O Reino do Dragão de Ouro

Isabel Allende · Capítulo 13 de 19

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O Reino do Dragão de Ouro

Capítulo 13

O Dragão de Ouro

 

Naquela noite, o Rei tinha meditado diante do Grande Buda durante horas, como fazia sempre antes de descer até ao Recinto Sagrado. A sua capacidade para compreender a informação que receberia da estátua dependia do seu estado de espírito. Devia ter o coração puro, limpo de desejos, temores, expectativas, lembranças e intenções negativas, aberto como a flor de lótus. Rezou com fervor, porque sabia que a sua mente e o seu coração eram vulneráveis. Sentia que mal dominava os fios do seu reino e os da sua própria psique.

O Rei tinha subido ao trono muito novo, em virtude da morte prematura do pai, sem ter terminado o seu treino com os lamas. Faltavam-lhe conhecimentos e não desenvolveu como devia as suas capacidades paranormais. Não conseguia ver a aura das pessoas nem ler os seus pensamentos, não efectuava viagens astrais, não sabia curar com o poder da mente, embora soubesse fazer outras coisas, como deixar de respirar e morrer à vontade.

Tinha compensado as falhas da sua preparação e as suas carências psíquicas com um grande bom senso e uma contínua prática espiritual. Era um homem bondoso e sem ambição pessoal, inteiramente dedicado ao bem-estar do seu reino. Rodeava-se de colaboradores fiéis, que o ajudavam a tomar decisões justas, e mantinha uma eficiente rede de informações para saber o que acontecia no seu país e no mundo. Reinava com humildade, porque não se sentia capacitado para o papel de Rei. Esperava retirar-se para um mosteiro quando o seu filho Dil Bahadur ascendesse ao trono, mas depois de conhecer Judit Kinski, duvidava mesmo da sua vocação religiosa. Aquela estrangeira era a única mulher que tinha conseguido inquietá-lo desde a morte da sua mulher. Sentia-se muito confuso e nas suas orações pedia simplesmente que se cumprisse o seu destino, qualquer que este fosse, sem magoar ninguém.

O monarca conhecia o código para decifrar as mensagens do Dragão de Ouro, porque as aprendera na juventude; mas faltava-lhe a intuição do terceiro olho, que também era necessária. Só conseguia interpretar uma parte do que a estátua lhe transmitia. Cada vez que se via diante dela, lamentava as suas limitações. O seu consolo era que o seu filho Dil Bahadur estaria muito mais bem preparado do que ele para governar a nação.

- Este é o meu karma nesta reencarnação: ser Rei sem o merecer -costumava murmurar com tristeza.

Nessa noite, depois de várias horas de intensa meditação, sentiu que a sua mente estava limpa e o seu coração aberto. Inclinou-se profundamente diante do Grande Buda, tocando com a testa no chão, pediu inspiração e ergueu-se. Doíam-lhe os joelhos e as costas depois de tantas horas de imobilidade. Amarrou o fiel Tschewang com uma corrente a uma argola fixa na parede, bebeu o último gole do seu chá de jasmim, já frio, agarrou numa vela e saiu da sala. Os seus pés descalços deslizavam sem ruído sobre o chão de pedra polida. Pelo caminho cruzou-se com alguns criados que a essa hora limpavam silenciosamente o palácio.

Por ordem do general Myar Kunglung, a maior parte dos guardas tinha partido para reforçar os escassos soldados e polícias do reino que procuravam as raparigas desaparecidas. O Rei mal notou a sua ausência, porque o palácio era bastante seguro. Os guardas desempenhavam uma função decorativa durante o dia, e à noite ficavam apenas alguns deles vigiando porque, na realidade, não eram necessários. Nunca a segurança da família real fora ameaçada.

As mil salas do palácio comunicavam entre si através de uma verdadeira imensidão de portas. Alguns quartos tinham quatro saídas; outros, hexagonais, tinham seis. Era tão fácil perder-se que os arquitectos do antigo edifício talharam sinais nas portas como guia nos andares superiores, mas no de baixo, onde só tinham acesso alguns monges e monjas, os guardas escolhidos e a família real, esses sinais não existiam. Como, além disso, não havia janelas, porque ficava dez metros abaixo do solo, não existiam pontos de referência.

As salas do subterrâneo, que recebiam ventilação através de um engenhoso sistema de tubagens, tinham-se impregnado ao longo dos séculos de um cheiro peculiar a humidade, azeite das candeias e diversos tipos de incenso, que os monges acendiam para afastar as ratazanas e os maus espíritos. Algumas salas eram usadas para armazenar os pergaminhos e a administração pública, estátuas, móveis; outras eram depósito de remédios, víveres ou antiquadas armas que já ninguém usava, mas a maior parte estava vazia. As paredes mostravam pinturas de cenas religiosas, dragões, demónios, longos textos em sânscrito, descrições horríveis dos castigos que sofrem as almas malvadas no Outro Mundo. Os tectos também estavam pintados, mas a fuligem das candeias enegrecera-os.

À medida que se internava nas entranhas do seu palácio, o Rei ia acendendo as candeias com a chama da sua vela. Pensava que já era altura de instalar luz eléctrica em todo o edifício, mas até agora só o fizera numa ala do andar superior, onde morava a família real. Abria portas e avançava sem hesitar, porque conhecia o caminho de cor.

Depressa chegou a um aposento rectangular maior e mais alto que os restantes, iluminado por uma fila dupla de candeias de ouro, em cuja extremidade se erguia uma grandiosa porta de bronze e prata, incrustada de jade. Dois jovens guardas, engalanados com o uniforme antigo dos arautos reais, com penachos de penas nos chapéus de seda azul e lanças enfeitadas com fitas de cores, vigiavam, um de cada lado da porta. Via-se que estavam fatigados, porque já tinham várias horas de turno na solidão e no silêncio sepulcrais daquele aposento. Ao verem aparecer o seu Rei, caíram de joelhos, tocaram com a testa no chão e permaneceram assim até ele lhes ter dado a sua bênção e lhes ter indicado que se levantassem. Depois, voltaram a cara para a parede, como exigia o protocolo, para não verem como o soberano abria a porta.

O Rei rodou vários dos muitos jades que decoravam a porta, empurrou e esta rodou pesadamente nos gonzos. Atravessou o umbral e a porta maciça voltou a fechar-se. A partir desse momento activava-se automaticamente o sistema de segurança que protegia o Dragão de Ouro há mil e oitocentos anos.

Escondido entre os fetos gigantescos do parque que rodeava o palácio, Tex Armadillo seguia cada passo do Rei nos subterrâneos, como se fosse colado aos seus calcanhares. Conseguia vê-lo perfeitamente num pequeno ecrã, graças à tecnologia moderna. O monarca não suspeitava que levava ao peito uma minúscula máquina de filmar de grande precisão, através da qual o americano o viu ultrapassar cada um dos obstáculos e desarmar os meca-nismos de segurança que protegiam o Dragão de Ouro. Simultaneamente, gravavam-se as coordenadas do seu percurso, como um mapa exacto, num global positioning system (GPS), que permitiria segui-lo mais tarde. Tex não conseguiu evitar um sorriso pensando na genialidade do Especialista, que não deixava nada ao acaso. Aquele aparelho, muito mais sensível, preciso e de longo alcance do que os de uso comum, acabava de ser desenvolvido nos Estados Unidos para fins militares e não estava à disposição do público. Mas o Especialista conseguia obter qualquer coisa, para isso dispunha dos contactos e do dinheiro necessários.

Escondidos entre as plantas e as esculturas do jardim, estavam os doze melhores guerreiros azuis da Seita, sob o comando de Tex Armadillo. Os outros levavam a cabo o resto do plano nas montanhas, onde preparavam a fuga com a estátua e onde tinham as raparigas sequestradas. Também essa distracção era produto da mente maquiavélica do Especialista. Estando a polícia e os soldados ocupados a procurá-las, eles podiam entrar no palácio sem encontrar resistência.

Apesar de se sentirem muito seguros, os malfeitores moviam-se com cautela, porque as instruções do Especialista eram bastante precisas: não deviam chamar a atenção. Precisavam de várias horas de vantagem para pôr a estátua a salvo e obter o código da boca do Rei. Sabiam o número exacto de guardas que restavam e onde estavam colocados. Já tinham despachado os quatro que vigiavam os jardins e esperavam que os seus cadáveres não fossem descobertos até à manhã seguinte. Iam, como sempre, armados com um arsenal de punhais, nos quais confiavam mais do que nas armas de fogo. O americano levava uma pistola Magnum com silenciador, mas se tudo saísse como estava planeado, não teria de usá-la.

Tex Armadillo não gostava particularmente da violência, embora no seu ramo esta acabasse por ser inevitável. Achava que a violência era para os caceteiros e ele considerava-se um «intelectual», um homem de ideias. Secretamente, albergava a ambição de substituir o Especialista ou de formar a sua própria organização. Não gostava da companhia daqueles homens azuis que eram uns mercenários brutais e traiçoeiros, com quem mal conseguia comunicar e não tinha a certeza de os conseguir controlar, caso fosse necessário. Tinha garantido ao Especialista que precisava apenas de alguns dos seus melhores homens para levar a cabo a missão, mas como única resposta recebeu a ordem de se cingir ao plano. Armadillo sabia que a mais pequena indisciplina ou desvio poderia custar-lhe a vida. A única pessoa que temia neste mundo era o Especialista.

As suas instruções eram claras: tinha de vigiar todos os movimentos do Rei através da máquina de filmar oculta, esperar que chegasse à sala do Dragão de Ouro e activasse a estátua, para garantir que tudo funcionava, depois entraria no palácio e, usando o GPS, chegaria à Ultima Porta. Devia levar seis homens, dois para carregar o tesouro, dois para sequestrar o Rei e dois para protecção. Teria de entrar no Recinto Sagrado evitando as armadilhas, para isso dispunha do vídeo no seu ecrã.

A ideia de sequestrar o chefe de uma nação e roubar o seu objecto mais precioso teria sido absurda em qualquer parte menos no Reino Proibido, onde o crime era quase desconhecido e, por isso, não havia defesas. Para Tex Armadillo era quase uma brincadeira de crianças atacar um país cujos habitantes ainda usavam velas para se iluminarem e consideravam o telefone um aparelho mágico. A expressão depreciativa apagou-se-lhe da cara quando viu no ecrã a forma engenhosa como estava defendido o Dragão de Ouro. A missão não era tão fácil como imaginava. As mentes que inventaram aquelas armadilhas, há dezoito séculos, não eram, em absoluto, primitivas. A sua vantagem era a mente do Especialista ser superior.

Quando verificou que o Rei estava na última sala, indicou a seis dos guerreiros azuis que lhe protegessem a retirada, como estava previsto, e ele dirigiu-se ao palácio com os restantes. Usaram uma entrada de serviço do primeiro andar e viram-se, de imediato, numa sala com quatro portas. Recorrendo ao mapa no GPS, o americano e os seus sequazes passaram, com muito poucas hesitações, de uma sala para outra, até chegarem ao coração do edifício. Na sala da Última Porta encontraram o primeiro obstáculo: dois soldados estavam de guarda. Ao ver os intrusos, ergueram as lanças, mas antes de conseguirem dar um passo, dois punhais certeiros, lançados a vários metros de distância, cravaram-se-lhes no peito. Caíram de bruços.

Seguindo passo a passo o que mostrava o vídeo no seu ecrã, Tex Armadillo rodou os mesmos jades que o Rei tocara anteriormente.

A porta abriu-se pesadamente e os bandidos atravessaram-na, entrando numa sala redonda com nove portas estreitas, todas idênticas. As candeias acesas pelo monarca ardiam, projectando luzes vacilantes nas pedras preciosas que decoravam as portas.

Ali, o Rei colocara-se sobre um olho pintado no chão, tinha aberto os braços em cruz e a seguir tinha rodado num ângulo de quarenta e cinco graus, de modo que o seu braço direito apontava para a porta que devia abrir. Tex Armadillo imitou-o, seguido pelos supersticiosos homens do Escorpião, que iam com um punhal entre os dentes e outros dois nas mãos. O americano calculava que o ecrã não registara todos os riscos que enfrentariam, alguns deviam ser puramente psicológicos ou truques de ilusionismo. Tinha visto o Rei passar sem hesitar por algumas salas que pareciam vazias, mas isso não significava que o estivessem. Tinham de segui-lo com muita cautela.

- Não toquem em nada - avisou os seus homens.

- Ouvimos dizer que este sítio tem demónios, bruxos, monstros... -murmurou um deles no seu inglês arranhado.

- Essas coisas não existem - replicou Armadillo.

- E dizem também que uma terrível maldição acabará com quem puser as mãos no Dragão de Ouro...

- Asneiradas! Isso são superstições, ignorância pura. O homem ofendeu-se e, quando traduziu o comentário do americano, os outros estiveram prestes a amotinar-se.

- Eu julgava que vocês eram guerreiros, mas estou a ver que se assustam como crianças! Cobardes! - cuspiu Armadillo com infinito desprezo.

O primeiro bandido, indignado, levantou o punhal, mas Armadillo já tinha a pistola na mão e, nos seus olhos claros, havia um brilho assassino. Os homens azuis estavam arrependidos de ter aceite aquela aventura. O bando ganhava a vida com delitos mais simples, este era um terreno desconhecido. O acordo era roubar uma estátua, recebendo em troca um arsenal de modernas armas de fogo e um monte de dinheiro para comprar cavalos e tudo o que lhes apetecesse; no entanto, ninguém os avisou de que o palácio estava enfeitiçado. Já era tarde para recuarem, não tinham outro remédio a não ser seguir o americano até ao fim.

Depois de vencer, um a um, os obstáculos que protegiam o tesouro, Tex Armadillo e quatro dos seus homens entraram na sala do Dragão de Ouro. Apesar de disporem de tecnologia moderna, que lhes permitia ver o que o Rei fizera para não cair nas armadilhas, tinham perdido dois homens, que tiveram uma morte atroz, um no fundo de um poço e o outro com um veneno poderoso que lhe devorou a carne em poucos minutos.

Tal como o americano tinha imaginado, não enfrentavam apenas ciladas mortais, mas também ardis psicológicos. Para ele foi como descer a um inferno psicadélico, mas conseguiu manter-se calmo, repetindo para si próprio que uma grande parte das arrepiantes imagens que o assaltavam eram produto da sua imaginação. Ele era um profissional que exercia um controlo total sobre o seu corpo e a sua mente. Para o primitivismo dos homens da Seita do Escorpião, pelo contrário, a viagem até ao dragão foi muito pior, porque não sabiam distinguir o real do imaginário. Estavam habituados a enfrentar todo o tipo de riscos sem retroceder, mas tinham pavor de tudo o que era inexplicável. Aquele misterioso palácio punha-lhes os nervos em franja.

Ao entrar na sala do Dragão de Ouro não sabiam o que encontrariam, porque as imagens no ecrã não eram claras. Cegou-os o brilho das paredes, cobertas de ouro, onde se reflectiam as luzes de muitas candeias de azeite e de grossas velas de cera de abelha. O cheiro das candeias, do incenso e da mirra, que queimavam nos incensários, impregnava o ar. Pararam no umbral, ensurdecidos por um som rouco, gutural, impossível de descrever, que, numa primeira impressão era como se uma baleia soprasse para dentro de uma tubagem metálica. Pouco depois, no entanto, era possível distinguir uma certa coerência naquele ruído, e depressa se tornava evidente tratar-se de uma espécie de linguagem. O Rei, sentado na posição de lótus diante da estátua, estava de costas para eles e não os ouviu entrar, totalmente imerso naqueles sons e concentrado na sua tarefa.

O monarca salmodiava as linhas de um cântico, formando palavras estranhas e, depois, pela boca da estátua saía a resposta, que ecoava no aposento. Dessa forma produzia-se uma reverberação tão intensa, que se sentia na pele, no cérebro, em todos os nervos. O efeito era o de estarem no interior de um sino enorme.

Diante dos olhos de Tex Armadillo e dos guerreiros azuis estava o Dragão de Ouro em todo o seu esplendor: corpo de leão, patas com grandes garras, cauda enrolada de réptil, asas emplumadas, uma cabeça de aspecto feroz, com quatro cornos, olhos protuberantes e fauces abertas, revelando uma fila dupla de dentes afiados e uma língua bifurcada de serpente. A estátua, de ouro puro, media mais de um metro de comprimento e outro tanto de altura. O trabalho de ourivesaria era delicado e perfeito: em cada escama do corpo e da cauda brilhava uma pedra preciosa; as penas das asas terminavam em diamantes; a cauda tinha um desenho complicado de pérolas e esmeraldas; os dentes eram de marfim e os olhos dois rubis-estrela perfeitos, cada um deles do tamanho de um ovo de pomba. O animal mitológico estava sobre uma pedra negra, no centro da qual espreitava um pedaço de quartzo amarelado.

Os bandidos ficaram paralisados de surpresa durante uns instantes, tentando dominar o efeito das luzes, o ar rarefeito e aquele ruído ensurdecedor. Nenhum deles esperava que a estátua fosse tão magnífica; até o mais ignorante do grupo se apercebeu de que se encontravam diante de uma jóia de valor incalculável. Todos os olhos brilhavam de cobiça e cada um deles imaginou como mudaria a sua vida apenas com uma daquelas pedras preciosas.

Tex Armadillo também sucumbiu ao fascínio mágico da estátua, apesar de não se considerar um homem particularmente ambicioso. Dedicava-se a este trabalho porque gostava da aventura. Orgulhava-se de levar uma vida simples, de total liberdade, sem amarras sentimentais ou de qualquer tipo. Acarinhava a ilusão de se retirar na velhice, quando se cansasse de correr mundo, e passar os seus últimos anos no rancho, no Oeste americano, onde criava cavalos de corrida. Nalgumas das suas missões passaram-lhe fortunas pelas mãos, sem nunca ter sentido a tentação de se apoderar delas, bastando-lhe a sua comissão, que era sempre muito alta, mas, ao ver a estátua, pensou trair o Especialista. Com ela em seu poder nada conseguiria detê-lo, seria imensamente rico, poderia realizar todos os seus sonhos, até o de criar a sua própria organização, muito mais forte, inclusivamente, que a do Especialista. Entregou-se, por instantes, ao prazer dessa ideia, como quem se regozija com um sonho, mas depressa voltou à realidade. «Deve ser esta a maldição da estátua: provoca uma cobiça irresistível», pensou. Teve de fazer um esforço enorme para se concentrar no resto do plano. Fez um sinal silencioso aos homens e estes avançaram em direcção ao Rei com os punhais nas mãos.

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