Fisiologia Vegetal
Agradecimentos
Agradeço às gerações de pesquisadores que, ao longo de suas vidas, no silêncio inquieto dos laboratórios, labutaram para desvendar os segredos recônditos das plantas.
Gilberto B. Kerbauy
OceanofPDF.com
Prefácio
Para nós, autores, não poderia ser outro senão o sentimento de satisfação pelo fato de este livro ter chegado a uma honrosa terceira edição. Na realidade, uma sensação não muito diferente daquela vivida quando de seu lançamento em 2004. Pesou na decisão para a nova edição a boa acolhida que a obra vem experimentando junto a estudantes das áreas de pesquisa básica, aplicada e pedagógica interessados na compreensão do funcionamento das plantas vasculares. Nesta terceira edição, uma vez mais, envidaram-se esforços no sentido de difundir os avanços de conhecimento mais significativos sobre a fisiologia vegetal, em formato e linguagem mais compatíveis com as expectativas dos estudantes brasileiros. Como é comum na ciência, algumas áreas da fisiologia avançaram mais que outras, o que, de certa maneira, acabou se refletindo nos diferentes capítulos desta edição. Por esse motivo, cinco novos autores vieram acrescentar seus conhecimentos nesta nova empreitada, e dois capítulos foram integralmente reescritos, sendo os demais atualizados em diferentes graus.
A percepção contemporânea e correta dos docentes de fisiologia vegetal acerca dos desafios crescentes na ministração da disciplina tem a ver com o acúmulo rápido e intenso de novos conhecimentos, como é o caso da bioquímica, da biologia molecular e da biofísica, para citar apenas três. Se antes eram consideradas e lecionadas separadamente, agora estão mescladas de modo irreversível.
Para as plantas, nada disso é novo, muito pelo contrário. É característico delas a complexidade; são organismos sésseis e heterotérmicos, obrigados a estabelecer relações vitais e sutis com elementos físicos e químicos da natureza circundante para sobreviver. Tal situação difere da condição dos animais superiores. Durante a evolução vegetal, o processo de seleção deve ter atuado a favor da aquisição de um grau mais proeminente de flexibilização gênica-metabólica-fisiológica. As plantas tornaram-se organismos suficientemente flexíveis, aptas não apenas a tolerar, mas também a utilizar em benefício próprio desde variações drásticas e prolongadas das estações do ano até aquelas diuturnas protagonizadas pela luz, por exemplo.
A ativação e/ou desativação coordenada e harmoniosa de miríades de mecanismos bioquímicos, genéticos e físicos garantem que a fisiologia das plantas mantenha-se finamente ajustada às mudanças do ambiente em que vivem, por mais extravagantes ou sutis que sejam. Desse modo, seria plausível depreender (mesmo que a contragosto, mas sem desânimo) que de fato continuam a existir dificuldades de se entender completamente um mecanismo fisiológico, ainda que bem-estabelecido e amplamente aceito. Parafraseando o Dr. Folke Karl Skoog, o mundialmente consagrado fisiologista da Universidade de Wisconsin, descobridor das citocininas e propositor das bases do controle hormonal do desenvolvimento, “tudo muda e tudo influi” na fisiologia das plantas.
Gilberto B. Kerbauy
OceanofPDF.com