Folhas Caídas, Apanhadas na Lama

Camilo Castelo Branco · Capítulo 13 de 20

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Folhas Caídas, Apanhadas na Lama

Capítulo II

Onde a cruz se suspendeu.

 

 

II.

N'um salão vasto, opulento,

 

Um banquete se vai dar;

 

Nos christaes reflecte o ouro,

 

A fulgir, a scintillar.

 

Os rubis, e a côr da opala

 

Transfiguram esta sala

 

Em olympicas mansoens.

Mas a alma cae por terra,

 

Quando vê que alli se encerra

 

Duzia e meia de baroens.

 

Da terrina a caudal sopa

 

Em silencio é devorada.

 

Só então fingiram d'homens,

 

Porque não disseram nada.

 

Mas venceu a natureza!

 

Um barão por sobre a mesa

 

Estendendo o prato, diz:

«Ó compadre! isto é qu'é bô!

 

Venha sopa, e acabô!

 

Cá de mim, torno á matriz!»

 

O barão de Cogumelos

 

Junto estando á baroneza,

 

Que se diz dos Sacatrapos,

 

Quiz fazer-lhe uma fineza.

 

Arrastou p'ra junto d'ella

 

Um pirum, e a cabidela No prato lhe despejou.

 

E lhe diz: «cá isto é nosso;

 

Cousa que não tenha osso

 

É p'ró estamago, e arrimou!»

 

Outro diz á gorda esposa,

 

Que bem perto de si tem:

 

«Bai-lhe bebendo po'riba,

 

Ó mulher, come-lhe bem!»

 

Este pede ao seu visinho:

 

«Que lh'atice bem no binho