Patriarcas e Profetas

Ellen G. White · Capítulo 4 de 9 · parte 1/4

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Patriarcas e Profetas

pela vingança dos irmãos da mesma, pela…

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.

pela vingança dos irmãos da mesma, pela morte de Raquel, pelo crime desnatural de Rúben, pelo pecado de Judá, pelo engano e malícia cruéis praticados para com José - quão longo e tenebroso é o catálogo de males que se estende à vista! Muitas vezes colheu ele o fruto daquela primeira ação errada. Em freqüentes ocasiões viu repetir-se entre seus filhos os pecados de que ele próprio fora culpado. Mas, amarga como fora a disciplina, cumprira ela a sua obra. O castigo, se bem que atroz, produzira "um fruto pacífico de justiça".

A Inspiração registra fielmente as faltas de homens bons, daqueles que se distinguiram pelo favor de Deus; efetivamente, suas faltas são apresentadas de modo mais completo do que as virtudes. Isto tem sido objeto para a admiração de muitos e tem dado aos incrédulos ocasião para escarnecerem da Bíblia. É, porém, uma das mais fortes provas da verdade das Escrituras, não serem os fatos explicados de maneira que os favoreça, nem suprimidos os pecados de seus principais personagens. A mente dos homens é tão sujeita ao preconceito que não é possível serem as histórias humanas absolutamente imparciais. Houvesse a Bíblia sido escrita por pessoas não inspiradas, e teria sem dúvida apresentado o caráter de seus homens honrados sob uma luz mais lisonjeira. Mas, assim como é, temos um registro exato de suas experiências.

Homens a quem Deus favoreceu, e a quem confiou grandes responsabilidades, foram algumas vezes vencidos pela tentação, e cometeram pecado, mesmo como nós, presentemente, esforçamo-nos, vacilamos, e freqüentemente caímos em erro. Sua vida, com todas as suas faltas e loucuras, estão patentes diante de nós, tanto para a nossa animação como advertência. Se eles fossem representados como estando sem faltas, nós, com a nossa natureza pecaminosa, poderíamos desesperar-nos pelos nossos erros e fracassos. Mas, vendo onde outros lutaram através de desânimos semelhantes aos nossos, onde caíram sob a tentação como o temos feito, e como todavia se reanimaram e venceram pela graça de Deus, animemo-nos em nosso esforço para alcançar a justiça. Como eles, embora algumas vezes repelidos, recuperaram o terreno, e foram abençoados por Deus, assim nós também podemos ser vencedores na força de Jesus. De outro lado, o registro de sua vida pode servir como advertência para nós. Mostra que Deus de nenhuma maneira terá por inocente o culpado. Ele vê o pecado nos seus mais favorecidos, e trata com o mesmo neles mais estritamente até do que naqueles que têm menos luz e responsabilidade.

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Depois do sepultamento de Jacó, o temor encheu novamente o coração dos irmãos de José. Apesar de sua bondade para com eles, uma culpabilidade consciente fê-los desconfiados e suspeitosos. Poderia ser que tão-somente houvesse ele retardado a vingança por consideração a seu pai, e que agora por seu crime trouxesse sobre eles o castigo, por tanto tempo adiado. Não ousaram aparecer diante dele, pessoalmente, mas enviaram uma mensagem: "Teu pai mandou, antes da sua morte, dizendo: assim direis a José: Perdoa, rogo-te, a transgressão de teus irmãos, e o seu pecado, porque te fizeram mal; agora pois rogamos-te que perdoes a transgressão dos servos do Deus do teu pai." Esta mensagem afetou José até as lágrimas, e, animados com isto, seus irmãos vieram e prostraram-se diante dele, com as palavras: "Eis-nos aqui por teus servos." O amor de José por seus irmãos era profundo e abnegado, e ele ficou compungido com o pensamento de que o julgassem capaz de acariciar um espírito de vingança para com eles. "Não temais", disse ele, "porque porventura estou eu no lugar de Deus? Vós bem intentastes mal contra mim, porém Deus o tornou em bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar em vida um povo grande; agora pois não temais; eu vos sustentarei a vós e a vossos meninos." Gên. 50:16-21.

A vida de José ilustra a de Cristo. Foi a inveja que moveu os irmãos de José a vendê-lo como escravo; tiveram a esperança de impedir que se tornasse maior do que eles. E, quando foi levado para o Egito, lisonjearam-se de que não mais seriam perturbados com os seus sonhos; de que haviam removido toda a possibilidade de sua realização. Mas sua conduta foi dirigida por Deus a fim de levar a efeito o mesmo acontecimento que tencionavam impedir. Semelhantemente os sacerdotes e anciãos judeus estavam invejosos de Cristo, receando que deles atraísse a atenção do povo. Mataram-nO para impedir que se tornasse rei, mas estiveram desta maneira a efetuar este mesmo resultado. José, mediante seu cativeiro no Egito, tornou-se um salvador para a família de seu pai; contudo, este fato não diminuiu a culpa de seu irmãos. Semelhantemente, a crucificação de Cristo, pelos Seus inimigos, dEle fez o Redentor da humanidade, o Salvador de uma raça decaída, e Governador do mundo inteiro; mas o crime de Seus assassinos foi precisamente tão hediondo como se a mão providencial de Deus não houvesse dirigido os acontecimentos para Sua glória e o bem do homem. Assim como José foi vendido aos gentios por seus próprios irmãos, foi Cristo vendido aos piores de Seus inimigos por um

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de Seus discípulos. José foi acusado falsamente e lançado na prisão por causa de sua virtude; assim Cristo foi desprezado e rejeitado porque Sua vida justa, abnegada, era uma repreensão ao pecado; e, se bem que não tivesse a culpa de falta alguma, foi condenado pelo depoimento de testemunhas falsas. E a paciência e humildade de José sob a injustiça e a opressão, seu perdão pronto e a nobre benevolência para com seus irmãos desnaturados, representam o resignado sofrimento do Salvador, pela malícia e maus-tratos de homens ímpios, e Seu perdão não somente aos Seus assassinos, mas a todos que a Ele têm vindo confessando seus pecados e buscando perdão. José sobreviveu a seu pai cinqüenta e quatro anos. Viveu até ver "os filhos de Efraim, da terceira geração; também os filhos de Maquir, filho de Manassés, nasceram sobre os joelhos de José". Gên. 50:23. Ele testemunhou o aumento e prosperidade de seu povo, e através de todos os anos permaneceu inabalável sua fé de que Deus restauraria a Israel a Terra da Promessa. Quando viu que seu fim estava perto, convocou os parentes ao redor de si. Conquanto houvesse sido honrado na terra dos Faraós, o Egito para ele não era senão lugar de seu exílio; seu último ato deveria significar que sua sorte fora lançada com Israel. Foram suas últimas palavras: "Deus certamente vos visitará, e vos fará subir desta terra para a terra que jurou a Abraão, a Isaque e a Jacó." E obteve um juramento solene dos filhos de Israel de que levariam seus ossos consigo à terra de Canaã. "E morreu José da idade de cento e dez anos; e o embalsamaram, e o puseram num caixão no Egito." Gên. 50:24 e 26. E por todos os séculos de labutas que se seguiram, aquele ataúde, lembrança das derradeiras palavras de José, testificou a Israel de que apenas eram peregrinos no Egito, e ordenava-lhes conservar fixas as suas esperanças na Terra da Promessa, pois que o tempo do livramento certamente haveria de vir.

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Moisés

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O povo do Egito, a fim de suprir-se de alimento durante a fome, vendera à coroa seu gado e terras, e finalmente prendera-se à servidão perpétua. José proveu sabiamente o seu livramento; permitiu-lhes que se tornassem arrendatários reais, conservando as terras do rei, e pagando um tributo anual de um quinto dos produtos de seu trabalho.

Mas os filhos de Jacó não estavam na necessidade de adotar essas condições. Por causa do serviço que José prestara à nação egípcia, não somente lhes foi concedida uma parte do país como morada, mas estiveram isentos de imposto, e foram liberalmente supridos de alimento enquanto perdurou a fome. O rei publicamente reconhecia que fora pela misericordiosa interferência do Deus de José que o Egito desfrutava abundância, enquanto outras nações estavam a perecer de fome. Via, também, que a administração de José havia enriquecido grandemente o reino, e sua gratidão cercou a família de Jacó do favor real.

Mas, passando-se o tempo, o grande homem a quem o Egito tanto devia, e a geração abençoada pelos seus labores, desceram ao túmulo. E "levantou-se um novo rei sobre o Egito, que não conhecera a José". Não que ignorasse os serviços de José à nação, mas não desejava reconhecê-los, e, quanto possível, queria sepultá-lo no olvido. "Eis que o povo dos filhos de Israel é muito, e mais poderoso do que nós. Eia, usemos sabiamente para com ele, para que não se multiplique, e aconteça que, vindo guerra, ele também se ajunte com os nossos inimigos, e peleje contra nós, e suba da terra." Êxo. 1:8-10.

Os israelitas já se haviam tornado muito numerosos; "frutificaram, e aumentaram muito, e multiplicaram-se, e foram

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fortalecidos grandemente; de maneira que a terra se encheu deles". Sob o cuidado amparador de José, e o favor do rei que então governava, tinham-se eles espalhado rapidamente pelo país. Mas haviam-se conservado como uma raça distinta, nada tendo em comum com os egípcios, nos costumes, ou na religião; e seu número crescente despertava agora os temores do rei e de seu povo, não acontecesse em caso de guerra se unissem eles com os inimigos do Egito. Contudo, a prudência vedava o seu banimento do país. Muitos deles eram hábeis e inteligentes operários, e contribuíam grandemente para a riqueza da nação; o rei necessitava de tais trabalhadores para a construção de seus magnificentes palácios e templos. Por isso, ele os equiparou aos egípcios que, com suas posses, se haviam vendido ao reino. Logo foram postos sobre eles maiorais de tarefas, e tornou-se completa a sua escravidão. "E os egípcios faziam servir os filhos de Israel com dureza; assim lhes fizeram amargar a vida, com dura servidão, em barro e em tijolos, e com todo o trabalho no campo; com todo o serviço, em que os serviam com dureza." "Mas quanto mais o afligiam, tanto mais se multiplicava, e tanto mais crescia." Êxo. 1:7, 13 e 12.

O rei e seus conselheiros tiveram a esperança de subjugar os israelitas com rude trabalho, e assim diminuir seu número e aniquilar-lhes o espírito independente. Fracassando na realização de seu propósito, recorreram a medidas mais cruéis. Foram expedidas ordens às mulheres cujo emprego lhes dava oportunidade para executar o mandado, a fim de destruírem as crianças hebréias do sexo masculino ao nascerem. Satanás foi o instigador disto. Sabia que um libertador deveria levantar-se entre os israelitas; e, levando o rei a destruir seus filhos, esperava frustrar o propósito divino. As mulheres, porém, temiam a Deus, e não ousavam executar o cruel mandado. O Senhor aprovou o procedimento delas, e prosperou-as. O rei, irado pelo fracasso de seu desígnio, tornou a ordem mais insistente e ampla. A nação inteira foi chamada a dar caça e a matar as suas vítimas indefesas. "Então ordenou Faraó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que nascerem lançareis no rio, mas a todas as filhas guardareis com vida." Êxo. 1:22.

Enquanto este decreto estava em pleno vigor, um filho foi nascido a Anrão e Joquebede, israelitas devotos da tribo de Levi. A criança era "um menino formoso" (Êxo. 2:2); e os pais, crendo que o tempo do libertamento de Israel se estava aproximando, e que Deus levantaria um libertador para Seu povo, resolveram que seu

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filhinho não fosse sacrificado. A fé em Deus fortalecia o seu coração, "e não temeram o mandamento do rei". Heb. 11:23.

A mãe conseguiu esconder a criança durante três meses. Então, achando que não mais a poderia conservar sem perigo, preparou uma pequena arca de junco, tornando-a impermeável por meio de betume e piche; e, pondo nela a criança, colocou-a entre os juncos, à margem do rio. Não ousou ficar para vigiá-la, com receio de que a vida da criança e a sua própria vida se perdessem; mas sua irmã Miriã, deteve-se perto, aparentemente indiferente, mas observando ansiosa para ver o que seria de seu irmãozinho. E havia outros vigias. As orações fervorosas da mãe haviam confiado seu filho ao cuidado de Deus; e anjos, invisíveis, pairavam por sobre o seu humilde lugar de descanso. Os anjos encaminharam a filha de Faraó para ali. Sua curiosidade foi provocada pela pequena cesta, e, ao olhar para a linda criança que dentro estava, leu a história num relance. As lágrimas do bebê despertara-lhe a compaixão, e suas simpatias se estenderam à mãe desconhecida que recorrera a tal meio para preservar a vida de seu precioso pequerrucho. Resolveu que ele deveria ser salvo; ela o adotaria como seu.

Miriã estivera a notar secretamente tudo que se passava; percebendo que a criança era olhada com ternura, arriscou-se a aproximar-se, e disse finalmente: "Irei eu a chamar uma ama das hebréias, que crie este menino para ti?" Êxo. 2:7. E a permissão foi dada. A irmã correu para a mãe com a feliz nova, e sem demora voltou com ela à presença da filha de Faraó. "Leva este menino, e cria-mo; eu te darei teu salário", disse a princesa. Êxo. 2:9. Deus tinha ouvido as orações da mãe; fora recompensada a sua fé. Com profunda gratidão foi que ela deu início à sua tarefa, agora sem perigos e feliz. Fielmente aproveitou a oportunidade para educar seu filho para Deus. Confiava em que ele fora preservado para alguma grande obra, e sabia que breve deveria ser entregue à sua régia mãe, para ser cercado de influências que tenderiam a desviá-lo de Deus. Tudo isto a tornava mais diligente e cuidadosa em sua instrução do que na dos demais filhos. Esforçou-se por embeber seu espírito com o temor de Deus e com o amor à verdade e justiça, e fervorosamente orava para que ele

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pudesse preservar-se de toda a influência corruptora. Mostrou-lhe a loucura e o pecado da idolatria, e cedo o ensinou a curvar-se e a orar ao Deus vivo, que unicamente poderia ouvi-lo e auxiliá-lo em toda a emergência.

Ela conservou consigo o rapaz tanto quanto pôde; foi, porém, obrigada a entregá-lo quando ele teve aproximadamente doze anos. Foi levado de sua humilde choupana ao palácio real, para a filha de Faraó, e se tornou seu filho. Contudo, mesmo ali, ele não perdeu as impressões recebidas na infância. As lições aprendidas ao lado de sua mãe, não as esquecia. Eram uma proteção contra o orgulho, a incredulidade e o vício, que cresciam por entre os esplendores da corte. De que grande alcance em seus resultados foi a influência daquela mãe hebréia, sendo ela entretanto uma exilada e escrava! Toda a vida futura de Moisés, a grande missão que ele cumpriu como chefe de Israel, testificam da importância da obra de uma mãe cristã. Não há outro trabalho que possa igualar a este. Em parte muito grande, a mãe tem nas mãos o destino de seus filhos. Ela trata com mentes e caracteres em desenvolvimento, trabalhando não somente para o tempo, mas para a eternidade. Está a semear sementes que brotarão e frutificarão, quer para o bem quer para o mal. Ela não tem a desenhar formas de beleza na tela, ou esculpi-las no mármore, mas imprimir na alma humana a imagem do divino. Especialmente durante os primeiros anos recai sobre ela a responsabilidade de formar o caráter de seus filhos. As impressões então produzidas na mente destes, em desenvolvimento, permanecerão com eles por toda a vida. Os pais devem dirigir a instrução e ensino de seus filhos enquanto muito pequenos, com o objetivo de poderem eles ser cristãos. São postos sob o nosso cuidado para serem ensinados, não como herdeiros do trono de um reino terrestre, mas como reis para Deus, a fim de reinarem pelos séculos eternos.

Que toda mãe sinta serem inapreciáveis os seus momentos; sua obra será provada no dia solene do ajuste de contas. Achar-se-á então que muitos dos fracassos e crimes de homens e mulheres, resultaram da ignorância ou negligência daqueles cujo dever era guiar os pés infantis no caminho direito. Ver-se-á então que muitos que têm abençoado o mundo com a luz do gênio, da verdade e santidade, devem os princípios que foram a mola mestra de sua influência e êxito, a uma mãe cristã, que orava.

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Na corte de Faraó, Moisés recebeu o mais elevado ensino civil e militar. O rei resolvera fazer de seu neto adotivo o seu sucessor no trono, e o jovem foi educado para a sua elevada posição. "E Moisés foi instruído em toda a ciência dos egípcios; e era poderoso em suas palavras e obras." Atos 7:22. Sua habilidade como chefe militar tornou-o favorito dos exércitos do Egito, e era geralmente considerado personagem notável. Satanás fora derrotado em seu propósito. O mesmo decreto que condenava as crianças hebréias à morte, tinha sido encaminhado por Deus de modo a favorecer o ensino e educação do futuro chefe de Seu povo.

Os anciãos de Israel foram instruídos pelos anjos de que o tempo para o seu libertamento estava próximo, e que Moisés era o homem que Deus empregaria para realizar esta obra. Os anjos também instruíam a Moisés quanto a havê-lo Jeová escolhido para quebrar o cativeiro de Seu povo. Supondo que deveriam obter sua liberdade, pela força das armas, tinha ele a expectativa de levar o exército hebreu contra as hostes do Egito e, tendo isto em vista, prevenia-se contra suas afeições, receando que, pelo seu apego à mãe adotiva ou a Faraó, não estivesse livre para fazer a vontade de Deus. Pelas leis do Egito, todos os que ocupavam o trono dos Faraós deviam fazer-se membros da sacerdócio; e Moisés, como o herdeiro presumível, deveria iniciar-se nos mistérios da religião nacional. Este dever foi confiado aos sacerdotes. Mas, ao mesmo tempo em que era um estudante ardoroso e incansável, não pôde ser induzido a participar do culto aos deuses. Foi ameaçado com a perda da coroa, e advertiu-se-lhe de que seria repudiado pela princesa caso persistisse em sua adesão à fé hebréia. Mas ele foi inabalável em sua decisão de não prestar homenagem a não ser ao único Deus, o Criador do céu e da Terra. Arrazoava com os sacerdotes e adoradores, mostrando a loucura de sua veneração supersticiosa a objetos insensíveis. Ninguém lhe podia refutar os argumentos nem mudar o propósito; contudo, provisoriamente foi tolerada a sua firmeza, por causa de sua elevada posição, e do favor em que era tido pelo rei, bem como pelo povo.

"Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros Pág. 246

do Egito; porque tinha em vista a recompensa." Heb. 11:24-26. Moisés estava em condições para ter preeminência entre os grandes da Terra, para brilhar nas cortes do mais glorioso dentre os reinos e para empunhar o cetro do poder. Sua grandeza intelectual o distingue, acima dos grandes homens de todos os tempos. Como historiador, poeta, filósofo, general de exércitos e legislador, não tem par. Todavia, com o mundo diante de si, teve a força moral para recusar as lisonjeiras perspectivas da riqueza, grandeza e fama, "escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado".

Moisés fora instruído com relação à recompensa final a ser dada aos humildes e obedientes servos de Deus, e as vantagens mundanas tombaram na insignificância que lhes é própria em comparação com aquela recompensa. O palácio luxuoso de Faraó e seu trono foram apresentados como um engano a Moisés; sabia ele, porém, que os prazeres pecaminosos que fazem os homens se esquecerem de Deus, achavam-se nos palácios senhoriais. Ele olhava para além do magnífico palácio, para além da coroa do rei, para as altas honras que serão conferidas aos santos do Altíssimo, em um reino incontaminado pelo pecado. Viu pela fé uma coroa incorruptível que o Rei do Céu colocaria sobre a fronte do vencedor. Esta fé o levou a desviar-se dos nobres da Terra, e unir-se à nação humilde, pobre e desprezada que preferira obedecer a Deus a servir ao pecado. Moisés ficou na corte até a idade de quarenta anos. Seus pensamentos volviam muitas vezes à condição vil de seu povo, e visitava os irmãos em sua servidão, e os animava com a segurança de que Deus agiria em seu livramento. Muitas vezes, compungindo até à indignação à vista da injustiça e opressão, ardia por vingar suas afrontas. Um dia, em que estava fora, vendo um egípcio ferir um israelita, lançou-se entre eles e matou o egípcio. Exceto o israelita, não houvera testemunha dessa ação; e Moisés imediatamente sepultou o corpo na areia. Ele se mostrara agora pronto para sustentar a causa de seu povo, e esperava vê-los levantar-se a fim de recuperar sua liberdade. "Ele cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus lhes havia de dar a liberdade pela sua mão; mas eles não entenderam." Atos 7:25. Ainda não estavam preparados para a liberdade. No dia seguinte Moisés viu dois hebreus que contendiam entre si, estando

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um deles evidentemente em falta, Moisés reprovou o delinqüente, que logo se desforrou daquele que o reprovava, negando o seu direito de intervir, e vilmente acusando-o de crime. "Quem te tem posto a ti por maioral e juiz sobre nós?" disse ele. "Pensas matar-me, como mataste ao egípcio?" Êxo. 2:14.

Toda a questão depressa se tornou conhecida pelos egípcios, e, grandemente exagerada, logo chegou aos ouvidos de Faraó. Fez-se parecer ao rei que este ato significava muito; que Moisés tencionava levar seu povo contra os egípcios, subverter o governo, e sentar-se no trono; e que não poderia haver segurança para o reino enquanto ele vivesse. De pronto foi resolvido pelo rei que ele morresse; mas, apercebendo-se de seu perigo, escapou, e fugiu rumo da Arábia. O Senhor dirigiu os seus passos, e ele encontrou acolhida em casa de Jetro, sacerdote e príncipe de Midiã, que também era adorador de Deus. Depois de algum tempo, Moisés desposou uma das filhas de Jetro; e ali, ao serviço de seu sogro, como guardador de seus rebanhos, permaneceu quarenta anos. Matando o egípcio, Moisés caíra no mesmo erro tantas vezes cometido por seus pais, de tomar nas próprias mãos a obra que Deus prometera fazer. Não era vontade de Deus libertar o Seu povo pela guerra, como Moisés pensava, mas pelo Seu próprio grande poder, para que a glória Lhe fosse atribuída a Ele tão-somente. Todavia, mesmo este ato precipitado foi ainda encaminhado por Deus a fim de cumprir Seus propósitos. Moisés não estava preparado para a sua grande obra. Tinha ainda a aprender a mesma lição de fé que havia sido ensinada a Abraão e Jacó - não confiar na força e sabedoria humanas, mas no poder de Deus, para o cumprimento de Suas promessas. E havia outras lições que, em meio da solidão das montanhas, devia Moisés receber. Na escola da abnegação e dificuldades, ele devia aprender a paciência, a moderar as suas paixões. Antes que pudesse governar sabiamente, devia ser ensinado a obedecer. Seu coração devia estar completamente em harmonia com Deus, antes de poder ele ensinar o conhecimento de Sua vontade a Israel. Pela sua própria experiência devia estar preparado a exercer um cuidado paternal sobre todos os que necessitavam de seu auxílio. O homem teria dispensado aquele longo período de labuta e obscuridade, julgando-o uma grande perda de tempo. Mas a Sabedoria infinita chamou aquele que se tornaria o dirigente de Seu povo, a passar quarenta anos no humilde trabalho de pastor. Os

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hábitos de exercer o cuidado, do esquecimento de si mesmo, e de terna solicitude pelo seu rebanho, assim desenvolvidos, prepará-lo-iam a tornar-se o compassivo e longânimo pastor de Israel. Proveito algum que o ensino ou a cultura humana pudessem outorgar, poderia ser um substituto para esta experiência.

Moisés estivera a aprender muito que tinha de desaprender. As influências que o haviam cercado no Egito - o amor de sua mãe adotiva, sua própria posição elevada como o neto do rei, a dissipação de todos os lados, o requinte, a subtileza e o misticismo de uma religião falsa, o esplendor de um culto idólatra, a solene grandiosidade da arquitetura e escultura - tudo deixara profundas impressões em sua mente em desenvolvimento, e modelara, até certo ponto, seus hábitos e caráter. O tempo, a mudança de ambiente e a comunhão com Deus podiam remover estas impressões. Renunciar o erro e aceitar a verdade requeria da parte de Moisés mesmo uma luta tremenda; mas Deus seria seu auxiliador quando o conflito fosse demasiado severo para a força humana. Em todos os que têm sido escolhidos para cumprir uma obra para Deus, vê-se o elemento humano. Todavia não foram homens de hábitos e caráter estereotipados, que estavam satisfeitos com permanecer naquela condição. Fervorosamente desejavam obter sabedoria de Deus, e aprender a trabalhar para Ele. Diz o apóstolo: "Se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada." Tia. 1:5. Deus, porém, não comunicará aos homens luz divina, enquanto estiverem contentes com permanecerem em trevas. A fim de receber o auxílio de Deus, o homem deve compenetrar-se de sua fraqueza e deficiência; deve aplicar seu próprio espírito na grande mudança a ser operada em si; deve despertar para a oração e esforço fervorosos e perseverantes. Maus hábitos e costumes devem ser repelidos; e é apenas pelo esforço decidido no sentido de corrigir tais erros, e conformar-nos aos princípios retos, que a vitória pode ser ganha. Muitos jamais atingem a posição que poderiam ocupar, porque esperam que Deus faça por eles aquilo que Ele lhes deu poder para fazerem por si mesmos. Todos os que se habilitam a ser úteis devem ser adestrados pela mais severa disciplina mental e moral; e Deus os ajudará, unindo o poder divino ao esforço humano.

Encerrado nas fortificações das montanhas, Moisés estava a Pág. 251

sós com Deus. Os templos magnificentes do Egito não mais lhe impressionavam o espírito, com sua superstição e falsidade. Na grandiosidade solene das colinas eternas via ele a majestade do Altíssimo, e em contraste compreendia quão impotentes e insignificantes eram os deuses do Egito. Por toda parte estava escrito o nome do Criador. Moisés parecia achar-se em Sua presença, e à sombra de Seu poder. Ali o seu orgulho e presunção foram varridos. Na simplicidade severa de sua vida no deserto, os resultados do ócio e luxo do Egito desapareceram. Moisés tornou-se paciente, reverente e humilde, "mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a Terra" (Núm. 12:3), e, contudo, forte na fé que ele tinha no poderoso Deus de Jacó.

Enquanto os anos se passavam, e vagueava ele com seus rebanhos nos lugares solitários, ponderando na situação opressa de seu povo, reconsiderava o trato de Deus para com seus pais e as promessas que eram a herança da nação escolhida, e suas orações por Israel ascendiam de dia e de noite. Anjos celestiais derramavam sua luz em redor dele. Ali, sob a inspiração do Espírito Santo, escreveu o livro do Gênesis. Os longos anos passados nas solidões do deserto foram ricos de bênçãos, não somente para Moisés e seu povo, mas para o mundo em todos os séculos subseqüentes. "E aconteceu depois de muitos destes dias, morrendo o rei do Egito, que os filhos de Israel suspiraram por causa da servidão, e clamaram; e o seu clamor subiu a Deus por causa da sua servidão. E ouviu Deus o seu gemido, e lembrou-se Deus do Seu concerto com Abraão, com Isaque, e com Jacó; e atentou Deus para os filhos de Israel, e conheceu-os Deus." Êxo. 2:23-25. Era vindo o tempo para o livramento de Israel. Mas o propósito de Deus devia cumprir-se de maneira a lançar o desdém sobre o orgulho humano. O libertador devia ir como um humilde pastor, apenas com uma vara na mão; Deus, porém, faria daquela vara o símbolo de Seu poder. Guiando seus rebanhos um dia perto de Horebe, "o monte de Deus" (Êxo. 3:1), Moisés viu uma sarça em chamas, estando ramos, folhagem e tronco tudo a arder, não parecendo todavia consumir-se. Aproximou-se para ver a maravilhosa cena, quando uma voz da labareda o chamou pelo nome. Com lábios trêmulos respondeu: "Eis-me aqui." Advertiu-se-lhe que não se aproximasse irreverentemente: "Tira os teus sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa. ... Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó." Êxo. 3:4-6.

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Êxo. 3; 4:1-26. Era Aquele que, como o Anjo do concerto, Se revelara aos pais nos séculos passados. "E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus." Gên. 28:17. A humildade e a reverência devem caracterizar o comportamento de todos os que vão à presença de Deus. Em nome de Jesus podemos ir perante Ele com confiança; não devemos, porém, aproximar-nos dEle com uma ousadia presunçosa, como se Ele estivesse no mesmo nível que nós outros. Há os que se dirigem ao grande, Todo-poderoso e santo Deus, que habita na luz inacessível, como se se dirigissem a um igual, ou mesmo inferior. Há os que se portam em Sua casa conforme não imaginariam fazer na sala de audiência de um governador terrestre. Tais devem lembrar-se de que se acham à vista dAquele a quem serafins adoram, perante quem os anjos velam o rosto. Deus deve ser grandemente reverenciado; todos os que em verdade se compenetram de Sua presença, prostrar-se-ão com humildade perante Ele, e, como Jacó, ao contemplar a visão de Deus, exclamarão: "Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; esta é a porta dos Céus." Esperando Moisés, com um temor reverente, diante de Deus, continuaram as palavras: "Tenho visto atentamente a aflição do Meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores. Portanto desci para livrá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra, a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel. ... Vem agora, pois, e Eu te enviarei a Faraó, para que tires o Meu povo [os filhos de Israel] do Egito." Êxo. 3:7, 8 e 10. Admirado e aterrorizado com a ordem, Moisés recuou, dizendo: "Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?" A resposta foi: "Certamente Eu serei contigo; e isto te será por sinal de que Eu te enviei: Quando houveres tirado este povo do Egito, servireis a Deus neste monte." Êxo. 3:11 e 12. Moisés pensou nas dificuldades que seriam encontradas, na cegueira, ignorância e incredulidade de seu povo, muitos dos quais estavam quase destituídos do conhecimento de Deus. "Eis que quando vier aos filhos de Israel", disse ele, "e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós, e eles me disserem: qual é o Seu

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nome? Que lhes direi?" A resposta foi: "EU SOU O QUE SOU." "Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós." Êxo. 3:13 e 14.

Moisés recebeu ordem de congregar primeiramente os anciãos de Israel, os mais nobres e justos entre eles, os quais desde muito se haviam afligido por causa de seu cativeiro, e declarar-lhes uma mensagem de Deus, com uma promessa de livramento. Devia então ir com os anciãos perante o rei, e dizer-lhe:

"O Deus dos hebreus nos encontrou; portanto, deixa-nos agora ir caminho de três dias no deserto, para que ofereçamos sacrifícios ao Senhor." Êxo. 3:18.

Moisés fora prevenido de que Faraó resistiria ao apelo de deixar ir Israel. Todavia a coragem do servo de Deus não devia faltar; pois o Senhor com isto aproveitaria a ocasião para manifestar Seu poder perante os egípcios e perante o Seu povo. "Eu estenderei a Minha mão, e ferirei ao Egito com todas as Minhas maravilhas que farei no meio dele; depois vos deixará sair." Êxo. 3:20. Foram também dadas instruções quanto às provisões que deviam fazer para a viagem. O Senhor declarou: "Acontecerá que, quando sairdes, não saireis vazios, porque cada mulher pedirá à sua vizinha, e à sua hóspeda, vasos de prata, e vasos de ouro, e vestidos." Êxo. 3:21 e 22. Os egípcios tinham enriquecido pelo trabalho injustamente exigido dos israelitas, e como estes estavam para partir em viagem para a sua nova morada, era justo que reclamassem a recompensa de seus anos de labuta. Deviam pedir artigos de valor, que pudessem ser facilmente transportados, e Deus lhes daria graça aos olhos dos egípcios. Os grandes prodígios operados para o seu livramento, aterrorizariam os opressores, de maneira que o pedido dos escravos seria satisfeito. Moisés viu diante de si dificuldades que pareciam insuperáveis. Que prova poderia ele dar a seu povo de que Deus na verdade o enviara? "Eis que me não crerão", disse ele, "nem ouvirão a minha voz, porque dirão: O Senhor não te apareceu." Provas que apelavam aos seus sentidos foram-lhe então dadas. Foi-lhe dito que atirasse sua vara ao chão. Fazendo-o ele, "tornou-se em cobra"; "e Moisés fugia dela". Recebeu ordem de apanhá-la, e em sua mão se tornou em vara. Foi-lhe Pág. 254

mandado pôr a mão no seio. Obedeceu, "e, tirando-a, eis que sua mão estava leprosa, branca como a neve". Êxo. 4:1-6. Dizendo-se-lhe que de novo a pusesse no seio, viu, ao retirá-la que se tornara como a outra. Por estes sinais o Senhor assegurou a Moisés que Seu povo bem como Faraó convencer-se-iam de que um Ser mais poderoso do que o rei do Egito Se manifestava entre eles. Mas o servo de Deus ainda se deixava vencer pelo pensamento da estranha e maravilhosa obra que diante dele estava. Em sua aflição e temor, agora alegava como desculpa a falta de uma fala desembaraçada: "Ah Senhor! eu não sou homem eloqüente, nem de ontem nem de anteontem, nem ainda desde que tens falado a Teu servo; porque sou pesado de boca e pesado de língua." Êxo. 4:10. Durante tanto tempo havia ele estado afastado dos egípcios, que não tinha um conhecimento tão claro e um uso tão pronto da língua, como quando estivera entre eles. O Senhor lhe disse: "Quem fez a boca do homem? ou quem fez o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou Eu, o Senhor?" A isto acrescentou-se outra segurança do auxílio divino: "Vai pois agora, e Eu serei com a tua boca, e te ensinarei o que hás de falar." Êxo. 4:11 e 12. Mas Moisés ainda rogou que fosse escolhida uma pessoa mais competente. Estas escusas a princípio procederam da humildade e retraimento; mas depois que o Senhor prometera remover todas as dificuldades, e dar-lhe afinal o êxito, qualquer nova recusa e queixa a respeito de sua inaptidão, mostravam falta de confiança em Deus. Isto envolvia um receio de que Deus fosse incapaz de habilitá-lo para a grande obra, para a qual o chamara, ou de que houvesse Ele cometido um erro na escolha do homem. Moisés então foi mandado ir ter com Arão, seu irmão mais velho, que, tendo estado em uso diário da língua dos egípcios, podia falá-la perfeitamente. Foi-lhe dito que Arão vinha ao seu encontro. As palavras seguintes do Senhor foram uma ordem positiva: "Tu lhe falarás e porás as palavras na sua boca; Eu serei com a tua boca, e com a sua boca, ensinando-vos o que haveis de fazer. E ele falará por ti ao povo; e acontecerá que ele te será por boca, e tu lhe serás por Deus. Toma pois esta vara na tua mão, com que farás os sinais." Êxo. 4:15-17. Moisés não mais poderia opor resistência; pois todo o motivo de escusa fora removido. Pág. 255

A ordem divina dada a Moisés encontrou-o sem confiança em si, tardo no falar, e tímido. Sentia-se vencido pela intuição de sua incapacidade de ser o porta-voz de Deus para Israel. Havendo, porém, aceito o trabalho, deu-lhe início com todo o coração, depositando toda a confiança no Senhor. A grandeza de sua missão chamava à atividade as melhores faculdades de seu espírito. Deus lhe abençoou a pronta obediência, e ele se tornou eloqüente, esperançoso e senhor de si, e bem adaptado para a maior obra que já foi entregue ao homem. Isto é um exemplo do que Deus faz para fortalecer o caráter daqueles que nEle confiam amplamente, e dar-lhes, sem reserva, as Suas ordens. O homem adquirirá força e eficiência ao aceitar as responsabilidades que Deus põe sobre ele, e procurar de toda sua alma qualificar-se para dela se desincumbir devidamente. Por humilde que seja a sua posição ou limitada a sua habilidade, atingirá a verdadeira grandeza o homem que, confiando na força divina, procura efetuar sua obra com fidelidade. Houvesse Moisés confiado em sua própria força e sabedoria, e com avidez aceito o grande encargo, e teria evidenciado sua completa inaptidão para tal obra. O fato de que um homem sente a sua fraqueza, é ao menos alguma prova de que ele se compenetra da magnitude da obra a ele designada, e de que fará de Deus seu conselheiro e força. Moisés voltou a seu sogro, e exprimiu o desejo de visitar seus irmãos no Egito. Jetro deu-lhe consentimento, com a bênção: "Vai em paz". Êxo. 4:18. Com a esposa e os filhos, Moisés pôs-se em caminho. Não ousara dar a conhecer o objetivo de sua missão, receando não fosse permitido que o acompanhassem. Antes de chegar ao Egito, entretanto, ele mesmo achou melhor, para segurança deles, mandá-los voltar para casa, em Midiã.

Um temor secreto de Faraó e dos egípcios, cuja ira se acendera contra ele quarenta anos antes, tornara Moisés ainda mais relutante em voltar ao Egito; mas, depois que se dispusera a obedecer à ordem divina, o Senhor lhe revelou que seus inimigos eram mortos. Em caminho, quando vinha de Midiã, Moisés recebeu uma advertência assustadora e terrível, a respeito do desagrado do Senhor. Um anjo apareceu-lhe de maneira ameaçadora, como se o fosse imediatamente destruir. Explicação alguma se dera; Moisés, porém, lembrou-se de que havia desatendido um dos mandos de Deus; cedendo à persuasão de sua esposa, negligenciara Pág. 256

efetuar o rito da circuncisão em seu filho mais moço. Deixara de satisfazer a condição pela qual seu filho poderia ter direito às bênçãos do concerto de Deus com Israel; e tal negligência por parte do dirigente escolhido de Israel não poderia senão diminuir a força dos preceitos divinos sobre o povo. Zípora, temendo que seu marido fosse morto, efetuou ela mesma o rito, e o anjo então permitiu a Moisés que prosseguisse com a jornada. Em sua missão junto a Faraó, devia Moisés ser colocado em posição de grande perigo; sua vida unicamente podia preservar-se pela proteção de santos anjos. Enquanto vivesse, porém, na negligência de um dever conhecido, não estaria livre de perigo; pois que não poderia estar protegido pelos anjos de Deus.

No tempo de angústia, precisamente antes da vinda de Cristo, os justos serão preservados pelo ministério de anjos celestiais; não haverá segurança para o transgressor da lei de Deus. Os anjos não poderão proteger, então, aqueles que estão a desrespeitar um dos preceitos divinos. 23

As Pragas do Egito

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Arão, sendo instruído pelos anjos, saiu ao encontro de seu irmão, de quem estivera tanto tempo separado; e encontraram-se em meio da solidão do deserto, perto de Horebe. Ali conversaram, e Moisés disse a Arão "todas as palavras do Senhor, que o enviara, e todos os sinais que lhe mandara". Êxo. 4:28. Juntos viajaram para o Egito; e, tendo chegado à terra de Gósen, puseram-se a congregar os anciãos de Israel. Arão referira-lhes todo o trato de Deus para com Moisés, e então os sinais que Deus dera a Moisés foram exibidos perante o povo. "O povo creu; e ouviram que o Senhor visitava aos filhos de Israel, e que via sua aflição; e inclinaram-se e adoraram." Êxo. 4:31. Moisés fora também encarregado de uma mensagem ao rei. Os dois irmãos entraram no palácio dos Faraós como embaixadores do Rei dos reis, e em Seu nome falaram: "Assim diz o Senhor Deus de Israel: Deixa ir o Meu povo, para que Me celebre uma festa no deserto." Êxo. 5:1. "Quem é o Senhor, cuja voz Eu ouvirei, para deixar ir Israel?" perguntou o rei; "não conheço o Senhor, nem tão pouco deixarei ir Israel." Êxo. 5:2.

A resposta deles foi: "O Deus dos hebreus nos encontrou; portanto deixa-nos agora ir caminho de três dias ao deserto, para que ofereçamos sacrifícios ao Senhor e Ele não venha sobre nós com pestilência ou com espada." Êxo. 5:3.

As notícias a respeito deles e do interesse que estavam provocando entre o povo, já haviam atingido o rei. Sua ira se acendeu. "Moisés e Arão, por que fazeis cessar o povo das suas obras?" disse ele; "ide a vossas cargas." Já havia o reino sofrido perda pela interferência desses estrangeiros. Pensando nisto ele acrescentou: "Eis que o povo da terra já é muito, e vós os fazeis abandonar as suas cargas." Êxo. 5:4 e 5.

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Em seu cativeiro tinham os israelitas até certo ponto perdido o conhecimento da lei de Deus, e haviam-se afastado de seus preceitos. O sábado tinha sido geralmente desrespeitado, e as cobranças dos maiorais de tarefas tornaram sua observância aparentemente impossível. Mas Moisés mostrara a seu povo que a obediência a Deus era a primeira condição de livramento; e os esforços feitos para restaurar a observância do sábado vieram a ser notados pelos seus opressores. O rei, inteiramente desperto, suspeitou dos israelitas o intuito de se revoltarem de seu serviço. O descontentamento era o resultado da ociosidade; ele faria com que nenhum tempo lhes fosse deixado para se formularem planos perigosos. E imediatamente adotou medidas para cerrar os seus vínculos e aniquilar o seu espírito independente. No mesmo dia foram expedidas ordens que tornassem seu trabalho ainda mais cruel e opressivo. O material de construção mais comum naquele país era o tijolo cozido ao sol; dele eram feitas as paredes dos mais belos edifícios, e então forradas com pedra; e a manufatura do tijolo empregava grande número de escravos. Sendo palha cortada misturada com barro, a fim de o segurar, grandes quantidades de palha eram necessárias para este trabalho; o rei determinou então que não mais se fornecesse palha; os trabalhadores deviam procurá-la por si mesmos, sendo-lhes, porém, exigida a mesma quantidade de tijolo.

Esta ordem produziu grande aflição entre os israelitas, por toda a terra. Os maiorais de tarefa egípcios tinham indicado oficiais hebreus para fiscalizar o trabalho do povo, e estes oficiais eram responsáveis pelo trabalho efetuado pelos que estavam sob o seu encargo. Quando o mandado do rei entrou em vigor, o povo espalhou-se por toda a terra, a colher restolho em lugar de palha; mas acharam impossível fazer a quantidade usual de trabalho. Por este malogro os oficiais hebreus foram cruelmente espancados.

Estes oficiais supuseram que sua opressão vinha dos seus maiorais de tarefas, e não do próprio rei; e a ele foram com seus pesares. Sua representação foi defrontada por Faraó, com sarcasmo: "Vós sois ociosos; vós sois ociosos; por isso dizeis: Vamos, sacrifiquemos ao Senhor." Ordenou-se-lhes que voltassem ao trabalho, com a declaração de que seus encargos em caso algum deveriam ser aliviados. Voltando, encontraram Moisés e Arão, e exclamaram a eles: "O Senhor atente sobre nós, e julgue isso, porquanto fizestes o nosso cheiro repelente diante de Faraó, e diante de seus servos, dando-lhes a espada nas mãos, para nos matar." Êxo. 5:17 e 21.

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Escutando Moisés estas censuras, ficou grandemente angustiado. Os sofrimentos do povo tinham aumentado muito. Por todo o país se erguia um clamor de desespero de velhos e jovens, e todos se uniam em acusá-lo da mudança desastrosa em sua condição. Com amargura de alma foi perante Deus, com o clamor: "Senhor, por que fizeste mal a este povo? por que me enviaste? Porque desde que entrei a Faraó, para falar em Teu nome, ele maltratou a este povo; e de nenhuma sorte livraste Teu povo." A resposta foi: "Agora verás o que hei de fazer a Faraó; porque por uma mão poderosa os deixará ir, sim, por uma mão poderosa, os lançará de sua terra." Êxo. 5:22 e 23. Novamente foi-lhe indicado o concerto que Deus fizera com os pais, e assegurou-se-lhe que o mesmo seria cumprido. Durante todos os anos de servidão no Egito tinha havido entre os israelitas alguns que se apegavam ao culto de Jeová. Estes ficavam dolorosamente perturbados ao verem seus filhos diariamente testemunharem as abominações dos gentios, e mesmo curvarem-se aos seus deuses falsos. Em sua angústia clamaram ao Senhor, pedindo livramento do jugo egípcio, para que pudessem estar livres da influência corruptora da idolatria. Não escondiam sua fé, mas declaravam aos egípcios que o objeto de seu culto era o Criador do céu e da Terra, o único Deus verdadeiro e vivo. Reconsideravam as provas de Sua existência e poder, desde a criação até os dias de Jacó. Os egípcios tiveram assim oportunidade de familiarizar-se com a religião dos hebreus; mas, desdenhando ser instruídos por seus escravos, experimentaram seduzir os adoradores de Deus com promessas de recompensas, e, falhando isto, por meio de ameaças e crueldade.

Os anciãos de Israel esforçaram-se por suster a fé dos irmãos, que estava a sucumbir, repetindo-lhes as promessas feitas a seus pais, e as palavras proféticas de José antes de sua morte, predizendo o livramento deles do Egito. Alguns escutavam e criam. Outros, olhando para as circunstâncias que os cercavam, rejeitaram as esperanças. Os egípcios, estando informados do que se divulgava entre seus escravos, zombavam de suas expectativas, e escarnecedoramente negavam o poder de seu Deus. Apontavam para a situação deles como uma nação de escravos, e com sarcasmo diziam: "Se vosso Deus é justo e misericordioso, e possui poder superior ao dos deuses egípcios, por que não faz de vós um povo livre?" Chamavam a atenção para a sua própria Pág. 260

condição. Adoravam divindades que os israelitas chamavam de deuses falsos, no entanto eram uma nação rica e poderosa. Declaravam que seus deuses os haviam abençoado com prosperidade, dando-lhes os israelitas como servos, e vangloriavam-se em seu poder de oprimir e destruir os adoradores de Jeová. O próprio Faraó jactava-se de que o Deus dos hebreus não os podia livrar de suas mãos. Palavras como estas destruíam as esperanças de muitos dos israelitas. O caso se lhes afigurava tal qual os egípcios o haviam representado. Era certo que eram escravos, e deviam suportar o que quer que seus cruéis maiorais de tarefas entendessem infligir-lhes. Seus filhos haviam sido perseguidos e mortos, e sua própria vida era um peso. Estavam contudo adorando o Deus do Céu. Se Jeová fosse na verdade superior a todos os deuses, não os deixaria desta maneira como escravos a idólatras. Mas aqueles que eram fiéis a Deus compreendiam que fora por causa de Israel haver-se afastado dEle - -por causa de sua disposição para casar com nações gentílicas, sendo assim levados à idolatria - -que o Senhor permitira ficassem escravos; e confiantemente afirmavam a seus irmãos que Ele logo quebraria o jugo do opressor.

Os hebreus tinham esperado obter sua liberdade sem qualquer prova especial de sua fé, ou qualquer sofrimento ou dificuldade real. Ainda não estavam, porém, preparados para o livramento. Tinham pouca fé em Deus, e estavam indispostos a suportar pacientemente suas aflições até que Ele achasse oportuno operar em prol deles. Muitos se contentavam com permanecer em cativeiro, de preferência a enfrentar as dificuldades atinentes à mudança para uma terra estranha; e os costumes de alguns se haviam tornado tão parecidos com os dos egípcios que preferiam ficar no Egito. Por isso o Senhor não os livrou pela primeira manifestação de Seu poder perante Faraó. Ele encaminhou os acontecimentos de maneira mais ampla, a fim de desenvolver o espírito tirânico do rei egípcio, e também para revelar-Se a Seu povo. Vendo Sua justiça, Seu poder e amor, prefeririam deixar o Egito, e entregar-se ao Seu serviço. A tarefa de Moisés teria sido muito menos difícil, se muitos dos israelitas não se houvessem tornado tão corrompidos que não queriam deixar o Egito. O Senhor ordenou a Moisés ir de novo ao povo, e repetir a promessa de livramento, com nova segurança de favor divino. Ele foi conforme fora mandado, mas não quiseram ouvir. Dizem as Escrituras: "Eles não ouviram... por causa da ânsia do espírito e da dura servidão." De novo a mensagem divina veio a Moisés:

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"Entra, e fala a Faraó, rei do Egito, que deixe sair os filhos de Israel da sua terra." Com desânimo ele replicou: "Eis que os filhos de Israel me não têm ouvido; como pois me ouvirá Faraó?" Êxo. 6:9, 11 e 12. Foi-lhe dito que levasse Arão consigo, e fosse diante de Faraó, e novamente pedisse que despedisse os filhos de Israel de sua terra.

Ele foi informado de que o rei não cederia antes que Deus mandasse juízos sobre o Egito, e tirasse Israel por meio de uma assinalada manifestação de Seu poder. Antes de ser infligida cada uma das pragas, Moisés devia descrever sua natureza e efeitos, para que o rei pudesse salvar-se da mesma se o quisesse. Cada castigo rejeitado seria seguido por outro mais severo, até que seu coração orgulhoso se humilhasse, e ele reconhecesse o Criador do céu e da Terra como o Deus verdadeiro e vivo. O Senhor daria aos egípcios oportunidade de verem quão vã era a sabedoria de seus homens poderosos, quão fraco o poder de seus deuses, quando em oposição aos mandos de Jeová. Ele castigaria o povo do Egito por sua idolatria, e reduziria ao silêncio sua jactância a respeito de bênçãos recebidas de suas insensíveis divindades. Deus glorificaria o Seu próprio nome, para que outras nações pudessem ouvir acerca de Seu poder, e tremer ante os Seus potentes atos, e para que Seu povo fosse levado a volver de sua idolatria e prestar-Lhe um culto puro.

Outra vez Moisés e Arão entravam nos nobres salões do rei do Egito. Ali, rodeados por altas colunas e resplandecentes adornos, de ricos quadros e imagens esculpidas de deuses gentios, perante o governador do reino mais poderoso então existente, achavam-se os dois representantes da raça escravizada, a fim de repetirem a ordem de Deus para o livramento de Israel. O rei pediu um prodígio como prova de sua missão divina. Tinha sido indicado a Moisés e Arão como agir no caso em que tal pedido fosse feito, e Arão tomou agora a vara, e lançou-a perante Faraó. Ela se tornou serpente. O rei mandou chamar seus "sábios e encantadores" (Êxo. 7:11), dos quais "cada um lançou sua vara, e tornaram-se em serpentes; mas a vara de Arão tragou as varas deles". Êxo. 7:12. Então o rei, mais decidido do que nunca, declarou serem os seus magos iguais em poder a Moisés e Arão; acusou os servos do Senhor como impostores, e sentiu-se fora de perigo ao resistir a seus pedidos. Todavia, ao mesmo tempo em que desprezava sua mensagem, foi reprimido pelo poder de Deus, de lhes fazer mal. Pág. 264

Foi a mão de Deus, e não influência ou poder humano possuído por Moisés e Arão, o que operou os prodígios que exibiram perante Faraó. Estes sinais e prodígios eram destinados a convencer Faraó de que o grande "EU SOU" (Êxo. 3:14) enviara Moisés, e de que era dever do rei deixar Israel ir, para que pudessem servir ao Deus vivo. Os magos também exibiram sinais e prodígios; pois agiam não somente pela sua própria habilidade, mas pelo poder de seu deus, Satanás, que os ajudava a contrafazer a obra de Jeová.

Os magos não fizeram realmente suas varas transformar-se em serpentes; mas, pela mágica, auxiliados pelo grande enganador, foram capazes de produzir esta aparência. Estava além do poder de Satanás transformar as varas em serpentes vivas. O príncipe do mal, possuindo embora toda a sabedoria e poder de um anjo decaído, não tem o poder de criar ou dar a vida; isto é prerrogativa de Deus somente. Mas tudo que estava no poder de Satanás fazer, ele o fez; produziu uma contrafação. À vista humana as varas tinham sido transformadas em cobras. E que assim fosse, acreditavam Faraó e sua corte. Nada havia em sua aparência para distingui-las da serpente produzida por Moisés. Se bem que o Senhor fizesse com que a serpente verdadeira tragasse as serpentes espúrias, contudo mesmo isto foi considerado por Faraó, não como uma obra do poder de Deus, mas como o resultado de uma espécie de mágica superior à de seus servos.

Faraó desejava justificar sua obstinação em resistir à ordem divina, e daí procurava ele algum pretexto para não tomar em consideração os prodígios que Deus operara por meio de Moisés. Satanás deu-lhe exatamente o que ele desejava. Pela obra que operara por intermédio dos magos, fez parecer aos egípcios que Moisés e Arão eram apenas magos e encantadores, e que a mensagem que traziam não podia impor respeito como provinda de um Ser superior. Assim a falsificação de Satanás cumpriu o seu objetivo de tornar ousados os egípcios em sua rebelião, e fazer com que Faraó endurecesse o coração contra a convicção. Satanás esperava também abalar a fé de Moisés e Arão na origem divina de sua missão, para que pudessem prevalecer os seus instrumentos. Não queria que os filhos de Israel fossem libertos do cativeiro, para servirem ao Deus vivo.

Continuar: parte 2 de 4