Memórias
Não são memórias de quem fez coisas. Nunca fui homem de acção e ainda bem para mim, escreve Brandão, tive mais horas perdidas. Os homens que mais lhe interessaram foram poetas, pintores e alguns desgraçados que mal sabiam exprimir-se, e a conclusão a que chega é que o homem vale pelo quinhão de sonho e de dor que lhe coube. Do que viveu, diz guardar intacta a memória de dois ou três minutos apenas: os passos do pai a chegar a casa, o azul ferrete das hortênsias no canteiro. O resto esvai-se como fumo, até a cara dos mortos. Primeiro volume, publicado em 1918.
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