Dez de Dezembro

George Saunders · Capítulo 9 de 10

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Dez de Dezembro

Meu fiasco cavalheiresco

 

Mais uma vez era NoiteDosArchotes.

Por volta das nove saí para mijar. No bosque, no fundo, havia o grande tanque que alimentava nosso rio falso, mais uma pilha de velhas armaduras.

Don Murray passou correndo por mim, parecendo esbaforido. Então ouvi um soluço. Deitada de costas perto da pilha de armaduras encontrei Martha, da Copa, com a saia de camponesa erguida até a cintura.

Martha: Aquele cara é meu chefe. Oh meu Deus, oh meu Deus.

Eu sabia que Don Murray era chefe dela porque Don Murray era também meu chefe.

De repente ela me reconheceu.

Ted, não conte, disse ela. Por favor. Não é grande coisa. Nate não pode saber. Ele morreria se ficasse sabendo.

Então saiu correndo para o Estacionamento, a parte debaixo dos olhos preta por causa do choro.

O pessoal da Cozinha tinha espalhado uma fartura de comida sobre uma mesa rústica junto à TorreDoCasteloIV: cabeças autênticas de porcos, galinhas inteiras, morcela.

Lá estava Don Murray, em pé, de cara fechada, se servindo de uma salada de repolho.

E me fez o aceno de cabeça mais afetuoso que jamais me dirigira.

Mulheres, disse ele.

Venha falar comigo, dizia um recado colado no meu armário na manhã seguinte.

Na sala de Don Murray estava Martha.

Então, Ted, disse Murray. Na noite passada você testemunhou uma coisa que, se não for vista sob a luz adequada, poderá parecer errada. Martha e eu estamos achando aquilo engraçado. Não é mesmo, Mar? Acabo de dar mil dólares para Martha. Para o caso de ter havido algum mal-entendido. Martha agora sente que nos deixamos levar por um arroubo. O que, pelo fato de ambos sermos casados, lamentamos muito. Com a bebida, mais o clima romântico da NoiteDosArchotes, o que foi que aconteceu, Martha?

Martha: Nos deixamos levar. Por um arroubo.

Don: Um arroubo voluntário.

Martha: Arroubo voluntário.

Don: E não só isso, Ted. A Martha aqui está sendo promovida. Da Copa. Para Histriã Multitarefas. Mas vamos deixar claro: você não está sendo promovida, Martha, por causa de nosso arroubo voluntário. É uma coincidência. Por que você está sendo promovida?

Martha: Coincidência.

Don: Coincidência, mas também por ter uma tremenda ética profissional. Ted, você também está sendo promovido. Da Zeladoria para a Guarda Andante.

O que era espantoso. Eu tinha passado seis anos na Zeladoria. Um homem do meu calibre. Era uma piada que MQ e eu às vezes compartilhávamos.

Erin chamava dizendo: MQ, alguém vomitou no Bosque do Sofrimento.

E MQ respondia: Um homem do meu calibre?

Ou então Erin dizia: Ted, uma senhora deixou cair o colar no chiqueiro e está tendo uma porra de um ataque histérico.

E eu retrucava: Um homem do meu calibre?

Erin dizia: Não tem graça. Trate de se mexer. Ela está torrando meu saco.

Nossos porcos eram falsos, nosso lamaçal era falso e nossa bosta era falsa, mas mesmo assim não era nada divertido vestir macacão impermeável e galochas e arrastar a JoeireiroDeLux pelo chiqueiro para, por exemplo, pescar o colar de uma madame. Para obter melhores resultados com o JoeireiroDeLux era preciso primeiro rebocar os porcos falsos para um lado. Estando no modo automático, os porcos continuavam grunhindo enquanto a gente rebocava. O que poderia parecer engraçado se acontecesse de a gente estar segurando o tal porco do jeito errado.

Alguém que estivesse passando podia dizer: Olha só, o cara está amamentando aquele porco.

E todo mundo ria.

Por tudo isso uma promoção para a Guarda Andante era muito bem-vinda para mim.

Eu era no momento a única pessoa da nossa família que trabalhava. Minha mãe estava doente, Beth era tímida, meu pai tinha desgraçadamente quebrado a espinha quando um carro que ele estava consertando caiu em cima dele. Tínhamos também algumas janelas que precisavam ser trocadas. Durante todo o inverno Beth ia de um lado para o outro, timidamente, passando o aspirador na neve. Se alguém entrasse em casa quando ela estava passando o aspirador, ela ficava tímida demais para continuar.

Naquela noite em casa Papai calculou que logo teríamos condições de comprar uma cama reclinável para a Mamãe.

Papai: Se você continuar galgando postos, talvez com o tempo a gente consiga um aparelho para a minha coluna.

Eu: Com certeza. Vou fazer com que isso aconteça.

Depois do jantar, rodando pela cidade para comprar os remédios da Mamãe para dor, os remédios de Beth para timidez e os remédios do Papai para dor, passei pela casa de Martha e Nate.

Buzinei, acenei, estacionei, desci.

Oi, Ted, disse Nate.

Como vão as coisas?, perguntei.

Bem, nossa casa está uma pocilga, disse Nate. Dá só uma olhada. Uma pocilga, certo? Eu simplesmente não consigo me animar.

Era verdade, a casa deles estava bem ruim. O telhado tinha pedaços de lona azul, os filhos deles davam pulinhos acanhados de um carrinho de mão para uma poça de lama, um pônei esquelético estava embaixo da armação do balanço lambendo a si mesmo a ponto de esfolar como se quisesse estar limpo para quando finalmente conseguisse escapar para uma condição de vida melhor.

Quero dizer, cadê os adultos aqui?, disse Nate.

Então apanhou no chão uma embalagem de Snotz e olhou em volta à procura de um lugar para depositá-la. Então deixou-a cair de novo e ela pousou sobre o seu sapato.

Perfeito, disse ele. A história da minha vida.

Putz, disse Martha, e apanhou a embalagem.

Não vai me deixar na mão também, disse Nate. Você é tudo o que eu tenho, meu bem.

Não sou não, disse Martha. Você tem as crianças.

Se mais uma coisa der errado, eu dou um tiro na cabeça, disse Nate.

Eu meio que duvidei que ele tivesse iniciativa para isso. Se bem que a gente nunca sabe.

Então me diga como vai o trabalho de vocês, disse Nate. Esta aqui anda muito jururu. E olhe que ela acaba de ser promovida.

Eu podia sentir o olhar de Martha sobre mim, como que dizendo: Ted, estou nas suas mãos aqui.

Imaginei que era esse o apelo dela. Baseado na minha experiência de vida, que não tinha sido exatamente um gol de placa, tendo a concordar com aquela frase: Se não está quebrado, não conserte. E vou ainda mais longe: Mesmo se estiver quebrado, deixe como está, você provavelmente vai piorar as coisas.

Então eu disse alguma coisa sobre, bem, o fato de as promoções às vezes serem duras, porque causam um tremendo de um estresse.

Martha simplesmente irradiava gratidão. Caminhou comigo de volta ao carro, me deu três tomates da sua horta, que a bem da verdade me pareceram meio geriátricos: miúdos, tímidos, enrugados.

Obrigada, ela sussurrou. Você salvou minha vida.

 

Na manhã seguinte, em meu armário estavam meu uniforme de Guarda Andante e um copo de plástico com uma pílula amarela dentro.

Hurra!, pensei, finalmente um Papel Medicado.

Entrou a sra. Bridges, da Saúde e Segurança, com um MSDS* sobre a pílula.

Sra. Bridges: Então, isto não passa de cem miligramas de KnightLyfe®. ** Para ajudar com o Aperfeiçoamento. A questão com o KnightLyfe® é que você vai querer se manter hidratado.

Tomei a pílula, fui para a Sala do Trono. Minha função era andar de um lado para o outro diante de uma porta atrás da qual supostamente havia um Rei meditando. Havia de fato um Rei lá dentro: Ed Phillips. Puseram um Rei lá porque um de nossos Tropos Roteirizados era: o Mensageiro chega, passa abruptamente pelo Guarda Andante, abre a porta com ímpeto, o Rei chama o Mensageiro de afoito, chama o Guarda Andante de idiota, o Mensageiro se encolhe, fecha a porta, tem um breve diálogo com o Guarda Andante.

Em pouco tempo Visitantes já tinham quase lotado nosso Local de Diversão. O Mensageiro (também conhecido como Kyle Sperling) passou cambaleando por mim, abriu a porta. Ed chamou Kyle de afoito, me chamou de idiota. Kyle se encolheu, fechou a porta.

Kyle: Peço perdão por ter quebrado o protocolo.

Me deu um branco, esqueci minha fala, que era: Seu ímpeto anuncia uma paixão varonil.

Em vez disso, falei: Ahn, tudo bem.

Kyle, um verdadeiro profissional, nem pestanejou.

Kyle (me estendendo um envelope): Por favor, faça com que isto chegue até ele. É de suprema urgência.

Eu: Sua Majestade está imerso em seus pensamentos.

Kyle: Oprimido pelo fardo dos pensamentos?

Eu: Isso mesmo. O fardo dos pensamentos.

Nesse exato momento o KnightLyfe® bateu. Minha boca ficou seca. Achei bacana da parte de Kyle não ligar para minha trapalhada. Então me ocorreu que eu gostava de verdade de Kyle. Até o amava. Como um irmão. Um camarada. Um nobre camarada. Sentia que tínhamos vencido juntos muitas tormentas. Parecia, por exemplo, que havíamos a certa altura, numa terra distante, nos encolhido contra a muralha de um castelo, sob cascatas de piche fervente, e então compartilhado uma risada lúgubre, como que dizendo: É tudo tão breve, vivamos a vida. E então: Avante! Tínhamos atacado. Tínhamos galgado escadas rústicas, com Imprecações viris, embora eu não conseguisse lembrar quais tinham sido exatamente essas Imprecações, nem o desfecho do referido Ataque.

Kyle partiu sem demora. Eu entretive alegremente nossos Visitantes, mediante o uso de Ditos Espirituosos e muitos Gracejos, feliz por ter, depois de minhas muitas Labutas, chegado a um patamar na Vida do qual eu podia comunicar tal Júbilo para Tudo & Todos.

Em pouco tempo, o Deleite daquele Dia, já Considerável, aumentou ainda mais pela Chegada do meu Benfeitor, Don Murray.

Proferiu Don Murray, com uma alegre Piscadela: Ted, sabe o que você e eu precisamos fazer um dia? Sair juntos numa viagem ou coisa parecida. Que tal uma pescaria? Ou um acampamento, sei lá.

Meu coração inflou ante tal Noção. Pescar, caçar, acampar com aquele nobre Cavalheiro! Errar pela vastidão dos Campos & Bosques verdejantes! Descansar, no Fim do Dia, sob um tranquilo Caramanchão, junto ao leito de um Córrego, e ali, em meio ao Relincho surdo de nossos Corcéis, falar mansamente sobre muitas Coisas — sobre Honra; sobre Amor; sobre Perigo; sobre Dever bem executado!

Mas então Ocorreu um fatídico Evento.

A saber: a Chegada da acima mencionada Martha, sob as vestes de Espírito — Espírito Três, para ser preciso —, junto com duas outras Donzelas de Branco (sendo estas Megan e Tiffany). Esse Trio de Vestais simulava um Divertido Ardil: elas eram Fantasmas, que Assombravam este Castelo, com muito Arrastar de Correntes e Lamentos Tristes, enquanto nossos Visitantes, naquele Local de Diversão, confinados pelas Cordas Vermelhas, ficavam Boquiabertos & Agitavam-se & Gritavam em reação ao Espetáculo que lhes era fornecido naquele recinto.

Vislumbrando o Semblante de Martha — que, embora Jubiloso, ostentava ao mesmo tempo um Traço de alguma Lembrança Funesta (e eu sabia muito bem qual era) —, fiquei, apesar da minha boa Fortuna recente, um tanto Melancólico.

Percebendo essa Mudança em minha Disposição, Martha falou suavemente comigo, num Aparte.

Martha: Tudo bem, Ted. Já superei. É sério. De verdade. Deixa pra lá.

Oh, que uma Mulher de tão Invejável Virtude, que tanto Sofrera, se dignasse a falar comigo de um Modo tão Franco & Direto, consentindo por suas Palavras em manter sua Desgraça em tão desolado Confinamento!

Martha: Ted. Você está bem?

Ao que dei a Resposta: Em Verdade, não tenho estado Bem, e sim Perturbado & Negligente; mas doravante estou Restituído a Mim Mesmo, e por isso peço Copiosas Desculpas por minha anterior Incúria com respeito a Vós, cara Dama.

Martha: Calma lá, Ted.

Nesse momento, Don Murray em pessoa deu um passo Adiante e, estendendo sua Mão, pousou-a sobre o meu Peito, como que para me Refrear.

Ted, juro por Deus, proferiu ele. Feche a matraca senão eu jogo você rapidinho na privada e dou a descarga.

E em verdade, parte da minha Mente me deu então um sábio Conselho: devo me empenhar em abafar esses Sentimentos, sob pena de incorrer em algum Ato Irrefletido, convertendo minha Boa Fortuna em Desventura.

No entanto, o Coração do Homem é um Órgão que não se entrega a um fácil Prognóstico, e não pode ser Domado com facilidade.

Pois que, enquanto eu olhava para Don Murray, muitos Pensamentos se acumulavam em minha Mente, como em Nuvens de Tormenta: Para que Serve a Vida, se o Homem Vivente não busca a Retidão & defende a Justiça, quando Deus o dotou do Poder de assim proceder? Foi porventura coisa Ditosa, um Demônio sair por aí Desimpedido? Devem os Fracos para sempre errar desprotegidos por esta Orbe formidável? Com esses Pensamentos, algo de Honesto e Varonil começou a se afirmar dentro de mim, e em consequência, não condizendo o Sigilo com um Cavalheiro, avancei a passos largos até o Centro mesmo daquela Sala e enunciei, para os muitos Visitantes reunidos ali, uma justa Proclamação Honesta, Resolutamente e em Alto e Bom Som, a saber:

— Que Don Murray tirara Proveito Ilícito de Martha, cravando, contra a Vontade desta, a Haste em sua Feminilidade na NoiteDosArchotes;

— E mais: que aquele Patife impuro Granjeara o silêncio de Martha por meio de Diversos Subornos, incluindo o atual Posto de Trabalho dela;

— E mais ainda: que ele tentara de modo similar Comprar meu Silêncio; mas que eu NÃO MAIS SILENCIARIA, pois era um Homem afinal, se não houvera OUTRA razão, e DEFENDERIA a Retidão, sem atentar a PREÇO.

Voltando-me para Martha, requeri, por uma inflexão da minha Cabeça, seu Assentimento àqueles Proferimentos, & Confirmação da Verdade do que eu havia Declarado. Mas, ai de mim! A meretriz não Ratificou minhas palavras. Só deixou cair os Olhos, como que por Vergonha, e fugiu daquele Local.

A Segurança, tendo sido Convocada por Don Murray, chegou e, tirando bastante proveito da Oportunidade, se Divertiu comigo, desferindo muitos Golpes duros em minha Cabeça & Corpo. E me Arrancou com violência daquele Local, e me Arremessou na Rua, lançando muito pó sobre a minha Pessoa, e rasgou meu Cartão de Ponto diante dos meus Olhos, e jogou os pedaços para os Ares, em meio a uma Risada muito cruel às minhas Custas, especialmente por causa do meu Chapéu com Plumas, uma Pluma do qual tinha sido Impiedosamente Dobrada.

Fiquei sentado, sangrando e cheio de hematomas, até que, arregimentando a alguma Dignidade que me restava, pus-me a caminho de Casa e dos Consolos que me pudessem ser Garantidos lá. Não dispunha sequer de Passagem para adentrar o Ônibus (tendo deixado minha Mochila naquele Local Infecto), de modo que continuei a Pé por uma boa Hora, o Sol a esta altura já baixo em sua Curva, o tempo todo Refletindo tristemente que, no fim das contas, havia sido Falto de Perspicácia, lançando deste modo minha Família numa Posição das mais lúgubres, na qual nossa Pobreza, já um Obstáculo a nossa Bem-Aventurança, seria Multiplicada muitas vezes.

Não haveria nenhum Aparelho de Coluna para o Pai, nenhuma Cama Reclinável para a Mãe, e, a bem da verdade, o Método pelo qual iríamos, no futuro, encontrar Meios para seus vários Medicamentos Necessários era agora um Mistério & um Tormento.

Dali a nada eu Me via nas cercanias da Wendy’s do Center Boulevard, perto do Outback agora fechado, me recriminando, e me recriminando duramente, consciente de que em breve, esvaído o efeito do Elixir, eu me encontraria diante de nosso incerto Televisor, penando para explicar, com meu próprio Linguajar modesto, que, apesar das Neves do Inverno que vinham lépidas (para entrar em nossa Morada, conforme antes Admiti), nenhum Apelo seria Tolerado: eu estava Demitido; Demitido & dolorosamente Desonrado!

Então veio como que um Golpe Mortal, sublinhando minha Insensatez, desfechado pela própria Martha, que, me ligando no Celular, dirigiu-se a mim com verdadeira Dor na Voz, que me pungiu até a Medula, dizendo: Muitíssimo obrigada, Ted, caso você ainda não tenha notado, a gente mora numa porra de uma cidade minúscula, oh meu Deus, oh meu Deus!

E então começou a chorar, & de toda a Alma.

Era verdade: Fofoca e Difamação voavam como o Vento em nossa Cidade, e com certeza logo alcançariam também o Ouvido do pobre idiota do Nate. E vendo-se assim cruelmente Informado sobre a Torpe Violação de sua Martha, Nate certamente iria à loucura.

Oh, céus.

Que merda de Dia.

Tomando um Atalho através do Campo esportivo do colégio, onde os Dummies do futebol, em silhueta, como homens que sabiam o valor de manter a Boca fechada, pareciam Zombar de mim, tentei me Consolar dizendo que tinha feito a Coisa Certa, e servira à Verdade, e revelara Coragem. Mas não houve Consolo nisso. Era tão bizarro. Por que eu tinha feito Aquilo? Eu me sentia um perfeito Miolo-Mole, antes devendo ter deixado tudo como estava & sido mais Moderado. Eu tinha fodido a Biela, sem mentira. Se bem que, por outro Lado, não era verdade que o próprio Diabo, de quando em quando, envergava os Trajes da Moderação, conviesse tal gesto a seu Propósito? Não era Salutar que os Eventos seguissem seu curso até a punição de Don Murray? Se bem que, ainda uma vez, quem eu pensava que era, o sr. Manda-Chuva?

Bosta.

Que bosta.

Que cu de boi.

Ia ser Difícil me redimir.

Eu tinha voltado quase completamente a mim agora, o que, acreditem, não era nada Fácil.

Um último fragmento da Pílula ainda foi digerido por mim, tive a impressão. Produzindo uma última, breve e poderosa onda de Retorno. Àquele Eu anterior. Que, Elevado & Confiante ao extremo, tanto me desencaminhara.

Eu me dirigi às Margens do Rio, e ali me demorei por instantes, enquanto o Sol poente se fundia à Água, doando-se generosamente & a sua Miríade de Cores, num Espraiar de Esplendor que precedeu o mais maravilhoso dos Silêncios.

 

* MSDS: sigla de Material Safety Data Sheet [Ficha de Dados de Segurança de Material]: formulário com dados referentes às propriedades de uma substância determinada. Usado na segurança do trabalho, instruifuncionários a respeito dos procedimentos para a manipulação segura dessa substância. (N. T.)

** KnightLyfe©: Assim como as outras “marcas registradas” inventadas pelo autor, esta alude a sua função. No caso, KnightLyfe sugere Knight life, “vida de cavaleiro” ou “vida de paladino”. (N. T.)