Folhas Caídas, Apanhadas na Lama

Camilo Castelo Branco · Capítulo 14 de 20

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Folhas Caídas, Apanhadas na Lama

Capítulo III

Qu'é da belha companhia.»

 

 

Diz aquelle ao seu fronteiro:

 

«Que lhe chegue um frango inteiro

 

E biba a sancta alegria!»

 

III.

As saudes já começam.

 

É um gosto agora vêl-os.

 

Estas caras representam

 

Tomates de cotovêlos.

E, a travez do escarlate

 

Do legitimo tomate,

 

Transsuda um oleo que brilha,

 

Cada qual tem as orelhas

 

Encarniçadas, vermelhas

 

Como as azas d'uma bilha.

 

Pega no copo, e exclama

 

O barão das Pimpinelas:

 

«Vito serio! um home fala

 

Sem preamblos nem aquellas!

Á saude e alegria

 

Desta bella companhia

 

E com toda a estifação!

 

P'ra que todos cá binhamos

 

Estifeitos como bamos

 

De casa do sôr barão!»

 

E os hurras retumbaram

 

Pela sala do festim.

 

Balthazar nos seus banquetes Não ouviu gritar assim!

 

Sobre a mesa deram murros,

 

Saudaram com grandes urros

 

O barão dos Alcatruzes;

 

Mas alguns com magua sua,

 

Já cuidavam ver a lua,

 

Não podendo vêr as luzes.

 

Mas, entre elles, um existe,

 

Litterato em seu conceito.

 

A palavra pede, e reina

Um silencio de respeito.

 

 

Elle diz: «Risonhas gallas

 

Que refrangem n'estas salas

 

Repercutem, symbolisam

 

Acrimónias insoluveis,

 

Nos acrósticos voluveis

 

D'epopeas que eternisam.

 

Pandemonios exhauriveis

 

D'indeleveis congruencias.

 

Requintados se escurecem

Nos imporios das sciencias

 

 

E liberrimos se escudam

 

Nas façanhas que transsudam

 

Em fantasiosas luzes.

 

E, por tanto, a mais alludo,

 

Quando, fervido, saudo

 

O barão dos Alcatruzes!»

 

Succedeu o grito ao pasmo!

 

Nunca se viu cousa assim!