Empreendedorismo no semiárido
Capítulo 7 – A influência do SEBRAE na ação empreendedora do microempreendedor individual da cidade de Mossoró/RN
Capítulo 7 – A influência do
sebrae na ação empreendedora
do microempreendedor
individual da cidade de
Mossoró/RN
Niágara Aires Nogueira, Ana Maria Magalhães Correia
7.1 Introdução
As mudanças tecnológicas, suas inovações e a economia cobram
dos empreendedores a postura de seguirem novos paradigmas,
gerando emprego, criando novas relações de trabalho e
desenvolvendo nossa sociedade (DORNELAS, 2005). Assim, a
atuação empreendedora está profundamente incluída no contexto
social e tecnológico no qual o empreendedor está inserido.
Nesse sentido, o tema empreendedorismo definitivamente ganhou
espaço nos últimos anos, tanto no meio acadêmico, com a produção
de inúmeros trabalhos, quanto nas discussões econômicas, no qual
passou a ser considerado de importância relevante na formulação
de políticas governamentais voltadas para o desenvolvimento dos
países. Existe, atualmente, claro entendimento de que tanto a ação
empreendedora quanto o agente responsável por ela, o
empreendedor, são fundamentais para o crescimento econômico e
para a geração de riqueza e empregos em uma sociedade (SILVA;
GOMES; CORREIA, 2009).
Para Dornelas (2005), empreendedorismo é a junção de pessoas
e processos que, integrados, resultam em ideias transformadas em
oportunidades. E isso, em consequência, ocasiona a criação de novos negócios de sucesso. Nesse sentido, Schumpeter (1949,
apud DORNELAS, 2005) afirma que o empreendedor é aquele que
destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos
produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização
ou pela exploração de novos recursos e materiais.
Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas ([SEBRAE], 2014), o empreendedor tem, como
característica básica, o espírito criativo e pesquisador. Ele está
constantemente buscando novos caminhos e novas soluções,
sempre tendo em vista as necessidades das pessoas. A essência
do empresário de sucesso é a busca de novos negócios e
oportunidades, além da preocupação com a melhoria do produto. O
Sebrae é um dos órgãos mais conhecidos do pequeno empresário
brasileiro. É um serviço social autônomo, sem fins lucrativos,
instituído por escritura pública, sob a forma de entidade associativa
de direito privado (SEBRAE, 2014).
Na investida de formalizar e estimular os trabalhadores que estão
na informalidade, foi criada a Lei Complementar nº 128, de
19/12/2008, para a figura do Microempreendedor Individual (MEI),
propiciando condições especiais para que o trabalhador conhecido
como informal possa se tornar um MEI legalizado com apoio dos
serviços do Sebrae. Além de uma forma de combater a
informalidade, essa lei é uma oportunidade para instigar o
empreendedorismo no país (SOUZA, 2010).
Segundo o Portal do Empreendedor, o número de
empreendedores individuais no Brasil chegou a um número de
4.081.211 em 06 de junho de 2014. Esses acontecimentos mostram
o interesse dos indivíduos em criar novos negócios e serem donos
de sua própria fonte de renda. Nesse sentido, esses fatores
despertam discussões a respeito do empreendedorismo, sobretudo,
na cidade de Mossoró-RN, que encerrou 2013 com 4.403
empreendedores formalizados, ficando em segundo lugar no Rio
Grande do Norte, perdendo posição para Natal, a capital do estado,
com 17.571 optantes do Simples Nacional do MEI - SIMEI (PORTAL
DO EMPREENDEDOR, 2014).
Dessa forma, a legalização do MEI tem como expectativa tirar da
informalidade milhões de trabalhadores que atuam por conta própria, por meio de desburocratização, redução de custos de
legalização e de obrigações tributárias e trabalhistas. Segundo
Silveira e Teixeira (2011), a alta carga tributária, aliada ao processo
burocrático imposto pelas instituições, é um dos principais motivos
de as pequenas e médias empresas do país serem informais.
Assim, o MEI surge para beneficiar milhares de trabalhadores
informais que antes não possuíam enquadramento legal. No
entanto, de acordo com o Sebrae (2014), o MEI restringe a
participação de algumas atividades que não são acolhidas pela
legislação, nas áreas da constru- ção civil, decoração de interiores,
paisagismo, serviços de conservação, vigilância e limpeza e
serviços de natureza intelectual. Ainda ocorre de aqueles que
possuem suas atividades propostas pelo MEI não serem
enquadrados no caso de possuírem mais de um estabelecimento ou
participarem de outra empresa como titular, administrador ou sócio,
mesmo que este seja o cônjuge (SEBRAE, 2014).
Diante dessa realidade, observando a importância da
formalização dos empreendedores para o desenvolvimento e o
aperfeiçoamento dos empreendimentos inseridos no MEI, uma vez
que essa formalização consiste em um processo complexo e que
requer uma colaboração relevante do próprio empreendedor
conjuntamente com as orientações e a atuação do Sebrae a partir
das técnicas de gestão, surge o seguinte problema de pesquisa:
Como se dá a influência do Sebrae na ação empreendedora em prol
do desenvolvimento e da ampliação do negócio do
microempreendedor individual da cidade de Mossoró/RN?
7.2 Revisão da literatura
7.2.1 Empreendedorismo
O empreendedorismo é a envoltura de indivíduos que, unidos,
induzem a mudança de ideias e oportunidades. É precisamente com
o incentivo e a necessidade de depositar a prática em novas
percepções que provocam a geração dos novos mercados bem sucedidos. O empreendedorismo é a mudança determinada pelo
empreendedor. Essa palavra origina-se do termo francês
“entrepreneur”, que denota aquele que assume riscos e principia o
novo (DORNELAS, 2005).
Assim, constata-se que o fenômeno empreendedorismo traz como
agente o empreendedor, que é alguém capaz de desenvolver uma
visão sobre negócios, é capaz de persuadir pessoas e identificar
uma oportunidade de mercado onde os outros nada ou quase nada
enxergam, além de ter energia, esperança e paixão pelo que faz
(LANA et al., 2013). Embora pesquisas apontem as características
que idealizem um modelo-padrão para discernir um empreendedor,
tornar-se um é algo que pode acontecer com qualquer indivíduo.
Segundo Filion (1999), nenhuma tipologia é suficiente para
atender a todos os tipos de empreendedores. Entretanto, elas
formam uma base para a compreensão dos pontos que servem de
apoio para o conhecimento comportamental desses indivíduos.
Assim, em seu estudo, foram identificados seis tipos de perfil para o
empreendedor de pequenas empresas. São eles:
O lenhador: Esse empreendedor tem um perfil ambicioso e
aptidão para trabalhar “duro” e não gosta de expor suas ideias
para as outras pessoas, pois é muito focado. Se tem algo para
fazer, realiza sem perder tempo. Quando trabalha para outras
pessoas, chega a produzir até o dobro, destacando-se dos
demais. É conhecido como trabalhador de sol a sol. Na
condição de líder, é rigoroso com a qualidade e geralmente
contrata pessoas que trabalhem diretamente com ele para que
possa supervisionar o trabalho com mais rigor e, caso
necessite, ensina ao contratado como fazer se não ficar
satisfeito. Sua cultura organizacional é voltada para a produção
e o seu perfil é o mais comum entre os empreendedores de
pequenos negócios (FILION, 1999).
O sedutor: O empreendedor sedutor geralmente se entrega de
corpo e alma ao negócio, mas geralmente seu entusiasmo com
ele não persiste muito. Lança um novo empreendimento no
mercado e logo o vende ou compra companhias em
dificuldades para que depois possa revende-las. É bastante
sociável e possui uma vasta rede de contatos. Consegue
identificar pontos fortes e fracos imediatamente em um negócio
e, quando não está satisfeito com o investimento, por conhecer
várias pessoas, repassa o negócio sem muitas dificuldades.
Esse perfil é motivado por novidades e sua visão empresarial é
direcionada diretamente ao lucro (FILION, 1999).
O jogador: O perfil do empreendedor jogador é motivado pelo
lazer. Vê o esporte como componente essencial em suas vidas.
Não é comprometido com o que faz, geralmente trabalha muito
em determinadas épocas do ano para estar mais tranquilo em
outras. Trata o negócio como meio financeiro ou empecilho de
praticar o que realmente ama. Normalmente, é uma pessoa de
família rica, que passou sua juventude praticando esportes ou
envolvido em diversas formas de lazer, que decidiu fazer o de
que tanto gosta, o seu trabalho (FILION, 1999).
O hobbysta: O empreendedor dessa classe dedica o seu
tempo livre aos negócios. Normalmente, tem um trabalho oficial
que, na maioria das vezes, é a fonte de investimento para fazer
o de que tanto gosta. O seu negócio é o seu hobby. Em seu
emprego oficial, geralmente trabalha em um nível intermediário
e não toma decisões, o que não proporciona conhecimento
para resolver problemas complexos, nem mesmo no seu
próprio negócio. Futuramente, pode se transformar em um
empreendedor lenhador ou jogador, desde que se realize
fazendo aquilo de que gosta (FILION, 1999).
O convertido: É aquele empreendedor que passou por muitas
frustrações em relação a negócios anteriores, mas que,
finalmente, encontrou o que tanto almejava e isso se tornará
uma obsessão para ele. Ele depositará no empreendimento
uma grande carga emocional e não saberá lidar com críticas
que contrariem a sua vontade ou ações, mesmo que elas
venham de pessoas próximas, como família e amigos. Ele
acredita que outras pessoas estão perdendo tempo e dinheiro
por não terem a mesma ideia ou não investirem em um negócio
como o dele. Gosta de estar no controle e, por acreditar que o
seu empreendimento é genial, gostaria de apresentar seus
benefícios para a sociedade. Muitos criadores e inventores são
caracterizados como convertidos. Em sua maioria, eles vieram
de uma pesquisa em desenvolvimento, planejamento e
marketing ou vendas e tem chances promissoras de se
tornarem empreendedores missionários (FILION, 1999).
O missionário: O empreendedor missionário, na maioria das
vezes, iniciou seu negócio sozinho ou comprou seu atual
empreendimento de terceiros e realizou mudanças essenciais
para chegar aonde chegou. Conhece a fundo seu produto ou
serviço, assim como o mercado em que está inserido. É
consumido pelo que faz e sente muito prazer pelo que constrói.
Após a fase de sobrevivência, fica aberto a novas ideias e se
preocupa com o aprendizado e bem estar de seus
colaboradores. Sempre inova em sua forma de trabalhar e faz
questão de repassar suas ideias para quem trabalha com ele,
provocando motivação e realização para si e os que estão em
sua volta. Esse empreendedor tem forte tendência de expandir
seu negócio para o exterior (FILION, 1999).
Filion (1999) conclui que, assim como o conceito de
empreendedorismo, nenhuma tipologia é completa para definir todos
os empreendedores existentes. Na sua visão, cada caso pode ser
considerado único. Entretanto, as tipologias provêm uma base para
a compreensão dos pontos de apoio, bem como dos valores e do
pensamento dos empreendedores e as linhas para a compreensão
da consistência comportamental geral dos atores.
7.3 Características comportamentais
empreendedoras (CCE´S)
Atualmente, dois pontos se sobressaem nos estudos a respeito do
empreendedor: o econômico e o comportamental (ZEN;
FRACASSO, 2008). O ponto de vista econômico, apresentado por
Schumpeter (1982), é relacionado à inovação. Para ele, os
empreendedores causam a “destruição criativa”, ação definida como
impulso essencial que move e conserva a máquina capitalista, incessantemente inventando novos produtos, novos meios de
produção e novos mercados, sobrepondo-se aos remotos processos
menos eficientes e mais onerosos. Já a abordagem comportamental
é associada a características dos empreendedores, representado
por McClelland (1972) ao confrontar o conceito de empreendedor
com o de sucesso, de prestígio, de influência e de controle.
Essa abordagem comportamental, resultado das pesquisas de
McClelland (1972), contribuiu de forma mais significativa para o
campo do empreendedorismo. McClelland (1972) indicou três
necessidades peculiares dos empreendedores, conforme Quadro 8:
a necessidade de realização pessoal, a principal necessidade
mencionada entre os empreendedores bem sucedidos; a
necessidade de poder e dominação; e a necessidade de afiliação,
isso quando há pretensão de uma pessoa em principiar, manter ou
renovar uma afinidade afetiva com outra.
Quadro 8 – Características comportamentais empreendedoras
Necessidade Características comportamentais empreendedoras
Busca de oportunidades e iniciativa
Persistência
Realização Comprometimento
Exigência de qualidade e eficiência
Correr riscos calculados
Estabelecimento de metas
Planejamento Busca de informações
Planejamento e monitoramento sistemático
Poder Persuasão e rede de contatos
Fonte: Adaptado do Sebrae (2005).
Necessidade Características comportamentais empreendedoras
Independência e autoconfiança
Fonte: Adaptado do Sebrae (2005).
A necessidade pode ser relacionada à dimensão do coletivismo,
para McClelland (1972), um “sintoma de preocupação na fantasia e
na atividade real por tudo o que diz respeito a uma relação cordial e
íntima entre as pessoas”. Assim, o referido autor identificou, como
principal força motivadora da atitude empreendedora, a
“necessidade de realização do indivíduo” ou a vontade humana de
se superar e tornar-se diferente, envolvendo características
psicológicas e atitudinais, como tendência ao risco, iniciativa e
desejo de reconhecimento.
Dessa forma, a necessidade de realização refere-se à busca de
oportunidades e à suscetibilidade para realizar inovações, ser capaz
de inventar e sustentar uma cadeia de contatos para bons
relacionamentos. Essa necessidade, especialmente, demanda muita
insistência e muito empenho. Isso insinua que o empreendedor
precisa estar disposto a erros e acertos, sem perder suas
obrigações e metas almejadas. A cobrança de qualidade e eficiência
está bem presente na necessidade de realização, razão pela qual se
deve sucessivamente procurar atender ou ultrapassar as
perspectivas de prazo e qualidade. Havendo assim também a
questão dos riscos, pois esses estão em qualquer atividade,
contudo, necessitam ser avaliados, de forma bastante planejada,
para minimizá-los (MCCLELLAND, 1972).
No tocante à necessidade de planejamento, o Sebrae (2005) faz
referência ao estabelecimento de metas que o empreendedor
estipula de curto e longo prazo. O benefício desse planejamento é
que o empreendedor poderá determinar, com mais nitidez, os
objetivos e as metas que proporcionem capacidade de atingir
projetos mais abrangentes e contínuos. Com relação à sede de
poder, está ligada à capacidade de persuasão, que é a habilidade
de influenciar, que concerne em conseguir autonomia nas relações e
a certeza de suas capacidades. No mais, essa questão indica que precisa conservar sua ótica ainda perante a obstinação ou os
resultados que o deixem desmotivado.
Assim, McClelland (1972), em sua abordagem psicológica, define
empreendedores ao relacioná-los à necessidade de sucesso, de
reconhecimento e de desejo de poder e controle. Em suas
pesquisas, de um modo geral, procura identificar o que fazem e
como pensam os empreendedores bem sucedidos, visando
estabelecer um ponto de partida para detectar e reforçar tais
características em outros indivíduos. As primeiras pesquisas
realizadas por esse autor apontaram, como principal força
motivadora da atitude empreendedora, a “necessidade de realização
do indivíduo”. Isso corresponde à vontade humana de se superar e
tornar-se diferente, envolvendo características psicológicas e
atitudinais como, entre outras, tendência ao risco, iniciativa e desejo
de reconhecimento (DEPIERI, 2005).
7.4 Microempreendor individual (MEI)
O trabalho informal começou da necessidade dos trabalhadores
que não conseguiam entrar ou regressar ao mercado de trabalho
devido às dificuldades com que se deparavam no decorrer da
procura por emprego ou até por alternativa própria, buscando
continuamente aumentar a renda. Devido ao desenvolvimento do
comércio informal, aconteceram algumas mudanças no Código Civil,
por meio das quais diversos empreendedores definiram regularizar o
seu empreendimento, por causa dos benefícios que essa
regularização proporcionava (SEBRAE, 2014).
O microempreendedor individual é a pessoa que trabalha por
conta própria e que se formaliza como pequeno empresário
(PORTAL DO EMPREENDEDOR, 2014). No Brasil, os
microempreendedores, até 2008, exerciam suas relações
comerciais informalmente, por não haverem dado entrada na
regularização das atividades. Posteriormente, com a promulgação
da Lei do Microempreendedor e sua pouca burocracia, esse grupo
obteve o direito à formalização do desenvolvimento de suas
atividades econômicas e a proteção de alguns direitos básicos sociais, como: auxílio maternidade; auxílio doença; aposentadoria,
entre outros. A Lei Complementar 128/2008, do Micro
Empreendedor Individual, tem por objetivo promover ajustes na Lei
Geral da Micro e Pequena Empresa, a Lei Complementar123/06. A
Lei 128/2008 entrou em vigor em 1º de julho de 2009, denominando
o autônomo e o empresário individual como Microempreendedor
Individual – MEI (PORTAL DO EMPREENDEDOR, 2014).
Os públicos-alvo dessa formalização do trabalho, por meio da
MEI, são: ambulantes, cabeleireiros, manicures, marceneiros,
eletricistas, feirantes, encanadores, pedreiros, mecânicos, pintores,
sapateiros, pipoqueiros, dentre outros de diversos segmentos
(RELATÓRIO SEBRAE PERFIL EMPREENDEDOR, 2013).
O microempreendedor individual tem responsabilidades pela
tributação de pessoa física e jurídica. Contudo, é interessante
elucidar que estas nunca poderão ser confundidas. É a pessoa
jurídica quem cobrirá os impostos essenciais às suas atividades e,
no caso de possuir empregados em seu empreendimento,
recolhem-se o INSS, ICMS/ISS, dependendo do segmento da
atividade e permanecendo isento pela LC nº 128/08 de emitir os
pagamentos do PIS, CONFINS, CSLL e IPI e INSS Patronal
(SOUZA, 2010).
A formalização é gratuita e pode ser realizada por intermédio dos
escritórios de contabilidade optantes pelo Simples Nacional, pelo
Sebrae, escritórios de contabilidade ou pelo próprio
microempreendedor. O registro do MEI precisará ser realizado por
meio da internet, pelo portal do empreendedor. Desse modo, após a
formalização do MEI, o empreendedor individual passa a contar com
benefícios previdenciários e seus períodos de carência, de acordo
com o Portal Empreendedor (2014): aposentadoria por invalidez,
aposentadoria por idade; aposentadoria especial e aposentadoria
por tempo de contribuição; auxílio-doença e auxílio-acidente;
salário-família e salário-maternidade. Por fim, os dependentes do
MEI terão direito a pensão morte e auxílio reclusão.
Ao regularizar seu negócio, o empreendedor tem a oportunidade
de suplantar os problemas financeiros que afetam seu
empreendimento. A formalização diminui a insegurança jurídica do
negócio, do modo a consentir que a atividade seja em local legalizado, havendo alvarás de funcionamento e sanitário.
Igualmente, faz com que o empreendedor possa comprovar sua
renda, podendo, portanto, abrir conta bancária, ter acesso a crédito
financeiro, dentre outros benefícios.
No tocante ao faturamento, o limite máximo para o
enquadramento na MEI é de uma receita bruta anual de até R$
60.000,00. Outro ponto importante é que o MEI só poderá contratar
um único funcionário e este deverá receber o piso salarial da
categoria profissional ou um salário mínimo. Sobre o alvará de
funcionamento, os estabelecimentos empresariais são permitidos a
funcionar pelas prefeituras. Para isso, os empreendedores precisam
estar atentos às peculiaridades do seu município para que todos os
processos relacionados ao alvará de funcionamento aconteçam em
concordância com a previsão legal (PORTAL DO
EMPREENDEDOR, 2014).
7.5 Procedimentos metodológicos
Essa pesquisa busca explanar a problemática referente à
influência do Sebrae na ação empreendedora em prol do
desenvolvimento e da ampliação do negócio do microempreendedor
individual da cidade de Mossoró/RN. Com isso, buscou-se a
realização do estudo no Escritório Regional do Oeste – Sebrae em
Mossoró/RN, onde os MEI’s foram formalizados e desenvolvem
suas atividades.
Assim, esta pesquisa enquadra-se como aplicada quanto a sua
natureza, exploratória e descritiva quanto aos seus objetivos e
qualitativa quanto à forma de abordagem do problema, tanto no que
se refere à forma de abordar o fenômeno quanto no que diz respeito
à maneira como foi estruturado. Gomes e Araújo (2005) defendem
que isso se explica pelo fato de esse tipo de pesquisa propiciar a
obtenção de resultados mais fidedignos, uma vez que, nessa
tipologia metodológica, prioriza-se a qualidade em detrimento da
quantidade. Vale salientar que as informações quantitativas que são
apresentadas neste estudo, tais como médias ou percentuais, serviram apenas como demonstração dos dados obtidos, não
invalidando, assim, a sua natureza qualitativa.
É caracterizada também por um estudo de caso, pois se
fundamenta no estudo intenso de um ou poucos objetos, no caso,
os microempreendedores individuais da cidade de Mossoró/RN, de
modo que consinta seu vasto e detalhado conhecimento. Segundo
Gil (2010, p. 58), o estudo de caso é caracterizado pelo estudo
profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, de maneira a
permitir o seu conhecimento amplo e detalhado, tarefa praticamente
impossível mediante os outros tipos de delineamentos
considerados.
O tipo de amostragem utilizada foi a não probabilística, com base
no critério de acessibilidade ou intencionalidade. Nesse sentido, do
universo de 4.569 MEI’s cadastrados no Sebrae Mossoró/RN, essa
pesquisa apresenta resultados com base na amostra de 154
microempreendedores individuais (Quadro 9), que responderam ao
questionário estruturado de forma presencial ou através de e-mail,
no período de outubro a dezembro do ano de 2014.
Quadro 9 – Quantitativo dos MEI´s quanto à área de atividade
Área de atividade dos microempreendedores Quantidade
individuais
Ambulante 19
Cabeleireiro (a) 43
Costureira 3
Eletricista 2
Proprietário (a) de mini mercado 2
Proprietário (a) de restaurante 18
Proprietário (a) de casas de chá, lanchonetes 13
Fonte: Dados da pesquisa (2014).
Área de atividade dos microempreendedores Quantidade
individuais
Comerciante de artigos de perfumaria 17
Comerciante de artigos de vestuário e acessórios 28
Comerciante de bebidas 9
Total 154
Fonte: Dados da pesquisa (2014).
A coleta dos dados se deu por meio de um questionário
estruturado, composto de duas partes. A parte I teve por objetivo
identificar o perfil do microempreendedor individual e as opiniões
acerca do desenvolvimento e das melhorias alcançadas pelo
empreendedor a partir da procura por sua regularização. Já na parte
II, os respondentes foram questionados quanto à autoavaliação do
perfil empreendedor e da influência do Sebrae nas competências
gerenciais dos entrevistados.
Assim, para a análise do questionário na parte II, utilizou-se a
“Escala de Likert”, mediante a qual os pesquisados responderam a
cada quesito por intermédio de vários graus de concordância. O
nível de concordância dos questionários em relação aos fatores
investigados foi enumerado mediante uma escala formada por cinco
pontos equidistantes, sendo o 1º e o 2º ponto correspondentes à
insuficiente e fraco, o 3º correspondente à regular, o que se pode
considerar como um ponto imparcial, e os 4º e 5º pontos
correspondentes a bom e a excelente.
A análise e a interpretação dos dados constituem um processo
que envolve vários procedimentos e análises que requerem a
interpreta- ção dos dados. Essa interpretação visa estabelecer a
ligação entre os resultados obtidos e outros já conhecidos,
derivados de teorias ou de estudos anteriores (GIL, 2010). Nesse
sentido, com base nos objetivos deste estudo, os dados coletados
foram analisados de acordo com o modelo de abordagem interpretativa, tendo em vista que esse tipo de abordagem tem como
finalidade a busca pelo sentido mais amplo da resposta (GIL, 2010).
7.6 Apresentação e análise dos dados
Para um melhor entendimento, a apresentação e a análise dos
resultados está dividida nas duas partes do questionário: a primeira
trata da caracterização dos microempreendedores respondentes do
questionário, e a segunda parte apresenta a autoavaliação do perfil
empreendedor e a influência do Sebrae em suas competências
gerenciais, focalizando os itens abordados no instrumento de coleta
da pesquisa.
7.6.1 Parte I – Caracterização dos MEI`s
7.6.1.1. Quanto à faixa etária e à escolaridade
De acordo com as informações obtidas pelos questionários, pode-
se perceber que os microempreendedores individuais apresentaram
um total de 57 respondentes, com idade de 31 a 40 anos, 38 com
idade de 41 a 50 anos, 37 com idade de 21 a 30 anos. Nesse
sentido, é possível verificar microempreendedores individuais com
idades de 21 a 50 anos, que já desenvolvem atividades
relacionadas a seu negócio próprio.
Com relação ao nível de escolaridade apresentado obtido pelas
respostas, observa-se que mais de 70 indivíduos, do total de
trabalhadores pesquisados, têm o ensino médio completo, sendo
este o nível de escolaridade que predomina na maior parte dos
microempreendedores individuais formalizados e analisados nesta
pesquisa. Percebe-se também que uma pequena parte da amostra
se especializou em uma atividade por meio do ensino superior ou
técnico, 8 e 3, respectivamente. Observam-se ainda 35
respondentes com nível de escolaridade médio incompleto e uma
quantidade significativa de 27 respondentes que cursaram apenas o ensino fundamental, necessitando de auxílio e capacitação para
gerenciar seus negócios.
7.6.1.2. Quanto aos motivos que levaram os MEI’s a investirem
no empreendimento
O desejo de ter o próprio negócio foi bastante relevante para 66
microempreendedores individuais na cidade de Mossoró/RN,
seguido da afinidade pela atividade, com 49 respondentes, e da
dificuldade de conseguir emprego, com 37 respondentes. Houve
também uma pequena quantidade de 3 respondentes que informou,
como motivo, o incentivo de amigos e familiares.
Com isso, McClelland (1972) identifica, como principal força
motivadora da atitude empreendedora, a “necessidade de realização
do indivíduo” ou a vontade humana de se superar e tornar-se
diferente. Dessa forma, a necessidade de realização refere-se à
busca de oportunidades e à suscetibilidade para realizar inovações,
capazes de inventar e sustentar uma cadeia de contatos para bons
relacionamentos.
7.6.1.3. Quanto às facilidades para formalização do MEI
Com relação às facilidades para formalização do MEI, perguntou-
se aos microempreendedores individuais como estes tomaram
conhecimento do Programa MEI. Quase metade, ou seja, 76
respondentes, soube do programa por meio de métodos de
capacitação do Sebrae. Além disso, 48 dos respondentes
informaram que conheceram o programa pela televisão, por meio de
propagandas relacionadas com o Sebrae ou envolvendo suas
parcerias, e apenas 18 respondentes afirmaram que o
conhecimento se deu por meio da internet. Dessa forma, observa-se
um trabalho significativo do Sebrae, do governo e de entidades
envolvidas em relação à divulgação da Lei Complementar nº 128, de
19/12/2008 para a figura do microempreendedor individual,
propiciando condições especiais para que o trabalhador conhecido como informal possa se tornar um MEI legalizado, com apoio dos
serviços do Sebrae.
Nesse sentido, é possível verificar que o Sebrae buscou, de forma
ostensiva, noticiar o MEI, disponibilizando a esses
microempreendedores ferramentas indispensáveis para solucionar
suas dúvidas e captar informações indispensáveis para que possa
escolher, de forma consciente, pela sua formalização. O Sebrae
fornece atendimento gratuito para a orientação e a formalização
desses microempreendedores individuais.
7.6.1.4. Quanto aos meios de conhecimento sobre o MEI
Com relação aos meios de conhecimento sobre o MEI, os 102
respondentes informaram que encontraram informação facilmente
no Sebrae e assim realizaram a formalização no mesmo momento.
Além disso, 28 respondentes obtiveram conhecimento por outros
meios, formalizando-se por intermédio do site do Portal
Empreendedor ou por meio de um contador, e 18 respondentes
informaram que necessitaram retornar várias vezes em busca de
conhecimento para se sentirem seguros sobre a formalização.
Sobre os respondentes que buscaram informações várias vezes
para regularizarem suas atividades, apresentando dificuldades ou
inseguran- ça, faz-se necessário que estes procurem, por outros
meios, profissionais ou entidades para obterem informações mais
compreensíveis. Apesar de representar um número pequeno em
relação aos outros MEI’s, evidencia ainda a necessidade, por parte
dos órgãos competentes como o Sebrae, de ter mais ferramentas
para proporcionar informações mais detalhadas e de fácil
entendimento aos microempreendedores que buscam esses
esclarecimentos e ajuda para sua formalização.
7.6.1.5. Quanto aos benefícios que motivaram o
microempreendedor à formalização e os que tiveram maior
contribuição no dia-a-dia das atividades
Com relação aos benefícios encontrados que motivaram o
microempreendedor a obter formalização, verifica-se que 83
respondentes informaram que foi com relação ao benefício dos
direitos previdenciários, 24 respondentes informaram que foi o
benefício de poder emitir nota fiscal e possuir comprovação de
renda e 18 respondentes informaram que foi com relação ao
benefício da obtenção da redução dos impostos e obrigações
exigidas.
Esse resultado demonstra, com relação à maior quantidade que
afirmou a busca de direitos previdenciários, que o trabalhador
informal não está amparado por nenhuma segurança previdenciária
em caso de acidente ou de problema de saúde resultante do
trabalho, assim como não é contemplado pelos demais benefícios
que comumente são cedidos aos trabalhadores assalariados. Nesse
sentido, com a formalização por meio do MEI, o empreendedor
individual passa a ser protegido com alguns benefícios
previdenciários, como já citados. Sendo assim, o
microempreendedor individual enxerga, na formalização de seu
negócio, a oportunidade de trabalhar dentro da legalização,
procurando o seu desenvolvimento e o de seu negócio,
apresentando novos conhecimentos, ou complementando suas
experiências.
Com relação a quais desses benefícios tiveram maior contribuição
no dia-a-dia das atividades, verifica-se que, apesar do benefício de
obtenção dos direitos previdenciários ter sua maioria, obteve
segunda colocação nesse item, com 57 dos respondentes. Nesse
sentido, o benefício de realização pessoal e profissional obteve a
maior quantidade, com 64 dos respondentes marcando essa opção.
Verificam-se ainda 19 respondentes que afirmaram facilidades no
acesso ao crédito e financiamentos e 13 respondentes que
afirmaram redução dos impostos e das obrigações exigidas.
Para esse resultado, observa-se que os dois benefícios que foram
de maior relevância para os pequenos empreendedores, o de
realização pessoal e profissional, refletem que o desejo de ter o
próprio negócio, além de uma forma de subsidiar a renda e o
sustento, o negócio pode trazer satisfação para este indivíduo. Para
isso, McClelland (1972) afirma, em seus estudos sobre as características comportamentais empreendedoras, que a
necessidade de realização pessoal é a principal necessidade
mencionada pelos empreendedores bem sucedidos. E o benefício
dos direitos previdenciários mostra que, além de ser o motivo que os
motivaram a formalizar, também é o benefício considerado de maior
contribuição no desenvolvimento das atividades, pelas razões já
informadas no item anterior.
7.6.1.6 Quanto às vendas após a formalização e à contribuição
do Sebrae para os resultados obtidos
Quanto à indagação se, após a formalização, as vendas
aumentaram, diminuíram ou se foi indiferente, a maioria dos
respondentes, ou seja, 123, responderam que aumentaram as
vendas após a formalização. Dessa forma, verifica-se que é um
número bastante significativo quanto à relevância do programa para
o desenvolvimento dessas atividades e ao estimulo à regularização
das empresas. Apesar disso, 27 dos respondentes afirmaram que
foi indiferente, ou seja, nem aumentaram nem diminuíram as
vendas.
Assim, em termos de porcentagem, dos 123 respondentes que
afirmaram que as vendas aumentaram, 27 responderam que as
vendas aumentaram em 20%, 8 responderam que aumentaram em
30%, 14 responderam aumentaram em 40%, 18 responderam
aumentaram em 50%, 13 responderam que aumentaram em 60%,
12 responderam aumentaram em 80%, 14 responderam que
aumentaram em 100% e 17 responderam aumentaram em mais de
100%. Contudo, foi possível observar que, embora os resultados
estejam visualizados, de acordo com a resposta dos MEI’s,
percebeu-se uma dificuldade de conhecimentos sobre o real
aumento dessas vendas, inclusive reconhecido por eles mesmos no
que se refere à mensuração das vendas. Com isso, pode-se inferir o
desconhecimento por parte dos respondentes acerca dessa
questão.
Com isso, complementando essa questão, foi indagado aos MEI’s
qual a ação deles junto ao Sebrae para o resultado desse aumento
das vendas. Como resultado positivo, chegando a um consenso sobre as respostas, houve o reconhecimento desses
microempreendedores de que conseguiram aumentar suas vendas
após a formalização, por seguirem os ensinamentos adquiridos em
capacitações e as orientações fornecidas pelo Sebrae. Já no que se
refere ao não aumento das vendas, o resultado da conclusão para
essas respostas foi de que os MEI’s que se formalizaram no Sebrae
apenas procuraram a instituição para a regularização da empresa e
não especificamente para ações de capacitação em vendas ou de
que afirmaram que, mesmo com as ações, o ritmo de vendas não foi
alterado após a formalização.
7.6.1.7 Quanto à satisfação com a formalização e o
desenvolvimento da atividade e com as ações do Sebrae após a
formalização
Com relação à satisfação com a formalização e o
desenvolvimento da atividade, observa-se que 137 dos
respondentes afirmaram estar satisfeitos por optarem pela
formalização e reconhecem o desenvolvimento dessa atividade
após essa ação, enquanto que 17 dos respondentes afirmaram não
estar satisfeitos com a formalização e com o desenvolvimento da
atividade. O êxito, para o microempreendedor, pode ser avaliado
pela liberdade e pelo equilíbrio de seu negócio, o que favorecerá
melhor qualidade de vida (PORTAL DO EMPREENDEDOR, 2014).
Com relação à satisfação com as ações do Sebrae para com o
microempreendedor individual após a formalização, os dados
demonstram que 123 respondentes estão satisfeitos com as ações
do Sebrae, enquanto 31 respondentes afirmaram não estarem
satisfeitos.
Esse resultado corrobora com o item anterior e mostra que o
objetivo do Sebrae em auxiliar na formalização do
microempreendedor individual está sendo cumprido e gerando
resultados satisfatórios. Nesse sentido, a influência do Sebrae com
relação aos 154 microempreendedores individuais é positiva e
satisfatória, acarretando maior autonomia, manutenção de seu
ponto de vista, mesmo diante da oposição ou de resultados inicialmente desanimadores, e confiança na sua própria capacidade
de completar uma tarefa difícil ou de enfrentar um desafio.
Para finalizar essa fase, foi perguntado aos microempreendedores
individuais o que o Sebrae poderia melhorar para o desenvolvimento
dos MEI’s e, como resposta, obtiveram-se as seguintes afirmações:
119 microempreendedores afirmaram estar satisfeitos e não deram
nenhuma sugestão; 16 não responderam; 4 sugeriram haver uma
maior atenção ou acompanhamento com os MEI’s; 2 sugeriram
realizar mais eventos voltados para esses empreendedores; 2
citaram a necessidade de propagar casos de sucessos para surgir
ideias; 2 sugeriram mostrar opções de ideias; 1 sugeriu fazer
parcerias com as autoridades para reduzir os impostos; 3 sugeriram
criar uma associação para os MEI’s, um dos quais especificou sua
sugestão de uma associação por segmento de mercado; 1 sugeriu
que o valor das consultorias fosse mais acessível e 4 sugeriram
uma parceria com os bancos para facilitar o crédito.
Nesse panorama, é importante ressaltar que essas opiniões
abrangeram também os MEI’s que estão na condição de satisfeitos,
indiferentes e não satisfeitos com os serviços prestados, mas que
quiseram dar sua contribuição quanto a suas ações para o
desenvolvimento dos negócios. Dessa forma, essas sugestões
serão enviadas aos responsáveis para as devidas avaliações e
adequações que se fizerem necessárias.
7.6.2 Parte II – Avaliação do perfil empreendedor
e influência do Sebrae nas competências
gerenciais dos MEI’s
Para compor essa avaliação, o questionário de pesquisa objetivou
conhecer a influência do Sebrae nas competências gerenciais dos
microempreendedores individuais, nas áreas de marketing,
operações/ produção, finanças, administração, relacionamento
interpessoal/equipes e quais habilidades específicas não estavam
listadas nas áreas já citadas, com relação a uma autoavaliação e à
importância para a empresa.
7.6.2.1 Autoavaliação referente ao marketing
Com relação à autoavaliação referente ao marketing, conforme
Tabela 19, é possível observar que a área de marketing, para esses
pequenos microempreendedores individuais, é bastante
considerada na sua autoavaliação e de importância para a empresa,
com a grande maioria dos respondentes tecendo opiniões entre
excelente e bom, no que se refere a avaliação e pesquisa de
mercado, planejamento de marketing, estabelecimentos de preços
dos produtos, gerenciamento de vendas, vendas por catálogo/mala-
direta, telemarketing, serviço ao consumidor, gerenciamento de
distribuição, planejamento de novos produtos e venda direta.
Tabela 19 – Autoavaliação referente ao
Competências Sua avaliação Imp
gerenciais
Excelente Bom Regular Fraco Insuficiente Exc
Marketing 5 4 3 2 1
1. Avaliação e 56 64 21 8 5
pesquisa de
mercado.
2. Planejamento 43 88 19 2 2
de marketing
3.Estabelecimento 59 74 11 8 2
de preços dos
produtos.
4. Gerenciamento 5 4 3 2 1
de vendas.
Fonte 4. Gerenciamento 54 73 17 3 7 : Dados da pesquisa (2014). de vendas
de vendas.
5. Venda por 12 16 3 0 0 gerenciais Competências Sua avaliação Imp catálogo/mala Excelente Bom Regular Fraco Insuficiente Exc
6. Telemarketing. 17 23 12 2 0
7. Serviço ao 42 80 23 9 0
consumidor.
8. Gerenciamento 23 57 24 16 7
de distribuição.
9. Planejamento 53 57 19 9 16
de novos
produtos.
10. Venda direta. 67 53 16 6 12
Fonte: Dados da pesquisa (2014).
Embora o termo marketing não seja muito conhecido por esses
microempreendedores, e sim o termo propaganda, segundo eles
próprios, percebe-se que, desde o item 1 até o item 10 da área de
marketing, a grande maioria informou que a influência do Sebrae
sobre essa área é considerada excelente e boa tanto para a sua
avaliação quanto para a empresa.
Diante disso, segundo o Sebrae (2014), a capacitação na área de
marketing envolve o evento O Negócio é o Seguinte. Esse evento
aborda temas de importância para o microempreendedor individual,
como compras, vendas, cooperação, planejamento, marketing e
finanças.
7.6.2.2 Autoavaliação referente às operações/produção
Com relação à autoavalição referente à área de
operações/produção, na Tabela 20, é possível observar que, para os
microempreendedores individuais, a área de operações/produção
também é bastante considerada na sua autoavaliação e quanto à
importância para a empresa. Embora grande parte dos
respondentes tenha considerado excelente a participação do Sebrae nesse contexto, a parcela maior dos respondentes afirmou como
boa essa influência, no que se refere a gerenciamento da
manufatura, controle de estoques, controle de análises de custos,
planejamento e produção e compras de matérias-primas.
Tabela 20 – Autoavaliação referente às ope
Competências Sua avaliação Im
gerenciais Excelente Bom Regular Fraco Insuficiente E
Operações/Produção 5 4 3 2 1
1. Gerenciamento da 23 84 32 8 7
manufatura
2. Controle de 27 99 18 6 4
estoques
3. Controle e análise 23 64 45 19 3
de custos
4. Planejamento de 56 87 8 2 1
Produção
5. Compra de 49 41 34 19 11
matérias-primas
Fonte: Dados da pesquisa (2014).
Dessa forma, percebe-se que, desde o item 1 até o item 5 da área
de operações/produção, a grande maioria informou que a influência
do Sebrae sobre essa área é considerada boa e excelente tanto
para a sua avaliação quanto para a empresa. Assim, diante de
muitas indagações, entende-se que uma boa atuação nessa área
visa compreender o surgimento de oportunidades para a criação de
produtos e serviços, mercados novos, novas formas e processos de
produção, medidas de como utilizar, de forma eficiente, a matéria-
prima e as tecnologias existentes, além de entender como os
indivíduos exploram e desenvolvem esses meios (BARON, 2010).
7.6.2.3 Autoavaliação referente às finanças
Com relação à autoavaliação referente ao marketing, conforme
Tabela 21, é possível observar que a área de finanças, para esses
pequenos microempreendedores individuais, é considerada
importante para a sua autoavaliação e para a empresa. Porém,
obteve uma variação de respondentes tecendo opiniões entre
excelente, bom e regular, no que se refere a contabilidade,
orçamentos, gerenciamento de fluxo de caixa, gerenciamento de
contas a pagar e receber, gerenciamento das relações com fontes
de financiamento, negociação para obtenção de recursos
financeiros, contratos, impostos, seguros e patentes e propriedade
intelectual.
Apesar dessa variação, é possível perceber a importância dessa
área para os microempreendedores e uma influência relativamente
positiva por parte do Sebrae aos MEI’s. Nesse mesmo item,
observa-se que nenhum dos microempreendedores considerou
insuficiente a influência da instituição para esse aspecto.
Tabela 21 – Autoavaliação referente às f
Competências Sua avaliação Im
gerenciais Excelente Bom Regular Fraco Insuficiente Excele
5 4 3 2 1 5
Finanças
1. 57 33 27 24 13 57
Contabilidade
2. Orçamentos 56 77 19 2 0 56
3. 63 47 29 12 3 63
Gerenciamento
de fluxo de
Fonte: Dados da pesquisa (2014). caixa
caixa
gerenciais Gerenciamento Excelente Bom Regular Fraco Insuficiente Excele de contas a Competências Sua avaliação Im 4. 62 42 21 17 12 62
pagar e a
receber
5. 59 47 29 12 7 59
Gerenciamento
das relações
com fontes de
financiamento
6. Negociação 7 21 7 1 5 7
para obtenção
de recursos
financeiros
7. Contratos 0 0 0 0 0 0
8. Impostos 7 2 0 0 0 7
9. Seguros 0 0 0 0 0 0
10. Patentes e 2 1 0 0 0 2
propriedade
intelectual
Fonte: Dados da pesquisa (2014).
Dessa forma, cabe ao Sebrae enfatizar aos
microempreendedores individuais a necessidade de se buscar
auxílio quanto a informações sobre inovação, gestão, finanças,
sustentabilidade, bem como de participar de programas
desenvolvidos pelo Sebrae, visando a retenção de clientes, qualificação e desenvolvimento do produto/serviço, fatores
essenciais para a permanência do negócio no mercado.
7.6.2.4 Autoavaliação referente às rotinas administrativas
Com relação à autoavaliação referente à área de administração
no que envolve as ações nas rotinas administrativas, conforme
Tabela 22, é possível observar que a área administrativa, para esses
pequenos microempreendedores individuais, é bastante
considerada na sua autoavaliação e quanto à importância para a
empresa, com a grande maioria dos respondentes tecendo opiniões
entre excelente e bom, no que se refere a resolução de problemas,
comunicação, planejamento, tomada de decisão, gerenciamento de
projetos, negociação, administração pessoal e sistema de
informação gerencial.
Tabela 22 – Autoavaliação referente às rotinas
Competências Sua avaliação Im
gerenciais Excelente Bom Regular Fraco Insuficiente Excele
5 4 3 2 1 5
Rotinas 5 4 3 2 1 5
administrativas
1. Resolução 56 83 10 3 2 56
de problemas
2. 81 57 11 4 1 81
Comunicação
3. 58 66 19 7 4 58
Planejamento
Fonte 4. Tomada de : Dados da pesquisa (2014). 49 73 21 6 5 49 decisão Competências Sua avaliação Im
5. 19 23 9 5 17 19 gerenciais Excelente Bom Regular Fraco Insuficiente Excele Gerenciamento
de projetos
6. Negociação 55 34 21 7 4 55
7. 21 26 7 2 2 21
Administração
pessoal
8. Sistema de 6 19 14 2 3 6
informação
gerencial
Fonte: Dados da pesquisa (2014).
Embora essa seja uma área bastante complexa, percebe-se que,
desde o item 1 até o item 8 da área administrativa, a grande maioria
informou que a influência do Sebrae sobre essa área é considerada
excelente e boa tanto para a sua avaliação quanto para a empresa.
Dornelas (2005) ainda afirma que o empreendedor planejado
seria, entre todos, o mais completo do ponto de vista da
caracterização de empreendedor e que deveria ser seguido como
referência.
7.5.2.5 Autoavaliação referente ao relacionamento
interpessoal/equipes
Com relação à autoavaliação referente ao relacionamento
interpessoal/ equipes, conforme Tabela 23, é possível observar que
essa área de relacionamento, para esses pequenos
microempreendedores individuais, é bastante considerada na sua
autoavaliação e quanto à importância para a empresa, porém com
uma quantidade baixa de respondentes tecendo opiniões entre
excelente e bom. Apenas 12, dos 154 microempreendedores,
responderam aos itens questionados. Isso se dá pelo fato de a
grande maioria dos MEI’s operarem suas atividades sozinhas ou com, no máximo, um trabalhador com carteira assinada, segundo a
Lei 128/2008 do Microempreendedor Individual.
Embora hajam sido obtidas poucas respostas com relação a essa
autoavaliação, percebe-se que, desde o item 1 até o item 7 da área
de relacionamento interpessoal/equipes, a grande maioria que
respondeu informou que a influência do Sebrae sobre essa área é
considerada excelente e boa tanto para a sua avaliação quanto para
a empresa.
Tabela 23 – Autoavaliação referente ao relacio
Competências gerenciais Sua avaliação
Excelente Bom Regular Fraco Insufic
5 4 3 2 1
Relacionamento interpessoal/equipes
1.Liderança/visão/influência 6 6
2. Ajuda e coaching 7 5
3.Feedback 7 5
4.Gerenciamento de 2 4 1 2 3
conflitos
5. Gerenciamento de 7 5
pessoas
6. Trabalho em equipe 7 5
7. Construção de equipes 6 6
de trabalho
Fonte: Dados da pesquisa (2014)
Fonte: Dados da pesquisa (2014).
Todavia, de acordo com o Sebrae (2014), mesmo com essa
limitação no quadro de colaboradores, os poucos envolvidos no
negócio devem avaliar oportunidades, identificar, buscar e alocar os
recursos necessários ao negócio, planejar as ações a serem
tomadas, implementar e gerenciar o novo negócio.
Por fim, foi sugerido aos microempreendedores individuais que
eles explanassem outros fatores nos quais o Sebrae tenha
contribuído para o desenvolvimento de suas atividades que não
foram expostos pelo instrumento de pesquisa. Apenas 1
empreendedor respondeu a essa questão, explanando um fator que
contribuiu positivamente tanto para sua avaliação quanto para seu
empreendimento, que foi referente às capacitações de oratória.
Esse único fator foi avaliado no nível 5, considerado excelente no
que se refere à dificuldade de falar em público sanada pelas
orientações fornecidas pelo Sebrae.
7.6 Considerações finais
A pesquisa realizada com os microempreendedores individuais da
cidade de Mossoró/RN teve como objetivo analisar a influência do
Sebrae na ação empreendedora desses pequenos empresários. A
pesquisa cumpriu o objetivo a que se propôs, ao perceber que a
influência do Sebrae na ação empreendedora em prol do
desenvolvimento e DA ampliação do negócio do
microempreendedor individual decorre da procura desses indivíduos
pelos recursos oferecidos pela instituição. Nesse sentido, por parte
da organização responsável por fomentar esse desenvolvimento, é
feito um trabalho de sensibilização a partir de eventos, feiras, apoios
em programas de desenvolvimento de responsabilidade municipal,
estadual e nacional, bem como da disponibilidade da própria
estrutura para receber esses empreendedores. Desse modo, foi
verificado um alto índice de satisfação com relação ao programa do
MEI e às ações do Sebrae realizadas após essa formalização. GOMES, F. P.; ARAÚJO, R. M. Pesquisa quanti-qualitativa em
Embora os resultados da autoavaliação se apresentem positivos
no tocante às contribuições para o conhecimento em competências
gerenciais fornecidos pelo Sebrae, tanto para esses
microempreendedores individuais quanto para seu empreendimento,
verificou-se uma ruptura na continuação da prestação desses
serviços por conta da falta de interesse dos próprios
microempreendedores em procurar orienta- ção e capacitação no
Sebrae. Nesse sentido, a justificativa dada pelos MEI’s é que essa
ausência da procura por conhecimentos, capacitação e orientação
dos microempreendedores ocorra pelo fato de conduzirem os
negócios sozinhos. Mesmo nessa situação, o Sebrae dispõe de
recursos que sanem esses obstáculos, como cursos online, ensino a
distância (EaD), visitas para consultorias, orientações por meio de
telefone, e-mail e mídias sociais, bastando apenas haver a procura
por parte dos microempreendedores individuais.
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empreendedor. RAM – Revista de Administração Mackenzie, v. 9,
n. 8, edição especial, p. 135-150, 2008.
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