O Marquês de Pombal à Luz da Filosofia

Angelina Vidal · Capítulo 8 de 9

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O Marquês de Pombal à Luz da Filosofia

Capítulo VII

Que se ha de então fazer aos grandes luctadores, Que lançam sobre a Historia as olorosas flores, E regam com seu sangue os fructos do porvir? Que fontes de esplendor iremos nós abrir Ao vidente Danton, a Lincoln, a Blanqui,

O martyr que sorri

Por entre a cerração da noute do tormento? Que havemos de offertar aos soes do Pensamento?

Nunca apoiei Thiers, nem o chacal da Russia! Detesto a immanidade, e a vingativa astucia... O sangue da Communa, as lagrimas de Jessa, Formaram no silencio a fulgida cabeça

Da indomavel revolta!

O monstro que commanda, em meio de uma escolta As manobras crueis que geram a orphandade, É mais feroz que um tigre, e avilta a Humanidade,

E deve ter na mente

A infamia de Javheh, e os odios da serpente.

Como hei de eu incensar a monarchista treva? Como hei de então louvar um ser de fronte seva? Pombal beijou a patria, e espedaçou-lhe o seio; Fez guerra ao Preconceito, e prostergou o anceio

Dos crentes do porvir!

Levou seu nome á Gloria, e fel-o após cahir.

No sangue inda escorrega

Quem segue a lusa historia. A sã Justiça nega Um preito, a quem desdenha a humanitaria via, E lança a Liberdade ás palhas da enxovia.

Fique acima de tudo o limpido criterio;

Formar uma cidade onde era um cemiterio Seria expôr a vida aos morbidos prejuizos. Vasar em molde infiel historicos juizos

Será viciar tambem o pensamento ao Povo.

Justiça! Ha de o vindouro escalpellar de novo A nossa actividade; e então... tremendo encargo! Ou ha de ter no peito um sentimento amargo Ou ha de achar mesquinha a obra dos avós!

Salvemos o Futuro, e que elle creia em nós!