As Quatro Estações

Eliane Nascimento · Capítulo 11 de 13

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As Quatro Estações

— Yasmin! Não corra tanto, querida!

Epílogo

Sete anos depois...

— Yasmin! Não corra tanto, querida!

Às vezes eu não consigo acreditar que minha pequena flor já estava com cinco anos. Ela nasceu na segunda primavera após o casamento e Rodrigo e eu não poderíamos estar mais felizes com o nosso bebê.

Yasmin é um encanto de menina, sempre foi. Ela puxou os cabelos negros do pai e carrega os olhos verdes da família Duarte Fernandes, mas, ao olhar para ela, eu não sinto rancor, raiva ou nada parecido que costumava sentir todas as vezes que olhava meus próprios olhos no espelho. Quando eu olho para ela eu vejo o amor refletido ali. Eu vejo paz. Eu vejo o meu lar.

Vê-la tão feliz, correndo entre as árvores do parque — agora público e batizado de Parque Municipal Antenor de Almeida — enche meu coração de alegria. Eu doei o parque no verão depois do casamento e eu não me desfiz da mansão, afinal. Rodrigo e eu decidimos que poderíamos passar um tempo aqui é um tempo na capital. Luci toca o trabalho quando estou por aqui e Rodrigo abandonou a política para começar a trabalhar como arquiteto. O melhor arquiteto que esse país já viu, devo enfatizar.

Yasmin pediu para que sua festa de aniversário fosse comemorada aqui,

ela adora esse lugar e sempre pede que venhamos para cá nas férias da escola. Estamos pensando seriamente em fixar residência.

— Mamãe! Mamãe! — Minha florzinha vem correndo para meu colo. Eu a pego com gosto e beijo sua bochecha rechonchuda. — Você pode me contar a história da Rodisa de novo?

Yasmin tem no rosto o sorriso que eu nomeei como o mais lindo da face da terra. Rodisa é a árvore que tanto marcou minha história com Rodrigo, no dia do casamento Luci nos deu um documento feito por ela que marcava aquela árvore como um ponto histórico e muito importante. É claro que ele não tinha valor legal e não era histórico de verdade, mas é especial para nós e com certeza memorável. Para sempre.

— Você quer ouvir de novo? — Afago os cabelos negros e ondulados da minha pequena flor. — Você não já ouviu essa história umas 50 vezes? — Sorrio para ela.

— Já, mas eu gosto de como você conta sua história com o papai.

— Tudo bem então, meu amor. Senta aqui com a mamãe que eu vou contar tudinho.

Yasmin se senta ao meu lado e se encosta à Rodisa, assim como eu. Quando eu ia começar a narrar a história que minha filha tanto gosta, o homem mais lindo do mundo chega ao nosso lado.

— Achei as mulheres da minha vida! — Rodrigo se abaixa para ficar da nossa altura. — O que vocês estão fazendo? Não vai aproveitar com seus amigos, Yaya?

— Vou, papai. Mas fique quietinho agora, mamãe vai começar a história.

— Ah, é? Qual história?

— Da Rodisa, é claro — Yasmin fala como se fosse óbvio, arrancando risos do seu pai.

— Posso ouvir também? Eu amo essa história. — Rodrigo se aproxima de mim com um daqueles sorrisos que ainda me deixam com as pernas bambas.

— Pode, papai. Mas precisa ficar em silêncio para ouvir, está bem? — Minha filha diz como uma verdadeira adulta.

Rodrigo fez o gesto de como quem fecha um zíper na boca e se senta perto de mim. Aconchego-me nele e me preparo para contar a história com meus dois presentes de Deus. Eu não quereria uma vida mais feliz.

— Era uma vez um jovem casal que se conheceu no inverno...