Os Sofrimentos do Jovem Werther
Notas
Assim, Plenzdorf recria o Werther, pleno de realismo, num retrato fiel da vida na Alemanha socialista, que parece não permitir mais a paródia nem o taedium vitae do antigo Werther, seu genuíno impulso ao abismo e sua melancolia.
Mas isso é de influência direta! De indiretas o mundo – e o Brasil inclusive – está cheio. Não são poucos os personagens da Literatura Universal que, de um jeito ou de outro – renegando a paternidade ou admitindo-a –, são filhos de Werther. Werther é, sem nenhuma dúvida, linha divisória no caminho do romance ocidental.
NOTAS
[1]* Friedrich Gottlieb Klopstock (1724-1803) era o grande nome da poesia alemã da época, principalmente a partir de 1748, ano em que publicou o Messias, sua obra-prima. Klopstock é autor de vários hinos à Natureza e de poemas à amizade e ao amor; professava a união místico-sensitiva entre a percepção da Natureza e a experiência poética e pessoal do artista. Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781) era dramaturgo, poeta, crítico literário e foi dos maiores educadores da pátria alemã. Em termos abrangentes, Lessing foi o primeiro grande nome da Literatura Alemã. Emília Galotti, sua primorosa tragédia, era a única obra alemã a alcançar grandeza trágica à época de Werther.
[2]. Espécie de antecipação do problema central do livro. A menção desse amor, e de uma personagem – Leonor – que não volta a aparecer no decorrer do livro, não é gratuita. (N.T.)
[3]. Primeira oposição factual entre ciência e coração. A dualidade é trabalhada e estendida no decorrer da narrativa e reflete todos os dilemas e teses do “Sturm und Drang”, o movimento romântico alemão ao qual o Werther e toda a obra do jovem Goethe se filiam. (N.T.)
[4]. Deste ponto ao fim da carta, Goethe mostra o quanto seu romance se distancia da prosa simples e normal. Aqui fica evidente o tom poético, numa ode à natureza. Até então e costumeiramente, as odes apareciam em verso e era praticadas à exaustão pelos membros do “Sturm und Drang”, para os quais a mesma natureza era uma fonte inesgotável de beleza e poesia.
Ademais, é visível o fato de que Werther se torna sempre mais poético nos momentos em que o personagem aspira diretamente ao infinito, inclinando-se a ele de maneira solene e religiosa. (N.T.)
[5]. A incapacidade de expressar o vigor de um sentimento e a volúpia da natureza em letra é motivo constante no romance e aparecerá uma dezena de vezes até o final. A tese é típica do Romantismo que achava o papel e a expressão escrita insuficientes para expressar a força da mesma natureza e dos sentimentos. (N.T.)
[6]. Ninfa da tradição popular alemã, fixada em livro já à época de Goethe. (N.T.)
[7]. Talvez a frase mais característica do jeito “wertheriano” de ser. Assim também a afirmação muitas vezes repetida de que venera seu coração e de que só toma decisões seguindo a sua vontade. Werther, o sentimental por excelência, não poderia agir de modo diferente e já a partir da segunda frase do romance deixa claro que o coração será um dos temas centrais da narrativa. (N.T.)
[8]. Era comum na tradição literária alemã a figura do “condutor espiritual”, sempre uma pessoa de mais idade. É o que acontece com o Hyperon, de Hölderlin, e o velho Adamas, por exemplo. E Werther também o tinha, só que era mulher, e a relação entre o personagem e a falecida reflete a relação entre Goethe e Susanne von Klettenberg, a quem o escritor também confiava todos seus segredos e a quem admitia como orientadora espiritual de sua juventude. A morte da amiga volta a ser referida perto do final do romance, em carta a Carlota. (N.T.)
[9]. Charles Batteux (1713-1780), autor do Cours de belles lettres ou Principes de la littérature (1747-1750). Robert Wood (1716-1771), arqueólogo escocês, autor de An essay on the original genius and writing of Homer, Londres, 1768. Roger de Piles (1635-1709), escritor e pintor, autor de vários estudos sobre teoria da pintura. Johann Joachim Winckelmann (1717-1768), autor de Pensamentos sobre a imitação das obras gregas , 1755, e História da Antigüidade, 1764. A Teoria de Sulzer refere-se a Johann Georg Sulzer (1720-1779) e sua Teoria Geral das Belas Artes, cuja primeira parte acabara de aparecer, à época narrativa em que Werther escrevia. Christian Gottlob Heyne (1729-1812), filólogo clássico e conhecido intérprete da civilização grega. (N.T.)
[10] . Os bailios – posto oficial de comando – só existiam em cidades muito pequenas. Note-se que a Alemanha, atrasada econômica e politicamente, era dividida em centenas de principados à época. (N.T.)
[11]. Objetiva, no sentido de não contar experiências íntimas e subjetivas. (N.T.)
[12]. Outro tema central no romance. Werther é uma vítima inconformada da limitação humana, que aspira ao infinito e sempre volta a bater em suas próprias fronteiras. O tema vem a ser debatido exaustivamente na carta de 21 de junho de 1774. (N.T.)
[13]. Palavra querida aos sentimentais do romantismo alemão e motivo central da vida idílica e natural que pleiteavam. (N.T.)
[14]. O leitor não haverá de se dar ao trabalho de procurar os lugares aqui mencionados. Por necessidade, fomos obrigados a trocar os nomes que constavam no original.
[15]. Ele foi, e agora está de volta, para continuar a mesma carta, do mesmo dia. (N.T.)
[16]. A bondade de Werther, que distribui dinheiro às crianças – conforme já se viu – e aos pobres – conforme se verá mais tarde –; a bondade da mulher de há pouco, distribuindo o pão entre seus filhos; assim como a imagem de Carlota cercada por seus irmãos, distribuindo o pão entre eles, e sua atividade em favor dos doentes, são topoi da iconografia sentimental, largamente usados inclusive na literatura inglesa, francesa e alemã anterior a Goethe. (N.T.)
[17]. Aqui somos obrigados a suprimir a passagem da carta para não dar a ninguém a oportunidade de externar queixas. Muito embora nenhum escritor vá dar atenção à opinião de uma única mocinha e à de um rapaz jovem, de espírito tão inconstante.
[18]. Romance da moda à época. Escrito por Marie-Jeanne Riccoboni, levava o título de Histoire de Miss Jenny Glanville e era muito apreciado pelas moças. (N.T.)
[19]. Suprimiram-se os nomes de alguns autores pátrios. Quem quiser tomar parte no aplauso de Carlota certamente sentirá em seu próprio coração os nomes que aqui não aparecem registrados. Quanto aos outros, certamente não tem precisão deles.
[20]. Referência a Oliver Goldsmith, escritor inglês, autor de The Vicar of Wakefield (1766). A obra fez sucesso na Alemanha e Goethe a conheceu enquanto estudava em Strassburg. O Werther assemelha-se a ela na medida em que também naquele romance um motivo candente e um problema atual são transplantados à situação de uma cidadela e da natureza que a rodeia e lhe dá um caráter idílico e protetor. O romance também é citado na obra autobiográfica de Goethe, Poesia e Verdade. (N.T.)
[21]. Essa dança – ao contrário da inglesa, que é dançada em grupo, sendo que ao primeiro par se une um segundo e depois um terceiro e inclusive um quarto, ao se formar o chamado “grande oito”, referido a seguir –, é executada em pares isolados e passos de valsa. O minueto francês, referido anteriormente, também é dançado isoladamente por um único par. Nesta cena, assim como no famoso baile do Don Juan de Mozart, os três modos de dançar são reunidos. (N.T.)
[22]. Parceiro de dança. Palavra usada por Kestner em seu diário, referindo-se a um baile real que deve ter tido todas as caraterísticas do ficcional. (Vide Prefácio e Adendo, ao final). (N.T.)
[23]. Ver nota 17. (N.T.)
[24]. A dança, e a confusão de agora, aparece referida como resumo do mundo e – inclusive – do amor de Werther por Carlota. E os momentos simbólicos – que por vezes surgem em histórias paralelas – são constantes. (N.T.)
[25]. Interessante e preciso como teoria do pavor coletivo, do movimento das massas. (N.T.)
[26]. Refere-se à ode “A festa da primavera”, de Klopstock. O poeta alemão era o grande nome da poesia da época, desde 1748, ano do lançamento do Messias, sua obra-prima. Klopstock é autor de vários hinos à Natureza e de poemas à amizade e ao amor; professava a união místico-sensitiva entre a percepção da Natureza e a experiência poética e pessoal do artista. O
momento em que Carlota suspira seu nome, afirma a íntima união entre Werther e ela. A fantasia do personagem os via como uma nata de “eleitos”, da qual Alberto estava obrigatoriamente apartado, uma vez que não é referida nenhuma afinidade do noivo com a literatura até o fim do romance. O mesmo já acontecera anteriormente no episódio do romance de Goldsmith e virá a acontecer no episódio cabal da leitura de Ossian. (N.T.)
[27]. Comparar com Homero, Odisséia, Canto 20, V. (N.T.)
[28]. Palavras de Jesus Cristo. Ver Mateus, Cap. 18, Vers. 02. (N.T.)
[29]. Temos um excelente sermão de Lavater sobre o assunto entre os sermões sobre o Livro de Jonas. (O autor – “editor” –
fala, na nota, do sermão “Meios contra a insatisfação e o mau humor”, que consta na segunda parte dos Sermões sobre o Livro de Jonas [Predigten über das Buch Jonas, Zurique, 1773]. Goethe valorizava os escritos de Lavater à época e chegou a mandar a ele o manuscrito de seu romance). (N.T.)
[30]. Primeira referência às “Canções de Ossian”, que pouco a pouco vão ganhar importância no romance. Ossian foi um herói irlandês do século III d. C. Por volta de 1760, James Macpherson, poeta escocês, publicou fragmentos e um poema épico intitulado Fíngal, atribuindo-os a Ossian. Assim como Homero, Ossian é um velho cantor cego. Ele volta o olhar para os tempos de sua juventude e conta as aventuras de Fíngal, seu pai, e a morte prematura de seu filho, Oscar, mais a história dos heróis que com eles viviam. Parte dessas histórias é contada no momento em que o romance se aproxima de seu final, na segunda parte. (N.T.)
[31]. Refere-se à bilha inesgotável do profeta Elias, mencionada no Livro dos Reis, Cap. 17, Vers. 14-16. (N.T.)
[32]. Tanto na Antigüidade, quanto na Idade Média e no Barroco, acreditava-se que a música tinha influência direta sobre o ânimo (no sentido de alma) de pessoas e animais, unindo-os ao cosmos. A passagem tem relação direta com as lendas gregas de Orfeu e Anfion, assim como com aquilo que está dito no Livro de Samuel, Cap. 16, Vers. 14-23. (N.T.)
[33]. Refere-se a um aparelho projetor que expõe figuras e escritos na parede. A versão tosca daquilo que hoje conhecemos por retroprojetor. (N.T.)
[34]. A pedra de Bolonha existiu de fato. Desde os primeiros anos do século XVII se dá o nome de pedra de Bolonha ao espato pesado ou baritina, o mais importante dos derivados do Bário. A baritina foi elaborada pelo sapateiro bolonhês Vicente Casciorolus que, ao calcinar uma mescla pulverulenta do mineral, mais carvão e verniz, obteve uma massa fosforescente logo depois chamada de lapis salarius. Anos mais tarde, o nome foi trocado para pedra luminosa de Bolonha. Goethe refere a mesma pedra nas Viagens italianas, na Carta de 20 de outubro de 1786. (N.T.)
[35]. Relato semelhante é contado em uma das fábulas das 1001 Noites. (N.T.)
[36]. Referência a Mateus, Cap. 18, Vers. 8. (N.T.)
[37]. Pequenas pistolas de bolso. (N.T.)
[38]. Referência a Lucas, Cap. 10, Vers. 31, e Cap. 18, Vers. 11, respectivamente. (N.T.)
[39]. No original “Krankheit zum Tode”, algo como “doença à morte”. A expressão provém de São João, Cap. 11, Vers. 4, na tradução bíblica de Lutero, que Goethe conhecia e admirava. Mais tarde Kierkegaard viria a utilizar a expressão para dar título a uma de suas obras. (N.T.)
[40]. Referência à fábula “La chatte blanche” (A gata branca), que consta nos Contes de Fées, de Marie Cathérine d’Aulnoy.
Quando refere o fato de contar a história de uma só vez e outros detalhes, Goethe está falando também da sua própria maneira de escrever o Werther. O mandado de não fazer mudanças em edições posteriores, no entanto, ele mesmo não respeitou.
(N.T.)
[41]. Essa espécie de delírio seria reelaborada por Goethe no périplo de Fausto pelo Universo. Tanto a passagem do Werther quanto a do Fausto mostram que Machado de Assis, no delírio do hipopótamo, conhecia muito bem a obra do clássico alemão.
(N.T.)
[42]. Motivo constante na obra de Goethe e ligado à dialética do amor, onde o “eu” se dá e se perde, e só volta a se recuperar na correspondência do outro. Werther, que não logra se dar e se perder em nada nem ninguém – a arte o abandonou, o trabalho ele detesta e a mulher que ele ama não o quer – se perde para si mesmo. (N.T.)
[43]. Assim em Fedro, Estesícoro, Horácio ( Epistulae I, 10) e La Fontaine ( Fables IV, 13). (N.T.)
[44]. As coincidências entre realidade e ficção são tantas que dia 28 de agosto é o dia do aniversário tanto de Goethe quanto de Kestner, o marido verdadeiro de Carlota, pela qual o escritor estava apaixonado. Ver Prefácio e Adendo, ao final. (N.T.)
[45]. Esse laço é referido por várias vezes no decorrer do livro, a começar pelo “Esboço” do início e terá importância capital no episódio que encerra o romance. (N.T.)
[46]. Pequeno formato de bolso, com provas de 12 folhas, ou seja, 24 páginas dobradas. (N.T.)
[47]. Refere-se a uma edição bilíngüe, greco-latina, em dois volumes, de Homero, elaborada pela oficina de J. H. Wetstein, em Amsterdã (que tinha larga tradição no campo da impressão), no ano de 1707. A outra edição a que se refere é a de J. A.
Ernesti, em cinco volumes e formato grande, publicada em Leipzig entre os anos de 1759 e 1764. (N.T.)
[48]. Mateus, Cap. 3, Vers. 4. (N.T.)
[49]. Num desvio narrativo, vemos Werther se entregar pela primeira vez à vida ativa, e nela se frustrar, comprovando que a atividade física do trabalho não era adequada a sua natureza e incapaz de dar sentido a sua vida. (N.T.)
[50]. Note-se que a ordem inversa, assim como a exacerbação dos sentimentos, era conscientemente empregada e até recomendada pelos participantes do movimento romântico alemão “Sturm und Drang” (Tempestade e Ímpeto) em oposição à ordem do Racionalismo. (N.T.)
[51]. 46. Fala do embaixador, naturalmente. (N.T.)
[52]. Perceba-se que a palavra “burguesas” d’anteriormente tem muito mais o significado de “societárias”. Não há qualquer fulgor revolucionário no termo, o que é provado logo a seguir na afirmação subjetiva, e carregada de egoísmo, de Werther, ademais coerente com sua personalidade. (N.T.)
[53]. Frase repleta de trocadilhos. Idade de bronze e de ferro são referidas como conceitos de tratamento normal entre Werther e Guilherme, conhecedores da divisão estipulada por Ovídio nas épocas da humanidade. As quatro idades do mundo, das quais a idade do ferro e do bronze fazem parte, são aqui transpostas às idades da vida humana. A idade de bronze da mulher seriam os primeiros quarenta ou cinqüenta anos, a de ferro, a última parte – o último quarto – de sua vida. (N.T.)
[54]. Plenitude do coração. Topos da poesia do “Sturm und Drang” e sentimento característico de Werther. Friedrich Leopold Stolberg, influenciado por Goethe escreveria, em 1777, a coletânea de ditirambos prosados intitulada Da plenitude do coração (Von der Fülle des Herzens), obra que pouco mais tarde influenciaria decisivamente a Hölderlin. (N.T.)
[55]. Caixote tradicional em feiras alemãs da época. O visor era dotado de lentes de aumento, enquanto dentro da caixa se movimentavam figuras das mais variadas. (N.T.)
[56]. * Por respeito a este homem corretíssimo, nos furtamos a publicar nessa coletânea, esta e outra carta, que será mencionada mais tarde, por não acreditarmos que semelhante ousadia seja compensada inclusive pelo mais caloroso agradecimento público.
[57]. O uso da segunda pessoa do plural nesse caso, pode ter sentido irônico. Refletiria um distanciamento em relação a Guilherme, uma vez que Werther logo torna – depois de usar a mediação sem dúvida irônica de meu senhor – a dirigir-se ao amigo pelo tratamento convencional, isto é, a segunda pessoa do singular. O “vós” pode ainda ter sentido genérico, atendendo a mesma invocação que dizia, “vós, os pacatos” ou “vós, os sensatos”. Uma terceira possibilidade é a referência direta a Guilherme e à mãe, uma vez que ambos o queriam no emprego. Essa mudança de tratamento repete-se em carta que vem logo a seguir. (N.T.)
[58]. Francisco I foi coroado Imperador na ano de 1745, portanto 30 anos antes do tempo em que se passa a narração. (N.T.)
[59]. Refere-se ao Canto XIV da Odisséia. (N.T.)
[60]. Eis, pois, a outra carta, referida na nota anterior do “editor”. (N.T.)
[61]. De maneira extremamente bem elaborada formalmente, o leitor passa a conhecer algo da juventude de Werther, antes de os acontecimentos se precipitarem de maneira definitiva. (N.T.)
[62]. Ver Odisséia, Cantos X e XV. (N.T.)
[63]. Assim no original. Dilacerado – ou eventualmente apenas jogando – entre a realidade e a ficção, Goethe, através do
“editor”, não cita nomes e deixa de referenciar, no mais mínimo detalhe, a narrativa. Ele não dá os nomes verdadeiros aos lugares e/ou pessoas, mas também não lhes inventa um nome novo. (N.T.)
[64]. Outro testemunho da aversão que o próprio Goethe sentia – presente também em várias de suas poesias escritas à época
– pela classificação sumária na arte e pela tentativa de domá-la através de conceitos científicos. (N.T.)
[65]. A vestimenta típica de Werther, a mesma em que Karl Jerusalem foi encontrado morto. O traje (casaca azul, colete amarelo) passou a ser muito imitado por jovens românticos e sentimentais à época em que o livro foi lançado. (N.T.)
[66]. Goethe baseia a descrição, cheia de sátira, furor e vírgulas, na figura da pietista Johanna Dorothea Griesbach (1726-1775),
conforme depoimento do autor no livro de memórias Poesia e verdade. (N.T.)
[67]. O mesmo faziam os teólogos esclarecidos Bahrdt, Basedow e Eberhardt, entre outros, que tonificavam o conteúdo humano dos anúncios de fé divinos através da crítica histórica. (N.T.)
[68]. Benjamin Kennicot (1718-1783), inglês, teólogo e estudioso do hebraísmo, decisivo na interpretação crítica do Antigo Testamento. Johann David Michaelis (1717-1791), orientalista, e o teólogo Johann Salomo Semler (1725-1791) foram os que conduziram e levaram adiante o modo histórico-crítico de considerar os escritos bíblicos. Note-se que Goethe, à época, mostra preferir, através de Werther, o cristianismo sentimental e aistórico de Lavater. Mais tarde ele se apartaria das opiniões de Lavater tomando parte na corrente crítica e histórica de análise da Bíblia (N.T.)
[69]. O fato é nítido. Se na primeira parte Homero ocupava o coração do personagem, como símbolo da simplicidade, do patriarcalismo, da sobriedade, do classicismo, do sol dos gregos, na segunda parte Ossian é quem passa a dominar, com o caráter sombrio de seu ímpeto, sua subjetividade, seu ardor, sua audácia e sua sede de vida. (N.T.)
[70]. Vários dos motivos das Canções de Ossian aparecem neste trecho e voltarão a ser mencionados – e estendidos – mais tarde. (N.T.)
[71]. Talvez a obra – e personagem – mais conhecida de Ossian-Macpherson. Fíngal era o pai de Ossian. (N.T.)
[72]. Paráfrase da Primeira Epístola aos Coríntios, Cap. 15, Vers. 28 e Cap. 12, Vers. 6, assim como de Efésios, Cap. 1, Vers.
23. (N.T.)
[73]. Comparar com Deuteronômio, Cap. 28, Vers. 23. (N.T.)
[74]. Referência a João, Cap. 6, Vers.37, 44 e 65. O discurso bíblico, que se faz notar vez em vez desde o início da narração, acentua-se fragorosamente nesta carta, restrita toda ela a meditações bíblicas mais uma pitada de Shakespeare. Mesmo que Werther refute a lei cristã, principalmente no que tange ao suicídio, vive de maneira religiosa e conhece a Bíblia pela educação que teve. (N.T.)
[75]. Mateus, Cap. 26, Vers. 39. (N.T.)
[76]. Shakespeare, Hamlet, III, 1. (N.T.)
[77]. Mateus, Cap. 27, Vers. 46. (N.T.)
[78]. Salmos, Cap. 104. Vers. 2. (N.T.)
[79]. Refere-se aos Países Baixos Unidos que, à época, eram considerados especialmente ricos. (N.T.)
[80]. Referência à Parábola do Filho Pródigo, Lucas, Cap. 15, Vers. 11-24. A invocação ao pai chega a ser meio dúbia – tanta a proximidade que reflete – e lembrar o pai carnal de Werther, que morreu quando ele ainda era uma criança – e não sofria.
(N.T.)
[81]. Melodia já referida anteriormente. Interessante o fato de como a relação entre amor e música (de exemplo, o bordão “a nossa música”) acabou se difundindo até alcançar extratos menos nobres da cultura e países totalmente distantes. Vide a música romântica brasileira, de consumo de massas. O mesmo aconteceu, por exemplo, com a noção de cabaninha idílica, referida anteriormente e aproveitada no Brasil pela música sertaneja. (N.T.)
[82]. Era uso na Alemanha da época – e em alguns lugares ainda se mantém viva a tradição – meter, na véspera de Natal, uma árvore cheia de velinhas e guloseimas num armário fechado, que era aberto no momento em que menos se esperava, para dar às crianças o prazer da surpresa. (N.T.)
[83]. Atitude típica na época. Esses mesmos sacos era costurados, inclusive, para alcançar maior proteção às roupas. (N.T.)
[84]. Durante o período em que esteve a estudar em Strassburg, no ano de 1771, Goethe traduziu algumas das canções de Ossian, que veio a retrabalhar quando escrevia o Werther, ajustando ritmo e poesia. A parte que vem a seguir é, basicamente, a que corresponde à Canção de Selma. Quem fala na primeira pessoa é, sempre, Ossian, que distribui a palavra aos outros heróis. Assim, Minona anuncia a canção de Colma, depois Ullin adentra a história anunciando as canções de Ryno e Alpin.
(N.T.)
[85]. A história de Ossian invoca a própria história de Werther e Carlota. Que são os dois senão uma jovem desesperada, lutando em meio a dois homens prestes a se destroçarem? Ou mesmo um homem se afogando no mar de sua própria paixão?
As canções de Ossian são, para Werther e Carlota, um espelho de sua própria tragédia, assim como vários dos acontecimentos paralelos do romance, todos eles simbólicos. (N.T.)
[86]. Aqui, tradução ipsis literis do Berrathon, de Ossian-Macpherson. Importante por trazer à tona o motivo da morte, ou seja, o poeta canta – e antecipa – sua própria morte. O mundo de Ossian é um mundo em que resta ao homem, inocente em sua culpa, a glória de morrer com honra e depois ser cantado pelos bardos, por ter vivido de maneira grandiosa e intensa. (N.T.)
[87]. Referência ao Evangelho de São João, Cap. 14, Vers. 28. (N.T.)