Ora Bolas: O Humor de Mario Quintana
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Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando por
dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo nível.
Apresentação
TENHO DUAS dele. Uma vez ele pegou uma carona comigo e sentou no banco de trás. Quando eu parei na frente da casa do Josué, na rua Rivera, ele teve alguma dificuldade para descer do carro. E comentou: “Como a gente tem pernas, né?”
Outra. Nos encontramos no Rio. No Hotel Canadá, em Copacabana, onde ele ficava sempre. Ele nos contou que a coisa de que mais gostava no Rio de Janeiro era entrar em túnel. Era a única maneira de descansar da paisagem.
Ele dizia muito “ora bolas”. Não sei como ele era na juventude, mas na época em que o conheci nunca ouvi ele dizer nada mais impaciente ou contundente do que “ora bolas”. Era o seu desabafo de mil utilidades. Ao contrário de outros humoristas, ele era espontaneamente engraçado. Ou talvez, ora bolas, estivesse dizendo todas essas coisas sabendo que alguém como o Juarez as colecionaria um dia. Ainda bem que apareceu alguém como o Juarez.
Luis Fernando Verissimo