Rumores da escrita, vestígios do passado: uma interpretação fonológica das vogais do português arcaico
4 O Sistema vocálico do português arcaico nas Cantigas de Santa Maria
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 5 partes.
12 Os símbolos [o ] e [ǫ], adotados por Williams (1975), ˚
correspondem às vogais médias posteriores fechada ([o]) e aberta ([ɔ]), respectivamente.
13 Exemplos retirados de Silva Neto (1952, p.190).
14 Os símbolos [ǫ] e [o ], adotados por Williams (1975), ˚
correspondem aos símbolos [ɔ] e [o], respectivamente, nos padrões da IPA.
15 Não estamos considerando, aqui, a substituição dos ditongos ae e oe latinos pelas vogais /ε/ e /e/, respectivamente, do português.
16 Os símbolos /a/ e /â/ utilizados por Câmara Jr. (2007) correspondem aos símbolos /a/ e /ɐ/, respectivamente, do alfabeto da IPA.
17 Os símbolos [ḁ] e [a] utilizados por Maia (1997) correspondem ao a fechado e a aberto, respectivamente.
18 Os símbolosą [ą] e [ḁ] utilizados por Mattos e Silva (2006) correspondem à vogal baixa aberta e fechada, respectivamente.
19 Como, neste capítulo, estamos tratando especificamente da realização tônica da vogal /a/, vamos apresentar, aqui, somente as variações gráficas, identificadas no corpus consultado, referentes à vogal baixa em posição tônica. As variações identificadas para a vogal /a/ em posição pretônica serão apresentadas mais adiante.
20 Massini-Cagliari (1998, p.163) também verificou que mais de um grafema representava a vogal [i] nas cantigas de amigo, contidas no Cancioneiro da Biblioteca Nacional (CBN). Além dos grafemas (<i, j, y>) apontados por Granucci (2001), Massini-Cagliari (idem) identificou o grafema <h>, representando o som [i] em ditongos crescentes.
21 Conforme se pode observar, Maia (1997) também identificou, em seu material de análise, o grafema <j>, entre os grafemas que representam o fonema vocálico /i/.
22 Exemplos retirados das rimas da CSM 28.
23 Neste livro, apresentamos apenas os resultados de nossa investigação sobre o sistema vocálico oral do PA em posição acentuada. Seu sistema vocálico nasal em posição tônica será um dos temas abordados em nossos próximos estudos.
24 Ver nota 20 sobre os grafemas identificados por Massini-Cagliari (1998, p.163), na escrita do CBN, para representar o som [i].
25 Neste capítulo, os verbos foram arrolados no infinitivo, porque estamos considerando a forma de entrada desses vocábulos no dicionário de Mettmann (1972), de onde foram retiradas as variantes apontadas aqui. Esses verbos, no entanto, aparecem conjugados em muitas das cantigas já indicadas. O mesmo vale para os verbos listados no próximo item deste capítulo, referente às vogais pretônicas posteriores.
26 Os dicionários etimológicos consultados não informaram se a vogal pretônica do termo virilha (derivado de viril) era longa ou breve no latim: virīlis (Cunha, 2000, p.824).
27 Os casos de levantamento de vogal pretônica em hiatos, como em criar, incendiar e diante, serão discutidos mais adiante.
28 Não encontramos informações etimológicas sobre a vogal pretônica das variantes sesudo/sisudo, meudo/miudo e ameude/amiude, anteriormente mencionadas, identificadas no corpus.
29 As consoantes grifadas em myllor e piñor correspondem às consoantes palatais /ʎ/ e /ɲ/, respectivamente.
30 É importante observar que a consoante nasal /N/ está travando a vogal pretônica de todos os exemplos de (4.77) - o que também pode estar favorecendo o levantamento da pretônica.
31 O ditongo [ éi] transcrito por Maia (1997, p.357) corresponde ao ˚
ditongo [ei] nos padrões da IPA.
32 Massini-Cagliari (2005, p.98), ao analisar a ocorrência, nas CSM, da consoante <s>, em início de palavra, seguida de outra consoante (por exemplo, strela, Spirito, sclareceu etc.), constata que essa sequência sempre ocorre, no corpus analisado, depois de palavra terminada em vogal: o que "liga o 'S desgarrado' à coda da sílaba anterior". Nos casos em que não há uma vogal precedendo a sequência S+C (consoante), a autora mostra que o editor das CSM (Mettmann, 1986a, 1988, 1989) insere um <e> epentético para "acertar" a contagem das sílabas poéticas dessas cantigas. De acordo com Massini-Cagliari (idem), na CSM 384 (v.18), por exemplo, Mettmann (1989, p.282) insere uma vogal <e>, ao perceber que, sem essa vogal, o verso não teria o número de sílabas poéticas exigido pela métrica do poema: "que ao çeo semella quand' é con sas [e]splandores".
33 Diálogos de São Gregório.
34 Informações retiradas de Cunha (2000). No segundo capítulo deste livro, mencionamos que o u breve latino originou, no PA, a vogal média /o/ em posição pretônica.
35 As consoantes grifadas correspondem às consoantes palatais /ʎ/ e /ɲ/, presentes nos termos do PB atual: colher, mulher e cunhado.
36 Ver Cunha (2000, p.482).
37 Como os termos provavelmente proparoxítonos jamais aparecem em posição de rima (o que daria a certeza de sua pauta prosódica), no corpus analisado, estamos considerando apenas as vogais átonas finais para representar o sistema vocálico em posição postônica do PA. Todas as vogais postônicas identificadas nas rimas das CSM são, portanto, átonas finais.
38 Identificamos apenas um caso de variação gráfica, nas CSM, envolvendo o grafema <u>, mas a vogal postônica, nesse caso, não é final: dicipolo (CSM 426, 427) e discipulo (CSM 398).