Empreendedorismo no semiárido

Agostinha Mafalda Barra de Oliveira · Capítulo 5 de 9

Páginas do PDF

Empreendedorismo no semiárido

Capítulo 3 – Empreendedorismo nas engenharias em IES pública e privada

Capítulo 3 –

 

Empreendedorismo nas

 

engenharias em IES pública e

 

privada

 

Alexandre dos Santos Barros, Agostinha Mafalda Barra de

Oliveira, Alexandre José de Oliveira

 

3.1 Introdução

 

O ato de empreender é, atualmente, umas das matrizes da

economia para países desenvolvidos e, em especial, para aqueles

em desenvolvimento. Isso significa que, nos dias atuais, o

empreendedorismo é uma ferramenta para o crescimento da

economia, assim como a Revolução Industrial foi para o século XX,

no milênio passado (DORNELAS, 2001). Mello e Cordeiro (2010)

ainda enfatizam que o interesse pelo fenômeno do

empreendedorismo vem crescendo significativamente nos últimos

quinze anos, no âmbito acadêmico, governamental ou mesmo

empresarial. Isso se deve à constatação de que a ação de

empreender modifica o status quo do mercado, pela geração de

novos negócios e a inserção de diferentes bens e serviços que

atendam melhor as suas necessidades.

Nesse contexto, reconhecendo a importância do

empreendedorismo para o desenvolvimento econômico do país, o

Governo Federal Brasileiro vem implementando o ensino do

empreendedorismo nas instituições de ensino, em particular, nas

Instituições de Ensino Superior (IES). Como exemplo disso, o

Governo Federal Brasileiro, por meio do Ministério da Educação,

Ciência e Tecnologia (MEC) normatizou o ensino do empreendedorismo nas IES, em especial, em cursos de gestão e de

engenharia.

Mais especificamente, com relação aos cursos de graduação em

engenharia, foi homologada, em 11 de março de 2002, pelo

Conselho Nacional de Educação (CNE) e a Câmara de Educação

Superior (CES), uma resolução que explicita a necessidade de

incluir em suas diretrizes curriculares questões voltadas ao tema.

Trechos extraídos dessa resolução apresentam claramente que:

 

Art. 5º Cada curso de Engenharia deve possuir um projeto pedagógico que

demonstre claramente como o conjunto das atividades previstas garantirá o

perfil desejado de seu egresso e o desenvolvimento das competências e

habilidades esperadas. Ênfase deve ser dada à necessidade de se reduzir o

tempo em sala de aula, favorecendo o trabalho individual e em grupo dos

estudantes.

§ 2º Deverão também ser estimuladas atividades complementares, tais como

trabalhos de iniciação científica, projetos multidisciplinares, visitas teóricas,

trabalhos em equipe, desenvolvimento de protótipos, monitorias, participação

em empresas juniores e outras atividades empreendedoras. (BRASIL, 2002)

 

Para atender a essas e outras normativas, a pesquisa intitulada

Empreendedorismo nas Universidades Brasileiras, realizada por

Melhado e Miller (2012) para a Endeavor, revela que 91,3% das IES

oferecem disciplinas introdutórias relacionadas ao

empreendedorismo. Contudo, isso não significa que todos os

discentes dessas IES têm acesso a esse conteúdo, tendo em vista

que a pesquisa também mostra que apenas 39,7% dos discentes

entrevistados já cursaram alguma disciplina ligada ao tema.

Esse fato motivou os autores a realizarem um levantamento dos

Projetos Pedagógicos dos Cursos (PPC’s) de engenharia oferecidos

por duas IES de Mossoró, RN, uma cidade com mais de 284.000

habitantes e 5905 empresas atuantes em 2012 (IBGE, 2014). Com

base nesse levantamento, por meio de análise documental,

observou-se a inserção do tema empreendedorismo nas grades

curriculares desses cursos, ainda que seja em uma única disciplina,

em ambas as universidades. Diante do exposto, surgiu a seguinte

problemática: Será que as IES de Mossoró, RN têm atendido às

diretrizes curriculares dos cursos de engenharia, desenvolvendo

egressos com um alto nível de empreendedorismo?

Para responder à problemática, foi necessário atender ao objetivo

geral de avaliar o perfil empreendedor dos concluintes dos cursos

de engenharia oferecidos pelas IES de Mossoró; e aos objetivos

específicos de mensurar a intenção de empreender e o potencial

empreendedor dos concluintes dos cursos de engenharias

oferecidos pelas IES de Mossoró e fazer um comparativo, por curso

e por IES, do perfil empreendedor dos concluintes dos cursos de

engenharias oferecidos pelas IES de Mossoró.

Na sequência, uma breve explanação sobre empreendedorismo,

perfil empreendedor e a relevância do ensino do empreendedorismo

nas IES, em especial, para os cursos de engenharia. Depois, uma

descrição sobre a realização da pesquisa, que converge para a

apresentação dos resultados. Por fim, as considerações finais sobre

os principais resultados, as contribuições e limitações da pesquisa e

as sugestões para trabalhos futuros.

 

3.2 Empreendedorismo

 

Dolabela (1999) refere-se ao termo empreendedorismo como um

neologismo do termo inglês entrepreneurship, que é utilizado para

denominar os estudos referentes ao empreendedor, suas

características pessoais e suas ações. Salim e Silva (2010)

reforçam a visão de empreendedorismo de Dolabela, quando

defendem que o empreendedorismo é um movimento que focaliza

as ações do empreendedor. No entanto, esses autores concebem

empreendedorismo, além de como um campo de estudo, também

como um fenômeno. Um fenômeno que envolve todas as ações do

ser humano para explorar o seu ambiente, em busca da sua

sobrevivência. Por esse motivo, salientam que, como um fenômeno,

o empreendedorismo existe há muitos séculos.

Esse fenômeno tem sido estudado, em especial, por duas

correntes principais: os comportamentalistas, nos quais se incluem

os psicólogos e sociólogos, e os economistas. Os

comportamentalistas concebem o empreendedorismo como uma

forma de realização humana, em que os sonhos são transformados

em realidade quando há motivação e instrumentação adequada para isso. Já os economistas consideram o empreendedorismo

como catalizador na geração de trabalho e renda, componentes

fundamentais para o desenvolvimento econômico e social de uma

nação.

Nessa mesma linha, Mello e Cordeiro (2010) explicam que os

comportamentalistas buscam identificar traços comuns que

caracterizam a pessoa do empreendedor, o sujeito do

empreendedorismo. Por outro lado, os economistas buscam estudar

a influência das ações desse sujeito no desenvolvimento

econômico.

A ação de empreender refere-se ao processo que se inicia com a

identificação de uma oportunidade, passa pela geração de uma

ideia de negócio até a sua concretização. Ou seja, a ação de

empreender envolve o desenvolvimento e a operacionalização de

uma oportunidade de negócio, a transformação de uma ideia em

realidade.

Com esse enfoque, o Global Entrepreneurship Monitor (GEM,

2011, p. 18) conceitua empreendedorismo como

 

[...] um processo que compreende as diferentes fases de desenvolvimento

dos empreendimentos, desde a intenção de iniciar um negócio, passando

pelo processo de efetivamente iniciá-lo (empreendedores de negócios

nascentes com até três meses) e chegando ao estágio de administrar esse

negócio seja num momento ainda inicial (empreendedores de negócios

novos com até 42 meses) ou já estabelecido (empreendedores de negócios

estabelecidos).

 

A concepção de empreendedorismo como um processo tem sido

advogada por muitos autores (BARON; SHANE, 2007; DORNELAS,

2001; FILION, 2004; HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2009;

MENDES, 2009). No entanto, em relação ao GEM (2011), esses

autores enfatizam e acrescentam um componente importante ao

conceito de empreendedorismo como um processo: a agregação de

valor.

Segundo Dornelas (2001), o empreendedorismo refere-se ao

processo de criação de algo novo, de valor que requer do seu

sujeito devoção, comprometimento, esforço e ousadia para assumir

riscos calculados e lidar com as adversidades inerentes ao ambiente de mercado. Filion (2004) conceitua empreendedorismo como um

processo pelo qual se realiza algo novo, criativo e inovador, com o

intuito de gerar riqueza e agregar valor para uma sociedade e seus

indivíduos.

Mendes (2009) e Hisrich, Peters e Shepherd (2009)

complementam os autores do parágrafo anterior quando esclarecem

que a riqueza é criada pelo sujeito do empreendedorismo. Esse

sujeito assume os riscos emocionais e monetários diante da

incerteza em relação ao resultado dessa ação; dedica tempo e

esforços para criar valor, por meio da oferta de bens ou serviços, em

um mercado; e, por conseguinte, numa visão otimista, usufrui de

suas recompensas, principalmente a independência pessoal e

financeira. Os bens ou serviços podem não ser únicos e novos, mas

precisam oferecer valor ao mercado, integrando e explorando as

habilidades e os recursos necessários para isso.

Essa concepção do sujeito do empreendedorismo corrobora com

a definição clássica de empreendedor de Schumpeter (1949, 2002).

Para ele, o empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica

existente pela exploração e pela recombinação de recursos novos e

já existentes, na criação de novos bens e serviços, novos sistemas

e processos produtivos e novas tecnologias. Assim, o

empreendedor cria riqueza por meio da inovação, transformando o

equilíbrio estático em um processo dinâmico de desenvolvimento

econômico.

Com essa definição, Schumpeter (1949; 2002) concebe o

empreendedorismo como o processo de destruição criativa. Ele

desenvolveu o conceito de destruição criadora para explicar quando

velhas estruturas de mercado são destruídas pela entrada

competitiva de novas combina- ções inovadoras, que impulsionam a

dinâmica evolutiva da economia. Como salientam Souza e Silva

(2011) e Harvey, Kiessling e Moeller (2010), ao propor o conceito de

destruição criadora, Schumpeter ressalta o papel das inovações no

processo empreendedor e a influência desse fenômeno para o

desenvolvimento econômico.

Por sua vez, Baron e Shane (2007) também definem

empreendedorismo com um processo, uma cadeia de eventos e

atividades, que vai desde a geração de uma ideia de algo novo – seja um produto, uma tecnologia, um mercado, um processo

produtivo, uma matéria-prima ou uma combinação destes – até a

transformação dessa ideia em um negócio. Entretanto, acrescentam

que esse processo é influenciado por fatores individuais,

relacionados às características pessoais do empreendedor; por

fatores grupais, que envolvem as relações do empreendedor com

outras pessoas, tais como sócios, clientes e credores; e por fatores

sociais, que são aqueles que permeiam a sociedade como um todo,

tais como os fatores econômicos, tecnológicos, políticos e culturais.

Esses três fatores, individuais, grupais e sociais, desempenham um

papel igualmente importante em todas as fases do processo de

empreender. Isso significa que, para compreender o

empreendedorismo como um processo, uma cadeia de eventos e

atividades na qual os empreendedores se envolvem, esses três

fatores precisam ser igualmente considerados.

Desta forma, o empreendedorismo também pode ser visto como

uma área de negócios que busca entender como surgem as

oportunidades e as ideias de negócios e como os novos produtos,

mercados, processos produtivos, matérias-primas e tecnologias são

combinados e recombinados para gerar algo novo (BARON;

SHANE, 2007; FIORIN; MELLO; MACHADO, 2010). Essa

concepção retorna à definição inicial de Dolabela (1999) e Salim e

Silva (2010), do empreendedorismo como um campo de estudo das

atividades nas quais os empreendedores se envolvem, daquilo que

o sujeito do empreendedorismo faz, sem, no entanto, desconsiderar

as idiossincrasias desse sujeito e o contexto social, político,

tecnológico, econômico e cultural no qual esse sujeito está inserido.

 

3.3 Perfil empreendedor

 

Para Dolabela (1999, p. 68), o perfil empreendedor refere-se a um

conjunto de características intrínsecas ao empreendedor. Em suas

palavras,

 

O empreendedor é alguém de define por si mesmo o que vai fazer e em que

contexto será feito. Ao definir o que vai fazer, ele leva em conta seus sonhos,

desejos, preferencias, o estilo de vida que quer ter. Desta forma, consegue

dedicar-se intensamente, já que seu trabalho se confunde com o prazer.

 

Assim, empreendedores vivem em função do alcance das metas

estabelecidas por eles mesmos e estão sempre dispostos a

aprender. Usam os desafios como forma de estimular a criatividade,

com a finalidade de obter o sucesso. Com a necessidade e o

estímulo de vencer todas as dificuldades, os empreendedores

pagam um preço pelo sacrifício pessoal para obter o sucesso, bem

como têm como característica o inconformismo com a monotonia e

estão sempre angustiados por mudanças (DEGEN, 2009).

Para Santos (2008), a personalidade e a motivação são os

constituintes que influenciam no êxito ou no fracasso de um

empreendedor. Com esse pensamento, ele defende que os

empreendedores não nascem prontos, são desenvolvidos pela

combinação de características, inatas e adquiridas. Tais

características estão relacionadas as suas necessidades, seu

conhecimento e seus valores.

Com base nessas características, Santos (2008) desenvolveu e

validou uma escala, mediante a qual é possível mensurar o perfil

empreendedor de uma pessoa. Essa escala se constitui de duas

partes: intenção de empreender e potencial empreendedor. De

acordo com Rocha e Freitas (2014), uma escala que mensura o

perfil empreendedor e não apenas a intenção de empreender

ameniza as limitações dessa última variável, na análise da eficácia

da educação empreendedora.

A primeira parte busca prever a intenção de possuir, tanto come-

çando seu negócio do zero, quanto adquirindo-o de outra pessoa. A

segunda parte examina o potencial empreendedor, que é constituído

pelos seguintes fatores: oportunidade, persistência, eficiência,

informações, planejamento, metas, controle, persuasão e rede de

relações (SANTOS, 2008; SANTOS; CAETANO; CURRAL, 2010;

MORAIS, 2013). A seguir, cada um desses fatores será detalhado.

O fator oportunidade está relacionado à capacidade de identificar

oportunidades. Esse fator refere-se à capacidade de uma pessoa

estar atenta aos acontecimentos ao seu redor e identificar as necessidades do mercado, sendo capaz de se aproveitar de

situações inusitadas para iniciar novas atividades ou negócios.

O fator persistência, por sua vez, diz respeito à capacidade de se

manter firme na busca do sucesso, sendo persistente em seus

objetivos e metas, superando todos os obstáculos pelo caminho

para alcançar o sucesso. Mas é importante distinguir a diferença

entre teimosia e persistência e, quando necessário, admitir erros e

traçar novas metas e estratégias.

O fator eficiência consiste na capacidade de se fazer as coisas de

forma correta e proporcionar uma eficaz elaboração de planos de

mudanças, quando necessário, com a finalidade de se adequar às

mudanças do ambiente. Esse fator está relacionado à capacidade

de tornar mais eficiente, em outras palavras, pôr em prática formas

de fazer as coisas melhor, de modo mais barato e rápido. Dito de

outra forma, esse fator é também relacionado à capacidade de

desenvolver e utilizar procedimentos que assegurem que a tarefa

seja realizada em tempo hábil.

O fator informações refere-se à disponibilidade em aprender

coisas novas e demonstrar avidez em obter mais conhecimentos.

Esse fator está ligado ao interesse e à busca de uma pessoa por

informações que sejam relevantes para sua área de atuação. Em

outras palavras, avalia o quanto a pessoa é ligada aos fatores

ambientais, internos e externos, relacionados à sua

organização/empresa.

Em adição, o fator planejamento está relacionado à capacidade

de planejar as atividades a partir dos objetivos definidos, de forma

detalhada. Também está ligado à capacidade de uma pessoa de

integrar planejamento, execução e controle da atividade executada.

Outro fator são as metas, que focam na capacidade de mostrar

determinação, senso de direção. Estabelecer objetivos e metas que

definam de forma clara aonde se pretende chegar é característica

desse fator.

O fator controle faz referência à capacidade de acompanhar a

execução dos planos elaborados, mantendo registros e utilizando-os

para o processo de tomada de decisão. Em outras palavras, é ter

consciência da necessidade de verificar o processo executado e,

quando necessário, realizar adaptações e mudanças.

No fator persuasão, está em foco a habilidade de induzir outras

pessoas a executar as tarefas ou ações que sejam necessárias ao

alcance de seu objetivo. Ou seja, trata-se da capacidade de

convencer e inspirar pessoas, liderar e estimular a equipe por meio

de palavras e ações.

Por fim, o fator rede de relações refere-se à habilidade de

estabelecer contatos com todos aqueles que, direta ou

indiretamente, possam ser úteis para o alcance de seus objetivos,

montando, assim, uma boa rede de relacionamento. Logo, é a

capacidade de desempenhar boas relações com pessoas

importantes, tanto no âmbito comercial quanto no pessoal.

 

3.4 Ensino do empreendedorismo nas

 

IES e nas engenharias

 

Os empreendedores são identificados com relação às

características de inovação e reconhecimento de oportunidades.

Para compreender o empreendedorismo, é importante entender

como os empreendedores desenvolvem suas competências.

Também é necessário compreender como ocorre o processo de

aprendizagem empreendedora, uma vez que a literatura já tem dado

e comprovado evidências suficientes dessa inter-relação.

Para consolidar a importância do ensino do empreendedorismo,

Hisrich, Peters e Shepherd (2009, p. 27) ressaltam que: “Segundo

pesquisas, os indivíduos que estudam o empreendedorismo têm de

3 a 4 vezes mais chances de iniciar seu próprio negócio e ganharam

de 20 a 30% mais do que os estudantes de outras áreas.” Em

adição, um estudo realizado na cidade de Fortaleza, CE, com 407

graduandos em Administração de Empresa, mostra evidências de

que aqueles que participaram de atividades educacionais de

formação em empreendedorismo apresentaram alterações

significativas e positivas no desenvolvimento de seu perfil

empreendedor (ROCHA; FREITAS, 2014).

Segundo Dolabela (1999), um modelo de metodologia para o

ensino do empreendedorismo deve ser inspirado nos processos de aprendizagem utilizados pelo empreendedor real, pois, para se

alcançar a didática adequada para a área de empreendedorismo, é

preciso que o processo de aprendizado seja teimosamente

contextualizado. Ele ainda defende que a relação universidade-

empresa é indispensável para a formação de empreendedores. Mas

essas parcerias ainda são rudimentares no Brasil. Nesse contexto,

as IES devem favorecer a democratização do ensino do

empreendedorismo, bem como as suas geração e difusão, de forma

que as necessidades sejam devidamente ampliadas (SANTOS,

2005). Segundo Dornelas (2001), as IES, para desenvolverem o

espírito empreendedor, devem focar na identificação e no

entendimento das habilidades do empreendedor, como forma de

contribuir para o desenvolvimento econômico e social do país.

Atualmente, nas IES, existe um movimento de introdução à

cultura empreendedora. Em complemento, outras instituições, como

o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas

(Sebrae), vêm desempenhando papel importante com relação ao

movimento, em parceira com o MEC (FILION, 1999; DOLABELA,

1999).

As Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação

em Engenharia, instituída pelo CNE, reforçam a importância da

adoção, pelas IES, em especial aquelas que oferecem cursos de

engenharia, de práticas de ensino-aprendizagem que desenvolvam

caraterísticas empreendedoras em seus egressos (BRASIL, 2002).

Dessa forma, os objetivos propostos de ensino-aprendizagem

devem levar o egresso a desenvolver competências que vão ao

encontro dos conhecimentos, habilidades e atitudes que compõem o

sujeito empreendedor, uma vez que, nas palavras de Oliveira et al.

(2013, p. 54),

 

[...] verificaram-se grandes mudanças em todos os setores de aplicação da

Engenharia nestes últimos dois séculos. Para acompanhar essas mudanças

não basta mais saber, é necessário saber o que fazer com o que se aprende

nos cursos. O perfil profissional tem sofrido alterações superando a condição

anterior de um profissional expert em cálculos, construtor ou solucionador de

problemas, para um profissional cidadão, com habilidades, competências e

atributos que o tornem capaz de atender as exigências atuais, como um

projetista de soluções de problemas multidisciplinares e complexos.

Jusob et al. (2013) e Patnaik (2014) também discutem o papel da

educação no desenvolvimento de um engenheiro empreendedor.

Seus argumentos partem da premissa de que, em um contexto no

qual o ciclo de vida dos produtos e das tecnologias vem diminuindo

a cada dia, a capacidade de enfrentar problemas e encontrar,

transferir e compartilhar soluções, de forma ágil e adequada, é

crucial para a manutenção de um negócio no mercado.

 

3.5 Procedimentos metodológicos

 

Para responder ao problema de pesquisa proposto, adotou-se

uma pesquisa descritiva. Segundo Gil (2010), a pesquisa descritiva

tem por objetivo primordial a descrição das características de

determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de

relações entre variáveis. Pelo exposto, a pesquisa descritiva

apresenta-se como a mais adequada para atender ao objetivo de

avaliar o perfil empreendedor dos concluintes dos cursos de

engenharia oferecidos pelas IES de Mossoró, RN. Dessa forma, o

universo utilizado para a realização do trabalho foram os concluintes

dos cursos de engenharia, nos semestres 2014.1 e 2014.2, de duas

IES, sendo uma pública e uma privada, que oferecem cursos de

engenharia em Mossoró, RN.

Com base no número de concluintes dos dois semestres

anteriores, ou seja, dos semestres de 2013.1 e 2013.2, foi possível

estimar o número total de 262 concluintes nos semestres 2014.1 e

2014.2. Na Tabela 2, apresenta-se a amostra em relação ao número

total estimado para cada curso e IES. Desse modo, encontra-se, na

primeira coluna, para cada curso/IES, o número total estimado (P) e,

na segunda coluna, o número de questionários válidos para compor

a amostra (A).

A IES pública oferece oito cursos de engenharia. Contudo, os

cursos de Engenharia Florestal e Engenharia de Pesca não foram

contemplados nesta pesquisa. Foram coletados 43 questionários

nos seis cursos contemplados na pesquisa, quais sejam:

Engenharia Civil, Engenharia de Produção, Engenharia Mecânica,

Engenharia de Energia, Engenharia de Petróleo e Engenharia Química. Três questionários foram eliminados por estarem com mais

de 50% das questões não respondidas, resultando em 40

questionários válidos.

A IES privada não oferece os cursos de Engenharia Mecânica,

Engenharia de Energia, Engenharia de Petróleo e Engenharia

Química, bem como não possui turmas no último período em

Engenharia de Produção e Engenharia Civil. Nessa instituição,

foram coletados 56 questionários. No entanto, quatro questionários

foram eliminados por estarem com mais de 50% de questões

incompletas. Por esse motivo, 52 questionários foram considerados

válidos.

Dessa forma, a amostra deste estudo constituiu-se de 92

concluintes dos cursos de engenharia, oferecidos pelas IES de

Mossoró, nos semestres 2014.1 e 2014.2, sendo 42,4% de

concluintes da IES pública e 57,6% de concluintes da IES privada.

Os cursos de Engenharia Civil e de Produção têm maior quantidade

de questionários, pois são os cursos oferecidos nas duas

instituições.

 

Tabela 2 – População e amostra por Curso e IES

Curso/ Eng. Eng. de Eng. Eng. de Eng. de Eng. Tot

IES Civil Produção Mecânica Energia Petróleo Química

P A P A P A P A P A P A P

Pública 50 6 24 17 40 4 17 5 6 1 35 7 172

 

Privada 90 40 0 12 - - - - - - - - 90

Total 140 46 24 29 40 4 17 5 6 1 35 7 262

Fonte: Dados da pesquisa (2014).

 

Para mensurar o perfil empreendedor dos concluintes, foi

utilizado, como instrumento de coleta de dados, um questionário elaborado por Santos (2008), validado em sua tese de doutorado e

revalidado nos Trabalhos de Conclusão de Curso de Pinheiro (2013)

e Morais (2013). Esse instrumento constitui-se de cenários que

agem como facilitadores da compreensão daqueles que respondem

ao questionário.

O questionário possui 49 itens, que são afirmações sobre

características empreendedoras, sendo os quatro primeiros

destinados a medir a intenção de empreender e os 45 restantes

destinados a medir o potencial empreendedor. Os 45 itens, que

medem o potencial empreendedor, estão subdivididos em nove

fatores: oportunidade (5 itens), persistência (6 itens), eficiência (3

itens), informações (5 itens), planejamento (4 itens), metas (7 itens),

controle (5 itens), persuasão (6 itens) e rede de relações (4 itens).

Em cada item, foi solicitado aos respondentes atribuir uma nota de 0

a 10, conforme o grau de afinidade com a situação apresentada. O

questionário utilizado encontra-se no final deste trabalho.

Para possibilitar a caracterização da amostra, adicionou-se ao

questionário de Santos (2008), em seu verso, outro questionário,

adaptado de Morais (2013). Essa adaptação envolveu a exclusão de

questões desnecessárias para este trabalho. Essas características

consistiram em informações demográficas sobre gênero, idade,

renda familiar, nível de escolaridade dos pais, entre outros.

Primeiro, foi feito um levantamento nos sites das IES, para

identificar os coordenadores de cada curso de Engenharia. Em

seguida, o primeiro contato foi realizado por e-mail e,

posteriormente, com reunião presencial. A partir dessas reuniões,

decidiu-se com os coordenadores dos cursos de Engenharia Civil e

de Engenharia de Produção da IES privada que a aplicação dos

questionários seria realizada por meio impresso. Para tanto, os

coordenadores de cada curso informaram os dia e horário em que

os concluintes estariam reunidos na instituição para a realização

dessa coleta. Já com os coordenadores dos cursos de Engenharia

da IES pública, foi solicitada uma lista de e-mail dos discentes

matriculados no nono e no décimo período dos cursos de

engenharia, para que os questionários fossem enviados e

respondidos via on-line, por meio do Google Docs, tendo em vista

que os concluintes dos cursos de engenharia da IES pública não têm mais aulas presenciais e ficaria difícil o contato pessoal com a

maioria deles. Assim, os questionários foram respondidos no

período de 31 de maio de 2014 a 26 de junho de 2014, de forma

impressa, via e-mail e/ou ferramenta online, com índice de resposta

de mais de 35%.

Para a tabulação dos dados obtidos por meio do questionário, foi

utilizada uma planilha do programa Microsoft Excel. Após a

tabulação dos dados, foi iniciada a estratégia de análise, com o

auxílio do software IBM SPSS Statistics, v. 24.0. Foram feitos testes

de confiabilidade da escala (coeficiente alfa de Cronbach);

estatística descritiva; comparativo entre médias e teste de amostras

independentes (teste t de Student).

 

3.6 Apresentação e análise dos dados

 

O alfa de Cronbach (α) é uma das estimativas da confiabilidade

de um questionário que tenha sido aplicado em uma pesquisa. Em

geral, considera-se satisfatório um instrumento de pesquisa que

obtenha α ≥ 0,750 (FREITAS; RODRIGUES, 2005). Os valores do

alfa de Cronbach para as escalas de Intenção de empreender e de

Potencial empreendedor foram acima de 0,800, sendo assim

consideradas de alta confiabilidade.

Em relação à amostra, 61,5% dos respondentes são do sexo

masculino e 38,5% do sexo feminino. Desses, 63,7% são solteiros,

31,9% são casados e 4,4% são separados. Com relação à religião

dos respondentes, 59,3% se consideram católicos, 30,8%

evangélicos e 9,9% afirmam ter outra religião. A idade daqueles que

responderam ao questionário varia de 19 a 50 anos, sendo que 57%

dos respondentes estão com idade ente 21 e 25 anos. Quanto ao

nível de escolaridade, 92,3% dos respondentes tê nível superior

incompleto e 7,7% dos concluintes já possuem outra graduação.

Com relação à ocupação dos concluintes, na IES privada, 41%

dos concluintes são empregados assalariados, enquanto 16,1% são

estagiários e os outros 42,9% responderam a outras opções. Já na

IES pública, 35% dos concluintes são apenas estagiários, 25% são bolsistas de projetos de extensão ou de pesquisa e os outros 40%

responderam a outras opções para a ocupação.

Quanto à escolaridade dos pais, a maior significância é para

aqueles que afirmam que seus pais possuem ensino médio

completo, sendo 79,8% para o pai e 68,2% para a mãe. Assim, mais

de 50% dos respondentes têm seu pai empregado em empresa

privada ou como autônomo e mais de 40% dos respondentes

possuem mães funcionárias públicas ou autônomas.

Para a análise comparativa de médias por curso, foi descartado o

curso de Engenharia de Petróleo, pois apenas um questionário foi

respondido, inviabilizando sua utilização para esta análise. Os

fatores persistência, oportunidade, eficiência, informações,

planejamento, metas, controle, persuasão e rede de

relacionamentos integram o fator potencial empreendedor. A partir

da análise dos dados apresentados na Tabela 3, observou-se que

apenas o curso de Engenharia Civil da IES privada tem média

superior à média geral para o fator intenção de empreender, e que

os cursos de Engenharia de Produção e Engenharia Civil da IES

privada e Engenharia Química da IES pública têm médias acima da

média geral para o fator potencial de empreender.

 

Tabela 3 – Análise comparativa de méd

 

Cursos

 

Fatores Engenharia Engenharia Engenharia Engenharia En

Civil IES Civil IES de de M

pública privada Produção Produção IE

IES pública IES privada

 

Fonte Intenção de 7,167 8,039 7,261 7,188 : Dados da pesquisa (2014).

d

empreender

 

Persistência Cursos 9,110 9,073 8,156 9,111

 

Fatores Oportunidade 7,133 8,088 7,560 8,400 Engenharia Engenharia Engenharia Engenharia En

Eficiência Civil IES 9,528 Civil IES 9,268 de 8,600 de 8,500 M

Informações pública privada Produção Produção IE 9,233 9,141 8,707 9,067

IES pública IES privada

Planejamento 7,792 8,128 7,017 8,500

 

Metas 7,595 8,753 7,905 8,595

 

Controle 7,533 8,351 7,107 8,667

Persuasão 7,278 8,358 7,531 8,569

 

Rede de 7,208 8,866 8,933 8,563

Relações

 

Potencial 7,989 8,656 7,908 8,681

Empreendedor

Fonte: Dados da pesquisa (2014).

 

Na sequência, foi feito um comparativo de média por IES, com o

Teste t para igualdade de média e o Teste de Levene para igualdade

de variâncias. Nesses casos, se a significância do teste for ≤ 0.05,

considera-se o t de variâncias iguais não assumidas; do contrário,

se a significância do teste for > 0.05, considera-se o t de variâncias

iguais assumidas. Para esta análise, levaram-se em consideração

apenas os cursos correspondentes oferecidos em ambas, no caso

os cursos de Engenharia Civil e de Engenharia de Produção. Assim,

primeiro foi feito o comparativo de média geral por IES, depois por

cada curso.

Os dados apresentados na Tabela 4 mostram que a diferença

entre as médias (t) dos cursos de Engenharia nas duas IES teve

índice de significância de 99% para os fatores planejamento, metas,

controle, persuasão e potencial empreendedor e de 95% para o

fator persistência. Ao comparar as médias apresentadas na Tabela

5, pode-se afirmar que as médias da IES privada para todos esses

fatores foram superiores às médias obtidas na IES pública.

 

Tabela 4 Teste t de amostras independentes: IES pública e IES priv Tabela 4 – Teste t de amostras independentes: IES pública e IES priv

Teste de

Levene

 

para Teste-t para Igualdade de Médias Igualdade

de

Variâncias

Z Sig. t df Sig. (2 Diferença Err

ext. Média Pad

de

Difere

 

Empreender 0,247 0,620 Intenção de ¹ -1,002 72,000 0,320 -0,6118 0,610

² -1,048 40,554 0,301 -0,6118 0,593

 

Persistência ¹ -2,233 72,000 **0,029-0,6532 0,292

0,353 0,554

² -2,117 33,095 **0,042 -0,6532 0,308

Oportunidade ¹ -1,943 72,000 0,056 -0,7204 0,370

1,309 0,256

² -1,700 28,893 0,100 -0,7204 0,423

 

Eficiência ¹ -0,804 72,000 0,424 -0,2293 0,285

0,240 0,626

² -0,763 33,104 0,451 -0,2293 0,300

 

Informações ¹ -1,151 72,000 0,253 -0,2674 0,232

0,106 0,745

² -1,134 36,652 0,264 -0,2674 0,235

 

Planejamento ¹ -2,573 72,000 ***0,012-0,9742 0,378

1,466 0,230

² -2,436 33,041 **0,020 -0,9742 0,399

Metas ¹ -3,296 72,000 ***0,002-0,9007 0,273

0,006 0,936

² -3,110 32,828 ***0,004 -0,9007 0,289

 

Controle ¹ -2,936 72,000 ***0,004-1,1941 0,406

0,785 0,379

² -2,857 34,806 ***0,007 -1,1941 0,417

 

¹ Variâncias iguais assumidas; ² Variâncias iguais não assumidas Persuasão ¹ -2,574 72,000 ***0,012-0,9469 0,367 1,061 0,306 ²-2,225 28,806 **0,031 -0,9469 0,425 ** Índice de significância de 95%; *** Índice de significância de 99%.

Fonte Rede de : Dados da pesquisa (2014). ¹-0,423 72,000 0,673 -0,3567 0,843

4 288 0 042

Relações 4,288 0,042 ²-0,276 20,717 0,785 -0,3567 1,292

 

Empreendedor 0,003 0,958 Potencial ¹ -3,177 72,000 ***0,002-0,7306 0,229

² -2,964 32,110 ***0,006 -0,7306 0,246

¹ Variâncias iguais assumidas; ² Variâncias iguais não assumidas

** Índice de significância de 95%; *** Índice de significância de 99%.

Fonte: Dados da pesquisa (2014).

 

Tabela 5 – Análise comparativa de médias por IES

FATORES IES

 

IES Pública IES Privada

 

Intenção de empreender 7,234 7,846

 

Oportunidade 7,438 8,158

 

Persistência 8,429 9,082

 

Eficiência 8,865 9,125

 

Informações 8,857 9,125

 

Planejamento 7,238 8,212

 

Metas 7,816 8,717

 

Controle 7,229 8,423

 

Persuasão 7,459 8,406

 

Rede de Relações 8,440 8,797

 

Potencial Empreendedor 7,931 8,662

Fonte: Dados da pesquisa (2014).

 

No entanto, os dados comparados por cursos similares

apresentam novos resultados. Os dados da Tabela 6 mostram que a

diferença entre as médias (t) dos cursos de Engenharia Civil nas

duas IES teve índice de significância de 99% para o fator eficiência

e de 95% para os fatores metas e rede de relações. Ao comparar as

médias apresentadas na Tabela 3, pode-se afirmar que o curso de Engenharia Civil da IES pública tem média de 9,528 para o fator

eficiência, versus a média de 9,268 para o curso de Engenharia Civil

da IES privada. Em contrapartida, o curso de Engenharia Civil da

IES privada tem média superior para os fatores metas e rede de

relações de 8,753 e 8,866 contra 7,595 e 7,208, respectivamente,

para o curso de Engenharia Civil da IES pública.

 

Tabela 6 - Teste t de amostras independentes: curso de Engenharia

IES pública e IES privada

Teste de

Levene

 

para Teste-t pra Igualdade de Média Igualdade

de

Variâncias

Z Sig. t df Sig. (2 Diferença E

ext.) Média Pa

d

Dife

 

Empreender 0,069 0,794 Intenção de ¹ -0,956 44,000 0,344 -0,9886 1,03

² -8,826 4,701 0,449 -0,9886 1,19

 

Persistência ¹ -1,898 44,000 0,064 -1,3678 0,72

15,175 0,000

² -1,069 4,216 0,342 -1,3678 1,27

 

Oportunidade ¹ 0,253 44,000 0,802 0,1268 0,50

1,693 0,200

² 0,454 10,018 0,659 0,1268 0,27

Eficiência ¹ 1,512 44,000 0,138 0,6317 0,41

4,898 0,032

² 3,602 26,450 ***0,001 0,6317 0,17

 

Informações ¹ 0,228 44,000 0,821 0,0985 0,43

0,462 0,500

² 0,277 5,734 0,792 0,0985 0,35

 

Planejamento ¹ -0,741 44,000 0,463 -0,5280 0,71

0,940 0,338

² -0,577 4,536 0,591 -0,5280 0,91

 

** Índice de significância de 95%; *** Índice de significância de 99% Metas ¹ -2,488 44,000 **0,017-1,1812 0,47 ¹ Variâncias iguais assumidas; ² Variâncias iguais não assumidas

1,336 0,254

Fonte: ² -1,959 4,551 0,113 -1,1812 0,60 Dados da pesquisa (2014).

Controle ¹ -0,660 44,000 0,512 -0,5112 0,77

0,017 0,898

² -0,628 4,903 0,558 -0,5112 0,81

 

Persuasão ¹ -1,844 44,000 0,072 -1,2911 0,70

7,620 0,008

² -0,976 4,178 0,382 -1,2911 1,32

 

Relações 6,621 0,014 Rede de ¹ -2,418 44,000 **0,020 -1,5159 0,62

² -1,247 4,164 0,278 -1,5159 1,21

 

Empreendedor 0,042 0,839 Potencial ¹ -1,723 44,000 0,092 -0,6786 0,39

² -1,658 4,929 0,159 -0,6786 0,40

¹ Variâncias iguais assumidas; ² Variâncias iguais não assumidas

** Índice de significância de 95%; *** Índice de significância de 99%

Fonte: Dados da pesquisa (2014).

 

Por fim, os dados apresentados na Tabela 7 possibilitam inferir

que, com um índice de significância de 99% para os fatores

planejamento e controle e de 95% para o fator persistência, a

diferença entre as médias do curso de Engenharia de Produção das

duas IES é significativa. Ao comparar as medias da Tabela 3, pode-

se afirmar que o curso de Engenharia de Produção da IES privada

tem média superior para todos esses fatores em relação à média do

curso de Engenharia de Produção da IES pública.

 

Tabela 7 - Teste t de amostras independentes: curso de Engenharia

Produção - IES pública e IES privada

Teste de

Levene

para

Teste-t pra Igualdade de Médias

Igualdade

de

Variâncias

Z Sig. t df Sig. (2 Diferença Err

extr ) Média Pad

extr.) Média Pad

de

Difere

 

Empreender 1,977 0,172 Intenção de ¹ 0,069 25,000 0,945 0,0736 1,059

² 0,067 18,630 0,948 0,0736 1,105

 

Persistência ¹ -1,976 25,000 **0,059-0,9556 0,483

0,000 0,676

² -2,020 24,962 **0,054 -0,9556 0,473

Oportunidade ¹ -1,709 25,000 0,100 -0,8400 0,491

0,179 0,993

² -0,728 24,541 0,097 -0,8400 0,486

 

Eficiência ¹ 0,203 25,000 0,841 0,1000 0,492

0,456 0,506

² 0,201 22,742 0,842 0,1000 0,497

 

Informações ¹ -1,027 25,000 0,314 -0,3600 0,350

0,369 0,549

² -1,054 25,000 0,302 -0,3600 0,341

 

Planejamento ¹ -2,690 25,000 ***0,013-1,4833 0,551

1,043 0,317

² -2,735 24,814 ***0,011 -1,4833 0,542

Metas ¹ 0,623 0,437-1,485 25,000 0,150 -0,6905 0,464

 

² -1,481 23,479 0,152 -0,6905 0,466

 

Controle ¹ -2,666 25,000 ***0,013-1,5600 0,585

1,434 0,242

² -2,744 24,986 ***0,011 -1,5600 0,568

 

Persuasão ¹ -1,926 25,000 0,066 -1,0383 0,589

0,107 0,746

² -1,930 23,883 0,066 -1,0383 0,538

 

Relações 1,026 0,321 Rede de ¹ 0,184 25,000 0,856 0,3708 2,017

² 0,204 16,139 0,841 0,3708 1,822

 

Empreendedor 0,003 0,958 Potencial ¹ -1,827 25,000 0,065 -0,7730 0,401

² -0,957 24,764 0,062 -0,7730 0,395

¹ Variâncias iguais assumidas; ² Variâncias iguais não assumidas

** Índice de significância de 95%; *** Índice de significância de 99%

Fonte: Dados da pesquisa (2014).

( )

 

Considerações finais

 

Utilizando o questionário de Santos (2008) como instrumento de

coleta de dados, foi possível mensurar a intenção de empreender e

o potencial empreendedor dos concluintes dos cursos de

engenharia oferecidos pelas IES de Mossoró, RN. A partir da

análise das médias dos fatores intenção de empreender e potencial

empreendedor por curso de Engenharia, observa-se que os

concluintes dos cursos de Engenharia Civil e Engenharia de

Produção apresentaram as maiores médias.

No entanto, levando-se em consideração os resultados

alcançados na análise de dados; realizada por meio do software

IBM SPSS Statistics, v. 24.0; sobre a diferença entre as médias (t)

por IES, não houve diferenças significativas com relação ao fator

intenção de empreender. Esses resultados corroboram com Rocha e

Freitas (2014), quando alertam que a medição desse fator é

inadequada para avaliar a eficácia do ensino de empreendedorismo

em graduandos. Em complemento, com base em uma metanálise

realizada com 73 estudos, Bae et al. (2014) concluem que não há

uma relação significativa entre intenção de empreender e educação

empreendedora quando variáveis pessoais, sociais e culturais são

controladas.

Por outro lado, constata-se que os concluintes da IES privada

apresentaram maiores médias para a escala total de potencial

empreendedor, se comparadas às médias dos concluintes da IES

pública, com um índice de significância de 99%. Esse fato pode ser

justificado, uma vez que mais de 40% dos concluintes dos cursos de

Engenharia da IES privada já estão inseridos no mercado de

trabalho, enquanto 60% dos concluintes da IES pública são apenas

bolsistas ou estagiários. Os primeiros, por já estarem inseridos no

mercado de trabalho, acabam desenvolvendo mais o espírito

empreendedor, uma vez que, segundo Dornelas (2001), o ensino do

empreendedorismo deve ser baseado na vivência real do empreendedor, para que assim absorvam mais das metodologias

voltadas para essa temática.

No entanto, ao realizar o comparativo de médias por curso, a

diferença entre as médias dos concluintes para o fator potencial

empreendedor já não se mostrou significativa. Especificamente para

o curso de Engenharia Civil, observou-se um t com índice de

significância de 99% para o fator eficiência. Isso significa que os

concluintes do curso de Engenharia Civil da IES pública se auto

avaliaram mais eficientes. Esse resultado se justifica pelo fato de

que os graduandos das engenharias da IES pública acabam por

terem maior necessidade de pôr em prática formas de fazer as

coisas melhor, de modo mais barato e mais rápido. Isso acontece

em virtude da sobrecarga de trabalhos e de avaliações acadêmicas

exigidas ao longo desse curso, uma vez que o fator eficiência está

relacionado à capacidade de desenvolver e utilizar procedimentos

que assegurem que a tarefa seja realizada em tempo hábil.

Por sua vez, o comparativo de média realizado para o curso de

Engenharia de Produção mostrou que os concluintes da IES privada

apresentaram médias superiores para os fatores planejamento e

controle, com um índice de significância de 99%, em relação aos

concluintes da IES pública. Novamente, esse resultado se justifica

devido aos concluintes de Engenharia de Produção da IES privada,

em sua grande maioria, já se encontrarem inseridos no mercado de

trabalho, ao passo que os concluintes da IES pública são

estudantes em tempo integral.

Espera-se que, com base nesses resultados, disciplinas voltadas

ao ensino do empreendedorismo sejam incrementadas nos cursos

de Engenharia, assim como proposto por Dolabela (1999). Bem

como, que esse ensino seja inspirado nos processos de

aprendizagem utilizados pelo empreendedor real, uma vez que, para

se alcançar a didática adequada para a área de empreendedorismo,

é preciso que o processo de aprendizado seja teimosamente

contextualizado. Ademais, acredita-se que, de posse dos resultados

extraídos com este trabalho, as IES possam destinar maior

interesse pelo desenvolvimento do empreendedorismo em seus

âmbitos, promovendo disciplinas voltadas ao tema, bem como atividades integradas, cursos de extensão e pesquisas relacionadas

ao assunto.

Por fim, os resultados desta pesquisa dão margem a muitos

questionamentos e instigam a realização de muitas outras

investigações. Pelo exposto, sugere-se a realização de pesquisas

com o intuito de medir a intenção e o potencial empreendedor dos

graduandos de outros cursos, tais como Administração e Economia.

Além disso, seria interessante investigar a influência de fatores

individuais e ambientais no desenvolvimento do perfil

empreendedor. Por fim, um estudo mais aprofundado e

complementar nessas mesmas instituições e cursos para identificar

suas práticas de ensino voltadas para o desenvolvimento do

empreendedorismo seria de grande valia para a construção de

conhecimento científico sobre o tema.

 

Referências

 

BARON, R. A; SHANE, S. A. Empreendedorismo: uma visão de

processo. São Paulo: Thomson Learning, 2007.

 

BAE, T. J; QIAN, S; MIAO, C; FIET, J. O. The relationship between

entrepreneurship education and entrepreneurial intentions: a meta-

analytic review. Entrepreneurship Theory and Practice, v. 38, n. 2,

p. 217-254, 2014.

 

BRASIL. Conselho Nacional de Educação (CNE). Diretrizes

Curriculares dos Cursos de Engenharia. Diário Oficial [da]

República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 11

mar. 2002.

 

DEGEN, R. J. O empreendedor: empreender como opção de

carreira. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009.

 

DOLABELA, F. Oficina do empreendedor. São Paulo: Cultura

Editora Associados, 1999.

 

DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo: transformando ideias

em negócios. Rio de Janeiro: Elsevier, 2001.

FILION, L. J. Empreendedorismo: empreendedores e proprietários-

gerentes de pequenos negócios. Revista de Administração, v. 34,

n. 2, p. 5-28, 1999.

 

FILION, L. J. Entendendo os intraempreendedores como visionistas.

Revista de Negócios, Blumenau, v. 9, n. 2, p. 65-80, 2004.

 

FIORIN, M. M. B; MELLO, C. M. de; MACHADO, H. V.

Empreendedorismo e inovação: análise dos índices de inovação dos

empreendimentos brasileiros com base nos relatórios do GEM de

2006, 2007 e 2008. Revista de Administração, v. 3, n. 3, p. 411-

423, 2010.

 

FREITAS, A. L. P.; RODRIGUES, S. G.. A avaliação da

confiabilidade de questionários: uma análise utilizando o coeficiente

alfa de Cronbach. In: SIMPEP - SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DE

PRODUÇÃO, 12, 2005, Bauru (SP). Anais... Bauru (SP): UNESP,

2005. Sem paginação

 

GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR. Empreendedorismo

no Brasil: 2011, IBQP, 2011.

 

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo:

Atlas S.A., 2010.

 

HARVEY, M; KIESSLING, T; MOELLER, M. A view of

entrepreneuship and innovation from the economist for “all seasons”:

Joseph S. Schumpeter. Journal of Management History, v. 16, n.

4, p. 527-531, 2010.

 

HISRICH, R. D; PETERS, M. P; SHEPHERD, D. A.

Empreendedorismo. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009.

 

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em:

<http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?

lang=&codmun=240800&search=rio-grande-do-

norte|mossoro|infograficos:-informacoes-completas>. Acesso em: 04

fev. 2015.

 

JUSOB, R; HUSSAIN, A. H; RAHMAN, F. A; ANI, A. I. C; HUSSIN,

H. Towards creating a nation of engineerpreneur. International Journal of Social, Management, Economics and Business

Engineering, v. 7, n. 10, p. 1537-1540, 2013.

 

MELHADO, J. P; MILLER A. Empreendedorismo nas

Universidades Brasileiras 2012. São Paulo: Endeavor. Brasil,

2012.

 

MELLO, S. C. B. de; CORDEIRO, A. T. Investigando novas

articulações e possibilidades no discurso empreendedor: contexto,

sujeito e ação. O & S. Salvador, v. 17, n. 53, p. 279-295, 2010.

Disponível em: <http://www.revistaoes.ufba.br>. Acesso em: 08 ago.

2012.

 

MENDES, J. Manual do empreendedor. São Paulo. Atlas, 2009.

 

MORAIS, A. R. A relação entre intenção e potencial de

empreender e características demográficas. 2013. 48 f. Trabalho

de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciência e Tecnologia)-.

Universidade Federal do Semiárido, Mossoró, 2013.

 

OLIVEIRA, V. F. de; ALMEIDA, N. N. de; CARVALHO, D. M. de;

PEREIRA, F. A. A. Um estudo sobre a expansão da formação em

engenharia no Brasil. Revista de Ensino de Engenharia, v. 32, n.

3, p. 37-56, 2013.

 

PATNAIK, A. Need of entrepreneurship development education for

engineers. International Journal of Latest Trends in Engineering,

Science and Technology, v 1, n. 6, p. 1-3, 2014.

 

PINHEIRO, J. T. R. Influência do ensino do empreendedorismo

nas IES para o desenvolvimento da intenção e do potencial de

empreender dos estudantes de engenharia. 2013. 52 f. Trabalho

de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciência e Tecnologia) -

Universidade Federal do Semiárido, Mossoró, 2013.

 

ROCHA, E. L. de C; FREITAS, A. A. F. Avaliação do Ensino de

Empreendedorismo entre Estudantes Universitários por meio do

Perfil Empreendedor. RAC - Revista de Administração

Contemporânea, v. 18, n. 4, p. 465-486, 2014. SCHUMPETER, J. A. Economic theory and entrepreneurial history,

1949, p. 63-84. In: Idéias fundadoras. Revista Brasileira de

Inovação, v. 1, n. 2, p. 201-224, 2002.

 

SALIM, C. S; SILVA, N. C. Introdução ao empreendedorismo:

despertando a atitude empreendedora. Rio de Janeiro: Elsevier,

2010.

 

SANTOS, S. C; CAETANO, A; CURRAL, L. Atitude dos estudantes

universitários face ao empreendedorismo: como identificar o

potencial empreendedor? Revista Portuguesa e Brasileira de

Gestão, v. 9. n. 4, p. 2-14, 2010.

 

SANTOS, M. S. A atuação da Universidade na formação do

engenheiro de produção com perfil empreendedor. In:

CONGRESSO BRASILEIRO DE ENSINO DE ENGENHARIA, 33,

2005. Campina Grande. Anais... Campina Grande: UFCG, 2005.

 

SANTOS, P. C. F. Uma escala para identificar potencial

empreendedor. 2008. 366 f. Tese (Doutorado em Engenharia de

Produção) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis,

2008.

 

SOUZA, J. R. M. de; SILVA, C. E. Metodologias de estímulo à

criatividade e inovação no desenvolvimento de empreendedores:

uma revisão teórica. Revista Brasileira de Administração

Científica, v. 2, n. 1, p. 68-86, 2011.