Como anda Salvador e sua região metropolitana
Metropolização e turismo no litoral norte de Salvador: de um deserto a um território de enclaves?
Metropolização e turismo no litoral
norte de Salvador: de um deserto a
um território de enclaves?
Sylvio Bandeira de Mello e Silva*; Barbara-Christine Nentwig
Silva** *** ; Silvana Sá de Carvalho
O propósito deste trabalho é o de analisar as transformações recentes e em curso no litoral ao Norte de Salvador, destacadamente provocadas pela rápida expansão das atividades de turismo, recreação e lazer, discutindo suas características, seus problemas e suas perspectivas no contexto metropolitano. Assim, duas questões bastante integradas emergem de forma prioritária: a questão metropolitana e a questão do turismo.
Metropolização e turismo: questões gerais
A metropolização, em seus diversos níveis, inclusive com a formação de megalópoles mundiais, é um fenômeno de grande expressão em nossos dias já que promove, sob a forma de redes, a complexa articulação inter-setorial de questões econômicas, sociais, políticas e culturais em uma perspectiva inter-escalar, do local ao global. As regiões metropolitanas podem ser definidas como extensas áreas urbanas, comandadas normalmente por uma grande cidade, que apresentam forte diversidade e interdependência funcional e altas densidades demográficas e econômicas. Tal fenômeno sócio-espacial ganhou ainda maior impulso, nas últimas décadas, com o processo de globalização, ou seja, com o acelerado incremento das relações econômicas, sociais, políticas e culturais, inclusive intensamente mantidas em tempo real. A metropolização expressa o fato de que as forças de concentração espacial são muito poderosas, tanto nos principais centros da economia mundial, como, bem mais recentemente e rapidamente, nos países menos desenvolvidos. Nestes últimos, a metropolização, em termos gerais, tem sido uma decorrência da combinação da crescente intensidade dos processos de expulsão do campo e de pequenos e até, eventualmente, de médios centros com o crescimento das forças econômicas de atração metropolitana no contexto nacional e internacional. Estes mecanismos são ligados, em resumo, ao papel das economias externas de aglomeração com suas abrangentes repercussões e desdobramentos, ou seja, aos ganhos resultantes da redução dos custos de produção, distribuição e de transação decorrentes da concentração produtiva e de consumo.
A pergunta que se coloca é a de saber se há também forças contrárias à exagerada concentração metropolitana. Três aspectos merecem ser mencionados: a) o crescimento das economias externas de aglomeração tende a gerar deseconomias externas no sentido de que a exagerada concentração eleva os custos gerais de produção, distribuição e transação forçando um deslocamento das atividades para outras áreas fora da metrópole, próximas ou até mais distantes, neste último caso, sobretudo quando incidem incentivos, especialmente fiscais, resultantes de políticas públicas; b) introdução e rápida difusão das novas tecnologias de informação nos sistemas produtivos, de transporte e de comunicação, ampliando os índices de produtividade e tornando as atividades menos dependentes dos fatores de concentração (crescimento das atividades footloose ("pés soltos", livres para ir aonde se quer), ou seja, sem depender dos recursos locais, podendo, por conseguinte, decidir sua localização com maior liberdade de escolha; c) expansão das atividades de turismo, recreação e lazer, que mais interessam a esta análise.
Com relação a este último aspecto, há duas grandes questões que precisam ser destacadas para sua compreensão.
A primeira delas diz respeito, com base em Christaller (1963), ao fato de que o turismo tende a valorizar áreas periféricas, ou seja, áreas distantes das grandes aglomerações (metrópoles) e bastante atraentes quanto às condições naturais e culturais. Assim, Christaller, no mesmo trabalho, mostra um processo seqüencial da produção-reprodução de periferias turísticas (no sentido de áreas distantes dos grandes centros), o que aproxima sua contribuição da proposta do modelo do ciclo do produto em turismo (Butler, 1980). Inicialmente, uma área é descoberta por pintores, poetas, cineastas, gourmets, restaurateurs, hoteleiros, etc., e transformase num lugar da moda. "Com o tempo essa área cresce e se consolida e, a partir daí, passa a ocorrer o deslocamento para novas e remotas periferias, repetindo-se os mecanismos de crescimento e assim sucessivamente" (Silva, 1996a, p.13). Desta forma, a expansão é contínua:
Mais e mais novas regiões são abertas para o turismo [...]
graças aos aviões e à nossa prosperidade, destinações na
África, no Oeste e Sul da Ásia e no Mar do Caribe são
competitivas para os países da Europa (é preciso apenas olhar
para os anúncios de viagem em nossos jornais metropolitanos)
(Christaller, 1963, p.104-105).
Nesta perspectiva, a escala das novas periferias é, portanto, global.
Mas, a segunda questão é a de que o turismo também impacta nas grandes aglomerações e em suas periferias imediatas, em uma dinâmica integrada às questões anteriormente colocadas, como fica implícito na contribuição de Christaller. Por exemplo, as grandes metrópoles com importantes centros históricos e outras atrações culturais atrairiam muitos turistas bem como suas áreas próximas e acessíveis com considerável beleza natural e/ou cultural, espraiando os processos de urbanização, como ocorre em Salvador e em parte expressiva de sua periferia, especialmente no litoral Norte.
Por outro lado, o exemplo de Porto Seguro, no distante Extremo Sul baiano, é uma expressão do exemplo de crescimento periférico no turismo superando a metrópole. Com efeito, segundo dados da BAHIATURSA, em novembro de 2006, Porto Seguro tinha 43.460 leitos de hotel e Salvador, em maio do mesmo ano, 33.166 leitos de hotel, o que estabelece uma superioridade de 31% para Porto Seguro.
Assim, coexistem integradamente duas tendências espaciais na dinâmica recente do turismo mundial, uma "rumo à periferia" (distante) (Drang zur Peripherie, bastante enfatizada por Christaller) e uma direção "rumo ao centro e em sua periferia imediata" (Drang zum Centrum).
O exemplo de Salvador e de sua periferia norte é instignante, como veremos a seguir.
Salvador e o litoral norte: evolução recente
Em 1959, o geógrafo Milton Santos, então no início de sua brilhante carreira, publicou um trabalho na Revista Brasileira dos Municípios com o sugestivo título Salvador e o deserto (Santos, 1959). Nele o autor destaca, após uma série de viagens de observação, "a extrema rarefação do povoamento, a quase completa ausência de vida humana, derredor de uma cidade que beira os 600 mil habitantes" (p. 127). Em várias passagens, Santos se refere a este fato com exemplos do que percebeu no litoral do que hoje é Lauro de Freitas e no litoral de Camaçari, ressaltando, inclusive, a ausência de um "cinturão verde" (p. 127). Assim, Salvador teria em seu entorno, na década de 50 do século passado, um deserto humano. Evidentemente, existiam pequenos e antigos contingentes de populações rurais dispersas ou de populações aglomeradas em antigos núcleos de difícil acesso, formados por pescadores e pequenos produtores rurais, como, por exemplo, Abrantes, Arembepe, Monte Gordo e Praia do Forte.
Um outro tipo de deserto iria preocupar o referido mestre e outros autores na época citada: o da histórica, enorme e persistente primazia de Salvador com relação ao sistema urbano do Estado o que justificaria a proposta de uma nova Capital para a Bahia, na região central do Estado, como o fez pioneiramente A. M. de Oliveira, em 1951, também na Revista Brasileira dos Municípios (Oliveira, 1951), propondo Seabra, na área central do estado, como nova capital, e o próprio M. Santos, em 1958, na mesma Revista (Santos, 1958). A inspiração para o uso do termo deserto, na perspectiva urbano-regional, veio do geógrafo Jean-François Gravier que, em 1947, escreveu um livro de grande repercussão, Paris et le désert français. Este livro inspirou a montagem de sólidas estratégias de planejamento territorial na França visando reduzir a primazia de Paris. Recentemente, o professor Marcus Alban retoma este tema na Bahia (Alban, 2005), discutido por Silva e Silva (2006). Portanto, persiste entre nós o desafio de montar estratégias de planejamento urbano-regional que possam melhor equilibrar o sistema urbano e promover o desenvolvimento regional.
Os dois desertos acima mencionados - o deserto demográfico e a ausência de cidades médias - estão historicamente relacionados, na medida em que Salvador podia drenar diretamente recursos de áreas cada vez mais distantes, dispensando o papel de cidades intermediárias, e de áreas produtivas vizinhas, mas vamos priorizar aqui a discussão sobre o que vem acontecendo no litoral Norte da Bahia em função da grande relevância de suas rápidas transformações no contexto metropolitano.
Antes porém, é preciso mencionar a contribuição de um outro geógrafo, o professor Pierre Monbeig (1965) na caracterização da área em meados da década de 60 do século passado. Monbeig afirma que a influência de Salvador só se fazia sentir até o rio Joanes.
A situação muda, radicalmente, além do rio Joanes e, mais
ainda, além de Abrantes. A uma distância quilometricamente
fraca de Salvador, toda a influência de Salvador termina e,
verdadeiramente, tem-se uma zona cujos habitantes participam
muito pouco dos circuitos econômicos gerais. [...] O estado dos
caminhos (a palavra "estrada" parece enganadora) é
incompatível com o surto de uma economia agrícola cuja
prosperidade seria associada à venda, na Cidade, dos produtos
do solo (Monbeig, 1965, p.23).
Um pouco antes, a socióloga Maria Brandão (1959) já havia analisado o distrito de Abrantes/município de Camaçari na perspectiva da economia de subsistência, estudo mais tarde ampliado na sua pesquisa sobre relações agrárias em Camaçari (Brandão, 1975). Só em 1956 foi construída a ponte sobre o rio Joanes o que permitiu a ligação rodoviária até Abrantes (Brandão, 1959, p. 249).
Se os professores Milton Santos e Pierre Monbeig fossem vivos hoje, certamente ficariam espantados com as transformações recentes ocorridas no litoral Norte da Bahia. Em nossos dias, há praticamente um continuum axial urbano entre Salvador e Itacimirim, evidentemente com densidades diferenciadas, as mais altas localizando-se mais perto de Salvador. Entretanto, a forte expansão da ocupação humana continua após Itacimirim, agora de forma pontual, mas com tendência a uma futura integração linear. Isto é perfeitamente perceptível para quem viaja pela Estrada de Coco, pela Linha Verde e por avião até Aracaju, inclusive à noite quando é possível ver a extensão da mancha iluminada de forma contínua, até aproximadamente a metade da viagem, e pontos iluminados, isolados, mas próximos entre si, na segunda metade do percurso.
O Mapa 1 exibe, com base em dados dos setores censitários, em 2000, a densidade demográfica da Região Metropolitana de Salvador, com delimitação em vigor até dezembro de 2007, e do litoral Norte, confirmando ainda o peso dos testemunhos históricos de Milton Santos e Pierre Monbeig e as observações mais recentes acima relatadas. No litoral Norte foram tomados só os municípios litorâneos, o que excluiu Cardeal da Silva na área centro Norte. Na elaboração do mapa foi utilizada a malha rural dos setores censitários onde os setores dos núcleos urbanos foram agregados. Assim, o litoral de Lauro de Freitas e de Camaçari apresenta densidades elevadas, caindo em Mata de São João, com densidades mais altas no interior do município do que no litoral. Por falta de dados por setores censitários, ainda não é possível fazer o mesmo mapa com base na contagem da população de 2007, o que certamente revelaria importantes transformações.
Mapa 1 - Densidade demográfica - Região Metropolitana de
Salvador e Litoral Norte - 2000
Fonte:IBGE. Censo Demográfico - 2000
Elaboração: CARVALHO, S. S.; SILVA, B.C.N. Metropolização turística no litoral norte de
Salvador
As causas da forte expansão da metropolização ao norte de Salvador, desde meados da década de 70 do século passado, são destacadamente: o rompimento do isolamento do acesso por via rodoviária, com a construção da Estrada do Coco, em 1975, e da
Linha Verde, em 1993 (Mapa 2), o potencial de uso do território para turismo, recreação e lazer (incluindo residências secundárias) e, de forma integrada, o rápido crescimento de Salvador e de sua Região Metropolitana. Salvador cresce de 1.502.013 habitantes em 1980 para 2.892.625 habitantes em 2007 (93%) e sua região metropolitana de 1.766.724 para 3.599.538 habitantes (104%) no mesmo período.
Mapa 2 - Sistema viário - Região Metropolitana de Salvador e Litoral
Norte - 2007
Fonte: IBGE/DERBA - 2007
Elaboração: CARVALHO, S.S.;SILVA, B.C.N.
Por conseguinte, a urbanização neste eixo Norte, provocada pelo rápido crescimento das atividades de turismo, recreação e lazer, incluindo a opção pela segunda residência, foi e é intensa. Um novo tipo de cidade está sendo aí construído: uma extensa cidade linear, resultado de um forte papel empreendedor do Estado, sobretudo ligada ao consumo, bastante dependente da metrópole, sem um centro, extremamente segregada, com sérios problemas ambientais e de relacionamento com as populações tradicionais, remanescentes dos períodos anteriores. São ainda espaços com graves problemas de acessibilidade interna e externa e espaços desprovidos de mecanismos institucionais de gestão compatíveis com as mudanças em curso, apesar de sua expansão ser formatada pelo setor público. Por outro lado, esta expansão, com melhor acessibilidade a Salvador, causou progressivamente uma crise na ilha de Itaparica, tradicionalmente o principal lugar da segunda residência dos moradores de Salvador, mas dependente do problemático sistema de ferry boat.
Várias das características acima apontadas aproximam-se bastante do que define o sociólogo australiano Patrick Mullins (1991) como urbanização turística, que seria: (i) espacialmente diferente porque é socialmente diferente, (ii) simbolicamente distintiva, com símbolos urbanos agindo como atrativos para turistas, (iii) distinguida pelo rápido crescimento da população e da força de trabalho, (iv) diferenciada por um sistema flexível de produção porque é parte do pós-fordismo, (v) caracterizada por uma forma espacial de intervenção do Estado a qual é "empreendedora" no estilo como o é a cidade pós-moderna, (vi) distinguida por um consumo do prazer, costumeiro e de massa, e (vii) diferenciada por uma população residente que é socialmente diferente, porque esta urbanização é socialmente diferente.
De certa forma, estas características do litoral Norte da Bahia, aproximamse das áreas de urbanização dispersa definidas pelo arquiteto Nestor Goulart Reis (2006), com a grande diferença de sua especificidade ser ligada ao turismo, recreação e lazer, bastante dependente de uma metrópole, Salvador.
Viajando pela área e buscando informações sobre a dinâmica atual e suas perspectivas, fica uma enorme preocupação com o futuro do litoral Norte: ele corre o sério risco de se tornar um eixo urbanizado desprovido do que é lógico na existência de uma cidade, como diria o geógrafo Paul Claval (1981), ou seja, desprovido da capacidade de promover a interação sócio-territorial. A área, cortada por uma problemática rodovia pedagiada (desde 2001) e em fase de duplicação, sintomaticamente, até Itacimirim (e planejada até Praia do Forte), que divide axialmente o litoral e o interior, está sendo ocupada prioritariamente por médios e grandes condomínios residenciais fechados e por enormes resorts de padrão internacional, com áreas residenciais, que também impedem, no conjunto, a construção de uma idéia de cidade. Muitas residências estão sendo vendidas para brasileiros de outros estados e para europeus e americanos. Está se produzindo aí um território de enclaves, ou de guetos de luxo, "devoradores" de paisagens naturais e culturais (Landschaftsfresser), como diria o sociólogo suíço Jost Krippendorf ao se referir aos resorts internacionais. São territórios auto-segregados que passam a ter predominância na área. Estes crescem sem parar como freqüentemente relata a imprensa. Segundo informações da Secretaria de Turismo, divulgadas na Gazeta Mercantil (08/01/2007, p. C5) há cinco novos projetos em andamento de hotéisresorts e de condomínios residenciais de empresas da Espanha (Trusan, Riu, Playa, GrupAce e Sol Meliá). Um deles será na praia de Baixio, a 120 km de Salvador, onde o grupo adquiriu uma extensa faixa litorânea de 13 km. Há perspectivas de mais 10 resorts nesta área. Empresários belgas já implantaram em Subaúma um hotel e um condomínio residencial e empresários suecos e japoneses também estão interessados em investir no litoral Norte.
Recentemente, o mesmo jornal Gazeta Mercantil escreve:
No primeiro semestre será iniciada a construção do Complexo
Turístico Guarajuba-Bahia, no Distrito de Camaçari, a 42 km de
Salvador. A primeira etapa do empreendimento deve receber
US$ 120 milhões para a construção de um hotel com cerca de
300 apartamentos. O projeto, no entanto, é mais audacioso.
Serão quatro hotéis e mil quartos, um condomínio com 1,5 mil
casas e um centro de convenções para 1,5 mil pessoas. O
projeto total na área de cinco milhões de m2, adquirida no final
de 2007 na Estrada de Coco, vai demandar recursos de US$
600 milhões (Oliveira, 23/01/2008, p.C6)
Com o sugestivo título "Gringos avançam no litoral", assim descreve ATarde:
No litoral norte, mais precisamente em Baixios (Esplanada), o
Grupo Arc, ou Grupace, espanhol, comprou área que dá 14
quilômetros de praia. Um pouco mais pra cima, em Jandaíra, o
Invisa, também espanhol, levou 4,5 quilômetros. Mais perto de
Salvador, na valorizada Guarajuba (Camaçari), o Meliá pegou
dois quilômetros. Sem contar os brasileiros, como Daniel
Dantas, que resolveram comprar paraísos litorâneos baianos
(Vasconcelos, 24/03/2008, p.2).
O mesmo texto relata a compra de terras pelo rei e rainha da Suécia em Nilo Peçanha, ao Sul de Salvador.
Vende-se uma região: cartografia da
metropolização turística ao norte de Salvador
Entende-se por metropolização turística o processo de expansão da região metropolitana preponderantemente centrada nas atividades de turismo, recreação e lazer, resultando em intensos mecanismos de interação entre a metrópole e a nova área.
No caso de Salvador, a inserção desse eixo metropolitano turístico se dá complementando o importante processo de metropolização provocado pelo setor industrial.
Com efeito, nos anos 50 do século passado, o tradicional papel metropolitano de Salvador, centrado no comércio, no setor político-administrativo e em outros serviços, exerce-se com certa intensidade sobre o quase adormecido Recôncavo canavieiro, fumageiro, mandioqueiro e da pecuária, e, com menos intensidade, sobre o restante do Estado (Costa Pinto, 1958; Barickman, 2003). Mas, os germes das grandes transformações que iriam atuar já estavam sendo implantados: a Refinaria de Mataripe, em São Francisco do Conde e a exploração do petróleo no Recôncavo central e norte (Azevedo, 1998). Em 1963, ocorre a integração rodoviária da Bahia com o Sudeste e o Nordeste com o asfaltamento da BR-116, expressando a unificação do mercado nacional, rompendo, portanto, sua característica de isolamento dentro do cenário, proposto por Francisco de Oliveira, de arquipélago regional (Oliveira, 1977 e 1990), retomado por Santos e Silveira (2001).
Assim, ao histórico e, sobretudo, agrário e mercantil Recôncavo junta-se progressivamente o do petróleo e, mais tarde, o da moderna indústria, com o Centro Industrial de Aratu (criado em 1965) e o Pólo Petroquímico de Camaçari (criado em 1972). É este dinamismo que vai justificar a inclusão de Salvador na lei que criou as regiões metropolitanas, no Brasil, em 1973. No início deste século XXI, cresce e se diversifica o setor industrial em Camaçari com o Complexo Industrial da Ford, com indústrias de pneus e com novas indústrias químicas. É sintomático registrar a rápida redução dos estudos e projetos sobre o Recôncavo e a emergência de trabalhos sobre a Região Metropolitana de Salvador, no início dos anos 70 do século passado. E isto é claramente expressivo na sigla CONDER, órgão criado pelo Estado da Bahia. Inicialmente, foi implantado como Conselho de Desenvolvimento do Recôncavo (1967) e, em 1973, passa a ser Companhia de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Salvador (Brandão, 1998a), e, desde 1998, Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia, mantendo-se a mesma sigla.
A dimensão espacial é diminuída: do velho, agrário e amplo Recôncavo (de difícil delimitação, por sinal) ao novo denso e reduzido espaço metropolitano, definido administrativamente e assentado fundamentalmente sobre a indústria, portanto, associado ao padrão urbano-industrial.
Com a implantação da Estrada do Coco (BA-099) primeiro até Itacimirim, em 1975, e depois até Praia do Forte, em 1980, começa um novo e vigoroso processo, o da expansão litorânea ao Norte de Salvador que prosseguiu até a divisa com Sergipe com a construção do prolongamento chamado de Linha Verde, em 1993. Desta forma, a expansão metropolitana ao Norte de Salvador pode ser analisada no seu impacto sobre os fluxos entre a metrópole e o novo vetor de
crescimento, como fica destacado no Gráfico 1 que apresenta a média de veículos que passam por dia no pedágio instalado no km 14 (o quilômetro zero fica na divisa entre Salvador e Lauro de Freitas) da rodovia BA-099/Estrada do Coco. Há uma variação entre os meses de férias (dezembro, janeiro e fevereiro), com destaque para janeiro, com relação aos outros meses, mas, surpreendentemente, isto não acontece em julho. A média diária de veículos é sempre maior nos dias de sábado e domingo o que é um relevante indicador do papel metropolitano de Salvador através da segunda residência e do turismo em hotelaria nos fins de semana, estimulado, em vários períodos do ano, por tarifas reduzidas para baianos e sergipanos, inclusive para programas de uso diário (day use). Além deste aspecto, a metropolização turística ao Norte de Salvador é uma decorrência do papel do seu Aeroporto Internacional (o 5º do país em movimento de passageiros), dos serviços metropolitanos, particularmente relacionados com logística, dos recursos humanos e do próprio produto turístico da capital que é sempre integrado ao do novo eixo de expansão. Parte expressiva da força de trabalho empregada nos hotéis e resorts do litoral Norte reside em Salvador, particularmente a de mais alta qualificação profissional. A rápida expansão das segundas residências, construídas por moradores de Salvador nesse eixo insere-se neste processo. É a metropolização turística que acontece, como vimos pari passu com as mudanças institucionais ocorridas na CONDER, ou seja, sem a presença de processos institucionais de planejamento e gestão regional justamente no período em que mais se justifica, do ponto de vista geográficoeconômico e sócio-político, a existência da Região Metropolitana de Salvador. Esta, por sinal, foi recentemente ampliada, com a integração dos municípios de São Sebastião do Passé e Mata de São João (Lei Complementar nº 30 de 03/01/2008, sem apontar para estudos básicos), mas até agora (abril/2008) não ocorreram mudanças institucionais importantes. Neste trabalho, ainda é tomada a divisão anterior, entretanto é preciso destacar que a incorporação de Mata de São João à Região Metropolitana de Salvador certamente deve-se ao papel do turismo no seu litoral e de São Sebastião do Passé ao setor industrial e outros serviços, especialmente relacionados com a exploração do petróleo no Recôncavo.
Gráfico 1 - Média de veículos por dia da semana - Pedágio da BA-
099 - 2001, 2004 e 2007
Fonte: Concessionária Litoral Norte.
(*) A Concessionária Litoral Norte calcula que, em 2007, ocorreu
uma redução de 37% causada por desvios implantados pela
Prefeitura Municipal de Camaçari.
Em 2007, a Concessionária Litoral Norte, que administra a rodovia, estima que houve uma redução de 37% causada por medidas que provocaram desvios do local de cobrança do pedágio, tomadas pela Prefeitura Municipal de Camaçari. A empresa avalia também que, sem o efeito da rota de fuga, o tráfego é em 52% no sentido Norte e 48% no sentido Salvador, demonstrando que esta via é bastante utilizada para quem se destina a Sergipe e outros estados do Nordeste.
Inicialmente, na análise das questões atuais da metropolização
turística ao Norte de Salvador, a Tabela 1 apresenta os principais investimentos implantados e previstos nos pólos turísticos do litoral da Bahia, no início de 2008.
Tabela 1 -Principais investimentos privados em
implantação/previstos -Pólos turísticos da Bahia -janeiro 2008
Fonte: SUINVEST, 03/01/2008
O pólo turístico Costa dos Coqueiros, que corresponde ao litoral Norte da Bahia, é de longe o mais importante de todos, com 69% dos investimentos, 77% das unidades habitacionais e 68% dos empregos. Há uma elevadíssima presença dos investimentos estrangeiros e pelo fato que apresenta alta porcentagem de empreendimentos planejados, significa dizer que o maior impacto dos mesmos terá início só nos próximos anos. Não há indicações oficiais disponíveis sobre empreendimentos turísticos em pólos do interior, o que pode estar ocorrendo mesmo sem registro na Superintendência de Investimentos em Pólos Turísticos (SUINVEST), da Secretaria de Turismo do Estado da Bahia.
A Tabela 2 mostra a evolução da implantação dos grandes resorts na Bahia. O pioneiro foi o Club Med/Itaparica seguido pelo Praia do Forte Eco Resort, cinco anos após a rodovia asfaltada ter chegado na localidade, e o mais recente é o Gran Hotel Stella Maris Resort & Conventions, recém inaugurado, o primeiro grande resort all inclusive de Salvador (A Tarde, 28/02/2008, p.6). Em termos regionais, o litoral Norte concentra o maior número de resorts e, dentre todos os resorts da Bahia, possui o maior deles, o Complexo Hoteleiro Costa do Sauípe, com 1.587 unidades habitacionais.
Tabela 2 - Ano de inauguração de grandes empreendimentos tipo
resort em operação na Bahia e número de unidades habitacionais
Fonte: Guia Quatro Rodas Brasil, 2007 e 2008, Caderno Turismo,
p.6.
O litoral Norte é igualmente o pólo turístico que mais tem crescido em número de leitos entre 2001 e 2006 no litoral do Estado da
Bahia, conforme consta na Tabela 3. Esta comparação pode ser visualizada no Gráfico 2 onde a Costa dos Coqueiros destaca-se como o terceiro pólo do litoral do Estado da Bahia, após a Costa do Descobrimento e Salvador.
Tabela 3 -Crescimento dos leitos de hotel Pólos turísticos do litoral
do estado da Bahia - 2001 e 2006
Fonte: BAHIATURSA.
Analisando de perto a evolução recente do turismo no litoral Norte da Bahia, uma série de cartogramas espacializa os principais
indicadores. Os primeiros deles, Mapas 3 e 4, analisam os empreendimentos turísticos privados em operação e em implantação/previstos, situação de maio de 2006. Estes últimos empreendimentos se concentram em uma faixa intermediária do litoral Norte, de Itacimirim até parte do litoral de Entre Rios.
Mapa 3 - Empreendimentos turísticos privados em operação -Litoral
Norte - maio 2006
Fonte: SUINVEST - maio 2006
Elaboração: CARVALHO, S. S.; SILVA, B. C. N.
Mapa 4 - Empreendimentos turísticos privados em
implantação/previstos - Litoral Norte - maio 2006
Fonte: SUINVEST - maio 2006
Elaboração: CARVALHO, S. S.; SILVA, B. C. N.
Em pouco tempo, janeiro de 2008, a situação muda. O Mapa 5, com os empreendimentos turísticos privados em implantação ou previstos, mostra uma distribuição um pouco mais ao Norte da faixa intermediária apontada na figura anterior, mas esta faixa é ainda a que concentra o maior número de unidades habitacionais em
implantação ou previstos (Mapa 6) .
Mapa 5 - Empreendimentos turísticos privados em
implantação/previstos Litoral Norte - janeiro 2008
Fonte: SUINVEST - janeiro 2008
Elaboração: CARVALHO, S. S.; SILVA, B. C. N.
Mapa 6 - Empreendimentos turísticos privados em
implantação/previstos Unidades habitacionais (UHs) - Litoral Norte -
janeiro 2008
Fonte: SUINVEST - JANEIRO 2008
Elaboração: CARVALHO, S. S.; SILVA, B. C. N.
A análise dos investimentos, Mapa 7, apresenta uma distribuição espacial novamente com destaque para a faixa intermediária. A indicação dos empregos tem também uma grande concentração
entre Itacimirim e Praia do Forte (Mapa 8) que ressalta a concentração dos novos empregos na área de Itacimirim - Praia do Forte e Imbassaí.
Mapa 7 - Empreendimentos turísticos privados em
implantação/previstos Investimentos estimados - Litoral Norte -
janeiro 2008
Fonte: SUINVEST - janeiro 2008
Elaboração: CARVALHO, S. S.; SILVA, B.C.N.
Mapa 8 - Empreendimentos turísticos privados em
implantação/previstos Empregos diretos – Litoral Norte – janeiro
2008
Fonte: SUINVEST - janeiro 2008
Elaboração: CARVALHO, S. S.; SILVA, B.C.N.
Detalhando as informações, a Tabela 4 fornece informações para dimensionar, com base em dados oficiais, os principais investimentos previstos no litoral Norte da Bahia, situação de janeiro de 2008. Como fica evidente, a maioria absoluta dos investimentos é de porte muito grande e isto em um contexto internacional.
Tabela 4 - Principais investimentos turísticos privados em
implantação/previstos - Litoral Norte - janeiro 2008
SUINVEST, janeiro 2008.
É preciso ressaltar que este levantamento é feito mensalmente pelo Estado da Bahia, o que fornece um importante indicador da velocidade deste processo.
Finalmente, o Mapa 9 exibe a distribuição dos leitos de hotel onde Salvador ocupa o primeiro lugar seguida por Mata de São João em função incorporadas ao tecido urbano, o que fazia com que as segundas residências fossem deslocadas para mais longe e assim sucessivamente.
Mapa 9 - Leitos de hotel - Região Metropolitana de Salvador e
Litoral Norte - 2006
Fonte: BAHIATURSA - 2006
Elaboração: CARVALHO, S. S.; SILVA, B. C. N.
Por exemplo, Salvador teve conjuntos de segunda residência, hoje plenamente integrados à mancha urbana, em áreas como Rio Vermelho, Amaralina (onde ainda existe uma rua do Balneário), Pituba e daí até Itapuã, além da ilha de Itaparica (Santana, 2002). Agora, o litoral Norte da Bahia recebe muitos estrangeiros que compram residências de férias dinamizando bastante o mercado imobiliário em grandes projetos associados a condomínios e a hotéis e resorts. O Complexo Costa do Sauípe foi um dos pioneiros na área construindo vários núcleos residenciais de luxo em diversas etapas.
Isto expressa mais uma característica da aceleração do processo de globalização em rede, integrando a metropolização turística em seu contexto internacional e local, como vimos anteriormente. Assim, o processo de expansão das residências de férias de ingleses em Portugal e de alemães e franceses na Espanha, delineado nas décadas de 60 e 70 do século passado, tem hoje uma clara dimensão global. No litoral Norte, os loteamentos para segunda residência começam no início dos anos 70 do século passado (por exemplo, Loteamento Guarajuba), portanto, antes da Estrada do Coco, o que é um bom indicador da perspicácia do mercado imobiliário. Mas, este dinamismo todo enfrenta crises e conflitos na Bahia, a começar pelo pioneiro mega-projeto do Complexo Costa do Sauípe. Em julho de 2007, a rede francesa Sofitel deixou de operar os dois hotéis sob sua bandeira no Complexo e em março de 2008 foi anunciada para 1º de junho de 2008 a saída da rede americana Marriott que também administra dois hotéis em Sauípe. O hotel Fronteira Tropical, implantado por italianos em 1994, dá sinais evidentes de crise expressos pelo seu precário funcionamento. Em Salvador, não há atualmente nenhuma empresa operadora de turismo que trabalha com este hotel.
Crescem, igualmente os conflitos ambientais envolvendo grandes projetos de hotelaria e de residências em Áreas de Proteção Ambiental bem como com as comunidades locais relacionados, por exemplo, com problemas de esgotamento sanitário e resíduos sólidos.
Por outro lado, com o modelo em curso de metropolização turística no litoral Norte da Bahia, percebe-se que Salvador difunde, de forma particular, a sua segmentação sócio-espacial expressa, por exemplo, pelo eixo das Avenidas ACM (parte), Tancredo Neves e Paralela (Carvalho; Pereira, 2006): a leste teríamos as classes de renda mais elevada e a oeste as de renda mais baixa. É, esquematicamente, a segmentação centro, orla, subúrbio e o chamado miolo de Salvador. A particularidade no litoral Norte, com a Estrada do Coco e Linha Verde servindo de demarcação, reside na força da segmentação leste-oeste, provocada pelas atividades de turismo, recreação e lazer.
Finalmente, deve ser registrado como crucial o problema do planejamento e da gestão regional, referido anteriormente. Existe um vazio nesta área com a transformação do órgão metropolitano em órgão estadual de desenvolvimento urbano. Há uma iniciativa relevante em curso que é a do Consórcio Intermunicipal da Costa dos Coqueiros, uma iniciativa pioneira (1999) da Fundação OndAzul, já atuando de acordo com a legislação federal sobre consórcios públicos (Lei 11.107, de 06/04/2005). É o primeiro consórcio intermunicipal da Bahia e do Brasil a funcionar com base nesta lei, segundo a Fundação OndAzul. Mas, apesar de sua importância, não preenche o vazio institucional no âmbito do Estado da Bahia. Este último tem sido eficiente na captação de investimentos e na implantação de uma infra-estrutura básica, mas pouco ativo no planejamento integrado e na gestão compartilhada. Por outro lado, é preciso buscar formas adequadas de interlocução, no planejamento e na gestão regional no litoral Norte da Bahia, com o município de Salvador, levando em conta a forte interação funcional entre a capital baiana e seu eixo Norte de expansão metropolitana, como foi demonstrado. A rigor, o que dá sentido a todo o dinamismo recente e atual no litoral Norte da Bahia, é o papel metropolitano de Salvador. Só com o fortalecimento do processo de planejamento e gestão regional, multi-setorial e multi-escalar, abrangente, aberto e participativo, será possível reverter a tendência atual de exclusão sócio-territorial no processo de expansão metropolitana no litoral Norte da Bahia, ou seja, reverter a opção preferencial pela produção de um território predominantemente de enclaves de luxo com repercussões bastante limitadas no contexto do desenvolvimento regional.
Referências
ALBAN, M. O novo enigma baiano, a questão urbano-regional e a alternativa de uma nova capital. In: XI ENCONTRO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM PLANEJAMENTO URBANO-REGIONAL, 2005, Salvador. Anais... Salvador: UFBA, 2005.
ASSIS, L. F. de. Turismo de segunda residência: a expressão espacial do fenômeno e as possibilidades de análise geográfica. Território, v.7, ns.11/13, p.107-122, jul. 2001/dez.2002.
AZEVEDO, T. de. O advento da Petrobrás no Recôncavo. In: BRANDÃO, M. Recôncavo da Bahia. Sociedade e economia em transição. Salvador: Fundação Casa de Jorge Armado, 1998. p. 185-216.
BARICKMAN, B. J. Um contraponto baiano. Açúcar, fumo, mandioca e escravidão no Recôncavo, 1780-1860. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
BRANDÃO, M. Posição socio-econômica de pequenos lavradores de subsistência na Bahia. In: III REUNIÃO BRASILEIRA DE ANTROPOLOGIA, 1958, Recife. Anais... Recife, 1959. p.237-253.
______. Relações agrárias em Camaçari. Tese de Livre Docência em Sociologia. Salvador: Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, 1975.
______. Cidade e Recôncavo da Bahia. In: BRANDÃO, M. (Org.). Recôncavo da Bahia. Sociedade e Economia em transição. Salvador: Fundação Casa de Jorge Amado, 1998a. p.29-57.
______. (Org.). Recôncavo da Bahia. Sociedade e Economia em transição. Salvador: Fundação Casa de Jorge Amado, 1998b.
BRANDÃO, P. M. O Mudanças sócio-ambientais e desenvolvimento em Monte Gordo e Guarajuba/ Municípios de Camaçari/Bahia. Dissertação de Mestrado. Salvador: Mestrado em Geografia/UFBA, 2006.
BUTLER, R. W. The concept of a tourist area cycle of evolution: implications for management of resources. Canadian Geographer, v.24, n.1, p.5-12,1980.
CARVALHO, I. M. M. de; PEREIRA, G. O Segregação sócio-espacial e dinâmica metropolitana. In: CARVALHO, I. M. M. de; PEREIRA, G. O (Org.). Como anda Salvador. Salvador: EDUFBA, 2006. p. 83-109.
CHRISTALLER, W. Some considerations of tourism location in Europe: the peripherical regions underdeveloped countries -recreation areas. In: REGIONAL SCIENCE ASSOCIATION. XII LUND CONGRESS. Papers... 1963. p.95-105.
CLAVAL, P. La logique des villes. Paris: Litec, 1981.
COSTA PINTO, L. de A. Recôncavo da Bahia: laboratório de uma experiência humana. Rio de Janeiro: CLASCO, 1958.
GOMES, L. Praia do Forte, BA: o paraíso e suas contradições. In: RODRIGUES, A. B. (Org.). Turismo, modernidade, globalização. São Paulo: Hucitec, 1997. p.172-184.
GUIA QUATRO RODAS. Brasil 2007. São Paulo: Abril, 2007.
______. Brasil 2007. São Paulo: Abril, 2007.
GUIMARÃES, M. T. Arembepe: um estudo do desenvolvimento local. Dissertação de Mestrado. Salvador: Universidade Salvador/Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional e Urbano, 2007.
HOTELARIA. Salvador ganha primeiro ali inclusive. A Tarde, Salvador, 28 fev.2008. Caderno Turismo, p.6.
KRIPPENDORF, J. Die Landschaftsfresser. Tourismus und Erholungslandschaft- Verderben oder Segen? Bern: Verlag Forschungsinstitut für Fremdenverkehr der Universität Bern, 1975.
______. Sociologia do turismo. Para uma nova compreensão do lazer e das viagens. São Paulo: Aleph, 2001.
LUNDGREN, J. O. J. On access to recreational lands in dynamic metropolitan hinterlands. Tourist Review, V.29, n.4, p.124-131,1974.
MATTEDI, M. R. M. Espaço e sociedade na Área de Proteção Ambiental do Litoral Norte da Bahia. Revista de Desenvolvimento Econômico, Salvador, v.3, n.5, p.104-112, dez.2001.
______. Sociedade e meio ambiente no litoral Norte da Bahia: transição para a (in)sustentabilidade. Diploma de Estudos Aprofundados. Salvador/Barcelona: Universidade Salvador e Universidade Barcelona, 2002.
MONBEIG, P. Possibilidades de desenvolvimento das culturas alimentares ao Norte do município de Salvador. Boletim Baiano de Geografia, Salvador, UFBA, n.8, p.21-25,1965.
MULLINS, P. Tourism urbanization. International Journal of Urban and Regional Research, v.15, n.3, p.326-342,1991.
OLIVEIRA, A. M. de. O Estado da Bahia e sua futura capital. Revista Brasileira dos Municípios, Rio de Janeiro, v.4, n.15, p.359-361, jul./set.1951.
OLIVEIRA, F. Elegia para uma re(li)gião. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.
______. A metamorfose do arribaçã: fundo público e regulação autoritária na expansão econômica do Nordeste. Novos Estudos.CEBRAP. São Paulo, n.27, p.67-92,1990.
OLIVEIRA, R. de. Hotelaria. Sol Meliá investe US$ 120 milhões. Gazera Mercantil, São Paulo, 23 jan. 2008. p. C6
REIS, N. G. Notas sobre urbanização dispersa e novas formas de tecido urbano. São Paulo: Via das Artes, 2006.
SANTANA, E. A. Itaparica, do auge à decadência: a trajetória da primeira estância hidrotermal da Bahia. Dissertação de Mestrado. Salvador: Mestrado em Geografia da UFBA.
SANTOS, M. Devemos transferir a capital da Bahia? Revista Brasileira dos Municípios, Rio de Janeiro, v. 11,
n.43/44,p. 155-156, jul./dez. 1958.
______. Salvador e o deserto. Revista Brasileira dos Municípios, Rio de Janeiro, v.12, n.47/48, p. 127-128, jul./dez.1959.
______.; SILVEIRA, M. C. O Sras/7. Território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001.
SASAKI, K. M. M. e. Turismo e sustentabilidade: a experiência do artesanato de palha de Porto Sauípe-BA. Salvador: Sathyarte/Fapesb, 2006.
SILVA, S. B. de M. e. Metropolização e raízes da periferização turística. Turismo em Análise, USP, v.7, n.2, p.7-16,1996a.
______. Geografia, turismo e crescimento: o exemplo do Estado da Bahia. In: RODRIGUES, A. A. B. (Org.). Turismo e Geografia: reflexões teóricas e enfoques regionais. São Paulo: Hucitec, 1996b. p.122-143.
______. Turismo e urbanização. In: RODRIGUES, A. B. Turismo modernidade, globalização. São Paulo: Hucitec, 1997. p.161-171. ______.; SILVA, B. C. N. Desequilíbrios regionais e municipais no Estado da Bahia: uma análise dos padrões recentes. In: VIDAL, F. (Org.). Desenvolvimento regional: análises do Nordeste e da Bahia. Salvador: SEI/SEPLAN, 2006. p.95-111.
SOBRAL, L. E. S. O paraíso continuará aqui? Arembepe: análise dos cenários projetados. Diploma de Estudos Aprofundados. Salvador/Barcelona: Universidade Salvador e Universidade de Barcelona, 2002.
SOUZA, J. G. Camaçari: as duas faces da moeda: crescimento econômico x desenvolvimento social. Salvador: Universidade Salvador/Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional e Urbano, 2006.
SPÍNOLA, O de A. O turismo como fator de desenvolvimento sócio-econômíco -o impacto da atividade turística na Praia do Forte. Dissertação de Mestrado. Salvador: Escola de Administração da UFBA, 1996.
VASCONCELOS, L. Gringos avançam no litoral. A Tarde, Salvador, 24 mar.2008. p.2
* Professor do Programa de Pós-graduação em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Social/UCSAL e do Mestrado em Geografia/UFBA.Pesquisador CNPq.
** Professora do Programa de Pós-graduação em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Social/UCSAL e do Mestrado em Geografia/UFBA.Pesquisadora/CNPq.
*** Dra. em Geografia, Bolsista de Pós-Doutorado/FAPESB/ Programa de Pós-graduação em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Social/UCSAL.
Os autores agradecem a colaboração de Maina Pirajá Silva, Bolsista de Iniciação Científica/CNPq.