As Mentiras na Propaganda e na Publicidade

Guy Durandin · Capítulo 1 de 3 · parte 5/5

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As Mentiras na Propaganda e na Publicidade

As Mentiras

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 5 partes.

Esses estudos foram em seguida aplicados aos acidentes de autom óvel, e o Ministério da Saúde Pública dos Estados Unidos uniu-se às Forças Arm adas para apoiar os trabalhos da equipe de pesquisas de Cornell. Foram estudados os ferim entos causados pela coluna de dire-

ção, painel, pára-brisas, e tam bém pelo cinto de segurança. No início de 1955, a equipe, cham ada ACIR, publicou um relatório com parativo entre os autom óveis produzidos de 1940 a 1949 e os de 1950 a 1954, e concluiu que os m odelos recentes não ofereciam m aior segurança que os antigos; ocorria até m esm o o contrário. Percebendo a im portância desses trabalhos, as grandes indústrias autom obilísticas, com o Ford, Chry sler e General Motors, decidiram apoiar financeiram ente a ACIR.

Mas conseguiram controlar os relatórios da ACIR antes da publicação e exigiram , entre outras coisas, que as m arcas dos autom óveis obj eto de estudos após os acidentes não fossem divulgadas. Assim , as m esm as forças econôm icas fornecem as inform ações que são de seu agrado, sob a form a de publicidade, m as encontram um a m aneira para que as outras não cheguem ao público. Pensando bem , isso é natural. Quem detém um poder, sej a econôm ico ou político, tem interesse em dizer certas coisas, e em calar sobre outras. Mas, para o cidadão-consum idor, interessaria que a inform ação não estivesse na dependência exclusiva do poder político nem dos produtores.

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II. A NEGAÇÃO

Em propaganda

A negação e a denegação são freqüentes em propaganda e contrapropaganda. Elas podem se referir a fatos ou intenções.

Referência a fatos Por exem plo, o presidente da França Georges Pom pidou m orreu em 2 de abril de 1974, depois de um a longa enferm idade.O público tinha um vago conhecim ento dessa enferm idade, em geral sob a form a de boatos. Porém , durante a reunião do m inistério de 27 de m arço, o presidente passou m al, apareceu m uito cansado, e abor-dou diante dos m inistros o problem a de sua saúde. Isso foi divulgado por um j ornalista da agência France Presse. Mas o porta-voz do governo declarou nessa m esm a noite na televisão: Querer a qualquer custo que o presidente estej a doente é próprio da neurose coletiva.

Referência a intenções Em 28 de abril de 1939, Hitler fez um longo discurso no Reichstag revelando a proposta que fizera ao governo polonês a respeito de Dantzig.3 Declarou que essa proposta era a m aior concessão im aginável no interesse da paz européia e inform ou ao Reichstag que o governo polonês a havia rej eitado. E disse: Lastim o a incom preensível atitude do governo polonês. O pior é que hoj e, com o a Tchecoslováquia há um ano, a Polônia pensa que deve, sob a pressão de um a cam panha m entirosa internacional, m obilizar suas tropas, m esm o que a Alem anha não tenha m obilizado um único hom em , nem pensado em em preender nenhum a ação contra a Polônia. Isso é lastim ável e a posteridade decidirá se houve razão em recusar esta proposta única, pois não a farei novam ente.... E acrescentou que os boatos segundo os quais a Alem anha tinha intenção de atacar a Polônia eram pura e sim plesm ente invencionices da im prensa internacional (segundo W.L. Shirer, 1960, p. 509).

3Dantzig é a atual Gdánsk, um porto no m ar Báltico, na foz do rio Vístula. Foi incorporada à Prússia Oriental (Alem anha) após o desm em bram ento da Polônia em 1793. Mas era reivindicada pela Polônia, que precisava de um a saída para o m ar. Após a guerra de 1914-1918 e a derrota da Alem anha, foi declarada cidade livre pelo Tratado de Versalhes, e colocada sob a proteção da Sociedade das Nações. Isso estabelecia um a separação entre a Prússia Oriental e o resto da Alem anha, e Hitler aproveitou-se das dificuldades causadas por esse corredor para provocar o aum ento da tensão entre a Polônia e a Alem anha.

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Porém , diz Shirer, ninguém , entre as dezenas de m ilhões de ouvintes de Hitler, sabia nesse m om ento que ele dera um a ordem por escrito ao exército, três sem anas antes, determ inando que se preparasse para destruir a Polônia até 1o de setem bro no m áxim o. A invasão da Polônia com eçou efetivam ente em 1o de setem bro de 1939.

Observem os que, nessa declaração, Hitler usou dois procedim entos m entirosos ao m esm o tem po. Não som ente negou seus proj etos de agressão, m as acusou a im prensa internacional de inventar m entiras; e utilizou, além da m entira, dois outros procedim entos de propaganda: tentou j ogar a culpa nos dirigentes poloneses, taxando-os de in-transigentes e im prudentes, e recorreu à am eaça ao declarar que não faria a proposta um a segunda vez. Mas o conj unto desses procedim entos é dom inado pela m entira, pois Hitler j á decidira atacar a Polônia, e as reações dos dirigentes poloneses, quaisquer que fossem , não teriam alterado em nada sua decisão.

A negação, referindo-se a fatos ou a intenções, vem acom panhada freqüentem ente de afirm ações substitutivas, pois só se destrói verdadeiram ente o que se substitui. Por exem plo, um país acusa outro de fabricar gases para com bates. O outro responderá com um a dupla proposição, um a negativa, a outra afirm ativa:

1) não se trata de gases asfixiantes;

2) são inseticidas de uso agrícola.

Nesse caso, pode-se negar o próprio fato e substituí-lo por outro, j á que sua natureza é difícil de verificar.

Se no entanto o fato é evidente, a negação e a afirm ação substitutiva versarão de preferência sobre as intenções. Se um dos países acusa o outro de aum entar o núm ero de m ísseis e preparar um a agressão, este responderá: 1) não tem os intenções agressivas;

2) os m ísseis que estam os construindo têm finalidade exclusivam ente defensiva.

Acrescentem os que a denegação vem freqüentem ente acom panhada por um a acusação de que o adversário está m entindo, e isto deriva do sim ples j ogo da lógica: entre dois interlocutores, se um diz branco e o outro diz preto, é necessário que um dos dois estej a m entindo ou estej a enganado. Para dar m ais credibilidade à sua própria m entira, cada um deles acusa o outro de m entiroso.

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Na propaganda nazista, essa acusação de m entira foi freqüente, e vim os um exem plo na declaração sobre a Polônia. Mas exam inem os outros exem plos.

Duas sem anas antes de subir ao poder, Hitler m andou publicar no Völkischer Beobachter de 14 de j aneiro de 1933 a seguinte declaração:

A im prensa próxim a do governo veiculou sistem aticam ente durante os últim os dias um a onda de afirm ações falsas sobre o NSDAP

e sobre a m inha pessoa. Entre outras coisas, dizem :

que as receitas correntes do partido não cobrem as despesas correntes;

que por isso industriais do oeste da Alem anha teriam feito um a tentativa de conciliação entre o ex-chanceler Von Papen e m im ;

que eu estaria pronto a aceitar exigências políticas dos industriais em troca de dinheiro;

que eu procuro receber dinheiro governam ental em troca da obrigação de tolerar o gabinete Schleicher:

e que eu contratei um em préstim o de 4 m ilhões para m im ou para o NDSAP j unto ao banqueiro sueco que tem o nom e j udeu de Marcus Wallenberg, crédito que teria sido concedido a m im em troca de garantias equivalentes, isto é, de com prom issos políticos.

Todas estas afirm ações constituem , palavra por palavra, puras invenções e m entiras. Assinado: Adolf Hitler. (A. Grosser, 1960, p. 110.) No entanto, todas essas afirm ações correspondiam à realidade!

Mas Hitler fez a escolha, audaciosa, de repetir todas elas, para rej eitá-las em bloco, e sem fornecer a m ínim a prova.

Quanto a Goebbels, este proibiu, j á no prim eiro dia da guerra, 1o de setem bro de 1939, a escuta das rádios estrangeiras, e tentou j ustificar essa m edida explicando à população que a rádio alem ã dizia a verdade, enquanto as em issões estrangeiras estavam repletas de m entiras. E criou um serviço especial de estatística, encarregado de recensear as m entiras da im prensa e das rádios estrangeiras. Seu colaborador, Fritzsche, afirm ou pouco tem po depois que havia assinalado, em sete sem anas de guerra, 108 casos (segundo C. Riess, 1956, p. 350).

Em 28 de m arço de 1933, um a ordem da direção do Partido Nazista determ inava a todas as suas seções a criação de com itês locais encarregados de boicotar loj as j udias, m édicos e advogados j udeus. O

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parágrafo 8 dizia que o boicote não deveria ocorrer de m odo esparso, m as de um a só vez, em 1o de abril às 10 h exatam ente. E se tornaria público por m eio de cartazes, distribuição de folhetos, im prensa etc.

Esses m esm os com itês deveriam vigiar com atenção os j ornais para verificar em que m edida eles participam da cam panha de inform a-ções contra a cam panha que fazem os j udeus no exterior contra nós, acusando-nos de atrocidades*(parágrafo 5).4

E eles eram encarregados de cuidar para que todo alem ão com relações no exterior aproveitasse isso para divulgar a verdade* (parágrafo 11) por m eio de cartas, telegram as, conversas telefônicas, dizendo que a ordem e a calm a reinavam na Alem anha, que o povo alem ão só queria viver em paz com o resto do m undo e que sua luta era puram ente defensiva (segundo W. Hofer, 1962, p. 302 a 304).

Em agosto de 1939, a agência Havas (que viria a ser, depois da guerra, a Agência Francesa de Notícias) publicou, no dia 14, um a inform ação recebida de seu escritório de Tóquio, segundo a qual havia um a negociação em andam ento de Berlim e Moscou para um pacto de não-agressão entre Hitler e Stálin. A notícia teve grande repercussão. E

Goebbels, convocando no m esm o dia a im prensa, desm entiu-a catego-ricam ente, acusando os j ornalistas de veicular rum ores ridículos. Mas, em 21 de agosto, ele anunciava oficialm ente o pacto, que foi assinado no dia 24 (segundo R. Guillain, 1981, p. 42 a 46).

Em 17 de dezem bro de 1942, a OFI, que era um a agência de inform ação, na França, sob controle alem ão, denunciava as invencionices anglo-saxãs, os m entirosos profissionais de Moscou, as m onstruosas notícias falsas que não têm nenhum a base real (R.-G. Nobécourt, 1962, p. 45).

E, no dia 18 de fevereiro de 1943 (isto é, poucas sem anas após a capitulação do 6o Exército alem ão diante de Stalingrado), outra agência obediente aos alem ães divulgou que a Rússia havia escondido do m undo sua população total. Ela teria falsificado os recenseam entos oficiais deixando de contar a população da Mongólia, estim ada atualm ente em 80

m ilhões de habitantes. (...) Relatórios dos oficiais alem ães no front sul da Rússia dão conta que as tropas que ocuparam sucessivam ente Rostov, 4Quando, num a citação, o texto aparece em itálico e seguido de um asterisco (*), significa que é nosso o destaque.

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Vorochilovgrad e que com batem ainda em Kharkov são quase exclusivam ente com postas por m ongóis (R.-G. Nobécourt, 1962, p. 459).

A acusação de m entira foi freqüente tam bém na propaganda sovié-tica. Lem brarem os, a esse respeito, os acontecim entos ocorridos no Afeganistão, no final de 1979.

Na noite de 27 de dezem bro de 1979, com bates de rua eram travados em Kabul, e o presidente Hafizullah Am in foi elim inado e substituído por Babrak Karm al. A Rádio Kabul anunciou que Am in fora j ulgado por um tribunal popular, condenado à m orte e executado.

Esse golpe de Estado foi realizado com a aj uda da União Sovié-

tica, que enviara num erosas tropas, por ponte aérea, nos três dias anteriores. Os aviões Antonov aterrissavam seguidam ente, com poucos m inutos de intervalo. E os com bates, no centro da cidade, colocaram frente a frente as tropas soviéticas e afegãos que continuavam fiéis a Am in.5 A Rádio Kabul, aliás, declarou que o governo revolucionário recebia o apoio m oral, financeiro e m ilitar da URSS, que, em virtude do tratado soviético-afegão de dezem bro de 1978, m andara soldados e especialistas a Kabul, de pleno acordo com o governo afegão (Le Monde de 29 de dezem bro).

É difícil acreditar que o chefe do governo afegão, na ocasião Am in, tenha convidado as tropas estrangeiras a vir derrubá-lo, executá-

lo, a ele e sua fam ília, e teria assistido, durante vários dias, aos preparativos dessa operação.

5Para esclarecer esses acontecim entos, lem brarem os rapidam ente alguns fatos: 1) 17 de j ulho de 1973: o rei do Afeganistão, Zaher, é derrubado por Daud, antigo prim eiro-m inistro.

2) 27-30 de abril de 1978: Daud é derrubado por um golpe. Um conselho revolucionário é criado. Taraki é nom eado chefe de Estado. A URSS é o prim eiro país a reconhecer o novo regim e.

3) 16 de setem bro de 1979: Taraki é m orto, durante um golpe de Estado organizado por seu prim eiro-m inistro, Am in. A URSS continua a apoiar o regim e.

4) Quanto a Karm al, havia sido vice-presidente do conselho revolucionário do tem po de Taraki, e afastado desta função no verão de 1978.

Taraki, Am in e Karm al praticaram um a política anti-religiosa, que provocou a ira dos m uçul-m anos e sua oposição ao regim e. Durante o m esm o período, ocorria no Irã um renascim ento espetacular do Islã (o xá deixou o Irã em j aneiro de 1979, e o aiatolá Khom ey ni retornou no dia 1o de fevereiro).

Para evitar o crescim ento da oposição m uçulm ana, Karm al, tom ando o poder em 27 de dezem bro, prom eteu respeitar a santa religião do Islã, e lançou um apelo à guerra santa, em nom e de Alá, contra os inim igos.

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A inform ação da Rádio Kabul foi divulgada, na realidade, por um a em issora soviética, situada próxim o da fronteira afegã, em Term ez; enquanto isso, a verdadeira Rádio Kabul transm itia sua program ação norm al.

(Obtivem os essa inform ação no livro de Paul Lendvai, 1980, p. 107.) Essa intervenção política e m ilitar soviética provocou protestos em diversos países, particularm ente nos Estados Unidos, onde o presidente Carter declarou em 28 de dezem bro: Um a ingerência tão grosseira nos assuntos internos do Afeganistão é um a violação flagrante das norm as de com portam ento aceitas internacionalm ente.

Em 31 de dezem bro, um longo artigo no Pravda explicava que a revolução de abril de 1978 no Afeganistão teve inevitavelm ente que enfrentar a reação externa. Sob esta expressão, o autor do artigo desig-nava: os im perialistas am ericanos, os dirigentes chineses e, principalm ente, o Paquistão, que ele acusava de receber em issários am ericanos.

Declarava que o governo afegão solicitara por diversas vezes a aj uda m ilitar soviética em 1978 e 1979, para enfrentar a ingerência estrangeira; m as que a reação encontrara um aliado na pessoa de Am in, que, por diferentes artifícios e m entiras, tom ara o poder; que o governo afegão solicitara novam ente a aj uda da URSS e que esta decididiu concordar com o pedido e enviar ao Afeganistão efetivos m ilitares lim itados, que seriam utilizados unicam ente para fazer frente a um a ingerência arm ada do exterior. Esse contingente seria inteiram ente retirado quando o m otivo da ação tivesse cessado. E o autor concluía nestes term os: As elucubrações* divulgadas nestes últim os dias pela propaganda* im perialista a respeito da ocupação do Afeganistão por tropas soviéticas, da participação de m ilitares soviéticos em acontecim entos internos desse país, da ingerência da URSS nos assuntos internos colocando em perigo a paz internacional não têm nada a ver com a realidade*.

Nos dias e m eses seguintes, continuaram as negações de ingerência e a devolução de acusações. Na França, o j ornal LHum anité de 14 de j aneiro, para j ustificar a ação da União Soviética, e confundir os detratores, publicou um artigo sobre o Afeganistão, cuj o título, que ocupava duas páginas, era: Mentiras! Mentiras! Mentiras! Mentiras!

Mentiras! Mentiras! (seis vezes). E intelectuais com unistas publicavam no Le Monde de 22 de j aneiro um m anifesto redigido da seguinte m aneira:

Um a cam panha de rara violência anticom unista se espalha pela 100

França. Ela não tem nada de im provisada*. Usa com o pretexto* a situação no Afeganistão, da qual a im prensa e os m eios de com unicação fornecem um a visão totalm ente deform ada* e condicionada pelos interesses estratégicos do im perialism o am ericano.

Recusam os ser enganados* ou ser cúm plices* da apresentação que se faz da situação no Afeganistão, pois ela ignora a gravidade das questões e dos interesses, cam ufla* o papel desestabilizador dos Estados Unidos e da reação internacional, principalm ente no Oriente Médio e na Ásia ocidental.

(...) Não aceitam os a onda de calúnias* e de deform ações* pelas quais se desnatura a posição do PCF (...).

Os m eios de inform ação públicos a serviço do poder têm um a pesada responsabilidade ao desinform ar* e intoxicar* os franceses. Denunciam os a utilização desavergonhada dos m eios de com unicação* para esse fim . Conclam am os nossos am igos, todos os dem ocratas, para se j untar a este protesto.

Esse m anifesto era acom panhado de um a página inteira de assinaturas.E, em Moscou, durante a festa do Dia do Trabalho, 1º de m aio de 1980, viam -se, entre os cartazes e bandeiras, as seguintes m ensagens:

Pelo fim da ingerência das forças im perialistas no Afeganistão. E, em inglês: Conspiração sino-am ericana: tire suas garras do Afeganistão

(segundo Le Monde, 3 de m aio de 1980).

Observações

1) Resum im os bastante esses acontecim entos, e tom am os com o referência o j ornal Le Monde, desde 28 de dezem bro de 1979 até agosto de 1980. O próprio Le Monde indicava suas fontes: agências de notícias, ou enviados especiais, diplom atas de diversos países em Kabul etc.

2) Há, no conj unto desses acontecim entos, pontos m al conhecidos. Daniel Vernet assinala no Le Monde de 16 de j aneiro de 1980 que não se sabe exatam ente quando Am in foi m orto (em 27 de dezem bro, ou m esm o antes?), nem quando Karm al retornou ao Afeganistão. E a própria im prensa soviética deu sucessivam ente versões diferentes dos acontecim entos.

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Mas um a coisa é certa: a entrada de m uitas dezenas de m ilhares de m ilitares soviéticos no Afeganistão desde dezem bro de 1979.

Acham os que era útil apresentar estes fatos, apesar de não serem com pletam ente conhecidos, para m ostrar o im pacto psicológico da propaganda num a época atual. Quando se fala de fatos m ais antigos, que os historiadores elucidaram , depois de ter acesso aos arquivos correspondentes, dispõe-se de provas irrefutáveis, e então é fácil dizer: Fulano m entiu. Mas, no m om ento, no m eio de afirm ações, desm entidos e acusações, o público tem dificuldade em form ar um a opinião.

3) No caso referido, a propaganda soviética traz: a) de um lado, um a afirm ação: há ingerências externas no Afeganistão; b) de outro, um a negação: a URSS intervém unicam ente para aj udar o povo afegão nessa luta contra as ingerências, e ela própria não tem intenções hegem ônicas. A afirm ação se refere portanto a fatos, enquanto a nega-

ção a intenções.

a) A afirm ação relativa às ingerências estrangeiras é por sua pró-

pria natureza difícil de refutar radicalm ente, pois nunca se pode afirm ar que os serviços secretos de algum país estej am inativos em outro país num m om ento considerado. É im possível fornecer a prova negativa a respeito. É preciso assinalar, aliás, que por vários anos m uitas centenas de m ilhares de afegãos foram se refugiando nos países lim ítrofes, principalm ente no Paquistão. Se alguns desses refugiados em preenderam ações contra o regim e, é fácil afirm ar que elas se originaram no exterior. Portanto, a noção de ingerência estrangeira constitui um pretexto fácil de utilizar.b) Quanto às intenções da União Soviética, obj eto de suas negações, torna-se tam bém praticam ente im possível fornecer provas. A intenção, com o j á observam os, é ao m esm o tem po o m ais im portante a conhecer e o m ais fácil de dissim ular.

A acusação de m entira tem sido freqüente tam bém na propaganda da China Popular, tanto em política interna com o externa.

Em política interna, m encionarem os a cam panha contra Lin-Piao6

e a cam panha contra o Bando dos Quatro. Assim , no j ornal Pequim Inform ação de 18 de fevereiro de 1974, Lin-Piao é caracterizado com o

contra-revolucionário de dupla cara. E dizia-se que ele considerava o 102

estratagem a de Tao-huai (a dissim ulação) com o um inestim ável tesouro para realizar seus planos, que copiara um poem a de um rom ance do século XIV que elogiava esse estratagem a, e que gostava de ditos tais com o: Falar sem m anter necessariam ente sua palavra, agir sem necessariam ente prosseguir em seus atos; Sem pre com o sorriso nos lábi-os; Sem m entiras não há êxito nos assuntos im portantes. Da m esm a form a, a respeito do Bando dos Quatro,7 o presidente Hua Kuo-feng declarou a um correspondente iugoslavo (Pequim Inform ação, 18 de agosto de 1980) que, pouco antes de m orrer, o cam arada Mao Tsé-tung estava gravem ente doente e que os Quatro aproveitaram a ocasião para enganá-lo, esconder dele a verdade e intensificar suas atividades conspiradoras.

Em política externa, no verão de 1978, durante o conflito entre a China e o Vietnã,8 os dirigentes vietnam itas acusaram a China de ter feito um a propaganda provocadora. Mas essa acusação é vivam ente rej eitada, e devolvida contra o adversário, em Pequim Inform ação de 13 de j ulho de 1978. Por um lado, afirm ava-se, a China estava m uito atrás do Vietnã quanto à am plitude de sua propaganda. Além disso, as difam a-

ções não podem cam uflar os fatos. Pois nós sem pre raciocinam os a partir de fatos, enquanto em sua propaganda as autoridades vietnam itas recorriam às inj úrias, difam ações e invenções. Tam bém se dizia que a propaganda antichinesa das autoridades vietnam itas não era recente.

Desde m uito tem po, elas procurariam sim ular pretextos para sabotar as relações sino-vietnam itas. E eis a conclusão: Um a questão: ao 6Lin-Piao, nascido por volta de 1908, teve um papel m ilitar m uito im portante na revolução. Com 21 anos, com andou vários exércitos; foi nom eado m arechal em 1955, m inistro da Defesa em 1959, e designado com o futuro sucessor de Mao Tsé-tung em 1969. Mas desapareceu da cena política em 1971. Segundo a versão oficial (só fornecida cerca de um ano depois), ele teria arm ado um com plô contra Mao Tsé-tung, e tentado fugir para a URSS, m as seu avião Trident teria caído na Mongólia. Depois disso, seu nom e se tornou um a espécie de sím bolo do m al e serviu para qualificar adversários de diversas tendências.

7Trata-se de dirigentes de esquerda que foram afastados do poder em outubro de 1976, isto é, cerca de um m ês após a m orte de Mao. Entre os Quatro, estava a própria viúva de Mao, Chiang-Ching.

8O conflito envolvia os vietnam itas de origem chinesa. A China acusava o Vietnã de persegui-los, e o Vietnã acusava a China de incutir-lhes sentim entos de hostilidade contra o povo vietnam ita, e exercer assim um a ingerência nos assuntos internos do Vietnã.

Muitos vietnam itas de origem chinesa tentaram deixar o Vietnã, às vezes em condições dram á-

ticas.

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m esm o tem po em que se dedicam em larga escala à propaganda antichinesa, as autoridades vietnam itas reclam am , com um a seriedade fingida, que a China ponha fim à sua propaganda provocadora. Que valor pode ter esta reclam ação senão exatam ente um efeito de propaganda provocadora?

Em publicidade

Vim os que negação e denegação são freqüentes na propaganda. E na publicidade? Para responder a essa pergunta, é necessário prim eiram ente esclarecer a diferença entre negação e denegação: cham am os negação a operação que consiste em negar um fato (por exem plo, eu digo: Não está chovendo) e denegação a que consiste em negar um a proposição em itida por um interlocutor (por exem plo, o interlocutor disse: Este produto é nocivo). Nos dois casos, refere-se a um fato. Mas a denegação é um a resposta à asserção de um interlocutor a respeito desse fato.

A denegação é rara em publicidade, porque no cam po com ercial os concorrentes não se atacam m uito, ao contrário do que acontece em propaganda política. Em publicidade, cada um dos concorrentes procura exaltar seu produto, e às vezes chega a dizer que é o m elhor em sua categoria; m as denegrir é proibido, pois considerado um a form a de concorrência desleal (cf. P. e F. Greffe, 1979, cap. 5, seção 4). E, pelo fato de os anunciantes não fazerem m uitas censuras uns aos outros, não têm necessidade de recorrer à denegação. Mas a situação poderia se m odificar se a publicidade cham ada com parativa viesse a se desenvolver.9

9Cham a-se publicidade com parativa a que consiste em apresentar um produto com parando-o aos de m arcas concorrentes, e designando estas.

Não há na França nenhum a lei que proíba explicitam ente a publicidade com parativa. Mas a com paração se arrisca a ser identificada com o ato de denegrir, pois, se um anunciante faz o público com parar seu produto com o de um concorrente, é geralm ente para que a superioridade do seu produto apareça, e por conseguinte a inferioridade do produto concorrente.

Ora, o ato de denegrir é considerado com o concorrência desleal; e acarreta a responsabilidade do anunciante, pelo artigo 1.382 do Código Civil da França, que obriga toda pessoa a reparar o prej uízo causado a outra. Desse m odo, na prática, a publicidade com parativa é considerada proibida (cf. J.-C. Fourgoux, 1979, H 4).

Mas há defensores desse tipo de propaganda que a vêem capaz de perm itir um a m elhor inform ação dos consum idores. E ela é autorizada e praticada em outros países: Estados Unidos, Canadá, Dinam arca, Noruega, Suécia, por exem plo.

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Quanto à negação, tam bém é relativam ente rara em publicidade, por um a razão psicológica: as fórm ulas positivas são m ais fáceis de com preender. Elas não com portam am bigüidade, ao passo que, quando se em prega um a fórm ula negativa, corre-se o risco de um a parte do público gravar o conteúdo da proposição, e não perceber a negação.

Com o diz Freud, o inconsciente ignora a negação [cf. S. Freud, O Inconsciente (escrito em 1915)]. Se eu disser este cachorro não é bravo, m eu interlocutor talvez só retenha os dois term os concretos: cachorro e bravo.10 Além disso, a publicidade procura provocar o otim ism o, e de preferência cham a a atenção para os aspectos positivos das coisas, ao invés dos negativos.11

Apesar disso, a negação tem certos usos em publicidade, dos quais indicarem os dois principais:

O Código Internacional de Práticas Leais em Publicidade (adotado pela Câm ara de Com ércio Internacional em 1973) não condena a publicidade com parativa, m as ressalva que ela deve respeitar o princípio da concorrência leal, e não induzir os consum idores em erro. A com paração deve se referir a fatos verificáveis e escolhidos de form a leal. E a Com unidade Econôm ica Européia adotou a m esm a posição em 1978 (cf. J.-C Fourgoux, H 3), o que poderia levar a um a certa m odificação das regras e dos costum es franceses.

A publicidade com parativa é m ais difícil de colocar em prática do que parece, pois um anunciante poderia afirm ar que seu produto é superior ao de um concorrente em um determ inado aspecto; faltaria saber se esse aspecto é im portante, e qual a im portância do produto nos outros aspectos. Para que a com paração se m ostrasse obj etiva, precisaria ser m inuciosa. Mas então se transform aria em inform ação, deixando de ser publicidade, pois o anunciante que com parasse todos os aspectos de seu produto com os dos concorrentes estaria fazendo deles um a espécie de publicidade gratuita. Desse m odo, seria m elhor suprim ir a publicidade com o tal, e criar um catá-

logo dos produtores, com as características dos produtos e de todos os m odelos disponíveis.

Acrescentem os que, m esm o nos países onde é autorizada, a com paração só é utilizada em um pequeno núm ero de anúncios (nos Estados Unidos, a proporção de anúncios com parativos não ultrapassa 15% do total).

Para um estudo m ais detalhado dos princípios da publicidade com parativa e suas aplicações em vários países, consultar J.J. Boddewy n, K. Marton, 1978.

10Alguém poderia obj etar que esse inconveniente se apresenta tanto em propaganda com o em publicidade, e concluir que a negação não é utilizada na propaganda e na publicidade, ou é utilizada nos dois cam pos. Mas essa conclusão está errada, pois o propagandista não tem escolha: ao receber ataques verbais e acusações, é obrigado às vezes a recorrer à negação e à denegação.

11Observem os que a freqüência das fórm ulas negativas em publicidade varia em função dos produtos e das cam adas da população a que se dirige: os anúncios relativos aos produtos m ais refina-dos com portam m ais negações do que os dos produtos populares, pois a clientela dos prim eiros se dá m elhor com as sutilezas, e corre m enor risco de confundir afirm ação com negação.

Além disso, o fato de em itir negações é um a form a de responder antecipadam ente às obj eções que poderiam ser feitas pelos espíritos críticos.

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1) Serve para dar conselhos, que na prática são ordens, quando usa o im perativo negativo, por exem plo: Não pense duas vezes, vá a tal loj a. Ou então: Não perca seus últim os dias de férias, tom e um avião para voltar. Estas fórm ulas no im perativo não com portam m entira, pois não fazem afirm ações ou negações; é o consum idor que deve j ulgar se aceita ou não o conselho.

2) Com relação às negações form uladas no indicativo, servem para designar as dificuldades que um produto pretende resolver, ou os inconvenientes dos quais se diz que o produto está isento.

a) Produtos que perm item resolver um a dificuldade: por exem plo, diz-se a respeito de um a cera que dá brilho sem esfregar. Isso pode ser verdade, m as em graus variados; seria necessário exam inar caso a caso. b) Produtos declarados isentos de um inconveniente.

Três situações podem ocorrer nessa categoria de negação:

Considerem os um suco de fruta sem corantes artificiais.

Essa característica seria fácil de verificar em laboratório, e se o fabricante estiver m entindo, poderá ser condenado pela lei contra a publicidade enganosa. Num caso com o esse, a lei protege satisfatoriam ente o consum idor.

Considerem os agora dois aparelhos destinados a usos sem elhantes, m as com princípios de funcionam ento diferentes: por exem plo, um cortador de gram a com m otor a gasolina e outro elétrico. Se o fabricante do segundo diz que ele funciona sem barulho, isso será verdade em relação ao prim eiro. A com paração se apresenta fácil, e esta publicidade não será enganosa.

Considerem os, porém , um a negação relativa a determ inada técnica, por exem plo um aquecedor a querosene. Um dos fabricantes anuncia um m odelo sem cheiro. Por que ele fala sobre isso? Deve ser porque alguns aquecedores a querosene fabricados até então produzem cheiro desagradável. O com prador potencial estará diante de duas hi-póteses: o fabricante desenvolveu um novo sistem a e conseguiu elim inar o cheiro. E então cairíam os no caso precedente: para técnicas diferentes, resultados diferentes. Ou então a fabricação não m udou, m as o responsável pela publicidade, sabendo que os aquecedores a querosene têm a fam a de produzir cheiro desagradável, decidiu sim plesm ente en-106

frentar esse ponto negativo, e dizer que o problem a está resolvido. Mas o funcionam ento de um aquecedor a com bustão depende de m uitos fatores, não apenas do próprio aparelho, m as da altura, form a, estado da cham iné, qualidade do com bustível e das condições atm osféricas; a verificação nesse caso é portanto m ais difícil do que no dos sucos de fruta com ou sem corantes artificiais.

Em resum o, um a fórm ula negativa, da m esm a form a que um a positiva, pode ser verdadeira ou falsa. Mas as fórm ulas negativas, no terceiro caso que m ostram os, requerem um a vigilância especial por parte do com prador.

III. SUPRESSÕES MATERIAIS: ESCONDER OBJETOS, DESTRUIR OBJETOS, VESTÍGIOS OU DOCUMENTOS

A negação, que acabam os de exam inar, é um a m entira em palavras. Mas pode-se tam bém dissim ular a existência de um a coisa ao escondê-la, ou destruindo obj etos, vestígios ou docum entos.

O artifício de esconder refere-se a obj etos do presente. Ao contrá-

rio, a destruição de obj etos, vestígios ou docum entos refere-se geralm ente a ações do passado.

A) Esconder obj etos

Neste cam po pode-se distinguir dois tipos de ação. Um a é a ca-m uflagem , praticada pelos diversos beligerantes em tem po de guerra para dissim ular as arm as; são escondidas sob folhagens ou pintadas, para se confundirem com o am biente, ou suas form as são disfarçadas.

Isso refere-se m ais à tática do que à propaganda.

A dissim ulação de instalações e de preparativos m ilitares, m esm o em tem po de paz, liga-se à tática (em vista de um a guerra eventual) e à propaganda, pois possibilita declarações pacifistas. Da m esm a form a, quando se procura esconder alguns bairros durante a visita de pessoas fam osas, trata-se de propaganda. Quando o papa João Paulo II esteve em Manilha (Filipinas) em fevereiro de 1981, a m aior parte da favela de Tondo foi ocultada por m eio de painéis (segundo Le Monde de 19 de fevereiro de 1981).

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B) Destruir obj etos, vestígios ou docum entos Obj etos Solj enitsy n relata, em Arquipélago Gulag, que a URSS se preparara secretam ente, durante a Segunda Guerra Mundial, para a guerra quím ica; na retirada de Kuban, um carregam ento de bom bas quím icas foi abandonado por descuido num cam po de pouso. Para evitar que os alem ães e a opinião internacional tom assem conhecim ento, um tenente e vinte pára-quedistas foram lançados por trás das linhas alem ãs; eles esconderam as bom bas rapidam ente, e conseguiram retornar a seu cam po sem serem vistos; o tenente foi indicado para receber a estrela de ouro dos heróis da União Soviética.

Vestígios A destruição de vestígios foi largam ente utilizada pelos nazistas, para ocultar os inúm eros crim es que com eteram nos países m o-m entaneam ente conquistados no leste europeu. A partir de m aio de 1942, a RSHA (Direção Geral dos Serviços de Segurança do Reich) preocupou-se em fazer desaparecer os m ilhares de cadáveres, cobertos superficial-m ente com terra, que os nazistas tinham deixado durante sua passagem . A tarefa foi entregue ao coronel SS Blobel, que dirigia o com ando 1005. Ele localizou as valas com uns, m andou desenterrar os cadáveres e ordenou que sobre eles se j ogasse um líquido especial, para queim á-los. Em agosto de 1942, ele se ocupou, na região de Kiev, de um a fossa de 55 m etros de com prim ento, 3 de largura e 2,50 de profundidade. A incineração levou quase dois dias. Eu cuidava, disse, para que a fossa ficasse em brasa até o fundo. Desse m odo, todos os vestígios foram suprim idos (segundo L.

Poliakov, 1951, p. 160; as palavras de Blobel foram extraídas de seu depoim ento no Processo de Nurem berg, em 1º de novem bro de 1947).

Docum entos Os docum entos, assim com o os vestígios m ateriais, podem constituir provas contra os responsáveis por um governo ou um partido político: provas de decisões crim inais, de intenções agressivas, de prevaricação, ou sim plesm ente de duplicidade. É por isso que, quando há am eaça de um a invasão, os governos destroem grande quantidade de docum entos. Foi assim que, a partir do segundo trim estre de 1944, Goebbels m andou j ogar toneladas de docum entos num im enso pulverizador (segundo C. Riess, 1956, p. 568).

E isso tam bém ocorre não som ente em caso de invasão estrangeira, m as m esm o dentro do país, durante as m udanças de governo.

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Governos, partidos e grandes organizações destroem um a parte de seus arquivos, queim ando-os ou pulverizando-os, para evitar que seus segredos caiam nas m ãos dos novos governantes, e sej am levados ao conhecim ento do público.

Observação Todos os casos de supressão m aterial de que falam os se referem a propaganda ou a luta política. Não falam os de publicidade, pois pessoalm ente não conhecem os nenhum caso desse tipo.

Pode-se supor, no entanto, que a destruição de docum entos com prom ete-dores sej a com um em todos os cam pos de atividade.

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CAPÍTULO 7

Operações do tipo II

As adições:

fazer acreditar na existência de coisas que não existem Em oposição às supressões, que consistem em dissim ular a existência de coisas reais, as operações que denom inam os adições consistem em fazer acreditar na existência de coisas que não existem .

Estas operações do tipo II podem ser caracterizadas por dois aspectos principais:

1) Do ponto de vista psicológico, são m ais com plexas que as precedentes, do tipo I. Quando se lim itam a om itir ou negar algum a coisa, o obj eto em questão j á está ao alcance da m ente, e basta acrescentar-lhe o sinal de m enos. Por exem plo, você é acusado de com eter um ato e diz: Não, isto não é verdade. Ao contrário, para acrescentar algum a coisa à realidade, para inventar um fato, é preciso usar a im aginação. E, neste caso, o cam po das possibilidades é bem m aior que na negação. A negação ou a denegação procedem ponto por ponto: nega-se o que o adversário afirm a. Ao contrário, quando se trata de inventar, as soluções são ilim itadas: querendo-se disfarçar um plano, haverá dezenas de possibilidades, e o lim ite será estabelecido apenas pela preocupação com o verossím il.

2) Em razão dessa dificuldade psicológica, os autores de m entiras som ente recorrem à adição quando não lhes parece possível, ou suficiente, utilizar o procedim ento m ais sim ples, que são as supressões, ou então as deform ações (que estudarem os adiante, no cap. 8). E essa reflexão vai nos servir de base para classificar as adições. Distinguire-110

m os quatro tipos principais de adição em função de seus m otivos, que são: dissim ular intenções, planos;

em belezar ou enfear um obj eto: em belezar o cam po am igo, enfear o cam po inim igo;

j ustificar um a ação agressiva;

enfim , sim plesm ente, cham ar a atenção.

Exam inarem os algum as m entiras baseadas nesses diversos m otivos, prim eiram ente em propaganda, depois em publicidade.

Essas m entiras por adição podem utilizar todos os tipos de signo: palavras, im agens, seres e fenôm enos falsos, ações falsas e docum entos falsos. A m entira por adição consiste, aliás, em produzir signos, produzir sim ulacros.

Em propaganda

I. DISSIMULAR PLANOS

Dissem os no capítulo 4, sobre os obj etos da m entira, que as intenções são o m ais fácil de esconder, em razão da im perm eabilidade das consciências. Mas, em tem po de guerra, os adversários sabem m uito bem que cada um elabora seus planos de ataque, e esforçam -se em descobri-los com a aj uda de serviços de inform ações. Nenhum deles pode negar que tenha planos: o outro não acreditaria. É por isso que, para dissim ular os verdadeiros, elaboram planos falsos, e fingem que estes vaza-ram . Já falam os desse fato ao tratar dos docum entos falsos, no capítu-lo 5, sobre os signos da m entira. Verem os aqui outro exem plo, para ilustrar o procedim ento da adição.

Em 1941, para dissim ular os preparativos da invasão da Rússia, Goebbels fez divulgar a idéia de um ataque contra a Inglaterra. Para isso, apoiou-se no fato de que os alem ães acabavam de tom ar Creta com a aj uda de tropas de pára-quedistas. E publicou em 13 de j unho, no Völkischer Beobachter, um artigo intitulado O Exem plo de Creta, onde insinuava que, dali a dois m eses, a Inglaterra tam bém poderia ser invadida, por m eio de aviões, planadores e pára-quedistas. E lançava um desafio a Churchill.

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Duas horas depois de o Völkischer Beobachter ser distribuído, os chefes da Gestapo apareceram nas bancas de j ornal para confiscar os exem plares, com o se estivessem , com urgência, tentando conter um