Empreendedorismo no semiárido
Apresentação
Este livro constitui-se de uma coletânea de sete registros de
estudos teórico-empíricos sobre empreendedorismo, realizados por
discentes e lapidados por docentes da Universidade Federal Rural
do Semiárido (Ufersa) entre os anos de 2013 a 2016. Esses estudos
foram realizados para a operacionalização de trabalhos de
conclusão de curso de graduação, em diferentes âmbitos.
Não obstante as limitações metodológicas, inerentes aos
trabalhos dessa natureza, os estudos trazem resultados
interessantes sobre a temática. Esses resultados mostram o
potencial investigativo desses estudos, que podem servir de ponto
de partida para outros mais elaborados e com metodologias mais
avançadas, tendo em vista que é assim que o conhecimento
científico se desenvolve: com a verificação e/ou a agregação de
novos métodos e descobertas que possibilitem o seu acúmulo.
O primeiro registro, elaborado pelas autoras Raynara Gurgel
Hipólito e Suely Xavier dos Santos, sob o título: A contribuição da
educação empreendedora para a formação dos futuros engenheiros
da Ufersa, elenca as ações empreendedoras realizadas no âmbito
da instituição, mais especificamente, no Campus de Mossoró, e no
Bacharelado em Ciências e Tecnologia (BCT), e analisa a
percepção dos discentes quanto à contribuição dessas ações para a
sua formação. Os dados de 93 discentes do último período do BCT
da Ufersa, descritos graficamente, mostram que a maioria dos
discentes reconhece a importância de conteúdos e ações
relacionados ao empreendedorismo para sua formação. No entanto,
revelam desconhecimento sobre as ações que fomentam o
empreendedorismo, já existentes na instituição.
O segundo registro, dos autores Jéssica Taiane Rocha Pinheiro,
Agostinha Mafalda Barra de Oliveira e Leonardo Andrade Rocha,
intitulado: A influência do ensino do empreendedorismo nas
instituições de ensino superior (IES) para o desenvolvimento da
intenção e do potencial de empreender dos discentes das
engenharias, segue a mesma linha do primeiro. No entanto, volta-se apenas para uma ação de ensino. Também realizado no âmbito da
Ufersa, esse estudo verificou a eficácia da disciplina Administração
e Empreendedorismo no desenvolvimento do perfil empreendedor
de seus discentes. O resultado, extraído por meio do teste de
amostra pareada, com 89 discentes do BCT da Ufersa, indica a
ineficácia da disciplina como ação de fomento, se realizada de
forma isolada.
Com a mesma preocupação, no terceiro registro, denominado de
Empreendedorismo nas engenharias em IES pública e privada, os
autores Alexandre dos Santos Barros, Agostinha Mafalda Barra de
Oliveira e Alexandre José de Oliveira estudam o perfil
empreendedor não mais dos ingressantes, mas dos concluintes das
engenharias na cidade de Mossoró. Para tanto, medem e comparam
a intenção de empreender e o potencial empreendedor de 92
concluintes dos cursos de engenharia em uma IES pública e uma
IES privada. Com base nos dados coletados, observam que não há
diferenças significativas em relação à intenção de empreender.
Contudo, verificam diferenças significativas em relação ao potencial
empreendedor entre os concluintes das duas IES.
Por sua vez, os autores Paulo Alexandre da Rocha Morais,
Alexandre José de Oliveira e Alexandre dos Santos Barros, no
quarto registro, Perfil empreendedor: comparativo entre gêneros e
orientação religiosa, propõem-se contribuir com a discussão sobre o
empreendedorismo, verificando se há diferença, no perfil
empreendedor, entre homens e mulheres e entre católicos e
protestantes. A amostra desse estudo foi constituída com 141
discentes de BCT de uma IES. O teste de hipótese para a variável
gênero revela que não há diferenças significativas para o fator
intenção de empreender; no entanto, há diferenças significativas
para o fator potencial empreendedor. Por sua vez, o teste de
hipótese para a variável religião indica que a diferença de médias
entre os grupos não é significativa para nenhum dos fatores
analisados.
O quinto registro, intitulado: Classificação dos empreendedores
aracatienses de acordo com o modelo de motivação de Nafiziger,
Hornsby e Kuratko, das autoras Sophia Caroline da Costa Soares,
Agostinha Mafalda Barra de Oliveira e Suely Xavier dos Santos, sai do âmbito das IES. Tal estudo classifica 33 empreendedores
aracatienses quanto aos fatores que, na sua visão, mais contribuem
com o seu processo de empreender, de acordo com o modelo de
cinco construtos de Nafiziger, Hornsby e Kuratko. Os resultados
apontam que os construtos características pessoais e objetivos
pessoais, bem como ambiente de negócios e ideia de negócio, na
visão dos respondentes, são os que, respectivamente, mais e
menos os influenciam no seu processo de empreender.
Na sequência, mantendo a mesma temática, as autoras do
registro anterior, Sophia Caroline da Costa Soares, Suely Xavier dos
Santos e Agostinha Mafalda Barra de Oliveira, no sexto registro, sob
o título Relação entre a motivação para empreender dos
empreendedores aracatienses e suas ações para o
desenvolvimento da economia local, acrescentam outra variável. Por
meio de uma entrevista com seis microempreendedores individuais
(MEI’s) aracatienses, as autoras os classificam de acordo com a
motivação para empreender, por oportunidade ou por necessidade,
defendida pelo GEM e analisam a contribuição de suas ações para
o desenvolvimento econômico do município de Aracati, CE. Com
base nessa análise, sugerem que as ações dos empreendedores
por oportunidade são mais benéficas e significativas que as
daqueles que empreendem por necessidade.
O sétimo registro, denominado A influência do Serviço Brasileiro
de apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) na ação
empreendedora do microempreendedor individual da cidade de
Mossoró, RN, escrito por Niágara Aires Nogueira e Ana Maria
Magalhães Correia, aborda o empreendedorismo sob outra
perspectiva. Após análise de questionário estruturado, aplicado com
154 MEI’s, as autoras traçam seu perfil e analisam suas opiniões
acerca do desenvolvimento e das melhorias alcançadas para eles e
para seus empreendimentos, depois que procuraram o apoio do
Sebrae, em suas competências gerenciais, com relação às áreas de
marketing, finanças, rotinas administrativas e relacionamento
interpessoal/equipes. Os resultados indicam que os MEI’s que
participaram desse estudo reconhecem a influência positiva do
Sebrae na melhoria de suas competência e do seu
empreendimento.
Em síntese, os três primeiros registros abordam a importância e a
eficácia da educação empreendedora nas IES, com delineamentos
de pesquisa bem diferentes. Os dois registros seguintes tratam o
empreendedorismo sob uma perspectiva micro e relacionam o perfil
empreendedor com suas características pessoais e sociais ou os
classificam pela sua motivação para empreender. Por fim, os dois
últimos registros já adotam uma perspectiva mais macro e verificam
o papel do empreendedorismo e de uma de suas instituições de
fomento para o desenvolvimento econômico.
Com esta apresentação, faz-se o convite à leitura para todos
aqueles, práticos e/ou estudiosos, ávidos de mais conhecimento
sobre a temática.
Agostinha Mafalda Barra de Oliveira