Pêro da Covilhã: Episódio Romântico do Século XV
B
PAG. 26.—«...a ponto de provocar a formação das Hermandades». Estas confrarias politicas, instituição popular da edade media, excluiam por essencia o influxo da auctoridade real e serviam não só para manter a segurança publica, senão que velavam egualmente pela conservação dos fóros e liberdade dos povos e communidades que as formavam. Eram uma força importantissima, que os reis catholicos habilmente aproveitaram depois, fazendo depender do governo do Estado a disciplina e constituição d'ella. Organisando as capitanias e mais tropas da Hermandad, aquelles principes lográram ter um corpo permanente de exercito, prompto a conter em respeito o poder dos magnates. Foi um ensaio de milicia nacional, paga immediatamente pelos povos, e que muito contribuiu, para que a corôa se emancipasse da influição e dependencia da mais incommoda e turbulenta oligarchia.{244}
Muito antes de conflicto do Toro já existia a «santa hermandad», e não foi «organisada contra as tropas portuguezas», que depois d'elle se limitavam a saquear as terras, a praticar actos de bandidos, como erradamente affirma o Sr. Oliveira Martins em O Principe Perfeito.