Empreendedorismo no semiárido
Capítulo 1 – A contribuição da educação empreendedora para a formação dos futuros engenheiros da UFERSA
Capítulo 1 – A contribuição da
educação empreendedora para
a formação dos futuros
engenheiros da UFERSA
Raynara Gurgel Hipólito, Suely Xavier dos Santos
1.1 Introdução
Sabe-se que o empreendedorismo tem conquistado relevante
participa- ção no desenvolvimento econômico e social de uma região
ou um país. Nesse sentido, um ambiente acadêmico que fomente o
desenvolvimento de atitudes empreendedoras nos discentes pode
contribuir para que estes optem por planejarem suas carreiras
profissionais considerando a possibilidade de empreender seus
próprios negócios.
Uma pesquisa da Revista Endeavor Brasil (2012), realizada com
46 universidades brasileiras, de 11 estados e com a participação de
6.215 discentes, apontou que as universidades estudadas estão
muito bem posicionadas no ensino do empreendedorismo. Porém,
ainda há muito por fazer. Quanto aos universitários pesquisados,
verificou-se que o empreendedorismo está na cabeça deles, mas
poucos se preparam para abrir um negócio. Também foi possível
verificar que tanto as universidades quanto os estudantes, assim
como a sociedade em geral, observam o empreendedorismo com
bons olhos.
Para o campo do estudo de empreendedorismo de modo geral, é
imprescindível um estudo que verifique empiricamente o que
Dornelas (2001) e Teixeira (2012) defendem. Na concepção desses
autores, as instituições de ensino têm um papel fundamental na capacitação do seu alunado, pois as pessoas adquirem
conhecimentos e experiência que condicionam suas vidas, tanto no
âmbito profissional quanto no pessoal. Nesse sentido, desenvolver
habilidades e competências empreendedoras no ambiente
acadêmico pode fazer toda a diferença para a carreira dos
discentes.
O curso de Bacharelado em Ciência e Tecnologia (BCT) da
Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) foi viabilizado
mediante o projeto REUNI. Esse novo curso está inserido nesse
contexto de nova educação superior no Brasil, delineado em
harmonia com modificações no ensino superior propostas pela nova
LDB. Dessa forma, o BCT foi homologado pela Decisão
CONSUNI/UFERSA nº 049/2008, de 03 de julho de 2008, para
viabilizar a formação em engenharia em dois ciclos. Sendo o
primeiro ciclo o BCT, como duração mínima de seis períodos, e o
segundo ciclo uma das engenharias oferecidas pela Ufersa em um
dos seus campi. Dessa forma, na Ufersa, atualmente o BCT serve
como a porta de ingresso para a Engenharia Civil, de Energia,
Mecânica, Química, de Petróleo e ou de Produção, no Campus de
Mossoró; Engenharia Civil ou de Produção, no Campus de Angicos;
Engenharia Civil, Elétrica ou Mecânica, no Campus de Caraúbas; e
Engenharia Civil, da Computação ou Ambiental e Sanitária, no
Campus de Pau dos Ferros.
Nesse sentido, no que se refere aos discentes do BCT, sabe-se
que deles é demandada uma substancial gama de conhecimentos
técnicos nos dois ciclos. De forma geral, esses discentes são
preparados de forma especializada para se posicionarem no
mercado de trabalho como futuros engenheiros, de forma
empreendedora. Pelo exposto, este trabalho tem por objetivo
identificar a contribuição do ensino do empreendedorismo para a
formação dos discentes do BCT da Ufersa. Para tanto, buscou-se
elencar as ações empreendedoras realizadas no BCT e sua
contribuição para a formação profissional; e verificar a percepção
dos discentes do BCT quanto à importância do ensino do
empreendedorismo para a sua formação.
1.2 Abordagem histórica e conceitual
do empreendedorismo
De acordo com Hisrich, Peters e Shepherd (2014), o termo
empreendedorismo é originado da palavra francesa
entrepreneurship e significa ‘aquele que está entre’ ou
‘intermediário’, que assume riscos e começa algo novo. Contudo, o
empreendedorismo não é algo novo, pois faz parte da história das
civilizações e tem como objetivo melhorar as relações do homem
com os outros e com a natureza. Nesse sentido, Custódio (2011)
lembra que o homem já utilizava o empreendedorismo quando
precisava inovar em atitudes para sobreviver, como, por exemplo, na
construção de diversas ferramentas para facilitar a caça de animais,
fazer o fogo, etc.
Na Idade Média, os clérigos já cumpriam papel de empreendedor
nas obras arquitetônicas pelas quais eram responsáveis, porém,
sem correr riscos, já que os recursos eram financiados pelo governo
da época. No século XVI, os donos das grandes navegações
expandiram suas missões empreendedoras no mundo e, no final do
século XIX e início do século XX, os termos ‘empreendedor’ e
‘gerente’ eram confundidos, tendo em vista que os empreendedores
eram considerados como aqueles que organizavam, planejavam,
dirigiam e controlavam.
Sabe-se que o século XX foi marcado por inúmeras invenções,
como o avião motorizado, o aparelho televisor, o computador, a
bomba atômica, entre outros. É perceptível que, por trás dessas
inovações, estavam pessoas criativas, à frente do seu tempo, que
tiveram uma ideia, transformaram-na em algo concreto e assumiram
o risco de seus inventos. Segundo Melo Neto (2002), foi nesse
século que surgiu, por meio de Joseph Schumpeter, a relação de
empreendedorismo com inovação. Foi a partir de então que o
empreendedorismo passou a ser visto como uma ferramenta criada
para despertar as habilidades, inovar e criar alternativas por meio de
ideias, unir recursos, transformá-los em um produto ou serviço, para
entregar quantidade e qualidade para o consumidor. Assim, no
contexto atual, o empreendedorismo vem sendo utilizado para fazer referência aos estudos relacionados ao empreendedor, às suas
características, às atividades que ele desenvolve, ao seu ambiente
de atuação.
Por sua vez, na percepção de Baron e Shane (2007), o
empreendedorismo pode ser visto como um processo, ou seja, como
uma cadeia de eventos e atividades que ocorrem ao longo do tempo
– em alguns casos, períodos consideráveis de tempo. Esse
processo vai desde a identificação de uma oportunidade até a
concretização desta em um negócio estabelecido. De acordo com
esses autores, o processo de empreender é influenciado por
inúmeros fatores, sejam eles individuais, grupais ou sociais.
Os fatores individuais estão ligados às características inerentes ao
empreendedor, como a percepção para identificar oportunidade e
capacidade/habilidade para administrar os recursos e explorá-los,
bem como a tendência para arriscar em novos produtos/serviços e
mercados, a busca recorrente por algo novo (inovador) e a vontade
de crescer. Essas características resultam na propensão de algumas
pessoas para iniciarem o processo empreendedor.
Importante ressaltar que o empreendedor pode também ser
influenciado pelo seu círculo de relacionamento. Ou seja, os
familiares, amigos, clientes, fornecedores e todos aqueles com os
quais o empreendedor se relaciona e se relacionou em suas
experiências e empregos anteriores. O círculo de relacionamento de
um empreendedor influencia o processo decisório e de planejamento
do negócio. Assim, esses fatores de nível grupal ajudam na
construção, na captação de recurso e no desenvolvimento do
negócio.
Para Chiavenato (2012), ser empreendedor está muito além de
fundar empresas, construir novos negócios ou impulsionar negócios
atuais. Para ele, o empreendedorismo move a economia, incentiva
mudanças e transformações, produz novas ideias, impulsiona
talentos e competências. Destaca ainda esse autor que, para ser
bem-sucedido, o empreendedor deve saber, além de criar seu
próprio negócio, mantê-lo e sustentá-lo por um longo período e obter
retornos positivos de seus investimentos mediante o balanceamento
de aspectos racionais e emocionais.
De acordo com Dolabela (1999), empreendedorismo é um
fenômeno cultural, ou seja, os empreendedores nascem por
influência do meio em que vivem. Da mesma forma, Dornelas (2014)
reforça que empreendedorismo é o envolvimento de pessoas e
processos que, em conjunto, levam à transformação de ideias em
oportunidades.
Para Hisrich, Peters e Shepherd (2014), o empreendedorismo
demanda ação empreendedora, por meio de novos processos,
dentro de uma nova empresa ou em uma empresa já estabelecida.
Tal ação requer avaliação da oportunidade, assim como da incerteza
que ela traz, para que se tenha capacidade de enfrentá-la e reduzi-
la.
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
([SEBRAE], 2007) sintetiza esses principais conceitos e define o
empreendedorismo como o processo de criar algo novo com valor,
dedicando o tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos
financeiros, psíquicos e sociais correspondentes e recebendo as
consequentes recompensas da satisfação e independência
econômica e pessoal. Assim, o diferencial do empreendedor é que
ele consegue unir prazer e trabalho, obtendo realização pessoal e
profissional.
Segundo Sarkar (2010), o empreendedorismo está ligado à
inovação e a outras características como forte desejo de sucesso,
capacidade para trabalhar arduamente, criatividade, capacidade
para criar uma equipe de sucesso e pensamento próprio. Essa
última engloba inteligência ou desejo de enriquecer.
Para Custódio (2011), o empreendedor deve ter visão e percepção
para identificar as oportunidades. Suas atitudes empreendedoras,
que são fundamentais para o sucesso ou o fracasso da empresa,
devem focar as pessoas e não somente as empresas.
Já Malheiros (2003) sugere que, independentemente da área de
atuação, há características que todo empreendedor tem e estas
incluem: a) necessidade de realização; b) motivação, criatividade e
inovação; c) estabelecimento de metas e objetivos; d) predisposição;
e) identificação de necessidades. Pode-se afirmar que todo
empreendedor de sucesso deve desenvolver habilidades tais como:
competência (saber fazer), motivação (querer fazer), criatividade (fazer mais com menos) e metas claras, desafiadoras, mas que
podem ser realizadas. Tais características, segundo Dornelas (2014)
e Dolabela (1999) podem ser aprendidas.
Por fim, seja como um campo de estudo ou como um processo, o
empreendedorismo vem ganhando destaque no cenário mundial,
estando continuamente relacionado ao contexto social e tecnológico.
Para Dornelas (2014), vivencia-se hoje a chamada era do
empreendedorismo, já que os empreendedores estão conseguindo
suprimir as barreiras de âmbito comercial e social, inovando os
processos e as formas de organização, anulando padrões e
consequentemente produzindo riquezas.
1.3 Empreendedorismo no contexto
brasileiro
Para Melo Neto (2002), o empreendedorismo é uma ferramenta de
política de ação de governo, das empresas e da comunidade,
gerando uma alternativa para a promoção do desenvolvimento
econômico e social local. Com isso em mente, vários estudos vêm
mostrando a influência que o empreendedorismo tem no
desenvolvimento da economia de um país. Nesse sentido, a
pesquisa Global Entrepreneurship Monitor ([GEM], 2005) aponta que
a criação de negócios é uma das causas da prosperidade das
nações, uma vez que a existência de indivíduos dispostos aos riscos
de empreender é um dos pilares do desenvolvimento econômico.
Em todo o mundo, o interesse pelo empreendedorismo se estende
além das ações dos governos nacionais, atraindo também a atenção
de muitas organizações e entidades multinacionais, como ocorre na
Europa, nos Estados Unidos e na Ásia. Dornelas (2014) afirma que
há uma convicção de que o poder econômico dos países depende
de seus futuros empresários e da competitividade de seus
empreendimentos. Para o autor, o exemplo dos Estados Unidos
deve ser observado, pois se trata do maior exemplo de compromisso
nacional com o empreendedorismo e o progresso econômico. Isso
porque, apesar das crises econômicas enfrentadas por aquele país, o empreendedorismo tem crescido e tem tido investimentos de
centenas de milhões de dólares anualmente por parte dos governos
locais e de organizações privadas. Tais programas servem de
incentivo para o desenvolvimento empresarial de outros países.
No Brasil, a cultura empreendedora vem sendo difundida de
maneira significativa em função dos avanços tecnológicos e das
mudanças ocorridas no mercado. O governo brasileiro vem se
mostrando interessado em dinamizar e apoiar o empreendedorismo.
De acordo com Dornelas (2001), o movimento do
empreendedorismo começou a tomar forma aqui no Brasil nos anos
de 1990, quando foram criadas entidades como o Sebrae e a
Sociedade brasileira para exportação de Software (Softex). Desde
então, é firmada continuamente a ideia de empreendedorismo como
relação de pessoas e processos que, em conjunto, proporcionam a
transformação de ideias em oportunidades.
Na visão de Dornelas (2014), o momento atual é favorável para o
crescimento do empreendedorismo no contexto brasileiro. Segundo
Custódio (2011), o Brasil possui grandes e pequenos
empreendedores, e estes últimos contribuem muito para a geração
de riquezas do país. Daí a importância do empreendedorismo no
Brasil, que está apenas começando e necessita de um olhar
especial do Governo.
De acordo com a pesquisa do GEM (2015), a taxa total de
empreendedorismo no Brasil sofreu um aumento significativo com
relação ao ano de 2014, que teve, como determinante, o significativo
aumento na taxa de empreendedores nascentes. Ainda segundo a
pesquisa, os brasileiros são favoráveis à atividade empreendedora e
tem uma visão positiva a respeito dos indivíduos envolvidos com
negócios próprios.
Quando se trata das condições que favorecem a atividade
empreendedora no Brasil, o GEM (2015) destaca a capacidade que
o povo brasileiro tem de empreender. Em contrapartida, a mesma
pesquisa aponta que os fatores limitadores ao empreendedorismo
no país estão relacionados a políticas governamentais, educação e
capacitação, bem como apoio financeiro aos empreendedores.
Na visão de Lemos (2005), algumas forças diferenciam o Brasil
como país empreendedor, como, por exemplo: a elevada capacidade de identificar oportunidades, a diversidade étnica e cultural, a
tolerância às diferenças, a capacidade de criatividade e inovação, a
flexibilidade e a adaptabilidade a ambientes desafiadores, a
convivência com o risco, etc.
1.4 Educação empreendedora e o seu
papel no fomento do
empreendedorismo
A educação empreendedora é um tema discutido na sociedade
norte-americana desde a década de 1940 e, anos mais tarde, no
cenário europeu. Essa temática tem uma longa tradição em centros
de ensino da Europa, Estados Unidos e Canadá. Já no Brasil, a
educação focada no empreendedorismo é uma abordagem
relativamente recente. Para Duarte et al. (2004), o tema vem se
disseminando rapidamente, bem como ampliando os seus espaços
entre o governo, o meio empresarial e as instituições representativas
de classe e de ensino.
Dolabela (2008) aponta que a proposta da educação
empreendedora objetiva oportunizar a geração de atitudes e ações
empreendedoras nos estudantes, em nível fundamental, médio,
técnico ou superior. Nessa perspectiva, Lucas (2001) destaca que,
quando se foca a necessidade de desenvolver nesses estudantes as
características típicas do empreendedor, essa proposta de educação
tem como base o desenvolvimento do autoconhecimento com
ênfase na perseverança, na imaginação, na criatividade, na
inovação, sendo importante o conteúdo que se aprende, mas,
sobretudo, como se aprende. Portanto, a educação empreendedora
possibilita ao estudante desenvolver habilidades, atitudes e
comportamentos, de modo que possa explorar oportunidades e
transformar o meio em que vive, contribuindo, assim, para o
desenvolvimento econômico, social e cultural.
Para Lopes (2010), uma formação empreendedora enfatiza várias
metodologias de ensino que permitem aprender fazendo e se
caracteriza por isso, pois o estudante se depara com situações atípicas que o fazem pensar de maneira diferente, buscando novas
soluções para os problemas existentes, ou seja, aprendendo com a
experiência, com o processo. Com essa visão, muitas instituições de
ensino já adotam ou pretendem adotar pelo menos uma disciplina
direcionada a essa temática, como uma forma de despertar
criatividade, inovação, troca de ideias, informações, conhecimento.
Tais ações são fundamentais para que, posteriormente, possam
surgir mais empreendedores de sucesso.
No entanto, voltando-se especificamente para as instituições de
ensino superior (IES), Lopes (2010) acredita que os benefícios da
disciplina e a inserção dela em todo currículo universitário ainda é
bloqueada pela resistência, pela falta de uma cultura
empreendedora, bem como a pouca disposição em discuti-la de
maneira mais ampla.
Para Bernardes (2010), muitas IES estão implantando projetos
com o objetivo de apoiar empreendimentos de alta tecnologia ou de
cunho social. Como, por exemplo, formar parcerias com
cooperativas, ou ainda desenvolver programas internos cujo objetivo
é a disseminação de práticas de empreendedorismo entre seus
discentes.
Segundo Dornelas (2014), há pouco mais de 20 anos, havia uma
grande oferta de empregos nas grandes empresas nacionais e
multinacionais com estabilidade, bons salários e possibilidade de
crescimento, o que fazia com que os recém-formados não optassem
por abrir seu negócio próprio. Porém, o cenário vem mudando, e a
abertura de negócios próprios está em alta. Nessa perspectiva, o
autor acredita que, devido à crise que alguns países e o Brasil vêm
enfrentando, a capacitação de egressos empreendedores tem sido
prioridade e, por isso, há um crescimento constante no número
deles. Tal prioridade vem sendo operacionalizada por meio da
criação de cursos e matérias específicas de empreendedorismo.
Por fim, o ensino do empreendedorismo durante a formação de
um novo profissional tem sido considerado pelos especialistas como
vital para o seu sucesso. Nesse sentido, a educação empreendedora
se apresenta como um dos fatores essenciais para ajudar os
estudantes a entenderem e a adotarem uma atitude empreendedora
ainda quando estão em formação.
1.5 Ações de fomento ao
empreendedorismo nas IES
A promoção da cultura empreendedora envolve ações que se
proponham criar um ambiente que valorize o empreendedorismo e
busque conferir-lhe maior visibilidade perante a sociedade, ao
disseminar sua prática. Esse estímulo permite fazer com que mais
pessoas se sintam encorajadas a optar pelo empreendedorismo e
criem novos negócios.
Para Dolabela (1999), as IES podem assumir um relevante papel
na nova realidade econômica mundial, em que empresas de
conhecimento se transformam em uma das principais forças do
desenvolvimento econômico. Nesse aspecto, é de grande
importância o papel direcionado ao ensino do empreendedorismo,
visto que este incentiva e procura desenvolver nos estudantes os
comportamentos e atitudes que condizem com a inovação, com a
capacidade de transformação do mundo e com a geração de
riquezas.
A fim de criar e fortalecer uma cultura empreendedora e aproximar
seus discentes do mercado de trabalho, as IES podem promover
uma série de ações por meio das quais seja possível associar teoria
e prática no ambiente acadêmico. Dentre as diversas atividades de
fomento ao empreendedorismo, promovidas pelas IES, estão os
programas ou projetos de extensão universitária, as empresas
juniores, as incubadoras de empresas, os núcleos de inovações
tecnológicas (NIT), etc.
Almeida (2000) afirma que a extensão universitária no Brasil é
amparada por lei desde 1968 e, desde então, as IES vêm
articulando projetos sociais à vida acadêmica. Por intermédio dos
programas de extensão, a IES estabelece a relação transformadora
com a sociedade, e o conhecimento gerado na instituição é
canalizado para as comunidades. Nesse processo, os discentes
podem realizar atividades em que são associadas teoria e prática,
contribuindo assim para sua qualificação profissional.
As empresas juniores são organizações juridicamente autônomas,
sem fins lucrativos, dirigidas por discentes, sob a supervisão de docentes. Elas são aptas a prestarem consultorias, apoio técnico,
realizar estudos e desenvolver projetos para empresas, entidades e
até para a própria IES. Um requisito importante é que os projetos se
relacionem com as atividades curriculares do discente. Para
Dornelas (2001), as empresas juniores têm grande importância para
o fomento do empreendedorismo, pois, por meio delas, os discentes
agregam conhecimento teórico-empírico e prestam serviço a um
baixo custo e de boa qualidade para as pequenas empresas. Já na
visão de Rafael e Oliveira (2012), a empresa Júnior serve de
laboratório de exercício da prática profissional e de vínculo entre o
saber acadêmico e a comunidade. A importância disso para o
discente é o desenvolvimento e o contato profissional com o
mercado.
Por sua vez, a Associação Nacional de Entidades Promotoras de
Empreendimentos Inovadores ([ANPROTEC], 2002) destaca que as
incubadoras de empresas foram criadas para apoiar o
desenvolvimento de novos empreendimentos e oferecer
infraestrutura necessária para o crescimento de projetos inovadores.
Elas são fortes disseminadoras da cultura empreendedora nas IES,
na medida em que acolhem e dão suporte técnico e de gestão aos
projetos submetidos pelos discentes para a abertura de negócios.
Além dessas ações, as IES também podem promover eventos
como palestras, seminários, workshops, etc. Portanto, verifica-se
que o conjunto dessas ações é de suma importância para o fomento
do empreendedorismo, bem como para contribuir com o
desenvolvimento das atitudes empreendedoras dos discentes.
1.6 Procedimentos metodológicos
Quanto à abordagem do problema, a pesquisa classifica-se,
quanto à natureza, como quantitativa. Já com relação ao objetivo
geral, a pesquisa se classifica como exploratória e descritiva. No que
se refere à amostra, trata-se de uma porção ou parcela da
população convenientemente selecionada. Dessa forma, a pesquisa
é do tipo não probabilística, por conveniência. Segundo, Diehl e
Tatim (2004), essa amostragem não se utiliza de formas aleatórias de seleção e, sim, de forma intencional, uma vez que o pesquisador
escolhe a população que deseja estudar. Porém, ela apresenta
maior limitação por generalizar os resultados para todo o universo
estudado.
A população desta pesquisa é composta por 113 discentes do
sexto período do BCT da Ufersa, Campus Mossoró, do semestre
2015.2. E a amostra é constituída dos 73 discentes que estavam
presentes em sala de aula, no momento em que a pesquisa foi
aplicada. Adotou-se esse critério de seleção, porque esse é o último
período do curso e por entender que, nesse período, todos os
discentes estão cursando ou já cursaram a disciplina de
Administração e Empreendedorismo.
O instrumento utilizado para coleta de dados foi o questionário
que, segundo Martins e Lintz (2000), é um conjunto ordenado e
consistente de perguntas a respeito de variáveis e situações, que se
deseja medir ou descrever. O questionário foi elaborado com 13
questões afirmativas (ver Quadro 1), em que se utilizou a escala de
Likert, com itens de múltipla escolha, na forma autoadministrada,
para verificar o nível de concordância dos respondentes. Nesse
sentido, cada questão foi respondida, levando-se em consideração o
nível de concordância (de 1 a 5): Discordo totalmente; Discordo;
Nem discordo, nem concordo; Concordo e Concordo totalmente.
Quadro 1 – Questões afirmativas que compõem o instrumento de
pesquisa
Questões
Cursei a disciplina de Administração e Empreendedorismo na
Ufersa
Eu considero os conhecimentos de empreendedorismo importantes
para a minha formação
Fonte: Elaboração própria (2016).
Questões
Eu considero que os conhecimentos estudados na disciplina
Administração e Empreendedorismo foram suficientes para a minha
formação
Eu considero que os conhecimentos de empreendedorismo poderão
me ajudar no mercado de trabalho
A partir da disciplina de Administração e Empreendedorismo, eu
identifiquei que tenho características empreendedoras
Eu entendo que os conhecimentos de empreendedorismo são
importantes apenas para quem vai abrir um negócio
Eu conheço as atividades de fomento ao empreendedorismo que
são realizadas na Ufersa
Eu participo ou participei de alguma(s) atividade(s)
empreendedora(s) na Ufersa
Eu considero que o profissional de engenharia precisa ter atitudes
empreendedoras para se posicionar bem no mercado
Quando eu me formar, pretendo trabalhar em uma média ou grande
empresa
Quando eu me formar, pretendo prestar concurso para o serviço
público
Quando eu me formar, pretendo ser dono do meu próprio negócio
Eu considero que o empreendedorismo contribui para o
desenvolvimento de competências importantes que são exigidas
pelo mercado de trabalho
Fonte: Elaboração própria (2016).
Para o tratamento e a análise dos dados, utilizou-se o sistema da
estatística descritiva, “[...] que consiste na escolha, análise e
interpretação de dados numéricos através da criação de
instrumentos adequados: quadros, gráficos e indicadores numéricos”
(REIS, 1996, p. 15).
1.7 Apresentação e análise dos dados
O atendimento ao objetivo proposto foi alcançado com o auxílio
dos gráficos. Dessa forma, os gráficos apresentados neste tópico
demonstram a percepção dos respondentes e atendem ao objetivo
geral de identificar a contribuição do ensino do empreendedorismo
para a formação dos discentes do BCT da Ufersa.
Com relação ao primeiro objetivo específico, que é: elencar as
ações empreendedoras realizadas no BCT e sua contribuição para a
formação profissional, verificou-se que, na Ufersa, Campus Mossoró,
existem várias atividades de fomento ao empreendedorismo. Como,
por exemplo, a incubadora de empresas (IAGRAM), o NIT e as
empresas juniores dos cursos de Administração, Engenharia
Química, Engenharia de Pesca, entre outros, bem como a realização
de eventos envolvendo a temática do empreendedorismo. No
entanto, no BCT, a única ação identificada é a realização da
disciplina de Administração e Empreendedorismo, que está inserida
na estrutura curricular. Essa disciplina, como o próprio nome sugere,
aborda conteúdos gerais de administração e de empreendedorismo,
bem como de um Plano de Negócio. Por meio dela, os discentes são
estimulados a pensarem em uma proposta de negócio inovadora e a
elaborarem os projetos a serem apresentados ao final da disciplina.
Já quanto ao segundo objetivo específico, que é verificar a
percepção dos discentes do BCT quanto à importância do ensino do
empreendedorismo para sua formação, apresenta-se, na sequência,
a interpretação gráfica da análise das 13 questões abordadas no
instrumento de pesquisa.
Com relação à afirmação “eu cursei a disciplina de Administração
e Empreendedorismo na Ufersa”, dentre os discentes pesquisados,
verificou-se que 52% responderam discordo totalmente; portanto, não cursaram a disciplina. E 48% responderam que concordam
totalmente; logo, cursaram a disciplina. Esses 52% podem haver
discordado pelo fato de alguns discentes estarem cursando a
disciplina no momento da pesquisa ou adiantando outras disciplinas
do sexto período e não estando, portanto, efetivamente, no último
semestre do BCT como previsto, conforme Gráfico 1.
Gráfico 1 – Análise da questão 1
Fonte: Dados da pesquisa (2016).
Apesar de a metade dos discentes pesquisados não haverem
cursado a disciplina, no tocante à afirmação “eu considero os
conhecimentos de empreendedorismo importantes para a minha
formação”, 4% responderam nem concordo nem discordo, 36%
concordaram com a afirmação e 60% concordaram totalmente.
Assim, juntando os concordantes, 96% do total de 73 pesquisados
consideram importantes os conhecimentos de empreendedorismo
para sua formação, como demonstrado no Gráfico 2. Essa realidade
corrobora com Teixeira (2012), quando ela diz que as IES têm um
papel de fundamental importância, uma vez que, nelas, os discentes
adquirem conhecimentos e experiência que condicionam sua vida, tanto profissional quanto pessoal. Por isso, a capacidade de
empreender e de inovar se tornou um desafio que deve ter a devida
importância nas IES. Essa preocupação deve gerar uma nova
perspectiva e aprimorar o senso profissional dos discentes,
favorecendo uma postura empreendedora no ambiente acadêmico.
Gráfico 2 – Análise da questão 2
Fonte: Dados da pesquisa (2016).
Quanto ao conhecimento de empreendedorismo abordado na
disciplina serem suficientes para a formação, 10% discordaram
totalmente, 22% discordaram, 42% nem concordaram nem
discordaram, 19% concordaram e 7% concordaram totalmente em
ser suficientes. O percentual de 42% nem concordo nem discordo
pode estar relacionado ao fato de 52% dos discentes pesquisados
não terem cursado a disciplina na íntegra, no momento da pesquisa,
de acordo com o Gráfico 3.
Gráfico 3 – Análise da questão 3
Fonte: Dados da pesquisa (2016).
Já com relação à afirmação de os conhecimentos de
empreendedorismo poder ajudá-los no mercado de trabalho, 10%
nem concordaram nem discordaram, 37% concordaram e 53%
concordaram totalmente. Logo, juntando os concordantes, 90%
acreditam que podem ajudá-los no mercado de trabalho e somente
10% acreditam que não, como demonstrado no Gráfico 4. Esse
resultado tem consonância com a opinião de Lopes (2010), quando
ela diz que uma formação empreendedora enfatiza várias
metodologias de ensino que permitem aprender fazendo e se
caracteriza por isso, pois o discente se depara com situações
atípicas que os fazem pensar de maneira diferente, buscando novas
soluções para os problemas existentes, ou seja, aprendendo com a
experiência, com o processo.
Gráfico 4 – Análise da questão 4
Fonte: Dados da pesquisa (2016).
No Gráfico 5, a pesquisa mostra que 15% dos discentes
pesquisados discordaram totalmente, 8% discordaram, 53% nem
concordaram nem discordaram, 18% concordaram com a afirmação
e 6% concordaram totalmente. Portanto, juntando os concordantes,
apenas 23% identificam em si algumas características. Os que não
conseguiram identificar podem estar relacionados com o fato de
ainda não haverem cursado a disciplina na íntegra.
Gráfico 5 – Análise da questão 5
Fonte: Dados da pesquisa (2016).
Nessa perspectiva,
Quando se coloca a necessidade de desenvolver nos alunos as
características típicas do empreendedor, essa proposta de educação tem
como base o desenvolvimento do autoconhecimento com ênfase na
perseverança, na imaginação, na criatividade, na inova- ção, sendo
importante o conteúdo que se aprende, mas sobretudo, como se aprende.
(LUCAS, 2001, p. 243).
Sobre o entendimento de que os conhecimentos de
empreendedorismo são importantes apenas para quem vai abrir um
negócio, 37% discordaram totalmente, 36% discordaram, 4% nem
concordaram nem discordaram, 5% concordaram e 18%
concordaram totalmente. Logo, juntando os discordantes, 73% dos
discentes pesquisados discordaram dessa afirmação, como
apresenta o Gráfico 6. Esse resultado demonstra que a percepção
dos discentes pode estar relacionada com a de Chiavenato (2012),
ao afirmar que ser empreendedor está muito além de fundar
empresas, construir novos negócios ou impulsionar negócios atuais.
Gráfico 6 – Análise da questão 6
Fonte: Dados da pesquisa (2016).
O Gráfico 7 demonstra o quanto os pesquisados conhecem as
atividades de fomento ao empreendedorismo realizadas na Ufersa.
40% discordaram totalmente, 29% discordaram, 19% nem
concordaram nem discordaram, 5% concordaram e 7% concordaram
totalmente, resultando em 69% de discentes que desconhecem tais
atividades dentro da instituição, juntando os discordantes. Esse
resultado mostra a necessidade de que sejam socializadas e
disseminadas para a toda a comunidade acadêmica, e aqui, em
especial, aos discentes do BCT, as ações já desenvolvidas pela
instituição, posto que a Ufersa já promove diversas atividades de
fomento ao empreendedorismo, como elencado neste tópico. No
entanto, o percentual de discentes que desconhecem essas
atividades no âmbito da instituição é muito alto.
Gráfico 7 – Análise da questão 7
Fonte: Dados da pesquisa (2016).
Já com relação à participação em atividades empreendedoras na
Ufersa, 56% dos discentes pesquisados discordaram totalmente,
27% discordaram, 7% nem concordaram nem discordaram, 7%
concordaram e 3% concordaram totalmente. Juntando os
discordantes, 83% dos pesquisados não participam ou participaram
de alguma(s) atividade(s) empreendedora(s) na Ufersa. Tal resultado
provavelmente está relacionado ao desconhecimento dos discentes
em relação às atividades realizadas na Ufersa, enfatizado no Gráfico
7. Reafirma também a crença de Lopes (2010) de que os benefícios
da disciplina e a inserção dela em todo currículo universitário ainda é
bloqueada pela resistência e pela falta de uma cultura
empreendedora, bem como pela pouca disposição em discuti-la de
maneira mais ampla, conforme o Gráfico 8.
Gráfico 8 – Análise da questão 8
Fonte: Dados da pesquisa (2016).
Já com relação a considerar que o profissional de engenharia
precisa ter atitudes empreendedoras para se posicionar bem no
mercado de trabalho, 1% dos discentes pesquisados discordou, 10%
nem concordaram nem discordaram, 52% concordaram e 37%
concordaram totalmente. Logo, a pesquisa mostra, no Gráfico 9, que
89% dos discentes pesquisados, juntando os concordantes, veem a
necessidade dessas atitudes para se posicionarem bem no
mercado. Esse resultado corrobora com Custódio (2011), que afirma
que o empreendedor deve ter visão e percepção para identificar as
oportunidades. Suas atitudes empreendedoras devem focar as
pessoas e não somente as empresas, atitudes estas que são
fundamentais para o sucesso ou o fracasso da empresa.
Gráfico 9 – Análise da questão 9
Fonte: Dados da pesquisa (2016).
De acordo com o gráfico 10, quanto à pretensão dos discentes de
trabalhar em uma média e pequena empresa, 4% dos pesquisados
discordaram totalmente, 4% discordaram, 13% nem concordaram
nem discordaram, 38% concordaram e 41% concordaram
totalmente. Conclui-se, então, que, juntando os concordantes, 79%
dos discentes pesquisados ainda pretendem trabalhar em uma
média ou grande empresa. Isso demonstra que os pesquisados
ainda têm aspirações saudosistas, pois, segundo Dornelas (2014),
há pouco mais de 20 anos, havia uma grande oferta de empregos
nas grandes empresas nacionais e multinacionais com estabilidade,
bons salários e possibilidade de crescimento, o que fazia com que
os recém-formados não pensassem em abrir seu negócio próprio.
Porém, o cenário vem mudando, e a abertura de negócios próprios
está em alta.
Gráfico 10 – Análise da questão 10
Fonte: Dados da pesquisa (2016).
No Gráfico 11, com relação à pretensão dos discentes de
prestarem concurso público após se formarem, 4% dos pesquisados
discordaram totalmente, 22% nem concordaram nem discordaram,
44% concordaram e 30% concordaram totalmente. Portanto, a
pesquisa mostra que 74% dos discentes pesquisados pretendem
prestar concurso para o serviço público. Esse resultado pode ser
movido pela estabilidade que o serviço público propicia, ou ainda
pelo medo de assumir riscos, inerente ao conceito de
empreendedorismo.
Gráfico 11 – Análise da questão 11
Fonte: Dados da pesquisa (2016).
Ainda sobre o mercado de trabalho, quanto à pretensão dos
discentes em serem donos do próprio negócio, 5% dos pesquisados
discordaram totalmente, 10% discordaram, 37% nem concordaram
nem discordaram, 23% concordaram e 25% concordaram
totalmente, conforme o Gráfico 12. Essa parcela que não pretende
abrir seu próprio negócio ou tem dúvidas, corrobora com a pesquisa
do GEM (2015), que indica que o brasileiro ainda tem desconfianças
quanto à abertura dos seus negócios.
Gráfico 12 – Análise da questão 12
Fonte: Dados da pesquisa (2016).
Por fim, o Gráfico 13 demonstra que, com relação à contribuição
do empreendedorismo no desenvolvimento de competências
importantes que são exigidas pelo mercado de trabalho, 1% dos
discentes pesquisados discordou totalmente, 6% nem concordaram
nem discordaram, 44% concordaram e 49% concordaram
totalmente. Então, juntando os concordantes, 93% dos pesquisados
acreditam nessa contribuição. Nesse sentido, Resende, Santos e
Leite (2004) sinalizam que a estrutura acadêmica adequada às
necessidades de mercado é premissa fundamental na proposta
curricular de um curso de formação profissional. Moldá-lo de maneira
adequada para que esta esteja comprometida com os desafios da
futura carreira é desafio para todos aqueles que se propõem
envolver-se na atividade de formação de novos profissionais. Essa
tarefa vem se tornando mais desafiadora à medida que aumentam a
velocidade do desenvolvimento tecnológico e a capacidade de
transferência de tecnologia para o setor produtivo.
Gráfico 13 – Análise da questão 13
Fonte: Dados da pesquisa (2016).
Após o detalhamento do que seja empreendedorismo, educação
empreendedora e da pesquisa aplicada aos discentes do BCT da
Ufersa, pode-se identificar que esses realmente estão a par da
importância dos conhecimentos de empreendedorismo para a sua
formação como Bacharéis em Ciência e Tecnologia.
1.8 Considerações finais
Ao final da pesquisa, foi possível responder ao objetivo geral, cujo
propósito era identificar a contribuição do ensino do
empreendedorismo para a formação dos discentes do BCT da
Ufersa. Nesse sentido, a pesquisa demonstrou que a maioria dos
respondentes (96%) considera importante a inserção de conteúdos e
ações relacionados ao empreendedorismo para a sua formação.
Com relação ao primeiro objetivo específico: elencar as ações
empreendedoras realizadas no BCT e sua contribuição para a
formação profissional, este foi alcançado quando se verificou que, na instituição, existem várias iniciativas de fomento ao
empreendedorismo, por meio da IAGRAM, do NIT e das empresas
juniores de alguns cursos, bem como da realização de eventos
abordando a temática, etc. Entretanto, tais iniciativas não são
amplamente divulgadas no BCT. Dessa forma, a única ação
instituída efetivamente, no momento, para fomentar o
empreendedorismo no BCT ocorre em uma única disciplina.
Quanto ao segundo objetivo específico, que envolvia verificar a
percepção dos discentes do BCT quanto à importância do ensino do
empreendedorismo para sua formação, a pesquisa demonstrou que
a maioria dos pesquisados considera-o importante para a formação
do engenheiro. Contudo, apontou que boa parte dos pesquisados
ainda alimenta o sonho de ingressar em uma média ou grande
empresa ou prestar concursos públicos.
Diante disso, essa pesquisa tem sua relevância na medida em que
contribui para ampliar as discussões sobre o fomento do
empreendedorismo no âmbito acadêmico. Ou seja, os resultados
desta pesquisa podem servir como subsídio para a tomada de
decisão no âmbito da Ufersa e, mais especificamente, no BCT, no
que se refere à criação e à disseminação de ações relativas ao
empreendedorismo, para que, cada vez mais, os discentes se
envolvam em atividades que contribuam com o desenvolvimento de
atitudes empreendedoras.
Apesar da sua contribuição, a pesquisa apresentou limitações no
que se refere ao critério de seleção adotado, posto que mais da
metade dos discentes pesquisados ainda não havia cursado na
íntegra a disciplina ou ainda nem a iniciaram.
Por fim, sugere-se, como trabalho futuro, a ampliação da pesquisa
para outros cursos e campi da Ufersa a fim de ampliar a discussão
relativa ao fomento do empreendedorismo no âmbito acadêmico.
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