Ensinar física a alunos com deficiência visual
6 - Panorama das dificuldades e viabilidades para a inclusão do aluno com deficiência visual em aulas de Mecânica
6 – Panorama das dificuldades
e viabilidades para a inclusão
do aluno com deficiência visual
em aulas de Mecânica
Para as atividades do grupo de mecânica, identifiquei quatro
classes de dificuldades de inclusão e cinco, de viabilidades. Essas classes são as seguintes: (a) dificuldades: comunicação, operação matemática, segregação e operação de software; (b) viabilidades: comunicação, operação matemática, apresentação de modelos,
apresentação de hipóteses e experimento. Observe-se o Quadro 20.
Quadro 20 – Panorama de dificuldades e viabilidades de inclusão
para o aluno cego de nascimento (grupo de mecânica)
Classe/dificuldade/ Ocorrência Classe/viabilidade/ Ocorrência inclusão inclusão
Comunicação Sim Comunicação Sim
Operação matemática Sim Operação Sim
matemática
Segregação Sim Segregativa Não
Operação de software Sim Operação de Não
software
Apresentação de Não Apresentação de Sim modelos modelos
Experimento Não Experimento Sim
Apresentação de Não Apresentação de Sim hipótese hipótese
As classes: comunicação e operação matemática foram comuns
às dificuldades e viabilidades. As classes: segregação e operação de software representaram somente dificuldades, enquanto as classes: apresentação de modelos, apresentação de hipóteses e experimento representaram apenas viabilidade. Seguindo a lógica
dos Capítulos 4 e 5, apresento as análises das classes mencionadas.
Classes que representam dificuldade
e viabilidade à inclusão do aluno cego
de nascimento
Dificuldade de comunicação
Identifiquei 102 momentos de dificuldades de comunicação.
Agrupei as dificuldades em razão de seis linguagens formadas pelas seguintes estruturas empíricas: audiovisual interdependente, auditiva e visual independente e fundamental auditiva.
Em relação ao aspecto semântico-sensorial, os significados
abordados estiveram relacionados a três estruturas:
a. significado vinculado às representações visuais. Exemplo:
registros de símbolos de equações físicas, registro de relações matemáticas, soma vetorial (algébrica e gráfica), indicação de eventos ou propriedades (espaço percorrido, posição do referencial adotado, direção e sentido-velocidade, aceleração, pontos de atuação de forças, decomposição vetorial, registro do sentido de um vetor por ângulos, planos inclinados, trajetórias,
forma estrutural de algumas unidades físicas (exemplo: m/s 2, N
x m 2 2 /Kg etc.), gráficos, órbitas e posições de planetas e astros celestes;
b. significado indissociável de representações visuais. Exemplo:
ideia de visão, energia luminosa etc.;
c. significado sem relação sensorial. Exemplo: ideia de tempo.
No Quadro 21 explicito as estruturas empírica e semântico-
sensorial das linguagens geradoras de dificuldades comunicacionais ao aluno B, suas relações e respectivas quantidades.
Quadro 21 – Dificuldades de comunicação (grupo de mecânica) est
empírica e semântico-sensorial das linguagens
Empírica Audiovisual Auditiva e Fundamental Tot (direita) interdependente visual auditiva ho semântico- independentes sensorial
(abaixo)
Significado 79 14 5 vinculado às
representações
visuais
Significado 0 2 1 indissociável
de
representações
visuais
Significado 0 1 0 sem relação
sensorial
Total vertical 79 17 6
Apresento na sequência as seis linguagens geradoras de
dificuldade comunicacional, bem como exemplos dessas.
Linguagem 1: audiovisual
interdependente/significado vinculado às
representações visuais
Contém exemplos dessa linguagem os Trechos de 1 a 5:
Trecho 1
M-2: Soma de vetores seria assim, aqui você coloca o vetor a, aqui o B, e o soma está aqui ó, ele é a soma de a mais B.
O Trecho 1 apresenta a realização de uma soma vetorial gráfica.
Para tal, o licenciando registrou na lousa os módulos, direções e sentidos dos vetores a e b e do vetor soma (a + b). Nesse processo, representam-se o vetor a, o vetor b (origem na extremidade de a) e o vetor soma (origem na origem de a e extremidade na extremidade de b). A estrutura empírica da linguagem não permite ao aluno com deficiência visual ter acesso às informações veiculadas: “aqui você coloca o vetor A, aqui o B, e a soma está aqui ó”. Observando o trecho transcrito, a seguinte questão seria pertinente: Aqui onde?
Trecho 2
M-2: A direção de um vetor é se ele está na horizontal, na vertical desenha.
M-2: Mas falar horizontal e vertical é muito pouco porque e se ele estiver na diagonal?
M-2: Mas ele pode estar aqui, aqui, então tem que dar um jeito de medir, então mede com ângulo.
M-2: Esse ângulo aqui, esse é o ângulo que o vetor forma com a horizontal, mas fica a seu critério a escolha.
O Trecho 2 enfoca as características da direção de um vetor.
Observe que a linguagem é insuficiente para a descrição da informação: “ele pode estar aqui, aqui” “esse ângulo aqui”. Esses fragmentos evidenciam as funções assumidas pelas componentes auditiva e visual da estrutura empírica aqui analisada. Essas funções são, respectivamente, indicativas e demonstrativas, ou seja, o código auditivo é empregado como indicador de objetos, posições, localizações, enquanto o código visual tem por finalidade descrever as características dos objetos, posições etc.
Trecho 3
M-1: O que seria a equação de um objeto acelerado uniformemente?
M-1: Ele está numa posição inicial no tempo zero, e a velocidade dele vai aumentando linearmente, é esta equação da aceleração.
M-1: Se eu colocar o eixo do tempo inicial como zero, vai ser v menos v zero sobre t menos zero.
M-1: Então fica v igual a v0 mais a.t.
M-1: A velocidade inicial que é o v0 nada impede que ela seja zero, o a.t que é a segunda componente aqui é esse tamanho aqui que o que seria?
M-1: A variação da velocidade v menos v0 que o objeto sofreu num tempo t.
M-1: Eu acho que vocês já viram a equação x é igual a x0 mais v0t mais meio de a.t quadrado.
M-1: Se eu isolar o t nesta daqui e jogar nesta daqui eu vou ter, o x0 continua, mais v0 t, que vai ser v menos v0 dividido por a, mais meio de a t quadrado, v menos v0 sobre a ao quadrado.
M-1: Mexendo nesta equação ai eu vou ter aquela lá.
O Trecho 3 relata a demonstração de duas equações do
movimento uniformemente variado, a equação da velocidade em
razão do tempo (V = V 2 2 + a.t) e a equação de Torricelli (V = V + 2 0 0
a.x). No processo de comunicação, o licenciando, utilizando-se da lousa, apresentou informações orais (basicamente indicativas) e visuais (basicamente demonstrativas) articuladas de forma interdependente: “é esta equação da aceleração” “o a.t que é a segunda componente aqui é esse tamanho aqui” “se eu isolar o t nesta daqui e jogar nesta daqui” “mexendo nesta equação ai eu vou ter aquela lá”. Devido às características descritas, B esteve impossibilitado de participar do processo comunicacional aqui analisado.
Trecho 4
M-3: Se eu tenho aqui um plano inclinado, eu tenho o objeto sobre o plano e a força de atrito e a força normal ao plano.
Desenha o plano e os vetores.
M-3: Eu tenho aqui um plano inclinado, ai tem uma força peso, eu faço aqui a decomposição de vetores.
M-3: Este p aqui vai ser igual à massa vezes a aceleração do corpo, eu calculo a aceleração do corpo.
M-3: Se eu tiver uma superfície assim vai ficar complicado, pois em cada ponto da superfície vai ter uma decomposição diferente.
M-3: A física vai trabalhar isto por meio do conceito de energia, eu não preciso fazer toda esta decomposição de vetores complicada aqui.
A decomposição do vetor peso em um plano inclinado é enfocada
no Trecho 4. A partir de tal decomposição, visou o licenciando obter a aceleração do objeto posicionado sobre o plano. Novamente, o emprego de linguagem de estrutura empírica audiovisual interdependente mostrou-se inadequado, já que as funções indicativa e demonstrativa encontraram-se fragmentadas nos códigos auditivo e visual. Ao final do trecho, o licenciando parece ter enfocado outro tipo de superfície: “se eu tiver uma superfície assim vai ficar complicado, pois em cada ponto da superfície vai ter uma decomposição diferente”. Essa nova superfície parece ser curva, embora suas reais características estejam descritas na componente visual da linguagem.
Trecho 5
M-4: Para calcular o trabalho de uma força elástica eu tenho que calcular a área abaixo da curva neste gráfico.
M-4: O trabalho deve ser calculado desta forma porque a força aplicada na mola não é constante.
O Trecho 5 relata a explicação do licenciando acerca de como
obter o trabalho realizado por uma força elástica. Argumentou que o trabalho pode ser obtido por meio do cálculo da área abaixo da curva de um determinado gráfico. As características do gráfico encontravam-se descritas em seu registro na lousa.
Linguagem 2: auditiva e visual
independentes/significado vinculado às
representações visuais
Na sequência, há um exemplo do perfil linguístico abordado.
Trecho 6
M-2: Essa daqui é a equação da elipse, x ao quadrado sobre b ao quadrado mais y ao quadrado sobre a ao quadrado é igual a um.
O Trecho 6 refere-se à apresentação da equação da elipse (X2 2 /a
+ Y 2 2 /B = 1). Ao projetar por meio de um data show a referida estrutura matemática (linguagem visual), o licenciando repetiu oralmente tal equação utilizando-se de uma expressão característica das potências, ou seja, “uma certa letra elevada a uma certa potência”. Como já discuti anteriormente, notações de potências em Braille não seguem a estrutura de “algo elevado a algo”. A estrutura de fração: “algo sobre algo”, também empregada pelo licenciando, não é assim escrita em Braille. Em Braille, essas notações ocorrem horizontalmente, e, portanto, a palavra “elevado” e a palavra “sobre”, que descrevem de forma oral um registro visual, não fazem sentido para alunos cegos que utilizam o Braille.
Linguagem 3: fundamental auditiva/significado
vinculado às representações visuais
Na sequência, é apresentado um exemplo dessa linguagem.
Trecho 7
M-3: Então você tem cinco de força dividido por um, a pressão é cinco de força sobre um c m dois.
O Trecho 7 descreve o licenciando efetuando, junto a B, o cálculo
de pressão. Destaca-se como aspecto gerador de dificuldade comunicacional a forma como a unidade de área foi expressa, ou
seja, “c m dois” (cm 2). O que teria representado para B a expressão: “c m dois”? Teria ele relacionado a mencionada expressão ao significado que busca comunicar, isto é, ao da área de um quadrilátero?
Linguagem 4: auditiva e visual
independentes/significado indissociável de
representações visuais
Como exemplo dessa linguagem, apresento o Trecho 8.
Trecho 8
M-1: Ai vem esta frase que eu acho muito bacana o Newton ter escrito, ter deixado que é a seguinte: “se enxerguei além dos outros é porque estava no ombro de gigantes”.
A declaração de Newton indica a ideia que ele fez do
conhecimento que construiu, isto é, um conhecimento fundamentado e mais bem estruturado do que os produzidos por seus antecessores. Utilizando-se de analogia, relacionou o conhecimento por ele construído ao “enxergar mais longe” sem negar a base fundamentadora da nova forma de saber “é porque estava no ombro de gigantes”. A relação entre conhecer e ver indica a influência do elemento “visão” na representação do ato de conhecer, ou seja, exprime o significado indissociável de representações visuais “conhecer é ver”. Como pessoas cegas de nascimento, como é o caso do aluno B, interpretam esse tipo de significado? Com certeza, de forma diferente daquelas que pessoas videntes ou que perderam a visão ao longo da vida interpretam, pois os cegos de nascimento não possuem representações ou ideias visuais para fundamentarem suas interpretações.
Linguagem 5: fundamental auditiva/significado
indissociável de representações visuais
O Trecho 9 exemplifica o emprego da linguagem em questão.
Trecho 9
M-4: Quais são os tipos de energias que vocês conhecem?
A-v: Luminosa.
Como resposta à questão: “quais são os tipos de energias que
vocês conhecem?” um dos alunos videntes afirmou: “luminosa”. Esse diálogo, que ocorreu tendo como pano de fundo uma linguagem de estrutura empírica fundamental auditiva, enfocou um tema de significado indissociável de representações visuais, ou seja,
a luz. Existe, como discuti no Capítulo 4, para a ideia de luz, significado ligado estritamente às representações visuais.
Linguagem 6: auditiva e visual
independentes/significado sem relação sensorial
Veicula, por meio de códigos auditivos e visuais independentes,
significados que não se estruturam em representações sensoriais. Na sequência, um exemplo desse perfil linguístico é apresentado.
Trecho 10
m-1: Então o intervalo de tempo delta t vai ser o t2 menos o t1.
Como o significado veiculado não possui relacionabilidade
sensorial (especificamente a ideia ligada a intervalo de tempo), as dificuldades decorrentes desse perfil linguístico não estão associadas ao aspecto semântico-sensorial, e sim ao empírico. Dessa forma, devem-se ao detalhamento oral insuficiente das informações veiculadas.
O Quadro 22 explicita sinteticamente as linguagens geradoras de
dificuldades comunicacionais, a característica peculiar da linguagem (se houver), suas porcentagens, bem como o recurso instrucional mais frequente em cada uma delas.
Quadro 22 – Linguagens geradoras de dificuldades de comunicação
(grupo de mecânica)
Linguagem Porcentagem Característica peculiar Recurso
aproximada instrucional
mais
empregado
Linguagem 77% Indicar oralmente registros Lousa, data 1 visuais show,
retroprojetor
Linguagem 14% Detalhamento oral Lousa, data 2 insuficiente show,
retroprojetor
Linguagem 5% Recorrência à Não 3 representações dos alunos utilizado
videntes de significados
visualmente vinculados
Linguagem 2% Som não veicula Retro 4 significados visualmente projetor,
indissociáveis data show
Linguagem 1% Recorrência à “imagens Não 5 visuais mentais” recorrência utilizado
à “imagens visuais mentais”
recorrência à “imagens
visuais mentais”
Linguagem 1% Detalhamento oral Lousa, 6 insuficiente retroprojetor,
data show
Viabilidade de comunicação
Identifiquei 122 momentos de viabilidades de comunicação.
Agrupei as linguagens contidas nesses momentos em razão de dez linguagens. Notem-se as estruturas empíricas dessas linguagens: (a) fundamental auditiva; (b) auditiva e visual independente; e (c) tátil-auditiva interdependente.
Em relação ao aspecto semântico-sensorial, os significados
veiculados estiveram relacionados a quatro estruturas:
a. significados indissociáveis de representações não visuais.
Exemplo: força aquecimento, resfriamento etc.;
b. significados vinculados às representações não visuais.
Exemplo: direção e sentido de um vetor, deslocamento, velocidade, aceleração, área, formas geométricas etc.;
c. significados sem relação sensorial. Exemplo: energia, massa,
tempo e campo gravitacional;
d. significados de relacionabilidade sensorial secundária.
Exemplo: aspectos e fatos históricos.
No Quadro 23 explicito as estruturas mencionadas e suas
relações.
Quadro 23 – Viabilidade de comunicação (grupo de mecânica) est
empírica e semântico-sensorial das linguagens
Empírica (direita) Fundamental Auditiva e Tátil-auditiva T semântico- auditiva visual interdependente h sensorial independentes (abaixo)
Significado 35 4 2 indissociável de
representações
não visuais
Significado 17 17 5 vinculado às
representações
não visuais Significado de 5 27 0 Empírica (direita) Fundamental Auditiva e Tátil-auditiva T relacionabilidade semântico-auditiva visual interdependente h sensorial sensorial independentes secundária (abaixo)
Significado sem 8 2 0 relação sensorial
Total vertical 65 50 7
As dez linguagens geradoras de viabilidade comunicacional e
exemplos das mesmas são, portanto, apresentados na sequência.
Linguagem 7: fundamental auditiva/significado
indissociável de representações não visuais
Apresento e discuto dois trechos que contêm a presente
característica linguística.
Trecho 11
M-3: O que é força. Está associada com o que?
A-v: Movimento.
M-3: Com movimento, mas eu quero uma coisa assim mais do cotidiano, quando cai um objeto, o que causa isto?
A-v: Força.
M-3: Quando eu pego um objeto o que eu estou fazendo?
A-v: Força.
M-3: Força, inclusive no começo, antes de Newton, força era relacionado somente a esforço físico, e esforço físico a gente tem que ter o contato, e a gente sabe que para colocar um corpo em movimento a gente tem que colocar uma força nele, tem que empurrar, tem que puxar.
M-3: Só que força não tem relação apenas com movimento, ela tem relação com repouso também.
M-3: Por exemplo, a estrutura de um prédio, um monte de viga de concreto, super pesado, você tem força, você coloca um objeto na sua mão você percebe que o objeto está exercendo força, no entanto o objeto está parado, mas tem força agindo nele.
M-3: Uma ponte, por exemplo, ou um cabo de aço que está sustentando um elevador, você tem força ali agindo no cabo de asso, então força tem a ver com falta de movimento.
O Trecho 11 descreve um dos licenciandos argumentando com
um aluno vidente acerca do que é força. Nesse processo argumentativo, o aluno vidente relacionou força ao movimento. Todavia, o licenciando, além disso, relacionou força ao repouso. Associou o significado de força ao referencial tátil: “força era relacionado somente a esforço físico” [...] “a gente sabe que para colocar um corpo em movimento a gente tem que colocar uma força nele, tem que empurrar, tem que puxar” [...] “você coloca um objeto na sua mão você percebe que o objeto está exercendo força” [...] “uma ponte, por exemplo, ou um cabo de aço que está sustentando um elevador, você tem força ali agindo no cabo de aço”. A linguagem utilizada, de estrutura empírica fundamental auditiva, foi acessível ao discente B. A mencionada linguagem veiculou o significado de força, significado este indissociável de representações não visuais (tátil).
Trecho 12
M-2: Imaginem um corpo sobre uma mesa, ele está parado, se nenhuma força atuar sobre este corpo, ou seja, se ninguém for lá e empurrar este corpo em alguma direção ou sentido ele continua parado.
M-2: O apagador não vai sair andando sozinho, então se nenhuma força agir sobre um corpo em repouso ele continua em repouso.
M-2: Uma segunda situação é um corpo em movimento, vocês já viram um corpo entrar em movimento e continuar sempre em movimento?
M-2: Imaginem uma bolinha em movimento, se tiver atrito do ar, atrito com o plano ou um objeto, tudo isto é força, ela para, se não tiver ela continua em movimento.
M-2: A ideia básica da primeira lei de Newton é a seguinte: todo corpo continua em repouso ou movimento retilíneo uniforme sempre que a força resultante sobre ele for nula, ou então se nenhuma força age sobre um corpo ele se move em linha reta ou fica parado.
O objetivo do licenciando foi comunicar o significado da relação
força/inércia. Para tanto, recorreu a duas situações: (a) objeto permanece em repouso se sobre ele não agir força. Justificou esse argumento por meio dos exemplos do livro parado sobre a mesa e do apagador que não pode mover-se sozinho (sem a atuação de forças); (b) objeto move-se em linha reta e com velocidade constante se a resultante das forças que atuam sobre ele for nula. Para justificar esse argumento, recorreu ao movimento de uma bolinha que interage com sua vizinhança: “imaginem uma bolinha em movimento, se tiver atrito do ar, atrito com o plano ou um objeto, tudo isto é força, ela para, se não tiver ela continua em movimento”.
Os exemplos enfocados referem-se à ideia de força, que do ponto
de vista de sua intensidade somente pode ser associada ao referencial observacional tátil. Gostaria de explicar melhor esse tema. Faço isso na sequência.
Defendo que a ideia de intensidade de força é indissociável de
representação tátil. Em outras palavras, as experiências empíricas que estabelecemos com o fenômeno da força somente podem se dar pela observação tátil. Não podemos ver força, ouvir força, cheirar força etc. Pensar em força é imaginar algo relacionado ao tato. Tentarei explicar melhor minha ideia na sequência. Sei que esse tema não está fechado e, nesse sentido, convido o leitor a discutir e buscar novos entendimentos ou mesmo se convencer de minha argumentação.
A ideia de força está relacionada com a de interação. Não faz
sentido falar de força sem que consideremos ao menos dois corpos. Se você exerce uma força, a exerce em algo ou alguém, que, por sua vez, exerce em você uma força de mesmo modo e direção, mas de sentido oposto. Vejamos alguns dos exemplos apresentados pelo livro do Sears & Zemansky: rebocador puxando navio; pé que se machuca e dói muito mais quando uma pessoa chuta uma rocha do que quando chuta uma bola de pano; dificuldade maior de controlar um carro que se desloca sobre uma pista de gelo do que outro que se desloca sobre uma pista de concreto seco (Young; Freedman, 2003).
Em nosso cotidiano, o entendimento do que é força geralmente
está ligado com puxões e empurrões, ou seja, com a necessidade de um contato entre o que exerce a força e o que a recebe. Sabemos, entretanto, que os objetos podem interagir a distância. Dois imãs, corpos eletricamente carregados, o sol e a Terra, a Terra e a Lua etc. Exercem forças uns nos outros mesmo estando separados. Força pode causar deformação em objetos, mas sua característica central de acordo com a física newtoniana é a de produzir mudança no estado de movimento de um corpo (se a resultante de forças que agem nele for diferente de zero). Na prática, força está relacionada com ação. Sempre que consideramos exemplos envolvendo forças, empregamos verbos como: empurrar, puxar, chutar, arrastar, controlar, segurar etc., verbos esses geralmente seguidos de adjetivos como: maior ou menor dificuldade, facilidade etc. O conceito de força, portanto, pode ser relacionado com a ação de agente externo que produz mudança ao longo do tempo no estado de movimento de um objeto livre ou deforma um corpo fixo. Força é “Qualquer influência que tende a acelerar ou deformar um objeto” (Hewitt, 2002).
Sendo uma grandeza vetorial, possui módulo ou intensidade,
direção (horizontal, vertical, inclinada etc.) e sentido (da direita para a esquerda, de cima para baixo etc.). Aqui coloco a relação entre intensidade de força e significado indissociável de representação
tátil. Como mencionei nos Capítulos 3 e 4, em geral os fenômenos possuem mais de um significado. Para o caso da força, o significado de sua intensidade, aquele a que nós nos remetemos ao nele pensar, é tátil, e esse significado vem acompanhado de outros, de natureza vinculada, ou seja, a direção e o sentido, que podem ser representados externa e internamente por representações visuais e táteis. Exemplificando, eu empurro (significado tátil) para lá ou para cá (significado visual ou tátil); eu puxo (significado tátil) para lá ou para cá (significado visual ou tátil); sinto a dificuldade de segurar um pacote de 30 kg (significado tátil), pois a terra exerce força gravitacional nele na direção radial para baixo (significado visual ou tátil).
Linguagem 8: auditiva e visual
independentes/significado de relacionabilidade
sensorial secundária
Na sequência, apresento dois trechos que contêm a presente
característica linguística.
Trecho 13
M-1: No início da ciência, lá com os gregos antigos, eles tinham teorias que explicavam os fenômenos de maneira bem simples.
M-1: A chuva era provocada pelos deuses da chuva, o fogo era provocado pelos deuses do fogo, e etc.
Trecho 14
M-1: Aristóteles é considerado o maior pensador e sistematizador da Grécia antiga.
M-1: Na época de Galileu e Newton, rebater as ideias de Aristóteles foi o que deu todo valor que Newton ganhou, porque ele rebateu um pensador que estava ai há 1.500 anos.
Os Trechos 13 e 14 apresentam, em linhas gerais, as seguintes
informações: como os gregos explicavam os fenômenos (Trecho 14) e status de Aristóteles (Trecho 15). Embora haja a possibilidade de os alunos terem construído representações mentais sensoriais de tais significados, essas são secundárias em relação à compreensão deles. Do ponto de vista empírico, as informações foram veiculadas de forma auditiva e visual independentes (fala e projeção das informações). Pelos motivos destacados, essas informações foram acessíveis ao discente B.
Linguagem 9: fundamental auditiva/significado
vinculado às representações não visuais
Observe a transcrição de dois trechos caracterizados por essa
linguagem.
Trecho 15
M-4: Qual é a forma da Terra?
A-v: Redonda e achatada.
M-4: Gostaria de saber dos alunos A e B o que eles pensam sobre isto.
A: Ela é redonda, achatada e irregular.
M-4: Como vocês sabem, ela é redonda, o homem pelos satélites tirou uma foto e viu que ela era redonda.
M-4: Antigamente ninguém tinha ido à Lua e visto a terra de fora, então o que eles tinham, eles precisavam imaginar como era a forma da Terra, uns achavam que a terra era plana, outros achavam que ela estava sobre uma tartaruga gigante.
No Trecho 15, licenciando e alunos com e sem deficiência visual
abordam o tema do formato da Terra. Inicialmente, é enfocado o modelo atual para o formato da terra (redonda, achatada e irregular), e posteriormente, modelos históricos (terra plana e apoiada sobre tartarugas). Note-se que os significados: redonda, achatada, irregular, plana não são dependentes exclusivamente da visão para serem comunicados e compreendidos. O referencial tátil é igualmente útil para a comunicação e representação desses significados.
Trecho 16
M-2: O prego de ponta grossa perfura mais fácil ou mais difícil do que o de ponta fina?
B: Mais difícil.
M-2: Isso, ou seja, a perfuração que acontece quando a área é grande...
B: É menor.
M-2: É pequena, ou menor do que a do outro, numa área grande eu vou ter uma perfuração pequena e para a ponta fina a perfuração vai ser maior.
O Trecho 16 apresenta uma discussão entre licenciando e aluno
B acerca de pregos de ponta fina e grossa. O discente argumentou corretamente que pregos cuja área da ponta é maior são mais difíceis para a perfuração. Note que o significado discutido refere-se às dimensões da área de perfuração de pregos, significado esse vinculado às representações não visuais (tátil) e acessível ao aluno B.
Linguagem 10: auditiva e visual
independentes/significado vinculado às
representações não visuais
Na sequência, é apresentado um exemplo que contém essa
linguagem.
Trecho 17
M-3: A primeira lei de Kepler é chamada lei das órbitas.
M-3: As órbitas descritas pelo movimento do planeta ao redor do sol são elipses.
M-3: Todos sabem o que é uma elipse?
B: Circunferência achatada.
A: É parecida com um ovo.
O Trecho 17 descreve o licenciando lendo informações projetadas
o que caracteriza a estrutura empírica auditiva e visual independentes. o licenciando veiculou a informação de que as órbitas dos planetas ao redor do sol são elipses. Essa informação contém significado vinculado às representações não visuais (tátil) e é acessível ao aluno com deficiência visual. Destaca-se que em momentos anteriores das atividades do grupo de mecânica fora apresentado ao discente B um registro tátil de uma forma elíptica. Isso permitiu que ele construísse representações da referida forma geométrica.
Linguagem 11: fundamental auditiva/significado
sem relação sensorial
Dois trechos contendo a presente linguagem são apresentado e
analisado na sequência.
Trecho 18
M-4: Na física a gente tem vários conceitos como tempo, energia, muitas vezes a gente não sabe definir com palavras o que são esses conceitos, mas a gente sabe operar com eles.
M-4: O que é energia? É difícil descrever com palavras o que é energia.
No Trecho 18 o licenciando abordou os temas tempo e energia.
Essas grandezas físicas são abstratas e seus significados não possuem vínculo ou associação com representações sensoriais. Em outras palavras, o que é, do ponto de vista sensorial, pensar em tempo ou energia? Para o caso dos significados relacionados à energia, Gaspar (2000b) argumenta que:
os físicos sabem muito sobre energia, conhecem inúmeras formas de energia e expressões matemáticas para calcular o seu valor. Sabem que é algo indestrutível na natureza, cujo valor total num determinado fenômeno, é sempre o mesmo. Mas não sabem o que é energia.
Os significados de tempo e energia são, portanto, sensorialmente
não relacionáveis e perfeitamente acessíveis a alunos com deficiência visual.
Trecho 19
M-3: Imaginem dois caminhões, eles possuem a mesma velocidade, se eu pisar no freio qual pararia mais fácil?
A-v: O vazio.
M-3: O vazio, então a gente pode dizer que a quantidade de movimento tem a ver com a massa?
A-vs: Tem.
No Trecho 19, um dos licenciandos abordou a relação entre
quantidade de movimento linear e massa. O significado que compõe a relação quantidade de movimento linear/massa não possui representações sensoriais pelos seguintes motivos: massa é uma característica intrínseca dos corpos, refere-se à medida da inércia, isto é, “resistência” oferecida por um determinado corpo à variação de seu estado de movimento. A massa, por representar uma característica da matéria, assim como a carga elétrica, possui significado que, para ser compreendido, não pode ser relacionado a referenciais sensoriais. Massa é um conceito abstrato. Não é algo empiricamente observável. O que observamos, na verdade, são as interações provenientes de corpos que possuem massa.
Linguagem 12: tátil-auditiva
interdependente/significado vinculado às
representações não visuais
Em relação à presente linguagem, o recurso instrucional
empregado para apoiar o processo comunicativo possuía registros táteis percebidos por B e descritos oralmente pelos licenciandos. Veja-se na sequência um exemplo dessa linguagem. Nele, há a participação do discente a.
Trecho 20
M-3: Essa daqui é a bala do meu canhão, eu peguei um fósforo e queimei a cordinha que tinha aqui, ai rebentou assim e ele veio forte e foi para cá, para esse lado aqui, e o canhão, para que lado foi?
B: Para traz?
M-3: Isso, recuo, daí conservou o movimento.
M-3: Tem dois pregos aqui, tem esse no meio e no lado oposto tem dois presos na ponta.
A: É daqui que puxa?
M-3: Ai você estica o elástico bem perto do prego e você amarra com uma linha, e aqui você coloca a bala, ai queima o fio com fogo e o elástico joga longe a bala.
O Trecho 20 apresenta um dos licenciandos explicando aos
alunos com deficiência visual as características de um equipamento
de interface tátil-visual-auditiva (Figura 15). Esse equipamento foi utilizado para a explicação da conservação da quantidade de movimento linear.
Figura 15 – Equipamento experimental sobre conservação da
quantidade de movimento linear (fonte:
<www.fc.unesp.br/~lavarda>).
O equipamento é formado por uma superfície de madeira, dois
pregos fixos em duas das extremidades da superfície e um terceiro prego fixo no centro do lado oposto ao que os dois outros pregos foram presos. Possui também um elástico preso nos pregos das extremidades, um barbante que estica e prende o elástico ao terceiro prego, uma esfera de vidro, e alguns lápis que servem de apoio ao equipamento. Funciona da seguinte maneira: monta-se a estrutura descrita, coloca-se a esfera de vidro junto ao elástico esticado e com um palito de fósforo aceso rompe-se o barbante. A esfera então é lançada para frente e a estrutura de madeira move-se para traz.
Esse equipamento fornece referenciais de observação tátil
(momento em que os alunos com deficiência visual e videntes podem tocar o equipamento), auditivo (momento em que os alunos com deficiência visual e videntes podem ouvir o som proveniente do choque da esfera com o solo e o arrastamento da superfície sobre os lápis), e visual (momento em que os alunos videntes podem observar o movimento da esfera e da superfície de madeira).
A linguagem aqui analisada refere-se ao reconhecimento do
equipamento. O licenciando, com esse objetivo, conduziu as mãos dos alunos com deficiência visual sobre as componentes do material, e eles puderam reconhecê-lo facilmente. Gostaria de destacar que o experimento inerente à conservação da quantidade de movimento foi tão significativo ao aluno B, que ele construiu, em
sua casa, um equipamento semelhante (Figura 16).
Figura 16 – Equipamento semelhante construído pelo aluno B.
Linguagem 13: fundamental auditiva/significado
de relacionabilidade sensorial secundária
Um exemplo é apresentado na sequência.
Trecho 21
M-4: A unidade de trabalho no sistema internacional seria chamada de Joule.
M-4: Essa unidade nada mais é que a composição de duas outras no sistema internacional, Newton e metros.
O Trecho 21 apresenta um dos licenciandos abordando a unidade
de trabalho no sistema internacional, o Joule, e as unidades que a constitui, o Newton e o metro. Tal abordagem deu-se por meio de linguagem de estrutura empírica fundamental auditiva, e o significado veiculado, ou seja, a informação acerca da unidade de trabalho, possui relacionabilidade secundária com representações sensoriais. Gostaria de enfatizar que o significado em questão não é o de trabalho, e sim o da informação de sua unidade. O entendimento de trabalho, bem como das grandezas a ele relacionadas, teria outro aspecto sensorial. Por exemplo, o significado de trabalho, que é intimamente relacionado ao de energia, não possui representação sensorial.
Linguagem 14: auditiva e visual
independentes/significado indissociável de
representações não visuais
Na sequência, abordo um exemplo.
Trecho 22
M-2: Newton em relação ao conceito de força relacionado ao de contato cria um conceito mais abrangente, por exemplo, o conceito de força gravitacional entre os planetas.
M-2: Eles estão em contato? Não, no entanto existe uma força de atração entre eles.
M-2: No caso da força elétrica, as cargas estão em contato?
M-2: Não, mas existe uma força entre elas.
O Trecho 22 aborda o significado de força a distância. As
informações eram projetadas e lidas ao mesmo tempo. Argumentou o licenciando que Newton apresentara a ideia de que os corpos interagem mesmo não estando em contato. Reforçou seu argumento utilizando-se do exemplo da força elétrica que ocorre entre corpos separados no espaço e carregados com carga elétrica. O acesso e a compreensão do significado de força a distância são indissociáveis de representação não visual (tátil), na medida em que é o tato o responsável pela observação de fenômenos ligados à interação entre corpos.
Linguagem 15: tátil-auditiva
interdependente/significado indissociável de
representações não visuais
Um exemplo é apresentado na sequência.
Trecho 23
M-1: Ele pegou a latinha, esquentou essa latinha que você está segurando, ai ele colocou essa lata quente para caramba, num recipiente com água, por essa boca aqui, por onde sai refrigerante, e a latinha ficou toda amassada.
B: Antes de colocar na água?
M-1: Depois que ele colocou na água.
B: Antes estava inteira?
M-1: Estava inteira, ele esquentou a latinha e colocou na água.
B: De ponta cabeça?
M-1: De ponta cabeça, ele fez ela afundar e ela ficou toda amassada.
O Trecho 23 descreve um dos licenciandos argumentando com o
aluno B acerca do amassamento de uma lata de refrigerante aquecida e colocada de boca para baixo num recipiente com água. Para explicar o que havia ocorrido com a lata, o licenciando utilizou-se de linguagem de estrutura empírica tátil-auditiva interdependente, estrutura essa que possibilitou ao discente observar a deformação sofrida pela lata. O significado veiculado é indissociável de representações não visuais (tátil), pois trata-se do aquecimento e resfriamento da lata antes e após ter sido colocada na água.
Linguagem 16: auditiva e visual
independentes/significado sem relação sensorial
Apresento um exemplo na sequência.
Trecho 24
M-3: Entorno da Terra tem uma região denominada campo gravitacional.
M-3: Dentro desse campo os corpos são atraídos para a Terra com velocidade variável em virtude de ter adquirido aceleração.
O Trecho 24 relata um dos licenciandos lendo informações
projetadas. O significado veiculado foi o de campo gravitacional. Do ponto de vista semântico-sensorial, esse significado não se fundamenta em referenciais sensoriais. Em outras palavras, campo gravitacional não pode ser visto, ouvido, tocado etc. O que é observado são seus efeitos sobre os corpos inseridos em seu interior.
O Quadro 24 explicita sinteticamente as linguagens geradoras de
viabilidades comunicacionais, a característica peculiar da linguagem, suas porcentagens, bem como o recurso instrucional mais frequente em cada uma delas.
Quadro 24 – Síntese e características das linguagens geradoras de
viabilidades comunicacionais (grupo de mecânica)
Linguagem Porcentagem Característica peculiar Recurso
aproximada instrucional
mais
empregado
Linguagem 29% Descrição oral de Não utilizado 7 significados não visuais Linguagem Porcentagem Característica peculiar Recurso
aproximada instrucional
mais
empregado
Linguagem 22% Falar simultaneamente Data show, 8 frases projetadas retroprojetor
Linguagem 14% Recorrência à “imagens Não utilizado 9 não visuais mentais”
Linguagem 14% Descrever oralmente Data show, 10 registros projetados retroprojetor
Linguagem 6% Abordagem oral de Não utilizado 11 significados sem relação
sensorial
Linguagem 4% Condução das mãos do Materiais táteis 12 aluno
Linguagem 4% Abordagem oral de Não utilizado 13 significados de relação
sensorial secundária
Linguagem 3% Descrição oral e visual Data show, 14 simultâneas retroprojetor
Linguagem 2% Condução das mãos do Materiais táteis 15 aluno
Linguagem 2% Abordagem oral e visual Data show, 16 simultâneas retroprojetor
Total de 122 X X viabilidades
(vertical)
Relação entre linguagem e contexto
comunicacional
A quantidade de dificuldades comunicacionais foi de 102 e a de
viabilidades, de 122. Em torno de 93% do conjunto de dificuldade/ viabilidade ocorreram em episódios comuns a todos os alunos e 7%, em episódios particulares. Combinando os momentos e os padrões discursivos, obtive cinco contextos comunicacionais, a saber: episódio não interativo/de autoridade; episódio interativo/de autoridade; episódio interativo/dialógico; episódio particular interativo/de autoridade; e episódio particular interativo/dialógico.
Da ocorrência de episódios comuns a todos os alunos,
aproximadamente 80% caracterizaram-se por relações discursivas não interativas/ de autoridade; 15%. Por relações discursivas interativas/de autoridade; e 5%, por relações discursivas interativas/dialógicas. Já aproximadamente 53% das ocorrências de episódios particulares caracterizaram-se por relações discursivas interativas/de autoridade e 47%, por relações discursivas interativas/dialógicas.
Os números apresentados contribuem para o entendimento da
organização das atividades em relação à presença do aluno com deficiência visual, que se deu, na grande maioria das vezes, em atividades comuns a todos os discentes, e em raros momentos em atividades particulares. Indicam ainda o perfil discursivo das atividades, fundamentado, majoritariamente, em argumentações retórica e socrática, e de forma discreta, em argumentações dialógicas. Na sequência, explicito, respectivamente, as relações: contexto comunicacional/linguagem geradora de dificuldade e contexto comunicacional/linguagem geradora de viabilidade.
Contexto comunicacional/linguagem geradora de
dificuldades
Observe-se o Quadro 25, que explicita a relação entre contexto
comunicacional e linguagem geradora de dificuldade.
Quadro 25 – Relaciona as variáveis: contexto comunicacional e lin
(grupo de mecânica)
Contexto comunicacional Episódio Episódio Episódio (direita) Linguagem não interativo/de interativo/ (abaixo) interativo/de autoridade dialógico
autoridade Contexto comunicacional Audiovisual Episódio 71 Episódio 8 Episódio 0 (direita) Linguagem interdependente/significado não interativo/de interativo/ (abaixo) vinculado às interativo/de autoridade dialógico representações visuais. autoridade
Auditiva e visual 11 3 0 independentes/significado
vinculado às
representações visuais
Fundamental auditiva/ 4 0 0 significado vinculado às
representações visuais
Auditiva e visual 2 0 0 independentes/ significado
indissociável de
representações visuais
Fundamental auditiva/ 0 0 1 significado indissociável de
representações visuais
Auditiva e visual 1 0 0 independentes/ significado
sem relação sensorial
Quantidade vertical 89 11 1
A análise do Quadro 25 indica que perfil linguístico gerador de
dificuldade mostrou-se mais comum em determinado contexto comunicacional. Vamos a ela.
Episódio não interativo/de autoridade
Nesse contexto, em torno de 80% das dificuldades estiveram
relacionadas ao emprego de linguagem audiovisual interdependente/ significado vinculado às representações visuais; 12%. Ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado vinculado às representações visuais; 5%. Ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado vinculado às representações visuais; 2%, ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado indissociável de representações visuais; e 1%. Ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado sem relação sensorial.
As dificuldades identificadas estiveram relacionadas a duas
características predominantes: (a) utilização de linguagem de estrutura empírica audiovisual interdependente (80%); e (b) abordagem de significados vinculados às representações visuais (aproximadamente 96%).
Episódio interativo/de autoridade
Aqui, aproximadamente 73% das dificuldades estiveram
relacionadas ao emprego de linguagem audiovisual interdependente/ significado vinculado às representações visuais; e 27%, ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado vinculado às representações visuais.
As dificuldades identificadas estiveram relacionadas a duas
características predominantes: (a) utilização de linguagem de acesso visualmente dependente (audiovisual interdependente: 73%); e (b) abordagem de significados vinculados às representações visuais (100%).
Episódio interativo/dialógico
Nesse contexto, 100% das dificuldades estiveram relacionadas ao
emprego de linguagem fundamental auditiva/significado indissociável de representações visuais. Isso implica dizer que a dificuldade analisada está fortemente relacionada à estrutura semântico-sensorial da linguagem.
Episódio particular interativo/dialógico
Aqui, 100% das dificuldades estiveram relacionadas ao emprego
de linguagem fundamental auditiva/significado vinculado às representações visuais. Isso implica dizer que a dificuldade ocorreu em razão da não desvinculação visual do significado veiculado.
Sintetizando, verifiquei a ocorrência de uma dificuldade durante os
episódios particulares. A grande maioria de dificuldades esteve relacionada aos contextos comunicacionais comuns a todos os alunos. Nesses contextos, o emprego de linguagem visualmente inacessível mostrou-se prática majoritária. O emprego de linguagens visualmente acessíveis representou minoria das dificuldades comunicacionais. Do ponto de vista semântico-sensorial, as dificuldades relacionaram-se quase que totalmente aos significados vinculados às representações visuais. De forma discreta, verifiquei a relação entre dificuldade comunicacional e significados indissociável de representações visuais e sem relação sensorial.
Contexto comunicacional/linguagem geradora de
viabilidades
O Quadro 26 explicita a relação entre contexto comunicacional e
linguagem geradora de viabilidade comunicacional.
Quadro 26 – Relaciona as variáveis: contexto comunicacional e li
Contexto Episódio Episódio Episódio comunicacional não interativo/de interativo/dialógico (direita) interativo/de autoridade in Linguagem autoridade a (abaixo)
Fundamental 18 10 0
diti /
auditiva/
significado comunicacional Contexto Episódio Episódio Episódio indissociável de (direita) não interativo/de interativo/dialógico
representações Linguagem interativo/de autoridade in
não visuais (abaixo) autoridade a
Auditiva e visual 27 0 0 independentes/
significado de
relacionabilidade
sensorial
secundária
Fundamental 10 4 2 auditiva/
significado
vinculado às
representações
não visuais
Auditiva e visual 12 5 0 independentes/
significado
vinculado às
representações
não visuais
Fundamental 3 0 5 auditiva/
significado sem
relação sensorial interdependente/ não interativo/de interativo/dialógico (direita) interativo/de autoridade in significado Linguagem autoridade a vinculado às (abaixo) Contexto Episódio Episódio Episódio Tátil-auditiva 0 0 1 comunicacional relação sensorial
representações
não visuais
Fundamental 5 0 0 auditiva/
significado de
relacionabilidade
sensorial
secundária
Auditiva e visual 2 2 0 independentes/
significado
indissociável de
representações
não visuais
Tátil-auditiva 0 0 0 interdependente/
significado
indissociável de
representações
não visuais
Auditiva e visual 2 0 0 independentes/
significado sem relação sensorial Contexto Episódio Episódio Episódio Quantidade 79 21 8 comunicacional não interativo/de interativo/dialógico vertical (direita) interativo/de autoridade in
Analiso agora o Quadro 26.
Episódio não interativo/de autoridade
Nesse contexto, 34% das viabilidades estiveram relacionadas ao
emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado de relação sensorial secundária; 23%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado indissociável de representações não visuais; 15%, ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/ significado vinculado às representações não visuais; 13%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado vinculado às representações não visuais; 6%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado de relação sensorial secundária; 4%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado sem relação sensorial; e 3%, respectivamente, ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado sem relação sensorial e auditiva e visual independentes/significado indissociável de representações não visuais.
São duas as características gerais das viabilidades identificadas:
(a) utilização de linguagens de estruturas empíricas auditiva e visual independentes (54%) e fundamental auditiva (46%); e (b) abordagem de significados de relacionabilidade sensorial secundária (40%), vinculados às representações não visuais (28%) e indissociáveis de representações não visuais (25%).
Episódio interativo/de autoridade
Nesse contexto, aproximadamente 48% das viabilidades
estiveram relacionadas ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado indissociável de representações não visuais;
24%, ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado vinculado às representações não visuais; 19%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado vinculado às representações não visuais; e 9%, ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado indissociável de representações não visuais.
Do ponto de vista semântico-sensorial, prevaleceu, de forma
discreta, a veiculação de significados indissociáveis de representações não visuais (57%) sobre os vinculados às representações não visuais (43%).
Episódio interativo/dialógico
Sessenta e três por cento aproximadamente das viabilidades do
presente contexto estiveram relacionadas ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado sem relação sensorial; 25%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado vinculado às representações não visuais; e 12%, ao emprego de linguagem tátil-auditiva interdependente/significado vinculado às representações não visuais.
Em termos estruturais, as viabilidades estiveram relacionadas a
duas características predominantes: (a) emprego de linguagem de estrutura empírica fundamental auditiva (87%); e (b) veiculação de significados sem relação sensorial (63%).
Episódio particular interativo/de autoridade
Nesse contexto, 50% das viabilidades estiveram relacionadas ao
emprego de linguagem tátil-auditiva interdependente/significado vinculado às representações não visuais; 25%, ao emprego de linguagem tátil-auditiva interdependente/significado indissociável de representações não visuais; e outros 25%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado indissociável de representações não visuais.
Essas viabilidades estiveram relacionadas a duas características
predominantes: (a) emprego de linguagem de estrutura empírica tátil-auditiva interdependente (75%); e (b) veiculação de significados vinculados e indissociáveis de representações não visuais (50% cada).
Episódio particular interativo/dialógico
Nesse contexto, em torno de 67% das viabilidades estiveram
relacionadas ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado indissociável de representações não visuais; e 33%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado vinculado às representações não visuais.
Em termos estruturais, as viabilidades estiveram relacionadas a
duas características predominantes: (a) emprego totalitário de linguagem de estrutura empírica fundamental auditiva; e (b) veiculação de significados indissociáveis de representações não visuais (67%). A veiculação de significados vinculados às representações não visuais ocorreu de forma minoritária no contexto comunicacional aqui analisado (33%).
No Quadro 27 explicito a relação entre os contextos
comunicacionais e o número de dificuldades e viabilidades ocorridas nesses contextos.
Quadro 27 – Relação entre contexto comunicacional e dificuldades/
viabilidades de comunicação (grupo de mecânica)
Contexto comunicacional Dificuldade Viabilidade
Episódio não interativo/de autoridade 89 79
Episódio interativo/de autoridade 11 21
Episódio interativo/dialógico 1 8
Episódio particular interativo/dialógico 1 6
Episódio particular interativo/de 0 8 autoridade
As análises efetuadas indicam nove características marcantes das
dificuldades e dez das viabilidades comunicacionais do grupo de mecânica. São elas:
Características das dificuldades
a. ocorrência majoritária de dificuldades em episódios não
interativos/de autoridade.
b. ocorrência majoritária de dificuldades relacionadas ao emprego
de linguagem de estrutura empírica audiovisual interdependente.
c. ocorrência majoritária relacionada à veiculação de significados
vinculados às representações visuais.
d. Estreita relação entre estrutura empírica audiovisual
interdependente e significados vinculados às representações visuais.
e. Estreita relação entre episódio não interativo/de autoridade e
linguagem áudio-visual interdependente/significado vinculado às representações visuais.
f. decrescimento de dificuldades na medida em que os episódios
tornaram-se interativos e/ou dialógicos.
g. decrescimento de dificuldades na medida em que foram
empregadas linguagens de estrutura empírica auditiva e visual independentes e fundamental auditiva (linguagens visualmente acessíveis).
h. ocorrência minoritária de dificuldades relacionadas à veiculação
dos significados indissociáveis de representações visuais e sem relação sensorial.
i. ocorrência minoritária de dificuldades em episódios particulares
interativos/dialógicos.
Características das viabilidades
a. Predominância do emprego de linguagens de estruturas
empíricas fundamental auditiva e auditiva e visual independentes.
b. Predominância da veiculação de significados vinculados e
indissociáveis de representações não visuais e de relacionabilidade sensorial secundária.
c. Emprego minoritário de linguagens de estrutura empírica tátil-
auditiva interdependente.
d. Veiculação minoritária dos significados sem relação sensorial. e. Predominância da ocorrência de viabilidades nos episódios não
interativos/de autoridade.
f. ocorrência minoritária de episódios interativos, dialógicos e
particulares.
g. relação destacável entre episódio não interativo/de autoridade e
veiculação de significados de relacionabilidade sensorial secundária.
h. significados sem relação sensorial foram veiculados de forma
minoritária em episódio não interativo/de autoridade e majoritária em episódio interativo/dialógico.
i. Linguagens de estrutura empírica tátil-auditiva interdependente
foram utilizadas majoritariamente em episódio particular interativo/ de autoridade.
j. Não se verificou a relação: viabilidade de
comunicação/linguagem de estrutura empírica audiovisual interdependente.
Encerro aqui a análise de dificuldades e viabilidades de
comunicação. Na sequência, apresento as análises das dificuldades e viabilidades de operação matemática.
Dificuldade operação matemática
Os cálculos não realizados por B foram os seguintes:
demonstração gráfica do significado de velocidade instantânea; demonstração das equações de movimento; raio da terra dividido pela distância terra-sol; demonstração matemática da segunda lei de Newton; demonstração da velocidade limite no problema da força de resistência do ar; produto escalar (definição de trabalho); demonstração do teorema trabalho energia cinética; cálculo da expressão da energia potencial elástica; operação com números representados na forma de potência; demonstração da equação da elipse e suas propriedades (leis de Kepler).
Viabilidade operação matemática
Identifiquei esse perfil em quatro ocasiões. As atividades em que
B efetuou com sucesso os cálculos foram realizadas em episódios particulares interativos e com o emprego de linguagem de estrutura empírica fundamental auditiva.
Os cálculos foram os seguintes: obtenção da velocidade média,
do produto massa x velocidade (quantidade de movimento), da pressão (força dividido por área) e do volume de um cubo.
Esses cálculos foram realizados mentalmente por B. Tratava-se,
por não envolverem muitas variáveis, de cálculos simples, por isso, o discente com deficiência visual não teve dificuldade de efetuá-los mentalmente. Provavelmente, cálculos mais complexos implicariam
dificuldades como as discutidas no Capítulo 4.
Passo agora para a análise de classes que representaram
dificuldade ou viabilidade para a inclusão de B.
Classes que representam dificuldade
ou viabilidade à inclusão do aluno
com deficiência visual
Dificuldade segregação
Identifiquei esse perfil de dificuldade em cinco ocasiões. Diz
respeito à criação, no interior da sala de aula, de ambientes segregativos de ensino. É o que descrevi anteriormente por modelo 40 + 1, modelo esse inadequado para uma prática inclusiva de física.
Dificuldade operação de software
Identifiquei essa dificuldade em uma ocasião. Refere-se à
utilização de software para a resolução de problemas e equações físicas. Para o caso aqui analisado, o software empregado foi o “modelo” e o problema físico enfocado foi o da resistência do ar durante a queda de um objeto. Esse software resolve equações. Para tanto, deve-se escrever a equação no local determinado e inserir valores e unidades para as constantes. O programa opera os dados fornecidos e apresenta um gráfico que descreve a relação entre as variáveis envolvidas.
O contexto em que o software foi empregado foi o seguinte: o
computador em que o programa estava instalado encontrava-se conectado a um data show que projetava informações em uma tela. O licenciando digitou a equação e atribuiu valores às constantes. Um gráfico referente à resolução da equação foi projetado e o licenciando fez algumas considerações acerca dele. Isso ocorreu num episódio não interativo e com o emprego de linguagem de estrutura empírica audiovisual interdependente. Todos os fatores mencionados impediram que B tivesse acesso às informações apresentadas pelo software. Esse, por sua vez, não possuía interface auditiva e sua operação dependia da observação visual dos elementos de interação.
Viabilidade apresentação de modelos
Identifiquei tal perfil em duas ocasiões. Ocorreu em episódios
particulares interativos e com o emprego de linguagens de estruturas empíricas tátil-auditiva interdependente e fundamental auditiva. Nesses ambientes, o aluno com deficiência visual e os licenciandos alternaram-se como interlocutores. Os modelos, relacionados ao significado de pressão, foram os seguintes:
a. modelo para perfuração: B apresentou um modelo para explicar
a maior perfuração do prego de ponta fina em relação ao de ponta grossa. Segundo seu modelo, a perfuração do prego de ponta fina é semelhante ao movimento de queda da folha de papel amassada, e a perfuração do prego de ponta grossa ao da folha de papel aberta. Isso explica a maior facilidade do prego de ponta fina em perfurar a madeira.
b. modelo de força x perfuração: B apresentou um modelo que
relaciona a intensidade da força aplicada ao prego com a distância por ele perfurada. Segundo argumentou, quanto maior a força maior a perfuração do prego na madeira.
Viabilidade experimento
Identifiquei duas viabilidades de experimento. Elas estiveram
ligadas à realização de experimentos participativo e demonstrativo, em episódios interativos e com o emprego de linguagens de estruturas empíricas tátil-auditiva interdependente e auditiva e visual independentes. Os experimentos realizados foram os seguintes:
Experimento 1: teve por objetivo analisar o movimento de queda.
Para sua realização, foi utilizado um dicionário e folhas de papel (ora abertas, ora amassadas). Num primeiro momento, o licenciando deixou cair, simultaneamente, dicionário e folha de papel aberta. Posteriormente, deixou cair folha aberta e amassada, e dicionário e folha de papel amassada. Em todos esses momentos, o licenciando descreveu oralmente o que havia ocorrido. Vale destacar que B realizou observações auditivas das quedas dos objetos. Tanto as observações auditivas quanto as descrições orais forneceram as condições para a participação efetiva do discente cego em debate realizado sobre o Experimento 1.
Experimento 2: teve por objetivo analisar a conservação da
quantidade de movimento de um sistema isolado de corpos. Para
tanto, foi utilizado o equipamento já descrito anteriormente (Figura
15).
O aluno B reconheceu pelo tato o equipamento experimental,
realizou e observou o experimento por meio do tato e audição. Tais procedimentos foram adequados à participação efetiva do discente na atividade experimental. Ele se interessou tanto pelo experimento,
que construiu um equipamento semelhante em sua casa (Figura
16).
Viabilidade apresentação de hipótese
Verifiquei esta viabilidade em uma ocasião. Sua ocorrência esteve
relacionada a episódio particular interativo e ao emprego de linguagem de estrutura empírica fundamental auditiva.
A hipótese foi a seguinte: B explicou o amassamento de uma lata
de refrigerante. A lata em questão, após ter sido aquecida, foi introduzida no interior de um recipiente com água. Hipótese do discente: “o ar de dentro dela não deixou entrar água e a pressão da água a amassou”.
Como conclusões, apresento os Quadros 28 e 29, que explicitam,
respectivamente, as classes das dificuldades e viabilidades, bem como suas características intrínsecas marcantes.
Quadro 28 – Classes e características intrínsecas das dificuldades
de inclusão (grupo de mecânica)
Classe/dificuldade/ Estrutura Estrutura Contexto inclusão empírica semântico- predominante
predominante sensorial
predominante
Comunicação Audiovisual Significados Episódios não
interdependente vinculados às interativos
representações
visuais
Operação Audiovisual Significados Episódios não matemática interdependente vinculados às interativos
representações
visuais
Segregativa Audiovisual Significados Episódios não
interdependente vinculados às interativos
representações
visuais
Operação de Audiovisual Significados Episódios não software interdependente vinculados às interativos
representações
visuais
Quadro 29 – Classes e características intrínsecas das viabilidades
de inclusão (grupo de mecânica)
Natureza/ Estrutura Estrutura Contexto viabilidade/ empírica semântico-sensorial metodológico inclusão predominante predominante predominante
Comunicação Fundamental Significados Episódios
auditiva e vinculados e particulares auditiva e visual indissociáveis de interativos independentes representações não
visuais; significados
de relacionabilidade
sensorial secundária
Operação Fundamental Significados Episódios matemática auditiva vinculados às particulares
representações não interativos visuais
Apresentação Tátil-auditiva Significado vinculado Episódios de modelos interdependente às representações particulares
e Fundamental não visuais interativos auditiva
Experimento Tátil-auditiva Significados Episódios
interdependente vinculados às interativos e auditiva e representações não visual visuais independentes
Apresentação Fundamental Significado Episódios de hipóteses auditiva indissociável de particulares
representações não interativos visuais