Terras do Sem Fim

Jorge Amado · Capítulo 2 de 5 · parte 4/4

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Terras do Sem Fim

E se enternecia de repente, lem brando-se…

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.

- E quase tão m edroso quanto o doutor Jessé... Ou então:

- E tão covarde que nem parente do doutor Jessé.. Não era, com o podia parecer, um boato lançado pelos inim igos políticos do m édico. Os seus próprios correligionários não contavam com ele para as horas de barulho. E m esm o eles com entavam pelos botequins e pelas casas de ram eiras as histórias que com provavam a covardia do doutor Jessé. Num barulho de proporções que houvera em Tabocas entre a gente de Horácio e a gente dos Badarós, por exem plo, se contava que o Dr. Jessé havia enveredado por um a casa de m ulheres da vida` e fora encontrado escondido debaixo da cam a. De outra feita, ele discursava durante um "m eeting" de propaganda eleitoral, do alto de um a tribuna im provisada no porto de Ilhéus. Fora durante a últim a cam panha eleitoral para renovação do Senado e da Câm ara de Deputados. Viera da Bahia, com o candidato a deputado da oposição por aquela zona, um rapaz que com eçava sua carreira política, filho de um ex-governador do Estado. O rapaz viera fazer sua propaganda com m uito m edo. Lhe haviam contado brabezas dessa terra e ele tem ia receber um tiro ou um a punhalada. Horácio m andou cabras para Ilhéus para garantir o com ício. Os cabras cercaram a tribuna, os revólveres nos cintos, prontos para tudo. Os hom ens dos Badarós se haviam distribuído entre a m ultidão curiosa de ouvir o m oço da Bahia que tinha fam a de bom orador. Prim eiro falou o Dr. Rui, m eio bêbedo com o sem pre, e m eteu o pau no governo federal. Depois discursou o Dr. Jessé, a quem cabia fazer a apresentação, do candidato, aos eleitores. E por fim chegou a vez do visitante, Este andou m ais para frente da tribuna, um a pequena tribuna im provisada com tábuas de caixões velhos, que balançava sob o peso dos oradores. Tossiu para cham ar a atenção, o silencio era com pleto, com eçou:- Senhoras, senhores e senhoritas... Eu...

Não pode dizer m ais nada. Com o não havia senhoras nem senhoritas, um gaiato gritou.

- Senhorita é a m ãe..

Riram , outros pediram silencio. O orador falou em "m á educação". Os cabras dos Badarós se aproveitaram do zum -zum para com eçar o tiroteio, logo respondido pelos hom ens de Horácio. Dizem que então, quando o m oço candidato quis se m eter debaixo da tribuna para fugir às balas que se cruzavam , j á encontrara o lugar ocupado pelo doutor Jessé, que não só lhe fez lugar, com o lhe disse:

- Se o senhor não quer ficar desm oralizado volte para seu lugar. Aqui só eu tenho o direito de m e esconder porque sou covarde de tradição... E, com o o rapaz não concordasse e quisesse, à força, se m eter sob a tribuna, em bolaram os dois na disputa do esconderij o. Segundo consta esta foi a única vez que doutor Jessé brigou. E algum as pessoas que estavam próxim as, e puderam apreciar a briga, a narravam sem pre com o a coisa m ais cóm ica a que haviam assistido, direitinho um a briga de m ulheres, um arranhando a cara do outro. Tonico Borges puxou a cadeira, acercou-se m ais ao m édico:- Sabe quem chega de hoj e para am anhã?

- Quem é?

- O coronel Teodoro... Diz que tá j untando hom em na fazenda pra entrar aqui... Dr. Jessé se assustou:

- Teodoro? O que é que vem fazer?

Tonico não sabia:

- Só sei que vem com m uito j agunço... O que vem fazer não sei. Mas é ter coragem , hein, doutor?

Outro alfaiate com pletou:

- Olhe que entrar em Tabocas, com tanta gente do coronel Horácio aqui... E depois de ter dado um a resposta daquelas. . . Com o foi m esm o, Tonico? Tonico sabia de m em ória:

- Diz que ele respondeu ao coronel Maneca: "Diga a Horácio que eu não m e j unto com gente da laia dele, que não trato com tropeiro". Com entavam a resposta que Teodoro dera a Maneca Dantas quando este o fora convidar em nom e de Horácio para se aliarem na conquista da m ata de Sequeiro Grande. Dr. Jessé se adm irou:

- Tam bém vocês sabem tudo. . . Aqui se corta a vida de todo m undo, não escapa ninguém ...

Um dos alfaiates riu:

- Pois se é a diversão da terra, doutor...

Tonico Borges queria saber se havia algum a ordem de Horácio em relação a Teodoro, se ele chegasse a entrar em Tabocas:- Não sei... Não sei nada... - e o m édico pegou a m aleta e se levantou apressado. Parecia ter se lem brado de repente de algo urgente a fazer. Tonico Borges, antes que ele saísse, lançou o últim o boato:- Dizque, doutor, o doutor Virgílio tá se derretendo pro lado de dona Ester.. Jessé ficou sério, respondeu j á com o pé na porta:- Se você quer um conselho de um hom em que vive nessa zona vai fazer vinte anos, ouça: fale m al de tudo, das m ulheres de todo m undo, fale m al de toda a gente, fale m al m esm o de Horácio, m as nunca fale da m ulher dele. Porque se ele chegar a saber eu não dou um real pela sua vida. É conselho de am igo... E arribou, deixando Tonico Borges branco, pálido de m edo. Com entou para os outros:

- Será que ele conta ao coronel Horácio?

E, apesar dos outros haverem achado que não, que Dr. Jessé era um hom em bom , Tonico não descansou enquanto não pode ir ao consultório do m édico a lhe rogar que não "contasse nada ao coronel, que aquela história lhe fora contada pela m ulher que vivia com Margot e que tinha assistido a um a discussão entre Virgílio e a am ante por causa de um a outra zinha, que ela pensava que fosse dona Ester".

- Isso é um a terra desgraçada, doutor, se fala de todo m undo - concluiu. - Não escapa ninguém . . . Mas m inha boca agora tá fechada a cadeado. Não dou nem um pio. Só tinha falado m esm o ao senhor.

Dr. Jessé o sossegou:

- Vá descansado, Tonico. Por m im Horácio não vai saber nada... Agora, o m elhor que você faz é se calar. A não ser que estej a querendo se suicidar... Abriu a porta, Tonico saiu, entrou um a m ulher. Dr. Jessé custou a encontrar, na confusão da m aleta, o aparelho para auscultar o peito da doente. Na sala de espera do consultório hom ens e m ulheres conversavam . Um a m ulher que estava com um a criança pela m ão, ao ver Tonico Borges, largou a sua cadeira, se aproxim ou do alfaiate. Vinha sorrindo:- Com o vai, seu Tonico?

- Vou indo, dona Zefina. E a senhora?

Ela nem respondeu. Queria contar.

- O senhor j á soube do escândalo?

- Que escândalo?

- Que o coronel Totonho do Riacho Doce largou a fam ília pra ir atrás de um a rapariga, um a sirigaita da Bahia? Em barcou com ela, no trem , na vista de todo m undo...

Tonico Borges fez um gesto de enfado.

- Isso é velho, dona Zefina. Agora garanto que a senhora não sabe é da novidade...

A m ulher se abriu em curiosidade, esticou o corpo todo. nervosa:- Qual, seu Tonico?

Tonico Borges duvidou um m om ento. Dona Zefina esperava num a ânsia:- Conte logo...

Ele espiou para todos os lados, puxou a m ulher m ais para longe da sala, baixou a voz.

- Tão dizendo por aí que o doutor Virgílio. . .

Sussurrou o resto no ouvido da velha. Esta explodiu em exclam ações de surpresa:- Será possível? Quem havia de dizer, hein?

Tonico Borges pediu:

- Eu não lhe disse nada, hein... Só contei por ser a senhora...- Ora, seu Tonico, o senhor sabe que a m inha boca é um cofre... Mas quem havia de dizer, hein? Parecia um a m ulher direita. . .

Tonico Borges desapareceu na porta. Dona Zefina voltou à sala, exam inou com os olhos os clientes que esperavam . Não havia ninguém que valesse a pena. Então decidiu deixar a inj ecção do neto para o dia seguinte. Deu boas tardes aos dem ais, disse que estava ficando tarde e ela não podia esperar m ais, tinha hora m arcada no dentista. Saiu arrastando a criança. O boato queim avalhe a língua, ia alegre com o se tivesse ganho um bilhete de loteria. Tocou-se a toda pressa para a casa das Aventinas, três solteironas que m oravam perto da igrej a de São José. 7

Dr. Jessé exam inava o hom em , bateu-lhe m aquinalm ente no peito e nas costas, encostou o ouvido, m andou que ele dissesse trinta e três. Em verdade estava m uito longe dali, o pensam ento em outras coisas. Naquele dia o consultório havia estado cheio. Era sem pre assim ... Quando ele tinha pressa o consultório se enchia de gente que não tinha nada, que vinha só para tom ar-lhe tem po. Mandou que o hom em se vestisse, rabiscou um a receita:

- Mande preparar na Farm ácia São José... Lá, vão lhe fazer m ais barato... -isso não era verdade, porém a Farm ácia São José era de um correligionário político, enquanto que a ` Prim avera" era de um eleitor dos Badarós.- Nada de grave, doutor?

- Nada. Esse catarro é m esm o das chuvas na m ata.. Tom e esse rem édio, vai ficar bom . Volte com quinze dias. .

- Não vou poder não, seu doutor. Não vê que é um custo poder sair da roça pra dar um pulo aqui? Trabalho m uito longe. . .

Dr. Jessé queria encurtar a conversa:

- Bem , venha quando puder... Você não tem nada de sério. O hom em pagou, o m édico em purrou-o até a porta. Ainda atendeu a outro, um trabalhador

velho, pés descalços, cam isa de bulgariana, que vinha em busca de um rem édio para a m ulher que "tinha um a febre que ia e vinha, todos os m eses derrubava a pobre na cam a". Enquanto o hom em contava a sua história com prida, Dr. Jessé pensava no que ouvira na alfaiataria. Duas notícias desagradáveis: prim eiro aquela da próxim a vinda de Teodoro a Tabocas. Que diabo ele viria fazer? Devia desconfiar que Tabocas não era bom lugar para a saúde dele. Mas Teodoro era hom em de coragem , am igo de fazer estrepolias. Se vinha a Tabocas, era com certeza para fazer algum a coisa m alfeita. Dr. Jessé precisava m andar avisar a Horácio, que estava em Ilhéus. O pior é que o trem j á havia saído, só podia m andar o recado no dia seguinte. Em todo caso falaria com o Dr. Virgílio nesse m esm o dia. E então se lem brou da segunda notícia: estavam com entando no povoado que o Dr. Virgílio se derretia para o lado de com adre Ester (ela e Horácio eram padrinhos de um filho do Dr. Jessé, que tinha nove, um a escadinha de crianças, cada um a m ais velha que a outra um ano). Dr. Jessé pensava no caso. Relem brava Ester passara quatro dias em Tabocas, enquanto esperava que Horácio resolvesse uns negócios e a pudesse acom panhar a Ilhéus. E durante esses quatro dias Virgílio havia aparecido m uito em casa do m édico onde o coronel estava hospedado. Ficava um tem po enorm e na sala conversando com Ester e riam os dois. Ele m esm o, Jessé, pegara as criadas com entando. O diabo fora aquela festa na casa de Resende, um com erciante cuj a m ulher aniversariava. Oferecera um a m esa de doces, e com o havia piano na casa e m oças que tocavam , tinham im provisado um arrasta-pé. Em Tabocas m ulher casada não dançava. Mesm o em Ilhéus, quando algum a m ais m oderna dançava era com o m arido. Daí o escândalo quando Ester saiu dançando com Virgílio. Dr. Jessé se lem brava que Virgílio pedira. Licença a Horácio para dançar com ela e o coronel dera, orgulhoso de ver a esposa brilhar. Mas o povo não sabia disso e com entava. Esse era um assunto feio. Tão feio ou m ais que o da vinda de Teodoro. Dr. Jessé coça a cabeça. Ah se Horácio chegasse a saber dessas m urm urações... A coisa ia ser braba... O cliente que j á term inara de contar as dificuldades de sua m ulher e que esperava em silencio o diagnóstico do m édico, falou:

- Vosm icê não acha que é m aleita, seu doutor?

Dr. Jessé o olhou espantado. Tinha se esquecido dele inteiram ente. Fez com que o hom em repetisse uns detalhes, esteve de acordo:- É im paludism o, sim .

Receitou quinino. Recom endou a farm ácia São José m as seu pensam ento j á estava de novo nas com plicações da vida de Tabocas. As m ás línguas - e quem não era m á língua em Tabocas? estavam tom ando conta da vida de Ester. Mau negócio. Para aquela gente não havia m ulher casada que fosse honesta. E não havia nada que Tabocas gozasse tanto com o um escândalo ou um tragédia passional. E ainda por cim a a notícia de que Teodoro ia entrar no povoado. Que diabo vinha fazer?

Dr. Jessé vestiu o paletó. Visitou dois ou três doentes, em todas as casas o com entário obrigatório eram os barulhos que se avizinhavam por causa da m ata de Sequeiro Grande. Todos queriam notícias, o m édico era íntim o de Horácio, era quem bem podia saber. Depois Jessé foi ao Grupo Escolar. Ele o dirigia desde um governo anterior, quando o seu partido estava por cim a. Nunca fora dem itido seria um escândalo dem asiado grande, j á que ele fizera construir o prédio novo do Grupo e era m uito apoiado pelas professoras. Entrou pelo pátio, atravessou um a sala. Esqueceu tanto a Ester com o a Teodoro. Esqueceu tam bém a m ata de Sequeiro Grande. Agora estava pensando era na festa que o Grupo Escolar preparava para com em orar o "Dia da Árvore", daí a dois dias. Os m eninos que corriam pelo pátio se atrapalhavam nas pernas curtas do m édico. ele segurou dois ou três, m andou que procurassem a subdirectora e a professora de português. Atravessou m ais um a sala de aula, os m eninos se levantaram á sua passagem . Fez sinal para que se sentassem , saiu noutra sala. A subdiretora e um as quantas professoras j á o esperavam .

Sentou-se, pôs o chapéu e a m aleta em cim a de um a m esa. Puxou o lenço e lim pou o suor que escorria no rosto gordo.

- O program a j á está feito. . . - inform ou a subdiretora.- Vam os ver...

- Prim eiro tem os a sessão aqui. Discurso...

- O Dr. Virgílio não pode falar porque vai am anhã pra Ilhéus a negocio do coronel Horácio... Fala m esm o Estanislau... - Estanislau era um professor particular, orador obrigatório de quanta festa havia em Ferradas. Em cada discurso repetia, sobre qualquer acontecim ento, os m esm os tropos de retórica e as m esm as im agens. Havia em Ferradas quem soubesse de cor o "discurso de Estanislau".

- Que pena... - lastim ou um a professora m agrinha que era adm iradora do Dr. Virgílio. - O doutor fala tão bem e é tão bonito... As outras riram . Dr. Jessé lim pava o suor:

- Que é que eu posso fazer?

A subdiretora continuou seu inform e:

- Pois bem : prim eiro, sessão solene no Grupo. Discurso do professor Estanislau (corrigiu o nom e no papel que lia). Depois declam ação pelos alunos. Por últim o cantarão todos em coro o "Hino da Arvore". Em seguida form atura e m archa até a praça da Matriz. Aí, plantio de um cacaueiro, discurso do doutor Jessé Freitas e poesia da professora Irene.

O m édico esfregou as m ãos:

- Muito bem , m uito bem .

Abriu a m aleta, extraiu dela um as folhas de papel alm aço cortadas pela m etade, ao com prido. Era o seu discurso. Com eçou a ler para as professoras. Aos poucos foi se entusiasm ando, se levantou, lia agora com todos os gestos, a voz forte e eloquente. A m eninada se j untou na porta da sala e, apesar dos repetidos "psius" da subdiretora, não m anteve silencio. Ao Dr. Jessé pouco im portava. Estava em briagado pelo seu discurso e lia com ênfase:

"A árvore éum presente de Deus aos hom ens. Énosso irmão vegetal, que nos dásua som bra fresca, sua fruta gostosa, sua m adeira tão útil para a construção de móveis e outros obj ectos de conforto. Com troncos de árvores foram construídas as caravelas que descobriram o nosso idolatrado Brasil. As crianças devem am ar e respeitar as árvores."

- Muito lindo... Muito lindo... - aplaudiu a subdiretora. As professoras com entavam :

- Um a beleza. . .

- Vai fazer sucesso. .

Dr. Jessé suava por todos os poros. Passou o lenço na cara, deu um berro com os m eninos que ainda se dem oravam na porta e que saíram em disparada. Sentou-se de novo:

- Tá bom , hein? E escrevi de repente, ontem de noite. .. Esses dias passados não pude porque o com padre e a com adre estavam em casa, eu tinha que fazer sala...

- Dizem que para dona Ester não era preciso – falou um a professora. - Que o doutor Virgílio fazia o dia todo...

- Tam bém se fala de tudo. . . - protestou a professora m agra. - Terra atrasada é assim m esm o...

- ela viera da Bahia e não se acostum ava com Tabocas.

Outra professora que era grapiúna, se sentiu ofendida:- Pode ser atrasada para quem quer cham ar descaração de progresso. Se é progresso ficar no portão até dez horas da noite agarrada com rapazes, então graças a Deus, Tabocas é m uito atrasada m esm o. Era um a alusão a um nam oro da professora com um rapaz tam bém da Bahia, em pregado de um a casa exportadora, nam oro escandaloso que toda Tabocas com entava. A professorinha reagiu:

- Isso é com igo? Pois bem , nam oro com o quero, fique sabendo. E não dou ousadia pra ninguém . A vida é m inha, pra que se m etem ? Converso até a hora que bem quiser... Prefiro isso a ficar solteirona com o você. . . Não nasci pra vitalina.

Dr. Jessé se m eteu:

- Calm a, calm a. . . Tem coisas de que se fala com razão, m as tem coisas que exageram sem m otivo. Então só porque um m oço visita um a senhora casada e lhe em presta uns livros pra ler, j á é pra se fazer escândalo? Isso é atraso, sim ... Todas concordaram que era atraso. Aliás, segundo a subdiretora, não se dizia nada dem ais. Só se notara a insistência do advogado em ficar quase o dia inteiro na casa do m édico, conversando na sala com dona Ester. A professora que protestara quando a outra falou do atraso de Tabocas acrescentou que "esse doutor Virgílio não respeitava m esm o as fam ílias de Tabocas. Tinha um a m ulher da vida habitando num a rua de fam ílias e era um escândalo toda a vez que se despediam . Ficavam aos beij inhos na porta da rua, toda a gente vendo". As professoras riram m uito excitadas. O próprio Dr. Jessé pediu detalhes. A professora m oralista que m orava perto de Margot, se estendeu:- E um a im oralidade. A gente até peca, com o eu j á disse ao padre Tom é. Peca sem querer. Peca com os olhos e os ouvidos. Pois a tal de m ulher chega na porta vestida com um a bata m eio aberta na frente, quase nua, e se agarra no pescoço do doutor Virgílio e ficam que nem cachorro a se beij arem e a dizerem coisas.- Que é que dizem ? - quis. saber a baiana, seu corpo m agro se m ovendo em gestos nervosos, os olhos num espasm o ao ouvir aquela descrição. - Que é que dizem ?

A professora se vingou:

- E não é atraso contar?

- Deixe de ser tola... O que dizem ?

- É "m eu cachorrinho" pra cá, "m inha gatinha" pra lá... "Meu cãozinho de luxo", -abaixou a voz, cobriu o rosto com vergonha do m édico - "m inha egüinha puladora".

- O que? - fez a subdiretora ruborizada.

- Assim m esm o... Um a im oralidade..

- E num a rua de fam ílias... - reclam ou outro.

- Pois é. Ao m eio-dia vem até gente de outras ruas pra assistir. É um teatro.. -disse, resum indo tudo.

Dr. Jessé bateu com a m ão na testa, se recordando:- O teatro... Hoj e é dia de ensaio e eu nem m e lem brava... Tenho que com er m ais cedo, se não vai atrasar tudo.

Saiu quase correndo pelo Grupo Escolar, agora j á deserto de crianças, o silencio pelos pátios e pelas salas de aulas. Só a voz das professoras com entando a vida do Dr. Virgílio ainda se prolongava até a porta da rua:-...um a indecência...

Dr. Jessé com eu às pressas, respondeu à pergunta da esposa sobre a saúde de Ribeirinho, um cliente am igo, puxou as orelhas de um dos filhos, se tocou para a casa de Lauro onde ia ensinar o "Grupo de Am adores Taboquenses que tinha um a representação m arcada para breve. Já circulava pelo povoado e até por Ferradas um volante anunciando:

SÁBADO, 10 DE JUNHO

TEATRO SÃO JOSÉ

SERA LEVADA A CENA A IMPORTANTE PEÇA EM 4 ATOS, INTITULADA VAMPIROS SOCIAIS

AGUARDEM PROGRAMAS

PELO GRUPO DE AMADORES TABOQUENSES. SUCESSO! SUCESSO! SUCESSO!

Havia a política, havia a fam ília, havia a m edicina, havia as roças e as casas para alugar, havia o Grupo Escolar, havia tudo isso com que se preocupar, m as a grande paixão real do Dr. Jessé era o "Grupo de Am adores Taboquenses". Levara anos ideando a sua fundação. Sem pre surgiram dificuldades. Prim eiro teve que vencer, com encarniçada luta, a recusa das m oças locais a tom arem parte num a representação teatral. E só a vencera porque chegara a Tabocas, vinda do Rio, onde estudava, a filha de um com erciante rico. Esta é que anim ara a m ais algum as a "deixarem de besteiras" e a entrarem para o Grupo de Am adores. Mas ainda assim Dr. Jessé tivera que conseguir autorização dos pais e não fora fácil. Quando conseguia era sem pre acom panhada do final com entário m aterno:

- Só deixo porque é o senhor quem pede, doutor... Outras recusavam perem ptoriam ente:

- Esse negócio de teatro não é para m oça direita..

Mas, afinal o grupo se form ara, e representara a prim eira peça, um dram a escrito pelo professor Estanislau: "A queda da Bastilha". Foi um sucesso enorm e. As m ães das artistas não cabiam em si de orgulho. Houve até algum as que brigaram na discussão sobre qual das filhas representara m elhor. E Dr. Jessé com eçou a ensaiar outra peça, essa sua, de carácter históriconacional, sobre Pedro II. Foi representada em benefício das obras da Matriz, quando esta ainda se estava construindo. Apesar de que a representação teve que lam entar um incidente surgido` entre dois artistas em cena, foi tam bém um êxito que solidificou definitivam ente o prestígio do "Grupo de Am adores Taboquenses". O grupo passara a ser um orgulho de Tabocas, e cada vez que um habitante do povoado ia a Ilhéus, não deixava de falar nos Am adores para ferir os habitantes da cidade que, se bem tivesse um bom Teatro, não tinha nenhum grupo de artistas. O sonho actual do Dr. Jessé era levar o grupo a Ilhéus, para ali um a representação. Contava com o sucesso de "Vam piros Sociais", peça que ele tam bém escrevera, para convencer as m ães de perm itirem que as suas filhas fossem representar na cidade vizinha.

Ensaiou largas horas. Fazia as m oças e os rapazes repetirem os gestos longos, a voz trem ula, a declaração afetada. Aplaudia a um , reclam ava com outro, suava pelo rosto todo e estava feliz.

Só quando saiu do ensaio se lem brou novam ente da m ata de Sequeiro Grande, de Teodoro, de Ester, do doutor Virgílio. Pegou a m aleta onde os originais da peça se m isturavam com m edicam entos e correu para a casa do advogado. Mas este estava em casa de Margot e Dr. Jessé se tocou para lá. O sino da igrej a bateu as nove horas e as ruas estavam desertas. Os "am adores" se recolhiam , as m ães acom panhando as filhas. Um bêbedo falava sozinho num a esquina. Num botequim , hom ens discutiam política. Mais que os lam piões de querosene, a lua cheia ilum inava a rua.

Doutor Virgílio estava em pij am a. A voz de Margot vinha do quarto querendo saber quem era. Dr. Jessé descansou a m aleta num a cadeira da sala:- Consta que o Coronel Teodoro vem aí. O senhor avise ao com padre Horácio. Ninguém sabe o que é que ele quer aqui. . .

- Fazer arruaça na certa...

- E há um a coisa grave.

- Diga.

- Dizem que Juca Badaró m andou cham ar um agrónom o para m edir a m ata de Sequeiro Grande e tirar um título de propriedade... Doutor Virgílio riu, satisfeito de si m esm o:

- Pra que é que eu sou advogado, doutor? A m ata j á está registrada, com m edição e tudo, no cartório de Venâncio, com o propriedade do coronel Horácio, de Braz, de Maneca Dantas, da viúva Merenda, de Firm o, de Jarde e. . . -lam entou a voz - do Dr. Jessé Freitas. .. O senhor tem que ir lá am anhã assinar.. Explicou o "caxixe", a cara do m édico se abriu num sorriso:- Parabéns, doutor.. Essa é de m estre...

Virgílio sorriu m odesto:

- Custou dois contos de réis convencer o escrivão. O m ais foi fácil Vam os ver agora o que eles fazem . Vão chegar tarde...

Dr. Jessé ficou um m om ento silencioso. Era um golpe de m ão cheia. Horácio se adiantara aos Badarós, agora era legalm ente dono da m ata. Ele e os seus am igos entre os quais o Dr. Jessé. Esfregou as m ãos gordas, um a na outra:- Trabalho bem feito. . . Não há outro advogado aqui com o o senhor... E, com essa, vou saindo, vou deixar os dois - apontava para o quarto onde Margot esperava - sozinhos... Isso não são horas de conversar... Boa noite, doutor. Quando chegara vinha pensando em tocar a Virgílio nos com entários que andara ouvindo sobre ele e Ester. Pensava em lhe aconselhar m esm o a, em Ilhéus, não procurar m uito a casa de Horácio. Na cidade as línguas eram tão m aliciosas quanto no povoado. Mas agora não dizia nada, tinha m edo de ofender o advogado, de o m agoar. E hoj e, por nada desse m undo, Jessé queria m agoar o Dr. Virgílio que dera um golpe tão sério nos Badarós. Virgílio o acom panhou até a porta. Dr. Jessé desceu rua abaixo, não encontrava ninguém no seu cam inho a quem dar a notícia, alguém de confiança. Legalm ente os Badarós estavam perdidos. O que é que podiam fazer agora? Chegou até o botequim . Espiou da porta. Um dos hom ens que bebia perguntou:- Procura alguém , doutor?

Ali tam pouco havia quem m erecesse tom ar conhecim ento de tam anha notícia. Respondeu com um a pergunta:

- Sabe onde anda Tonico Borges?

- Já foi dorm ir - inform ou um . - Encontrei faz pouco com ele, ia prós lados da casa da rapariga...

Dr. Jessé fez um a careta de contrariedade. Tinha que guardar a grande notícia até o dia seguinte. Continuou a andar, com seu passo ligeiro e curto de hom em gordo. Mas, antes de chegar a casa, ainda parou um m om ento para reconhecer de quem era o cacau trazido por um a tropa de uns quinze burros que entrava povoado adentro, num chocalhar de guizos, a voz do tropeiro despertando os vizinhos.

- Xô, burro desgraçado! Toca pra frente, Canivete. 8

O hom em chegou afobado na loj a de ferragens:- Seu Azevedo! Seu Azevedo!

O em pregado atendeu:

- Seu Azevedo está lá dentro, seu Inácio.

O hom em entrou loj a adentro. Seu Azevedo fazia contas repassando as folhas de um grande

livro. Voltou-se:

- Que é que há, Inácio?

- O senhor ainda não sabe?

- Diga logo, hom em ... Coisa séria?

Inácio tom ou folego. Viera quase correndo.

- Acabei de saber agorinha m esm o. Vosm ecê não im agina, vai cair de costas. Seu Azevedo largou o lápis, o papel e o livro de vendas a crédito. Esperou com im paciência.

- É o m aior "caxixe" que j á vi falar.. . Doutor Virgílio m olhou as m ãos de Venâncio e

registrou no cartório dele um título de propriedade das m atas de Sequeiro Grande em nom e do coronel Horácio e m ais cinco ou seis: Braz, Dr. Jessé, coronel Maneca, não sei m ais quem . Seu Azevedo se levantou na cadeira:- E a m edição? Quem fez? Não vale esse registro...- Tá tudo legal, seu Azevedo. Tudo legalzinho, sem faltar um a vírgula. O m oço é um

advogado bam ba. Arranj ou tudo direitinho. A m edição j á havia, um a velha que tinha sido m andada tirar faz m uito tem po pelo finado Mundinho de Alm eida quando andou abrindo roça pra aqueles lados. Nunca chegou a se registrar porque o coronel Mundinho esticou as canelas. Mas Venâncio tinha o docum ento da m edição. . .

- Não sabia disso...

- Não se alem bra que o coronel Mundinho até m andou buscar um agrónom o na Bahia pra fazer a m edição e veio um barbudo, cachaceiro com o ele só?- Agora sim , m e lem bro.

- Pois doutor Virgílio desencavou a m edição, o resto foi fácil, foi só fazer um a rasura nos nom es e registrar tudo no cartório. Diz que por aí que Venâncio recebeu dez contos pelo trabalho.

Seu Azevedo sabia dar valor á inform ação:

- Inácio, m uito obrigado, esse é um favor que eu não vou esquecer. Você é um am igo direito.

Agora m esm o vou com unicar a Sinhô Badaró. E ele é reconhecido, você sabe. . . Inácio sorriu:

- Diga ao coronel Sinhô que eu tou à disposição dele.. . Pra m im não há outro chefe nessa

zona. Eu soube do acontecido, vim direitinho aqui. . .

Se despediu, seu Azevedo ficou um m om ento m atutando. Depois tom ou da pena, se debruçou sobre a m esa, escreveu com sua letra difícil um a carta a Sinhô Badaró. Mandou o em pregado cham ar um hom em . Este chegou m inutos depois. Era um m ulato escuro, descalço m as de esporas, um revólver saindo por baixo do paletó rasgado:

- As ordens, seu Azevedo...

- Militão, você vai m ontar no m eu cavalo e tocar à toda pra fazenda dos Badarós, entregar essa carta a Sinhô. De m inha parte. E de toda urgência.- Vou por Ferradas, seu Azevedo?

- Por Ferradas, é m uito m ais perto.. .

- Dizque há ordens do coronel Horácio de não deixar hom ens dos Badarós passar lá. . .

- Isso é conversa.. . Ou é que você tá com m edo?

Vosm ecê j á m e viu com m edo? Só queria saber...- Pois então. Sinhô vai lhe recom pensar bem pois é um a notícia im portante... O hom em recebeu a carta. Antes de sair em busca do cavalo, perguntou:- Tem resposta?

- Não.

- Entonces até m ais ver, seu Azevedo.

- Boa viagem , Militão.

Da porta o hom em voltou a cabeça:

- Seu Azevedo?

-O que é?

- Se eu ficar na estrada, por Ferradas, vosm ecê olhe por m inha m ulher e m eus filhos..

9

Don'Ana Badaró na varanda da fazenda conversa com o hom em que acabara de desm ontar:

- Foi a Ilhéus, Militão. Só volta daqui a três dias..- E seu Juca?

- Tam bém não está... É coisa urgente?

- Penso que é, sinhá dona. Seu Azevedo m andou que eu tocasse sem parar, que cruzasse por

Ferradas por ser m ais perto... E Ferradas tá em pé de guerra...- Com o você fez?

- Cortei por detrás do lazareto, ninguém m e viu... Don'Ana se decidiu, abriu a carta, decifrou as garatuj as- Será coisa urgente?

- Acho que é, sinhá Don'Ana. Seu Azevedo m e disse que era de m uita im portância e de m uita

pressa. Até m e m andou no cavalo dele.

Don'Ana se decidiu, abriu a carta, decifrou as garatuj as de Azevedo. Seu rosto se fechou:

- Bandidos!

Ia entrando com a carta na m ão. Mas lem brou-se do portador:- Militão, sente aqui na varanda. Vou lhe m andar um a pinga.. Gritou:

- Raim unda! Raim unda

- O que é, m adrinha?

- Sirva um a cachaça a seu Militão aqui na varanda... Entrou para a sala, andou de um lado para outro, parecia um dos irm ãos Badarós quando

estes pensavam ou discutiam . Term inou por sentar na cadeira alta de Sinhô, o rosto fechado na preocupação da notícia. O pai e o tio estavam em Ilhéus e esse era um recado que não podia esperar. Que devia fazer? Mandar a carta pro pai? Só chegaria a Ilhéus no dia seguinte, tudo se dem oraria. De repente lem brou-se, levantou, voltou para a varanda. Militão bebia seu cálice de cachaça.

- Tá m uito cansado. Militão?

- Não, sinhá. Foi um a corridinha. Oito léguas pequenas. .- Então você vai m ontar de novo e dar um pulo nas Baraúnas. Vai levar um recado m eu pro coronel Teodoro. Diga a ele que venha aqui conversar com igo im ediatam ente. E você volte com ele..

- As ordens, sinhá Don'Ana.

- Que ele venha logo que possa. Que é coisa séria...

Militão m ontou. Acariciou o cavalo, se despediu:- Boa tarde, sinhá...

Ela ficou da varanda olhando o hom em que partia. Estava tom ando responsabilidades. Que

diria Sinhô quando soubesse? Voltou a ler a carta de seu Azevedo e concluiu que tinha feito bem em m andar cham ar Teodoro. Murm urou m ais um a vez:- Bandidos. E esse advogadozinho... Merece um tiro. . . O gato veio e se enroscou nas suas pernas. Don`Ana baixou a m ão e o acariciou suavem ente. Seu rosto não tinha nenhum a dureza, era um pouco m elancólico, os fundos olhos negros, a boca de lábios sensuais. Vista assim na varanda, Don'Ana Badaró parecia um a tím ida m enina do cam po. 10

No Grupo Escolar tudo andou m uito bem . Dr. Jessé tinha conseguido que alguns com erciantes fechassem suas loj as e arm azéns para com em orar o "Dia da Árvore". No Grupo Escolar, onde o professor Estanislau lera seu discurso e uns m eninos declam aram , havia pouca assistência além das professoras e das crianças, m as a Praça da Matriz estava cheia. No Grupo, Dr. Jessé presidiu a sessão, os m eninos lhe ofereceram um ram alhete de flores. Marcharam para a Praça onde j á esperavam os dois colégios particulares da localidade: o de Estanislau e o de dona Guilherm ina, professora célebre pela rudeza com que tratava seus discípulos. Dr. Jessé m archava na frente do Grupo, em punhando seu ram alhete de flores.

A Praça estava repleta de gente. Mulheres com os vestidos de festas, m oças que espiavam os nam orados, alguns com erciantes, os em pregados das casas que haviam fechado naquele dia. Todos queriam aproveitar a inesperada diversão surgida no ritm o triste da vida de Tabocas. O Grupo form ou defronte dos colégios particulares. O professor Estanislau, que tinha um a velha diferença com dona Guilherm ina, se aproxim ou dos seus alunos para lhes im por silencio. Desej ava que eles se com portassem pelo m enos tão bem com o os da rival, que estavam sérios e calados sob o olhar de bruxa da m estra. Junto a um buraco recentem ente aberto, em m eio da Praça, haviam colocado um cacaueiro novo, de pouco m ais de um ano. Era a árvore para ser plantada na solenidade. O subdelegado viaj ara, os Badarós o haviam cham ado a Ilhéus, e por isso a força policial - oito soldados – não com parecera. Mas a "Euterpe 3 de Maio" - que fora fardada com dinheiro de Horácio - estava presente com seus instrum entos m usicais. E foi a ela que coube iniciar o ato, tocando o hino nacional. Os hom ens tiraram os chapéus, fez-se silêncio. Os m eninos dos três colégios cantaram a letra. O sol queim ava de tão quente. Alguns abriam guardasóis para se resguardar.

Quando a m úsica term inou, Dr. Jessé chegou bem para o centro da praça e com eçou seu discurso. De todos os lados pediam silencio. As professoras iam entre os alunos reclam ando ordem e m enos barulho. Mas não obtinham grandes resultados. Só havia m esm o silencio entre os discípulos de dona Guilherm ina, que se m antinha rígida, as m ãos cruzadas na frente, m etida num vestido branco, engom ado e duro. Quase ninguém conseguia ouvir o que o Dr. Jessé dizia e pouca gente o conseguia ver, pois com o não haviam arm ado tribuna, ele discursava m esm o no chão. Ainda assim , quando ele term inou, aplaudiram m uito. Alguns cavalheiros vieram cum prim entá-lo. Ele apertava as m ãos, que lhe eram estendidas, m odesto e com ovido. Foi o prim eiro a reclam ar silencio para que pudesse ouvir a poesia da professora Irene. A voz fraca da professora se esganiçou nos versos:

"Bendita a sem ente que fecunda a, terra. . "