Empreendedorismo no semiárido
Capítulo 5 – Classificação dos empreendedores aracatienses de acordo com o modelo de motivação de Naffziger, Hornsby e Kuratko
Capítulo 5 – Classificação dos
empreendedores aracatienses
de acordo com o modelo de
motivação de Naffziger,
Hornsby e Kuratko
Sophia Caroline da Costa Soares, Agostinha Mafalda Barra de
Oliveira, Suely Xavier dos Santos
5.1 Introdução
A palavra empreendedorismo é usada há mais de 60 anos para
designar a criação de alguma coisa original. Esse algo novo pode
ser um produto, uma maneira criativa de atender, uma configuração
mais rápida de produção ou até mesmo um melhor formato para
organizar um negócio ou, ainda, uma nova forma de explorar
recursos. Em outras palavras, é uma maneira de transformar
conhecimento em produto ou serviço, buscando melhorar a relação
do homem com o meio no qual está inserido (DORNELAS, 2012;
DOLABELA, 2006).
Mesmo as organizações já estabelecidas no mercado precisam
despertar o empreendedorismo internamente. Ou seja, é necessário
desenvolver o intraempreendedorismo, uma categoria do
empreendedorismo em que os funcionários devem ser estimulados
a praticá-lo dentro da empresa, a fim de desenvolver funcionários
proativos e que possuam habilidades diferenciadas para inovar e
desenvolver novas ideias, objetivando fomentar o crescimento da
empresa.
Por meio da identificação de oportunidades, novas formas de
gerenciamento, organização e planejamento serão implementadas,
o que ocasionará melhores resultados econômicos para a empresa.
Essas medidas inovadoras aumentam a probabilidade de sucesso,
pois as informações irão fluir com mais rapidez, atendendo com
maior eficiência ao consumidor.
Com isso em mente, estudos têm sido desenvolvidos para
mensurar os impactos causados pelo empreendedorismo no
desenvolvimento econômico. Um deles é a pesquisa anual do
Global Enterpreneurship Monitor (GEM). De acordo com o GEM
(2010), a motivação para empreender, seja por necessidade, seja
por oportunidade, interfere no desenvolvimento econômico de um
país.
Os estudiosos Naffziger, Hornsby e Kuratko (1994) também
perceberam que o fator motivação era preponderante para o
comportamento empreendedor, bem como para o desenvolvimento
de um negócio. Por esse motivo, desenvolveram um modelo de
motivação para empreender, com cinco construtos, que indicam
quais variáveis influenciam mais um empreendedor em suas ações.
Com o intuito de mensurar tais variáveis em um contexto
específico, este trabalho tem como propósito maior verificar e
analisar a motivação dos empreendedores em Aracati, uma cidade
localizada no Estado do Ceará, que possui aproximadamente 72 mil
habitantes, tendo como uma das principais fontes econômicas o
turismo. Para tanto, fez-se necessário atender ao objetivo maior de
analisar os empreendedores aracatienses, de acordo com os cinco
construtos propostos no modelo de motivação de Naffziger, Hornsby
e Kuratko (1994), e aos objetivos específicos de: verificar as
caraterísticas pessoais, o ambiente pessoal, os objetivos pessoais,
o ambiente de negócio e a ideia para a abertura do negócio dos
empreendedores aracatienses.
A seguir, apresenta-se o aporte teórico utilizado para sustentar a
pesquisa e uma descrição de sua operacionalização, finalizando
com sua análise e suas descobertas.
5.2 Empreendedorismo:
considerações iniciais
Empreendedorismo é originado da palavra francesa
entrepreneurship e significa “aquele que está entre” ou
“intermediário”, que assume riscos e começa algo novo. O
empreendedorismo é um instrumento que vem fazendo parte do
nosso cotidiano há muitos anos (DORNELAS, 2012).
Inicialmente, Marco Polo foi tido como o primeiro empreendedor
“intermediário”. Marco Polo tentou constituir rotas comerciais para o
Oriente Médio, assinando um contrato com uma pessoa detentora
de bens para vender suas mercadorias. Assim, o capitalista corria
riscos de forma passiva, enquanto o aventureiro suportava todos os
riscos (físicos e emocionais). Já na Idade Média, o típico
empreendedor era o clérigo, responsável pelas construções
arquitetônicas, que não corria riscos, pois apenas administrava os
projetos (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2014).
Para os autores Hisrich, Peters e Shepherd (2014), foi apenas no
século XVII que surgiu a relação do empreendedorismo com o risco.
O empreendedor passa a ser visto como um prestador serviços e/ou
a fornecer produtos e, mediante o estabelecimento de um contrato
fixo com o governo, ele assumia todas as perdas ou lucros (os
riscos).
No século XVIII, com o advento da industrialização, a figura do
empreendedor passa a se diferenciar do fornecedor de capital. Isso
ocorreu devido ao advento da industrialização e das transformações
econômicas, tecnológicas e sociais vivenciadas naquela época,
quando o investidor era considerado um administrador dos recursos
financeiros, assumindo riscos para conseguir altos retornos sobre o
que foi investido. Neste período, Richard Cantillon, grande
economista da época, deixou como contribuição a diferenciação
entre o empreendedorismo e o capitalismo, sendo considerado, por
muitos autores, o criador do primeiro termo (HISRICH; PETERS;
SHEPHERD, 2014).
O século XX foi marcado por inúmeras invenções, como o avião
motorizado, o aparelho televisor, o computador, a bomba atômica,
entre outros. É perceptível que, por trás dessas inovações, houve
pessoas criativas, à frente do seu tempo, que tiveram uma ideia,
transformaram-na em algo concreto e assumiram o risco de seus
inventos. Em meados desse século, surge Joseph Schumpeter
(1983), relacionando o empreendedorismo com a inovação.
Segundo o autor, o empreendedor é aquele que transforma a
economia existente, introduzindo novos produtos, criando formas
diferenciadas para organizar ou utilizar matérias-primas ou recursos,
ou ainda novas formas de distribuir os bens e serviços já existentes.
Desde então, o empreendedorismo tem sido visto como uma
ferramenta criada para despertar as habilidades, inovar e criar
alternativas por meio de ideias, unir recursos, transformá-los em um
produto ou serviço, para entregar quantidade e qualidade para o
consumidor. De outra forma, o empreendedorismo vem sendo
utilizado para fazer referência aos estudos relacionados ao
empreendedor, às suas características, às atividades que ele
desenvolve, ao seu ambiente de atuação (MELO NETO; FROES,
2002).
Seja como um campo de estudo ou como um processo, o
empreendedorismo vem ganhando destaque no cenário mundial,
relacionando-se continuamente ao contexto social e tecnológico.
Para Dornelas (2012), vivencia-se hoje a chamada era do
empreendedorismo, já que os empreendedores estão conseguindo
suprimir as barreiras de âmbito comercial e social, inovando os
processos, as formas de organização, anulando padrões e,
consequentemente, produzindo riquezas.
Devido aos avanços tecnológicos, a cultura empreendedora vem
sendo difundida no Brasil, de forma rápida e eficiente. Muitas
instituições de ensino já adotaram ou pretendem adotar a disciplina
de empreendedorismo, como uma forma de despertar a criatividade,
a inovação, a troca de ideias, informações e conhecimento, seja em
nível fundamental, médio ou superior. Tais ações são fundamentais
para que, posteriormente, possam surgir mais empreendedores de
sucesso.
O governo brasileiro também vem se mostrando interessado em
dinamizar e apoiar o empreendedorismo. Para Melo Neto e Froes
(2002, p. 6), o empreendedorismo é uma ferramenta de “[...] política
de ação de governo, das empresas e da comunidade, gerando uma
alternativa para a promoção do desenvolvimento econômico e social
locais”.
Um grande disseminador da cultura empreendedora no Brasil é o
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
(Sebrae), que presta serviços de orientação, palestras e consultorias
às micro e pequenas empresas do país. O Sebrae é um órgão
bastante conhecido por aqueles que querem empreender, criar seu
negócio ou solucionar problemas em seu empreendimento. Assim, é
firmada continuamente a ideia de empreendedorismo como relação
de pessoas e processos que, em conjunto, proporcionam a
transformação de ideias em oportunidades. Por isso, o momento
atual é favorável para o crescimento do empreendedorismo no
contexto brasileiro (DORNELAS, 2012).
Nesse sentido, Baron e Shane (2007, p. 5) concebem
empreendedorismo como um processo, como “[...] uma cadeia de
eventos e atividades que ocorrem ao longo do tempo – em alguns
casos, períodos consideráveis de tempo”. Esse processo vai desde
a identificação de uma oportunidade até a concretização desta em
um negócio estabelecido. De acordo com esses autores, o processo
de empreender é influenciado por inúmeros fatores, sejam eles
individuais, grupais e sociais.
Os fatores individuais estão ligados às características inerentes
ao empreendedor, como a percepção para identificar oportunidade e
a capacidade/habilidade para administrar os recursos e explorá-los,
bem como a tendência para arriscar em novos produtos/serviços e
mercados, a busca recorrente por algo novo (inovador) e a vontade
de crescer. Essas características resultam na propensão de
algumas pessoas para iniciarem o processo empreendedor.
Importante ressaltar que o empreendedor pode também ser
influenciado pelo seu círculo de relacionamento, ou seja, por
familiares, amigos, clientes, fornecedores e todos aqueles com os
quais o empreendedor se relaciona e se relacionou em suas
experiências e empregos anteriores. O círculo de relacionamento de um empreendedor influencia o processo decisório e de
planejamento do negócio. Assim, esses fatores de nível grupal
ajudam na construção, na captação de recurso e no
desenvolvimento do negócio.
Por fim, os fatores de nível social estão relacionados àqueles do
macro ambiente, tais como: as políticas governamentais que
incentivam e estimulam a criação de negócios inovadores; as
condições econômicas, que afetam e são afetadas pela geração de
emprego e renda, possibilitada pela criação desses negócios; e os
avanços tecnológicos que ajudam no aperfeiçoamento do produto
ou serviço ofertado para, assim, conseguir um diferencial perante a
concorrência (BARON; SHANE, 2007). As transformações oriundas
destes e de outros fatores como os culturais, ambientais, sociais e
demográficos, são os responsáveis pelo surgimento de
oportunidades e pelo crescimento de um novo negócio.
Pelo exposto, para fomentar o processo empreendedor no
contexto brasileiro, é importante considerar e analisar os fatores que
influenciam a motivação para empreender. Por esse motivo, o tópico
seguinte trata sobre o modelo de motivação empreendedora de
Naffziger, Hornsby e Kuratko (1994).
5.3 Modelo de motivação
empreendedora de Naffziger, Hornsby
e Kuratko
Existem inúmeros motivos para fazer com que as pessoas
desejem ter seu próprio negócio, como, por exemplo, ter mais
independência, controle das decisões, vontade de ganhar mais
dinheiro, horários flexíveis. Dentre as classificações sobre a
motivação para empreender presentes na literatura está a de
Naffziger, Hornsby e Kuratko (1994), que será utilizada neste
trabalho.
Naffziger, Hornsby e Kuratko (1994) propõem o modelo de motiva-
ção empreendedora, segundo o qual uma pessoa empreende por cinco motivos: características pessoais, ambiente pessoal, objetivos
pessoais, ambiente de negócios e ideia de negócio. Essas variáveis
apresentam características particulares, que serão explanadas na
sequência.
5.3.1 Características pessoais
As características pessoais referem-se aos traços típicos e
individuais presentes em cada pessoa que influencia o processo
empreendedor. Características como necessidade de realização,
predisposição a correr risco, necessidade de autonomia, controle
pessoal, vontade de ter seu próprio negócio, perseverança são
avaliadas e analisadas nesse critério.
Dornelas (2012, p. 33-34) cita determinadas características dos
empreendedores bem sucedidos. Dentre elas, encontram-se:
[...] visionários, bons tomadores de decisões, dedicados, líderes, assumem
riscos e desafios, bons exploradores das oportunidades, determinados e
dinâmicos, criam boas relações, criam valores para a sociedade e são bons
planejadores. Isso, os leva a construírem uma boa rede de contatos com
clientes, fornecedores e entidades de classe, gerarem oportunidades de
emprego, a serem criativos e inovadores na busca por novas soluções para
a melhoria da qualidade de vida das pessoas.
Birley e Muzyka (2001 p. 4) acrescentam que os empreendedores
conseguem conduzir uma empresa e impulsioná-la. Além disso, os
autores defendem que [...] os empreendedores são a força motriz da
economia de qualquer país; eles representam a riqueza de uma
nação e seu potencial para gerar empregos.
5.3.2 Ambiente pessoal
O ambiente pessoal diz respeito às características demográficas
do empreendedor. São levados em consideração o gênero, a idade,
bem como as pessoas (familiares, amigos, entidades de apoio) que
influenciam o indivíduo a empreender.
Pati (1945, p. 45) argumenta que “Toda pessoa é fruto da relação
constante entre talentos e características que herdou e os vários
meios que frequentou durante a vida”. Dessa forma, percebe-se que
as características da personalidade e até mesmo o talento são
provenientes da relação do indivíduo com a família, com os colegas
de escola, com os amigos, com experiências de trabalho.
5.3.3 Objetivos pessoais
Os objetivos pessoais, que são peculiares a cada empreendedor,
estão ligados às expectativas e metas traçadas em relação ao
desafio de empreender e criar o negócio. O empreendedor precisa
traçar metas, bem como fazer um planejamento em curto, médio e
longo prazo que o auxilie no cumprimento de seus objetivos. Esse
tipo de motivação é também considerado essencial para o
crescimento e o desenvolvimento da empresa, porque, para atingir
seus objetivos, o empreendedor irá se empenhar ao máximo.
Segundo Júlio e Carnier (2013), os empreendedores sabem dosar
os desafios e ver o lado positivo dos objetivos que eles mesmos
estabelecem, pois esses indivíduos sabem que os sacrifícios que
fazem os levarão mais além, que terão muitos benefícios adiante.
5.3.4 Ambiente de negócio
O ambiente de negócio refere-se às influências advindas do micro
e do macro ambiente da empresa. É tudo que influencia, direta ou
indiretamente, o crescimento e o desenvolvimento da empresa, nos
aspectos financeiro, comercial, trabalhista ou de mercado
(concorrência).
Rogers (2011, p. 63) reforça a importância de se monitorar o
ambiente para identificar oportunidades e ameaças advindas do
mercado. O autor ainda acrescenta que
Os empreendedores enfrentam o desafio de tomar decisões em um
ambiente de negócios em constante mudança influenciado por diversos
fatores, muitos dos quais além de seu controle direto. Surgimento de novos
concorrentes, avanços tecnológicos, mudanças na macroeconomia e no
ambiente regulamentar são apenas alguns dos fatores com os quais o
empreendedor precisa lidar.
Para Hisrich, Peters e Shepherd (2014, p. 169), é de suma
importância que o negócio esteja em uma conjuntura adequada, ou
seja, é necessário fazer “[...] uma análise ambiental para identificar
tendências e mudanças ocorridas em nível nacional e internacional
que podem influenciá-lo”. Segundo os autores, alguns dos fatores
que influenciam o negócio, são: economia, cultura, tecnologia e
preocupações legais.
5.3.5 Ideia de negócio
A ideia de negócio relaciona-se com as razões que motivaram a
criação da empresa, se houve aproveitamento de uma oportunidade
ou se a necessidade de sobrevivência foi o fator principal. Esse
aspecto motivacional aborda a ideia, a percepção de oportunidade e
a avaliação para constatar se é ou não viável investir.
Dornelas (2012) argumenta que uma ideia não precisa ser única
para que o empreendedor consiga alcançar o sucesso. O importante
é a forma como essa ideia será utilizada e transformada em um
produto ou serviço que atenderá às necessidades e desejos dos
clientes e aos anseios do empreendedor.
5.4 Procedimentos metodológicos
Este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa descritiva, pois
classifica e analisa os empreendedores aracatienses de acordo com
o modelo de motivação de Naffziger, Hornsby e Kuratko (1994).
Além disso, foi desenvolvida no universo dos empreendedores
aracatienses. Dentre os critérios para a seleção dos
empreendedores, estão a cidade de localização do negócio e o
porte da empresa. Com base nesses critérios e na disponibilidade
dos respondentes, 33 empreendedores participaram desta pesquisa.
O primeiro critério para a seleção dos empreendedores foi a
localização do negócio, no caso, o município de Aracati. O município
de Aracati, na região Leste do estado do Ceará, está localizado a
aproximadamente 150 km da capital Fortaleza e possui uma
população de 72.248 pessoas (INSTITUTO BRASILEIRO DE
GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA [IBGE] CIDADES, 2014). Sua base
econômica é situada nas atividades comerciais e industriais, tendo a
pesca de crustáceos, o turismo receptivo, o cultivo de algumas
frutas, como o caju e melão, e a extração petrolífera como principais
destaques para o desenvolvimento econômico da cidade
(ARACATINET, 2009). A cidade também é bastante conhecida pelas
belezas de suas praias, como Canoa Quebrada e Majorlândia, que
recebem milhares de turistas em várias épocas do ano, bem como
pelo histórico arquitetônico, presente nos azulejos dos casarões e
em suas igrejas barrocas.
Em relação ao critério referente ao porte da empresa, optou-se
pela categoria de Microempreendedor Individual (MEI). A categoria
MEI é regida pela Lei Complementar nº 128, de 19/12/2008, que
proporcionou ao trabalhador informal se tornar MEI. O critério porte
da empresa foi escolhido devido ao grande número de adeptos que
a categoria MEI está conquistando.
O questionário foi utilizado como instrumento de coleta para o
referido trabalho. Para tanto, foram elaboradas perguntas fechadas
para obter respostas mais concisas, pois, segundo Bervian, Cervo e
Silva (2007), nesse tipo de questionário padronizado, há uma maior
facilidade em aplicar e analisar os resultados.
O questionário foi estruturado em duas partes. A primeira parte
contém itens para coletar informações pessoais dos entrevistados,
tais como: gênero (feminino/masculino), idade, nível de escolaridade
e atividade desenvolvida pela empresa (comércio, serviço ou
indústria).
A segunda parte contém 26 itens estruturados de acordo com
cada um dos cinco construtos do modelo de motivação proposto por
Naffziger, Hornsby e Kuratko (1994) a fim de obter as respostas dos
empreendedores, conforme os objetivos específicos deste trabalho.
Para isso, utilizou-se uma escala de concordância, segundo a qual 1
representa menor concordância e 5 maior concordância. Para cada construto, foi elaborado um conjunto de itens, sendo oito itens para
o construto características pessoais, sete itens para o construto
ambiente pessoal, quatro itens para o construto objetivos pessoais,
cinco itens para o construto ambiente de negócio e dois itens para o
construto ideia de negócio. Os itens elaborados para cada construto
estão dispostos no Quadro 3.
Quadro 3 – Itens por construtos
Construtos Itens
1. Eu me considero uma pessoa corajosa e gosto
de ousar.
2. Eu procuro sempre por mudanças, inovação.
3. Eu me considero uma pessoa persistente,
penso como será meu negócio no futuro.
4. Eu sempre tive vontade de ter meu próprio
Características negócio. 5. Eu empreendo para me sentir uma pessoa pessoais realizada. (CP) 6. Eu tenho capacidade para comandar o
negócio e superar desafios.
7. Eu tenho facilidade em construir
relacionamentos (clientes, fornecedores,
colaboradores).
8. Eu não tenho medo de assumir riscos
(calculados ou não).
Fonte: Elaboração própria (2015).
Construtos Itens
9. Eu fui influenciado por familiares para abrir
meu empreendimento.
10. Eu não tenho dificuldade em administrar minha
empresa.
11. Eu enfrentei dificuldade devido à questão do
gênero (feminino/masculino) e da idade.
Ambiente 12. O apoio da família e de amigos foi importante na decisão de empreender. pessoal 13. Eu considero importante participar de cursos, (AP) palestras que ajudam na gestão do meu
empreendimento.
14. A experiência em trabalhos anteriores foi
importante para a criação do meu
empreendimento.
15. Eu necessito aperfeiçoar constantemente
meus conhecimentos administrativos.
16. Eu busco sempre me desafiar para superar
meus objetivos.
17. Sinto-me satisfeito com os recursos
Objetivos financeiros proporcionados pela empresa.
pessoais 18. Eu tenho vontade de crescer e expandir meu
(OP) negócio.
19. Ao analisar meu negócio desde a abertura até
hoje, concluo que os objetivos iniciais foram
alcançados.
Fonte: Elaboração própria (2015).
Construtos Itens
20. Eu prezo pela organização e pelo
planejamento em meu negócio.
21. Meu negócio oferece aos clientes
produtos/serviços diferenciados, que agregam
Ambiente de valor.
negócio 22. Meu negócio gera emprego e renda para outra
(AN) pessoa.
23. A presença de concorrentes é forte e
frequente no mercado em que atuo.
24. Termos legais, trabalhistas, financeiros
dificultam o crescimento da empresa.
25. A percepção de uma oportunidade de mercado
Ideia de foi o fator motivacional para a abertura do
negócio empreendimento.
(IN) 26. A minha formação educacional influenciou a
criação do empreendimento.
Fonte: Elaboração própria (2015).
Para o presente trabalho, o questionário foi aplicado com
empreendedores da cidade de Aracati, que atendiam aos critérios,
durante os meses de abril e maio de 2015. Ao todo, foram
contatados 65 microempreendedores individuais atuantes no
município de Aracati. Esse primeiro contato, pessoalmente ou por
telefone, teve como intuito explicar o objetivo do trabalho, bem como
a importância que cada respondente teria para a realização do
estudo e assim sensibilizá-los a participar como respondentes da
pesquisa.
Após o primeiro contato, exatamente na segunda semana de
junho de 2015, foi realizada a visita ao estabelecimento dos
empreendedores que concordaram em participar da pesquisa.
Naquele momento, foi feita a entrega do questionário e uma breve
explanação acerca deste. Seis empreendedores responderam ao questionário no ato da entrega (levaram cerca de meia hora para o
preenchimento), os demais ficaram de entrega-lo posteriormente.
Em meados de julho de 2015, foi iniciada a fase de ligações para
os 27 empreendedores que ainda não haviam devolvido o
questionário. Nesse momento, foram sanadas dúvidas referentes
aos itens do questionário e marcada uma data para recolhimento
deste. Na última semana de julho de 2015, já de posse dos 33
questionários recolhidos e preenchidos, iniciou-se a tabulação e a
análise dos dados.
Para atingir os objetivos pretendidos, a análise realizada foi
quantitativa e descritiva. Segundo Mascarenhas (2012, p. 45), a
pesquisa quantitativa baseia-se na quantificação dos dados para
coletá-los e tratá-los posteriormente. O autor acrescenta que
[...] a confiabilidade e a capacidade de generalização também são pontos
importantes da pesquisa quantitativa. Acredita-se que estudos baseados em
dados quantitativos ofereçam uma base mais segura para que o pesquisador
tire suas conclusões. Além disso, com uma mãozinha da estatística, dá para
analisar uma grande quantidade de dados, o que permite generalizar os
resultados da pesquisa.
Segundo Rampazzo (2005, p. 58), a pesquisa quantitativa
começa com “[...] o estudo de um certo número de casos individuais,
quantifica fatores segundo um estudo típico, servindo-se
frequentemente de dados estatísticos, e generaliza o que foi
encontrado nos casos particulares”.
A análise descritiva foi utilizada neste estudo para caracterizar a
amostra, bem como para verificar quais construtos mais
influenciaram os empreendedores. Para Barros e Lehfeld (2007, p.
84), na análise descritiva, “[...] não há inferência do pesquisador, isto
é, ele descreve o objeto de pesquisa. Procura descobrir a frequência
com que um fenômeno ocorre, sua natureza, características,
causas, relações e conexões com outros fenômenos”. Gil (2002, p.
42) acrescenta que as pesquisas descritivas
[...] têm como objetivo primordial a descrição das características de
determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de
relações entre variáveis. São inúmeros os estudos que podem ser
classificados sob este título e uma de suas características mais significativas
está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o
questionário e a observação sistemática.
Para que este estudo fosse realmente confiável, foram analisados
os grupos de questões para analisar cada fator. Para Bisquera,
Sarriera e Martinez (2007, p. 216), “a confiabilidade de um teste é a
constância ou estabilidade dos resultados que proporciona um
instrumento de medida”. Segundo esses autores, um teste só pode
ser considerado confiável quando o coeficiente de confiabilidade do
alfa de Cronbach for superior a 0,75. Para aumentar o coeficiente de
confiabilidade, é necessário que haja um aumento do número de
itens. Dessa forma, quanto mais itens, maior será o coeficiente de
confiabilidade.
Freitas e Rodrigues (2005) destacam, em relação ao coeficiente
α, que, apesar de este ser usado constantemente e em diversas
áreas do conhecimento, ainda não há um consenso entre os
pesquisadores em relação à interpretação da confiabilidade de um
questionário obtida a partir do valor desse coeficiente. Por isso,
neste estudo, será utilizada a escala sugerida pelos autores, para
análise do coeficiente de alfa de Cronbach, conforme Quadro 4.
Quadro 4 – Escala de classificação
do alfa de Cronbach
Valor de α Consistência
α ≤ 0,30 Muito baixa
0,30 ≤ α ≤ 0,60 Baixa
0,60 ≤ α ≤0,75 Moderada
0,75 ≤ α ≤ 0,90 Alta
α > 0,90 Muito alta
Fonte: Freitas e Rodrigues (2005).
5.5 Apresentação e análise dos dados
O questionário foi realizado com 33 microempreendedores
individuais, sendo 36% do gênero masculino e 64% do gênero
feminino. Dentre os respondentes, a idade média é de 37 anos,
estando distribuída da seguinte forma: 24% têm menos de 30 anos,
70% têm entre 30 a 49 anos e 6% têm mais de 50 anos. Quanto ao
nível de instrução, pôde-se observar que 24% da amostra possuem
o ensino fundamental (completo e incompleto), 61% o ensino médio
(completo e incompleto) e 15% o ensino superior (completo e
incompleto).
Em relação à atividade econômica exercida pelos respondentes, o
comércio, com 67%, foi o que predominou, seguido da prestação de
serviços, com 30%, e da indústria, com 3%. O tempo de abertura da
empresa variou de 1 a 60 meses e a maioria dos participantes
(85%) não possui empregado de carteira assinada. As informações
até agora descritas estão resumidas na Tabela 11.
Tabela 11 – Análise descritiva da amostra
Sexo Idade Escolaridade Atividade
Desenvolvida
Masculino Menos de 30 Ens. Comércio 67%
36% anos 24% Fundamental
24%
Feminino De 30 a 49 anos Ens. Médio 61% Indústria 3%
64% 70%
De 50 a mais 6% Ens. Superior Serviço 30%
15%
Fonte: Dados da pesquisa (2015).
Em relação ao grau de confiabilidade do instrumento utilizado, de
acordo com a escala de Freitas e Rodrigues (2005), os construtos
características pessoais (α = 0,899) e objetivos pessoais (α = 0,846)
obtiveram uma confiabilidade alta (0,75 ≤ α ≤ 0,90); o ambiente
pessoal (α = 0,747) apresentou uma confiabilidade moderada (0,60
≤ α ≤0,75); já o ambiente de negócio (α = 0,404) e a ideia de
negócio (α = 0,500) apresentaram uma confiabilidade baixa (0,30 ≤
α ≤ 0,60). De maneira geral, os 26 itens elaborados (α = 0,935)
obtiveram uma confiabilidade muito alta (α > 0,90), representando
tenacidade e estabilidade dos resultados. Esses resultados estão
dispostos na Tabela 12.
Tabela 12 – Análise de confiabilidade do instrumento e seus
construtos
Construto Quantidade de Alfa de Cronbach
itens (α)
Características 8 0,899
pessoais
Ambiente pessoal 7 0,747
Objetivos pessoais 4 0,846
Ambiente de negócio 5 0,404
Ideia de negócio 2 0,500
Geral 26 0,935
Fonte: Dados da pesquisa (2015).
Após testar a confiabilidade do instrumento utilizado neste estudo,
foi possível analisar qual(is) construto(os) mais influenciou(aram) os
respondentes a empreender, utilizando-se a média dos construtos e
de seus respectivos itens.
No construto características pessoais, os itens com maior média
foram CP9 (4,18) e CP10 (4,33), e o de menor foi CP22 (3,45). Isso
quer dizer que, no processo de empreender, os respondentes
possuíam o desejo de ter um negócio e que, dentre as
particularidades da personalidade, a persistência e a visão de futuro
foram consideradas como o diferencial. A média de cada um dos
itens elaborados para esse construto encontra-se na Tabela 13.
Tabela 13 – Análise dos itens do construto: características pessoais
Itens Itens N Média Desvio N Média Desvio Erro Erro
Padrão Padrão padrão padrão
da da
média média
CP1 Eu me considero uma pessoa 33 3,73 1,126 0,196
corajosa e gosto de ousar.
CP2 Eu procuro sempre por mudanças, 33 3,76 1,146 0,200
inovação.
CP9 Eu me considero uma pessoa 33 4,18 1,014 0,177
persistente, penso como será meu
negócio no futuro.
CP10 Eu sempre tive vontade de ter meu 33 4,33 0,957 0,167
próprio negócio.
CP14 Eu empreendo para me sentir uma 33 3,67 1,315 0,229
pessoa realizada.
CP17 Eu tenho capacidade para 33 3,48 1,395 0,243
comandar o negócio e superar
desafios.
CP21 Eu tenho facilidade em construir 33 3,55 1,348 0,235
relacionamentos (clientes,
fornecedores, colaboradores).
CP22 Eu não tenho medo de assumir 33 3,45 1,148 0,200
riscos (calculados ou não).
Geral 33 3,77 0,911 0,159
Fonte: Dados da pesquisa (2015).
Dentre os itens elaborados para o construto ambiente pessoal, o
item AP19 obteve uma média de 4,00 e o AP3 de 2,88. Ou seja, os
respondentes consideraram que buscar formação educacional
(participar de cursos e palestras) é de grande relevância para
aperfeiçoar o perfil empreendedor, porém a influência dos familiares
e amigos não foi considerada motivadora. A média de concordância de cada um dos itens elaborados para esse construto encontra-se
na Tabela 14.
Tabela 14 – Análise dos itens do construto: ambiente pessoal
Itens N Média Desvio Erro
Padrão padrão
da
média
AP3 Eu fui influenciado por familiares 33 2,88 1,453 0,253
para abrir meu empreendimento.
AP8 Eu não tenho dificuldade em 33 3,09 1,259 0,219
administrar minha empresa.
AP13 Eu enfrentei dificuldade devido à 33 2,45 1,603 0,279
questão do gênero (feminino/
masculino) e da idade.
AP18 O apoio da família e amigos foi 33 3,09 1,487 0,259
importante na decisão de
empreender.
AP19 Eu considero importante participar 33 4,00 1,199 0,209
de cursos, palestras que ajudam na
gestão do meu empreendimento.
AP23 A experiência em trabalhos 33 3,33 1,472 0,256
anteriores foi importante para a
criação do meu empreendimento.
AP24 Eu necessito aperfeiçoar 33 3,82 1,211 0,211
constantemente meus
conhecimentos administrativos.
Geral 33 3,24 0,877 0,153
Fonte: Dados da pesquisa (2015).
Em relação aos objetivos pessoais, OP20 foi o item que
apresentou maior média (4,36) e OP15 (3,12), a menor. Ficou perceptível o desejo dos respondentes em investir no negócio e
fazê-lo crescer, porém os recursos financeiros não são suficientes. A
média de concordância de cada um dos itens elaborados para esse
construto encontra-se na Tabela 15.
Tabela 15 – Análise dos itens do construto: objetivos pessoais
Itens N Média Desvio Erro
Padrão padrão
da
média
OP4 Eu busco sempre me desafiar para 33 3,85 1,12 0,195
superar meus objetivos.
OP15 Sinto-me satisfeito com os recursos 33 3,12 1,34 0,233
financeiros proporcionados pela
empresa.
OP20 Eu tenho vontade de crescer e 33 4,36 1,22 0,212
expandir meu negócio.
OP26 Ao analisar meu negócio desde a 33 3,33 1,31 0,229
abertura até hoje, concluo que os
objetivos iniciais foram alcançados.
Geral 33 3,67 1,04 0,180
Fonte: Dados da pesquisa (2015).
Para o construto ambiente de negócio, o item com maior média foi
NA5 (4,27) e o de menor foi AN11 (2,21). Isso quer dizer que, para
conseguir lidar com os fatores externos ao negócio e ajudar na
tomada de decisão, é preciso que haja organização e um bom
planejamento. De outro lado, os respondentes não possuem
mecanismos para aquecer a economia local, pois a geração de
emprego e renda é insatisfatória. A média de concordância de cada
um dos itens elaborados para esse construto encontra-se na Tabela
16.
Tabela 16 – Análise dos itens do construto: ambiente de negócio
Itens N Média Desvio Erro
Padrão padrão
da
média
AN5 Eu prezo pela organização e 33 4,27 1,069 0,186
planejamento em meu negócio.
AN7 Meu negócio oferece aos clientes 33 3,36 1,245 0,217
produtos/serviços diferenciados,
que agregam valor.
AN11 Meu negócio gera emprego e renda 33 2,21 1,576 0,274
para outra pessoa.
AN16 A presença de concorrentes é forte 33 4,09 1,156 0,201
e frequente no mercado em que
atuo.
AN25 Termos legais, trabalhistas, 33 3,30 1,425 0,248
financeiros dificultam o crescimento
da empresa.
Geral 33 3,45 0,711 0,124
Fonte: Dados da pesquisa (2015).
A ideia de negócio apresentou maior média em IN6 (3,21) e
menor em IN12 (2,88). Para os respondentes, a percepção de uma
oportunidade de mercado foi o fator que motivou a abertura do
empreendimento. Já a formação educacional até o momento da
abertura do negócio pouco influenciou. A média de concordância de
cada um dos itens elaborados para esse construto encontra-se na
Tabela 17.
Tabela 17 – Análise dos itens do construto: ideia de negócio
Itens Itens N N Média Desvio Média Desvio Erro Erro
Padrão Padrão padrão padrão
da da
média média
IN6 A percepção de uma oportunidade 33 3,21 1,219 0,212
de mercado foi o fator
motivacional para a abertura do
empreendimento.
IN12 A minha formação educacional 33 2,88 1,556 0,271
influenciou a criação do
empreendimento.
Geral 33 3,05 1,141 0,199
Fonte: Dados da pesquisa (2015).
Analisando a média geral de cada construto, os que mais
influenciaram os respondentes a empreender foram: características
pessoais (3,77) e objetivos pessoais (3,67), e os de menor influência
foram: ideia de negócio (3,05) e ambiente pessoal (3,24). Dessa
forma, as particularidades da personalidade do indivíduo, bem como
os objetivos provenientes da vontade de empreender, foram fatores
motivadores. Já a concepção do negócio, bem como as
experiências vividas e os agentes apoiadores (amigos, familiares)
pouco se mostraram relevantes. O resultado da média dos
construtos encontra-se na Tabela 18.
Tabela 18 – Média geral de cada
construto
Construto Média
Características pessoais 3,77
Ambiente pessoal 3,24
Objetivos pessoais 3,67
Fonte: Dados da pesquisa (2015).
Construto Média
Ambiente de negócio 3,45
Ideia de negócio 3,05
Fonte: Dados da pesquisa (2015).
Em síntese, segundo o modelo de motivação proposto por
Naffziger, Hornsby e Kuratko (1994), o indivíduo é influenciado a
empreender devido aos cinco construtos: características pessoais,
ambiente pessoal, objetivos pessoais, ambiente de negócios e ideia
de negócio.
O construto características pessoais, que inclui as
particularidades da personalidade do indivíduo que, algumas vezes,
não são consideradas como um diferencial, mas que são
fundamentais para o surgimento de negócios, apresentou o maior
resultado do alfa de Cronbach, bem como a maior média. Dessa
forma, os itens desse construto tanto estavam condizentes entre si
(semelhantes) quanto são um dos que mais influenciam o
respondente a empreender.
Em situação parecida, encontram-se os objetivos pessoais, que
se tornam únicos de cada empreendedor, pois estão diretamente
relacionados à personalidade do indivíduo e às experiências vividas
e compartilhadas. O construto obteve um valor de α próximo a 1 e
média de concordância próximo a 4.
Já o ambiente de negócios, ou seja, tudo aquilo que não está sob
o domínio da organização, que está externo a mesma e que
influencia diretamente a tomada de decisão e o rumo do negócio,
obteve uma média com valor intermediário. Tal valor denota que o
ambiente de negócios foi considerado pelos respondentes como o
terceiro fator que mais influencia o seu processo empreendedor. No
entanto, devido ao baixo valor de α, esse resultado precisa ser
analisado com cautela.
O ambiente pessoal, que diz respeito a fatores demográficos, ao
papel dos pais, da família e dos amigos no processo empreendedor,
apresentou um resultado moderado de α e de baixa média. Isso
significa que o ambiente pessoal, de acordo com os respondentes, é
um dos fatores que menos influencia o seu processo empreendedor.
Por fim, a ideia negócio, que é responsável pelo fluir do negócio,
foi o construto com a menor média. Além disso, o seu α, também foi
baixo, menor que 0,6. Esse resultado indica que a ideia de negócio
é o fator motivador de menor relevância para os empreendedores
analisados. Contudo, devido ao baixo de valor do α, tal indicação
precisa ser relativizada.
5.6 Considerações finais
Por meio da análise estatística descritiva, foi possível analisar os
empreendedores aracatienses, de acordo com os cinco construtos
do modelo de motivação de Naffziger, Hornsby e Kuratko (1994).
Os fatores relacionados às características pessoais e aos
objetivos pessoais são os que mais influenciam. Já fatores
relacionados ao ambiente de negócios e a ideia de negócio são os
fatores que menos influenciam. Sendo assim, os construtos:
características pessoais e objetivos pessoais e os construtos
ambiente de negócios e ideia de negócio, na visão dos
respondentes, são os que, respectivamente, mais e menos os
motivam a empreender. Isso quer dizer que aspectos da
personalidade apresentam mais influência no momento em que
esses empreendedores decidem empreender que o incentivo da
família ou até mesmo a ideia do negócio.
Neste estudo, foi possível verificar como cada um dos cinco
construtos propostos por Naffziger, Hornsby e Kuratho (1994) estão
presentes nos empreendedores aracatienses e nos seus
empreendimentos. Essa verificação é importante para a cidade de
Aracati, pois o empreendedorismo gera emprego, renda e
desenvolvimento para todos.
Já para o Sebrae, essa verificação dos empreendedores quanto à
motivação, de acordo com o modelo proposto por Naffziger, Hornsby
e Kuratho (1994), é um subsídio para continuar nas ações voltadas
para o auxílio dos empreendedores de forma mais efetiva. Com este
estudo, o Sebrae poderá induzir os empreendedores na busca pelo
crescimento e pelo fortalecimento de seus empreendimentos, por
meio do reconhecimento de oportunidades e da inovação. De posse das informações extraídas deste estudo, o Sebrae poderá habilitar e
capacitar os empreendedores para se adequarem ao cenário
turbulento do mercado, buscando fazê-los conhecer seus
concorrentes, formar parcerias, utilizar o cliente como fonte de
informação e principalmente identificar oportunidade de negócios no
mercado, bem como mostrar a importância do plano de negócio
como mecanismo de planejamento da ideia e de estruturação da
empresa.
Para o campo de estudo em Empreendedorismo, foi possível
averiguar que os construtos em maior ou menor grau influenciam o
processo empreendedor. Ou seja, todos os construtos apresentam
algum nível de importância para o desenvolvimento do
empreendedorismo. Entretanto, para uma determinada população,
alguns construtos mostraram-se de maior relevância que outros.
Apesar dessas contribuições, este estudo também apresenta
limita- ções. A principal delas diz respeito ao tamanho da amostra
analisada. 65 empreendedores foram contatados durante dois
meses, no entanto, apenas 33 microempreendedores aceitaram
responder ao questionário, devido à correria do seu negócio. Esse
fato restringiu o número de respondentes e o aprofundamento da
análise.
Outra limitação do estudo foi o quesito tempo de abertura da
empresa, pois, primeiramente, foi proposto que os questionários
fossem aplicados com empreendedores que tivessem um ano de
empresa formalizada, ou seja, empresas abertas antes de abril de
2014. Esse critério seria importante para haver uma análise e um
acompanhamento mais detalhados de cada empreendimento.
Porém, esse critério não pôde ser considerado devido ao número
restrito de empreendedores que aceitaram participar do estudo,
dada a sua indisponibilidade de tempo. Por isso, os questionários
foram aplicados em empreendimentos com diferentes tempos de
abertura.
Para estudos futuros, sugere-se ampliar o número de
respondentes para conseguir um maior aprofundamento da análise.
Outra sugestão é utilizar o GEM que apresenta a motivação para
empreender, classificando-a em: por necessidade ou oportunidade,
de modo que seria possível caracterizar os empreendedores por necessidade e por oportunidade, de acordo com as variáveis,
estabelecendo uma relação.
Como sugestão, também seria possível utilizar uma amostra de
empresas de outro porte. Ou ainda analisar a relação entre os
construtos e as características pessoais do empreendedor, como
idade, sexo e grau de instrução, ou entre os construtos e o
setor/atividade de cada empreendedor. Outra forma seria realizar
uma pesquisa para analisar apenas um dos cinco construtos e
assim aprofundar, de maneira mais específica, o estudo.
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