O Que É Ciência, Afinal?
Prefácio à Segunda Edição
A julgar pelas respostas à primeira edição deste livro, pareceria que os primeiros oito capítulos atuam muito bem como “uma introdução simples, clara e elementar às modernas opiniões sobre a natureza da ciência”. Parece ter havido também concordância geral em que os últimos quatro capítulos não conseguem sê-lo. Consequentemente, nesta edição revista e aumentada, deixei os capítulos de I a VIII virtualmente intocados e substituí os quatro últimos por seis inteiramente novos. Um dos problemas com a última parte da primeira edição era que ela deixava de ser simples e elementar. Tentei manter meus novos capítulos simples, embora tema não ter sido inteiramente bem-sucedido ao lidar com as questões difíceis dos dois capítulos finais. Embora tenha procurado manter a discussão simples, espero não ter com isso me tornado contraditório.
Um outro problema com a última parte da primeira edição é a falta de clareza. Embora esteja convencido disso, eu tateava na trilha certa na maior parte daquilo que procurava; mas certamente não consegui expressar uma posição coerente e bem-argumentada, como meus críticos deixaram claro. Nem toda a culpa disso deve ser atribuída a Louis Althusser, cujas opiniões estavam muito em voga na época em que eu escrevia, e cuja influência ainda pode ser discernida até certo ponto nesta nova edição. Eu aprendi minha lição e futuramente serei mais cuidadoso em relação às influências das últimas modas parisienses.
Meus amigos Terry Blake e Denise Russell me convenceram de que há mais importância nos escritos de Paul Feyeraben do que eu estava previamente preparado a admitir. Dei a ele mais atenção nesta nova edição e tentei separar o joio do trigo, o anti-metodismo do dadaísmo. Fui também obrigado a separar o sentido importante do “disparate obscurantista sobre a incomensurabilidade de estruturas”.
A revisão deste livro deve muito à crítica de numerosos colegas, resenhistas e correspondentes. Não tentarei nomeá-los todos, mas reconheço minha dívida e ofereço meus agradecimentos.
Na medida em que a revisão deste livro resultou num novo final, a intenção original do gato na capa se perdeu. Entretanto, o gato parece dar um apoio considerável, a despeito de sua falta de bigodes, então o mantivemos, e simplesmente pedimos aos leitores que reinterpretem seu sorriso.
Alan Chalmers
Sidney, 1981