Folhas Caídas, Apanhadas na Lama

Camilo Castelo Branco · Capítulo 12 de 20

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Folhas Caídas, Apanhadas na Lama

Capítulo I

Ai! era!.. e nem eu sei se foi mais linda

 

Aquella gorda pata... que te poz!

 

Tu fizeste de mim novo Claudio,

 

Inspiraste-me fé no rodavalho.

 

Traguei indigestoens, arrotos d'alho,

 

Bernardas

na barriga supportei.

 

Tomei chá de marcella... e, em premio d'isto.

 

O teu auxilio, ó musa, não terei?!

 

I

Dentro e fóra illuminado

 

O palacio d'um barão,

 

Fulgurante representa

 

Um enorme lampião.

 

Jorram lympidas vidraças

 

Sobre as populosas praças

 

Ondas tremulas de luzes.

 

Vai lá dentro grande goso,

 

Nesse alcaçar radioso

 

Do barão dos Alcatruzes.

D'Alcatruzes é chamado,

 

Porque, sendo ainda moço,

 

Muitos baldes d'agua fresca

 

Dizem que tirou d'um poço.

 

Nenhum outro mais destreza

 

Revellou na ardua empreza.

 

De puchar acima um balde.

 

Um que seja tão robusto

 

Ha-de vir mui tarde e a custo,

 

Do concelho de Ramalde.

É barão; não vale a pena

 

Discutir-lhe os nobres feitos.

 

É barão dos Alcatruzes

 

Já tem pagos os direitos.

 

Inda é mais; pois além d'isto

 

É commendador de Christo

 

Com bastante indiscripção.

 

Mal diria Christo outr'ora,

 

Que seria posto agora No peito d'um vendilhão!

 

E mais elle, que os tocava

 

Com terrivel azorrague!..

 

Mas os Judas vendem Christo,

 

Ponto é haver quem pague.

 

E o barão dos Alcatruzes

 

Neste seculo das luzes

 

Tambem fez de farizeu:

 

E, tambem, se é necessario,

 

Representa de Calvario,