Patriarcas e Profetas
se esforçara por estabelecer no Céu, rejeitando…
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
Durante sete dias depois que Noé e sua família entraram na arca, não apareceu sinal da tempestade vindoura. Fora durante este tempo provada a sua fé. Foi um tempo de triunfo para o povo, lá fora. A aparente demora confirmava-os na crença de que a
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mensagem de Noé era uma ilusão, e de que o dilúvio jamais viria. Apesar das cenas solenes que haviam testemunhado, a saber, os animais e as aves entrando na arca, e o anjo de Deus fechando a porta, continuaram eles ainda com seu divertimento e orgia, fazendo mesmo zombaria daquelas assinaladas manifestações do poder de Deus. Reuniam-se em multidões em redor da arca, escarnecendo dos que dentro se encontravam, com uma arrogante violência a que nunca antes se haviam arriscado.
Mas, ao oitavo dia, nuvens negras se espalharam pelo céu. Seguiram-se o murmúrio do trovão e o lampejo do relâmpago. Logo, grandes gotas de chuva começaram a cair. O mundo nunca havia testemunhado coisa alguma semelhante a isto, e o coração dos homens foi tocado pelo medo. Todos estavam secretamente indagando: "Será que Noé tinha razão e que o mundo está condenado à destruição?" Cada vez mais negros se tornavam os céus, e mais rápida vinha a chuva. Os animais estavam vagueando de um lado para outro no mais desenfreado terror, e seus gritos discordantes pareciam lamentar seu próprio destino e a sorte dos homens. Então "se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas do céu se abriram". Gên. 7:11. A água parecia vir das nuvens em grandes cataratas. Os rios romperam os seus limites, e inundaram os vales. Jatos de água irrompiam da terra, com força indescritível, arremessando pedras maciças a muitos metros para o ar; e ao caírem, sepultavam-se profundamente no solo.
O povo viu a princípio a destruição das obras de suas mãos. Seus esplêndidos edifícios, e os belos jardins e bosques em que haviam colocado seus ídolos, eram destruídos pelos raios do céu, e as ruínas se espalhavam extensamente. Os altares em que se haviam oferecido sacrifícios humanos, eram derribados, e tremiam os adoradores ante o poder do Deus vivo, e por saber que fora a sua corrupção e idolatria que atraíram a sua destruição.
Aumentando a violência da tempestade, árvores, edifícios, pedras e terra, eram arrojados a todos os lados. O terror do homem e dos animais era indescritível. Por sobre o estrondo da tempestade, ouvia-se o pranto de um povo que tinha desprezado a autoridade de Deus. O próprio Satanás, que fora obrigado a permanecer no meio dos elementos em fúria, temeu pela sua existência. Ele se havia deleitado em dirigir uma raça tão poderosa, e desejara que vivessem para praticar suas abominações, e continuar com sua rebelião contra o Governador do Céu. Agora proferia imprecações contra Deus, acusando-O de injustiça e
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crueldade. Muitos dentre o povo, semelhantes a Satanás, blasfemavam de Deus, e, pudessem eles, tirá-Lo-iam do trono do poder. Outros tomavam-se de frenesi, pelo terror, estendendo as mãos para a arca, e rogando sua admissão ali. Seus rogos, porém, foram em vão. Despertou-se-lhes finalmente a consciência para saberem que há um Deus que governa nos Céus. Chamaram por Ele com ardor, mas os Seus ouvidos não estavam abertos ao seu clamor. Naquela terrível hora viram que a transgressão da lei de Deus determinara a sua ruína. Todavia, ao mesmo tempo em que pelo medo do castigo reconheciam o seu pecado, não sentiam verdadeira contrição, nem horror ao mal. Teriam voltado ao seu desafio ao Céu, caso houvesse sido removido o juízo. Semelhantemente, quando os juízos de Deus caírem sobre a Terra, antes de seu dilúvio de fogo, os impenitentes saberão precisamente onde pecaram, e em que consiste seu pecado: o desprezo à Sua santa lei. Contudo, não terão o verdadeiro arrependimento mais do que tiveram os pecadores do mundo antigo. Alguns, em seu desespero, esforçavam-se por penetrar na arca; porém, a firme estrutura resistiu aos seus esforços. Alguns apegaram-se à arca até que foram arrebatados pelas águas revoltas, ou foi seu apego interrompido pela colisão com as rochas e árvores. A pesada arca estremecia em cada fibra, ao ser batida pelos ventos impetuosos, e arremessada de uma vaga para outra. Os gritos dos animais, dentro, exprimiam o seu medo e dor. Mas, por entre os elementos em luta, continuou a flutuar com segurança. Anjos "magníficos em poder" foram comissionados para a guardar. Os animais, expostos à tempestade, lançavam-se sobre o homem, como que a esperar dele auxílio. Alguns dentre o povo amarraram seus filhos e a si mesmos em cima de animais poderosos, sabendo que estes tinham grande apego à vida, e subiriam aos pontos mais altos para escaparem das águas que se elevavam. Alguns ataram-se a árvores altas, no cimo das colinas ou montanhas; mas as árvores foram desarraigadas, e com seu fardo de seres vivos arrojadas às vagas fervilhantes. Um lugar após outro que prometia segurança foi abandonado. Levantando-se as águas cada vez mais, o povo fugiu em busca de refúgio às mais altas montanhas. Freqüentemente homens e animais lutavam entre si, por um lugar, até que uns e outros eram varridos.
Dos mais altos montes olhavam os homens ao longe sobre um oceano sem praias. As solenes advertências do servo de Deus não mais pareciam assunto para o ridículo e escárnio. Quanto anelavam aqueles pecadores condenados as oportunidades que Pág. 101
haviam desdenhado! Quanto pleitearam eles uma hora de graça, mais um privilégio de misericórdia, um apelo dos lábios de Noé! Mas a doce voz de misericórdia, não mais seria ouvida por eles. O amor, não menos que a justiça, exigia que os juízos de Deus pusessem um paradeiro ao pecado. As águas vingadoras varreram o último retiro, e os desprezadores de Deus pereceram nas negras profundidades. "Pela Palavra de Deus... pereceu o mundo de então, coberto com as águas do dilúvio. Mas os céus e a Terra que agora existem, pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios." II Ped. 3:5-7. Está a vir outra tempestade. A Terra de novo será varrida pela ira desoladora de Deus, e o pecado e os pecadores serão aniquilados. Os pecados que atraíram a vingança sobre o mundo antediluviano, existem hoje. O temor de Deus baniu-se do coração dos homens, e Sua lei é tratada com indiferença e desprezo. A grande mundanidade daquela geração é igualada pela da geração que hoje vive. Disse Cristo: "Assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos - assim será também a vinda do Filho do homem." Mat. 24:38 e 39. Deus não condenou os antediluvianos por comerem e beberem; dera-lhes os frutos da terra em grande abundância para suprirem suas necessidades físicas. Seu pecado consistia em tomar esses dons sem gratidão para com o Doador, e aviltar-se condescendendo com o apetite sem restrições. Era-lhes lícito casarem. O matrimônio estava dentro da ordem determinada por Deus; foi uma das primeiras instituições que Ele estabeleceu. Deu instruções especiais concernentes a esta ordenança, revestindo-a de santidade e beleza; estas instruções, porém, foram esquecidas, e o casamento foi pervertido, e feito com que servisse às paixões. Uma idêntica condição de coisas existe hoje. Aquilo que em si mesmo é lícito, é levado ao excesso. O apetite é satisfeito sem restrições. Professos seguidores de Cristo estão hoje comendo e bebendo com os ímpios, enquanto seus nomes permanecem nos honrados registros da igreja. A intemperança embota as faculdades morais e espirituais, e prepara o caminho para a satisfação das más paixões. Multidões não se sentem sob qualquer obrigação moral de reprimirem seus desejos sensuais, e tornam-se escravos da luxúria. Os homens estão vivendo para os prazeres Pág. 102
dos sentidos, para este mundo e para esta vida unicamente. A extravagância invade todas as rodas da sociedade. A integridade é sacrificada pelo luxo e ostentação. Aqueles que se apressam em se fazerem ricos pervertem a justiça e oprimem os pobres; e "corpos" e "almas de homens" ainda são comprados e vendidos. Fraude, suborno e roubo ostentam-se, sem que sejam repreendidos, nos meios altos e baixos. As edições do prelo estão cheias de relatos de assassínios, crimes cometidos com tanto sangue frio e sem motivos que parece como se todo o instinto de humanidade estivesse extinguido. E estas atrocidades se tornam uma ocorrência tão comum que dificilmente provocam um comentário ou despertam surpresa. O espírito de anarquia está se insinuando em todas as nações, e as explosões sociais que de tempos em tempos provocam horror ao mundo não são senão indicações dos fogos contidos das paixões e ilegalidade, os quais, havendo escapado à sujeição, encherão a Terra com miséria e ruína. O quadro que a Inspiração nos deu do mundo antediluviano representa mui verdadeiramente a condição a que rapidamente a sociedade moderna caminha. Mesmo agora, no século presente, e nos países que se professam cristãos, há crimes cometidos diariamente, tão negros e terríveis como aqueles pelos quais os pecadores do velho mundo foram destruídos. Antes do dilúvio, Deus enviou Noé para advertir o mundo, a fim de que o povo pudesse ser levado ao arrependimento, e assim escapar da destruição ameaçada. Ao aproximar-se o tempo do segundo aparecimento de Cristo, o Senhor envia Seus servos com uma advertência ao mundo para que este se prepare para aquele grande acontecimento. Multidões têm estado a viver em transgressão à lei de Deus, e agora Ele, misericordiosamente, os chama para obedecerem aos Seus sagrados preceitos. A todos os que abandonarem seus pecados pelo arrependimento para com Deus e fé em Cristo, se oferece o perdão. Muitos, porém, acham que requer um sacrifício demasiado grande abandonar o pecado. Porque sua vida não se harmoniza com os princípios puros do governo moral de Deus, rejeitam-Lhe as advertências, e negam a autoridade de Sua lei.
Dentre a vasta população da Terra antes do dilúvio, apenas oito almas creram na Palavra de Deus por intermédio de Noé, e lhe obedeceram. Durante cento e vinte anos o pregoeiro da justiça avisou o mundo da destruição vindoura; mas sua mensagem foi rejeitada e desprezada. Assim será agora. Antes que o Legislador venha para punir os desobedientes, os transgressores são avisados para que se arrependam, e voltem à sua fidelidade; mas, em relação à maioria, serão em vão estas advertências. Diz o apóstolo Pedro: "Nos últimos dias virão escarnecedores, andando Pág. 103
segundo as suas próprias concupiscências, e dizendo: Onde está a promessa da Sua vinda porque desde que os pais dormiram todas as coisas permanecem como desde o princípio." II Ped. 3:3 e 4. Não ouvimos estas mesmas palavras repetidas, não simplesmente pelos declaradamente ímpios, mas por muitos que ocupam o púlpito em nosso país? "Não há motivo para alarme", exclamam eles. "Antes que Cristo venha, todo o mundo se converterá, e a justiça reinará durante mil anos. Paz! paz! todas as coisas continuam como eram desde o princípio. Que ninguém se perturbe com a excitante mensagem desses alarmistas." Mas tal doutrina do milênio não se harmoniza com os ensinos de Cristo e Seus apóstolos. Jesus fez a significativa pergunta: "Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na Terra?" Luc. 18:8. E, conforme vimos, Ele declara que o estado do mundo será como nos dias de Noé. Paulo nos adverte que podemos esperar a iniqüidade aumentar ao aproximar-se o fim: "O Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios." I Tim. 4:1. O apóstolo diz que "nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos". II Tim. 3:1. E ele dá uma lista surpreendente de pecados que se encontrarão entre os que têm uma forma de piedade.
Estando a encerrar-se o seu tempo de graça, entregavam-se os antediluvianos a divertimentos e festas empolgantes. Os que possuíam influência e poderio aplicavam-se em conservar a mente do povo ocupada com júbilo e prazer, para que não acontecesse alguém ficar impressionado pela última e solene advertência. Não vemos o mesmo repetido em nossa época? Enquanto os servos de Deus estão a dar a mensagem de que o fim de todas as coisas está às portas, o mundo se absorve em divertimentos e busca de prazeres. Há uma constante seqüência de sensações que ocasiona a indiferença para com Deus, e impede o povo de se impressionar com as verdades que, unicamente, o podem salvar da destruição vindoura.
No tempo de Noé, declaravam os filósofos que era impossível ser o mundo destruído pela água; assim, há hoje homens de ciência que se esforçam por provar que o mundo não pode ser destruído pelo fogo, ou seja, que isto seria incoerente com as leis da Natureza. Mas o Deus da Natureza, o autor e dirigente das leis da mesma Natureza, pode fazer uso das obras de Suas mãos para servirem ao Seu propósito. Quando os grandes e sábios provaram para a sua satisfação que era impossível ser o mundo destruído pela água, quando os
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temores do povo se acalmaram, quando todos consideraram a profecia de Noé como uma ilusão, e o olhavam como a um fanático, então é que veio o tempo de Deus. "Romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as janelas do céu se abriram" (Gên. 7:11), e os escarnecedores foram submersos nas águas do dilúvio. Com toda a sua orgulhosa filosofia, demasiado tarde acharam os homens que sua sabedoria era loucura, que o Legislador é maior do que as leis da Natureza, e que à Onipotência não faltam meios para cumprir os Seus propósitos. "E, como aconteceu nos dias de Noé", "assim será no dia em que o Filho do homem Se há de manifestar." Luc. 17:26 e 30. "O dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo se desfarão, e a Terra, e as obras que nela há, se queimarão." II Ped. 3:10. Quando os raciocínios da filosofia houverem banido o temor dos juízos de Deus; quando ensinadores religiosos estiverem a apontar no futuro para longas eras de paz e prosperidade, e o mundo estiver absorto em sua rotina de negócios e prazeres, plantando e construindo, banqueteando-se e divertindo-se, rejeitando as advertências de Deus e zombando de Seus mensageiros, então é que súbita destruição lhes sobrevirá, e não escaparão. I Tess. 5:3.
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Depois do Dilúvio
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As águas subiram quinze côvados acima das mais altas montanhas. Pareceu muitas vezes à família, que estava dentro da arca, que deveriam perecer, tendo sido o seu barco durante cinco longos meses arremessado de um lado para outro, aparentemente por conta do vento e das ondas. Foi uma prova severa; mas a fé de Noé não vacilou, pois tinha certeza de que a mão divina estava ao leme.
Começando a baixar as águas, o Senhor fez com que a arca flutuasse para um lugar protegido por um grupo de montanhas, que por Seu poder haviam sido preservadas. Essas montanhas estavam a pouca distância uma das outras, e a arca moveu-se em direção àquele abrigo calmo, e não mais foi levada sobre o ilimitado oceano. Isto deu grande alívio aos viajantes cansados e arremessados pela tempestade.
Noé e sua família ansiosamente esperaram o recuo das águas; pois almejavam sair de novo à terra. Quarenta dias depois que os altos das montanhas se tornaram visíveis, enviaram um corvo, ave de fino olfato, para revelar se a terra se tornara enxuta. Esta ave, nada encontrando senão água, continuou a voar da arca para fora e de fora para a arca. Sete dias mais tarde, uma pomba foi enviada, a qual, não encontrando onde pousar, voltou à arca. Noé esperou mais sete dias, e de novo enviou a pomba. Quando ela voltou à tarde com uma folha de oliveira no bico, houve grande regozijo. Depois "Noé tirou a cobertura da arca, e olhou, e eis que a face da terra estava enxuta". Gên. 8:13. Ainda ele esperou pacientemente dentro da arca. Havendo entrado por ordem de Deus, esperou instruções especiais para retirar-se.
Finalmente um anjo desceu do Céu, abriu a pesada porta, e mandou o patriarca e sua casa saírem à terra, e tomarem consigo todos os seres vivos. Na alegria de seu livramento, Noé não se esqueceu dAquele por cujo gracioso cuidado haviam sido
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preservados. Seu primeiro ato ao deixar a arca foi construir um altar, e oferecer de toda a espécie de animal e ave limpa um sacrifício, manifestando assim sua gratidão para com Deus pelo livramento, e sua fé em Cristo, o grande sacrifício. Esta oferta foi agradável ao Senhor; e uma bênção resultou não somente ao patriarca e sua família, mas a todos os que vivessem sobre a Terra. "E o Senhor cheirou o suave cheiro, e disse o Senhor em Seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a Terra por causa do homem. ... Enquanto a Terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite, não cessarão." Gên. 8:21 e 22. Aqui havia uma lição a todas as gerações que se sucedessem. Noé saíra para uma terra desolada; mas antes de preparar casa para si, construiu um altar a Deus. Seu suprimento de gado era pequeno, e havia sido preservado com grande despesa; contudo, deu alegremente uma parte ao Senhor, em reconhecimento de que tudo era dEle. De modo semelhante, deve ser o nosso primeiro cuidado render nossas ofertas voluntárias a Deus. Toda a manifestação de Sua misericórdia e amor para conosco deve ser gratamente reconhecida, tanto por atos de devoção como por meio de dádivas à Sua causa.
Para que não acontecesse que a acumulação de nuvens e queda da chuva enchessem os homens de um terror constante, proveniente do medo de um outro dilúvio, o Senhor animou a família de Noé com uma promessa: "Eu convosco estabeleço o Meu concerto, ... não haverá mais dilúvio para destruir a Terra. ... O Meu arco tenho posto na nuvem; este será por sinal do concerto entre Mim e a Terra. E acontecerá que, quando Eu trouxer nuvens sobre a Terra, aparecerá o arco nas nuvens. ... E Eu o verei, para Me lembrar do concerto eterno entre Deus e toda a alma vivente." Gên. 9:11-16. Quão grande é a condescendência de Deus, e Sua compaixão por Suas criaturas falíveis, colocando assim o belo arco-íris nas nuvens como sinal de Seu concerto com os homens! O Senhor declara que, ao olhar Ele o arco, lembrar-Se-á de Seu concerto. Isto não implica que houvesse de esquecer-Se; Ele, porém, fala-nos em nossa linguagem para que melhor O possamos compreender. Era o propósito de Deus que, quando os filhos das gerações posteriores perguntassem a significação do arco glorioso que abrange os céus repetissem seus pais a história do dilúvio, e lhes dissessem que o Altíssimo distendeu o arco, e o colocou nas nuvens como uma segurança de que as águas nunca mais inundariam a Pág. 107
Terra. Assim, de geração a geração testificaria do amor divino para com o homem, e fortaleceria sua confiança em Deus.
No Céu, uma semelhança de arco-íris rodeia o trono, e estende-se como uma abóbada por sobre a cabeça de Cristo. Diz o profeta: "Como o aspecto do arco que aparece na nuvem no dia da chuva, assim era o aspecto do resplendor em redor [do trono]. Este era o aspecto da semelhança da glória do Senhor." Ezeq. 1:28. O escritor do Apocalipse declara: "Eis que um trono estava posto no Céu, e Um assentado sobre o trono. ... E o arco celeste estava ao redor do trono, e parecia semelhante à esmeralda." Apoc. 4:2 e 3. Quando o homem pela sua grande impiedade convida os juízos divinos, o Salvador, intercedendo junto ao Pai em seu favor, aponta para o arco nas nuvens, para o arco celeste em redor do trono e acima de Sua cabeça, como sinal da misericórdia de Deus para com o pecador arrependido.
Com a certeza dada a Noé com relação ao dilúvio, o próprio Deus ligou uma das mais preciosas promessas de Sua graça: "Pois jurei que as águas de Noé não inundariam mais a Terra; assim jurei que não Me irarei mais contra ti, nem te repreenderei. Porque as montanhas se desviarão, e os outeiros tremerão; mas a Minha benignidade não se desviará de ti, e o concerto da Minha paz não mudará, diz o Senhor, que Se compadece de ti." Isa. 54:9 e 10.
Ao olhar Noé para as poderosas feras rapinantes que saíram com ele da arca, temeu que sua família, contando apenas oito pessoas, fosse destruída por elas. Mas o Senhor enviou um anjo a Seu servo com a mensagem asseguradora: "E será o vosso temor e o vosso pavor sobre todo o animal da Terra, e sobre toda a ave dos céus; tudo o que se move sobre a Terra, e todos os peixes do mar, na vossa mão são entregues. Tudo quanto se move, que é vivente, será para vosso mantimento; tudo vos tenho dado como a erva verde". Gên. 9:2 e 3. Antes deste tempo Deus não havia dado ao homem permissão para comer alimentos animais; era Seu desígnio que a espécie humana se mantivesse inteiramente com as produções da terra; mas agora que toda a erva verde tinha sido destruída, permitiu-lhes comer a carne dos animais limpos que haviam sido preservados na arca. A superfície toda da Terra ficou transformada com o dilúvio. Uma terceira maldição terrível repousou sobre ela em conseqüência do pecado. Começando a água a baixar, as colinas e montanhas ficaram rodeadas de um mar vasto, ameaçador. Todos os lugares Pág. 108
estavam juncados de corpos mortos de homens e animais. O Senhor não permitiria que estes ficassem a decompor-se e contaminar o ar; fez, portanto, da Terra um vasto cemitério. Um vento violento que fez soprar com o fim de enxugar as águas, removeu-os com grande força, levando mesmo em alguns casos os cumes das montanhas, e amontoando árvores, pedras e terra em cima dos corpos dos mortos. Pelo mesmo meio a prata e o ouro, a madeira escolhida e as pedras preciosas, que tinha enriquecido e adornado o mundo antes do dilúvio, e que os habitantes haviam idolatrado, foram escondidos da vista e alcance dos homens, acumulando a ação violenta das águas, terra e pedras sobre esses tesouros, e nalguns casos formando mesmo montanhas sobre eles. Deus viu que quanto mais Ele enriquecia e prosperava os homens pecadores, mais corrompiam seus caminhos diante dEle. Os tesouros que os deviam ter levado a glorificar o generoso Doador, foram adorados, enquanto Deus fora desonrado e desprezado.
A Terra apresentava um aspecto de confusão e desolação impossível de descrever-se. As montanhas, que haviam sido tão belas em sua perfeita simetria, ficaram despedaçadas e irregulares. Pedras, lajes e rochas irregulares estavam agora espalhadas pela superfície da Terra. Em muitos lugares, colinas e montanhas tinham desaparecido, não deixando vestígio do lugar em que se achavam; planícies haviam dado o lugar a cadeias de montanhas. Estas transformações eram mais acentuadas em alguns lugares do que em outros. Onde estiveram os mais ricos tesouros da Terra, em ouro, prata e pedras preciosas, viam-se os mais acentuados indícios da maldição. E sobre os territórios que não eram habitados, e aqueles em que houvera o menor número de crimes, a maldição repousou mais brandamente. Nesse tempo imensas florestas foram sepultadas. Estas foram depois transformadas em carvão, formando as extensas camadas carboníferas que hoje existem, e também fornecendo grande quantidade de óleo. O carvão e o óleo freqüentemente se acendem e queimam debaixo da superfície da Terra. Assim as rochas são aquecidas, queimada a pedra de cal, e derretido o minério de ferro. A ação da água sobre a cal aumenta a fúria do intenso calor, e determina os terremotos, vulcões e violentas erupções. Vindo o fogo e a água em contato com as camadas de pedra e minério, há violentas explosões subterrâneas, as quais repercutem como soturnos trovões. O ar se acha quente e sufocante. Seguem-se erupções vulcânicas; e, deixando estas muitas vezes de dar Pág. 109
vazão suficiente aos elementos aquecidos, a própria terra é agitada, o terreno se ergue e dilata-se como as ondas do mar, aparecem grandes fendas, e algumas vezes cidades, vilas, e montanhas a arder são tragadas. Estas assombrosas manifestações serão mais e mais freqüentes e terríveis precisamente antes da segunda vinda de Cristo e do fim do mundo, como sinais de sua imediata destruição. As profundidades da Terra são o arsenal do Senhor, donde foram retiradas as armas empregadas na destruição do mundo antigo. Águas jorrando da Terra uniam-se com as águas do céu para cumprirem a obra de desolação. Desde o dilúvio, o fogo bem como a água tem sido o agente de Deus para destruir cidades muito ímpias. Estes juízos são enviados a fim de que aqueles que consideram levianamente a lei de Deus e menosprezam Sua autoridade, possam ser levados a tremer ante o Seu poder, e confessar Sua justa soberania. Vendo os homens montanhas ardentes a derramar fogo e chamas, e torrentes de minério derretido a secar rios, submergindo cidades populosas, e por toda parte espalhando a ruína e desolação, o mais arrogante coração tem-se enchido de terror, e os incrédulos e blasfemos têm sido constrangidos a reconhecer o infinito poder de Deus. Disseram os antigos profetas, referindo-se a cenas como essas: "Oh! se fendesses os céus, e descesses! e os montes se escoassem diante da Tua face! Como quando o fogo inflama a lenha, e faz ferver as águas, para fazeres notório o Teu nome aos Teus adversários, assim as nações tremessem da Tua presença! Quando fazias coisas terríveis, que não esperávamos, descias, e os montes se escoavam diante da Tua face." "O Senhor tem o Seu caminho na tormenta, e na tempestade, e as nuvens são o pó dos Seus pés. Ele repreende o mar, e o faz secar, e esgota todos os rios." Naum 1:3 e 4.
Manifestações mais terríveis do que as que o mundo jamais viu, serão testemunhadas por ocasião do segundo advento de Cristo. "Os montes tremem perante Ele, e os outeiros se derretem; e a Terra se levanta na Sua presença; o mundo e todos os que nele habitam. Quem parará diante do Seu furor? e quem subsistirá diante do ardor da Sua ira?" Naum 1:5 e 6. "Abaixa, ó Senhor, os Teus céus, e desce; toca os montes, e fumegarão. Vibra os Teus raios, e dissipa-os; envia as Tuas flechas, e desbarata-os." Sal. 144:5 e 6.
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"Farei aparecer prodígios em cima, no céu; e sinais embaixo na Terra, sangue, fogo e vapor de fumo." Atos 2:19. "E houve vozes, e trovões, e relâmpagos, e um grande terremoto, como nunca tinha havido desde que há homens sobre a Terra; tal foi este tão grande terremoto." "E toda ilha fugiu; e os montes não se acharam. E sobre os homens caiu do céu uma grande saraiva, pedras do peso de um talento." Apoc. 16:18, 20 e 21.
Unindo-se os raios do céu com o fogo na Terra, as montanhas arderão como uma fornalha, e derramarão terríveis correntes de lava, submergindo jardins e campos, vilas e cidades. Massas fervilhantes derretidas, ao serem arremessadas nos rios, farão com que as águas entrem em ebulição, arremetendo rochas maciças com indescritível violência, e espalhando seus fragmentos sobre a terra. Rios tornar-se-ão secos. A Terra se convulsionará; por toda parte haverá tremendos terremotos e erupções.
Assim destruirá Deus os ímpios da Terra. Mas os justos serão preservados em meio destas comoções, como o foi Noé na arca. Deus será o seu refúgio, e sob Suas asas eles estarão confiados. Diz o salmista: "Porque Tu, ó Senhor, és o meu refúgio! O Altíssimo é a Tua habitação. Nenhum mal te sucederá". "No dia da adversidade me esconderá no Seu pavilhão; no oculto do Seu tabernáculo me esconderá." A promessa de Deus é: "Pois que tão encarecidamente Me amou, também Eu o livrarei; pô-lo-ei num alto retiro, porque conheceu o Meu nome." Sal. 91:9, 10 e 14; Sal. 27:5. II. Os Patriarcas e a Promessa
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A Semana Literal
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Semelhante ao sábado, a semana originou-se na criação, e foi preservada e trazida até nós através da história bíblica. O próprio Deus mediu a primeira semana como um modelo para as semanas sucessivas até o final do tempo. Como todas as outras, consistiu de sete dias literais. Seis dias foram empregados na obra da criação; no sétimo dia Deus repousou, e então o abençoou e o separou como dia de descanso para o homem.
Na lei dada no Sinai, Deus reconheceu a semana, e os fatos sobre os quais ela se baseava. Depois de dar o mandamento: "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar", e especificar o que deve ser feito nos seis dias e o que não deve ser feito no sétimo, Ele declara a razão para assim observar a semana, apontando para o Seu próprio exemplo: "Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a Terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou." Êxo. 20:8-11. Esta razão parece bela e impõe-se quando compreendemos serem literais os dias da criação. Os seis primeiros dias de cada semana são dados aos homens para o trabalho, porque Deus empregou o mesmo período da primeira semana na obra da criação. No sétimo dia o homem deve abster-se do trabalho, em comemoração ao repouso do Criador. Mas a admissão de que os acontecimentos da primeira semana exigiram milhares de milhares de anos, fere diretamente a base do quarto mandamento. Representa o Criador a ordenar aos homens observarem a semana de dias literais em comemoração de períodos vastos, indefinidos. Isto não está conforme o Seu método de tratar com Suas criaturas. Torna indefinido e obscuro o que Ele fizera muito claro. É a incredulidade em sua forma mais traiçoeira , e portanto mais perigosa; seu verdadeiro caráter se acha tão disfarçado que é tal opinião mantida e ensinada por muitos que professam crer na Bíblia. Pág. 112
"Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da Sua boca."
"Porque falou, e tudo se fez; mandou, e logo tudo apareceu." Sal. 33:6 e 9. A Bíblia não admite longas eras em que a Terra vagarosamente evoluiu do caos. De cada dia consecutivo da criação, declara o registro sagrado que consistiu de tarde e manhã, como todos os outros dias que se seguiram. No final de cada dia dá-se o resultado da obra do Criador. Faz-se esta declaração no fim do relato da primeira semana: "Estas são as origens do céu e da Terra, quando foram criados." Gên. 2:4. Mas isto não confere a idéia de que os dias da criação eram diversos de dias literais. Cada dia foi chamado uma origem ou geração, porque nele Deus gerou, ou produziu alguma nova porção de Sua obra. Pretendem geólogos achar prova na própria Terra de que ela é muitíssimo mais velha do que ensina o registro mosaico. Ossos de homens e animais, bem como instrumentos de guerra, árvores petrificadas, etc., muito maiores do que qualquer que hoje exista, ou que tenha existido durante milhares de anos, foram descobertos, e disto conclui-se que a Terra foi povoada muito tempo antes da era referida no registro da criação, e por uma raça de seres grandemente superiores em tamanho a quaisquer homens que hoje vivam. Tal raciocínio tem levado muitos crentes professos na Bíblia a adotar a opinião de que os dias da criação foram períodos vastos, indefinidos.
Mas, fora da história bíblica, a geologia nada pode provar. Aqueles que tão confiantemente raciocinam acerca de suas descobertas, não têm uma concepção adequada do tamanho dos homens, animais e árvores anteriores ao dilúvio, ou das grandes mudanças que então ocorreram. Restos encontrados na terra dão prova de condições que em muitos aspectos diferiam do presente; mas o tempo em que essas condições existiram apenas pode ser descoberto pelo Registro Inspirado. Na história do dilúvio a inspiração explicou aquilo que a geologia por si só nunca poderia sondar. Nos dias de Noé, homens, animais e árvores, muitas vezes maiores do que os que hoje existem, foram sepultados, e assim conservados, como prova para as gerações posteriores de que os antediluvianos pereceram por um dilúvio. Era o desígnio de Deus que a descoberta dessas coisas estabelecesse fé na história inspirada, mas os homens, com seus vãos raciocínios, caem no mesmo erro em que caiu o povo anterior ao dilúvio - as coisas que Deus lhes dera como benefício, mudam eles em maldição, fazendo delas mau uso.
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É um das armadilhas de Satanás levar o povo a aceitar as fábulas do ateísmo; pois ele pode assim obscurecer a lei de Deus, em si mesma muito clara, e tornar audazes os homens para se rebelarem contra o governo divino. Seus esforços são especialmente dirigidos contra o quarto mandamento, porque tão claramente aponta para o Deus vivo, o Criador dos céus e da Terra. Há um esforço constante, feito com o fim de explicar a obra da criação, como resultado de causas naturais; e o raciocínio humano é aceito mesmo pelos cristãos professos, em oposição aos claros fatos escriturísticos. Muitos há que se opõem ao estudo das profecias, especialmente as de Daniel e Apocalipse, declarando serem tão obscuras que não podemos entendê-las; contudo estas mesmas pessoas recebem avidamente as suposições dos geólogos, em contradição com o registro mosaico. Mas se aquilo que Deus revelou é tão difícil de entender, quão incoerente é aceitar meras suposições com relação àquilo que Ele não revelou!
"As coisas encobertas são para o Senhor nosso Deus; porém, as reveladas são para nós e para nossos filhos para sempre." Deut. 29:29. Precisamente como Deus realizou a obra da criação, jamais Ele o revelou ao homem; a ciência humana não pode pesquisar os segredos do Altíssimo. Seu poder criador é tão incompreensível como a Sua existência.
Deus permitiu que uma inundação de luz fosse derramada sobre o mundo, tanto nas ciências como nas artes; mas quando professos cientistas tratam estes assuntos de um ponto de vista meramente humano, chegarão certamente a conclusões errôneas. Pode ser inofensivo pesquisar além do que a Palavra de Deus revelou, se nossas teorias não contradizem fatos encontrados nas Escrituras; mas aqueles que deixam a Palavra de Deus e procuram explicar Suas obras criadas por meio de princípios científicos, estão vagando sem mapa nem bússola em um oceano desconhecido. Os maiores espíritos, se não são guiados pela Palavra de Deus em sua pesquisa, desencaminham-se em suas tentativas de traçar as relações entre a ciência e a revelação. Visto acharem-se o Criador e Suas obras tão além de sua compreensão que são incapazes de os explicar pelas leis naturais, consideram a história bíblica como indigna de confiança. Os que duvidam da exatidão dos registros do Antigo e Novo Testamentos, serão levados um passo mais, e duvidarão da existência de Deus; e então, tendo perdido sua âncora, são abandonados a baterem de um lado para outro nas rochas da incredulidade.
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Estas pessoas perderam a simplicidade da fé. Deve haver uma fé estabelecida na autoridade divina da santa Palavra de Deus. A Bíblia não deve ser provada pelas idéias científicas de homens. O saber humano é um guia indigno de confiança. Céticos que lêem a Bíblia com o fim de cavilar, podem, mediante uma compreensão imperfeita, quer da ciência quer da revelação, pretender achar contradições entre elas; mas, corretamente entendidas, estão em perfeita harmonia. Moisés escreveu sob a guia do Espírito de Deus; e uma teoria correta de geologia nunca terá a pretensão de descobertas que não possam conciliar-se com suas declarações. Toda verdade, quer na Natureza quer na revelação, é coerente consigo mesma em todas as suas manifestações. Na Palavra de Deus surgem muitas perguntas que os mais profundos sábios jamais poderão responder. A atenção é chamada para estes assuntos, para nos mostrar, mesmo entre as coisas comuns da vida diária, quanta coisa há que mentes finitas, com toda a sua vangloriada sabedoria, jamais poderão compreender amplamente.
Contudo, homens de ciência julgam poder compreender a sabedoria de Deus, aquilo que Ele fez ou pode fazer. A idéia de que Ele é restrito pelas Suas próprias leis, prevalece largamente. Os homens ou negam ou ignoram a Sua existência, ou julgam explicar tudo, mesmo a operação de Seu Espírito sobre o coração humano; e não mais reverenciam o Seu nome nem temem o Seu poder. Não crêem no sobrenatural, não compreendendo as leis de Deus, ou o Seu poder infinito para executar Sua vontade por meio deles. Conforme é usualmente empregada, a expressão "leis da Natureza" compreende o que o homem tem podido descobrir com relação às leis que governam o mundo físico; mas quão limitado é o seu conhecimento, e quão vasto é o campo em que o Criador pode operar, em harmonia com Suas próprias leis, e todavia inteiramente além da compreensão de seres finitos! Muitos ensinam que a matéria possui força vital: que certas propriedades são comunicadas à matéria, e que então fica ela a agir por meio de sua própria energia inerente; e que as operações da Natureza são dirigidas de acordo com leis fixas, nas quais o próprio Deus não pode interferir. Isto é ciência falsa, e não é apoiado pela Palavra de Deus. A Natureza é serva de seu Criador. Deus não anula Suas leis, nem age contrariamente a elas; mas está continuamente a empregá-las como Seus instrumentos. A Natureza testifica de uma inteligência, de uma presença, de uma energia ativa, que opera em suas leis e por meio das mesmas leis. Há na Natureza a operação contínua do Pai e do Filho. Cristo diz: "Meu Pai trabalha até agora, e Eu trabalho também". João 5:17. Pág. 115
Os levitas, em seu hino registrado por Neemias, cantaram: "Tu só és Senhor, Tu fizeste o céu, o Céu dos céus, e todo o seu exército; a Terra e tudo quanto nela há; ... e Tu os guardas em vida a todos". Nee. 9:6.
Quanto ao que respeita a este mundo, a obra de Deus, da criação, está completa; pois as obras estavam "acabadas desde a fundação do mundo". Heb. 4:3. Mas a Sua energia ainda é exercida ao sustentar os objetivos de Sua criação. Não é porque o mecanismo, que uma vez fora posto em movimento, continue a agir por sua própria energia inerente que o pulso bate, que respiração se segue a respiração; mas cada respiração, cada pulsar do coração é uma prova daquele cuidado que tudo penetra, por parte dAquele em quem "vivemos, e nos movemos, e existimos". Atos 17:28. Não é por causa de um poder inerente que ano após ano a Terra produz seus dons, e continua seu movimento em redor do Sol. A mão de Deus guia os planetas, e os conserva em posição na sua marcha ordenada através dos céus. Ele "produz por conta o Seu exército", "a todas chama pelos seus nomes; por causa da grandeza das Suas forças, e pela fortaleza do Seu poder, nenhuma faltará". Isa. 40:26. É pelo Seu poder que a vegetação floresce, que as folhas aparecem e as flores desabrocham. Ele "faz produzir erva sobre os montes", e por Ele os vales se tornam férteis. Todos os animais da floresta buscam seu sustento de Deus (Sal. 147:8; 104:20 e 21), e toda a criatura vivente, desde o menor inseto até o homem, depende diariamente de Seu cuidado providencial. Tais são as belas palavras do salmista: "Todos esperam de Ti... Dando-lho Tu, eles o recolhem; abres a Tua mão, e enchem-se de bens". Sal. 104:27 e 28. Sua palavra governa os elementos; cobre os céus de nuvens, e prepara a chuva para a terra. "Dá a neve como lã, esparge a geada como cinza." Sal. 147:16. "Fazendo Ele soar a Sua voz, logo há arruído de águas no céu, e sobem os vapores da extremidade da Terra; Ele faz os relâmpagos para a chuva, e faz sair o vento dos seus tesouros." Jer. 10:13. Deus é o fundamento de todas as coisas. Toda verdadeira ciência está em harmonia com Suas obras; toda verdadeira educação conduz à obediência ao Seu governo. A ciência desvenda novas maravilhas à nossa vista; faz altos vôos, e explora novas profundidades; mas nada traz de suas pesquisas que esteja em conflito com a revelação divina. A ignorância pode procurar apoiar opiniões falsas a respeito de Deus apelando para a ciência; mas o livro da Natureza e a Palavra escrita derramam luz um sobre o Pág. 116