Ensinar física a alunos com deficiência visual

Eder Pires de Camargo · Capítulo 11 de 15

Páginas do PDF

Ensinar física a alunos com deficiência visual

7 - Panorama das dificuldades e viabilidades para a inclusão do aluno com deficiência visual em aulas de Termologia

7 – Panorama das dificuldades

 

e viabilidades para a inclusão

 

do aluno com deficiência visual

 

em aulas de Termologia

 

Para o grupo de termologia, identifiquei quatro classes de

dificuldades e quatro de viabilidades de inclusão: (a) dificuldades: comunicação, segregação, operação matemática e experimento; (b) viabilidades: comunicação, hipótese, experimento e modelos (ver

Quadro 30).

 

Quadro 30 – Panorama de dificuldades e viabilidades de inclusão

(grupo de termologia)

Classe/dificuldade/ Ocorrência Classe/viabilidade/ Ocorrência inclusão inclusão

Comunicação Sim Comunicação Sim

Segregação Sim Segregação Não

Operação matemática Sim Operação Não

matemática

Experimento Sim Experimento Sim

Apresentação de Não Apresentação de Sim hipótese hipótese

Apresentação de Não Apresentação de Sim modelos modelos

 

O Quadro 30 mostra que as classes comunicação e experimento

foram comuns às dificuldades e viabilidades. As classes segregação e operação matemática representaram somente dificuldade, enquanto as classes hipótese e modelo representaram apenas viabilidade. Na sequência, analiso as classes de dificuldades e viabilidades.

 

Classes que representam dificuldade

 

e viabilidade à inclusão do aluno com

 

deficiência visual

 

Dificuldade comunicação

 

Identifiquei 73 momentos em que ocorreram essas dificuldades.

Agrupei as dificuldades em razão de oito linguagens que se organizaram em razão de três estruturas semântico-sensoriais e quatro empíricas.

As estruturas empíricas são as seguintes: audiovisual

interdependente, fundamental auditiva, auditiva e visual independentes e tátil-auditiva interdependente.

As estruturas semântico-sensoriais são as seguintes:

 

a. significados vinculados às representações visuais. Exemplo:

transformação de escalas termométricas, características macroscópicas e microscópicas das substâncias, dilatação térmica, estruturas e relações matemáticas das grandezas termodinâmicas, gráficos etc.

b. significados indissociáveis de representações visuais. Exemplo:

luz e cores.

c. significados de relacionabilidade sensorial secundária.

Exemplo: nomes de escalas termométricas.

 

No Quadro 31 explicito as estruturas empírica e semântico-

sensorial das linguagens geradoras de dificuldades comunicacionais.

 

Quadro 31 – Linguagens geradoras de dificuldade de comunicaçã

estruturas empírica e semântico-sensorial das ling

E í i (di it ) A di i l F d t l A diti T Empírica (direita) Audiovisual Fundamental Auditiva e T Empírica (direita) Audiovisual Fundamental Auditiva e T semântico-interdependente auditiva visual in semântico-interdependente auditiva visual in sensorial independentes sensorial independentes (abaixo) (abaixo)

 

Significado 59 5 2 0 vinculado às

representações

visuais

Significado 1 3 1 1 indissociável de

representações

visuais

Significado de 1 0 0 0 relacionabilidade

sensorial

secundária

Total vertical 61 8 3 1

 

Tomando por base os dados do Quadro 31, apresento as oito

linguagens implicadoras de dificuldade comunicacional para o aluno B.

 

Linguagem 1: audiovisual

 

interdependente/significado vinculado às

 

representações visuais

 

São exemplos dessa linguagem os trechos apresentados na

sequência.

Trecho 1

 

A-v: São Paulo não é ali?

T3: Quem concorda que são Paulo é aqui ó?

T-3: E o Everest, onde fica o Everest, aqui ou aqui?

A-vs: Aí.

T-3: É aqui ou aqui?

A-vs: Neste de cima.

 

O Trecho 1 originou-se de uma discussão sobre diferentes valores

de pressão atmosférica em relação à altitude. Como exemplo, um dos licenciandos desenhou na lousa dois pontos, um para representar a posição da cidade de são Paulo e outro para representar o monte Everest. Por esse motivo, o ponto representante da cidade de são Paulo localizava-se abaixo do ponto representante do monte Everest. Para veicular a informação das posições dos locais mencionados, licenciando e alunos videntes empregaram linguagem de estrutura empírica audiovisual interdependente. Observem-se os fragmentos: “quem concorda que são Paulo é aqui ó?” [...] “é aqui ou aqui?”. Mediante tais colocações, B poderia questionar: “são Paulo fica em que local?”; “aqui onde?”. As respostas a esses questionamentos encontram-se na componente visual da linguagem que contém os significados vinculados às representações visuais.

 

Trecho 2

 

T-4: Agora para a gente chegar na equação dos gases perfeitos, temos aqui pressão inversamente proporcional à altura e diretamente à massa molar.

T-4: A densidade é diretamente proporcional a p, inversamente a t, e diretamente a n.

T-4: Densidade é massa pelo volume, vou passar esse cara para lá, subir esse cara, subir esse cara e subir esse cara.

T-4: Depois de tudo isto a gente chega que p vezes v é isso daqui.

O Trecho 2 exibe as seguintes dificuldades comunicacionais.

 

a. relações de proporcionalidade entre grandezas físicas: “T-4:

agora para a gente chegar à equação dos gases perfeitos, temos aqui pressão inversamente proporcional à altura e diretamente à massa molar”. As relações de proporcionalidade inversa (entre pressão e altura) e proporcionalidade direta (entre pressão e massa molar), não são óbvias, além de possuírem uma estrutura representacional carregada de significados visuais, ou seja, ocupam a parte superior e inferior da estrutura matemática. O licenciando, ao apresentar tais relações, utilizou a lousa que continha os registros dessas. Nesse contexto, o aluno vidente ouvia as indicações orais, olhava para as estruturas visuais registradas e fazia suas interpretações. Vale relembrar que para alunos cegos usuários do Braille, como é o caso de B, a lógica matemática fundamentada nas posições superiores e inferiores da representação de proporcionalidade não é válida.

b. significados das variáveis: “T-4: a densidade é diretamente

proporcional a p, inversamente a t, e diretamente a n”. Para o caso aqui exposto, valem todas as considerações indicadas no item (a) sobre proporcionalidade. Destaco, entretanto, os significados das variáveis p, t e n, não apresentados pelo licenciando. A problemática das relações de proporcionalidade, conjuntamente à não descrição das variáveis mencionadas, torna o fragmento destacado sem significado para alunos com deficiência visual.

c. Passagens matemáticas: “T-4: densidade é massa pelo volume,

vou passar esse cara para lá, subir esse cara, subir esse cara e subir esse cara”. Demonstração de equações como a descrita no fragmento requer conhecimentos de posição das variáveis, bem como observação visual da mudança de posição das mesmas. Tais posições e mudanças são fundamentadas em codificações visuais e somente fazem sentido se o receptor acessar os registros visuais desses códigos. Além disso, observe também a estrutura da equação da densidade (massa

sobre volume), estrutura fundamentada na simbologia visual “algo sobre algo” já discutida em capítulos anteriores.

d. desconhecimento do resultado de P vezes V: “T-4: depois de

tudo isto a gente chega que p vezes v é isso daqui”. O fragmento destacado enfatiza a função demonstrativa do código visual nas linguagens de estrutura empírica audiovisual interdependente. Retomando, tal estrutura define funções aos códigos auditivo e visual. O primeiro tem a função indicativa (esse, aquele, aqui etc.), e o segundo, a função demonstrativa (acessada somente pela visão). Note-se que o fragmento representa muito bem tais funções, pois a oralidade do licenciando indica o significado visualmente representado.

 

Linguagem 2: fundamental auditiva/significado

 

vinculado às representações visuais

 

Observe o exemplo que segue.

 

Trecho 3

 

T-3: Eu tenho o alumínio, o coeficiente de dilatação dele é vinte e quatro vezes dez elevado a menos seis graus elevado a menos um.

T-3: O aço é onze vezes dez elevado a menos seis.

 

O Trecho 3 mostra um dos licenciandos apresentando de forma

oral valores de coeficientes de dilatação. Esses foram descritos em notação científica, ou seja, um determinado número vezes dez, elevado a uma determinada potência seguida da unidade, que também obedece à mesma lógica (algo elevado a algo). Como expliquei anteriormente, esse tipo de notação fundamenta-se em significados vinculados às representações visuais, acessíveis somente por pessoas conhecedoras da lógica visual em questão.

 

Linguagem 3: fundamental auditiva/significado

 

indissociável de representações visuais

Trago um exemplo dessa linguagem na sequência.

 

Trecho 4

 

T-2: Só que é estranho que quando você aquece uma coisa ela começa a emitir luz, porque será que ocorre isto?

 

No Trecho 4 há a descrição oral de um fenômeno relacionado ao

aquecimento de materiais, ou seja, a relação entre a elevação da temperatura e a emissão de luz por parte do material. O significado do fenômeno luminoso para pessoas cegas de nascimento fundamenta-se nas interações sociais que elas estabelecem ao longo de sua vida. Não há para pessoas que nunca enxergaram a representação mental da ideia visual relacionada a fenômenos luminosos.

 

Linguagem 4: auditiva e visual

 

independentes/significado vinculado às

 

representações visuais

 

Na sequência, apresento exemplo desse perfil linguístico.

 

Trecho 5

 

T-4: Na cntp a constante r vale zero zero oitenta e dois atm vezes litro sobre mol vezes Kelvin. B.

 

O significado veiculado refere-se à constante universal dos gases

perfeitos (r = 0,0082 atmosfera vezes litros sobre mol vezes kelvin). Novamente surge o problema comunicacional das anotações que seguem a regra “algo sobre algo”, forma representacional vinculada às representações visuais. Além disso, o trecho apresenta outras dificuldades de comunicação: (a) o valor de r é apresentado de forma incompleta, ou seja, “zero zero oitenta e dois” e não 0,0082. A forma completa do número em questão encontrava-se na parte visual da linguagem acessível somente aos alunos videntes; e (b) o não esclarecimento dos significados de cntp (condições normais de temperatura e pressão) nem de atm (atmosfera). Tais siglas eram para o licenciando conhecidas dos alunos. Seria adequado um esclarecimento melhor dessas siglas para que os discentes com deficiência visual pudessem ao menos organizar os significados das unidades constituintes da constante descrita.

 

Linguagem 5: tátil-auditiva

 

interdependente/significado indissociável de

 

representações visuais

 

O trecho que segue exemplifica o emprego da presente

linguagem.

 

Trecho 6

 

T-2: Tentem colocar na chama azul, aqui em baixo está vendo, aluno B, é assim a vela, em baixo é mais quente, a chama é azul, é que você não está enxergando, quando vai subindo mais a chama assim ó (faz o movimento do contorno da chama nas mãos de B) ela vai ficando mais amarelada, então a mais quente é a de baixo que é azul, é mais rápido o aquecimento.

 

O Trecho 6 relata um dos licenciandos tentando veicular para o

aluno (B) o significado relacionado ao formato da chama e sua cor (regiões de temperaturas diferentes). Para tanto, utilizou-se de linguagem de estrutura empírica tátil-auditiva interdependente. Note-se que o licenciando pegou as mãos do aluno B, fez com ela o formato da chama, descreveu oralmente que a região interna da chama era mais azulada do que a região externa, cuja cor aproximava-se do amarelo. O significado considerado inacessível ao discente B foi o relacionado à percepção visual das cores. Como mencionei anteriormente, esse tipo de significado é inacessível às pessoas cegas de nascimento.

Linguagem 6: auditiva e visual

 

independentes/significado indissociável de

 

representações visuais

 

Verifiquei tal linguagem durante a realização de uma atividade

experimental que objetivou demonstrar o fenômeno do calor por convecção. Na sequência, apresento um exemplo de tal linguagem.

 

Trecho 7

 

T-2: Ele (um dos licenciandos) trouxe um vidro com água e jogou dentro do vidro algumas gotas de leite.

T-2: Foi para o fundo o leite.

T-2: Vai ser colocado o vidro em cima da chama E ser aquecido com a vela.

T-2: Bem onde está a chama está subindo o leite na água.

T-2: É ele está indo para a superfície, ele está atravessando a água e indo para a superfície.

T-2: Agora está todo branco já, está todo misturado, o leite subiu na água.

 

Os equipamentos experimentais eram os seguintes: (a) recipiente

com água; (b) gotas de leite colocadas no recipiente; (c) vela acesa para aquecer o recipiente. A lógica do experimento foi a seguinte. (1) Colocam-se as gotas de leite na água que dessem para o fundo; (2) Começa-se a aquecer o recipiente; (3) o leite que se encontra no fundo do recipiente, adquire temperatura superior que a água acima localizada, e sobe; (4) isso cria uma corrente de convecção, e a água fica toda branca como resultado do espalhamento do leite que realiza o movimento ascendente e descendente. Note-se que todo esse processo foi descrito oralmente por um dos licenciandos. Paralelamente, o que era descrito podia ser observado visualmente pelos alunos videntes. O significado considerado inacessível ao aluno B foi aquele relacionado à ideia de que o conteúdo do recipiente adquire a cor branca do leite em razão do movimento gerado pela convecção. Esse significado, ou seja, o de cores, é indissociável de representações visuais, e, portanto, inacessível a alunos cegos de nascimento.

 

Linguagem 7: audiovisual

 

interdependente/significado de relacionabilidade

 

sensorial secundária

 

Na sequência, apresento um exemplo de tal linguagem.

 

Trecho 8

 

T-1: Eu vou passar uma transparência sobre escalas termométricas.

T-1: As principais escalas que a gente tem são essas daqui ó.

Indica informação projetada.

T-1: Alguma dúvida sobre essas três escalas? Existem outras, mas as mais conhecidas mundialmente são essas três.

 

O Trecho 8 veicula a informação inerente ao nome das três

escalas termométricas mais comuns, ou seja, as escalas Celsius, Kelvin e Fahrenheit. Os nomes das escalas, que possuem significado de relacionabilidade sensorial secundária, estavam apresentados na parte visual da linguagem. Observem-se as funções indicativa e demonstrativa, respectivamente, das componentes auditiva e visual “são essas daqui ó” [...] “são essas três”.

 

Linguagem 8: audiovisual

 

interdependente/significado indissociável de

 

representações visuais

 

O trecho que segue exemplifica esse perfil linguístico:

 

Trecho 9

T-2: Vocês vão aquecer o prego até começar a ficar assim ó (incandescente, a hora que começar vocês pegam e colocam ele nesse furinho.

Indica o local.

 

No Trecho 9, tem-se a veiculação de significado indissociável de

representações visuais (ideia de incandescente) por meio de linguagem de estrutura empírica audiovisual interdependente. O trecho em questão refere-se à explicação de como realizar uma atividade experimental relacionada à dilatação volumétrica de sólidos. Os materiais experimentais utilizados foram os seguintes: (a) placa metálica com orifício; (b) prego a ser aquecido e inserido no orifício antes e depois de seu aquecimento; (c) vela para aquecer o prego; e (d) pinça para segurar o prego. Para o aluno B, o Trecho 9 implicou uma dupla dificuldade, relacionada à estrutura empírica da linguagem e ao significado veiculado.

No Quadro 32 explicito sinteticamente as linguagens geradoras de

dificuldades comunicacionais, a característica peculiar da linguagem (se houver), suas porcentagens, bem como o recurso instrucional mais frequente em cada uma delas.

 

Quadro 32 – Linguagens geradoras de dificuldades de comunicação

(grupo de termologia)

Linguagem Porcentagem Característica peculiar Recurso

aproximada instrucional

mais

empregado

Linguagem 81% Indicação oral de Lousa, data 1 registros visualmente show,

vinculados e detalhados retroprojetor

Linguagem 7% Recorrência à Não utilizado 2 representações de

significados visualmente

vinculados

Linguagem 4% Recorrência à “imagens Não utilizado 3 visuais mentais”

Linguagem Porcentagem Característica peculiar Recurso

aproximada instrucional

mais

empregado

 

Linguagem 3% Detalhamento oral Lousa 4 insuficiente

Linguagem 1% Tato/som não veiculam Recurso 5 significados visualmente instrucional

indissociáveis tátil-visual

Linguagem 1% Som não veicula Recipiente de 6 significados visualmente vidro aquecido

indissociáveis com água e

leite

Linguagem 1% Indicar oralmente Retroprojetor 7 registros de significados

de relação sensorial

secundária

Linguagem 1% Indicação oral de Recurso 8 registros visualmente instrucional

indissociáveis tátil-visual

 

Na sequência, passo a analisar as linguagens geradoras de

viabilidade comunicacional.

 

Viabilidade comunicação

 

Identifiquei 368 momentos em que ocorreram essas viabilidades.

Elas foram organizadas em razão de dez linguagens constituídas em termos de quatro estruturas semântico-sensoriais e três empíricas.

As estruturas empíricas são as seguintes: fundamental auditiva,

auditiva e visual independentes e tátil-auditiva interdependente.

Estruturas semântico-sensoriais:

a. significados indissociáveis de representações não visuais.

Exemplos: ideia de quente, frio, sensação térmica, calor, valores de temperatura em comparação com a temperatura do corpo humano; algumas ideias ligadas ao estado físico da matéria etc.

b. significados vinculados às representações não visuais.

Exemplos: ideia de temperatura relacionada ao nível de agitação das moléculas, características macroscópicas e microscópicas das substâncias; ideia entre estado físico da matéria e comportamento de agitação das moléculas; ideia de calor como onda eletromagnética (referente à geometria da onda), dilatação térmica nos sólidos, líquidos e gases (ideia de variação de comprimento, superfície e volume dos corpos ou substâncias), formato de objetos e equipamentos experimentais, volume; ideia de agitação das moléculas de um gás, modelo de calor por condução (choque entre as moléculas), geometria dos gráficos de transformações termodinâmicas.

c. significados sem relação sensorial. Exemplos: ideia de calor

como energia em trânsito entre corpos de diferentes temperatura, relação entre temperatura e energia interna etc.;

d. significados de relacionabilidade sensorial secundária.

Exemplos: nomes das escalas termométricas; nomes dos processos de mudança de estados físicos; nome de instrumentos de medida; nome de equipamentos experimentais; nomes de cientistas, aspectos históricos etc.

 

No Quadro 33, explicito as estruturas empíricas e semântico-

sensoriais das linguagens, suas relações e respectivas quantidades.

 

Quadro 33 – Linguagens relacionadas à viabilidade de comunicaçã

Empírica (direita) Fundamental Auditiva e Tátil-auditiva T semântico- auditiva visual interdependente h sensorial independentes (abaixo)

Significado 162 34 12 indissociável de representações Empírica (direita) Fundamental Auditiva e Tátil-auditiva T semântico-não visuais auditiva visual interdependente h

sensorial independentes Significado 55 26 23 (abaixo) vinculado às

representações

não visuais

Significado de 20 13 0 relacionabilidade

sensorial

secundária

 

Significado sem 17 6 0 relação sensorial

Total vertical 254 79 35

 

Apresento na sequência as dez linguagens.

 

Linguagem 9: fundamental auditiva/significado

 

indissociável de representações não visuais

 

Observe o trecho que segue.

 

Trecho 10

 

T-3: Com base nos resultados é possível saber a temperatura exata de alguma coisa apenas com o tato? Não, porque vai depender da temperatura da mão.

Alunos haviam realizado experimento de colocar uma mão em água quente, outra em água fria e em seguida as duas em água à temperatura ambiente.

B: Esfriou sua mão quente e esquentou a mão fria.

A-v1: Às vezes sua mão pode estar gelada você põe na água fria e ela fica quentinha, mas a água fria não está quente!

B: É a mesma coisa que se você estiver dentro de uma piscina...

A-v1: É a mesma coisa, quando está muito frio que eu lavo louça na água fria.

A: Sua mão esquenta.

A-v1: E depois que para de lavar louça a mão fica quentinha.

B: Quando você está dentro de uma piscina também, se você está lá dentro está quentinho, mas quando você sai para fora fica frio mesmo com a água gelada.

T-3: Qual é o outro exemplo que vocês têm aí no dia a dia sobre sensação térmica?

A-v2: Cobertor.

T-3: Porque cobertor?

A-v2: Quando você levanta está o maior frio.

A-v1: Eu sei que às vezes está sol à tarde, está o maior calor, eu deito, mas eu sinto frio, eu tenho que me cobrir.

A: Eu também tenho essa sensação, em casa é o maior sarro, todos já viram pegando um edredom indo para o sofá, e está o maior sol lá fora, mas aqui eu estou com frio.

 

Linguagem 10: fundamental auditiva/significado

 

vinculado às representações não visuais

 

Na sequência, apresento a transcrição de um trecho caracterizado Por essa linguagem.

 

Trecho 11

 

T-2: A temperatura está relacionada com a agitação das moléculas.

T-2: Quanto maior a temperatura mais vibrando essas moléculas estão, quanto menor a temperatura mais de vagar elas estão.

Linguagem 11: auditiva e visual

 

independentes/significado indissociável de

 

representações não visuais

 

Na sequência, trago um exemplo, em que um dos licenciandos

descreveu oralmente a realização de um experimento demonstrativo, realizado à frente da sala de aula, relacionado ao fenômeno do calor por contato. Foram utilizados os seguintes materiais experimentais: fio de cobre, vela, palito de fósforos. A parafina da vela foi derretida sobre o fio. Após ter secado, a chama da vela foi colocada em uma das pontas do fio e a parafina derretia no sentido da ponta, onde se localizava a chama para a ponta oposta.

 

Trecho 12

 

T-3: Ele (o licenciando coordenador da aula) está esquentando a ponta do fio, o calor vai transferindo por todo fio, então aonde ele vai passando ele vai derretendo a parafina, só está sendo esquentado só a pontinha dele.

 

Linguagem 12: auditiva e visual

 

independentes/significado vinculado às

 

representações não visuais

 

Observe o trecho que segue.

 

Trecho 13

 

T-1: Dentre os três estados físicos da matéria os sólidos são os que possuem menor nível de agitação de suas moléculas.

T-1: Líquidos possuem volume definido e forma variada.

T-1: As moléculas de um líquido possuem maior mobilidade que a dos sólidos devido à ligação mais fraca entre suas moléculas.

T-1: No vapor as moléculas não vão ter interação, só se elas passarem muito perto ao ponto de se colidirem.

T-1: No vapor e no gás as moléculas estão totalmente livres, no líquido elas vão ter certa ligação, mas vai poder ser mais maleável, as ligações não vão ser tão fortes quanto nos sólidos, porque nos sólidos elas são totalmente paradas.

Licenciando projeta e fala informações projetadas.

 

Relembrando, uma característica marcante da presente

linguagem é a simultaneidade entre projeção e descrição oral de informações.Tais informações contêm os mesmos significados vinculados às representações não visuais.

 

Linguagem 13: tátil-auditiva

 

interdependente/significado vinculado às

 

representações não visuais

 

Um exemplo dessa linguagem é apresentado na sequência.

 

Trecho 14

 

T-4: Este eixo aqui é o eixo da pressão, e este eixo aqui é o eixo do volume, este é o gráfico do ciclo de Carnot.

B: Deixe-me por a mão?

T-4: Deixo sim, este é o eixo da pressão ó, está vendo? Chega aqui no zero e sobe aqui perto do zero ele vem para cá, aqui é volume, então é pressão variando com quem? Com volume, se eu mudar o volume varia a minha

pressão (ver Figura 17).

Figura 17 – Registro tátil-visual do gráfico do ciclo de Carnot.

 

O que marca essa linguagem é a ação do licenciando conduzir a

mão do aluno com deficiência visual sobre os registros táteis contidos em maquetes ou materiais táteis, como o gráfico em alto relevo do ciclo de Carnot. Enquanto conduz, descreve oralmente aquilo que se encontra registrado tatilmente.

 

Linguagem 14: fundamental auditiva/significado

 

de relacionabilidade sensorial secundária

 

Dois exemplos são apresentados na sequência.

 

Trecho 15 – Exemplo 1

 

T-1: Essa parte de comportamento dos gases é bem interessante porque há um tempo atrás foi a parte que fundiu a física e a química, e a gente estuda ainda o comportamento dos gases tanto na física quanto na química.

 

Trecho 16 – Exemplo 2

 

T-1: Em qualquer ciência em geral você vai estar mexendo com aproximações, muitas coisas são bem precisas, mas na grande maioria não tem como você chegar numa precisão teórica.

Linguagem 15: fundamental auditiva/significado

 

sem relação sensorial

 

Um trecho contendo a presente linguagem é apresentado na

sequência.

 

Trecho 17

 

T-2: Calor é uma forma de energia que pode estar sendo transmitida ou transformada em outra forma.

O significado em questão é o de calor como uma forma de energia. Tal significado não possui relações sensoriais, já que a ideia de energia é

abstrata. Fiz uma análise sobre esse tema no Capítulo 6.

 

Linguagem 16: auditiva e visual

 

independentes/significado de relacionabilidade

 

sensorial secundária

 

As frases que seguem foram projetadas e lidas simultaneamente.

 

Trecho 18

 

T-1: O processo de mudança de sólido para líquido chama-se fusão.

T-1: O processo de transformação de líquido para vapor chama-se vaporização.

T-1: O processo de transformação de gás para líquido chama-se liquefação ou condensação.

T-1: O processo de transformação de líquido para sólido chama-se solidificação.

T-1: O processo de transformação de sólido para gás chama-se sublimação.

 

O significado focalizado refere-se aos nomes dos processos de

mudanças de fase. Tais nomes não precisam necessariamente de representações sensoriais para ser compreendidos.

Linguagem 17: tátil-auditiva

 

interdependente/significado indissociável de

 

representações não visuais

 

Um exemplo é apresentado na sequência. Nele, os alunos com

deficiência visual tocam em equipamentos experimentais, ou seja, uma garrafa com água aquecida, outra com água fria e uma terceira com água à temperatura ambiente.

 

Trecho 19

 

T-3: Alunos a e B, toquem aqui, temos aqui uma garrafa com água quente, outra com água fria e uma com água a temperatura ambiente.

 

Linguagem 18: Auditiva e visual

 

independentes/significado sem relação sensorial

 

Na sequência, um exemplo é apresentado. Nesse exemplo, um

dos licenciandos leu o que se encontrava escrito na lousa.

 

Trecho 20

 

T-2: Calor é energia de transição entre corpos de temperaturas diferentes

 

No Quadro 34 explicito sinteticamente as linguagens geradoras de

viabilidades comunicacionais, a característica peculiar da linguagem, suas porcentagens, bem como o recurso instrucional mais frequente em cada uma delas.

 

Quadro 34 – Síntese e características das linguagens geradoras de

viabilidades comunicacionais (grupo de termologia)

Linguagem Porcentagem Característica Recurso instrucional

aproximada peculiar mais empregado Linguagem Porcentagem Característica Recurso instrucional

aproximada peculiar mais empregado

 

Linguagem 44% Descrição oral de Não utilizado 9 significados não

visuais

Linguagem 15% Recorrência à Não utilizado 10 “imagens não

visuais mentais”

Linguagem 9% Descrição oral e Lousa, retroprojetor, 11 registro visual de data show,

significados não equipamentos visuais experimentais

Linguagem 7% Indicar oralmente Data show, 12 frases projetadas retroprojetor

ou experimentos equipamentos demonstrados experimentais

Linguagem 6% Condução das Maquetes ou 13 mãos do aluno equipamentos

experimentais

Linguagem 5% Descrição oral de Não utilizado 14 significados de

relação sensorial

secundária

Linguagem 5% Descrição oral de Não utilizado 15 significados sem

relação sensorial

Linguagem 4% Descrição oral e Lousa, data show, 16 registro visual de retroprojetor Lousa,

significados de data show, relação sensorial retroprojetor Lousa, secundária data show,

retroprojetor

Linguagem 3% Condução das Equipamentos 8.17 mãos dos alunos experimentais Linguagem Porcentagem Característica Recurso instrucional

aproximada peculiar mais empregado

 

Linguagem 2% Descrição oral e Lousa, data show, 8.18 registro visual de retroprojetor

significados sem

relação sensorial

 

Concluídas as análises das dificuldades e viabilidades

comunicacionais, passo a relacioná-las aos contextos e padrões discursivos.

 

Relação entre linguagem e contexto

 

comunicacional

 

Retomando, identifiquei 73 dificuldades comunicacionais (oito

perfis linguísticos). E 368 viabilidades (dez perfis linguísticos), 95% do conjunto de dificuldade/viabilidade, ocorreram em episódios comuns a todos os alunos; e 5%, em episódios particulares. Da combinação entre contexto e padrão discursivo obtive cinco contextos comunicacionais, a saber: episódio interativo/de autoridade (40%); episódio não interativo/de autoridade (30%); episódio interativo/ dialógico (25%); episódio particular interativo/de autoridade (3%); e episódio particular não interativo/de autoridade (2%). Quarenta e dois por cento da ocorrência de episódios comuns a todos os alunos caracterizaram-se por relações discursivas interativas/de autoridade; 31%, por relações discursivas não interativas/de autoridade; e 26%, por relações discursivas interativas/dialógicas. Já 65% da ocorrência de episódios particulares caracterizaram-se por relações discursivas interativas/de autoridade; e 35%, por relações discursivas não interativas/de autoridade. Cabe lembrar que as porcentagens apresentadas são aproximadas.

O entendimento da organização das atividades em relação à

presença do aluno com deficiência visual é contribuído pelos números apresentados. Tal organização se deu, na grande maioria das vezes, em atividades comuns a todos os discentes, e, em algumas ocasiões, em atividades particulares. Os números indicam ainda o perfil discursivo das atividades, fundamentado, majoritariamente, em argumentações socráticas e retórica e minoritariamente, mas não de forma discreta, em argumentações dialógicas. Na sequência, explicito, respectivamente, as relações: contexto comunicacional/ linguagem geradora de dificuldade e contexto comunicacional/ linguagem geradora de viabilidade.

 

Contexto comunicacional/linguagem geradora de

 

dificuldades

 

A relação entre contexto comunicacional e linguagem geradora de

dificuldade encontra-se explicitada no Quadro 35. Os contextos comunicacionais e as linguagens foram expostos em sequência decrescente de ocorrência.

 

Quadro 35 – Relaciona as variáveis: contexto comunicacional e lingu

inacessíveis (grupo de termologia)

 

Contexto comunicacional Episódio Episódio Episódio Freq (direita) Linguagem não interativo/ interativo/ horiz (abaixo) interativo/ de dialógico

de autoridade autoridade

Audiovisual 44 14 1 interdependente/

significado vinculado às

representações visuais

Fundamental 4 1 0 auditiva/significado

vinculado às

representações visuais

Fundamental 1 0 2

diti / i ifi d auditiva/significado Contexto comunicacional Episódio Episódio Episódio Freq indissociável de (direita) Linguagem não interativo/ interativo/ horiz representações visuais (abaixo) interativo/ de dialógico Auditiva e visual 2 0 0 de autoridade independentes/ autoridade significado vinculado às

representações visuais

Tátil-auditiva 1 0 0 interdependente/

significado indissociável

de representações visuais

Auditiva e visual 0 1 0 independentes/significado

indissociável de

representações visuais

Audiovisual 1 0 0 interdependente/

significado de

relacionabilidade

sensorial secundária

 

Audiovisual 1 0 0 interdependente/

significado indissociável

de representações visuais

Frequência vertical 54 16 3

 

É indicado pela análise do Quadro 35 qual perfil linguístico

gerador de dificuldade mostrou-se mais frequente em determinado contexto comunicacional. Veja-se na sequência.

 

Episódio não-interativo/de autoridade

 

No contexto aqui enfocado, 82% das dificuldades estiveram

relacionadas ao emprego de linguagem audiovisual interdependente/ significado vinculado às representações visuais; 7%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado vinculado às representações visuais; 4%, ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado vinculado às representações visuais; e 2%, respectivamente, ao emprego das linguagens tátil-auditiva interdependente/significado indissociável de representações visuais, fundamental auditiva/significado indissociável de representações visuais, audiovisual interdependente/significado de relacionabilidade sensorial secundária e audiovisual interdependente/significado indissociável de representações visuais. Em termos estruturais, as dificuldades encontradas estiveram relacionadas a duas características majoritárias: (a) utilização de linguagem de acesso visualmente dependente (audiovisual interdependente: 85,2%); e (b) abordagem de significados vinculados às representações visuais (92,6%).

 

Episódio interativo/de autoridade

 

Aqui, 85% das dificuldades estiveram relacionadas ao emprego

de linguagem audiovisual interdependente/significado vinculado às representações visuais; e 6%, respectivamente, ao emprego das linguagens fundamental auditiva/significado vinculado às representações visuais e auditiva e visual independentes/significado indissociável de representações visuais.

Os resultados apresentados indicam que as dificuldades

estiveram majoritariamente relacionadas ao emprego de linguagem de estrutura empírica audiovisual interdependente e à veiculação dos significados vinculados às representações visuais.

Episódio interativo/dialógico

 

No contexto aqui discutido, 67% das dificuldades estiveram

relacionadas ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado indissociável de representações visuais; e 33%, ao emprego de linguagem audiovisual interdependente/significado vinculado às representações visuais.

Em termos estruturais, as dificuldades identificadas podem ser

relacionadas a duas características discretamente majoritárias: (a) emprego de linguagem de estrutura empírica de acesso visual independente (estrutura fundamental auditiva); e (b) veiculação de significado indissociável de representação visual. A veiculação de tais significados é que justifica a dificuldade oriunda da linguagem mais frequentemente encontrada no contexto comunicacional, ou seja, aqueles que não podem ser veiculados, acessados e representados por meio de códigos não visuais.

Todas as dificuldades estiveram relacionadas aos contextos

comunicacionais comuns a todos os alunos. Em tais contextos, o emprego de linguagem de estrutura empírica audiovisual interdependente, presentes em aproximadamente 84% das dificuldades, foi prática majoritária. O emprego de linguagens de estruturas empíricas tátil-auditiva interdependente, fundamental auditiva e auditiva e visual independentes, representou em torno de 16% das dificuldades.

Concentrando a análise na estrutura semântico-sensorial,

constatei que as dificuldades se relacionaram quase que totalmente aos significados vinculados às representações visuais (aproximadamente 90%). Significados indissociáveis de representações visuais (8%) e de relacionabilidade sensorial secundária (1%) foram encontrados de forma minoritária.

Esses números indicam dez características marcantes das

dificuldades comunicacionais do grupo de termologia:

 

a. presença majoritária de dificuldades relacionadas à estrutura

empírica audiovisual interdependente;

b. presença majoritária de dificuldades relacionadas aos

significados vinculados às representações visuais;

c. presença majoritária de dificuldades nos episódios não

interativos;

d. foram verificadas, de forma majoritária, dificuldades

provenientes da relação: não interatividade/linguagem de estrutura empírica visualmente dependente (audiovisual interdependente);

e. significados indissociáveis de representações visuais e de

relacionabilidade sensorial secundária participaram de forma minoritária do conjunto de dificuldades comunicacionais;

f. em episódios particulares não foram verificadas dificuldades;

g. a interatividade mostrou-se fator minoritário de dificuldades; h. a dialogicidade mostrou-se fator discreto de dificuldades;

i. foram verificadas, de forma discreta, dificuldades provenientes

da relação: não interatividade/linguagens de estruturas empíricas visualmente independentes (fundamental auditiva, auditiva e visual independentes e tátil-auditiva interdependente);

j. foram verificadas, de forma minoritária, dificuldades

provenientes da relação: interatividade/linguagens de estruturas empíricas visualmente independentes (fundamental auditiva e auditiva e visual independentes).

 

Contexto comunicacional/linguagem geradora de

 

viabilidades

 

No Quadro 36, explicito a relação entre contexto comunicacional e

linguagem geradora de viabilidade, bem como o impacto quantitativo dessa relação. Observa-se que os contextos comunicacionais e as linguagens foram expostos em sequência decrescente de ocorrência.

 

Quadro 36 – Relaciona as variáveis: contexto comunicacional e ling

de termologia)

Contexto Episódio Episódio Episódio Episódio comunicacional interativo/ interativo/ não particular

(direita) de dialógico. interativo/de interativo/de Linguagem autoridade autoridade autoridade (abaixo) Contexto Episódio Episódio Episódio Episódio comunicacional Fundamental interativo/ 59 interativo/ 52 não 41 particular 8

(direita) auditiva/ de dialógico. interativo/de interativo/de Linguagem significado autoridade autoridade autoridade (abaixo) indissociável de

representações

não visuais

 

Fundamental 27 17 9 0 auditiva/

significado

vinculado às

representações

não visuais

Auditiva e visual 17 11 4 2 independentes/

significado

indissociável de

representações

não visuais

Auditiva e visual 17 5 4 0 independentes/

significado

vinculado às

representações

não visuais

Tátil-auditiva 10 2 4 3 interdependente/

significado

vinculado às representações Contexto Episódio Episódio Episódio Episódio não visuais comunicacional interativo/ interativo/ não particular

(direita) Fundamental de 5 dialógico. 5 interativo/de 9 interativo/de 1 Linguagem auditiva/ autoridade autoridade autoridade (abaixo) significado de

relacionabilidade

sensorial

secundária

 

Fundamental 6 9 1 1 auditiva/

significado sem

relação sensorial

Auditiva e visual 7 3 3 0 independentes/

significado de

relacionabilidade

sensorial

secundária

Tátil-auditiva 11 0 1 0 interdependente/

significado

indissociável de

representações

não visuais

Auditiva e visual 1 4 1 0 independentes/

significado sem

relação sensorial

Frequência 160 108 77 15 vertical

vertical

 

A análise do Quadro 36 indica que perfil linguístico gerador de

viabilidade mostrou-se mais comum em determinado contexto comunicacional.

 

Episódio interativo/de autoridade

 

No presente contexto, 37% das viabilidades estiveram

relacionadas ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado indissociável de representações não visuais; 17%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado vinculado às representações não visuais; 11%, ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/ significado vinculado às representações não visuais; e outros 11%, ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado indissociável de representações não visuais. Prosseguindo, 7% estiveram relacionadas ao emprego de linguagem tátil-auditiva interdependente/ significado indissociável de representações não visuais; 6%, ao emprego de linguagem tátil-auditiva interdependente/significado vinculado às representações não visuais; 4%, ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado de relacionabilidade sensorial secundária; e 4%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/ significado sem relação sensorial. Finalmente, 3% das viabilidades estiveram relacionadas ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado de relacionabilidade sensorial secundária; e 1%, ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado sem relação sensorial.

Do ponto de vista estrutural, as viabilidades identificadas

estiveram relacionadas a duas características predominantes: (a) utilização de linguagens de estrutura empírica fundamental auditiva (61%). Linguagens de estruturas empíricas auditiva e visual independentes (26%) e tátil-auditiva interdependentes (13%) mostraram-se menos frequentes; (b) abordagem de significados indissociáveis de representações não visuais (54%) e vinculados às representações não visuais (34%). Significados de relacionabilidade sensorial secundária (7%) e sem relação sensorial (4%) mostraram-se minoritários.

Sintetizando, em episódios interativos/de autoridade, os

licenciandos, de forma majoritária, veicularam significados indissociáveis e vinculados às representações não visuais. Nesse contexto, a predominância se deu às relações: estrutura empírica fundamental auditiva/ significados indissociáveis e vinculados às representações não visuais.

 

Episódio interativo/dialógico

 

Nesse contexto, 48% das viabilidades estiveram relacionadas ao

emprego de linguagem fundamental auditiva/significado indissociável de representações não visuais; 16%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado vinculado às representações não visuais; 10%, ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado indissociável de representações não visuais; e 8%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado sem relação sensorial. Dando continuidade, 5% das viabilidades estiveram relacionadas ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado de relacionabilidade sensorial secundária; outros 5%, ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado vinculado às representações não visuais; 4%, ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado sem relação sensorial; e 3%, ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado de relacionabilidade sensorial secundária. Dois por cento das viabilidades relacionaram-se ao emprego de linguagem tátil-auditiva interdependente/significado vinculado às representações não visuais. Lembrando que as porcentagens apresentadas são aproximadas.

Duas características estruturais podem ser destacadas no

contexto comunicacional: (a) emprego majoritário de linguagens de estrutura empírica fundamental auditiva (77%). Linguagens de estrutura empírica auditiva e visual independentes (21%) foram empregadas de forma minoritária. Já as linguagens de estrutura empírica tátil-auditiva interdependente (2%) foram empregadas discretamente; (b) frequência majoritária dos significados indissociáveis de representações não visuais (58%), seguido pelos vinculados às representações não visuais (22%). Significados sem relação sensorial (12%) e de relacionabilidade sensorial secundária (7%) foram veiculados de forma minoritária.

 

Episódio não interativo/de autoridade

 

Aqui, 53% das viabilidades estiveram relacionadas ao emprego de

linguagem fundamental auditiva/significado indissociável de representações não visuais; 12%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado vinculado às representações não visuais; outros 12%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado de relacionabilidade sensorial secundária; e 5%, respectivamente, ao emprego das linguagens tátil-auditiva interdependente/significado vinculado às representações não visuais, auditiva e visual independentes/significado vinculado às representações não visuais e auditiva e visual independentes/significado indissociável de representações não visuais. Quatro por cento das viabilidades estiveram relacionadas ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado de relacionabilidade sensorial secundária; e 1%, respectivamente, ao emprego das linguagens tátil-auditiva interdependente/significado indissociável de representações não visuais, fundamental auditiva/ significado sem relação sensorial e auditiva e visual independentes/ significado sem relação sensorial.

As viabilidades identificadas no presente contexto estiveram

relacionadas a duas características predominantes: (a) emprego de linguagens de estrutura empírica fundamental auditiva (78%). Linguagens de estruturas empíricas auditiva e visual independentes (16%) e tátil-auditiva interdependente (6%) foram empregadas de forma minoritária; (b) veiculação de significados indissociáveis de representações não visuais (60%) seguido pela veiculação dos significados vinculados às representações não visuais (22%). Já os significados de relacionabilidade sensorial secundária (16%) e sem relação sensorial (3%) foram veiculados de forma minoritária.

 

Episódio particular interativo/de autoridade

 

Nesse contexto, 53% das viabilidades estiveram relacionadas ao

emprego de linguagem fundamental auditiva/significado indissociável de representações não visuais; 20%, ao emprego de linguagem tátil-auditiva interdependente/significado vinculado às representações não visuais; 13%, ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado indissociável de representações não visuais; e 7%, respectivamente, ao emprego das linguagens fundamental auditiva/ significado sem relação sensorial e fundamental auditiva/significado de relacionabilidade sensorial secundária. São duas as características estruturais predominantes desse contexto comunicacional: (a) emprego de linguagem de estrutura empírica fundamental auditiva (66,7%). Linguagens de estruturas empíricas tátil-auditiva interdependente (20,0%) e auditiva e visual independentes (13,3%) mostraram-se menos frequente; (b) veiculação majoritária de significados indissociáveis de representações não visuais (66,7%). A veiculação dos significados vinculados às representações não visuais (20,0%) e sem relação sensorial (6,7%) mostrou-se minoritária.

 

Episódio particular não interativo/de autoridade

 

Aqui, 50% das viabilidades estiveram relacionadas ao emprego da

linguagem tátil-auditiva interdependente/significado vinculado às representações não visuais; e 25%, respectivamente, ao emprego das linguagens fundamental auditiva/significado vinculado às representações não visuais e fundamental auditiva/significado indissociável de representações não visuais.

Duas são as características estruturais majoritárias do presente

contexto comunicacional: (a) emprego igualitário de linguagens de estruturas empíricas tátil-auditiva interdependentes (50%) e fundamental auditiva (50%); e (b) predominância da veiculação de significados vinculados às representações não visuais (75%). A veiculação dos significados indissociáveis de representações não visuais mostrou-se minoritária.

Os números explicitados indicam dez características marcantes

das viabilidades comunicacionais do grupo de termologia:

 

a. predominância de viabilidades nos contextos comunicacionais

comuns a todos os discentes;

b. predominância de viabilidades nos contextos comunicacionais

interativos;

c. ocorrência significativa da relação viabilidade/contexto

dialógico;

d. predominância de viabilidades relacionadas ao emprego de

linguagens de estrutura empírica fundamental auditiva;

e. linguagens de estruturas empíricas auditiva e visual

independentes e tátil-auditiva interdependentes foram identificadas de forma minoritária;

f. predominância de viabilidades relacionadas à veiculação de

significados indissociáveis de representações não visuais;

g. ocorrência significativa da relação viabilidade/significado

vinculado às representações não visuais;

h. ocorrência minoritária de viabilidades relacionadas à veiculação

dos significados de relacionabilidade sensorial secundária e sem relação sensorial;

i. os episódios comuns a todos os alunos proporcionaram

condições para a utilização de linguagens de estrutura empírica tátil-auditiva interdependente;

j. não ocorrência da relação: viabilidade/estrutura empírica

audiovisual interdependente.

 

Passo agora a analisar as dificuldades e bia viabilidades de

experimentos.

 

Dificuldade experimento

 

Identifiquei esse perfil em uma ocasião ligada à realização de

experimento demonstrativo, em episódios não interativos e com o emprego de linguagem audiovisual interdependente/significado vinculado às representações visuais.

O experimento realizado enfocou o estudo dos gases

(experimento 1). Inicialmente, o licenciando apresentou os equipamentos experimentais à frente da sala; em seguida, realizou experimento demonstrativo sobre a dilatação dos gases. Foram utilizados os seguintes equipamentos: elenmeyer, borrachas de conexão, bacia, gelo, copo e detergente.

 

Viabilidade experimento

 

Foi identificada em 12 ocasiões. Esteve ligada à realização de

experimentos participativos, em episódios interativos e com o emprego de linguagens de estruturas empíricas tátil-auditiva interdependente e fundamental auditiva.

Os experimentos realizados foram os seguintes: (1) diferença

entre calor e temperatura; (2) relação entre calor, temperatura e massa; (3) equilíbrio térmico; (4) calor por condução; (5 e 6) calor por convecção; (7) calor por radiação; (8) dilatação linear dos sólidos; (9) dilatação térmica dos líquidos; (10) dilatação térmica dos gases; (11 e 12) dilatação superficial dos sólidos.

Termino aqui as análises das classes que representaram

dificuldade e viabilidade de inclusão. Na sequência, abordo outras classes, isto é, aquelas que representaram dificuldade ou viabilidade de inclusão.

 

Classes que representam dificuldade

 

ou viabilidade à inclusão do aluno

 

com deficiência visual

 

Dificuldade segregação

Foi identificada em 10 ocasiões: diz respeito à criação, no interior

da sala de aula, de ambientes segregativos de ensino. Já discuti esse perfil de dificuldade nos capítulos anteriores, especialmente no 4. No capítulo 9, retomarei uma discussão sobre esse tema.

 

Dificuldade operação matemática

 

Identificada em três ocasiões, ocorreu em atividades realizadas

em episódios não interativos e com o emprego de linguagem audiovisual interdependente/significado vinculado às representações visuais. Retomando, fundamenta-se na relação triádica caracterizadora das operações matemáticas, ou seja, simultaneidade entre raciocínio, registro do cálculo e sua observação.

Os cálculos que representaram dificuldades foram os seguintes:

equação do trabalho termodinâmico; rendimento de máquinas térmicas e relação entre calor e temperatura no ciclo de Carnot.

 

Viabilidade apresentação de hipótese

 

Verifiquei este perfil em 23 ocasiões. Sua ocorrência esteve

relacionada a episódios interativos e ao emprego de linguagens de estrutura empírica fundamental auditiva. Como nesses ambientes os alunos com e sem deficiência visual alternaram a função de interlocutor, o discente cego teve condições de expressar-se. Essa viabilidade refere-se a situações em que o discente apresentou relações de causa e efeito para um determinado fenômeno.

As hipóteses apresentadas por B foram as seguintes: (1)

explicação para sensação térmica ao sair da piscina; (2) explicação para a variação da temperatura da água; (3, 4) explicação para a variação de temperatura em vasilhas cheia e pela metade de água; (5, 6) explicação para a evaporação da água; (7) explicação para o que ocorrerá com a água aquecida na latinha e na vasilha plástica; (8) explicação para o esfriamento da água na latinha e o aquecimento da água na vasilha plástica; (9) explicação do derretimento da parafina no fio aquecido; (10) Explicação para o movimento do cata-vento próximo à chama; (11) Explicação para o movimento ascendente da gota de leite aquecida; (12) explicação para a diferença de temperatura nas regiões laterais e acima da vela; (13, 14 ) explicação para a dilatação do prego aquecido; (15) explicação para a relação dilatação/aquecimento; (16) previsão para o que vai ocorrer com um prego após sua temperatura diminuir; (17) explicação para o que ocorrerá com o prego colocado numa chapa metálica aquecida; (18) explicação para o que ocorrerá com esfera de metal após ser aquecida; (19) explicação para a dilatação do gás dentro de uma bexiga; (20) explicação para a dilatação nos sólidos; (21, 22 ) explicação sobre pressão atmosférica; (23) explicação para a relação pressão/profundidade.

 

Viabilidade apresentação de modelos

 

Identificada em sete ocasiões, ocorreu em episódios interativos e

com o emprego de linguagens de estrutura empírica fundamental auditiva.

Os modelos apresentados foram os seguintes: (1) modelo para a

troca energética entre corpos de diferentes temperaturas (calor); (2) modelo para a transferência energética por radiação entre corpos de diferentes temperaturas (calor como radiação); (3) modelo de dilatação dos sólidos; (4) modelo de dilatação dos gases; (5, 6, 7) modelo para pressão.

Em síntese, apresento os Quadros 37 e 38. Neles, explicito as

classes de dificuldades e viabilidades, bem como suas características intrínsecas marcantes.

 

Quadro 37 – Classes e características intrínsecas das dificuldade

inclusão (grupo de termologia)

Classe/dificuldade/inclusão Estrutura Estrutura Conte

empírica semântico- predo predominante sensorial

predominante Classe/dificuldade/inclusão Estrutura Estrutura Conte

empírica semântico- predo

Comunicação predominante Audiovisual sensorial Significados Episód

interdependente predominante vinculados às interat

representações

visuais

Segregação Audiovisual Significados Episód

interdependente vinculados às interat

representações

visuais

Experimento Audiovisual Significados Episód

interdependente vinculados às interat

representações

visuais

Operação matemática Audiovisual Significados Episód

interdependente vinculados às interat

representações

visuais

 

Quadro 38 – Classes e características intrínsecas das viabilidades

de inclusão (grupo de termologia)

Natureza/ Estrutura Estrutura Contexto viabilidade/ empírica semântico- metodológico inclusão predominante sensorial predominante

predominante

Comunicação Fundamental Significados Episódios

auditiva indissociáveis de interativos

representações não

visuais

Experimento Fundamental Significados Episódios

auditiva e tátil- indissociáveis de interativos auditiva representações não interdependente visuais Natureza/ Estrutura Estrutura Contexto viabilidade/ empírica semântico- metodológico inclusão predominante sensorial predominante

predominante

Apresentação Fundamental Significado Episódios de hipótese auditiva indissociável de interativos

representações não

visuais

Apresentação Fundamental Significado Episódios de modelo auditiva indissociável de interativos

representações não

visuais