Empreendedorismo no semiárido
Capítulo 3 – Empreendedorismo nas engenharias em IES pública e privada
Capítulo 3 –
Empreendedorismo nas
engenharias em IES pública e
privada
Alexandre dos Santos Barros, Agostinha Mafalda Barra de
Oliveira, Alexandre José de Oliveira
3.1 Introdução
O ato de empreender é, atualmente, umas das matrizes da
economia para países desenvolvidos e, em especial, para aqueles
em desenvolvimento. Isso significa que, nos dias atuais, o
empreendedorismo é uma ferramenta para o crescimento da
economia, assim como a Revolução Industrial foi para o século XX,
no milênio passado (DORNELAS, 2001). Mello e Cordeiro (2010)
ainda enfatizam que o interesse pelo fenômeno do
empreendedorismo vem crescendo significativamente nos últimos
quinze anos, no âmbito acadêmico, governamental ou mesmo
empresarial. Isso se deve à constatação de que a ação de
empreender modifica o status quo do mercado, pela geração de
novos negócios e a inserção de diferentes bens e serviços que
atendam melhor as suas necessidades.
Nesse contexto, reconhecendo a importância do
empreendedorismo para o desenvolvimento econômico do país, o
Governo Federal Brasileiro vem implementando o ensino do
empreendedorismo nas instituições de ensino, em particular, nas
Instituições de Ensino Superior (IES). Como exemplo disso, o
Governo Federal Brasileiro, por meio do Ministério da Educação,
Ciência e Tecnologia (MEC) normatizou o ensino do empreendedorismo nas IES, em especial, em cursos de gestão e de
engenharia.
Mais especificamente, com relação aos cursos de graduação em
engenharia, foi homologada, em 11 de março de 2002, pelo
Conselho Nacional de Educação (CNE) e a Câmara de Educação
Superior (CES), uma resolução que explicita a necessidade de
incluir em suas diretrizes curriculares questões voltadas ao tema.
Trechos extraídos dessa resolução apresentam claramente que:
Art. 5º Cada curso de Engenharia deve possuir um projeto pedagógico que
demonstre claramente como o conjunto das atividades previstas garantirá o
perfil desejado de seu egresso e o desenvolvimento das competências e
habilidades esperadas. Ênfase deve ser dada à necessidade de se reduzir o
tempo em sala de aula, favorecendo o trabalho individual e em grupo dos
estudantes.
§ 2º Deverão também ser estimuladas atividades complementares, tais como
trabalhos de iniciação científica, projetos multidisciplinares, visitas teóricas,
trabalhos em equipe, desenvolvimento de protótipos, monitorias, participação
em empresas juniores e outras atividades empreendedoras. (BRASIL, 2002)
Para atender a essas e outras normativas, a pesquisa intitulada
Empreendedorismo nas Universidades Brasileiras, realizada por
Melhado e Miller (2012) para a Endeavor, revela que 91,3% das IES
oferecem disciplinas introdutórias relacionadas ao
empreendedorismo. Contudo, isso não significa que todos os
discentes dessas IES têm acesso a esse conteúdo, tendo em vista
que a pesquisa também mostra que apenas 39,7% dos discentes
entrevistados já cursaram alguma disciplina ligada ao tema.
Esse fato motivou os autores a realizarem um levantamento dos
Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPC’s) de engenharia oferecidos
por duas IES de Mossoró, RN, uma cidade com mais de 284.000
habitantes e 5905 empresas atuantes em 2012 (IBGE, 2014). Com
base nesse levantamento, por meio de análise documental,
observou-se a inserção do tema empreendedorismo nas grades
curriculares desses cursos, ainda que seja em uma única disciplina,
em ambas as universidades. Diante do exposto, surgiu a seguinte
problemática: Será que as IES de Mossoró, RN têm atendido às
diretrizes curriculares dos cursos de engenharia, desenvolvendo
egressos com um alto nível de empreendedorismo?
Para responder à problemática, foi necessário atender ao objetivo
geral de avaliar o perfil empreendedor dos concluintes dos cursos
de engenharia oferecidos pelas IES de Mossoró; e aos objetivos
específicos de mensurar a intenção de empreender e o potencial
empreendedor dos concluintes dos cursos de engenharias
oferecidos pelas IES de Mossoró e fazer um comparativo, por curso
e por IES, do perfil empreendedor dos concluintes dos cursos de
engenharias oferecidos pelas IES de Mossoró.
Na sequência, uma breve explanação sobre empreendedorismo,
perfil empreendedor e a relevância do ensino do empreendedorismo
nas IES, em especial, para os cursos de engenharia. Depois, uma
descrição sobre a realização da pesquisa, que converge para a
apresentação dos resultados. Por fim, as considerações finais sobre
os principais resultados, as contribuições e limitações da pesquisa e
as sugestões para trabalhos futuros.
3.2 Empreendedorismo
Dolabela (1999) refere-se ao termo empreendedorismo como um
neologismo do termo inglês entrepreneurship, que é utilizado para
denominar os estudos referentes ao empreendedor, suas
características pessoais e suas ações. Salim e Silva (2010)
reforçam a visão de empreendedorismo de Dolabela, quando
defendem que o empreendedorismo é um movimento que focaliza
as ações do empreendedor. No entanto, esses autores concebem
empreendedorismo, além de como um campo de estudo, também
como um fenômeno. Um fenômeno que envolve todas as ações do
ser humano para explorar o seu ambiente, em busca da sua
sobrevivência. Por esse motivo, salientam que, como um fenômeno,
o empreendedorismo existe há muitos séculos.
Esse fenômeno tem sido estudado, em especial, por duas
correntes principais: os comportamentalistas, nos quais se incluem
os psicólogos e sociólogos, e os economistas. Os
comportamentalistas concebem o empreendedorismo como uma
forma de realização humana, em que os sonhos são transformados
em realidade quando há motivação e instrumentação adequada para isso. Já os economistas consideram o empreendedorismo
como catalizador na geração de trabalho e renda, componentes
fundamentais para o desenvolvimento econômico e social de uma
nação.
Nessa mesma linha, Mello e Cordeiro (2010) explicam que os
comportamentalistas buscam identificar traços comuns que
caracterizam a pessoa do empreendedor, o sujeito do
empreendedorismo. Por outro lado, os economistas buscam estudar
a influência das ações desse sujeito no desenvolvimento
econômico.
A ação de empreender refere-se ao processo que se inicia com a
identificação de uma oportunidade, passa pela geração de uma
ideia de negócio até a sua concretização. Ou seja, a ação de
empreender envolve o desenvolvimento e a operacionalização de
uma oportunidade de negócio, a transformação de uma ideia em
realidade.
Com esse enfoque, o Global Entrepreneurship Monitor (GEM,
2011, p. 18) conceitua empreendedorismo como
[...] um processo que compreende as diferentes fases de desenvolvimento
dos empreendimentos, desde a intenção de iniciar um negócio, passando
pelo processo de efetivamente iniciá-lo (empreendedores de negócios
nascentes com até três meses) e chegando ao estágio de administrar esse
negócio seja num momento ainda inicial (empreendedores de negócios
novos com até 42 meses) ou já estabelecido (empreendedores de negócios
estabelecidos).
A concepção de empreendedorismo como um processo tem sido
advogada por muitos autores (BARON; SHANE, 2007; DORNELAS,
2001; FILION, 2004; HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2009;
MENDES, 2009). No entanto, em relação ao GEM (2011), esses
autores enfatizam e acrescentam um componente importante ao
conceito de empreendedorismo como um processo: a agregação de
valor.
Segundo Dornelas (2001), o empreendedorismo refere-se ao
processo de criação de algo novo, de valor que requer do seu
sujeito devoção, comprometimento, esforço e ousadia para assumir
riscos calculados e lidar com as adversidades inerentes ao ambiente de mercado. Filion (2004) conceitua empreendedorismo como um
processo pelo qual se realiza algo novo, criativo e inovador, com o
intuito de gerar riqueza e agregar valor para uma sociedade e seus
indivíduos.
Mendes (2009) e Hisrich, Peters e Shepherd (2009)
complementam os autores do parágrafo anterior quando esclarecem
que a riqueza é criada pelo sujeito do empreendedorismo. Esse
sujeito assume os riscos emocionais e monetários diante da
incerteza em relação ao resultado dessa ação; dedica tempo e
esforços para criar valor, por meio da oferta de bens ou serviços, em
um mercado; e, por conseguinte, numa visão otimista, usufrui de
suas recompensas, principalmente a independência pessoal e
financeira. Os bens ou serviços podem não ser únicos e novos, mas
precisam oferecer valor ao mercado, integrando e explorando as
habilidades e os recursos necessários para isso.
Essa concepção do sujeito do empreendedorismo corrobora com
a definição clássica de empreendedor de Schumpeter (1949, 2002).
Para ele, o empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica
existente pela exploração e pela recombinação de recursos novos e
já existentes, na criação de novos bens e serviços, novos sistemas
e processos produtivos e novas tecnologias. Assim, o
empreendedor cria riqueza por meio da inovação, transformando o
equilíbrio estático em um processo dinâmico de desenvolvimento
econômico.
Com essa definição, Schumpeter (1949; 2002) concebe o
empreendedorismo como o processo de destruição criativa. Ele
desenvolveu o conceito de destruição criadora para explicar quando
velhas estruturas de mercado são destruídas pela entrada
competitiva de novas combina- ções inovadoras, que impulsionam a
dinâmica evolutiva da economia. Como salientam Souza e Silva
(2011) e Harvey, Kiessling e Moeller (2010), ao propor o conceito de
destruição criadora, Schumpeter ressalta o papel das inovações no
processo empreendedor e a influência desse fenômeno para o
desenvolvimento econômico.
Por sua vez, Baron e Shane (2007) também definem
empreendedorismo com um processo, uma cadeia de eventos e
atividades, que vai desde a geração de uma ideia de algo novo – seja um produto, uma tecnologia, um mercado, um processo
produtivo, uma matéria-prima ou uma combinação destes – até a
transformação dessa ideia em um negócio. Entretanto, acrescentam
que esse processo é influenciado por fatores individuais,
relacionados às características pessoais do empreendedor; por
fatores grupais, que envolvem as relações do empreendedor com
outras pessoas, tais como sócios, clientes e credores; e por fatores
sociais, que são aqueles que permeiam a sociedade como um todo,
tais como os fatores econômicos, tecnológicos, políticos e culturais.
Esses três fatores, individuais, grupais e sociais, desempenham um
papel igualmente importante em todas as fases do processo de
empreender. Isso significa que, para compreender o
empreendedorismo como um processo, uma cadeia de eventos e
atividades na qual os empreendedores se envolvem, esses três
fatores precisam ser igualmente considerados.
Desta forma, o empreendedorismo também pode ser visto como
uma área de negócios que busca entender como surgem as
oportunidades e as ideias de negócios e como os novos produtos,
mercados, processos produtivos, matérias-primas e tecnologias são
combinados e recombinados para gerar algo novo (BARON;
SHANE, 2007; FIORIN; MELLO; MACHADO, 2010). Essa
concepção retorna à definição inicial de Dolabela (1999) e Salim e
Silva (2010), do empreendedorismo como um campo de estudo das
atividades nas quais os empreendedores se envolvem, daquilo que
o sujeito do empreendedorismo faz, sem, no entanto, desconsiderar
as idiossincrasias desse sujeito e o contexto social, político,
tecnológico, econômico e cultural no qual esse sujeito está inserido.
3.3 Perfil empreendedor
Para Dolabela (1999, p. 68), o perfil empreendedor refere-se a um
conjunto de características intrínsecas ao empreendedor. Em suas
palavras,
O empreendedor é alguém de define por si mesmo o que vai fazer e em que
contexto será feito. Ao definir o que vai fazer, ele leva em conta seus sonhos,
desejos, preferencias, o estilo de vida que quer ter. Desta forma, consegue
dedicar-se intensamente, já que seu trabalho se confunde com o prazer.
Assim, empreendedores vivem em função do alcance das metas
estabelecidas por eles mesmos e estão sempre dispostos a
aprender. Usam os desafios como forma de estimular a criatividade,
com a finalidade de obter o sucesso. Com a necessidade e o
estímulo de vencer todas as dificuldades, os empreendedores
pagam um preço pelo sacrifício pessoal para obter o sucesso, bem
como têm como característica o inconformismo com a monotonia e
estão sempre angustiados por mudanças (DEGEN, 2009).
Para Santos (2008), a personalidade e a motivação são os
constituintes que influenciam no êxito ou no fracasso de um
empreendedor. Com esse pensamento, ele defende que os
empreendedores não nascem prontos, são desenvolvidos pela
combinação de características, inatas e adquiridas. Tais
características estão relacionadas as suas necessidades, seu
conhecimento e seus valores.
Com base nessas características, Santos (2008) desenvolveu e
validou uma escala, mediante a qual é possível mensurar o perfil
empreendedor de uma pessoa. Essa escala se constitui de duas
partes: intenção de empreender e potencial empreendedor. De
acordo com Rocha e Freitas (2014), uma escala que mensura o
perfil empreendedor e não apenas a intenção de empreender
ameniza as limitações dessa última variável, na análise da eficácia
da educação empreendedora.
A primeira parte busca prever a intenção de possuir, tanto come-
çando seu negócio do zero, quanto adquirindo-o de outra pessoa. A
segunda parte examina o potencial empreendedor, que é constituído
pelos seguintes fatores: oportunidade, persistência, eficiência,
informações, planejamento, metas, controle, persuasão e rede de
relações (SANTOS, 2008; SANTOS; CAETANO; CURRAL, 2010;
MORAIS, 2013). A seguir, cada um desses fatores será detalhado.
O fator oportunidade está relacionado à capacidade de identificar
oportunidades. Esse fator refere-se à capacidade de uma pessoa
estar atenta aos acontecimentos ao seu redor e identificar as necessidades do mercado, sendo capaz de se aproveitar de
situações inusitadas para iniciar novas atividades ou negócios.
O fator persistência, por sua vez, diz respeito à capacidade de se
manter firme na busca do sucesso, sendo persistente em seus
objetivos e metas, superando todos os obstáculos pelo caminho
para alcançar o sucesso. Mas é importante distinguir a diferença
entre teimosia e persistência e, quando necessário, admitir erros e
traçar novas metas e estratégias.
O fator eficiência consiste na capacidade de se fazer as coisas de
forma correta e proporcionar uma eficaz elaboração de planos de
mudanças, quando necessário, com a finalidade de se adequar às
mudanças do ambiente. Esse fator está relacionado à capacidade
de tornar mais eficiente, em outras palavras, pôr em prática formas
de fazer as coisas melhor, de modo mais barato e rápido. Dito de
outra forma, esse fator é também relacionado à capacidade de
desenvolver e utilizar procedimentos que assegurem que a tarefa
seja realizada em tempo hábil.
O fator informações refere-se à disponibilidade em aprender
coisas novas e demonstrar avidez em obter mais conhecimentos.
Esse fator está ligado ao interesse e à busca de uma pessoa por
informações que sejam relevantes para sua área de atuação. Em
outras palavras, avalia o quanto a pessoa é ligada aos fatores
ambientais, internos e externos, relacionados à sua
organização/empresa.
Em adição, o fator planejamento está relacionado à capacidade
de planejar as atividades a partir dos objetivos definidos, de forma
detalhada. Também está ligado à capacidade de uma pessoa de
integrar planejamento, execução e controle da atividade executada.
Outro fator são as metas, que focam na capacidade de mostrar
determinação, senso de direção. Estabelecer objetivos e metas que
definam de forma clara aonde se pretende chegar é característica
desse fator.
O fator controle faz referência à capacidade de acompanhar a
execução dos planos elaborados, mantendo registros e utilizando-os
para o processo de tomada de decisão. Em outras palavras, é ter
consciência da necessidade de verificar o processo executado e,
quando necessário, realizar adaptações e mudanças.
No fator persuasão, está em foco a habilidade de induzir outras
pessoas a executar as tarefas ou ações que sejam necessárias ao
alcance de seu objetivo. Ou seja, trata-se da capacidade de
convencer e inspirar pessoas, liderar e estimular a equipe por meio
de palavras e ações.
Por fim, o fator rede de relações refere-se à habilidade de
estabelecer contatos com todos aqueles que, direta ou
indiretamente, possam ser úteis para o alcance de seus objetivos,
montando, assim, uma boa rede de relacionamento. Logo, é a
capacidade de desempenhar boas relações com pessoas
importantes, tanto no âmbito comercial quanto no pessoal.
3.4 Ensino do empreendedorismo nas
IES e nas engenharias
Os empreendedores são identificados com relação às
características de inovação e reconhecimento de oportunidades.
Para compreender o empreendedorismo, é importante entender
como os empreendedores desenvolvem suas competências.
Também é necessário compreender como ocorre o processo de
aprendizagem empreendedora, uma vez que a literatura já tem dado
e comprovado evidências suficientes dessa inter-relação.
Para consolidar a importância do ensino do empreendedorismo,
Hisrich, Peters e Shepherd (2009, p. 27) ressaltam que: “Segundo
pesquisas, os indivíduos que estudam o empreendedorismo têm de
3 a 4 vezes mais chances de iniciar seu próprio negócio e ganharam
de 20 a 30% mais do que os estudantes de outras áreas.” Em
adição, um estudo realizado na cidade de Fortaleza, CE, com 407
graduandos em Administração de Empresa, mostra evidências de
que aqueles que participaram de atividades educacionais de
formação em empreendedorismo apresentaram alterações
significativas e positivas no desenvolvimento de seu perfil
empreendedor (ROCHA; FREITAS, 2014).
Segundo Dolabela (1999), um modelo de metodologia para o
ensino do empreendedorismo deve ser inspirado nos processos de aprendizagem utilizados pelo empreendedor real, pois, para se
alcançar a didática adequada para a área de empreendedorismo, é
preciso que o processo de aprendizado seja teimosamente
contextualizado. Ele ainda defende que a relação universidade-
empresa é indispensável para a formação de empreendedores. Mas
essas parcerias ainda são rudimentares no Brasil. Nesse contexto,
as IES devem favorecer a democratização do ensino do
empreendedorismo, bem como as suas geração e difusão, de forma
que as necessidades sejam devidamente ampliadas (SANTOS,
2005). Segundo Dornelas (2001), as IES, para desenvolverem o
espírito empreendedor, devem focar na identificação e no
entendimento das habilidades do empreendedor, como forma de
contribuir para o desenvolvimento econômico e social do país.
Atualmente, nas IES, existe um movimento de introdução à
cultura empreendedora. Em complemento, outras instituições, como
o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
(Sebrae), vêm desempenhando papel importante com relação ao
movimento, em parceira com o MEC (FILION, 1999; DOLABELA,
1999).
As Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação
em Engenharia, instituída pelo CNE, reforçam a importância da
adoção, pelas IES, em especial aquelas que oferecem cursos de
engenharia, de práticas de ensino-aprendizagem que desenvolvam
caraterísticas empreendedoras em seus egressos (BRASIL, 2002).
Dessa forma, os objetivos propostos de ensino-aprendizagem
devem levar o egresso a desenvolver competências que vão ao
encontro dos conhecimentos, habilidades e atitudes que compõem o
sujeito empreendedor, uma vez que, nas palavras de Oliveira et al.
(2013, p. 54),
[...] verificaram-se grandes mudanças em todos os setores de aplicação da
Engenharia nestes últimos dois séculos. Para acompanhar essas mudanças
não basta mais saber, é necessário saber o que fazer com o que se aprende
nos cursos. O perfil profissional tem sofrido alterações superando a condição
anterior de um profissional expert em cálculos, construtor ou solucionador de
problemas, para um profissional cidadão, com habilidades, competências e
atributos que o tornem capaz de atender as exigências atuais, como um
projetista de soluções de problemas multidisciplinares e complexos.
Jusob et al. (2013) e Patnaik (2014) também discutem o papel da
educação no desenvolvimento de um engenheiro empreendedor.
Seus argumentos partem da premissa de que, em um contexto no
qual o ciclo de vida dos produtos e das tecnologias vem diminuindo
a cada dia, a capacidade de enfrentar problemas e encontrar,
transferir e compartilhar soluções, de forma ágil e adequada, é
crucial para a manutenção de um negócio no mercado.
3.5 Procedimentos metodológicos
Para responder ao problema de pesquisa proposto, adotou-se
uma pesquisa descritiva. Segundo Gil (2010), a pesquisa descritiva
tem por objetivo primordial a descrição das características de
determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de
relações entre variáveis. Pelo exposto, a pesquisa descritiva
apresenta-se como a mais adequada para atender ao objetivo de
avaliar o perfil empreendedor dos concluintes dos cursos de
engenharia oferecidos pelas IES de Mossoró, RN. Dessa forma, o
universo utilizado para a realização do trabalho foram os concluintes
dos cursos de engenharia, nos semestres 2014.1 e 2014.2, de duas
IES, sendo uma pública e uma privada, que oferecem cursos de
engenharia em Mossoró, RN.
Com base no número de concluintes dos dois semestres
anteriores, ou seja, dos semestres de 2013.1 e 2013.2, foi possível
estimar o número total de 262 concluintes nos semestres 2014.1 e
2014.2. Na Tabela 2, apresenta-se a amostra em relação ao número
total estimado para cada curso e IES. Desse modo, encontra-se, na
primeira coluna, para cada curso/IES, o número total estimado (P) e,
na segunda coluna, o número de questionários válidos para compor
a amostra (A).
A IES pública oferece oito cursos de engenharia. Contudo, os
cursos de Engenharia Florestal e Engenharia de Pesca não foram
contemplados nesta pesquisa. Foram coletados 43 questionários
nos seis cursos contemplados na pesquisa, quais sejam:
Engenharia Civil, Engenharia de Produção, Engenharia Mecânica,
Engenharia de Energia, Engenharia de Petróleo e Engenharia Química. Três questionários foram eliminados por estarem com mais
de 50% das questões não respondidas, resultando em 40
questionários válidos.
A IES privada não oferece os cursos de Engenharia Mecânica,
Engenharia de Energia, Engenharia de Petróleo e Engenharia
Química, bem como não possui turmas no último período em
Engenharia de Produção e Engenharia Civil. Nessa instituição,
foram coletados 56 questionários. No entanto, quatro questionários
foram eliminados por estarem com mais de 50% de questões
incompletas. Por esse motivo, 52 questionários foram considerados
válidos.
Dessa forma, a amostra deste estudo constituiu-se de 92
concluintes dos cursos de engenharia, oferecidos pelas IES de
Mossoró, nos semestres 2014.1 e 2014.2, sendo 42,4% de
concluintes da IES pública e 57,6% de concluintes da IES privada.
Os cursos de Engenharia Civil e de Produção têm maior quantidade
de questionários, pois são os cursos oferecidos nas duas
instituições.
Tabela 2 – População e amostra por Curso e IES
Curso/ Eng. Eng. de Eng. Eng. de Eng. de Eng. Tot
IES Civil Produção Mecânica Energia Petróleo Química
P A P A P A P A P A P A P
Pública 50 6 24 17 40 4 17 5 6 1 35 7 172
Privada 90 40 0 12 - - - - - - - - 90
Total 140 46 24 29 40 4 17 5 6 1 35 7 262
Fonte: Dados da pesquisa (2014).
Para mensurar o perfil empreendedor dos concluintes, foi
utilizado, como instrumento de coleta de dados, um questionário elaborado por Santos (2008), validado em sua tese de doutorado e
revalidado nos Trabalhos de Conclusão de Curso de Pinheiro (2013)
e Morais (2013). Esse instrumento constitui-se de cenários que
agem como facilitadores da compreensão daqueles que respondem
ao questionário.
O questionário possui 49 itens, que são afirmações sobre
características empreendedoras, sendo os quatro primeiros
destinados a medir a intenção de empreender e os 45 restantes
destinados a medir o potencial empreendedor. Os 45 itens, que
medem o potencial empreendedor, estão subdivididos em nove
fatores: oportunidade (5 itens), persistência (6 itens), eficiência (3
itens), informações (5 itens), planejamento (4 itens), metas (7 itens),
controle (5 itens), persuasão (6 itens) e rede de relações (4 itens).
Em cada item, foi solicitado aos respondentes atribuir uma nota de 0
a 10, conforme o grau de afinidade com a situação apresentada. O
questionário utilizado encontra-se no final deste trabalho.
Para possibilitar a caracterização da amostra, adicionou-se ao
questionário de Santos (2008), em seu verso, outro questionário,
adaptado de Morais (2013). Essa adaptação envolveu a exclusão de
questões desnecessárias para este trabalho. Essas características
consistiram em informações demográficas sobre gênero, idade,
renda familiar, nível de escolaridade dos pais, entre outros.
Primeiro, foi feito um levantamento nos sites das IES, para
identificar os coordenadores de cada curso de Engenharia. Em
seguida, o primeiro contato foi realizado por e-mail e,
posteriormente, com reunião presencial. A partir dessas reuniões,
decidiu-se com os coordenadores dos cursos de Engenharia Civil e
de Engenharia de Produção da IES privada que a aplicação dos
questionários seria realizada por meio impresso. Para tanto, os
coordenadores de cada curso informaram os dia e horário em que
os concluintes estariam reunidos na instituição para a realização
dessa coleta. Já com os coordenadores dos cursos de Engenharia
da IES pública, foi solicitada uma lista de e-mail dos discentes
matriculados no nono e no décimo período dos cursos de
engenharia, para que os questionários fossem enviados e
respondidos via on-line, por meio do Google Docs, tendo em vista
que os concluintes dos cursos de engenharia da IES pública não têm mais aulas presenciais e ficaria difícil o contato pessoal com a
maioria deles. Assim, os questionários foram respondidos no
período de 31 de maio de 2014 a 26 de junho de 2014, de forma
impressa, via e-mail e/ou ferramenta online, com índice de resposta
de mais de 35%.
Para a tabulação dos dados obtidos por meio do questionário, foi
utilizada uma planilha do programa Microsoft Excel. Após a
tabulação dos dados, foi iniciada a estratégia de análise, com o
auxílio do software IBM SPSS Statistics, v. 24.0. Foram feitos testes
de confiabilidade da escala (coeficiente alfa de Cronbach);
estatística descritiva; comparativo entre médias e teste de amostras
independentes (teste t de Student).
3.6 Apresentação e análise dos dados
O alfa de Cronbach (α) é uma das estimativas da confiabilidade
de um questionário que tenha sido aplicado em uma pesquisa. Em
geral, considera-se satisfatório um instrumento de pesquisa que
obtenha α ≥ 0,750 (FREITAS; RODRIGUES, 2005). Os valores do
alfa de Cronbach para as escalas de Intenção de empreender e de
Potencial empreendedor foram acima de 0,800, sendo assim
consideradas de alta confiabilidade.
Em relação à amostra, 61,5% dos respondentes são do sexo
masculino e 38,5% do sexo feminino. Desses, 63,7% são solteiros,
31,9% são casados e 4,4% são separados. Com relação à religião
dos respondentes, 59,3% se consideram católicos, 30,8%
evangélicos e 9,9% afirmam ter outra religião. A idade daqueles que
responderam ao questionário varia de 19 a 50 anos, sendo que 57%
dos respondentes estão com idade ente 21 e 25 anos. Quanto ao
nível de escolaridade, 92,3% dos respondentes tê nível superior
incompleto e 7,7% dos concluintes já possuem outra graduação.
Com relação à ocupação dos concluintes, na IES privada, 41%
dos concluintes são empregados assalariados, enquanto 16,1% são
estagiários e os outros 42,9% responderam a outras opções. Já na
IES pública, 35% dos concluintes são apenas estagiários, 25% são bolsistas de projetos de extensão ou de pesquisa e os outros 40%
responderam a outras opções para a ocupação.
Quanto à escolaridade dos pais, a maior significância é para
aqueles que afirmam que seus pais possuem ensino médio
completo, sendo 79,8% para o pai e 68,2% para a mãe. Assim, mais
de 50% dos respondentes têm seu pai empregado em empresa
privada ou como autônomo e mais de 40% dos respondentes
possuem mães funcionárias públicas ou autônomas.
Para a análise comparativa de médias por curso, foi descartado o
curso de Engenharia de Petróleo, pois apenas um questionário foi
respondido, inviabilizando sua utilização para esta análise. Os
fatores persistência, oportunidade, eficiência, informações,
planejamento, metas, controle, persuasão e rede de
relacionamentos integram o fator potencial empreendedor. A partir
da análise dos dados apresentados na Tabela 3, observou-se que
apenas o curso de Engenharia Civil da IES privada tem média
superior à média geral para o fator intenção de empreender, e que
os cursos de Engenharia de Produção e Engenharia Civil da IES
privada e Engenharia Química da IES pública têm médias acima da
média geral para o fator potencial de empreender.
Tabela 3 – Análise comparativa de méd
Cursos
Fatores Engenharia Engenharia Engenharia Engenharia En
Civil IES Civil IES de de M
pública privada Produção Produção IE
IES pública IES privada
Fonte Intenção de 7,167 8,039 7,261 7,188 : Dados da pesquisa (2014).
d
empreender
Persistência Cursos 9,110 9,073 8,156 9,111
Fatores Oportunidade 7,133 8,088 7,560 8,400 Engenharia Engenharia Engenharia Engenharia En
Eficiência Civil IES 9,528 Civil IES 9,268 de 8,600 de 8,500 M
Informações pública privada Produção Produção IE 9,233 9,141 8,707 9,067
IES pública IES privada
Planejamento 7,792 8,128 7,017 8,500
Metas 7,595 8,753 7,905 8,595
Controle 7,533 8,351 7,107 8,667
Persuasão 7,278 8,358 7,531 8,569
Rede de 7,208 8,866 8,933 8,563
Relações
Potencial 7,989 8,656 7,908 8,681
Empreendedor
Fonte: Dados da pesquisa (2014).
Na sequência, foi feito um comparativo de média por IES, com o
Teste t para igualdade de média e o Teste de Levene para igualdade
de variâncias. Nesses casos, se a significância do teste for ≤ 0.05,
considera-se o t de variâncias iguais não assumidas; do contrário,
se a significância do teste for > 0.05, considera-se o t de variâncias
iguais assumidas. Para esta análise, levaram-se em consideração
apenas os cursos correspondentes oferecidos em ambas, no caso
os cursos de Engenharia Civil e de Engenharia de Produção. Assim,
primeiro foi feito o comparativo de média geral por IES, depois por
cada curso.
Os dados apresentados na Tabela 4 mostram que a diferença
entre as médias (t) dos cursos de Engenharia nas duas IES teve
índice de significância de 99% para os fatores planejamento, metas,
controle, persuasão e potencial empreendedor e de 95% para o
fator persistência. Ao comparar as médias apresentadas na Tabela
5, pode-se afirmar que as médias da IES privada para todos esses
fatores foram superiores às médias obtidas na IES pública.
Tabela 4 Teste t de amostras independentes: IES pública e IES priv Tabela 4 – Teste t de amostras independentes: IES pública e IES priv
Teste de
Levene
para Teste-t para Igualdade de Médias Igualdade
de
Variâncias
Z Sig. t df Sig. (2 Diferença Err
ext. Média Pad
de
Difere
Empreender 0,247 0,620 Intenção de ¹ -1,002 72,000 0,320 -0,6118 0,610
² -1,048 40,554 0,301 -0,6118 0,593
Persistência ¹ -2,233 72,000 **0,029-0,6532 0,292
0,353 0,554
² -2,117 33,095 **0,042 -0,6532 0,308
Oportunidade ¹ -1,943 72,000 0,056 -0,7204 0,370
1,309 0,256
² -1,700 28,893 0,100 -0,7204 0,423
Eficiência ¹ -0,804 72,000 0,424 -0,2293 0,285
0,240 0,626
² -0,763 33,104 0,451 -0,2293 0,300
Informações ¹ -1,151 72,000 0,253 -0,2674 0,232
0,106 0,745
² -1,134 36,652 0,264 -0,2674 0,235
Planejamento ¹ -2,573 72,000 ***0,012-0,9742 0,378
1,466 0,230
² -2,436 33,041 **0,020 -0,9742 0,399
Metas ¹ -3,296 72,000 ***0,002-0,9007 0,273
0,006 0,936
² -3,110 32,828 ***0,004 -0,9007 0,289
Controle ¹ -2,936 72,000 ***0,004-1,1941 0,406
0,785 0,379
² -2,857 34,806 ***0,007 -1,1941 0,417
¹ Variâncias iguais assumidas; ² Variâncias iguais não assumidas Persuasão ¹ -2,574 72,000 ***0,012-0,9469 0,367 1,061 0,306 ²-2,225 28,806 **0,031 -0,9469 0,425 ** Índice de significância de 95%; *** Índice de significância de 99%.
Fonte Rede de : Dados da pesquisa (2014). ¹-0,423 72,000 0,673 -0,3567 0,843
4 288 0 042
Relações 4,288 0,042 ²-0,276 20,717 0,785 -0,3567 1,292
Empreendedor 0,003 0,958 Potencial ¹ -3,177 72,000 ***0,002-0,7306 0,229
² -2,964 32,110 ***0,006 -0,7306 0,246
¹ Variâncias iguais assumidas; ² Variâncias iguais não assumidas
** Índice de significância de 95%; *** Índice de significância de 99%.
Fonte: Dados da pesquisa (2014).
Tabela 5 – Análise comparativa de médias por IES
FATORES IES
IES Pública IES Privada
Intenção de empreender 7,234 7,846
Oportunidade 7,438 8,158
Persistência 8,429 9,082
Eficiência 8,865 9,125
Informações 8,857 9,125
Planejamento 7,238 8,212
Metas 7,816 8,717
Controle 7,229 8,423
Persuasão 7,459 8,406
Rede de Relações 8,440 8,797
Potencial Empreendedor 7,931 8,662
Fonte: Dados da pesquisa (2014).
No entanto, os dados comparados por cursos similares
apresentam novos resultados. Os dados da Tabela 6 mostram que a
diferença entre as médias (t) dos cursos de Engenharia Civil nas
duas IES teve índice de significância de 99% para o fator eficiência
e de 95% para os fatores metas e rede de relações. Ao comparar as
médias apresentadas na Tabela 3, pode-se afirmar que o curso de Engenharia Civil da IES pública tem média de 9,528 para o fator
eficiência, versus a média de 9,268 para o curso de Engenharia Civil
da IES privada. Em contrapartida, o curso de Engenharia Civil da
IES privada tem média superior para os fatores metas e rede de
relações de 8,753 e 8,866 contra 7,595 e 7,208, respectivamente,
para o curso de Engenharia Civil da IES pública.
Tabela 6 - Teste t de amostras independentes: curso de Engenharia
IES pública e IES privada
Teste de
Levene
para Teste-t pra Igualdade de Média Igualdade
de
Variâncias
Z Sig. t df Sig. (2 Diferença E
ext.) Média Pa
d
Dife
Empreender 0,069 0,794 Intenção de ¹ -0,956 44,000 0,344 -0,9886 1,03
² -8,826 4,701 0,449 -0,9886 1,19
Persistência ¹ -1,898 44,000 0,064 -1,3678 0,72
15,175 0,000
² -1,069 4,216 0,342 -1,3678 1,27
Oportunidade ¹ 0,253 44,000 0,802 0,1268 0,50
1,693 0,200
² 0,454 10,018 0,659 0,1268 0,27
Eficiência ¹ 1,512 44,000 0,138 0,6317 0,41
4,898 0,032
² 3,602 26,450 ***0,001 0,6317 0,17
Informações ¹ 0,228 44,000 0,821 0,0985 0,43
0,462 0,500
² 0,277 5,734 0,792 0,0985 0,35
Planejamento ¹ -0,741 44,000 0,463 -0,5280 0,71
0,940 0,338
² -0,577 4,536 0,591 -0,5280 0,91
** Índice de significância de 95%; *** Índice de significância de 99% Metas ¹ -2,488 44,000 **0,017-1,1812 0,47 ¹ Variâncias iguais assumidas; ² Variâncias iguais não assumidas
1,336 0,254
Fonte: ² -1,959 4,551 0,113 -1,1812 0,60 Dados da pesquisa (2014).
Controle ¹ -0,660 44,000 0,512 -0,5112 0,77
0,017 0,898
² -0,628 4,903 0,558 -0,5112 0,81
Persuasão ¹ -1,844 44,000 0,072 -1,2911 0,70
7,620 0,008
² -0,976 4,178 0,382 -1,2911 1,32
Relações 6,621 0,014 Rede de ¹ -2,418 44,000 **0,020 -1,5159 0,62
² -1,247 4,164 0,278 -1,5159 1,21
Empreendedor 0,042 0,839 Potencial ¹ -1,723 44,000 0,092 -0,6786 0,39
² -1,658 4,929 0,159 -0,6786 0,40
¹ Variâncias iguais assumidas; ² Variâncias iguais não assumidas
** Índice de significância de 95%; *** Índice de significância de 99%
Fonte: Dados da pesquisa (2014).
Por fim, os dados apresentados na Tabela 7 possibilitam inferir
que, com um índice de significância de 99% para os fatores
planejamento e controle e de 95% para o fator persistência, a
diferença entre as médias do curso de Engenharia de Produção das
duas IES é significativa. Ao comparar as medias da Tabela 3, pode-
se afirmar que o curso de Engenharia de Produção da IES privada
tem média superior para todos esses fatores em relação à média do
curso de Engenharia de Produção da IES pública.
Tabela 7 - Teste t de amostras independentes: curso de Engenharia
Produção - IES pública e IES privada
Teste de
Levene
para
Teste-t pra Igualdade de Médias
Igualdade
de
Variâncias
Z Sig. t df Sig. (2 Diferença Err
extr ) Média Pad
extr.) Média Pad
de
Difere
Empreender 1,977 0,172 Intenção de ¹ 0,069 25,000 0,945 0,0736 1,059
² 0,067 18,630 0,948 0,0736 1,105
Persistência ¹ -1,976 25,000 **0,059-0,9556 0,483
0,000 0,676
² -2,020 24,962 **0,054 -0,9556 0,473
Oportunidade ¹ -1,709 25,000 0,100 -0,8400 0,491
0,179 0,993
² -0,728 24,541 0,097 -0,8400 0,486
Eficiência ¹ 0,203 25,000 0,841 0,1000 0,492
0,456 0,506
² 0,201 22,742 0,842 0,1000 0,497
Informações ¹ -1,027 25,000 0,314 -0,3600 0,350
0,369 0,549
² -1,054 25,000 0,302 -0,3600 0,341
Planejamento ¹ -2,690 25,000 ***0,013-1,4833 0,551
1,043 0,317
² -2,735 24,814 ***0,011 -1,4833 0,542
Metas ¹ 0,623 0,437-1,485 25,000 0,150 -0,6905 0,464
² -1,481 23,479 0,152 -0,6905 0,466
Controle ¹ -2,666 25,000 ***0,013-1,5600 0,585
1,434 0,242
² -2,744 24,986 ***0,011 -1,5600 0,568
Persuasão ¹ -1,926 25,000 0,066 -1,0383 0,589
0,107 0,746
² -1,930 23,883 0,066 -1,0383 0,538
Relações 1,026 0,321 Rede de ¹ 0,184 25,000 0,856 0,3708 2,017
² 0,204 16,139 0,841 0,3708 1,822
Empreendedor 0,003 0,958 Potencial ¹ -1,827 25,000 0,065 -0,7730 0,401
² -0,957 24,764 0,062 -0,7730 0,395
¹ Variâncias iguais assumidas; ² Variâncias iguais não assumidas
** Índice de significância de 95%; *** Índice de significância de 99%
Fonte: Dados da pesquisa (2014).
( )
Considerações finais
Utilizando o questionário de Santos (2008) como instrumento de
coleta de dados, foi possível mensurar a intenção de empreender e
o potencial empreendedor dos concluintes dos cursos de
engenharia oferecidos pelas IES de Mossoró, RN. A partir da
análise das médias dos fatores intenção de empreender e potencial
empreendedor por curso de Engenharia, observa-se que os
concluintes dos cursos de Engenharia Civil e Engenharia de
Produção apresentaram as maiores médias.
No entanto, levando-se em consideração os resultados
alcançados na análise de dados; realizada por meio do software
IBM SPSS Statistics, v. 24.0; sobre a diferença entre as médias (t)
por IES, não houve diferenças significativas com relação ao fator
intenção de empreender. Esses resultados corroboram com Rocha e
Freitas (2014), quando alertam que a medição desse fator é
inadequada para avaliar a eficácia do ensino de empreendedorismo
em graduandos. Em complemento, com base em uma metanálise
realizada com 73 estudos, Bae et al. (2014) concluem que não há
uma relação significativa entre intenção de empreender e educação
empreendedora quando variáveis pessoais, sociais e culturais são
controladas.
Por outro lado, constata-se que os concluintes da IES privada
apresentaram maiores médias para a escala total de potencial
empreendedor, se comparadas às médias dos concluintes da IES
pública, com um índice de significância de 99%. Esse fato pode ser
justificado, uma vez que mais de 40% dos concluintes dos cursos de
Engenharia da IES privada já estão inseridos no mercado de
trabalho, enquanto 60% dos concluintes da IES pública são apenas
bolsistas ou estagiários. Os primeiros, por já estarem inseridos no
mercado de trabalho, acabam desenvolvendo mais o espírito
empreendedor, uma vez que, segundo Dornelas (2001), o ensino do
empreendedorismo deve ser baseado na vivência real do empreendedor, para que assim absorvam mais das metodologias
voltadas para essa temática.
No entanto, ao realizar o comparativo de médias por curso, a
diferença entre as médias dos concluintes para o fator potencial
empreendedor já não se mostrou significativa. Especificamente para
o curso de Engenharia Civil, observou-se um t com índice de
significância de 99% para o fator eficiência. Isso significa que os
concluintes do curso de Engenharia Civil da IES pública se auto
avaliaram mais eficientes. Esse resultado se justifica pelo fato de
que os graduandos das engenharias da IES pública acabam por
terem maior necessidade de pôr em prática formas de fazer as
coisas melhor, de modo mais barato e mais rápido. Isso acontece
em virtude da sobrecarga de trabalhos e de avaliações acadêmicas
exigidas ao longo desse curso, uma vez que o fator eficiência está
relacionado à capacidade de desenvolver e utilizar procedimentos
que assegurem que a tarefa seja realizada em tempo hábil.
Por sua vez, o comparativo de média realizado para o curso de
Engenharia de Produção mostrou que os concluintes da IES privada
apresentaram médias superiores para os fatores planejamento e
controle, com um índice de significância de 99%, em relação aos
concluintes da IES pública. Novamente, esse resultado se justifica
devido aos concluintes de Engenharia de Produção da IES privada,
em sua grande maioria, já se encontrarem inseridos no mercado de
trabalho, ao passo que os concluintes da IES pública são
estudantes em tempo integral.
Espera-se que, com base nesses resultados, disciplinas voltadas
ao ensino do empreendedorismo sejam incrementadas nos cursos
de Engenharia, assim como proposto por Dolabela (1999). Bem
como, que esse ensino seja inspirado nos processos de
aprendizagem utilizados pelo empreendedor real, uma vez que, para
se alcançar a didática adequada para a área de empreendedorismo,
é preciso que o processo de aprendizado seja teimosamente
contextualizado. Ademais, acredita-se que, de posse dos resultados
extraídos com este trabalho, as IES possam destinar maior
interesse pelo desenvolvimento do empreendedorismo em seus
âmbitos, promovendo disciplinas voltadas ao tema, bem como atividades integradas, cursos de extensão e pesquisas relacionadas
ao assunto.
Por fim, os resultados desta pesquisa dão margem a muitos
questionamentos e instigam a realização de muitas outras
investigações. Pelo exposto, sugere-se a realização de pesquisas
com o intuito de medir a intenção e o potencial empreendedor dos
graduandos de outros cursos, tais como Administração e Economia.
Além disso, seria interessante investigar a influência de fatores
individuais e ambientais no desenvolvimento do perfil
empreendedor. Por fim, um estudo mais aprofundado e
complementar nessas mesmas instituições e cursos para identificar
suas práticas de ensino voltadas para o desenvolvimento do
empreendedorismo seria de grande valia para a construção de
conhecimento científico sobre o tema.
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