS DA FERIDA DO
ABANDONO
DESPERTAR DA FERIDA: Entre 1 e 3 anos de idade com o genitor do sexo
oposto. Falta de alimento afetivo ou do tipo de alimento desejado.
MÁSCARA: Dependente.
CORPO: Comprido, magro, sem tônus, pernas fracas, dorso curvado,
braços parecendo compridos demais e pendendo ao longo do corpo,
partes do corpo caídas ou flácidas.
OLHOS: Grandes, tristes. Olhar repuxado.
VOCABULÁRIO: “Ausente”, “sozinho”, “não suporto”, “estou sendo
devorado”, “não largam do meu pé”.
CARÁTER: Vítima. Exclusivista. Necessidade de presença, de atenção, de
apoio e, principalmente, de amparo. Dificuldade de fazer ou decidir
alguma coisa sozinho. Pede conselhos, não necessariamente para
segui-los. Voz de criança. Dificuldade de receber um não (de aceitar
uma recusa). Triste. Chora com facilidade. Desperta compaixão.
Prende-se fisicamente aos outros. Racional. Busca independência.
Gosta de sexo.
MAIOR MEDO: Solidão.
ALIMENTAÇÃO: Bom apetite. Bulimia. Gosta de alimentos macios. Come
lentamente.
DOENÇAS POSSÍVEIS: Dor nas costas • asma • bronquite • enxaqueca •
hipoglicemia • agorafobia • diabetes • problemas nas glândulas
suprarrenais • miopia • histeria • depressão • doenças raras • doenças
incuráveis.
ASPECTO FÍSICO DO MASOQUISTA
(FERIDA DA HUMILHAÇÃO)