O Marquês de Pombal à Luz da Filosofia
Capítulo I
Um côro de ovações se eleva norte a sul; No seio do paiz, palpita a festa ingente,
Mil eccos de alegria ondulam pelo azul,
E a vaga popular circula vivamente.
Que enorme vibração aos tristes galvanisa? Que fado deslumbrante a Patria considera? Una rasgo de valor que um mundo synthetisa? Um estro que irradia a Gloria pela esphera?
Um Genio que assombrasse o coração do mundo? Talvez Dante ou Camões, talvez um Diderot, Ou Bacon, ou Voltaire o destructor profundo, Feurbach ou Galileo, Danton, Goethe, Rousseau?
Oh não! A Patria canta o athleta da Realesa, O Hercules pujante, o pulso sem rival
Que punha até por terra as leis da Naturesa, Mas que tambem erguia a fama Nacional.
Thuribulisem pois o nome do gigante,
Incensem sem descanço o esteio da corôa, O facho da instrucção, o genio penetrante, Que de um montão de cinza ergueu nova Lisboa!
Cantae, Democracia; o espirito do bravo, Que o nivel fez rolar por sobre a Sociedade, Prostrando o jesuitismo, ou libertando o escravo, Quebrando á inquisição as garras da maldade.
Lisonja, ergue a Pombal um hymno de louvores! Realça o que é brilhante, esconde o que é medonho!
Cerrae a porta á Historia, ó novos pensadores! O mal não existiu; é falsidade, é sonho!