Prosas Bárbaras
Capítulo I
E por fim lançou-se ao rio,
E o rio ...............
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Mas as flores foram prender-se
Nas suas mãos côr de cera.
Na margem do papel marcado, onde se viam ainda estes restos d'uma velha cantiga, alguem escreveu estas notas desordenadas e extranhas:
I
Ó dôce cantiga dos namorados da beira do rio, tu és uma verdade sempre nova! Ainda hoje o triste anda penando nas aguas escuras; e os teus olhos, ó serena rapariga, são eternamente falsos!
Não era assim que eu pensava no tempo d'aquelles nossos amores, ó nome que eu não escrevo! d'aquelles amores tão dôces como a suavidade das nossas noites d'outomno—tão coloridos e vagos como aquellas nuvens, que sempre no ar andavamos formando e desmanchando!
II
Ó voluptuosidade! tu és a imagem do Oceano nos teus caprichos. Agora embalas-te, dôcemente doirada com os ultimos raios do sol: depois dormes tranquilla, aos calores silenciosos: por fim agitas-te, cheia de tempestades.
III
E, quando eu te via, não via mais as flôres, nem as pombas, nem as estrellas: mas, quando pensava em ti, via-te delicada como todas as flores, voluptuosa como todas as pombas, luminosa como todas as estrellas.