Ensinar física a alunos com deficiência visual
8 - Panorama das dificuldades e viabilidades para a inclusão do aluno com deficiência visual em aulas de Física Moderna
8 – Panorama das dificuldades
e viabilidades para a inclusão
do aluno com deficiência visual
em aulas de Física Moderna
Identifiquei para o grupo de física moderna seis classes de
dificuldades de inclusão e quatro de viabilidades. Essas classes são as seguintes: (a) dificuldades: comunicação, segregação, operação matemática, simulações computacionais, operação de software e experimento; (b) viabilidades: comunicação, utilização de materiais,
apresentação de modelos e peça teatral. No Quadro 39 apresento tais classes.
Quadro 39 – Panorama de dificuldades e viabilidades de inclusão. G
moderna
Classe/dificuldade/inclusão Ocorrência Classe/viabilidade/inclus
Comunicação Sim Comunicação
Segregação Sim Segregação
Utilização de materiais Não Utilização de materiais
Operação matemática Sim Operação matemática
Simulação computacional Sim Simulação computacional
Apresentação de modelos Não Apresentação de modelos
Experimento Sim Experimento
Operação de software Sim Operação de software
Peça teatral Não Peça teatral
Na sequência, as classes de dificuldades e viabilidades
identificadas serão analisadas.
Classes que representam dificuldade
e viabilidade à inclusão do aluno com
deficiência visual
Dificuldade de comunicação
Identifiquei 97 momentos em que ocorreram dificuldades de
comunicação. Agrupei essas dificuldades em sete linguagens que ficaram constituídas pelas seguintes estruturas empíricas: auditiva e visual independentes, fundamental auditiva, fundamental visual e audiovisual interdependente.
Em relação ao aspecto semântico-sensorial, os significados
abordados estiveram relacionados a duas estruturas.
a. significado vinculado às representações visuais. Exemplo:
registro visual de trajetória, de constantes físicas, da dilatação do espaço, de relações matemáticas, de equações, de ângulos, de experimentos, de gráficos, de onda e partícula, de orbital, de cálculos, de elemento químico (posição dos valores de número atômico e número de massa), de padrões de desvios sofridos por raios alfa, beta e gama etc.
b. significado indissociável de representações visuais. Exemplo:
formação de imagem, franjas claras e escuras, ideia de cores, de transparente e opaco, fotografia, cinema, fosforescência, sombras etc.
No Quadro 40, explicito as estruturas empíricas e semântico-
sensoriais das linguagens geradoras de dificuldades comunicacionais, suas relações e respectivas porcentagens.
Quadro 40 – Dificuldade de comunicação. Estruturas empírica e sem
linguagens (grupo de física moderna)
linguagens (grupo de física moderna)
Empírica Audiovisual Auditiva e Fundamental Fu (direita) interdependente visual auditiva vis semântico- independentes sensorial
(abaixo)
Significado 64 10 7 vinculado às
representações
visuais
Significado 5 4 6 indissociável
de
representações
visuais
Total vertical 69 14 13
As sete linguagens geradoras de dificuldade comunicacional
foram, portanto, as seguintes:
Linguagem 1: audiovisual
interdependente/significado vinculado às
representações visuais
Os trechos apresentados na sequência exemplificam tal
linguagem.
Trecho 1
Fm-3: Este gráfico representa realmente o que foi o experimento do efeito fotoelétrico, só que o resultado esperado não era este, o resultado esperado se fosse pelo comportamento clássico seria algo desse tipo aqui ó.
O Trecho 1 relata um dos licenciandos apresentando explicações
sobre os gráficos do efeito fotoelétrico. Para tanto, projetou os mesmos através de um data show, e por meio de linguagem de estrutura empírica audiovisual interdependente enfocou características e comportamentos desse efeito de acordo com as perspectivas clássica e quântica, ou seja, aquilo que a física clássica esperava que ocorresse e aquilo que realmente era observado (explicação quântica). Os significados veiculados encontravam-se vinculados às representações visuais e registrados visualmente nas curvas dos gráficos.
Trecho 2
Fm-3: Neste pedaço aqui ó não aparece onda, ela foi praticamente destrutiva, é a interferência das outras ondas dessa parte de baixo, porque aqui nós estamos pegando somente da fenda do meio, se fosse só as fendas do meio e não tivesse as outras fendas nós teríamos esta coisa tracejada aqui , mas como há interferência ocorre a interferência destrutiva e construtiva, aqui seria destrutiva, aqui construtiva, que é esse desenho das franjas de interferência.
Observem-se as funções indicativa e demonstrativa dos códigos
auditivo e visual. Oralmente o licenciando pronuncia: “neste pedaço aqui” [...] “é a interferência das outras ondas dessa parte de baixo” [...] “nós teríamos esta coisa tracejada aqui” [...] “aqui seria destrutiva, aqui construtiva, que é esse desenho das franjas de interferência”. Os significados veiculados são vinculados às representações visuais e referem-se aos padrões de interferência construtiva e destrutiva de ondas. Para serem acessados, dependem da visualização, pois, não há no caráter auditivo da linguagem procedimentos descritivos de como tais padrões se representam.
Linguagem 2: auditiva e visual
independentes/significado vinculado às
representações visuais
Na sequência, apresento um exemplo desse perfil linguístico.
Trecho 3
Fm-4: Para um elemento hipotético, vamos supor o x, o número atômico é escrito num tamanho menor na extremidade inferior esquerda dele e o número de massa é colocado na extremidade superior direita dele.
No Trecho 3 é apresentada a ocasião em que um dos
licenciandos tenta descrever a forma de se registrar elementos químicos. Tal registro obedece à seguinte lógica: uma letra maiúscula (exemplo, H para hidrogênio) ou uma letra maiúscula seguida por uma minúscula (exemplo, Fe para o ferro), com dois números, um na parte superior direita, representando o número de massa, e outro na parte inferior esquerda, representando o número atômico. Esse tipo de lógica (parte superior e inferior) para o aluno B, pelos motivos descritos em capítulos anteriores, não é trivial. Assim, embora a descrição oral tenha ocorrido, a forma como tal descrição é feita encontra-se carregada de um simbolismo visual sem significado para o aluno B.
Exceção à dificuldade apresentada seria feita na hipótese de um
discente, que antes de ficar cego, tivesse aprendido a lógica discutida. Esse discente hipotético teria construído representações mentais visuais do registro de elemento químico e teria tido condições de acessibilidade à informação veiculada.
Linguagem 3: fundamental auditiva/significado
vinculado às representações visuais
Apresento na sequência um exemplo dessa linguagem.
Trecho 4
Fm-4: Ele (licenciando que demonstrou equação) fez que o momento linear clássico é p igual a massa vezes velocidade, no caso da mecânica quântica ele chegou que p é igual ao h que é a constante de Planck vezes, multiplicado pela frequência sobre a velocidade da luz, não aparece massa, isso é uma onda, eu não sei se cheguei a ser claro.
B: Não, eu não consegui perceber.
Fm-4: Parece o m de massa, aí é partícula, quando ele chegou na quântica, ele não chegou com massa, a fórmula dele não tem massa.
B: Aparece como o quê?
Fm-4: h sobre lambda, é a constante de Planck pelo comprimento de onda, na mecânica quântica tem duas fórmulas, o momento linear é igual a constante de Planck vezes a frequência sobre c, sobre a velocidade da luz, ou p é igual a h sobre lâmbida, lâmbida é o comprimento de onda.
No Trecho 4 o licenciando colaborador apresentava ao aluno B
explicações acerca do momento linear do elétron de acordo com parâmetros ondulatórios (Postulado de Broglie). É importante que o leitor perceba que o trecho aqui relatado descreve um episódio particular. A finalidade da demonstração era analisar características ondulatórias do elétron, e de forma mais geral, da matéria (comprimento de onda e frequência).
O licenciando abordou as grandezas: momento linear, massa,
velocidade, comprimento de onda, frequência, velocidade da luz e constante de Planck. Os significados que se entendem como vinculados às representações visuais estão contidos nas relações matemáticas entre as grandezas indicadas. Observe os fragmentos: “h sobre lambda” [...] “o momento linear é igual à constante de Planck vezes a frequência sobre C”. Novamente, a linguagem empregada encontrava-se carregada de simbolismo visual, especificamente o emprego do termo “sobre” no lugar do “dividido por”. Assim, antes mesmo de construir significados sobre as grandezas físicas enfocadas, o discente com deficiência visual envolveu-se em incompreensões relacionadas à forma de comunicar os significados.
Linguagem 4: fundamental auditiva/significado
indissociável de representações visuais
Indico um exemplo dessa linguagem na sequência.
Trecho 5
Fm-1: O elétron acelerava, quando ele acelerava ele bate como se fosse na frente de uma televisão e produz uma imagem.
O que inviabilizou o acesso de B à informação veiculada foi a
ideia de imagem. O que pessoas cegas de nascimento, como B, compreendem por significados como o abordado? Efetivamente tal compreensão é desprovida de representações visuais, dependendo, exclusivamente, de elementos sociais associados a esses significados.
Linguagem 5: audiovisual
interdependente/significado indissociável de
representações visuais
O trecho seguinte exemplifica esse perfil linguístico:
Trecho 6
Fm-4: Na superfície dessa placa havia o aparecimento desses pequenos arcos voltaicos, na verdade eram elétrons sendo extraídos da placa pelo efeito da luz.
(Projeta imagem)
O Trecho 6 aborda um dos licenciandos apresentando
características do efeito fotoelétrico. Nesse efeito, ocorre a liberação de elétrons de uma placa metálica devido à incidência de luz. A característica enfocada estava relacionada ao aparecimento de pequenos arcos voltaicos como consequência da extração de elétrons da placa. As cores desses arcos encontravam-se descritas na componente visual da linguagem. Já a componente auditiva exercia a função indicativa: “o aparecimento desses pequenos arcos voltaicos”. Como discutido anteriormente, tais funções caracterizam a linguagem de estrutura empírica audiovisual interdependente.
Linguagem 6: auditiva e visual
independentes/significado indissociável de
representações visuais
Observe um exemplo na sequência.
Trecho 7
Fm-1: de aplicações técnicas nós temos a fotografia e primeiro a fotografia em preto e branco, da fotografia surgiu o cinema e depois surgiu também a fotografia colorida.
(Projeta e fala as informações)
O Trecho 7 aborda algumas das aplicações técnicas resultantes
do desenvolvimento da física moderna (máquina fotográfica e cinema). o que tornou inacessível a informação para B foram as ideias de fotografia e cinema, ideias essas que possuem significados indissociáveis de representações visuais. Nesse sentido, seria conveniente questionar: o que pessoas cegas de nascimento compreendem por fotografia e cinema? a resposta a tal questionamento fundamenta-se em funções sociais atribuídas à fotografia e ao cinema e não em funções visuais como a de ver uma foto ou um filme.
Linguagem 7: fundamental visual/significado
vinculado às representações visuais
Identifiquei esse perfil linguístico na ocasião em que um dos
licenciandos, sem realizar descrições orais, projetou no data show uma animação visual de uma situação hipotética envolvendo dimensões de objetos à velocidades próximas e iguais à da luz (significados vinculados às representações visuais).
No Quadro 41 sintetizo as linguagens geradoras de dificuldades
comunicacionais, a característica peculiar da linguagem (se houver), suas porcentagens, bem como o recurso instrucional mais frequente em cada uma delas.
Quadro 41 – Linguagens geradoras de dificuldades de comunicação
(grupo de física moderna)
Linguagem Porcentagem Característica peculiar Recurso
aproximada instrucional
mais
empregado
Linguagem 66% Indicação oral de Data show 1 registros visualmente
vinculados e detalhados
Linguagem 10% Detalhamento oral Data show 2 insuficiente
Linguagem 7% Recorrência à Não utilizado 3 representações de
significados visualmente
vinculados
Linguagem 6% Recorrência à “imagens Não utilizado 4 visuais mentais”
Linguagem 5% Indicação oral de Data show 5 registros visualmente
indissociáveis
Linguagem 4% Som não veicula Data show 6 significados visualmente
indissociáveis
Linguagem 1% Apresentação visual Data show 7 simulações
computacionais
Passo agora a analisar as viabilidades de comunicação.
Viabilidade comunicação
Identifiquei 222 momentos em que ocorreram viabilidades de
comunicação. Agrupei essas viabilidades em razão de dez linguagens que ficaram organizadas em razão das seguintes estruturas empíricas: (a) auditiva e visual independentes, fundamental auditiva e tátil-auditiva interdependente.
Em relação ao aspecto semântico-sensorial, os significados
veiculados estiveram relacionados a quatro estruturas.
a. significado vinculado às representações não visuais. Exemplos:
deformação do espaço; registro tátil da trajetória dos objetos; trajetórias; aceleração; partícula; registro tátil dos fenômenos
ondulatórios: interferências construtiva e destrutiva (Figura 18);
registro tátil da subcamada P do átomo quântico (Figura 19); comportamento ondulatório; bombardeamento do núcleo
atômico por nêutrons (Figura 20); efeito fotoelétrico (ideia da colisão entre fóton e elétrons); modelo atômico de Thomson (analogia do pudim de passas); modelo atômico de Rutherford
(analogia com o sistema planetário – Figura 21); gráficos das
explicações clássicas e quânticas do efeito fotoelétrico (Figura
22); curva do decaimento do rádio (Figura 23).
Figura 18 – Registro tátil-visual do fenômeno de interferência
de ondas na água.
Figura 19 – Registro tátil-visual tridimensional da subcamada P
do modelo atômico quântico.
Figura 20 – Registro tátil-visual tridimensional de reação em
cadeia (reação nuclear).
Figura 21 – Registro tátil-visual tridimensional do modelo
atômico de Rutherford.
Figura 22 – Registro tátil-visual bidimensional dos gráficos: (1)
interpretação clássica do efeito fotoelétrico e (2) interpretação
quântica do efeito fotoelétrico.
Figura 23 – Registro tátil-visual bidimensional do gráfico do
decaimento do rádio com o tempo.
b. significado de relacionabilidade sensorial secundária.
Exemplos: datas, nomes de cientistas, elementos químicos, locais etc.; curiosidades, períodos de eventos importantes para a física moderna, informações em geral etc.
c. significado indissociável de representações não visuais.
Exemplos: força, calor etc.
d. significado sem relação sensorial. Exemplos: invariância da
velocidade da luz em relação a qualquer referencial, energia, tempo, carga elétrica, associação entre cores e frequências do infravermelho e do ultravioleta, dilatação do tempo em distintos referenciais, campos gravitacional, elétrico e magnético.
No Quadro 42 explicito as estruturas empírica e semântico-
sensorial das linguagens geradoras de viabilidades comunicacionais.
Quadro 42 – Viabilidade de comunicação (grupo de física mode
Empírica (direita) Auditiva e Fundamental Tátil-auditiva T semântico- visual auditiva interdependente h sensorial independentes (abaixo)
Significado 37 38 43 Significado 37 38 43 Empírica (direita) Auditiva e Fundamental Tátil-auditiva T vinculado às
semântico- visual auditiva interdependente h representações
sensorial independentes não visuais
(abaixo) Significado de 46 23 0 relacionabilidade
sensorial
secundária
Significado 13 4 2 indissociável de
representações
não visuais
Significado sem 8 8 0 relação sensorial
Total vertical 104 73 45
As dez linguagens geradoras de viabilidade comunicacional
foram, portanto, as seguintes:
Linguagem 8: auditiva e visual
independentes/significado de relacionabilidade
sensorial secundária.
Observe o exemplo que segue.
Trecho 8
Fm-2: o Einstein nasceu em 14 de março em 1879 na cidade de Gutenberg na Alemanha. Quando criança ele fez aula de violino. Ele foi educado pela
educação judaica e por volta dos 12 anos de idade que é praticamente uma criança ainda, ele começou a ter aulas particulares numa escola bem avançada sobre cálculo que são aquelas contas que envolvem derivadas, essas contas absurdas para uma criança de 12 anos de idade.
O Trecho 8 enfoca características pessoais da vida de Einstein.
Tal enfoque se deu por meio de linguagem de estrutura empírica auditiva e visual independentes, ou seja, as informações eram projetadas e lidas simultaneamente. Os significados contidos nas informações são de relacionabilidade sensorial secundária, pois representações mentais não são prioritárias para a compreensão dos mesmos.
Linguagem 9: tátil-auditiva
interdependente/significado vinculado às
representações não visuais
Um exemplo é discutido na sequência.
Trecho 9
Fm-3: Esse daqui foi o modelo que o Rutherford fez, da só uma pegadinha
(Figura 21). Esses arames significaria a trajetória, são a trajetória ao redor desses que está no meio, dentro dele tem essa bolinha que significa o núcleo do átomo, é assim que ele imaginou o átomo, um núcleo, ao redor dele.
B: Esse seria o núcleo?
Fm-3: O núcleo é essa bolinha do meio, essa do meio, esse é o núcleo, e ao redor dele essas trajetórias dessas bolinhas, pode seguir, você vai ver essa bolinha, isso, bem menor, está vendo? Essa bolinha estaria descrevendo, ela gira em torno dessa bola maior que está no centro através da trajetória desse arame que você está vendo aí.
Fm-3: Essa bolinha que você está vendo aqui é um elétron, esses elétrons ficam circulando entorno dessa daqui do meio.
B: As bolinhas menores seriam os elétrons?
Fm-3: Isso, e essa bola maior seria o núcleo.
O Trecho 9 enfoca a descrição do modelo atômico de Rutherford.
Para tanto, o licenciando utilizou-se de maquete tátil-visual construída previamente para o ensino dos discentes com deficiência visual. A maquete, apesar de apresentar problemas inerentes às proporções atômicas (tamanho do núcleo, distância da eletrosfera ao núcleo, etc.), proporcionou condições para que o discente acessasse as principais características do modelo atômico em questão. O equipamento permitiu o emprego da linguagem de estrutura empírica tátil-auditiva interdependente, onde o aluno percebe tatilmente algum objeto e ouve explicações acerca do mesmo. É importante notar que o significado contido no modelo atômico aqui discutido esteve vinculado às representações não visuais, ou seja, característica geométrica, posição dos elétrons prótons e nêutrons, espaço vazio entre a eletrosfera e o núcleo atômico.
Linguagem 10: fundamental auditiva/significado
vinculado às representações não visuais
Apresento e discuto na sequência um exemplo desse perfil
linguístico.
Trecho 10
Fm-3: O fóton de luz incidia, extraia o elétron e o elétron ficava na superfície ali para cima da placa, fora da placa. Essa emissão desses elétrons arrancados pela luz, que é o que ele percebeu, é que é chamado de efeito fotoelétrico. Esse foi um fenômeno observado mais não explicado na época, só se dizia que estava havendo emissão de elétrons.
O Trecho 10 aborda a descrição do efeito fotoelétrico. Nele, luz e
elétron são tratados como partícula. Esse tratamento confere aos significados de fóton e elétron vínculo às representações não visuais. Em outras palavras, a ideia de partícula é comunicável a partir de referenciais não visuais como o tátil. B tem ideias de partícula, originadas em experiências cotidianas como as de pegar uma pedra ou uma esfera. Assim, a estrutura empírica fundamental auditiva foi adequada para a veiculação do significado inicial básico do efeito fotoelétrico, isto é, o de que fótons de luz colidem contra elétrons, e por tal colisão, retiram-nos de seus locais de origem.
Linguagem 11: auditiva e visual
independentes/significado vinculado às
representações não visuais
Na sequência, discuto um exemplo de tal linguagem.
Trecho 11
Fm-3: A difração da luz foi mostrada por Young para mostrar o caráter ondulatório da luz. Então a luz depois desse fenômeno de difração passou a ser tratada como onda e não partícula, onda eletromagnética que foi confirmada pela equação de maxwell na teoria ondulatória que a luz se propagava como onda e não como partícula em linha reta. Só que aí vem o efeito fotoelétrico e o Einstein tratou a luz como uma partícula com uma energia definida e se movimentava como um pacote de energia
O Trecho 11 enfoca os dois modelos centrais para a natureza da
luz, isto é, onda e partícula. Ambos os modelos possuem vínculo com representações não visuais, especificamente a tátil. Tanto a ideia de onda quanto a de partícula são externamente registráveis e internamente representáveis por meio de significados que podem ser vinculados a um conjunto duplo de percepções, ou seja, a tátil e a visual. Como o licenciando leu informações projetadas, a estrutura empírica da linguagem empregada foi a auditiva e visual independente.
Linguagem 12: fundamental auditiva/significado
de relacionabilidade sensorial secundária
Um exemplo desse perfil linguístico pode ser observado na
sequência.
Trecho 12
Fm-1: Falar sobre a história da ciência é falar das pessoas que escreveram essa história, então eu vou falar dos cientistas, dos fenômenos de tudo que aconteceu até hoje, quando eu falo de história da ciência eu estou falando disto, e é através da informação que a gente tem acesso a este conhecimento, então por isto é importante estudar a história da ciência.
O licenciando, durante o processo de veiculação de informações
descrito, utilizou-se de linguagem de estrutura empírica fundamental auditiva. Por meio de tal estrutura, veiculou significados de relacionabilidade sensorial secundária.
Linguagem 13: auditiva e visual
independentes/significado indissociável de
representações não visuais
Na sequência, um exemplo desse perfil linguístico é apresentado
e analisado.
Trecho 13
Fm-2: Sobre a terceira lei de Newton, quando você dá um soco na parede a sua mão recebe uma outra força contrária, você sente uma dor na mão, a terceira lei de Newton da ação e reação explica isto.
O Trecho 13 relata a explicação da terceira lei de Newton
apresentada por meio do exemplo do soco na parede. O significado veiculado refere-se às forças exercidas pelo agente do soco e pela
parede. Como discuti no Capítulo 6, uma força não pode ser vista, ouvida, mas pode ser percebida tatilmente. Sempre que uma pessoa exerce ou sofre a ação de uma força, ela é percebida por meio do tato. Isso torna a ideia sensorial de força indissociável de representações táteis e plenamente acessível a alunos com deficiência visual.
Linguagem 14: fundamental auditiva/significado
sem relação sensorial
Na sequência, um exemplo é apresentado e discutido.
Trecho 14
Fm-2: A velocidade da luz era medida em relação a que? Em relação a qualquer objeto no universo. Agora fazemos a seguinte pergunta, como pode a velocidade da luz ser a mesma em relação à pessoa parada e em relação a uma espaçonave muito rápida?
A invariância da velocidade da luz, ou seja, a propriedade da luz
em possuir a mesma velocidade em relação a múltiplos referenciais é um exemplo de significado que não pode ser representado ou compreendido sensorialmente. Como construir representações mentais sensoriais sobre tal fenômeno? Como imaginar que a luz, em relação a um objeto parado e em relação a outro com velocidade, por exemplo, de 100.000 km/s, possui a velocidade de 300.000 km/s? Tal significado é plenamente acessível às pessoas com deficiência visual.
Linguagem 15: auditiva e visual
independentes/significado sem relação sensorial
Note o exemplo que segue.
Trecho 15
Fm-2: Do ponto de vista do observador externo o tempo dentro da nave em alta velocidade ocorre mais de vagar, esse efeito de dilatação de tempo pode parecer estranho, mas já foi provado por experimento através de relógio de alta precisão, quando foi utilizado relógios atômicos foi comprovado a dilatação do tempo.
O Trecho 15 descreve a abordagem do fenômeno da dilatação do
tempo, ou seja, sua relatividade em razão da velocidade do referencial. A ideia de tempo não possui relação sensorial. Na mesma linha de raciocínio, sua dilatação também não possui. Compreender o que é o tempo não estabelece com o elemento sensorial relações de vínculo ou associação. Tempo não pode ser visto, ouvido, tateado etc., o tempo é uma construção relacionada com certo referencial de ordem e de como tal ordem muda, ou seja, as coisas tendem de um estado de organização para outro. Tal qual a ideia de invariância da velocidade da luz, a ideia de tempo é amplamente acessível a alunos com deficiência visual.
Linguagem 16: fundamental auditiva/significado
indissociável de representações não visuais
É apresentado e discutido um exemplo na sequência.
Trecho 16
A-v: ... A gente tinha pensado assim, a luz não carrega calor?
Fm-2: Como?
A-v: A luz não carrega calor?
Fm-2: Calor? É, pode ser...
O Trecho 16 descreve uma interação discursiva entre discente
vidente e licenciando. B participou como ouvinte. Nesse diálogo, foi enfocado o tema do calor. Esse tema é constituído, do ponto de vista semântico-sensorial, de significado indissociável de representações não visuais (tátil). Dito de outro modo, a ideia de calor estabelece com o elemento sensorial tátil uma relação indissolúvel e que não pode ser compreendida por meio de outras representações (visual, auditiva etc.). Não estou analisando se a afirmação do aluno vidente é correta cientificamente. Talvez ele quisesse referir-se ao fato de a luz e o calor fazerem parte de um mesmo tipo de fenômeno, ou seja, as ondas eletromagnéticas. Linguagem 17: tátil-auditiva
interdependente/significado indissociável de
representações não visuais
Na sequência, é exemplificado e analisado este perfil linguístico.
Trecho 17
B: Mas dessa cadeia que se forma que vai multiplicando, multiplicando, não tem uma base de valores?
Fm-4: Imagine você ter uma quantidade de urânio tudo junto numa única pastilha, você bombardeou uma só, um nêutron atingiu uma só, desse nêutron ele começa a duplicar até atingir todos os átomos que tem lá dentro, e vai liberando calor, e é assim que a bomba atômica vai funcionando, ela vai liberando calor até consumir toda aquela pastilha, até aquela quantidade de urânio que estiver lá, ele vai se partindo e liberando calor, ele se parte em duas o átomo se rompe, só que eles se formam em duas partes que são de massa menor que a original, quer dizer, essa perda de massa se transformou em calor. Essa é a energia nuclear que foi liberada em forma de calor violento. Seria a fissão nuclear, ele se transforma em dois átomos menores mais libera uma quantidade enorme de calor ao perder essa massa ai, e essas bolinhas individuais são os nêutrons, o nêutron sai dela para atingir o
outro (Figura 20).
B: É bastante interessante a maquete, bem feita, da para entender bem.
O Trecho 17 explicita uma explicação apresentada para B. Para
tanto, a maquete construída a fim de representar o bombardeamento por nêutrons do núcleo atômico foi utilizada. Enquanto explicava oralmente, o licenciando conduzia as mãos de B ao longo dos elementos constituintes da maquete. Isso caracteriza a estrutura empírica da linguagem como “tátil-auditiva interdependente”. A informação em foco analítico refere-se à ideia de calor como um subproduto do bombardeamento do núcleo atômico. Tal significado, do ponto de vista semântico-sensorial, é indissociável de representações táteis, e, portanto, mostrou-se plenamente acessível ao discente B.
No Quadro 43 sintetizo as linguagens geradoras de viabilidades
comunicacionais.
Quadro 43 – Síntese e características das linguagens geradoras de
viabilidades comunicacionais (grupo de física moderna)
Linguagem Porcentagem Característica peculiar Recurso
aproximada instrucional
mais
empregado
Linguagem 21% Projeção e descrição oral Data show 8 de significados de
relacionabilidade sensorial
secundária
Linguagem 19% Condução das mãos do Maquetes 9 aluno em maquete tátil-visuais
Linguagem 17% Recorrência à “imagens Não utilizado 10 não visuais mentais”
Linguagem 16% Indicar oralmente frases Data show 11 projetadas
Linguagem 10% Abordagem oral de Não utilizado 12 significados de relação
sensorial secundária
Linguagem 6 Projeção e descrição oral Data show 13 de significados
indissociáveis de
representações não visuais
Linguagem 4% Abordagem oral de Não utilizado 14 significados sem relação
sensorial
Linguagem 4% Projeção e descrição oral Data show 15 de significados sem relação
sensorial
Linguagem 2% Descrição oral de Não utilizado 16 significados não visuais Linguagem Porcentagem Característica peculiar Recurso
aproximada instrucional
mais
empregado
Linguagem 1% Abordagem oral e tátil de Maquetes 17 significados indissociáveis tátil-visuais
de representações não
visuais
Total de 222 (100%) X X viabilidades
(vertical)
Relação entre linguagem e contexto
comunicacional
Retomando, a quantidade de dificuldades comunicacionais
identificadas foi de 97 (sete perfis linguísticos). Já a de viabilidades. Foi de 222 (dez perfis linguísticos). Oitenta e três por cento do conjunto de dificuldade/viabilidade ocorreram em episódios comuns a todos os alunos, e 17%, em episódios particulares.
Ao combinar os momentos e os padrões discursivos, obtive cinco
contextos comunicacionais, a saber: episódio não interativo/de autoridade; episódio particular interativo/de autoridade; episódio interativo/ dialógico; episódio interativo/de autoridade; e episódio particular não interativo/de autoridade.
Oitenta e cinco por cento da ocorrência de episódios comuns ficou
caracterizada por relações discursivas não interativas/de autoridade; 9%, por relações discursivas interativas/dialógicas; e 6%, por relações discursivas interativas/de autoridade. Já 76% das ocorrências de episódios particulares ficaram caracterizadas por relações discursivas interativas/de autoridade; e 24%, por relações discursivas não interativas/de autoridade.
Os números apresentados contribuem para o entendimento da
organização das atividades em relação à presença de B, que se deu, na grande maioria das vezes, em atividades comuns a todos os discentes, e, em determinadas ocasiões, em atividades particulares. Indicam ainda
O perfil discursivo das atividades, fundamentado,
majoritariamente, em argumentação retórica e de forma minoritária, em argumentações dialógicas e socráticas.
Na sequência, explicito, respectivamente, as relações: contexto
comunicacional/linguagem geradora de dificuldade e contexto comunicacional/linguagem geradora de viabilidade.
Contexto comunicacional/linguagem geradora de
dificuldades
O Quadro 44 contém a relação entre contexto comunicacional e
linguagem geradora de dificuldade comunicacional.
Quadro 44 – Relaciona as variáveis: contexto comunicacional e lin
física moderna)
Contexto Episódio Episódio Episódio Episódio comunicacional não interativo/de particular interativo/ (direita) interativo/ autoridade não Linguagem de interativo/de (abaixo) autoridade autoridade
Audiovisual 61 2 0 1 interdependente/
significado
vinculado às
representações
visuais
Auditiva e visual 10 0 0 0 i d d t /
Contexto Episódio Episódio Episódio Episódio significado independentes/
comunicacional não interativo/de particular interativo/ vinculado às
(direita) interativo/ autoridade não representações
Linguagem de interativo/de visuais
(abaixo) autoridade autoridade Fundamental 1 2 2 1 auditiva/
significado
vinculado às
representações
visuais
Fundamental 1 2 2 1 auditiva/
significado
indissociável de
representações
visuais
Audiovisual 4 1 0 0 interdependente/
significado
indissociável de
representações
visuais
Auditiva e visual 4 0 0 0 independentes/
significado
indissociável de
representações
visuais
Fundamental 1 0 0 0 visual/ Contexto Episódio Episódio Episódio Episódio comunicacional significado não interativo/de particular interativo/ (direita) vinculado às interativo/ autoridade não Linguagem representações de interativo/de (abaixo) visuais autoridade autoridade
Frequência 82 7 4 3 vertical
A análise do Quadro 44 indica que perfil linguístico gerador de
dificuldade mostrou-se mais comum em determinado contexto comunicacional. Vamos a ela.
Episódio não interativo/de autoridade
Nesse contexto, 74% das dificuldades estiveram relacionadas ao
emprego de linguagem audiovisual interdependente/significado vinculado às representações visuais; 12%, ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado vinculado às representações visuais; 5%, respectivamente, ao emprego das linguagens auditiva e visual independentes/significado indissociável de representações visuais e audiovisual interdependente/significado indissociável de representações visuais; além de 1%, respectivamente, ao emprego das linguagens fundamental visual/significado vinculado às representações visuais, fundamental auditiva/significado vinculado às representações visuais e fundamental auditiva/significado indissociável de representações visuais.
Em termos estruturais, as dificuldades identificadas estiveram
relacionadas a duas características predominantes: (a) utilização de linguagem de estrutura empírica audiovisual interdependente; e (b) abordagem de significados vinculados às representações visuais.
Episódio interativo/de autoridade
No presente contexto, 27% das dificuldades estiveram,
respectivamente, relacionadas ao emprego das linguagens audiovisual interdependente/significado vinculado às representações visuais, fundamental auditiva/significado vinculado às representações visuais e fundamental auditiva/significado indissociável de representações visuais. Além disso, 14% das dificuldades estiveram relacionadas ao emprego da linguagem audiovisual interdependente/significado indissociável de representações visuais.
As dificuldades identificadas no presente contexto estiveram
relacionadas a duas características majoritárias: (a) emprego discretamente predominante de linguagem de estrutura empírica fundamental auditiva; e (b) veiculação discretamente predominante dos significados vinculados às representações visuais.
Episódio particular não interativo/de autoridade
Aqui, 50% das dificuldades estiveram, respectivamente,
relacionadas ao emprego das linguagens fundamental auditiva/significado vinculado às representações visuais e fundamental auditiva/significado indissociável de representações visuais.
Em termos estruturais, as dificuldades identificadas estiveram
relacionadas a uma característica predominante, ou seja, 100% de emprego de linguagem de estrutura empírica fundamental auditiva.
Episódio interativo/dialógico
Nesse contexto comunicacional, 33% das dificuldades estiveram,
respectivamente, relacionadas ao emprego das linguagens audiovisual interdependente/significado vinculado às representações visuais, fundamental auditiva/significado vinculado às representações visuais e fundamental auditiva/significado indissociável de representações visuais.
Do ponto de vista estrutural, duas características predominantes
podem ser destacadas: (a) emprego majoritário de linguagem de estrutura empírica fundamental auditiva; e (b) veiculação majoritária dos significados vinculados às representações visuais.
Episódio particular interativo/de autoridade
Cem por cento das dificuldades inerentes a esse contexto
comunicacional estiveram relacionadas ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado vinculado às representações visuais.
Esses números indicam oito características marcantes das
dificuldades comunicacionais do grupo de física moderna:
a. presença majoritária de dificuldades relacionadas à estrutura
empírica audiovisual interdependente;
b. presença majoritária de dificuldades relacionadas aos
significados vinculados às representações visuais;
c. a relação: episódio não interativo/linguagem de estrutura
empírica audiovisual interdependente mostrou-se significativa para o conjunto de dificuldades;
d. significados indissociáveis de representações visuais
participaram de forma minoritária no conjunto de dificuldades comunicacionais;
e. ocorrência discreta de dificuldades em episódios particulares;
f. episódios comuns a todos os alunos caracterizaram-se
majoritariamente pelo emprego de linguagem de estrutura empírica audiovisual interdependente;
g. a interatividade mostrou-se fator minoritário de dificuldades; h. verificação discreta de dificuldades provenientes da relação:
interatividade/linguagens de estruturas empíricas auditiva e visual independentes e fundamental auditiva.
Contexto comunicacional/linguagem geradora de
viabilidades
O Quadro 45 explicita a relação entre contexto comunicacional e
linguagem geradora de viabilidade, bem como o impacto quantitativo dessa relação.
Quadro 45 – Relaciona as variáveis: contexto comunicacional e lin
moderna)
Contexto Episódio Episódio Episódio E comunicacional não particular interativo/dialógico in (direita) interativo/de interativo/de a Linguagem autoridade autoridade (abaixo)
Auditiva e visual 46 0 0 independentes/
significado de
relacionabilidade
sensorial
secundária
Tátil-auditiva 2 34 0 interdependente/
significado
vinculado às
representações
não visuais
Fundamental 18 3 12 auditiva/
significado
vinculado às
representações
não visuais
Auditiva e visual 37 0 0 independentes/
significado
vinculado às
representações
não visuais Contexto Episódio Episódio Episódio E comunicacional não particular interativo/dialógico in (direita) interativo/de interativo/de a Linguagem autoridade autoridade (abaixo)
Fundamental 16 0 1 auditiva/
significado de
relacionabilidade
sensorial
secundária
Auditiva e visual 13 0 0 independentes/
significado
indissociável de
representações
não visuais
Fundamental 2 1 4 auditiva/
significado sem
relação sensorial
Auditiva e visual 8 0 0 independentes/
significado sem
relação sensorial
Fundamental 1 0 3 auditiva/
significado
indissociável de
representações
não visuais
Contexto Episódio Episódio Episódio E comunicacional não particular interativo/dialógico in (direita) interativo/de interativo/de a Linguagem autoridade autoridade (abaixo)
Tátil-auditiva 0 2 0 interdependente/
significado
indissociável de
representações
não visuais
Frequência 143 40 20 Vertical
A análise do Quadro 45 indica que perfil linguístico gerador de
viabilidade mostrou-se mais comum em determinado contexto comunicacional.
Episódio não interativo/de autoridade
Nesse contexto, 32% das viabilidades estiveram relacionadas ao
emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado de relacionabilidade sensorial secundária; 26%, ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado vinculado às representações não visuais; 13%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/ significado vinculado às representações não visuais; e 11%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado de relacionabilidade sensorial secundária. Ainda, 9% das viabilidades estiveram relacionadas ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/ significado indissociável de representações não visuais; 6%, ao emprego de linguagem auditiva e visual independentes/significado sem relação sensorial; e 1%, respectivamente, ao emprego das linguagens tátil-auditiva interdependente/significado vinculado às representações não visuais e fundamental auditiva/significado sem relação sensorial. Por fim, 1% das viabilidades esteve relacionado ao emprego da linguagem fundamental auditiva/significado indissociável de representações não visuais. Lembrando, essas porcentagens, assim como as anteriores e as que virão são aproximadas.
Em termos estruturais, as viabilidades identificadas estiveram
relacionadas a duas características predominantes: (a) utilização majoritária de linguagem de estrutura empírica auditiva e visual independentes; e (b) abordagem de significados de relacionabilidade sensorial secundária (44%) e vinculados às representações não visuais (40%).
Episódio particular interativo/de autoridade
Aqui, 85% das viabilidades estiveram relacionadas ao emprego de
linguagem tátil-auditiva interdependente/significado vinculado às representações não visuais; 7%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado vinculado às representações não visuais; 5%, ao emprego de linguagem tátil-auditiva/significado indissociável de representações não visuais; e 2%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado sem relação sensorial.
Duas características podem ser destacadas: (a) utilização
majoritária de linguagem de estrutura empírica tátil-auditiva interdependente; e (b) veiculação majoritária dos significados vinculados às representações não visuais. Sintetizando, nos episódios particulares interativos/ de autoridade predominou a
utilização de maquetes tátil-visuais (ver Figuras 18 a 23).
Episódio interativo/dialógico
No presente contexto, 60% das viabilidades estiveram
relacionadas ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado vinculado às representações não visuais; 20%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado sem relação sensorial; 15%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado indissociável de representações não visuais; e 5%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado de relacionabilidade sensorial secundária.
Em termos estruturais, as viabilidades identificadas estiveram
relacionadas a duas características predominantes: (a) emprego exclusivo de linguagem de estrutura empírica fundamental auditiva; e (b) veiculação majoritária de significados vinculados às representações não visuais.
Episódio interativo/de autoridade
Aqui, 50% das viabilidades estiveram relacionadas ao emprego de
linguagem fundamental auditiva/significado vinculado às representações não visuais; 40%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado de relacionabilidade sensorial secundária; e 10%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado sem relação sensorial.
Destaco aqui a utilização exclusiva de linguagem de estrutura
empírica fundamental auditiva e a veiculação predominante dos significados vinculados às representações não visuais.
Episódio particular não interativo/de
autoridade
Nesse contexto, 78% das viabilidades estiveram relacionadas ao
emprego de linguagem tátil-auditiva interdependente/significado vinculado às representações não visuais; e 22%, ao emprego de linguagem fundamental auditiva/significado de relacionabilidade sensorial secundária.
Esse contexto também apresentou significativa relação entre a
estrutura empírica tátil-auditiva interdependente e a veiculação dos significados vinculados às representações não visuais.
Os números explicitados indicam oito características marcantes
das viabilidades comunicacionais do grupo de física moderna:
a. predominância de viabilidades nos contextos comunicacionais
comuns a todos os discentes;
b. predominância, nos contextos comuns a todos os discentes, do
emprego das estruturas empíricas: auditiva e visual independentes e fundamental auditiva;
c. predominância de viabilidades relacionadas, respectivamente,
aos significados vinculados às representações não visuais e de relacionabilidade sensorial secundária (conteúdos factuais);
d. os elementos “não interatividade” e “autoridade” mostraram-se
adequados à veiculação de significados de relacionabilidade sensorial secundária e vinculados às representações não visuais;
e. os elementos “episódios particulares” e “interatividade”
facilitaram a utilização de linguagens de estrutura empírica tátil-auditiva interdependente, bem como, a veiculação de significados vinculados às representações não visuais;
f. ocorrência minoritária de viabilidades relacionadas à veiculação
dos significados sem relação sensorial e indissociáveis de representações não visuais;
g. significativa relação entre os elementos “interatividade” e
“dialogicidade” e o emprego de linguagem de estrutura empírica fundamental auditiva;
h. não ocorrência da relação: viabilidade/estrutura empírica
audiovisual interdependente.
Passo agora para a análise das classes que representaram
viabilidade ou dificuldade de inclusão.
Classes que representam dificuldade
ou viabilidade à inclusão do aluno
com deficiência visual
Dificuldade segregação
Identifiquei esse perfil de dificuldade em treze ocasiões. O Quadro
46 apresenta um panorama sintético da dificuldade de segregação para
Quadro 46 – Síntese das atividades segregativas e principais
simultaneamente (grupo de física moderna)
Tema: Tema: Recurso Recurso Interatividad atividade atividade instrucional: instrucional: atividade segregativa principal atividade atividade segregativa
segregativa principal
Atividade 1: Ondas não Maquetes Data show Interativo trajetória da têm massa táteis
partícula e (Figuras 18 e
interferência 24) de ondas
Atividade 2: Aspectos Não utilizado Data show Não interativo raios históricos da
catódicos e física
x
Atividade 3: Explicação de Maquete tátil Data show Interativo
explicação alguns (Figura 21) do modelo experimentos
atômico de da
Rutherford descoberta
da
radioatividade
Atividade 4: Descoberta Maquete tátil Data show Não interativo
efeito do efeito (Figura 27) fotoelétrico fotoelétrico fotoelétrico fotoelétrico
Atividade 5: Efeito Maquete tátil Data show Interativo atividade Tema: Tema: Recurso Recurso Interatividad
gráfico do fotoelétrico (Figura 22) segregativa atividade instrucional: instrucional: atividade
efeito segregativa principal atividade atividade segregativa principal
fotoelétrico
Atividade 6: Interferência Maquete tátil Data show Interativo
difração da construtiva e (Figura 25) luz e destrutiva
interferência
construtiva
e destrutiva
Atividade 7: Interferência Maquete tátil Data show Interativo
interferência construtiva e (Figura 18) construtiva destrutiva
e destrutiva
de ondas na
água
Atividade 8: Caráter dual Não utilizado Data show Interativo caráter dual dos elétrons
da luz
Atividade 9: Velocidade Não utilizado Data show Interativo velocidade da partícula
da onda
Atividade Velocidade Não utilizado Data show Interativo 10: da onda
velocidade
da partícula
Atividade Princípio da Maquete tátil Data show Interativo
11: orbitais incerteza (Figura 19) atômicos
Atividade Reação Maquete tátil Data show Interativo
12: nuclear (Figura 26) di ã
discussão Tema: Tema: Recurso Recurso Interatividad do atividade atividade instrucional: instrucional: atividade experimento segregativa principal atividade atividade segregativa de segregativa principal Rutherford
Atividade Física nuclear Maquete tátil Data show Interativo
13: (Figura 23) decaimento
do rádio
Figura 24 – Registro bidimensional da trajetória do lançamento
oblíquo de um objeto.
Figura 25 – Registro tátil-visual tridimensional do fenômeno de
difração/interferência da luz (difração de Young).
Figura 26 – Registro tátil-visual tridimensional do experimento
de Rutherford.
Figura 27 – Registro tátil-visual bidimensional do experimento
que evidenciou o efeito fotoelétrico.
Dificuldade operação matemática
Foi identificada em seis ocasiões. As dificuldade foram
identificadas em atividades realizadas predominantemente em episódios não interativos e com o emprego de linguagem de estrutura empírica audiovisual interdependente. Fundamenta-se na relação triádica caracterizadora das operações matemáticas, ou seja, simultaneidade entre raciocínio, registro do cálculo e sua observação.
Os cálculos não realizados por B estiveram relacionados aos
seguintes temas: utilização da equação da velocidade média para o cálculo da dilatação do tempo; cálculo da energia de um corpo de
massa 1 kg (E = m c2); cálculos das velocidades de ondas e partículas; relação matemática entre momento linear e comprimento de onda; cálculo do comprimento de onda de uma bola de Beisebol; e cálculo do número de nêutrons do elemento ferro.
Dificuldade simulação computacional
Foi identificada em três ocasiões. Esteve ligada à projeção
demonstrativa de situações hipotéticas (objetos à velocidade próximas e iguais à da luz, pessoa em elevador em queda livre e em nave espacial e dilatação do espaço). Tal dificuldade ocorreu em episódios não interativos e com o emprego de linguagem de estrutura empírica audiovisual interdependente.
Dificuldade experimento
Identifiquei esse perfil em uma ocasião. Esteve relacionado à
realização de experimento demonstrativo, em episódio não interativo e com o emprego de linguagem de estrutura empírica audiovisual interdependente.
O experimento realizado foi o seguinte: experimento imaginário
deformação espaço tempo. Quatro alunos videntes participaram do experimento. Os materiais utilizados foram os seguintes: toalha, uma maçã e chicletes. Forma de realização: (1) os alunos seguraram a toalha aberta em suas pontas; (2) o licenciando colocou a maçã no centro da toalha; (3) ocorreu a deformação da toalha; (4) o licenciando jogou os chicletes que foram ao encontro da maçã. A única forma de observação do experimento era a visual. A partir disso, ocorreu a argumentação do licenciando de que assim como a toalha deforma-se pela presença da maçã, o espaço e o tempo também se deformarão pela presença de objetos maciços como a Terra.
Dificuldade operação de software
Assim como a dificuldade de experimento, a presente também foi
identificada em uma ocasião. Refere-se à não participação efetiva do aluno com deficiência visual em atividade que utilizou o CD “Tópicos de Física Moderna” (Machado, 2006). Esse software apresenta conteúdos de física moderna por meio de textos que podem ser acessados por temas explicitados em ícones na tela do computador. A variedade de temas permite aos alunos certa autonomia no direcionamento dos conteúdos que pretendem estudar, já que, para cada texto acessado, uma variedade de ícones com temas relacionados ao conteúdo lido surge ao lado do texto. Dessa forma, se um aluno está interagindo no computador com textos ou figuras relacionadas a um determinado tema e se interessa por outro apresentado na tela por meio dos ícones, ele pode clicar com o mouse o tema de seu interesse e o computador mostra na tela outro texto sobre o tema escolhido e fornece novamente ao usuário as opções de outros temas. Entretanto, como o discente B é cego, ele não pôde ler nem acessar os ícones do programa. Nesse contexto, o referido aluno encontrou-se numa condição de inoperabilidade mediante o programa educacional. Esse tipo de dificuldade esteve ligada à manipulação individual dos aplicativos do referido CD, em episódios não interativos e com o emprego de linguagem de estrutura empírica fundamental visual.
Viabilidade utilização de materiais
Verificada em oito ocasiões, refere-se à utilização, junto aos
alunos videntes, das maquetes desenvolvidas para o ensino do aluno com deficiência visual. Tal utilização ocorreu com o emprego de linguagem de estrutura empírica audiovisual interdependente e em episódios não interativos.
Oito foram as maquetes tátil-visuais utilizadas: (a) trajetória
parabólica do lançamento de uma bola (Figura 24); (b) interferência
construtiva e destrutiva de ondas (Figura 18); (c) experimento que
evidenciou o efeito fotoelétrico (Figura 27); (d) gráficos das
explicações clássica e quântica para o efeito fotoelétrico (Figura 22);
(e) difração e interferência de ondas (Figura 25); (f) modelo atômico
de Rutherford (Figura 21); (g) experimento de Rutherford (Figura
26); e (h) reação nuclear (Figura 20).
Viabilidade apresentação de modelos
Foi identificada em duas ocasiões. Refere-se à apresentação, por
parte do aluno cego, de modelos explicativos para a atração dos corpos (tema abordado no contexto da física moderna). Ocorreu em episódios interativos e com o emprego de linguagem de estrutura empírica fundamental auditiva. Nesses ambientes, os alunos com e sem deficiência visual alternaram-se como interlocutores.
Os modelos por ele apresentados foram os seguintes:
a. modelo explicativo para a queda da maçã: “B: você joga a maçã
e ela vai até cair, porque a terra tende a puxar as coisas, a terra tende a puxar a maçã com a força da gravidade, e também tem a força de atrito de frente, então você joga a maçã e chega uma hora que ela perde a força e vai cair”;
b. atração entre a terra e os raios solares: “A-v: você entendeu o
que ele perguntou? B: Porque não é atraída pelo sol? Não é imã! A terra é que puxa os raios solares não é? A-v: Você acha isto? B: Ou a terra puxa ou ele entra por sua livre e espontânea vontade, tipo entra sozinho, ele sai de lá e entra na terra, ou a terra o puxa tipo um imã, puxa a radiação”.
Viabilidade peça teatral (Luz: onda ou partícula?)
Foi verificada em uma ocasião. Ocorreu em episódio interativo e
com o emprego de linguagem de estrutura empírica fundamental auditiva. Desenvolveu-se em quatro etapas: (1) licenciandos atuam como atores e apresentam um julgamento da luz (onda ou partícula?). Características gerais da peça: cenário: superior tribunal de justiça física. Personagens: juiz físico, advogado clássico, promotor quântico, réu (a luz), meirinha (pessoa que vai anunciar a entrada do juiz) e corpo de jurados – os alunos; (2) discentes com e sem deficiência visual reúnem-se em grupo para discutir se a luz é culpada ou inocente; (3) os grupos apresentam o resultado das discussões; (4) o juiz da o veredicto final.
Como no ambiente que ocorreu a peça os alunos com e sem
deficiência visual alternaram a função de interlocutor, o discente cego teve condições de participação efetiva.
Na sequência, apresento na íntegra a transcrição da peça.
Destaco que ela foi elaborada pelos licenciandos do grupo de física moderna em parceria com um professor do departamento de Física da Unesp de Bauru.
Luz: onda ou partícula?
Cenário: Superior Tribunal de Justiça Física
No Tribunal, o advogado, o Promotor e a Ré se encontram sentados enquanto aguardam o Exmo. Sr. Juiz Físico quando o Meirinho entra na sala e anuncia a entrada do mesmo.
MEIRINHO: Boa noite a todos, hoje nós teremos a apresentação de uma peça teatral cujo título é “LUZ: ONDA OU PARTÍCULA?”. Essa peça se passa em um tribunal, o SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA FÍSICA onde vocês, alunos, serão o corpo de jurados e irão decidir o fim desta história, com base no convencimento que tiverem das argumentações levantadas pelas partes de acusação e defesa no decorrer do julgamento. Por isso, estejam atentos. Vamos começar o julgamento: todos de pé para a entrada do Excelentíssimo Juiz Físico..
Todos ficam em pé e em silêncio. Depois que o juiz se senta todos sentam também.
JUIZ FÍSICO: Declaro aberta a seção 3 x 10 8 m/s. O mundo da Física contra a Luz. Senhor Advogado Clássico, como sua cliente se declara em relação à acusação de fraude sobre seu caráter?
ADVOGADO CLÁSSICO: Gostaria de deixar bem claro, Excelência, que minha cliente é inocente. As acusações feitas contra ela não procedem. Minha cliente, a Luz, SÓ tem um comportamento, o de onda eletromagnética.
JUIZ FÍSICO: Então damos início a este julgamento. Senhor Advogado Clássico, comece a defesa.
ADVOGADO CLÁSSICO: A Luz é conhecida por todos nós como uma onda eletromagnética. Ela tem uma equação de onda bem definida e produz um padrão de interferência ao passar pela dupla fenda algo que uma partícula jamais poderia produzir. Isso basta para caracterizar minha cliente, a Luz, como definitivamente uma onda.
JUIZ FÍSICO – Senhor Promotor...
PROMOTOR QUÂNTICO: Obviamente o meu colega aqui é um clássico e não está lá muito preparado para entender o comportamento da Luz. Senhoras e Senhores do Júri, Excelência (vira-se para a Luz e aponta o dedo), esta Senhora, a Luz, está mentindo a respeito do seu comportamento. Ela não é SÓ uma onda.
ADVOGADO CLÁSSICO: PROTESTO.
JUIZ FÍSICO: Protesto negado. Prossiga Senhor Promotor.
PROMOTOR QUÂNTICO: A Luz, após o advento da Física Quântica, foi submetida a alguns testes que explicaram o seu comportamento obscuro. O primeiro deles foi o experimento de difração, onde a Luz apresentou comportamento efetivamente ondulatório. Mas, no segundo, o Efeito Fotoelétrico, ela se comportou como uma partícula. Senhores usem o bom senso, a Luz tem caráter dual, sim! Dualidade onda-partícula. Aliás, esse caráter já ficou evidenciado na teoria de Einstein sobre o efeito fotoelétrico muitos anos antes de Louis de Broglie enunciar a dualidade também para as partículas materiais.
JUIZ FÍSICO: Senhor Advogado.
ADVOGADO CLÁSSICO: Gostaria de chamar a Ré, a Senhora Luz, para depor (ainda de pé).
MEIRINHO (levanta a mão direita e diz): A Senhora Luz jura dizer a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade?
LUZ: JURO!!
ADVOGADO CLÁSSICO: Senhora Luz, a Senhora está sendo acusada de ter caráter dual. Sabe-se que foram realizados alguns testes sobre o seu caráter e gostaríamos todos de saber sobre os resultados desses experimentos. Primeiro, gostaria que nos falasse sobre a Difração de Young. Descreva-nos como aconteceu.
LUZ: Eu estava monocromática quando fui incidida através de um orifício em um lugar cheio de fendas, por onde passei, porque – É claro, eu sou uma onda! Então, o doutor Young pôde ver minhas franjas de interferência no anteparo. Eu achei que já estiveram bem melhores, mas....
ADVOGADO CLÁSSICO: Então quer dizer que você passou por mais de uma fenda ao mesmo tempo??
LUZ: Claro! isso pode ser provado pelas interferências construtivas que são as franjas claras e pelas destrutivas que são as franjas escuras. Está tudo no anteparo, vocês podem ver.
O advogado clássico mostra a maquete tátil-visual da representação do fenômeno de interferência para o júri, para os discentes videntes e também
para os discentes com deficiência visual (Figura 25) – observação tátil.
ADVOGADO CLÁSSICO: Claro! Claro! senhores, como todos sabem, só, eu disse só, uma onda poderia fazer isso.
PROMOTOR QUÂNTICO: Ah... Mas ainda não acabou! Temos ainda o experimento do Efeito Fotoelétrico.
Congela a cena. Ocorre um diálogo entre a Luz e o advogado enquanto os outros personagens permanecem inertes.
ADVOGADO CLÁSSICO: E agora? Esse promotorzinho vai perguntar sobre o Efeito Fotoelétrico. O que vamos fazer?
LUZ: Calma! Vamos lembrar o que aconteceu naquele dia. Eu estava monocromática e estava tudo no vácuo quando fui incidida sobre uma placa de metal. Alguns elétrons do metal foram libertados e atraídos para o coletor metálico por uma diferença de potencial estabelecida entre a placa e o coletor. Foi então feita uma medida da corrente.
ADVOGADO CLÁSSICO: Houve emissão do que posso chamar fotoelétrons devido a sua incidência?
LUZ: Sim. E o que foi percebido é que a energia com que o mais rápido fotoelétron saía da placa não dependia da minha intensidade, não! Tentaram me enquadrar na Teoria Ondulatória, mas não deu certo.
ADVOGADO CLÁSSICO: Também consta no laudo que existe uma frequência de corte para a qual o Efeito Fotoelétrico não ocorre, o que não poderia acontecer.
LUZ: Ah... Eles acharam que se eu estivesse fraca o suficiente demoraria para o fotoelétron sair da placa, só que isso não aconteceu também!
ADVOGADO CLÁSSICO: Você não obedeceu às leis da Teoria Ondulatória! Portanto, só pode se tratar de uma partícula... Oh, céus! aí estaremos perdidos.
Descongela a cena.
PROMOTOR QUÂNTICO: O Senhor Advogado Clássico está se esquecendo de Albert Einstein. Afinal, foi ele quem se ocupou em dar uma explicação plausível a tudo isso. Recorreu à Teoria Quântica de Max Planck. Eles disseram que quando a Luz estava se propagando no espaço ela era, sim, uma onda. Mas... Mas, quando atingia a placa no efeito fotoelétrico, sua energia era a do fóton, porque SIM, Senhores, o que havia lá não era uma onda, eram fótons: partículas associadas ao campo eletromagnético, com massa em repouso nula, carga elétrica nula, spin igual à unidade, estável, e cuja energia é igual ao produto da constante de Planck pela frequência do campo, não é Senhora Luz?
LUZ: Pode ser que sim!...
PROMOTOR QUÂNTICO: PROTESTO! A senhora Luz não está sendo objetiva.
JUIZ FÍSICO: Protesto aceito. Senhora Luz, responda objetivamente à pergunta.
LUZ: Sim, havia fótons lá.
PROMOTOR QUÂNTICO: Como dizia, se havia fótons lá... Sem mais perguntas, Excelência.
ADVOGADO CLÁSSICO: Assim a teoria corpuscular não poderia ser descartada. (conclui com cara de desespero)
JUIZ FÍSICO: Senhor Advogado Clássico, mais alguma pergunta?
ADVOGADO CLÁSSICO: Acho que não, Excelência.
LUZ: Ah... Está bem! Eu confesso! Não sei o que sou! Pronto!
PROMOTOR QUÂNTICO: Eu sabia. Senhor Juiz, condene a Luz à reclusão total.
JUIZ FÍSICO: Silêncio no Tribunal. Senhor Promotor, da sentença cuido EU! Continue, Senhora Luz.
LUZ: Tudo o que foi dito sobre mim é verdade. Eu não sei se sou uma onda ou uma partícula. Tudo depende do tipo de medida que se que fazer. Se a medida prova meu caráter ondulatório, esta mesma medida não prova o meu caráter de partícula, e, vice-versa. Preciso que o júri me ajude a entender o que sou!
JUIZ FÍSICO: Diante dos acontecimentos, declaro o Júri em recesso por 30 minutos para que os senhores Jurados decidam se a Senhora Luz é inocente ou culpada.
Finalização da peça – Decisão do júri.
MEIRINHO: Peço que os representantes de cada grupo já fiquem prontos para anunciar a decisão e a justificativa. Vamos reiniciar o julgamento. Todos em pé para a entrada do Excelentíssimo Juiz Físico.
JUIZ FÍSICO: Peço que os representantes do Corpo de Jurados venham à frente para lerem suas decisões.
JURI (cada representante lê a decisão e a justificativa do grupo e a Luz é condenada ou liberta).
FINAL 1 – A LUZ É INOCENTE
JUIZ FÍSICO: Levante-se a ré. De acordo com o Júri, a Luz é inocentada da acusação. Portanto, não há punição. (Bate o martelo uma vez)
LUZ (cantando perto do promotor): Inocente! Inocente!
PROMOTOR QUÂNTICO: Tomara que você apague!
O professor anuncia o fim da encenação e esclarece para os alunos que, embora eles tenham inocentado a Luz, essa apresenta comportamento dual, pode se comportar como onda ou como partícula, dependendo da forma como é feita a medida.
FINAL 2 – A LUZ É CULPADA
Para simbolizar a punição da ré, foram coladas na roupa duas folhas sulfite coloridas (uma folha na parte da frente e a outra na parte de trás) com o seguinte dizer: na primeira folha deve ser escrito ONDA e na segunda folha PARTÍCULA. Isso chamaremos de sinalizador.
JUIZ FÍSICO: Levante-se a ré. De acordo com o Júri, a Luz é culpada da acusação e terá que andar com este sinalizador para o resto de sua existência. (Bate o martelo uma vez e a Luz se levanta, veste o sinalizador meneando a cabeça cabisbaixa com vergonha e sai falando: “Hora me comporto como onda, hora como partícula...”).
O professor anuncia o fim da encenação e ressalta a todos que a Luz tem comportamento dual.
Sintetizando, apresento os Quadros 47 e 48. Esses quadros
explicitam as classes de dificuldades e viabilidades, bem como, suas características intrínsecas marcantes.
Quadro 47 – Classes e características intrínsecas das dificuldades
de inclusão (grupo de física moderna)
Classe/ Estrutura Estrutura Contexto dificuldade/ empírica semântico- predominante inclusão predominante sensorial
predominante
Comunicação Audiovisual Significados Episódios não
interdependente vinculados às interativos
representações
visuais Classe/ Estrutura Estrutura Contexto dificuldade/ empírica semântico- predominante inclusão predominante sensorial
predominante
Segregação Audiovisual Significados Episódios não
interdependente vinculados às interativos
representações
visuais
Operação Audiovisual Significados Episódios não matemática interdependente vinculados às interativos
representações
visuais
Simulação Audiovisual Significados Episódios não computacional interdependente vinculados às interativos
representações
visuais
Operação de Fundamental Significado vinculado Episódios não software visual às representações interativos
visuais
Experimento Audiovisual Significado vinculado Episódios não
interdependente às representações interativos
visuais
Quadro 48 – Classes e características intrínsecas das viabilidades
de inclusão (grupo de física moderna)
Natureza/ Estrutura Estrutura Contexto viabilidade/ empírica semântico-sensorial predominante inclusão predominante predominante
Comunicação Auditiva e visual Significados: Episódios não
independentes, vinculados às interativos fundamental representações não auditiva visuais e de
relacionabilidade
sensorial secundária.
Natureza/ Estrutura Estrutura Contexto viabilidade/ empírica semântico-sensorial predominante inclusão predominante predominante
Utilização de Audiovisual Significados Episódios não materiais interdependente vinculados às interativos
representações
visuais
Apresentação Fundamental Significado vinculado Episódios de modelos auditiva às representações interativos
não visuais
Peça teatral Fundamental Significados Episódio
auditiva vinculados às interativo
representações não
visuais