O Marquês de Pombal à Luz da Filosofia
Capítulo VII
Que se ha de então fazer aos grandes luctadores, Que lançam sobre a Historia as olorosas flores, E regam com seu sangue os fructos do porvir? Que fontes de esplendor iremos nós abrir Ao vidente Danton, a Lincoln, a Blanqui,
O martyr que sorri
Por entre a cerração da noute do tormento? Que havemos de offertar aos soes do Pensamento?
Nunca apoiei Thiers, nem o chacal da Russia! Detesto a immanidade, e a vingativa astucia... O sangue da Communa, as lagrimas de Jessa, Formaram no silencio a fulgida cabeça
Da indomavel revolta!
O monstro que commanda, em meio de uma escolta As manobras crueis que geram a orphandade, É mais feroz que um tigre, e avilta a Humanidade,
E deve ter na mente
A infamia de Javheh, e os odios da serpente.
Como hei de eu incensar a monarchista treva? Como hei de então louvar um ser de fronte seva? Pombal beijou a patria, e espedaçou-lhe o seio; Fez guerra ao Preconceito, e prostergou o anceio
Dos crentes do porvir!
Levou seu nome á Gloria, e fel-o após cahir.
No sangue inda escorrega
Quem segue a lusa historia. A sã Justiça nega Um preito, a quem desdenha a humanitaria via, E lança a Liberdade ás palhas da enxovia.
Fique acima de tudo o limpido criterio;
Formar uma cidade onde era um cemiterio Seria expôr a vida aos morbidos prejuizos. Vasar em molde infiel historicos juizos
Será viciar tambem o pensamento ao Povo.
Justiça! Ha de o vindouro escalpellar de novo A nossa actividade; e então... tremendo encargo! Ou ha de ter no peito um sentimento amargo Ou ha de achar mesquinha a obra dos avós!
Salvemos o Futuro, e que elle creia em nós!