Um Romance Para Aiden

Bia Tomaz · Capítulo 11 de 31

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Um Romance Para Aiden

Capitulo 11

Olívia estava decidida. Ela dançaria pole dance.

Ela não tinha contado para ninguém, nem para Mariana ou Gabriela e sabia que no fundo aquela era uma decisão sábia de sua parte, porque não queria ninguém tentando copiar sua ideia. Se era para jogar, ela jogaria. Era seu sonho que estava sendo colocado ali naquele programa e ela tinha feito uma promessa para si mesma, que era conseguir um papel de protagonista depois do programa e para isso, teria que ganhar o programa.

Mas ela não podia negar que enquanto Gabriela estava sentada na cama de Mariana, sentiu uma pontada de culpa. E isso era porque enquanto Mariana tomava banho, Gabriela contava detalhes do que faria em sua apresentação.

— Eu escolhi uma roupa tão linda. — Gabriela falou, mexendo em uma mecha loira de seus cabelos. — Passei a noite toda pensando nisso. Aliás, eu não tenho conseguido pregar meus olhos ultimamente de tão ansiosa que estou para o dia da apresentação das danças.

— Eu também tenho demorado para conseguir dormir. — Olívia comentou, omitindo a parte de que sua demora para dormir não era o mesmo motivo de Gabriela.

— E quando não estou pensando na apresentação, fico pensando em Aiden e se ele me escolher. Imagina só? Eu me casando com o cantor mais famoso do Brasil? — Gabriela falou sonhadora e Olívia sorriu da inocência da garota.

— Seria incrível, não é? — Olívia comentou.

— Eu seria venerada, por ter sido a fã que conseguiu se tornar a namorada do ídolo.

— Você está falando isso de novo? — Mariana perguntou ao sair do banheiro e entrar no quarto. — Já te falei que você precisa ser menos tiete aqui dentro, Gabi.

— É mais forte do que eu. — Gabi argumentou. — Foram anos venerando esse homem, indo aos shows dele, e imaginando ter a chance de beijá-lo. Agora é real.

— Vai deixar de ser uma chance real, se você continuar agindo como uma bobinha apaixonada. — Mariana falou, e Olívia a encarou com um olhar repreendedor, que fez com que Mariana respirasse fundo e se desse por vencida. — Mas não fique desanimada. O fato de você conhecê-lo, mais do que as outras, te dá vantagens.

— Exatamente! — Olívia concordou e lançou um sorriso agradecido para Mariana que deu de ombros. Olívia já tinha percebido que Mariana não media as palavras e era sincera demais em certos momentos.

— Mas, e você, Olívia? — Mariana indagou. — Já escolheu o que dançar?

— Verdade. Você não contou para a gente. — Gabriela, que estava absorta em pensamentos e encarando a porta da sacada, pareceu acordar para a realidade quando ouviu a indagação de Mariana e olhava fixamente para Olívia.

— Eu estou em um dilema. — Olívia mentiu. — Eu quero dançar alguma coisa em dupla, mas não decidi qual exatamente.

— Mas eles já trouxeram os instrutores de dança hoje. O que vão arrumar com você? — Gabriela comentou e Olívia se sentiu enrolada na própria mentira.

— Eles devem ter mandado um professor que seja pacote completo para mim. — Olívia tentou escapar e se perguntou se realmente seria uma ideia ruim confiar nas duas participantes que tinham se conectado com ela. Mas era tarde, não dava para voltar atrás e tentar consertar o que ela já tinha falado. — Assim posso escolher a que eu quiser. Tipo salsa, tango, valsa e tantas outras.

— Você é corajosa. É difícil aprender o básico de danças elaboradas assim. — Mariana comentou como se soubesse daquilo com clareza.

— Você parece segura quanto à sua apresentação. — Olívia comentou. — Você disse que só dançou tango uma vez há alguns anos quando foi para a Argentina. Então, você também é corajosa, porque tango é uma dança muito elaborada.

— É, mas eu aprendi os passos básicos quando fui para a Argentina. Acho que vou conseguir me virar bem mesmo tendo somente duas aulas com duração de uma hora cada. — Mariana explicou enquanto secava os cabelos com a toalha. Olívia sentia um certo ar misterioso rondando Mariana, parecia que a mulher escondia algo sobre si mesma e seu passado. A história sobre ela ter ido para a Argentina, por exemplo, saiu em uma conversa informal, mas Mariana pareceu se arrepender de ter dito aquilo em seguida.

— Eu acho que já vou descer e ver se o almoço está pronto. — Olívia comentou sentindo seu estômago pedindo por comida. — Meu ensaio é daqui a meia hora, e a última coisa que quero é ir para o estúdio de dança com o estômago vazio.

Ela se levantou da cama, e saiu do quarto deixando Mariana e Gabi que ainda falavam sobre a apresentação que fariam na sexta-feira.

Aliás, aquele assunto era o único pela casa inteira.

E isso, se provou em seguida, pois assim que ela chegou à cozinha, Penélope e Eduarda conversavam sobre como estavam ansiosas para seus ensaios e comentavam o que Catarina e Larissa tinham contado sobre seus próprios ensaios.

Penélope olhava de soslaio para Olívia em certos momentos, mas sempre que Olívia tentava pegá-la no flagra, Penélope virava o rosto.

Olívia não queria aquele tipo de situação. Ela sabia que a culpa era um pouco sua por não ter tentado aproximar no primeiro dia por culpa da sua timidez e falta de jeito para se enturmar. Mas olhando para Penélope, Olívia se perguntava se uma amizade seria possível entre as duas. E aquele pensamento não era por implicância, mas porque de todas as participantes, Penélope foi a única que não trocou muito papo com Olívia.

Todas as outras participantes, até mesmo Eduarda, Larissa e Talita que pareciam ter formado um grupinho com Penélope, tinham conversado com Olívia. Tinham comentado sobre suas vidas durante o café da manhã, ou quando tomavam sol à beira da piscina, dividiam algum aparelho na academia, mas Penélope não trocava mais do que uma palavra com Olívia e era sempre por educação, "obrigada" ou "com licença" com seu sotaque sulista carregado.

Olívia almoçou sem se importar com a presença de Penélope e Eduarda que se aproximou quando Penélope saiu da cozinha.

— E aí, já vai para seu ensaio? — Eduarda perguntou, se sentando ao lado de Olívia.

— Sim. Vou só lavar o meu prato e ir para o estúdio. — Olívia respondeu. — O seu ensaio é que horas?

— Bem mais tarde. Fui a última sorteada, então devo ensaiar quando estiver quase anoitecendo. — Eduarda explicou. — Não conta para ninguém, mas vou dançar hip-hop. Adoro dança de rua.

— Jura? Se é algo que você gosta, vai ficar muito bom. — Olívia comentou.

— Eu torço muito por isso. — Eduarda falou esperançosa. — Você vai dançar o quê?

— Ainda estou decidindo. — Olívia se levantou e foi até a pia, lavando as louças que tinha utilizado. Ela queria escapar dali o mais rápido possível antes que Eduarda insistisse demais. Olívia não contara qual seria seu estilo de dança nem para as duas pessoas que mais confiava ali dentro, imagine contar para Eduarda que era amiga de Penélope? Ela não era idiota de entregar sua ideia genial de bandeja. — Estou em dúvida entre duas, mas vou definir agora no ensaio. Aliás, vou para o estúdio antes que me atrase e perca minutos preciosos.

Olívia saiu da cozinha rapidamente antes que Eduarda lhe fizesse outra pergunta.

Durante o caminho que fizera até o estúdio de dança, que ficava na parte em cima da academia, Olívia agradecia aos céus por Pietro ter lhe dado uma ajuda tão preciosa. Ela não precisou de muito pensamento depois de Pietro lhe dizer que Aiden gostava de dança sensual.

Era óbvio que lap dance não era o que ela queria, afinal se a tal dança que fizeram para Aiden na Europa tinha marcado tanto o homem, ela não poderia competir. Então se lembrou que o pole dance traria sensualidade, mas que por ser algo mais distante, faria com que Aiden ficasse ainda mais interessado. Afinal, quando algo atraente pode ser visto, mas não pode ser tocado, aumenta ainda mais a intensidade da atração.

Olívia já aguardava pela professora de Pole Dance, no estúdio de dança. Quando a mulher chegou na hora marcada, Olívia sentiu o alívio percorrer por cada parte do seu corpo. Seu desespero era porque cada participante tinha uma hora ali dentro com o instrutor da dança que tinha escolhido e cada minuto contava muito.

Principalmente quando não se sabe quase nada do que se pretende aprender.

— Olá, Olívia! É um prazer te conhecer. — A professora cumprimentou Olívia.

— O prazer é todo meu. Como você se chama?

— Ah, me desculpe. Me chamo Ana, sou professora de Pole Dance na cidade de Natal. — Ana se apresentou. — Quando me chamaram para ser a professora de uma das participantes do programa, fiquei bastante animada. — Ana falou e Olívia só conseguia reparar na classe que a mulher tinha até para falar.

— Não se empolgue tanto. Eu já aviso que sou uma péssima dançarina e não sei se vou aprender muita coisa. — Olívia falou, sendo sincera com Ana.

— Fica tranquila. Eu não quero que você faça passos complexos que exigem esforço que só uma pessoa experiente conseguiria fazer na arte do pole dance. — Ana falou, tranquilizando Olívia. — Nós vamos começar com um aquecimento e depois te ensinarei alguns passos simples, mas que causam devastação quando são vistos.

— Só pelo jeito que você fala, me faz sentir até confiante.

— Mas pode se sentir mesmo. — Ana falou. — O segredo é saber usar o próprio corpo para se expressar e você tem um corpo maravilhoso, vamos combinar.

— Obrigada! — Olívia agradeceu.

— Agora, chega de conversa. Perdemos uns dez minutos com essa conversa e temos pouquíssimo tempo para que você consiga pegar alguns movimentos.

— Sim. — Olívia se aproximou da barra de ferro e segurou o metal frio como se sua vida dependesse daquilo e talvez até dependesse mesmo se fosse parar para pensar.

— Primeiramente quero que você se familiarize com os movimentos e por isso, vamos fazer um aquecimento rápido. Sempre que for ensaiar, preciso que faça esse aquecimento para garantir que você não se machuque e principalmente, que os movimentos fiquem mais fáceis para você.

— Entendi.

— Não é porque você não vai fazer os movimentos avançados que vamos deixar o aquecimento de lado. — Ana falou, enquanto Olívia continuava repetindo os movimentos que a professora fazia na barra. — Durante a execução da dança, preciso que você tenha um encantamento com você mesma, entende?

— Como assim?

— Quero que você trate seu corpo, como gostaria que ele fosse tratado por um homem, por exemplo. — Ana começou a explicar. — Quando caminhar até a barra, seja sensual, seja elegante. Alguns movimentos exigem que você deslize sua mão pelo corpo, são os movimentos para que você envolva os telespectadores a olharem exatamente por onde sua mão está passando, por isso você precisa olhar sua própria mão também. Não seja tímida, mas seja misteriosa.

— Eu devo encarar o Aiden enquanto estiver dançando ou devo encarar apenas meu corpo?

— Encare-o em alguns momentos. No seu caso, como é para ganhar essa prova, você pode usar a dança para seduzi-lo. Não é sempre que o pole dance é usado para sedução. Muitos acreditam que seja apenas mais uma atração para clubes sexuais, mas o pole dance é algo extremamente difícil, os passos exigem uma força fora do comum, quase como se fôssemos atletas.

— Eu tenho medo de ficar mais para o lado sexual do que o lado sensual. Essa não é minha intenção aqui.

— Fique tranquila, Olívia. Você está em boas mãos. — Ana piscou para Olívia, já mostrando que estava cúmplice da aluna e que se dependesse dela, a prova já estava garantida.

Ana mostrou alguns passos simples, que Olívia teve dificuldade em fazer mesmo sendo mais fáceis. Mas Olívia sabia que precisava treinar quando o estúdio de dança estivesse vazio para aperfeiçoar mais e conseguir alcançar a vitória da prova.

Para isso ela não mediria esforços e já sabia que durante as madrugadas daria um jeito de treinar ali no estúdio às escondidas. Ninguém tinha dito que era proibido ir até ali, ou que era proibido ensaiar mais do que as duas vezes com a professora.

Ela encarou as câmeras do local quando a aula acabou e ela foi beber um pouco de sua água. Já conseguia imaginar aquelas cenas de seu ensaio sendo compactadas e passando na edição do programa, antes de sua apresentação diante de Aiden. Era assim que sempre funcionava.

— Você precisa repetir várias vezes esse giro que acabou de fazer e parar na frente da barra, deslizando seu corpo na barra até chegar ao chão e sem esquecer dos movimentos sensuais para se levantar depois. Ele é o único passo que você realmente teve dificuldade hoje. — Ana falou, caminhando para a porta do estúdio e Olívia a acompanhou. — Você disse que não sabia dançar, mas se saiu muito bem. Acho que tem jeito para o pole dance, sabia?

— Acha mesmo? Caramba, é a primeira vez que consigo realmente dançar alguma coisa e acho que devo isso a você.

— Obrigada! Me sinto lisonjeada. — Ana agradeceu. — Mas não se deixe levar por esse elogio, viu? Continue ensaiando quando der e amanhã teremos nosso segundo e último ensaio juntas. Por isso, preciso que amanhã preste bastante atenção, pois depois é você por conta própria. — Ana recomendou e Olívia assentiu.

— Pode deixar. — Olívia disse. — Darei o meu melhor.

******

Na tarde de quinta-feira, Olívia estava ensaiando tudo o que tinha aprendido com Ana nos dois dias anteriores, no estúdio. Era a última vez que poderia ter o estúdio para si mesma e ensaiar antes de mostrar para Aiden, ou melhor dizendo, para Pietro.

Ela não poderia se esquecer que naquela noite, teria que mostrar aquela dança para Pietro e ainda não tinha certeza se daria conta de fazer tudo o que aprendera sem morrer de vergonha durante o processo.

Infelizmente, Olívia sabia que não estava apta a fazer muita coisa do que a Ana lhe ensinara ou se quebraria inteira, mas alguns passos fundamentais, ela havia aprendido e com isso ela só precisava usar sua interpretação. A parte sensual e envolvente que faria com que Aiden e todo o público ficassem simplesmente enlouquecidos.

Ela sabia muito bem o que fazer.

Para isso, ela se imaginaria outra mulher, mais sensual, mais forte e intensa que dançava pole dance porque era a maior paixão da sua vida, e também porque precisava conquistar alguém e essa pessoa seria justamente Aiden. Dessa maneira, era mais fácil e fluiria melhor.

Mas não era apenas com sua apresentação para Aiden que a preocupava, mas sim a apresentação que faria para Pietro naquela mesma noite. Além de saber que teria um bocado de vergonha de dançar somente para Pietro, ela não queria imaginar se Pietro dissesse que estava ruim ou algo assim, porque não saberia o que fazer para mudar a dança de última hora.

Apesar de Ana ter passado uma coreografia rápida, Olívia passou o resto do dia adaptando e tentando criar alguns passos coreográficos que saíssem do comum. Se tivesse que recriar aquilo tudo antes do dia amanhecer, simplesmente seria uma merda anunciada.

Além disso, Olívia gostara da coreografia, gostava do que tinha decidido fazer durante a dança. Além de claro, ter escolhido uma roupa espetacular. Uma blusa preta justa em que as mangas iam até os cotovelos, mas que deixava sua barriga de fora, porque Ana explicara que para criar uma intimidade falsa, era bom mostrar sua pele ao mesmo tempo que escondia outra parte.

A parte debaixo, era um short tão justo quando a blusa, mas que parecia mais uma calcinha porque mostrava parte de sua bunda e para finalizar uma bota preta de cano alto que a apavorava, porque ela só tinha ensaiado com salto uma vez, no dia anterior com Ana.

Olívia se dividia entre estar altamente confiante através da personagem sexy que criara em sua mente e que usaria na hora da dança, e entre a mulher que queria estar confiante, mas estava tremendo nas bases.

Quando Olívia terminou seu último ensaio, estava suada e cansada de tanto repetir os passos. Ao sair do estúdio, encontrou com Mariana que estava indo ensaiar.

— E aí? Se sente pronta? — Mariana perguntou e Olívia fez uma cara que demonstrava o contrário.

— Não sei exatamente o que pensar, só sei que estou ansiosa e com frio na barriga.

— Somos duas! — Mariana falou e as duas riram. — Sabe o que me assusta? Que eu descobri que a Penélope vai fazer uma apresentação de dança do ventre e ela já sabia dançar antes mesmo de entrar aqui. Isso deveria ser proibido.

— Não se preocupe com a Penélope, Mariana. Coloque na sua cabeça que ela é só mais uma participante assim como eu ou você e a nossa preocupação deve ser única e exclusiva em mandar bem nas provas e dar nosso máximo.

— Ah, eu queria ser assim tão calma. — Mariana comentou. — Aliás, ela estava comentando de você agora lá na piscina.

— Jura? — Olívia sorriu, porque sabia que se Penélope estava falando dela é porque a ruiva poderia estar preocupada com ela. — E o que ela estava falando?

— Que você se faz de misteriosa e que deve achar que isso conquista o público, mas que na verdade vai acabar saindo do programa por isso mesmo. — Mariana contou.

— Eu não me importo que ela fale de mim. Enquanto ela está lá falando de mim, eu vou para o nosso quarto e tentar repassar alguns passos.

— Você é focada. Eu gosto disso em você. Agora me deixe ir porque o tempo voa enquanto estamos nesse estúdio. — Mariana disse, antes de entrar no estúdio e fechar a porta.

Olívia caminhou pela casa, indo em direção ao seu quarto e ainda estava rindo por saber que Penélope estava ficando preocupada com sua presença na casa. Talvez fosse a hora de deixar a mulher ainda mais desesperada.

Ela entrou em seu quarto, e decidiu que não iria ensaiar mais e sim, procurar por Aiden na casa, se aproximar dele e incorporar sua nova personagem sedutora. Se era para conquistar Aiden, ela faria aquilo e de forma majestosa.

******

Quando anoiteceu, Olívia estava uma pilha de nervos. Após tomar um banho e tentar se acalmar por várias vezes e diversas maneiras, ela estava a ponto de desistir. E tudo isso se devia a uma pessoa, e também à missão que ela tinha pela frente.

Tudo bem que era só uma apresentação diante de Pietro, e ela nem deveria ficar tão preocupada assim, mas ela não conseguia simplesmente reprimir o frio que surgia em sua barriga e a deixava de coração acelerado pela ansiedade.

Ela estava na sacada do seu quarto, encostada no parapeito de ferro branco, pensando que tinha muita sorte de estar ali, em uma casa tão grande, com tanta mordomia, de frente para o mar.

O pensamento agradecido foi embora no instante seguinte e ela olhou em seu relógio novamente. Ainda faltavam alguns minutos para meia-noite, mas ela não aguentaria ficar ali, parada e olhando para o nada. Se ela desse uma volta dentro da casa, não estaria infringindo as regras, e isso mataria o tempo.

Ela saiu do quarto em passos silenciosos para não acordar Mariana que já dormia profundamente com o livro caído sobre sua barriga. Desceu as escadas e foi até a cozinha beber um copo de água, e a mesma estava vazia.

Olívia soltou um resmungo de desânimo ao ver a pia cheia de louças e seu senso de limpeza falou mais alto, além de que aquilo seria um bom distrativo até a hora de ir para o estúdio de dança encontrar Pietro.

— Oi? — A voz de Aiden assustou Olívia que se virou assustada para encará-lo. — Estou incomodando?

— Oi! — Ela respondeu simpática. — Claro que não! — Ela se perguntou se tinha soado forçada.

— Caramba. Quem sujou isso tudo e nem se deu ao trabalho de limpar? — Aiden indagou e se aproximou da pia.

— Não sei. Prefiro não fazer deduções porque posso acabar sendo injusta. — Olívia falou com toda sinceridade que possuía.

— De toda forma, está gravado. Descobrirei uma hora ou outra. — Aiden falou e Olívia sorriu.

— Promete que me conta quando descobrir? — Olívia pediu e Aiden tentava entender como que ela tinha mudado de uma hora para outra. Talvez as conversas que Pietro tivera com ela estavam funcionando.

— Qualquer hora que você quiser. — Aiden falou do seu jeito sedutor. — Sabe, parece destino eu ter te encontrado aqui por acaso, eu pensei em você agora há pouco. Podíamos passar um tempo juntos na banheira de hidromassagem mais tarde.

— Acho a ideia tentadora, mas não acha que vão me comparar com a Penélope? Afinal, você estava com ela lá alguns dias atrás. — Olívia comentou rapidamente, e se perguntou se parecia com ciúmes. Era exatamente aquela imagem que queria passar, assim os telespectadores acreditariam que ela estava se interessando por Aiden.

— Ela é maravilhosa, não vou mentir para você porque não é do meu feitio fazer esse tipo de coisa. Mas com você eu sinto essa conexão estranha e intensa. — Aiden começou a falar, usando sua lábia sedutora. — Algo forte que me faz querer ficar perto de você o máximo possível.

— Acha que vou mesmo cair nesse papo? — Olívia falou, colocando a mão na cintura e Aiden sorriu, coçando a nuca.

— Eu daria uma chance antes de qualquer conclusão que possa ter sobre mim. — Aiden falou e pegou um pouco da espuma que tinha na esponja e passou no nariz de Olívia, pensando que aquela cena fofa lhe renderia uma melhora na sua imagem de canalha.

— Está bem. Eu aceito. — Olívia respondeu. — Mas com uma condição.

— Qual? Faço qualquer coisa que você pedir.

— Se você enxugar e guardar as vasilhas que eu lavar. — Olívia falou e Aiden riu.

— Considere o trato feito. — Aiden concordou, dando um beijo no rosto de Olívia que o encarou, surpresa com a atitude dele. — Foi um beijo para fechar o acordo.

Olívia riu, achando que poderia conviver com Aiden, porque no fim das contas, ele era engraçado com todo aquele jeito sedutor e aquela conversinha fiada que ele usava para conquistar as mulheres.

Enquanto isso, Aiden acreditava que Olívia estava entrando no espírito do programa e que nem tudo estava perdido. Se ele continuasse agindo daquele jeito carinhoso e ao mesmo tempo sedutor, sabia que conseguiria o que ele e Pietro tanto queriam.