Empreendedorismo no semiárido

Agostinha Mafalda Barra de Oliveira · Capítulo 9 de 9

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Empreendedorismo no semiárido

Capítulo 7 – A influência do SEBRAE na ação empreendedora do microempreendedor individual da cidade de Mossoró/RN

Capítulo 7 – A influência do

 

sebrae na ação empreendedora

 

do microempreendedor

 

individual da cidade de

 

Mossoró/RN

 

Niágara Aires Nogueira, Ana Maria Magalhães Correia

 

7.1 Introdução

 

As mudanças tecnológicas, suas inovações e a economia cobram

dos empreendedores a postura de seguirem novos paradigmas,

gerando emprego, criando novas relações de trabalho e

desenvolvendo nossa sociedade (DORNELAS, 2005). Assim, a

atuação empreendedora está profundamente incluída no contexto

social e tecnológico no qual o empreendedor está inserido.

Nesse sentido, o tema empreendedorismo definitivamente ganhou

espaço nos últimos anos, tanto no meio acadêmico, com a produção

de inúmeros trabalhos, quanto nas discussões econômicas, no qual

passou a ser considerado de importância relevante na formulação

de políticas governamentais voltadas para o desenvolvimento dos

países. Existe, atualmente, claro entendimento de que tanto a ação

empreendedora quanto o agente responsável por ela, o

empreendedor, são fundamentais para o crescimento econômico e

para a geração de riqueza e empregos em uma sociedade (SILVA;

GOMES; CORREIA, 2009).

Para Dornelas (2005), empreendedorismo é a junção de pessoas

e processos que, integrados, resultam em ideias transformadas em

oportunidades. E isso, em consequência, ocasiona a criação de novos negócios de sucesso. Nesse sentido, Schumpeter (1949,

apud DORNELAS, 2005) afirma que o empreendedor é aquele que

destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos

produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização

ou pela exploração de novos recursos e materiais.

Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas

Empresas ([SEBRAE], 2014), o empreendedor tem, como

característica básica, o espírito criativo e pesquisador. Ele está

constantemente buscando novos caminhos e novas soluções,

sempre tendo em vista as necessidades das pessoas. A essência

do empresário de sucesso é a busca de novos negócios e

oportunidades, além da preocupação com a melhoria do produto. O

Sebrae é um dos órgãos mais conhecidos do pequeno empresário

brasileiro. É um serviço social autônomo, sem fins lucrativos,

instituído por escritura pública, sob a forma de entidade associativa

de direito privado (SEBRAE, 2014).

Na investida de formalizar e estimular os trabalhadores que estão

na informalidade, foi criada a Lei Complementar nº 128, de

19/12/2008, para a figura do Microempreendedor Individual (MEI),

propiciando condições especiais para que o trabalhador conhecido

como informal possa se tornar um MEI legalizado com apoio dos

serviços do Sebrae. Além de uma forma de combater a

informalidade, essa lei é uma oportunidade para instigar o

empreendedorismo no país (SOUZA, 2010).

Segundo o Portal do Empreendedor, o número de

empreendedores individuais no Brasil chegou a um número de

4.081.211 em 06 de junho de 2014. Esses acontecimentos mostram

o interesse dos indivíduos em criar novos negócios e serem donos

de sua própria fonte de renda. Nesse sentido, esses fatores

despertam discussões a respeito do empreendedorismo, sobretudo,

na cidade de Mossoró-RN, que encerrou 2013 com 4.403

empreendedores formalizados, ficando em segundo lugar no Rio

Grande do Norte, perdendo posição para Natal, a capital do estado,

com 17.571 optantes do Simples Nacional do MEI - SIMEI (PORTAL

DO EMPREENDEDOR, 2014).

Dessa forma, a legalização do MEI tem como expectativa tirar da

informalidade milhões de trabalhadores que atuam por conta própria, por meio de desburocratização, redução de custos de

legalização e de obrigações tributárias e trabalhistas. Segundo

Silveira e Teixeira (2011), a alta carga tributária, aliada ao processo

burocrático imposto pelas instituições, é um dos principais motivos

de as pequenas e médias empresas do país serem informais.

Assim, o MEI surge para beneficiar milhares de trabalhadores

informais que antes não possuíam enquadramento legal. No

entanto, de acordo com o Sebrae (2014), o MEI restringe a

participação de algumas atividades que não são acolhidas pela

legislação, nas áreas da constru- ção civil, decoração de interiores,

paisagismo, serviços de conservação, vigilância e limpeza e

serviços de natureza intelectual. Ainda ocorre de aqueles que

possuem suas atividades propostas pelo MEI não serem

enquadrados no caso de possuírem mais de um estabelecimento ou

participarem de outra empresa como titular, administrador ou sócio,

mesmo que este seja o cônjuge (SEBRAE, 2014).

Diante dessa realidade, observando a importância da

formalização dos empreendedores para o desenvolvimento e o

aperfeiçoamento dos empreendimentos inseridos no MEI, uma vez

que essa formalização consiste em um processo complexo e que

requer uma colaboração relevante do próprio empreendedor

conjuntamente com as orientações e a atuação do Sebrae a partir

das técnicas de gestão, surge o seguinte problema de pesquisa:

Como se dá a influência do Sebrae na ação empreendedora em prol

do desenvolvimento e da ampliação do negócio do

microempreendedor individual da cidade de Mossoró/RN?

 

7.2 Revisão da literatura

 

7.2.1 Empreendedorismo

 

O empreendedorismo é a envoltura de indivíduos que, unidos,

induzem a mudança de ideias e oportunidades. É precisamente com

o incentivo e a necessidade de depositar a prática em novas

percepções que provocam a geração dos novos mercados bem sucedidos. O empreendedorismo é a mudança determinada pelo

empreendedor. Essa palavra origina-se do termo francês

“entrepreneur”, que denota aquele que assume riscos e principia o

novo (DORNELAS, 2005).

Assim, constata-se que o fenômeno empreendedorismo traz como

agente o empreendedor, que é alguém capaz de desenvolver uma

visão sobre negócios, é capaz de persuadir pessoas e identificar

uma oportunidade de mercado onde os outros nada ou quase nada

enxergam, além de ter energia, esperança e paixão pelo que faz

(LANA et al., 2013). Embora pesquisas apontem as características

que idealizem um modelo-padrão para discernir um empreendedor,

tornar-se um é algo que pode acontecer com qualquer indivíduo.

Segundo Filion (1999), nenhuma tipologia é suficiente para

atender a todos os tipos de empreendedores. Entretanto, elas

formam uma base para a compreensão dos pontos que servem de

apoio para o conhecimento comportamental desses indivíduos.

Assim, em seu estudo, foram identificados seis tipos de perfil para o

empreendedor de pequenas empresas. São eles:

 

O lenhador: Esse empreendedor tem um perfil ambicioso e

aptidão para trabalhar “duro” e não gosta de expor suas ideias

para as outras pessoas, pois é muito focado. Se tem algo para

fazer, realiza sem perder tempo. Quando trabalha para outras

pessoas, chega a produzir até o dobro, destacando-se dos

demais. É conhecido como trabalhador de sol a sol. Na

condição de líder, é rigoroso com a qualidade e geralmente

contrata pessoas que trabalhem diretamente com ele para que

possa supervisionar o trabalho com mais rigor e, caso

necessite, ensina ao contratado como fazer se não ficar

satisfeito. Sua cultura organizacional é voltada para a produção

e o seu perfil é o mais comum entre os empreendedores de

pequenos negócios (FILION, 1999).

O sedutor: O empreendedor sedutor geralmente se entrega de

corpo e alma ao negócio, mas geralmente seu entusiasmo com

ele não persiste muito. Lança um novo empreendimento no

mercado e logo o vende ou compra companhias em

dificuldades para que depois possa revende-las. É bastante

sociável e possui uma vasta rede de contatos. Consegue

identificar pontos fortes e fracos imediatamente em um negócio

e, quando não está satisfeito com o investimento, por conhecer

várias pessoas, repassa o negócio sem muitas dificuldades.

Esse perfil é motivado por novidades e sua visão empresarial é

direcionada diretamente ao lucro (FILION, 1999).

O jogador: O perfil do empreendedor jogador é motivado pelo

lazer. Vê o esporte como componente essencial em suas vidas.

Não é comprometido com o que faz, geralmente trabalha muito

em determinadas épocas do ano para estar mais tranquilo em

outras. Trata o negócio como meio financeiro ou empecilho de

praticar o que realmente ama. Normalmente, é uma pessoa de

família rica, que passou sua juventude praticando esportes ou

envolvido em diversas formas de lazer, que decidiu fazer o de

que tanto gosta, o seu trabalho (FILION, 1999).

O hobbysta: O empreendedor dessa classe dedica o seu

tempo livre aos negócios. Normalmente, tem um trabalho oficial

que, na maioria das vezes, é a fonte de investimento para fazer

o de que tanto gosta. O seu negócio é o seu hobby. Em seu

emprego oficial, geralmente trabalha em um nível intermediário

e não toma decisões, o que não proporciona conhecimento

para resolver problemas complexos, nem mesmo no seu

próprio negócio. Futuramente, pode se transformar em um

empreendedor lenhador ou jogador, desde que se realize

fazendo aquilo de que gosta (FILION, 1999).

O convertido: É aquele empreendedor que passou por muitas

frustrações em relação a negócios anteriores, mas que,

finalmente, encontrou o que tanto almejava e isso se tornará

uma obsessão para ele. Ele depositará no empreendimento

uma grande carga emocional e não saberá lidar com críticas

que contrariem a sua vontade ou ações, mesmo que elas

venham de pessoas próximas, como família e amigos. Ele

acredita que outras pessoas estão perdendo tempo e dinheiro

por não terem a mesma ideia ou não investirem em um negócio

como o dele. Gosta de estar no controle e, por acreditar que o

seu empreendimento é genial, gostaria de apresentar seus

benefícios para a sociedade. Muitos criadores e inventores são

caracterizados como convertidos. Em sua maioria, eles vieram

de uma pesquisa em desenvolvimento, planejamento e

marketing ou vendas e tem chances promissoras de se

tornarem empreendedores missionários (FILION, 1999).

O missionário: O empreendedor missionário, na maioria das

vezes, iniciou seu negócio sozinho ou comprou seu atual

empreendimento de terceiros e realizou mudanças essenciais

para chegar aonde chegou. Conhece a fundo seu produto ou

serviço, assim como o mercado em que está inserido. É

consumido pelo que faz e sente muito prazer pelo que constrói.

Após a fase de sobrevivência, fica aberto a novas ideias e se

preocupa com o aprendizado e bem estar de seus

colaboradores. Sempre inova em sua forma de trabalhar e faz

questão de repassar suas ideias para quem trabalha com ele,

provocando motivação e realização para si e os que estão em

sua volta. Esse empreendedor tem forte tendência de expandir

seu negócio para o exterior (FILION, 1999).

 

Filion (1999) conclui que, assim como o conceito de

empreendedorismo, nenhuma tipologia é completa para definir todos

os empreendedores existentes. Na sua visão, cada caso pode ser

considerado único. Entretanto, as tipologias provêm uma base para

a compreensão dos pontos de apoio, bem como dos valores e do

pensamento dos empreendedores e as linhas para a compreensão

da consistência comportamental geral dos atores.

 

7.3 Características comportamentais

 

empreendedoras (CCE´S)

 

Atualmente, dois pontos se sobressaem nos estudos a respeito do

empreendedor: o econômico e o comportamental (ZEN;

FRACASSO, 2008). O ponto de vista econômico, apresentado por

Schumpeter (1982), é relacionado à inovação. Para ele, os

empreendedores causam a “destruição criativa”, ação definida como

impulso essencial que move e conserva a máquina capitalista, incessantemente inventando novos produtos, novos meios de

produção e novos mercados, sobrepondo-se aos remotos processos

menos eficientes e mais onerosos. Já a abordagem comportamental

é associada a características dos empreendedores, representado

por McClelland (1972) ao confrontar o conceito de empreendedor

com o de sucesso, de prestígio, de influência e de controle.

Essa abordagem comportamental, resultado das pesquisas de

McClelland (1972), contribuiu de forma mais significativa para o

campo do empreendedorismo. McClelland (1972) indicou três

necessidades peculiares dos empreendedores, conforme Quadro 8:

a necessidade de realização pessoal, a principal necessidade

mencionada entre os empreendedores bem sucedidos; a

necessidade de poder e dominação; e a necessidade de afiliação,

isso quando há pretensão de uma pessoa em principiar, manter ou

renovar uma afinidade afetiva com outra.

 

Quadro 8 – Características comportamentais empreendedoras

 

Necessidade Características comportamentais empreendedoras

 

Busca de oportunidades e iniciativa

 

Persistência

 

Realização Comprometimento

 

Exigência de qualidade e eficiência

 

Correr riscos calculados

 

Estabelecimento de metas

 

Planejamento Busca de informações

 

Planejamento e monitoramento sistemático

 

Poder Persuasão e rede de contatos

 

Fonte: Adaptado do Sebrae (2005).

Necessidade Características comportamentais empreendedoras

 

Independência e autoconfiança

 

Fonte: Adaptado do Sebrae (2005).

 

A necessidade pode ser relacionada à dimensão do coletivismo,

para McClelland (1972), um “sintoma de preocupação na fantasia e

na atividade real por tudo o que diz respeito a uma relação cordial e

íntima entre as pessoas”. Assim, o referido autor identificou, como

principal força motivadora da atitude empreendedora, a

“necessidade de realização do indivíduo” ou a vontade humana de

se superar e tornar-se diferente, envolvendo características

psicológicas e atitudinais, como tendência ao risco, iniciativa e

desejo de reconhecimento.

Dessa forma, a necessidade de realização refere-se à busca de

oportunidades e à suscetibilidade para realizar inovações, ser capaz

de inventar e sustentar uma cadeia de contatos para bons

relacionamentos. Essa necessidade, especialmente, demanda muita

insistência e muito empenho. Isso insinua que o empreendedor

precisa estar disposto a erros e acertos, sem perder suas

obrigações e metas almejadas. A cobrança de qualidade e eficiência

está bem presente na necessidade de realização, razão pela qual se

deve sucessivamente procurar atender ou ultrapassar as

perspectivas de prazo e qualidade. Havendo assim também a

questão dos riscos, pois esses estão em qualquer atividade,

contudo, necessitam ser avaliados, de forma bastante planejada,

para minimizá-los (MCCLELLAND, 1972).

No tocante à necessidade de planejamento, o Sebrae (2005) faz

referência ao estabelecimento de metas que o empreendedor

estipula de curto e longo prazo. O benefício desse planejamento é

que o empreendedor poderá determinar, com mais nitidez, os

objetivos e as metas que proporcionem capacidade de atingir

projetos mais abrangentes e contínuos. Com relação à sede de

poder, está ligada à capacidade de persuasão, que é a habilidade

de influenciar, que concerne em conseguir autonomia nas relações e

a certeza de suas capacidades. No mais, essa questão indica que precisa conservar sua ótica ainda perante a obstinação ou os

resultados que o deixem desmotivado.

Assim, McClelland (1972), em sua abordagem psicológica, define

empreendedores ao relacioná-los à necessidade de sucesso, de

reconhecimento e de desejo de poder e controle. Em suas

pesquisas, de um modo geral, procura identificar o que fazem e

como pensam os empreendedores bem sucedidos, visando

estabelecer um ponto de partida para detectar e reforçar tais

características em outros indivíduos. As primeiras pesquisas

realizadas por esse autor apontaram, como principal força

motivadora da atitude empreendedora, a “necessidade de realização

do indivíduo”. Isso corresponde à vontade humana de se superar e

tornar-se diferente, envolvendo características psicológicas e

atitudinais como, entre outras, tendência ao risco, iniciativa e desejo

de reconhecimento (DEPIERI, 2005).

 

7.4 Microempreendor individual (MEI)

 

O trabalho informal começou da necessidade dos trabalhadores

que não conseguiam entrar ou regressar ao mercado de trabalho

devido às dificuldades com que se deparavam no decorrer da

procura por emprego ou até por alternativa própria, buscando

continuamente aumentar a renda. Devido ao desenvolvimento do

comércio informal, aconteceram algumas mudanças no Código Civil,

por meio das quais diversos empreendedores definiram regularizar o

seu empreendimento, por causa dos benefícios que essa

regularização proporcionava (SEBRAE, 2014).

O microempreendedor individual é a pessoa que trabalha por

conta própria e que se formaliza como pequeno empresário

(PORTAL DO EMPREENDEDOR, 2014). No Brasil, os

microempreendedores, até 2008, exerciam suas relações

comerciais informalmente, por não haverem dado entrada na

regularização das atividades. Posteriormente, com a promulgação

da Lei do Microempreendedor e sua pouca burocracia, esse grupo

obteve o direito à formalização do desenvolvimento de suas

atividades econômicas e a proteção de alguns direitos básicos sociais, como: auxílio maternidade; auxílio doença; aposentadoria,

entre outros. A Lei Complementar 128/2008, do Micro

Empreendedor Individual, tem por objetivo promover ajustes na Lei

Geral da Micro e Pequena Empresa, a Lei Complementar123/06. A

Lei 128/2008 entrou em vigor em 1º de julho de 2009, denominando

o autônomo e o empresário individual como Microempreendedor

Individual – MEI (PORTAL DO EMPREENDEDOR, 2014).

Os públicos-alvo dessa formalização do trabalho, por meio da

MEI, são: ambulantes, cabeleireiros, manicures, marceneiros,

eletricistas, feirantes, encanadores, pedreiros, mecânicos, pintores,

sapateiros, pipoqueiros, dentre outros de diversos segmentos

(RELATÓRIO SEBRAE PERFIL EMPREENDEDOR, 2013).

O microempreendedor individual tem responsabilidades pela

tributação de pessoa física e jurídica. Contudo, é interessante

elucidar que estas nunca poderão ser confundidas. É a pessoa

jurídica quem cobrirá os impostos essenciais às suas atividades e,

no caso de possuir empregados em seu empreendimento,

recolhem-se o INSS, ICMS/ISS, dependendo do segmento da

atividade e permanecendo isento pela LC nº 128/08 de emitir os

pagamentos do PIS, CONFINS, CSLL e IPI e INSS Patronal

(SOUZA, 2010).

A formalização é gratuita e pode ser realizada por intermédio dos

escritórios de contabilidade optantes pelo Simples Nacional, pelo

Sebrae, escritórios de contabilidade ou pelo próprio

microempreendedor. O registro do MEI precisará ser realizado por

meio da internet, pelo portal do empreendedor. Desse modo, após a

formalização do MEI, o empreendedor individual passa a contar com

benefícios previdenciários e seus períodos de carência, de acordo

com o Portal Empreendedor (2014): aposentadoria por invalidez,

aposentadoria por idade; aposentadoria especial e aposentadoria

por tempo de contribuição; auxílio-doença e auxílio-acidente;

salário-família e salário-maternidade. Por fim, os dependentes do

MEI terão direito a pensão morte e auxílio reclusão.

Ao regularizar seu negócio, o empreendedor tem a oportunidade

de suplantar os problemas financeiros que afetam seu

empreendimento. A formalização diminui a insegurança jurídica do

negócio, do modo a consentir que a atividade seja em local legalizado, havendo alvarás de funcionamento e sanitário.

Igualmente, faz com que o empreendedor possa comprovar sua

renda, podendo, portanto, abrir conta bancária, ter acesso a crédito

financeiro, dentre outros benefícios.

No tocante ao faturamento, o limite máximo para o

enquadramento na MEI é de uma receita bruta anual de até R$

60.000,00. Outro ponto importante é que o MEI só poderá contratar

um único funcionário e este deverá receber o piso salarial da

categoria profissional ou um salário mínimo. Sobre o alvará de

funcionamento, os estabelecimentos empresariais são permitidos a

funcionar pelas prefeituras. Para isso, os empreendedores precisam

estar atentos às peculiaridades do seu município para que todos os

processos relacionados ao alvará de funcionamento aconteçam em

concordância com a previsão legal (PORTAL DO

EMPREENDEDOR, 2014).

 

7.5 Procedimentos metodológicos

 

Essa pesquisa busca explanar a problemática referente à

influência do Sebrae na ação empreendedora em prol do

desenvolvimento e da ampliação do negócio do microempreendedor

individual da cidade de Mossoró/RN. Com isso, buscou-se a

realização do estudo no Escritório Regional do Oeste – Sebrae em

Mossoró/RN, onde os MEI’s foram formalizados e desenvolvem

suas atividades.

Assim, esta pesquisa enquadra-se como aplicada quanto a sua

natureza, exploratória e descritiva quanto aos seus objetivos e

qualitativa quanto à forma de abordagem do problema, tanto no que

se refere à forma de abordar o fenômeno quanto no que diz respeito

à maneira como foi estruturado. Gomes e Araújo (2005) defendem

que isso se explica pelo fato de esse tipo de pesquisa propiciar a

obtenção de resultados mais fidedignos, uma vez que, nessa

tipologia metodológica, prioriza-se a qualidade em detrimento da

quantidade. Vale salientar que as informações quantitativas que são

apresentadas neste estudo, tais como médias ou percentuais, serviram apenas como demonstração dos dados obtidos, não

invalidando, assim, a sua natureza qualitativa.

É caracterizada também por um estudo de caso, pois se

fundamenta no estudo intenso de um ou poucos objetos, no caso,

os microempreendedores individuais da cidade de Mossoró/RN, de

modo que consinta seu vasto e detalhado conhecimento. Segundo

Gil (2010, p. 58), o estudo de caso é caracterizado pelo estudo

profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, de maneira a

permitir o seu conhecimento amplo e detalhado, tarefa praticamente

impossível mediante os outros tipos de delineamentos

considerados.

O tipo de amostragem utilizada foi a não probabilística, com base

no critério de acessibilidade ou intencionalidade. Nesse sentido, do

universo de 4.569 MEI’s cadastrados no Sebrae Mossoró/RN, essa

pesquisa apresenta resultados com base na amostra de 154

microempreendedores individuais (Quadro 9), que responderam ao

questionário estruturado de forma presencial ou através de e-mail,

no período de outubro a dezembro do ano de 2014.

 

Quadro 9 – Quantitativo dos MEI´s quanto à área de atividade

 

Área de atividade dos microempreendedores Quantidade

individuais

 

Ambulante 19

 

Cabeleireiro (a) 43

 

Costureira 3

 

Eletricista 2

 

Proprietário (a) de mini mercado 2

 

Proprietário (a) de restaurante 18

 

Proprietário (a) de casas de chá, lanchonetes 13

 

Fonte: Dados da pesquisa (2014).

Área de atividade dos microempreendedores Quantidade

individuais

 

Comerciante de artigos de perfumaria 17

 

Comerciante de artigos de vestuário e acessórios 28

 

Comerciante de bebidas 9

 

Total 154

 

Fonte: Dados da pesquisa (2014).

 

A coleta dos dados se deu por meio de um questionário

estruturado, composto de duas partes. A parte I teve por objetivo

identificar o perfil do microempreendedor individual e as opiniões

acerca do desenvolvimento e das melhorias alcançadas pelo

empreendedor a partir da procura por sua regularização. Já na parte

II, os respondentes foram questionados quanto à autoavaliação do

perfil empreendedor e da influência do Sebrae nas competências

gerenciais dos entrevistados.

Assim, para a análise do questionário na parte II, utilizou-se a

“Escala de Likert”, mediante a qual os pesquisados responderam a

cada quesito por intermédio de vários graus de concordância. O

nível de concordância dos questionários em relação aos fatores

investigados foi enumerado mediante uma escala formada por cinco

pontos equidistantes, sendo o 1º e o 2º ponto correspondentes à

insuficiente e fraco, o 3º correspondente à regular, o que se pode

considerar como um ponto imparcial, e os 4º e 5º pontos

correspondentes a bom e a excelente.

A análise e a interpretação dos dados constituem um processo

que envolve vários procedimentos e análises que requerem a

interpreta- ção dos dados. Essa interpretação visa estabelecer a

ligação entre os resultados obtidos e outros já conhecidos,

derivados de teorias ou de estudos anteriores (GIL, 2010). Nesse

sentido, com base nos objetivos deste estudo, os dados coletados

foram analisados de acordo com o modelo de abordagem interpretativa, tendo em vista que esse tipo de abordagem tem como

finalidade a busca pelo sentido mais amplo da resposta (GIL, 2010).

 

7.6 Apresentação e análise dos dados

 

Para um melhor entendimento, a apresentação e a análise dos

resultados está dividida nas duas partes do questionário: a primeira

trata da caracterização dos microempreendedores respondentes do

questionário, e a segunda parte apresenta a autoavaliação do perfil

empreendedor e a influência do Sebrae em suas competências

gerenciais, focalizando os itens abordados no instrumento de coleta

da pesquisa.

 

7.6.1 Parte I – Caracterização dos MEI`s

 

7.6.1.1. Quanto à faixa etária e à escolaridade

 

De acordo com as informações obtidas pelos questionários, pode-

se perceber que os microempreendedores individuais apresentaram

um total de 57 respondentes, com idade de 31 a 40 anos, 38 com

idade de 41 a 50 anos, 37 com idade de 21 a 30 anos. Nesse

sentido, é possível verificar microempreendedores individuais com

idades de 21 a 50 anos, que já desenvolvem atividades

relacionadas a seu negócio próprio.

Com relação ao nível de escolaridade apresentado obtido pelas

respostas, observa-se que mais de 70 indivíduos, do total de

trabalhadores pesquisados, têm o ensino médio completo, sendo

este o nível de escolaridade que predomina na maior parte dos

microempreendedores individuais formalizados e analisados nesta

pesquisa. Percebe-se também que uma pequena parte da amostra

se especializou em uma atividade por meio do ensino superior ou

técnico, 8 e 3, respectivamente. Observam-se ainda 35

respondentes com nível de escolaridade médio incompleto e uma

quantidade significativa de 27 respondentes que cursaram apenas o ensino fundamental, necessitando de auxílio e capacitação para

gerenciar seus negócios.

 

7.6.1.2. Quanto aos motivos que levaram os MEI’s a investirem

no empreendimento

 

O desejo de ter o próprio negócio foi bastante relevante para 66

microempreendedores individuais na cidade de Mossoró/RN,

seguido da afinidade pela atividade, com 49 respondentes, e da

dificuldade de conseguir emprego, com 37 respondentes. Houve

também uma pequena quantidade de 3 respondentes que informou,

como motivo, o incentivo de amigos e familiares.

Com isso, McClelland (1972) identifica, como principal força

motivadora da atitude empreendedora, a “necessidade de realização

do indivíduo” ou a vontade humana de se superar e tornar-se

diferente. Dessa forma, a necessidade de realização refere-se à

busca de oportunidades e à suscetibilidade para realizar inovações,

capazes de inventar e sustentar uma cadeia de contatos para bons

relacionamentos.

 

7.6.1.3. Quanto às facilidades para formalização do MEI

 

Com relação às facilidades para formalização do MEI, perguntou-

se aos microempreendedores individuais como estes tomaram

conhecimento do Programa MEI. Quase metade, ou seja, 76

respondentes, soube do programa por meio de métodos de

capacitação do Sebrae. Além disso, 48 dos respondentes

informaram que conheceram o programa pela televisão, por meio de

propagandas relacionadas com o Sebrae ou envolvendo suas

parcerias, e apenas 18 respondentes afirmaram que o

conhecimento se deu por meio da internet. Dessa forma, observa-se

um trabalho significativo do Sebrae, do governo e de entidades

envolvidas em relação à divulgação da Lei Complementar nº 128, de

19/12/2008 para a figura do microempreendedor individual,

propiciando condições especiais para que o trabalhador conhecido como informal possa se tornar um MEI legalizado, com apoio dos

serviços do Sebrae.

Nesse sentido, é possível verificar que o Sebrae buscou, de forma

ostensiva, noticiar o MEI, disponibilizando a esses

microempreendedores ferramentas indispensáveis para solucionar

suas dúvidas e captar informações indispensáveis para que possa

escolher, de forma consciente, pela sua formalização. O Sebrae

fornece atendimento gratuito para a orientação e a formalização

desses microempreendedores individuais.

 

7.6.1.4. Quanto aos meios de conhecimento sobre o MEI

 

Com relação aos meios de conhecimento sobre o MEI, os 102

respondentes informaram que encontraram informação facilmente

no Sebrae e assim realizaram a formalização no mesmo momento.

Além disso, 28 respondentes obtiveram conhecimento por outros

meios, formalizando-se por intermédio do site do Portal

Empreendedor ou por meio de um contador, e 18 respondentes

informaram que necessitaram retornar várias vezes em busca de

conhecimento para se sentirem seguros sobre a formalização.

Sobre os respondentes que buscaram informações várias vezes

para regularizarem suas atividades, apresentando dificuldades ou

inseguran- ça, faz-se necessário que estes procurem, por outros

meios, profissionais ou entidades para obterem informações mais

compreensíveis. Apesar de representar um número pequeno em

relação aos outros MEI’s, evidencia ainda a necessidade, por parte

dos órgãos competentes como o Sebrae, de ter mais ferramentas

para proporcionar informações mais detalhadas e de fácil

entendimento aos microempreendedores que buscam esses

esclarecimentos e ajuda para sua formalização.

 

7.6.1.5. Quanto aos benefícios que motivaram o

microempreendedor à formalização e os que tiveram maior

contribuição no dia-a-dia das atividades

Com relação aos benefícios encontrados que motivaram o

microempreendedor a obter formalização, verifica-se que 83

respondentes informaram que foi com relação ao benefício dos

direitos previdenciários, 24 respondentes informaram que foi o

benefício de poder emitir nota fiscal e possuir comprovação de

renda e 18 respondentes informaram que foi com relação ao

benefício da obtenção da redução dos impostos e obrigações

exigidas.

Esse resultado demonstra, com relação à maior quantidade que

afirmou a busca de direitos previdenciários, que o trabalhador

informal não está amparado por nenhuma segurança previdenciária

em caso de acidente ou de problema de saúde resultante do

trabalho, assim como não é contemplado pelos demais benefícios

que comumente são cedidos aos trabalhadores assalariados. Nesse

sentido, com a formalização por meio do MEI, o empreendedor

individual passa a ser protegido com alguns benefícios

previdenciários, como já citados. Sendo assim, o

microempreendedor individual enxerga, na formalização de seu

negócio, a oportunidade de trabalhar dentro da legalização,

procurando o seu desenvolvimento e o de seu negócio,

apresentando novos conhecimentos, ou complementando suas

experiências.

Com relação a quais desses benefícios tiveram maior contribuição

no dia-a-dia das atividades, verifica-se que, apesar do benefício de

obtenção dos direitos previdenciários ter sua maioria, obteve

segunda colocação nesse item, com 57 dos respondentes. Nesse

sentido, o benefício de realização pessoal e profissional obteve a

maior quantidade, com 64 dos respondentes marcando essa opção.

Verificam-se ainda 19 respondentes que afirmaram facilidades no

acesso ao crédito e financiamentos e 13 respondentes que

afirmaram redução dos impostos e das obrigações exigidas.

Para esse resultado, observa-se que os dois benefícios que foram

de maior relevância para os pequenos empreendedores, o de

realização pessoal e profissional, refletem que o desejo de ter o

próprio negócio, além de uma forma de subsidiar a renda e o

sustento, o negócio pode trazer satisfação para este indivíduo. Para

isso, McClelland (1972) afirma, em seus estudos sobre as características comportamentais empreendedoras, que a

necessidade de realização pessoal é a principal necessidade

mencionada pelos empreendedores bem sucedidos. E o benefício

dos direitos previdenciários mostra que, além de ser o motivo que os

motivaram a formalizar, também é o benefício considerado de maior

contribuição no desenvolvimento das atividades, pelas razões já

informadas no item anterior.

 

7.6.1.6 Quanto às vendas após a formalização e à contribuição

do Sebrae para os resultados obtidos

 

Quanto à indagação se, após a formalização, as vendas

aumentaram, diminuíram ou se foi indiferente, a maioria dos

respondentes, ou seja, 123, responderam que aumentaram as

vendas após a formalização. Dessa forma, verifica-se que é um

número bastante significativo quanto à relevância do programa para

o desenvolvimento dessas atividades e ao estimulo à regularização

das empresas. Apesar disso, 27 dos respondentes afirmaram que

foi indiferente, ou seja, nem aumentaram nem diminuíram as

vendas.

Assim, em termos de porcentagem, dos 123 respondentes que

afirmaram que as vendas aumentaram, 27 responderam que as

vendas aumentaram em 20%, 8 responderam que aumentaram em

30%, 14 responderam aumentaram em 40%, 18 responderam

aumentaram em 50%, 13 responderam que aumentaram em 60%,

12 responderam aumentaram em 80%, 14 responderam que

aumentaram em 100% e 17 responderam aumentaram em mais de

100%. Contudo, foi possível observar que, embora os resultados

estejam visualizados, de acordo com a resposta dos MEI’s,

percebeu-se uma dificuldade de conhecimentos sobre o real

aumento dessas vendas, inclusive reconhecido por eles mesmos no

que se refere à mensuração das vendas. Com isso, pode-se inferir o

desconhecimento por parte dos respondentes acerca dessa

questão.

Com isso, complementando essa questão, foi indagado aos MEI’s

qual a ação deles junto ao Sebrae para o resultado desse aumento

das vendas. Como resultado positivo, chegando a um consenso sobre as respostas, houve o reconhecimento desses

microempreendedores de que conseguiram aumentar suas vendas

após a formalização, por seguirem os ensinamentos adquiridos em

capacitações e as orientações fornecidas pelo Sebrae. Já no que se

refere ao não aumento das vendas, o resultado da conclusão para

essas respostas foi de que os MEI’s que se formalizaram no Sebrae

apenas procuraram a instituição para a regularização da empresa e

não especificamente para ações de capacitação em vendas ou de

que afirmaram que, mesmo com as ações, o ritmo de vendas não foi

alterado após a formalização.

 

7.6.1.7 Quanto à satisfação com a formalização e o

desenvolvimento da atividade e com as ações do Sebrae após a

formalização

 

Com relação à satisfação com a formalização e o

desenvolvimento da atividade, observa-se que 137 dos

respondentes afirmaram estar satisfeitos por optarem pela

formalização e reconhecem o desenvolvimento dessa atividade

após essa ação, enquanto que 17 dos respondentes afirmaram não

estar satisfeitos com a formalização e com o desenvolvimento da

atividade. O êxito, para o microempreendedor, pode ser avaliado

pela liberdade e pelo equilíbrio de seu negócio, o que favorecerá

melhor qualidade de vida (PORTAL DO EMPREENDEDOR, 2014).

Com relação à satisfação com as ações do Sebrae para com o

microempreendedor individual após a formalização, os dados

demonstram que 123 respondentes estão satisfeitos com as ações

do Sebrae, enquanto 31 respondentes afirmaram não estarem

satisfeitos.

Esse resultado corrobora com o item anterior e mostra que o

objetivo do Sebrae em auxiliar na formalização do

microempreendedor individual está sendo cumprido e gerando

resultados satisfatórios. Nesse sentido, a influência do Sebrae com

relação aos 154 microempreendedores individuais é positiva e

satisfatória, acarretando maior autonomia, manutenção de seu

ponto de vista, mesmo diante da oposição ou de resultados inicialmente desanimadores, e confiança na sua própria capacidade

de completar uma tarefa difícil ou de enfrentar um desafio.

Para finalizar essa fase, foi perguntado aos microempreendedores

individuais o que o Sebrae poderia melhorar para o desenvolvimento

dos MEI’s e, como resposta, obtiveram-se as seguintes afirmações:

119 microempreendedores afirmaram estar satisfeitos e não deram

nenhuma sugestão; 16 não responderam; 4 sugeriram haver uma

maior atenção ou acompanhamento com os MEI’s; 2 sugeriram

realizar mais eventos voltados para esses empreendedores; 2

citaram a necessidade de propagar casos de sucessos para surgir

ideias; 2 sugeriram mostrar opções de ideias; 1 sugeriu fazer

parcerias com as autoridades para reduzir os impostos; 3 sugeriram

criar uma associação para os MEI’s, um dos quais especificou sua

sugestão de uma associação por segmento de mercado; 1 sugeriu

que o valor das consultorias fosse mais acessível e 4 sugeriram

uma parceria com os bancos para facilitar o crédito.

Nesse panorama, é importante ressaltar que essas opiniões

abrangeram também os MEI’s que estão na condição de satisfeitos,

indiferentes e não satisfeitos com os serviços prestados, mas que

quiseram dar sua contribuição quanto a suas ações para o

desenvolvimento dos negócios. Dessa forma, essas sugestões

serão enviadas aos responsáveis para as devidas avaliações e

adequações que se fizerem necessárias.

 

7.6.2 Parte II – Avaliação do perfil empreendedor

 

e influência do Sebrae nas competências

 

gerenciais dos MEI’s

 

Para compor essa avaliação, o questionário de pesquisa objetivou

conhecer a influência do Sebrae nas competências gerenciais dos

microempreendedores individuais, nas áreas de marketing,

operações/ produção, finanças, administração, relacionamento

interpessoal/equipes e quais habilidades específicas não estavam

listadas nas áreas já citadas, com relação a uma autoavaliação e à

importância para a empresa.

7.6.2.1 Autoavaliação referente ao marketing

 

Com relação à autoavaliação referente ao marketing, conforme

Tabela 19, é possível observar que a área de marketing, para esses

pequenos microempreendedores individuais, é bastante

considerada na sua autoavaliação e de importância para a empresa,

com a grande maioria dos respondentes tecendo opiniões entre

excelente e bom, no que se refere a avaliação e pesquisa de

mercado, planejamento de marketing, estabelecimentos de preços

dos produtos, gerenciamento de vendas, vendas por catálogo/mala-

direta, telemarketing, serviço ao consumidor, gerenciamento de

distribuição, planejamento de novos produtos e venda direta.

 

Tabela 19 – Autoavaliação referente ao

 

Competências Sua avaliação Imp

gerenciais

Excelente Bom Regular Fraco Insuficiente Exc

 

Marketing 5 4 3 2 1

 

1. Avaliação e 56 64 21 8 5

pesquisa de

mercado.

 

2. Planejamento 43 88 19 2 2

de marketing

 

3.Estabelecimento 59 74 11 8 2

de preços dos

produtos.

 

4. Gerenciamento 5 4 3 2 1

de vendas.

 

Fonte 4. Gerenciamento 54 73 17 3 7 : Dados da pesquisa (2014). de vendas

de vendas.

 

5. Venda por 12 16 3 0 0 gerenciais Competências Sua avaliação Imp catálogo/mala Excelente Bom Regular Fraco Insuficiente Exc

 

6. Telemarketing. 17 23 12 2 0

 

7. Serviço ao 42 80 23 9 0

consumidor.

 

8. Gerenciamento 23 57 24 16 7

de distribuição.

 

9. Planejamento 53 57 19 9 16

de novos

produtos.

 

10. Venda direta. 67 53 16 6 12

Fonte: Dados da pesquisa (2014).

 

Embora o termo marketing não seja muito conhecido por esses

microempreendedores, e sim o termo propaganda, segundo eles

próprios, percebe-se que, desde o item 1 até o item 10 da área de

marketing, a grande maioria informou que a influência do Sebrae

sobre essa área é considerada excelente e boa tanto para a sua

avaliação quanto para a empresa.

Diante disso, segundo o Sebrae (2014), a capacitação na área de

marketing envolve o evento O Negócio é o Seguinte. Esse evento

aborda temas de importância para o microempreendedor individual,

como compras, vendas, cooperação, planejamento, marketing e

finanças.

 

7.6.2.2 Autoavaliação referente às operações/produção

 

Com relação à autoavalição referente à área de

operações/produção, na Tabela 20, é possível observar que, para os

microempreendedores individuais, a área de operações/produção

também é bastante considerada na sua autoavaliação e quanto à

importância para a empresa. Embora grande parte dos

respondentes tenha considerado excelente a participação do Sebrae nesse contexto, a parcela maior dos respondentes afirmou como

boa essa influência, no que se refere a gerenciamento da

manufatura, controle de estoques, controle de análises de custos,

planejamento e produção e compras de matérias-primas.

 

Tabela 20 – Autoavaliação referente às ope

 

Competências Sua avaliação Im

 

gerenciais Excelente Bom Regular Fraco Insuficiente E

 

Operações/Produção 5 4 3 2 1

 

1. Gerenciamento da 23 84 32 8 7

manufatura

 

2. Controle de 27 99 18 6 4

estoques

 

3. Controle e análise 23 64 45 19 3

de custos

 

4. Planejamento de 56 87 8 2 1

Produção

 

5. Compra de 49 41 34 19 11

matérias-primas

Fonte: Dados da pesquisa (2014).

 

Dessa forma, percebe-se que, desde o item 1 até o item 5 da área

de operações/produção, a grande maioria informou que a influência

do Sebrae sobre essa área é considerada boa e excelente tanto

para a sua avaliação quanto para a empresa. Assim, diante de

muitas indagações, entende-se que uma boa atuação nessa área

visa compreender o surgimento de oportunidades para a criação de

produtos e serviços, mercados novos, novas formas e processos de

produção, medidas de como utilizar, de forma eficiente, a matéria-

prima e as tecnologias existentes, além de entender como os

indivíduos exploram e desenvolvem esses meios (BARON, 2010).

 

7.6.2.3 Autoavaliação referente às finanças

Com relação à autoavaliação referente ao marketing, conforme

Tabela 21, é possível observar que a área de finanças, para esses

pequenos microempreendedores individuais, é considerada

importante para a sua autoavaliação e para a empresa. Porém,

obteve uma variação de respondentes tecendo opiniões entre

excelente, bom e regular, no que se refere a contabilidade,

orçamentos, gerenciamento de fluxo de caixa, gerenciamento de

contas a pagar e receber, gerenciamento das relações com fontes

de financiamento, negociação para obtenção de recursos

financeiros, contratos, impostos, seguros e patentes e propriedade

intelectual.

Apesar dessa variação, é possível perceber a importância dessa

área para os microempreendedores e uma influência relativamente

positiva por parte do Sebrae aos MEI’s. Nesse mesmo item,

observa-se que nenhum dos microempreendedores considerou

insuficiente a influência da instituição para esse aspecto.

 

Tabela 21 – Autoavaliação referente às f

 

Competências Sua avaliação Im

 

gerenciais Excelente Bom Regular Fraco Insuficiente Excele

 

5 4 3 2 1 5

 

Finanças

 

1. 57 33 27 24 13 57

Contabilidade

2. Orçamentos 56 77 19 2 0 56

 

3. 63 47 29 12 3 63

Gerenciamento

de fluxo de

Fonte: Dados da pesquisa (2014). caixa

caixa

 

gerenciais Gerenciamento Excelente Bom Regular Fraco Insuficiente Excele de contas a Competências Sua avaliação Im 4. 62 42 21 17 12 62

pagar e a

receber

 

5. 59 47 29 12 7 59

Gerenciamento

das relações

com fontes de

financiamento

 

6. Negociação 7 21 7 1 5 7

para obtenção

de recursos

financeiros

7. Contratos 0 0 0 0 0 0

 

8. Impostos 7 2 0 0 0 7

 

9. Seguros 0 0 0 0 0 0

 

10. Patentes e 2 1 0 0 0 2

propriedade

intelectual

Fonte: Dados da pesquisa (2014).

 

Dessa forma, cabe ao Sebrae enfatizar aos

microempreendedores individuais a necessidade de se buscar

auxílio quanto a informações sobre inovação, gestão, finanças,

sustentabilidade, bem como de participar de programas

desenvolvidos pelo Sebrae, visando a retenção de clientes, qualificação e desenvolvimento do produto/serviço, fatores

essenciais para a permanência do negócio no mercado.

 

7.6.2.4 Autoavaliação referente às rotinas administrativas

 

Com relação à autoavaliação referente à área de administração

no que envolve as ações nas rotinas administrativas, conforme

Tabela 22, é possível observar que a área administrativa, para esses

pequenos microempreendedores individuais, é bastante

considerada na sua autoavaliação e quanto à importância para a

empresa, com a grande maioria dos respondentes tecendo opiniões

entre excelente e bom, no que se refere a resolução de problemas,

comunicação, planejamento, tomada de decisão, gerenciamento de

projetos, negociação, administração pessoal e sistema de

informação gerencial.

 

Tabela 22 – Autoavaliação referente às rotinas

 

Competências Sua avaliação Im

 

gerenciais Excelente Bom Regular Fraco Insuficiente Excele

5 4 3 2 1 5

 

Rotinas 5 4 3 2 1 5

administrativas

 

1. Resolução 56 83 10 3 2 56

de problemas

 

2. 81 57 11 4 1 81

Comunicação

 

3. 58 66 19 7 4 58

Planejamento

 

Fonte 4. Tomada de : Dados da pesquisa (2014). 49 73 21 6 5 49 decisão Competências Sua avaliação Im

 

5. 19 23 9 5 17 19 gerenciais Excelente Bom Regular Fraco Insuficiente Excele Gerenciamento

de projetos

 

6. Negociação 55 34 21 7 4 55

 

7. 21 26 7 2 2 21

Administração

pessoal

 

8. Sistema de 6 19 14 2 3 6

informação

gerencial

Fonte: Dados da pesquisa (2014).

 

Embora essa seja uma área bastante complexa, percebe-se que,

desde o item 1 até o item 8 da área administrativa, a grande maioria

informou que a influência do Sebrae sobre essa área é considerada

excelente e boa tanto para a sua avaliação quanto para a empresa.

Dornelas (2005) ainda afirma que o empreendedor planejado

seria, entre todos, o mais completo do ponto de vista da

caracterização de empreendedor e que deveria ser seguido como

referência.

 

7.5.2.5 Autoavaliação referente ao relacionamento

interpessoal/equipes

 

Com relação à autoavaliação referente ao relacionamento

interpessoal/ equipes, conforme Tabela 23, é possível observar que

essa área de relacionamento, para esses pequenos

microempreendedores individuais, é bastante considerada na sua

autoavaliação e quanto à importância para a empresa, porém com

uma quantidade baixa de respondentes tecendo opiniões entre

excelente e bom. Apenas 12, dos 154 microempreendedores,

responderam aos itens questionados. Isso se dá pelo fato de a

grande maioria dos MEI’s operarem suas atividades sozinhas ou com, no máximo, um trabalhador com carteira assinada, segundo a

Lei 128/2008 do Microempreendedor Individual.

Embora hajam sido obtidas poucas respostas com relação a essa

autoavaliação, percebe-se que, desde o item 1 até o item 7 da área

de relacionamento interpessoal/equipes, a grande maioria que

respondeu informou que a influência do Sebrae sobre essa área é

considerada excelente e boa tanto para a sua avaliação quanto para

a empresa.

 

Tabela 23 – Autoavaliação referente ao relacio

 

Competências gerenciais Sua avaliação

 

Excelente Bom Regular Fraco Insufic

5 4 3 2 1

 

Relacionamento interpessoal/equipes

 

1.Liderança/visão/influência 6 6

 

2. Ajuda e coaching 7 5

 

3.Feedback 7 5

 

4.Gerenciamento de 2 4 1 2 3

conflitos

 

5. Gerenciamento de 7 5

pessoas

 

6. Trabalho em equipe 7 5

 

7. Construção de equipes 6 6

de trabalho

 

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Fonte: Dados da pesquisa (2014).

 

Todavia, de acordo com o Sebrae (2014), mesmo com essa

limitação no quadro de colaboradores, os poucos envolvidos no

negócio devem avaliar oportunidades, identificar, buscar e alocar os

recursos necessários ao negócio, planejar as ações a serem

tomadas, implementar e gerenciar o novo negócio.

Por fim, foi sugerido aos microempreendedores individuais que

eles explanassem outros fatores nos quais o Sebrae tenha

contribuído para o desenvolvimento de suas atividades que não

foram expostos pelo instrumento de pesquisa. Apenas 1

empreendedor respondeu a essa questão, explanando um fator que

contribuiu positivamente tanto para sua avaliação quanto para seu

empreendimento, que foi referente às capacitações de oratória.

Esse único fator foi avaliado no nível 5, considerado excelente no

que se refere à dificuldade de falar em público sanada pelas

orientações fornecidas pelo Sebrae.

 

7.6 Considerações finais

 

A pesquisa realizada com os microempreendedores individuais da

cidade de Mossoró/RN teve como objetivo analisar a influência do

Sebrae na ação empreendedora desses pequenos empresários. A

pesquisa cumpriu o objetivo a que se propôs, ao perceber que a

influência do Sebrae na ação empreendedora em prol do

desenvolvimento e DA ampliação do negócio do

microempreendedor individual decorre da procura desses indivíduos

pelos recursos oferecidos pela instituição. Nesse sentido, por parte

da organização responsável por fomentar esse desenvolvimento, é

feito um trabalho de sensibilização a partir de eventos, feiras, apoios

em programas de desenvolvimento de responsabilidade municipal,

estadual e nacional, bem como da disponibilidade da própria

estrutura para receber esses empreendedores. Desse modo, foi

verificado um alto índice de satisfação com relação ao programa do

MEI e às ações do Sebrae realizadas após essa formalização. GOMES, F. P.; ARAÚJO, R. M. Pesquisa quanti-qualitativa em

Embora os resultados da autoavaliação se apresentem positivos

no tocante às contribuições para o conhecimento em competências

gerenciais fornecidos pelo Sebrae, tanto para esses

microempreendedores individuais quanto para seu empreendimento,

verificou-se uma ruptura na continuação da prestação desses

serviços por conta da falta de interesse dos próprios

microempreendedores em procurar orienta- ção e capacitação no

Sebrae. Nesse sentido, a justificativa dada pelos MEI’s é que essa

ausência da procura por conhecimentos, capacitação e orientação

dos microempreendedores ocorra pelo fato de conduzirem os

negócios sozinhos. Mesmo nessa situação, o Sebrae dispõe de

recursos que sanem esses obstáculos, como cursos online, ensino a

distância (EaD), visitas para consultorias, orientações por meio de

telefone, e-mail e mídias sociais, bastando apenas haver a procura

por parte dos microempreendedores individuais.

 

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empreendedor. RAM – Revista de Administração Mackenzie, v. 9,

n. 8, edição especial, p. 135-150, 2008.

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