Cidade e Campo: Olhares de Brasil e Portugal

Glaucio José Marafon · Capítulo 1 de 16

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Cidade e Campo: Olhares de Brasil e Portugal

Prefácio

 

O presente livro se constitui de uma compilação de textos

estruturados em três partes.

A parte I centra-se na discussão dos “Conceitos de campo e

cidade – da dicotomia à relação cidade-campo” e como a sua evolução nos leva para os conceitos de rural, urbano e relações rural-urbano. Esta abre com um capítulo de E. Marques da Costa e G. Marafon, de introdução às temáticas, frisando as transformações globais e, mais em particular, as verificadas nas realidades brasileira e portuguesa, com o título do livro: “Cidade e campo: olhares de Brasil e Portugal”.

Seguem-se, ainda na parte I, dois capítulos centrados no caso

do Brasil: o capítulo 2, “Notas sobre as relações cidade e campo: um esforço de síntese”, de Souza e Maia, discussão que se

complementa com o texto do capítulo 3, intitulado “A possibilidade de levantar dados sobre a percepção espacial do rural e do urbano no Brasil”, de G. Bias-Fortes e G. Marafon.

Após a discussão de conceitos e critérios, entramos na parte II

do livro, em que se introduz a temática “Políticas para os territórios rurais, urbanos e espaços metropolitanos”. Esta segundo parte

inicia-se com o capítulo 4, de S. Clemente, intitulado “Mundo rural e biodiversidade: a territorialização das políticas públicas de desenvolvimento rural em Portugal”, no qual a autora traz para a discussão a orientação da política de desenvolvimento rural na União Europeia, que veio promover novas atividades para além da agricultura, contribuindo para a diversificação funcional e para o seu desenvolvimento.

O capítulo 5, de E. Marques da Costa, L. Matos e A. Endlich,

intitulado “Turismo, cultura, criatividade e desenvolvimento local: casos de estudo em municípios de pequeno porte demográfico em Portugal”, reporta três exemplos da realidade portuguesa (os municípios de Montemor-o-Novo, Coruche e Óbidos), mostrando outras alternativas que se colocam ao desenvolvimento dos territórios rurais.

No capítulo 6, de Ângela Santos, intitulado “Política urbana no

Brasil: a difícil regulação de uma urbanização periférica”, explica-se de forma detalhada a evolução do fenômeno da urbanização na realidade do Brasil e como as políticas relacionadas com o “urbano” foram sendo produzidas de forma a irem se adaptando às aceleradas mudanças ocorridas.

Em seguida, o capítulo 7, de Augusto Silva, com o título

“Governanças metropolitanas no Brasil: cooperações intergovernamentais e coparticipações instituintes para a sustentabilidade da gestão dos territórios”, reporta que, para responder às novas formas de organização territorial, a gestão territorial avança para formas multiescalares, envolvendo diferentes entidades político-administrativas que, pelas suas competências, só podem atuar em determinadas configurações territoriais.

A parte III, intitulada “Temas-chave no quadro dos novos

desafios para os territórios”, inicia-se com o trabalho de P. Abrantes

e E. Gomes. Esses autores apresentam o capítulo 8, “Agricultura em espaço metropolitano: dinâmicas, tipologias e políticas espaciais para a sustentabilidade”, e fazem uma proposta de classificação dos municípios da Região Metropolitana de Lisboa, tendo em conta o tipo de agricultura que pode ser encontrada nos diferentes contextos de urbanização.

Seguem-se dois trabalhos centrados na questão do transporte e

mobilidade. O capítulo 9, com o título “Transporte e Cidades Saudáveis: realidades, políticas e intervenções em Portugal”, elaborado por N. Marques da Costa, A. Louro e E. Marques da Costa, traz para cima da mesa a questão do planeamento urbano com vista à promoção de cidades saudáveis e ao papel que o

transporte e a mobilidade podem deter nesse processo. O capítulo

10, de P. Nossa e A. Mota-Pinto, continua a problemática da mobilidade. Nesse caso, aplicada ao grupo dos idosos. “Mobilidade e segurança em contexto urbano: contributos para a redução do risco em populações idosas” é um capítulo que retrata o problema do envelhecimento e como a mobilidade condicionada, fomenta o isolamento.

O capítulo 11 encerra a parte III e relaciona-se com a

constituição de redes de gestão empresarial. Tendo por base o título de P. Marques e M. Ribeiro, “Atuação da rede de gestão empresarial no território brasileiro no início do século XXI”, voltamos à discussão sobre a importância de definir e compreender as formas de organização do território, tema com que iniciamos a presente obra.

As realidades do Brasil e Portugal, apesar de muito distintas

pelas dimensões dos dois países, pelas formas de organização e competências político-administrativas e pelo diferente desenvolvimento das políticas setoriais e territoriais, apresentam aspectos em comum, que aqui serão discutidos. Obrigado a todos os que aceitaram participar deste livro e assim contribuíram para fortalecer o conhecimento geográfico.

Eduarda Marques da Costa – Universidade de Lisboa

Glaucio José Marafon – Universidade do Estado do Rio de Janeiro