Carrie
- Vocês não são a turma que…
- Vocês não são a turma que vai terminar este ano? -perguntou a professora em voz baixa. - Quando vai ser? Daqui a um mês? O Baile da Primavera é antes ainda. A maioria até já escolheu seu par, já tem vestido pronto, aposto. Sue deve ir com Tommy Ross. Helen, com Roy Evarts. Chris imagino que você possa escolher quem quiser. Quem será o felizardo?
- Billy Nolan - disse Chris Hargensen taciturna.
- E não é ele realmente um felizardo? - continuou a professora - E o que é que você vai dar de lembrança para ele, Chris? Um Modess sujo de sangue"? Ou um pedaço de papel higiênico usado, quem sabe? Pelo que vejo estas coisas parecem ser seu fraco.
Chris ficou vermelha.
- Vou-me embora. Ninguém pode me obrigar a ficar ouvindo estas coisas.
Desjardin não conseguira se livrar da imagem de Carne durante todo o fim de semana. Via Carne gritando, soluçando, um Modess molhado enfiado no meio do pêlo púbico - e sua própria reação de ódio e repulsa.
E, agora, quando Chris tentava fugir, passando correndo por ela, esticou a mão e jogou-a contra uma fila de escaninhos cor de oliva, salientes, que ficavam ao lado da porta interna. Chris arregalou os olhos, chocada, sem acreditar no que estava acontecendo. Depois seu rosto se encheu de um ódio insano.
- Você não pode bater na gente! - gritou ela. - Você vai parar na cadeia por causa disto! Vai ver só, sua filha da mãe!
(As outras meninas recuaram e, sem coragem até de respirar, fixavam o chão. A coisa estava ficando séria. Pelo canto do olho, Sue viu que Mary e Donna Thibodeau estavam de mãos dadas).
- Que bem me importa - disse a Desjardin. - Se você ou alguma de suas colegas achar que eu agora estou falando como professora, vocês estão enganadas. Só quero que vocês todas saibam que o que fizeram na sexta-feira foi uma sujeira. Uma grossa sujeira.
Com um sorriso de deboche Chris Hargensen fitava o chão. O resto do grupo, sem graça, dirigia a vista para todos os lados. Menos para a professora. Sue surpreendeu-se olhando para dentro do boxe - o cenário do crime - e, rápido, desviou o olhar. Nenhuma delas nunca tinha ouvido a professora falar assim.
- Nenhuma de vocês se lembrou de que Carrie White também tem sentimentos? Será que vocês alguma vez pararam para pensar? Sue? Fern? Helen? Jessica? Alguma dc vocês? Vocês a acham nojenta? Ora, mas vocês todas também são. Eu mesma vi na sexta-feira de manhã.
Chnis Hargensen murmurou qualquer coisa sobre o pai. que era advogado.
- Cale essa boca! - gritou a Desjardin bem na sua cara. Chnis recuou tão assustada que bateu com a cabeça nos escaninhos atrás dela. Gemendo, esfregou a cabeça.
- Mais uma palavra sua - disse a professora com toda calma - e boto você daqui pra fora! Quer tentar, para ver se estou falando sério?
Chnis, que aparentemente tinha decidido estar diante de uma louca, não disse mais nada.
De mãos nos quadris, a Desjardin continuou:
- No gabinete decidiram que vocês serão punidas. O castigo não é meu; sinto muito dizê-lo. O que eu pretendia era suspendê-las por três dias e cancelar o direito às entradas para o baile.
Diversas meninas se entreolharam, murmurando revoltadas.
- Isto sim teria sido uma lição para vocês. Mas infelizmente o colégio está entulhado de homens, pelo menos na parte administrativa. E não creio que eles tenham chegado a entender como a atitude de vocês foi sórdida. Portanto, ficarão detidas por uma semana.
Instintivamente, todas suspiraram aliviadas.
- Mas tem uma coisa, eu vou ficar tomando conta de vocês. No ginásio. Farei vocês correrem até ficarem com dois palmos de língua de fora. uma fonte de grande erudição e incontestabilidade, existe uma quantidade de outros documentos que, creio eu, sejam válidos como depoimentos de pessoa da família.
- Eu não venho - disse Chnis decidida.
- Você é quem resolve. Aliás todas vocês façam como quiserem. Mas quem deixar de comparecer uma vez será suspensa por três dias e perderá direito às entradas do baile. Perceberam?
Ninguém respondeu.
- Muito bem, então vamos acabar de mudar de roupa. Pensem no que eu lhes disse.
Saiu.
Por um longo momento reinou silêncio completo. Depois com voz alta, histérica e estridente, Chnis Hargensen disse: