Um Romance Para Aiden
Capitulo 18
O sol estava brilhando fortemente quando Olívia e as outras participantes se acomodaram nas areias da praia. Normalmente, a ida até a praia era proibida, e só era permitida quando envolvia alguma gravação ou algo assim.
A gravação daquele dia era para o anúncio da nova prova e todas as meninas estavam ansiosas pelo que viria. E Olívia também estava, porque precisava garantir continuação no programa, mesmo que ela sentisse como se não estivesse fazendo muito por aquilo.
Ela se sentia um pouco culpada por ter beijado Pietro novamente na noite anterior, e também por sentir vontade de fazer o mesmo naquele mesmo dia, mais tarde. O único momento em que sua culpa se esvaía, era quando ela se lembrava dos dedos de Pietro escorrendo por sua pele quente, e os beijos deliciosos que eles trocaram.
Pietro estava ali perto, usava uma camisa branca de botão, as mangas da camisa estavam dobradas, dois botões abertos revelando um pedaço da sua pele, uma bermuda cáqui e os pés descalços. Ele estava despojado e Olívia não conseguia tirar os olhos dele.
Ela estava com um biquíni verde-esmeralda, e uma saída de praia branca enrolada na cintura de um jeito que parecia uma saia curta. Pietro tentava evitar, mas era quase impossível tentar escapar quando seus olhos pousavam sobre Olívia, era como um ímã. E com aquelas roupas, a situação piorava ainda mais, porque seus pensamentos tentadores estavam ali.
Marcos avisou que começariam a gravar e todas colocaram seus melhores sorrisos no rosto antes que ele gritasse que estava gravando e David começasse a falar com sua animação de sempre.
— Olá, meninas! Hoje meu dever é apresentar a segunda prova para vocês e tenho certeza de que serão surpreendidas. — David falou e todas as participantes pareciam mais apreensivas ainda. — Para conquistar o coração de Aiden, é preciso conhecê-lo bem, e vocês terão que conquistar outra pessoa além dele, uma pessoa que o conhece desde a infância e que sabe exatamente o que é melhor para Aiden. — David explicava e Olívia tentava imaginar quem seria essa pessoa. — E para essa tarefa, nós resolvemos chamar um amigo próximo de Aiden. — David apontou para a porta que separava as dependências da casa de praia, e a orla. — Jordan "Muralha".
Todas as meninas ficaram em alvoroço, afinal, Jordan "Muralha" recebera esse nome porque era simplesmente o maior lutador de UFC do circuito brasileiro e que já começava a fazer carreira em rumo à ascensão nos Estados Unidos também.
As participantes aplaudiram, enquanto Jordan veio caminhando e se aproximou de Aiden, cumprimentando-o de maneira amigável. Jordan encarou todas as mulheres e abriu um sorriso safado, mas ele conseguia ter uma cara de cafajeste bem pior do que a de Aiden.
— Como se sente em poder participar do programa, Jordan? — David perguntou e Jordan esfregou uma mão na outra.
— Mais feliz do que nunca. — Jordan fez uma reverência para todas as mulheres, cheio de galanteios. — Não tem como ficar melhor, estou rodeado de mulheres maravilhosas e em um paraíso desse.
— Eu espero que você aproveite a semana. — David falou e Jordan assentiu.
— Farei o meu melhor, e Aiden sabe quando me empenho em algo é porque me entrego de corpo e alma. — Jordan comentou e Aiden que estava próximo assentiu com a cabeça.
— Intensidade é o seu forte, não é mesmo? — Aiden falou e riu.
— Acho que estou ansioso para ver no que isso vai dar. — David falou em direção às câmeras. — E vocês, meninas? Preparadas? Precisam mostrar para Jordan que você é a alma gêmea de Aiden e ser escolhida por ele. No próximo final de semana teremos um novo prêmio muito romântico com o Aiden e acreditem, valerá a pena.
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Olívia estava exausta de tantas gravações.
Já tinha perdido as contas de quantas vezes correra pela praia em direção à câmera para uma chamada do programa. O sol estava castigando quando ela se sentou em uma cadeira debaixo da tenda que a produção colocara nas areias da praia.
Ela prendeu os cabelos molhados pela água salgada do mar em um coque e pegou uma água na caixa de isopor que estava ali perto. Naquele momento, Penélope começava a se preparar para iniciar suas gravações e Olívia só estava dando um tempo antes de entrar. Não queria ficar ali encarando Penélope fazer suas expressões forçadas e exageradas.
— Atrapalho? — A voz de Jordan fez Olívia se sobressaltar e ela o encarou rapidamente, antes de negar com a cabeça e engolir a água que tinha acabado de beber.
— De jeito nenhum. Pode se sentar. — Olívia falou, tentando ser simpática com Jordan.
— Estou tentando cumprimentar uma por uma, trocar algumas palavras. São muitas e não quero fazer nenhuma merda ao escolher a pessoa errada no fim da semana. — Jordan confidenciou e Olívia sorriu.
— Seria pior se tivesse chegado semana passada. — Olívia comentou e Jordan assentiu.
— Agora eu estou sabendo quem é quem. Eu assisti o programa ontem, mas ainda assim me confundi um pouco e acabei trocando nomes. — Jordan confessou, sem jeito.
— Olha, eu acho que até o próprio Aiden teve que ficar perguntando quem era quem nos primeiros dias.
— Ele é um filho da puta sortudo. — Jordan falou. — Com um dom maravilhoso, devo acrescentar. Nunca vi ninguém cantar do jeito que ele faz.
— É verdade. Ele faz parecer que a música nasceu com ele, como se fosse algo natural. — Olívia elogiou. Ela acreditava naquilo que dizia, mas sabia que precisava jogar com Jordan, porque já que ele estava ali para avaliar e escolher uma delas, ela precisava sair na frente e para isso tinha que demonstrar interesse em Aiden e em tudo que envolvesse o cantor. A verdade era que Jordan não parecia saber da história de Augusto ter Olívia como favorita, até porque aquilo poderia vazar através de Jordan.
— Você disse tudo agora. — Jordan concordou com a cabeça. — Não é à toa que vocês se beijaram naquele encontro e ele só fala de você, como se quisesse que eu escolhesse você de qualquer jeito.
— A gente teve uma conexão especial. — Olívia mentiu descaradamente. Ela poderia transar com Aiden, porque aconteceria uma explosão quente, mas conexão real, ela só teve com outra pessoa.
— Você parece ter fechado uma panelinha com Gabriela e Mariana. — Jordan comentou e Olívia fez uma expressão preocupada. — Calma. Eu percebi que não é uma panelinha ruim, é um grupo mais fechado. Até porque ficou visível como Penélope parece não gostar muito de você.
— Acho que isso está bem na cara e pelo visto, todos perceberam isso com o programa de ontem.
— Eu nem deveria estar falando sobre isso porque é uma informação que me disseram para não repassar para nenhuma de vocês. — Jordan comentou e sorriu. — Mas não consigo seguir regras muito bem.
Naquele momento, Penélope se aproximou da tenda e pegou uma garrafa de água na caixa térmica para si. Olívia pôde ver Jordan olhar cada pedacinho de Penélope antes que a ruiva o encarasse nos olhos e sorrisse de canto para ele.
— Oi, Jordan. — Ela falou e se virou, saindo dali e voltando para suas gravações.
— Vocês parecem se conhecer. — Olívia comentou.
— Eu a vi uma vez há alguns anos. Ela é modelo, e estávamos no mesmo evento em Paris. — Jordan comentou, e passou a mão pelo queixo. E aquilo ficou na cabeça de Olívia. Eles se conheciam de antes do programa, ou seja, aquilo era algo a favor de Penélope. Talvez, ganhar o voto de Jordan fosse mais difícil do que parecia. — Escute, eu tenho a missão de contar que essa noite teremos um momento de descontração à beira da piscina. Espero você.
— Eu estarei lá, sem dúvidas. — Olívia disse e se levantou da cadeira. — Agora, se me der licença, vou ver se encontro algo para comer porque acredito já passar das duas da tarde e não como nada desde às seis da manhã. — Olívia explicou. — Se quiser ir almoçar comigo, está mais do que convidado.
— Já comi um pouco da moqueca que a Mariana preparou, mas obrigado pelo convite. — Jordan respondeu. — Vou ficar mais um pouco para conversar com a Penélope também.
— Tudo bem, então. — Olívia se aproximou e depositou um beijo rápido na bochecha de Jordan antes de seguir para a casa.
No meio do caminho ouviu um assovio, ela até olhou para trás, achando que alguém estava tentando chamá-la, mas não tinha ninguém ali. Continuou caminhando em direção à casa, mas ouviu o barulho de passos vindos da direção da área verde da casa de Aiden.
Assim como a praia, aquela também era uma área proibida. A área verde, tinha esse nome por motivos óbvios, se tratava de uma floresta preservada que Aiden fizera questão de ajudar financeiramente.
O local era proibido para as participantes do programa, mas era possível visitar o local com o acompanhamento de um guia, fazer caminhadas pelas trilhas e descobrir lugares praticamente intocados pela mão do homem.
Olívia sabia disso, tinha feito uma pesquisa com o incentivo de Valentina sobre os arredores da casa de Aiden.
— Posso saber o motivo dessa expressão apreensiva? — A voz masculina fez com que Olívia desse um pulo de susto, seu coração estava tão disparado que parecia sair pela boca.
— Meu Deus! — Ela exclamou, colocando a mão sobre o peito. — Não me assusta assim, Pietro.
— Me desculpa. — Pietro pediu, mas ele ria, completamente divertido com a situação.
— Espero que o susto tenha um bom motivo. — Olívia comentou, cruzando os braços e colocando um sorriso desafiador nos lábios.
— Vim te chamar para dar uma volta comigo. — Pietro falou.
— Ficou louco? — Olívia indagou, rindo. — Estamos de tarde, ou seja, podemos ser vistos e dariam a minha falta. — Olívia explicou. — Aliás, agora que acabei as gravações externas, se eu demorar mais dez minutos para ligar o microfone, vão chamar a minha atenção.
— Espera aí. — Pietro falou, e foi em direção à praia, sem nem mesmo esperar pela resposta de Olívia que apenas esperou por algum tempo.
Ela não podia negar que só de vê-lo, já queria pular em seus braços. Os malditos hormônios de seu corpo estavam descontrolados e só de encarar Pietro, seu corpo já começava a formigar. Era instantâneo.
Olívia viu Pietro voltando, com um rádio comunicador na mão, uma bolsa térmica pendurada no ombro e falando de um jeito calmo e seguro.
— Eu só preciso de um tempo com ela e resolvo isso, Aiden. Prometo que a trago em uma hora. — Pietro falou calmamente ao rádio e sorriu ao receber uma resposta positiva do outro lado.
— O que você está fazendo? — Olívia começou a falar, mas Pietro a puxou pela mão, sorrindo como quem estava aprontando alguma coisa. — Você avisou que ia me levar para uma volta? Ficou maluco de vez? Eu sei que esse desejo entre nós, acaba nos deixando meio tontos, mas essa ideia sua foi a maior doideira de todas.
— Dá para você parar de se preocupar tanto? — Pietro pediu, ainda rindo como um adolescente. Os dois caminharam por uma trilha, rodeada por muita mata e muitas árvores. Foi uma caminhada curta de cinco minutos, mas Olívia já podia sentir o ar começando a chegar com menos intensidade em seus pulmões.
Eles se aproximaram de uma cerca de madeira, que limitava a casa da área verde. E Olívia sabia disso porque tinha uma placa enorme escrito "ÁREA DE FLORESTAMENTO PRESERVADO" e do lado outra placa que se podia ler "PROIBIDO ULTRAPASSAR".
— Qual foi a desculpa que usou para me tirar da casa? — Olívia indagou.
— Eu disse que você estava em pânico, que tinha ameaçado sair e que pediu para conversar comigo. Eu faço esse serviço com vocês também. Normalmente, te levaria até a psicóloga que temos disponível, mas como no seu caso é uma mentira, farei o papel de psicólogo. — Pietro piscou e Olívia não resistiu em rir.
— Você é definitivamente muito criativo. — Olívia afirmou e sacudiu a cabeça, rindo da situação toda. Pietro, que estava encostado na cerca, segurou a mão dela e a puxou para perto dele, colando os corpos. — E é louco também. Alguém pode nos ver, sabia?
— Daqui ninguém nos vê mais. — Pietro afirmou e Olívia olhou ao redor, vendo apenas árvores, a mata alta e a trilha no chão, que era exatamente por onde eles tinham passado. Já estavam um tanto distantes da casa e naquela área não ia ninguém, já que a área verde era proibida.
— Estamos perto da tal área verde proibida. Vamos mesmo entrar no meio desse mato?
— Quantos obstáculos para um homem conseguir o beijo de uma mulher, não é? — Pietro indagou, suas mãos pousadas na cintura de Olívia acariciaram o local, chegando perigosamente da bunda de Olívia diversas vezes. Aliás, era bem aquilo que ele queria fazer. — Eu conheço essa área aqui como a palma da minha mão. — Pietro falou, antes de capturar o lábio inferior de Olívia e sugá-lo, surpreendendo-a. — Além disso, eu só quero ir até uma certa distância. Tem uma árvore onde eu gosto de me sentar debaixo em dias de sol como esse. — Pietro deslizou uma de suas mãos, pousando-a sobre a bunda redonda de Olívia, e foi a vez dela sugar o lábio inferior de Pietro. A reação dentro da bermuda de Pietro foi automática. — A gente pode conversar sem interrupções ou se beijar sem sermos vistos.
— Então, vamos logo. — Olívia pediu quase que como se ordenasse, sentindo seu corpo praticamente desnudo pinicando com o contato entre ela e Pietro.
Ele a afastou um pouco a ajudou a passar por uma falha da cerca, e indo atrás dela logo em seguida.
— Você deve estar bem louco por mim para chegar nesse ponto de se arriscar tanto para ter uns minutos em privacidade comigo. — Olívia provocou e Pietro que andava ao seu lado deu de ombros antes de assentir. Apesar da mata densa, tinha um caminho no chão, uma trilha que indicava por onde deviam ir, além de placas sinalizando o caminho.
— Digamos que eu não tenha conseguido nem dormir direito pensando nisso. — Pietro confessou. — E quando eu dormi, tive sonhos. Pois é, Olívia Bernardes, você tomou conta da minha mente por completo. Espero que esteja satisfeita.
— Talvez. — Olívia deu de ombros e riu. — Os sonhos eram de que tipo?
— Olívia... — Pietro falou, passando sua língua rosada pelos lábios ao perceber o tom maldoso dela. — Não me faz esse tipo de provocação.
— Mas eu nem provoquei. Só perguntei o tipo de sonho. — Olívia perguntou, dando de ombros e fingindo uma falsa inocência. Pietro respirou fundo, e assentiu com a cabeça.
— Eles eram eróticos. — Pietro respondeu, sem sorrir dessa vez. Quando seus olhos capturaram o olhar surpreso de Olívia, ela pôde descrever exatamente o tipo de pensamentos que estavam em sua cabeça naquele exato momento.
Pietro virou o rosto e apontou para uma curva logo à frente, fazendo com que saíssem da trilha.
— É bem ali. Estamos chegando. — Ele disse, segurando a mão de Olívia, que já podia sentir a brisa do mar. Eles caminharam até uma árvore enorme e tinha um banco de madeira ali, estrategicamente posicionado.
O mar estava logo ali, ao alcance. Ela fechou os olhos, sentindo o vento forte bater sobre sua pele e sacudir os seus cabelos em todas as direções. Por um minuto, conseguiu esquecer que estava em um reality, conseguiu se esquecer na encrenca em que ela estava se metendo.
As mãos fortes e exigentes de Pietro deslizaram sobre sua barriga, e ele a envolveu, abraçando-a por trás e beijando o seu pescoço lentamente, de um jeito carinhoso e que mexia com os instintos dela.
— Você não disse que era para conversar? — Olívia perguntou, zombando das palavras ditas por Pietro.
— Eu também incluí os beijos. — Pietro respondeu, virando o corpo de Olívia para que ela ficasse de frente para ele e sem esperar nem mais um segundo, a beijou. Ambos sentiam a mesma coisa, a sensação arrebatadora e quente. Aquele entusiasmo parecia não ter fim, muito pelo contrário, parecia aumentar cada vez mais.
Quando separaram os lábios, o velho sorriso de satisfação estava estampado no rosto de ambos.
— Eu sei que você não come desde hoje cedo. Beliscou um biscoito ou outro durante a gravação, mas não teve um almoço decente. — Pietro falou e se afastou de Olívia, indo até o banco de madeira desgastado e pegou a bolsa térmica. — Então, eu trouxe o almoço até você.
— Você pensou em tudo mesmo! — Olívia exclamou, admirada. — Você está planejando isso desde quando?
— Eu te expliquei. Nem consegui dormir, então tive muito tempo para pensar. — Pietro respondeu e Olívia se aproximou, depositando um beijo rápido nos lábios dele.
— O homem que me dá comida, tem um pedacinho cativo no meu coração. — Olívia falou e Pietro riu.
— Caramba! Se eu soubesse que era assim tinha mandado trazer um banquete. — Pietro disse, fazendo graça. — Mas senta, come e aproveita. Eu estou realmente preocupado por você não ter comido ainda.
Olívia não hesitou um minuto sequer, e com a ajuda de Pietro, se serviu da comida. Seu estômago estava tão vazio que ela tinha medo de que ele pudesse começar a roncar e fazer barulhos que lhe fariam passar vergonha.
Logo após comerem, eles permaneceram sentados um ao lado do outro. Pietro passou o braço pelos ombros de Olívia e ela se deixou levar pelo contato gostoso. Era proibido, mas era algo real no meio daquele caos de falsidade que ela estava vivendo nos últimos tempos. Com o pensamento de que deveria aproveitar aquilo ao máximo, ela encostou sua cabeça no ombro de Pietro e relaxou.
— Tem tanto tempo que eu não paro assim, e me desligo um pouco da minha vida agitada. — Pietro comentou, dando um suspiro longo. — É uma loucura estar em um paraíso desses e ficar sempre trabalhando, sem tempo para me divertir ou algo do tipo.
— Mas Aiden nem tem ficado muito no seu pé. — Olívia comentou e se lembrou de algo que fez com ela emendasse. — Mas por outro lado, a produtora do programa parece fazer isso constantemente.
— Você reparou? — Pietro indagou, surpreso pelo detalhe que Olívia havia comentado.
— Claro. Ela parece ter algum tipo de ressalva com você. — Olívia falou, sem pensar. E logo depois, se arrependeu por talvez ter falado demais e soado de um jeito completamente errado. Um jeito de quem estava com uma ponta de ciúmes. — Ou é apenas coisa da minha cabeça.
— Você é bem esperta. — Pietro sorriu, passando os dedos pelos cabelos.
— Eu e Camila tivemos um relacionamento. Mas acabou de um jeito complicado.
— Ah, entendo. — Olívia assentiu, acreditando que não deveria ter se metido naquela história e sentindo uma pontada de ciúmes que ela acreditava que não deveria sentir.
— Não. Você parece que acabou de descobrir que sou casado ou algo sério assim. — Pietro falou, rindo da expressão de Olívia e ela sentiu seu rosto esquentar porque não queria ser tão óbvia em seus ciúmes. — Foi um rápido relacionamento. E eu terminei por mensagem de texto, e desde então ela me odeia.
— Meu Deus! Você terminou por mensagem de texto? — Olívia parecia surpresa por aquilo e sentiu-se penalizada por Camila. — O que aconteceu para que você decidisse fazer algo desse tipo?
— Olha só, você é a primeira pessoa que me pergunta o que realmente aconteceu. Normalmente, já começam falando que não sei me envolver, que não tenho paciência para relacionamentos. O que não é uma grande mentira, já que meus relacionamentos não duram muito. — Pietro confessou. — Mas a culpa nem sempre é minha.
— E nesse caso, a culpa foi sua ou dela?
— Não quero dizer que a culpa tenha sido dela. Eu vou apenas te contar o que aconteceu. — Pietro começou a falar. — Quem me apresentou Camila, foi Aiden. Eles se conheceram em uma festa e ela ofereceu alguns contratos para Aiden por alto, não era nenhuma promessa e por isso Aiden passou meu número para que ela formalizasse as propostas de trabalho comigo. Ela me ligou dois dias depois, e marcamos um almoço, já que era o único horário que eu teria disponível e durante o almoço, ela elogiou Aiden e toda a desenvoltura dele, como sempre acontece. — Pietro contava enquanto Olívia o encarava completamente atenta. — No fim da nossa reunião, ela me perguntou se eu queria sair com ela qualquer dia para tomar alguma coisa. Eu fiquei surpreso porque todo mundo conhece Camila Moreno e sabem que ela não faz um convite para um cara sem interesse. Ela dispensa todo e qualquer engraçadinho que aparece no caminho dela.
— Ela parece ser bem séria. — Olívia comentou.
— Você não tem ideia do quanto. — Pietro deu uma risada debochada. — O que aconteceu, você já imagina. Eu e ela acabamos nos encontrando e começamos a nos relacionar. A gente se aproximou muito, a ponto de eu ficar com ela na emissora até tarde, esperando que ela terminasse seu trabalho para que pudéssemos sair juntos logo depois. Nossos horários eram sempre muito confusos e a gente tinha que fazer assim ou não conseguiríamos ver um ao outro. Até que em um desses dias, ela me pediu para revisar um e-mail com a proposta de um dos próximos programas que ela seria editora, porque ela se sentia exausta demais e se eu fizesse isso, provavelmente, adiantaria o serviço dela e poderíamos ir para o meu apartamento ou o dela em seguida.
— Você encontrou alguma coisa no e-mail dela. — Olívia deduziu e sentiu-se mal por ter achado que Pietro tinha um coração ruim.
— Como você sabe? — Pietro indagou.
— Pela sua expressão fica fácil deduzir. — Olívia comentou e deixou o bichinho da curiosidade se apossar dela. — O que era, Pietro?
— Eu li um e-mail que ela tinha enviado e ela tinha esquecido dele aberto na tela do computador. — Pietro confessou. — Eu sei que deveria ter parado de ler logo no começo, mas quando li as palavras "esqueça aquele maldito beijo no elevador", me vi preso e fui até o fim.
— Ela te traiu?
— No e-mail ela se declarava para o homem, dizia que apesar de estar comigo era tudo porque queria se aproximar dele, mas que estava se dando conta de que eu era um cara bacana e que o beijo que ela tinha roubado deveria ser esquecido caso não fosse correspondido.
— Ela estava querendo te garantir do lado dela caso não fosse correspondida? — Olívia perguntou, sentindo-se verdadeiramente irritada por Camila ter feito aquilo com Pietro.
— Basicamente isso. — Pietro confirmou.
— Mas por que você terminou por mensagem de texto? Você deveria ter dito tudo olhando para a cara dela e ter pedido explicações por aquela merda toda. Uma mensagem de texto não pode ser suficiente. — Olívia protestou com veemência.
— O homem para quem ela enviou o e-mail era Aiden. — Pietro confessou e Olívia parou de falar, com a boca aberta em surpresa e sua falta de reação era devido ao choque.
— Caramba. — Olívia expressou sua surpresa.
— Entende agora? — Pietro indagou, dando um longo suspiro em seguida. — Não dava para pedir explicações ou reclamar porque isso refletiria em meu próprio trabalho. Eu achei que não valia a pena me desgastar, e correr o risco de me prejudicar profissionalmente além do prejuízo emocional e então fui embora, sem ao menos me despedir e no caminho do meu apartamento, quando parei em um sinal vermelho, aproveitei e digitei uma rápida mensagem de texto dizendo que não dava para continuar nosso relacionamento. Eu não sei como, mas ela se ofendeu com o episódio e age até hoje como se o culpado tivesse sido eu pelo término.
— Eu sei que não tenho o direito de me meter em sua vida, mas acho que deveria ter dito algumas verdades para Camila, Pietro. Ela merecia ouvir a razão pelo término.
— Ela poderia cancelar os contratos de Aiden, porque ainda não tinham sido assinados até então. — Pietro comentou.
— Pietro, você tão noção do quão errado e sujo é isso? — Olívia questionou, agitada pela indignação que havia se instalado nela. — O que Aiden disse sobre isso tudo? Você falou para ele, não falou?
— Eu achei melhor nem mesmo envolvê-lo. Eu achei que ele fosse comentar alguma coisa sobre o tal beijo no elevador, mas nunca falou nada sobre o assunto. — Pietro revelou.
— Há quanto tempo você guarda todas essas coisas para si mesmo? Pietro, você tem vivido a vida de outra pessoa e tem se sacrificado tanto em prol de quem nem mesmo te devolve toda essa dedicação. — Olívia falou, sem frear suas palavras e sem medir o que estava jogando ali e ao encarar o rosto lívido de Pietro, percebeu a merda que tinha feito. — Me desculpe. Quem sou eu para falar alguma coisa sobre sua vida. Preciso aprender a fechar minha maldita boca e segurar minhas emoções.
Pietro riu, sacudindo a cabeça e puxando Olívia em sua direção, beijando-a de surpresa e Olívia logo correspondeu, se levando pela carícia gostosa que os lábios dele faziam sobre os seus, e do gosto de suco de morango que havia no beijo.
— Você não precisa aprender nada. — Pietro falou, assim que separou seus lábios dos de Olívia. — Parece que quem tem que aprender muito aqui, sou eu. Obrigado por se importar tanto comigo. Esse é um sentimento novo, é a primeira vez que isso acontece em anos, e é estranho para mim. Mas nunca achei que fosse ser tão fácil me acostumar com essa atenção.
Olívia foi quem o beijou dessa vez, e em seguida se ajeitou ainda mais em seus braços, sentindo-se segura, e em casa. Era como se os dois juntos, fossem imbatíveis, o que acabava sendo muito contraditório porque aquela união dos dois poderia ser a ruína de ambos.
Quando voltaram para a casa, Pietro alertou que seria bom que voltassem separados e que não passassem pelo jardim principal, mas que dessem a volta pela enorme casa e entrassem pelos fundos para não chamarem a atenção. Pietro iria para a cabana de edições e Olívia seguiria para a casa principal e pronto. Estariam em segurança.
— A gente marca um encontro casual desses depois, pode ser? — Pietro perguntou e piscou para Olívia que sorriu, derretida pelo olhar que o homem lançava para ela.
— De preferência, na sua cabana. — Olívia respondeu e piscou, fazendo com que Pietro colocasse a mão sobre o peito.
— Não brinca comigo assim, Olívia. Você já teve uma pequena prova do que sou capaz. Quando mexe com fogo, não vai poder reclamar depois. — Pietro respondeu, fazendo a ameaça mais excitante que Olívia já ouvira.
— Eu não tenho medo de me queimar. — Olívia respondeu à provocação e Pietro resmungou.
— Entra logo nessa casa antes que eu te carregue para dentro da minha cabana e não te deixe sair de lá mais. — Pietro falou, rindo e arrancando uma risada de Olívia em seguida. Ela ia responder alguma coisa, mas as palavras ficaram suspensa quando gritos chegaram aos ouvidos de ambos.
— Seu filho da puta! Vá embora agora mesmo daqui! — Era a voz grossa e inconfundível de Aiden. Pietro arregalou os olhos e encarou Olívia com visível desespero antes de correr para dentro da casa e fazendo o que tinham decidido evitar, que era entrar juntos.
A cena se desenrolava na piscina da casa, Aiden estava à beira da mesma e Jordan estava dentro da piscina de roupa e tudo. Talita chorava compulsivamente ali perto, vestida apenas de calcinha e uma camisa que Olívia tinha visto no corpo de Jordan mais cedo.
Aquilo tudo parecia muito confuso, mas Pietro logo tentou estabilizar e esclarecer o que estava acontecendo ali. Ele deu um olhar rápido para Olívia que entendeu o recado e assentiu antes de seguir até onde estavam Gabi e Mariana. Enquanto isso, Pietro seguiu até onde Camila estava, comandando as câmeras com seu jeito imponente e mandão.
— O que está acontecendo aqui? — Pietro perguntou para Camila que sorria, visivelmente contente com o que o que acontecia ali.
— Jordan fodeu com uma das garotinhas do Aiden no Quarto do Amor antes que o próprio dono do programa tivesse a chance de fazer isso. — Camila respondeu, rindo ainda mais da situação e Pietro sacudiu a cabeça. — Câmera 2, foca no Jordan, por favor? Preciso do close dessa feição de quem está pouco se importando. E câmera 4, focaliza o ambiente em plano aberto porque eu já sei como isso vai acabar. — Camila falou em um walkie-talkie.
— Precisamos parar de gravar essa merda agora mesmo! — Pietro ordenou e Camila franziu as sobrancelhas.
— E eu posso saber o motivo? Isso vai dar toda a audiência que eu preciso para o programa, Pietro. — Camila respondeu de maneira decidida. — Eu decido que as cenas ficam. Qualquer coisa, editamos algumas cenas, mas a briga fica. Estamos entendidos? — Camila falou em tom arrogante e Pietro segurou a raiva que estava ali, prestes a explodir, porque no segundo seguinte, Aiden se jogou na piscina para começar uma nova rodada de briga com Jordan.
Aquela confusão parecia longe de acabar.