Um Romance Para Aiden

Bia Tomaz · Capítulo 12 de 31

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Um Romance Para Aiden

Capitulo 12

Pietro estava na academia, tentava fazer alguns exercícios, mas já era quase uma da manhã e Olívia não tinha aparecido ainda. Ele já começava a acreditar que ela não tinha conseguido aprender nada e estava se escondendo dele para evitar que ele reclamasse ou detonasse sua apresentação.

Ele pegou sua toalha e enxugou o rosto, bebeu água de sua garrafa e quando já se preparava para voltar para sua cabana e dormir, a porta da academia se abriu. Olívia entrou no local, sabendo que estava muito atrasada e sorriu culpada.

— Eu sei que estou atrasada, mas foi por um bom motivo. Estava com Aiden na cozinha, criando cenas boas para alimentar o público como você me pediu. — Olívia se explicou antes que Pietro falasse qualquer coisa.

— Sério? — Pietro ergueu as sobrancelhas, mostrando sua surpresa perante à novidade. — Acho que estamos começando a ter um avanço.

— Sim. E acredite, nem foi tão ruim assim conversar com ele. — Olívia contou. — Aiden é até engraçado depois que você se acostuma com o jeito dele.

Pietro não pôde resistir ao sentimento que brotou em seu íntimo, era mais forte do que ele, mas ele estava com ciúmes do que ouvira. Na cabeça dele, aquelas palavras significavam que Olívia estava caindo de amores por Aiden, assim como todas as mulheres. Incluindo as quais ele tinha uma queda. Não seria a primeira vez que uma garota que ele se interessava acabava se apaixonando por Aiden.

Não que ele pudesse realmente se interessar por Olívia, aliás aquilo era completamente fora dos limites. Algo tão arbitrário como aquilo, seria o motivo suficiente para uma demissão.

— Esse é o caminho. — Pietro comentou, tentando passar por cima de seus sentimentos e aconselhar o certo para Olívia.

— Sei disso e é exatamente por esse motivo que aceitei tomar um banho de hidromassagem com ele depois da minha pequena apresentação. — Olívia falou, lembrando-se de que teria aquele obstáculo pelo caminho. Ela tinha quase certeza que tropeçaria no meio da apresentação e estragaria a dança toda.

— Nossa! Você está bem rápida! — Pietro falou, tentando não evidenciar seu desapontamento. Mas Olívia conseguiu obter um vislumbre do que Pietro tentava não transparecer em seu olhar e se perguntava se estava vendo demais ou se Pietro estava falando de maneira ácida.

— Você acha que não vai cair bem? Afinal é a primeira semana, e não quero parecer uma boba para o público.

— Você fez certo. Tem que mostrar que tem entrosamento com Aiden. — Pietro falou com sensatez. Aquele era o conselho certo a dar na concepção do empresário, afinal, ela tinha que vencer o programa. — Faça o que achar melhor, Olívia. Confie nos seus instintos.

— Certo. Farei isso. — Olívia respondeu. — Então, precisamos ir logo para o estúdio. Marquei com Aiden daqui a uns trinta minutos.

— Não fui eu quem cheguei atrasado. — Pietro disse, sem emoção na voz e caminhou até a porta dentro da academia que dava acesso direto ao estúdio. Ele destrancou a porta e entrou no local, sendo seguido por Olívia.

Ela era boa para perceber o que as outras pessoas ao seu redor estavam sentindo e tinha captado que Pietro a estava tratando diferente, mas não sabia se devia perguntar, pois acreditava não ser da sua conta.

Em silêncio, ela se aproximou do aparelho e digitou o nome da música que dançaria, "It won't stop" da Sevyn Streeter, e tentou relaxar os músculos. Mas era difícil demais quando ela sentia os olhos de Pietro queimando sobre ela, seguindo-a e investigando-a sem pudor algum.

Se ela não soubesse que era tudo pelo programa, ela poderia jurar que Pietro estava observando-a de um jeito diferente. De um jeito tão intenso que parecia fazer a pele de seu corpo inteiro queimar um pouco. Mas talvez aquele calor fosse apenas sua vergonha que fizesse o sangue de seu corpo fluir mais rápido e causasse aquela sensação de calor.

Olívia respirou fundo, abaixou a luz para criar um visual mais íntimo, e apertou um botão que criava um efeito avermelhado na iluminação, porque sabia que quem assistisse precisava se sentir íntimo dela e a cor vermelha era quente, era tudo o que ela precisava.

Ela foi até a barra, o ferro estava gelado assim como sua mão. Olívia se posicionou, encarou o espelho que estava atrás de Pietro para criar coragem de encarar o homem nos olhos, afinal aquela era uma das dicas que Ana lhe dissera ser primordial.

Pietro estava sentado de frente para onde Olívia estava, de braços cruzados e tentando se manter sério diante daquele monumento à sua frente. Ela já era bonita de qualquer jeito, mas com aquele short preto e a blusa de mangas compridas pretas, que era tão justa quanto o short, não colaboravam para que ele freasse seus pensamentos sujos.

Ele só conseguia pensar que além de toda aquela produção, ela dançaria pole dance, faria movimentos sensuais diante de seus olhos e com aquelas malditas botas de cano alto que mexiam ainda mais com sua imaginação. Sua pergunta era se ele sobreviveria para comentar com Olívia se ela estava indo bem ou não em sua dança.

— Pode dar o play na música para mim? — Olívia pediu e Pietro apenas assentiu antes de se levantar, sua voz parecia ter sumido no momento em que Olívia entrara no estúdio com aquela caracterização.

A música lenta começou, e Olívia começou a repetir o que aprendera durante suas aulas. Segurou a barra e deu uma volta em torno dela, caminhando de maneira sensual como Ana dissera, seus olhos encontraram o de Pietro quando ela terminou o movimento e ela prendeu seu olhar no dele que parecia concentrado na dança, sem muita reação em seu rosto.

A verdade era que ele não estava preparado para aquela cena que se desenrolava ali, bem diante dele. Pelo o que Olívia dissera para Pietro, não havia uma célula que desenvolvesse bem uma dança em seu corpo, mas pelo o que ele assistia naquele exato momento, podia afirmar o oposto.

Enquanto ele a assistia, sem conseguir desviar o olhar, se perguntava o que tinha feito na vida para ter a chance de ganhar um show privado como aquele que estava presenciando. Mesmo não sabendo o que tinha feito para merecer aquilo, só tinha certeza de uma coisa, de que era dos caras mais sortudos do mundo.

Olívia deslizou suas costas pela barra, deslizando as mãos pelo seu corpo, depois subiu e repetiu o movimento de deslizar as costas indo até o chão, mas dessa vez abriu as pernas um pouco. Ela o encarou de maneira intensa, sentindo seu coração acelerado no peito e Pietro sorriu de maneira sutil, o canto de seus lábios subiu um pouco e aquilo foi o suficiente para criar uma faísca dentro de Olívia, era o que ela precisava para se soltar mais ainda, e deixar a dança fluir.

Seu nervosismo ainda estava ali, mas por algum motivo que ela não conseguia entender, estava deixando seu medo de lado porque se sentia segura, mesmo que estivesse dançando exclusivamente para um completo estranho.

Apesar de que a sensação que ela tinha era de que Pietro não era estranho.

Pietro sentiu o calor do estúdio aumentar em poucos segundos, enquanto as batidas de seu coração aumentavam juntamente com cada batida da música quente e sensual. Tudo estava saindo perfeito aos olhos dele, cada movimento de Olívia, cada olhar intenso dela.

Ela parecia dançar de maneira leve e sensual, como se soubesse exatamente o que estava fazendo, como se aquilo dali fosse algo comum de seu dia-a-dia. Pietro sabia que se no fim daquela música, ele ficasse sem ar para respirar, o motivo teria nome e sobrenome.

Olívia deitou no chão de barriga para baixo, e subiu devagar ficando de quatro e deixando sua bunda empinada, acabando de vez com qualquer chance de Pietro conseguir dormir naquela noite. Ela se ergueu por completo rodou na barra, executando um movimento com delicadeza e ao mesmo tempo sensual de maneira absurda aos olhos de Pietro.

Os olhos de Olívia encontraram os de Pietro novamente, e ela pôde vislumbrá-lo umedecendo os lábios, mas ela não sabia que a secura na boca do homem era resultado daquela dança envolvente e sedutora.

A dança acabou com ela executando passos lentos que a levaram a se deitar no chão de barriga para baixo e as pernas para cima, com um sorriso atrevido nos lábios. Pietro sorriu de volta, sem nem ao mesmo se dar conta de como estava parecendo um completo abobado.

Quando ela finalizou, se perguntou o que escutaria a seguir. Se Pietro seria gentil e mentiria que ela tinha ido bem ou se ele diria que ela tinha sido péssima, que precisava de um curso que durasse anos para aprender alguma coisa.

A respiração dela estava desregulada após todos seus esforços e como ela não tinha levado nenhuma garrafa com água, se aproximou de Pietro, que ainda estava em silêncio.

— Posso beber a água que sobrou da sua garrafa? — Olívia pediu e Pietro que ainda parecia estar em uma espécie de transe, pigarreou, antes de conseguir falar.

— Claro. — Pietro respondeu, erguendo a água para Olívia, que pegou a mesma e bebeu sem cerimônia alguma. — Você ensaiou quantas vezes, Olívia?

— Várias. — Ela respondeu após beber um gole da água, ainda tentando recuperar seu fôlego. — Juro que aproveitei todas as vezes que podia vir para cá e ensaiar. Você acha que fui muito mal? Que deveria ter ensaiado mais? — Olívia começou a indagar em visível desespero.

— Nada disso. — Ele começou a falar. — Senta aqui e respira fundo. Recupera seu fôlego antes de qualquer coisa.

— Obrigada. — Olívia agradeceu enquanto Pietro puxava um banco para que ela se sentasse. — Mas eu não aguento essa ansiedade, me fala logo o que você achou ou eu vou ter um treco.

— Tudo bem. — Pietro sorriu, divertindo com o jeito de Olívia. — Eu achei magnífico.

— Ah, sei. Agora falando sério e sem zombar de mim. — Olívia riu, achando que Pietro estava fazendo algum tipo de graça.

— Mas eu estou falando sério, Olívia. — Pietro curvou seu corpo e apoiou os braços sobre suas coxas. — Você foi ótima. Pode parecer um tanto quanto ridículo, mas eu consegui me conectar com você enquanto dançava. Foi perfeito. Foi...intenso.

— É sério? Eu nem acredito! — Olívia mordeu o lábio inferior e sorriu em triunfo. — Eu ensaiei tanto, você não imagina, mas eu dei o meu máximo. Sinto como se tivesse feito meu trabalho.

— Eu imagino. E digo isso porque eu senti todas as suas emoções enquanto dançava, ficou difícil até desgrudar os olhos de você. — Pietro explicou. — Te garanto que todos ficarão apaixonados com você em definitivo quando assistirem essa apresentação. Incluindo o Aiden, é claro. — Pietro falou de Aiden na tentativa de amenizar todos os elogios que estava fazendo para Olívia. Estava sendo complicado manter o profissionalismo com ela.

— Sabe, essa é a primeira vez desde que me sinto completamente confiante de que vou garantir mais uma semana aqui. — Olívia confessou. — Suas palavras foram como um combustível para mim.

— Sinto que cumpri meu objetivo. — Pietro falou, sincero. — E você falando que não sabia dançar bem. Você me pareceu profissional. Eu adoro dança de salão e fiz até aulas, mas nunca consegui o que você fez aqui, e com menos de uma semana de ensaio.

— Sério que você dança? — Olívia indagou.

— Claro. Vai me dizer que eu pareço ser careta demais para dançar? — Pietro comentou e riu, se lembrando do que a própria Olívia lhe dissera alguns dias antes. — Levanta aí.

Pietro se levantou e Olívia fez o mesmo em seguida, vendo Pietro ir até o aparelho de som e escolher uma nova música. Assim que escolheu, a melodia envolvente chegou aos ouvidos dela, que ainda tentava entender o que o homem estava fazendo ali.

Pietro caminhou na direção de Olívia, parecendo muito decidido do que queria.

— Dança comigo? — Pietro estendeu a mão para ela, que ficou surpresa no primeiro instante, mas deixou se levar pelo sorriso que se abria no rosto de Pietro.

— Seria uma honra, mas já peço desculpas se eu pisar no seu pé. — Olívia falou ao colocar sua mão sobre a dele e Pietro não conteve uma risada deliciosa.

— Fale menos e dance mais. — Pietro disse e puxou Olívia para si, colando seu corpo ao dela e se arrependendo em seguida. O contato físico era o que ele deveria evitar ao máximo com Olívia, mas ele estava descumprindo aquela regra simples e causando alvoroço dentro de si.

Ele fez alguns movimentos simples e tentou ensinar um pouco para Olívia que acabou por errar praticamente tudo. Ambos tentavam não demonstrar o quanto a proximidade um do outro mexia no íntimo de cada um. Mas era quase impossível quando Olívia sentia a mão de Pietro escorregando pelas suas costas de maneira despreocupada, ou quando Pietro sentia cada curva do corpo de Olívia colada em seu corpo.

No fim, eles estavam ofegantes e riram de si mesmo, do fiasco que foram ao dançar juntos.

— Você foi ótima. Só pisou no meu pé umas dez vezes. — Pietro comentou de maneira irônica e deu de ombros, levando um tapa de Olívia que se fazia de ofendida.

— Você não soube me ensinar. Aliás, tem certeza de que fez aulas de dança? — Olívia indagou, zombando de Pietro.

— Não precisa ofender tanto. — Pietro comentou e foi sua vez se fazer de ofendido.

— Estou só brincando. — Olívia falou. — Na verdade, eu adorei. Me fez até relaxar um pouco e esquecer que estou em um reality show. Aliás, você tem tornado minha estadia aqui muito mais confortável.

— Eu fico muito feliz com isso. — Pietro disse, em total sinceridade. — E fico mais feliz ainda ao perceber que você encontrou a motivação para dar o seu melhor e permanecer no reality. Continue assim.

— Pode deixar comigo. — Olívia piscou. — Se não se importa, preciso ir. Ainda tenho que me trocar para encontrar Aiden na hidromassagem.

— Claro! — Pietro assentiu. — Não dá para deixá-lo esperando.

— Até daria se não estivesse aqui dentro da casa, mas como eu quero muito ganhar esse programa, realmente não tem como fugir desse compromisso. — Olívia explicou e em seguida ficou se perguntando o motivo de estar tentando explicar algo para Pietro. Se achou patética e antes que abrisse a boca para falar outra merda, resolveu sair dali. — Enfim, boa noite.

— Boa noite e boa sorte amanhã. — Pietro disse e piscou para Olívia. — Tenho a certeza de que vai arrebentar. — Pietro finalizou e ela sorriu com o comentário.

— Ah, e eu não posso sair daqui sem te agradecer. Caramba! — Olívia falou, como se aquilo fosse algo vital. E era, para Olívia, a atitude de Pietro tinha sido essencial e se não agradecesse, seria uma vergonha para ela.

— Não precisa, Olívia. Somos um time, você precisa vencer e eu preciso de você. — Pietro disse e percebeu a ambiguidade do que havia falado. — Quero dizer...o programa precisa de você.

— Eu entendi. — Olívia riu do jeito atrapalhado de Pietro. — Mas eu sou muito grata a você de qualquer forma. — Ela se aproximou de Pietro, que ficou estático, o coração acelerado pela aproximação rápida e repentina. Olívia segurou no braço de Pietro, ficou na ponta dos pés e depositou um beijo rápido na bochecha do homem. — Obrigada! Ah, você pode pegar essas roupas que vou usar para dançar amanhã e guardá-las com você? Não quero deixá-las no banheiro da academia e correr o risco de não ter o que usar amanhã. — Ela pediu e Pietro apenas assentiu em concordância.

E então, ela se virou, e saiu dali como se nada tivesse acontecido.

Pietro respirou fundo, aproveitando as sensações que Olívia causara no seu corpo desde o primeiro momento em que pisou naquele estúdio de dança. Fosse com os movimentos quentes do pole dance, com aquela dança boba dos dois ou com aquele simples toque dos lábios dela sobre sua pele. Seu rosto ainda parecia formigar onde ela havia o beijado.

Aquilo dali era a prova para a certeza da merda na qual estava se metendo. Na verdade, não foi só aquilo, mas também a vontade esmagadora de puxar Olívia, grudá-la na parede daquele estúdio e fazê-la enlouquecer.

Olívia trocou de roupa no banheiro da academia mesmo, e em menos de um minuto saiu do local. Ela caminhou em direção da banheira de hidromassagem, e quando se aproximou, viu Aiden dentro da mesma, com a taça cheia de champanhe. Ele carregava o mesmo semblante atraente e sedutor de sempre. Ao reparar que Olívia se aproximava, Aiden abriu seu sorriso incrivelmente branco e convidativo.

— Opa! Até que enfim! — Aiden falou com a voz animada. — Achei que tivesse levado um bolo.

— Eu não faria isso com você. — Olívia respondeu no automático. Ela tirou o roupão que envolvia seu corpo, sentiu o vento bater contra sua pele desnuda e arrepiou-se, sua atitude instintiva foi de abraçar seu próprio corpo. Ela tinha decidido usar um biquíni, apesar de achar que inicialmente nem mesmo teria coragem de ficar com um maiô na frente das câmeras.

Aiden encarou as curvas do corpo de Olívia sem pudor algum, estava completamente hipnotizado e Olívia sentiu-se intimidada diante do olhar interessado do cantor.

— Ei, Olívia. Entra na água, ela está quentinha e se você quiser eu te ajudo a aquecer. — Aiden sugeriu e piscou de maneira galanteadora. Olívia riu e sacudiu a cabeça diante da investida dele.

— Você não perde uma chance. — Olívia falou antes de tirar os chinelos de seus pés e entrou na água que assim como Aiden havia dito, estava quente. Olívia sentiu alívio sentar-se na banheira e sentir seu corpo sendo abraçado pelas águas aquecidas.

— Eu não resisto quando fico perto de alguém tão apaixonante assim como você. — Aiden falou, e Olívia olhou para ele, surpresa pelas palavras dele. Mas em seguida Aiden olhou discretamente para a direção de uma câmera, o que fez Olívia se lembrar do que ele estava fazendo.

— Assim você me deixa sem jeito. — Olívia respondeu, entrando no jogo de atuação.

— Aceita uma taça de champanhe? — Aiden perguntou e Olívia assentiu.

— Aceito.

— Sabe, é engraçado como que mesmo rodeado de câmeras, não me sinto incomodado aqui. — Aiden começou a falar. — Diferente de quando surgem paparazzi para me atormentarem.

— Parece ser algo muito estressante ter sempre alguém na sua cola, e pior ainda, alguém que esteja pronto para inventar uma notícia nova sobre você que nem mesmo condiz com a realidade.

— E é muito estressante! — Aiden entregou a taça de champanhe para Olívia que bebericou um pouco. — Você deve acreditar em tudo o que vê sobre mim.

— Claro que não! — Olívia falou, mesmo sabendo que aquela era uma mentira deslavada. Ela acreditava em praticamente tudo que saía na mídia sobre Aiden. Menos a história de que Aiden batera no repórter porque pelas informações que lera, parecia ser uma armação. — Eu acredito que você seja o mesmo cara que tem sido aqui com a gente. Um homem carinhoso, atencioso, respeitador, educado e que sabe usar seu poder de sedução como ninguém. — Olívia riu ao falar as últimas palavras. — Aliás, você até exagera nesse quesito.

— Eu só sigo meus sentimentos. Acredito que podemos perder uma chance se não nos estregarmos ao que sentimos e então dou meu máximo. — Aiden sorriu de um jeito malandro. — Mas agradeço muito por acreditar em mim. — Aiden agradeceu.

— Não sou só eu. Tenho certeza de que as outras participantes também devem acreditar em você, ou elas nem teriam se inscrito. — Olívia comentou.

— Tomara. Mas me diga, sei mesmo usar meu poder de sedução? — Aiden perguntou. — Isso quer dizer que estou conseguindo te conquistar? — Aiden perguntou, apreensivo da resposta de Olívia. Ele temia que ela desse uma resposta errada e estragasse tudo o que eles estavam gravando até então.

— Talvez. — Olívia respondeu e mordeu o lábio inferior, fazendo charme.

— Não faça essa expressão porque fica difícil resistir. — Aiden pediu.

— Resistir ao quê? A mim?

— Exatamente. — Aiden confirmou com um aceno positivo de cabeça. — Resistir em te beijar.

Aiden deslizou um pouco para o lado de Olívia e acariciou os cabelos dela, que não virou o rosto e continuou bebendo seu champanhe. Ela sabia que Aiden insistiria, era a cara de um homem do tipo dele fazer aquilo.

Para ela, aquela situação toda estava bem clara e parecia uma equação simples de resolver. Ela estava deixando implícito um certo tipo de interesse para Aiden, mesmo que aquilo fosse um estímulo falso, se tornava uma incógnita na cabeça dele, algo que fazia com que ele ficasse ainda mais curioso e interessado nela. No final da equação, aquilo faria que os telespectadores torcessem para que eles resolvessem aquele impasse e claro, torcessem para que os dois dessem certo.

Olívia virou o rosto para o lado e encarou os olhos de Aiden, sabendo qual seria o próximo passo do cantor. Ele tentaria beijá-la, e o primeiro passo dele foi beijar o ombro de Olívia carinhosamente, encarando-a como se a desejasse de maneira intensa. Era difícil falar que Aiden não causava um reboliço em seu interior, mas Olívia não conseguia se sentir interessada em Aiden além de seu corpo maravilhoso esculpido pelos deuses gregos.

Aiden se aproximou do rosto de Olívia e quando as bocas quase se tocaram, ela se afastou e sorriu.

— Me desculpe, Aiden. Acho que ainda é meio cedo para um beijo. — Ela disse e Aiden sorriu.

Aiden agradeceu aos céus por Olívia estar enfim se envolvendo no reality, não sabia se o que ela estava fazendo era fingimento ou não, mas sabia que estava gostando de ver que ela estava mudando. Seria sua salvação e de Pietro.

— Tudo bem. E quem pede desculpa sou eu por ter avançado o sinal desse jeito. — Ele disse em reposta. — Então, me conte uma coisa. Está nervosa para a apresentação de amanhã? — Aiden falou, mudando de assunto.

— Acredita que não? — Olívia bebeu o resto de champanhe em sua taça. — Estou confiante de que vou mandar bem amanhã e até mesmo de que eu possa ganhar a prova.

— Nossa! Que confiança. — Aiden comentou. — E o que te deu toda essa convicção?

— Eu ensaiei muito, dei meu melhor. — Olívia explicou. — E essa noite, tive um último ensaio que me deu toda a segurança que precisava. — Olívia terminou, lembrando-se de Pietro.

— Quer outra taça? — Aiden perguntou. — Ou prefere ir se deitar? Eu te entenderia perfeitamente.

— A noite está só começando, temos tantos assuntos para conversar. — Olívia falou de um jeito que deixava implícito uma segunda intenção. — Me serve outra taça?

— Claro! — Aiden serviu mais bebida na taça de Olívia e entregou para ela.

Nem Olívia ou Aiden perceberam quando Pietro passou de longe e os observou. Ele caminhou rapidamente em direção à sua cabana, estava cansado de todo o exercício que fizera antes de Olívia chegar na academia, além da dança dos dois e estava extasiado pelo que vira.

Foram os cinco minutos mais intensos de sua vida. Ele podia apostar isso.

Somente as lembranças dela deslizando seu corpo, rebolando e envolvendo-o em uma teia sedutora, era o suficiente para que seu corpo reagisse e uma ereção surgisse. Aliás, ele esperava que Olívia não tivesse reparado aquele pequeno detalhe, que na sua opinião era bem grande. Como todo homem acredita, aliás.

A sensação de êxtase só sumia quando ele se lembrava que ela estava com Aiden na banheira de hidromassagem. Aquela ideia não deveria incomodá-lo, mas era mais forte do que ele.

As roupas que Olívia usara para dançar estava em suas mãos, pois assim como ela pedira, Pietro as pegou para guardá-las. Ele sabia bem que Olívia temia que alguma das meninas pudesse encontrar a roupa no armário do banheiro e fazer alguma maldade. O programa se tratava de competitividade, e todas que estavam ali eram muito competitivas, se não fossem, nem estariam no programa.

O cheiro do perfume de Olívia estava impregnado nas roupas que exalavam o cheiro dela. Era difícil para Pietro desviar dos pensamentos que invadiam sua mente como raios, ou melhor ainda, como flashes dos momentos em que era apenas ele e Olívia em um estúdio de dança.

Pietro encarou as roupas em suas mãos e jogou-as em cima da cama antes de sair da cabana com determinação. Ele caminhou em direção ao único lugar que ele poderia saciar sua curiosidade com passos rápidos e logo alcançou a maçaneta da porta do local.

Abriu a porta e a equipe técnica trabalhava de maneira intensa. Observando as cenas da casa, mas como praticamente todas as mulheres dormiam ou conversavam, o tópico da noite era o encontro de Olívia com Aiden na hidromassagem.

— Não quis nem mesmo tomar um banho? — Jonas, um dos operadores das câmeras, indagou para Pietro. Isso porque Pietro ia todas as noites até a sala da equipe técnica, e observava algumas cenas que rolaram durante o dia e tinham sido escolhidas pela equipe de edição do programa.

— Não comece com gracinhas ou eu te demito da mesma maneira que consegui te contratar. — Pietro falou em tom ameaçador e Jonas riu. Jonas era um amigo antigo de Pietro, era da mesma cidade dele e se conheciam desde criança, quando brincavam de futebol no meio da rua em que eles moravam.

— Olha só! Está nervosinho? O que houve? Encontrou com a Camila por aí? — Jonas alfinetou Pietro.

— Não. Para a minha sorte, hoje ela decidiu dormir em um hotel próximo daqui. — Pietro explicou.

— Sério? Então qual é o motivo desse humor nada bom?

— Eu posso ver o que você e todos os outros estavam comentando? — Pietro pediu, ansioso.

— Claro. — Jonas puxou uma cadeira. — Senta aí. Estamos administrando os movimentos das câmeras perto da hidromassagem. Sabe aquela mulher que você comentou aqui um dia desses? A Morena dos lábios carnudos e olhar penetrante? Ela está na hidromassagem com Aiden e acredite, eles quase se beijaram.

— Sério? — Pietro perguntou e se sentou na cadeira, mirando as várias televisões que passavam cenas distintas, mas seus olhos logo focalizaram a mais importante. Nela estavam Olívia e Aiden em foco, os dois dentro da banheira de hidromassagem, os ombros colados e naquele exato momento, Olívia ria de alguma coisa que Aiden lhe dissera. A única coisa que ele sentiu foi algo queimando dentro de si e ele reconhecera aquele sentimento como ciúmes, mas não admitiria nem para a sua própria sombra. Ele queria estar na banheira de hidromassagem com Olívia no lugar de Aiden. Queria poder beijá-la, sentir seu corpo colado no dela de novo. — Então, acho que vou precisar ficar por aqui.

— Jura? Você nem fez isso com a ruiva sensual quando ela ficou na banheira com o Aiden. — Jonas disse, se referindo à Penélope. — Qual é o motivo de ficar hoje?

— Essa morena dos lábios carnudos, é a preferida do chefe. Eu preciso observá-la por isso. — Pietro respondeu, tentando se explicar. Mas a verdade, estava sendo omitida naquele exato momento. Ele tinha outro motivo para ficar assistindo ao momento de Olívia e Aiden. — Coloca o áudio para mim? Quero ouvir a conversa deles.

Jonas pegou um fone e passou para Pietro que havia decidido ficar por ali o tempo que durasse aquele encontro, mesmo que fosse a noite inteira. Ele precisava saber o que aconteceria, mesmo que talvez não gostasse do que acabasse vendo ali.