Um Romance Para Aiden

Bia Tomaz · Capítulo 16 de 31

Páginas do PDF

Um Romance Para Aiden

Capitulo 16

— Eu preciso que vocês filmem nesses ângulos. — Camila falou enquanto apontava as marcações no piso do Iate. — Desse jeito conseguimos uma imagem ampla de tudo que estiver acontecendo. E quero algumas imagens da água enquanto barco estiver em movimento porque preciso que as pessoas se apaixonem pelo local também. Isso tudo cria um clima.

— Você deveria ir. — Aiden comentou e Pietro, que estava próximo a Aiden, sorriu.

— Eu falei a mesma coisa. — Pietro comentou, lembrando a última conversa que os dois tiveram.

— Prefiro acompanhar tudo pela cabana de edição. — Camila falou, ignorando Pietro.

— Eu prefiro que você esteja com a gente. — Marcos, o diretor, falou. — Não quero você gritando no meu ouvido por aquela porra de microfone.

— Pelo visto, sou voto vencido. — Camila falou, dando de ombros.

Pietro avistou Olívia sentando em um canto, sendo maquiada e ele podia sentir que ela estava nervosa e ansiosa. Era o seu trabalho fazer com que ela se sentisse melhor, certo? Foi essa desculpa que ele usou quando resolveu se aproximar.

— Tudo bem? — Pietro indagou e Olívia o olhou antes de sorrir.

— Não sei. Estou com medo de fazer alguma merda ou falar o que não devo. — Olívia respondeu, e a maquiadora se afastou, deixando os dois sozinhos.

— Você sabe o que fazer, Olívia. — Pietro segurou a mão dela em um ímpeto. — Vai se sair muito bem.

— Olívia, minha querida. — Camila se aproximou de Olívia e Pietro, sentou-se ao lado de Olívia. — Aja naturalmente. Sei que as câmeras atrapalham, mas tente se soltar e faça o que sentir vontade.

— Tudo bem. — Olívia disse, assentindo com a cabeça.

— Se quiser beijar o Aiden, por exemplo. — Camila falou. — Não se sinta intimidada.

— Mas não sei se... — Pietro começou a falar, mas não conseguiu terminar.

— Foi um exemplo. — Camila falou antes que Pietro tivesse a chance de terminar sua frase. — Não quer dizer que precise fazer isso.

— Eu estou aberta para o que vocês acharem melhor. — Olívia falou, incerta se estava preparada para ser aberta a qualquer coisa mesmo.

— Pietro, pode ir ver se as câmeras estão no local em que marquei? Só para garantir. — Camila pediu e Pietro encarou Olívia, antes de se levantar e sair dali, visivelmente contrariado. — O Pietro tem essa mania de querer controlar tudo. Ele esquece que quem manda aqui sou eu. Mas não é isso que eu queria falar com você, Olívia. Eu quero que você ganhe esse programa, e você foi escolhida como vencedora da primeira prova, então acho que podia usar isso ao seu favor.

— E com isso você quer dizer o quê exatamente?

— Quero um beijo entre você e Aiden. — Camila falou, sem dar voltas ou tentar disfarçar.

— Caramba! — Olívia exclamou. — Você sabe ir direto ao ponto.

— Eu sei que inicialmente você não estava entregue ao jogo e não sei exatamente o que te fez mudar, mas preciso que você se mostre para o público e um beijo nesse passeio maravilhoso, seria tudo para te colocar nos holofotes. — Camila explicou, tentando usar seu poder de persuasão. — A Penélope já beijou o Aiden.

— Eu sei que eles se beijaram, mas não preciso copiar a Penélope. Até porque não gosto muito do jeito dela. — Olívia contou. — Ela gosta de manipular.

— Espera, você acha que ela manipulou Aiden para que eles se beijassem? — Camila indagou.

— Não. Eu sei bem que o Aiden beijaria qualquer uma daquelas mulheres da casa sem que elas fizessem muito esforço. — Olívia falou. — Ele não é o tipo de cara difícil.

— E é exatamente por isso que precisamos tirar essa imagem dele. — Camila argumentou. — Eu quero vender romance no programa, Olívia e você é a pessoa certa para isso. Preciso saber se posso contar com você, ou se estou perdendo meu tempo. — Camila falou, dando a tacada final e aquela tinha doído um pouco em Olívia. Antes que Olívia pudesse responder, Camila saiu de perto dela, atendendo ao chamado de um dos operadores de câmera.

Olívia observou Pietro conversar com Aiden e se perguntou se teria coragem de beijar Aiden. Não que ele não fosse um material completamente beijável, porque ele era e muito, mas algo dentro dela gritava para que ela não fizesse aquilo porque estaria indo contra o que ela estava sentindo.

O problema era que Olívia queria lutar contra o que estava sentindo, porque era completamente errado achar que seu primeiro beijo dentro daquele reality deveria ser com outra pessoa, mais precisamente, Pietro.

O iate foi ligado e começou a se movimentar, acelerando mar adentro. Olívia se segurou em uma barra de ferro, para manter a estabilidade e se levantou em seguida para admirar a beleza do local.

Seu coração estava acelerado e suas palmas suavam diante do nervosismo.

— Certo! — Camila falou alto e bateu palmas chamando a atenção de todos. — O iate vai parar agora e nós já vamos começar a gravar antes mesmo que ele pare! Aiden e Olívia, lembre-se que só precisam agir com naturalidade.

Aiden assentiu e Olívia encarava Aiden, que se aproximou dela em seguida. Olívia reparou que Pietro havia se afastado e estava perto das câmeras, ele parecia absorto ao iniciar uma conversa com um operador de câmera e ela percebeu que precisava ficar atenta à cena que gravaria.

Porque no fundo, aquilo seria uma encenação.

Aliás, aquela era a grande chance dela de mostrar como era uma boa atriz.

— E estamos gravando! — Marcos, o diretor, falou alto.

— Esse lugar é maravilhoso. — Aiden falou ao se aproximar de Olívia e ela o olhou com carinho.

— É um ótimo lugar para se ter um encontro romântico. — Olívia disparou, e Aiden abriu seu sorriso mais safado, daqueles que os caras usam quando acham que já ganharam a mulher.

— Eu estava morrendo de medo de falar a palavra "encontro" e te assustar. — Aiden comentou e riu sem jeito. Olívia também sorria, mas era porque estava achando graça de como Aiden era um ótimo ator também.

— Me assustar? — Olívia perguntou. — Ficou maluco? Eu estou esperando um momento como esse desde o dia em que ficamos sozinhos na banheira de hidromassagem.

— E posso saber o motivo de ter sido exatamente esse dia? — Aiden indagou.

— Porque depois fiquei remoendo o arrependimento dentro de mim. — Olívia respondeu.

— Arrependimento?

— Sim. De quando você se aproximou de mim e eu não deixei que você encostasse seus lábios nos meus. Eu quase não dormi naquela noite com a lembrança daquele nosso "quase-beijo". — Olívia falou em um tom de voz atraente e esperava que estivesse boa o suficiente para as câmeras.

Aliás, desejava que acreditassem em seu texto falso. Porque aquilo era uma mentira das grandes. Ela não tinha pensado em Aiden, porque tinha os pensamentos em outro.

— E se eu tivesse te beijado? Será que você teria conseguido dormir? — Aiden perguntou.

— Teria sido pior. — Olívia riu de uma maneira zombeteira. — Se eu estivesse na minha cama e não na sua, ficaria pensando e revivendo o momento por várias vezes na minha mente.

— Não brinca assim comigo, Olívia. — Aiden ficou de frente para Olívia, que também o encarou de frente. — Eu estou louco para te beijar desde o momento em que bati meus olhos em você. Se você continuar falando essas coisas, fica difícil me segurar.

— Mas eu não quero que você se segure. — Olívia falou, ficando de frente para Aiden.

Pietro que acompanhava o desenrolar da cena através das câmeras, viu a dúvida nos olhos de Olívia enquanto ela estava tão próxima a Aiden, e sabia que poderia atrapalhar Olívia com sua expressão que definitivamente não era das melhores naquele momento. Olívia se preocupava muito com a reação dele e isso poderia atrapalhar o desempenho dela caso ela olhasse para onde ele estava, e por isso ele decidiu que precisava se afastar.

Mas era tarde demais, Aiden estava grudando sua boca na de Olívia.

Ele não queria, mas se sentiu mais ferido do que queria com aquele beijo. Não tinha poder nenhum sobre Olívia, não era nem mesmo o cara que ela estava ficando para se sentir daquele jeito, mas não tinha poder sobre seus próprios sentimentos.

O beijo durou no máximo cinco segundos, pois Olívia afastou Aiden de maneira gentil.

— E, corta! — Marcos gritou. — Muito bem pessoal!

— Vocês ficaram incríveis juntos! — Camila falou, animada, enquanto se aproximava de Olívia e Aiden.

— Jura? Gostou mesmo? — Aiden perguntou visivelmente feliz por ter feito bem seu papel.

— É claro! — Camila respondeu e se virou para Olívia. — Não é à toa que o Augusto gostou tanto de você, Olívia. — Camila comentou para Olívia, que olhou ao redor em busca de um certo par de olhos verdes, mas não havia sinal dele por ali. — Vocês dois têm química de sobra. Parecia que ia sair faísca de vocês!

— Obrigada. — Olívia agradeceu. — Levo meu trabalho à sério.

— Vamos dar uma pausa agora para comermos e como o sol já está prestes a se pôr, faremos uma cena de vocês dois dançando com a luz do pôr-do-sol ao fundo antes de encerrarmos a gravação. — Camila falou. — Mas vocês podem continuar à vontade, afinal as câmeras vão continuar rolando para quem sabe pescarmos alguma cena boa. — Camila piscou e então saiu de perto, gritando para alguém levar seu café na cabine do iate.

— Ela é bem enérgica. — Aiden falou com Olívia ao ver Camila dando ordens. — Olívia, sobre o beijo. Eu quero saber se está tudo bem para você.

— Claro, Aiden. — Olívia falou, acalmando Aiden. — Acredite, eu não teria deixado que você me beijasse se não estivesse bem com isso. Já tinha sido tudo combinado, e sabemos que é o melhor para o programa. Além do mais, eu sou uma atriz e que tipo de atriz eu seria se não estivesse disposta a beijar alguém em um trabalho?

— Fico muito mais tranquilo. — Aiden falou, dando um suspiro aliviado. — E fico feliz por estar tão envolvida no programa agora. Não parece a mesma Olívia do primeiro dia.

— Estamos em constante mudança, e estou aprendendo muito aqui dentro do programa. — Olívia explicou. — Aprendendo sobre mim mesma, inclusive. — Olívia confessou, percebendo a verdade em suas palavras. — Se não se importa, vou procurar algo para beber. Estou morrendo de sede.

— Claro. Fique à vontade. — Aiden falou e Olívia sorriu gentilmente antes de caminhar em direção a cabina do iate, onde seriam servidas as comidas e bebidas.

A verdade é que ela queria se jogar naquelas águas e só não fazia aquilo porque não sabia nadar e morreria afogada. Morrer em um reality show não era o que ela esperava para o fim da vida.

Ela nem sabia o motivo exato de estar se sentindo tão culpada por beijar Aiden, ela não tinha namorado e estava no programa para ganhar o coração do Aiden, mesmo que fosse tudo uma mentira deslavada, e estava conseguindo atingir seu objetivo, certo? Então, por que seu coração estava apertado?

Era óbvio. Ela estava apaixonada pelo cara de olhos verdes perturbadores. Estava caída de quatro por Pietro Brandão. E tinha plena consciência de que estava encrencada por se sentir daquele jeito.

A única coisa que ela não sabia, era o que fazer com aquele sentimento que aparentemente crescia cada vez que ela pensava, falava ou olhava para Pietro.

******

Já estava começando a anoitecer, o pôr-do-sol e a dança que Camila queria ver já tinham passado, mas ninguém estava voltando para a terra firme.

Isso porque o iate dera um problema e não estava ligando. O que restava a todos era esperar pelas lanchas que buscariam todos que estavam no iate. E, claro, Camila resolveu servir bebidas e mais bebidas para todos que logo aproveitaram a chance para se embebedarem com a produtora.

Olívia não estava com vontade de beber mais do que já tinha bebido naquele dia, pois sabia seus limites e não queria passar vergonha em rede nacional. Sua versão bêbada renderia muita audiência para o programa, mas não era aquela imagem que ela queria que as pessoas vissem.

Para fugir de todos que apareciam perto dela, oferecendo um copo de algo alcoólico, ela resolveu ficar do outro lado do iate. Sentou-se em uma espécie de sofá de couro branco que ficava quase na ponta da embarcação e sentiu-se grata por estar sozinha pela primeira vez naquele dia conturbado e intenso.

Ela tinha beijado Aiden, o cantor mais famoso do Brasil e mais gostoso também.

Mas não estava louca de felicidade, nem mesmo excitada ou louca para repetir a dose. Sentia apenas que tinha cumprido sua obrigação, e que tinha dado um bom material para o programa.

Vozes masculinas foram ouvidas, mas ela as ignorou, encarando a imensidão do mar à sua frente. Ela reconheceu uma das vozes como a de Pietro, mas continuou na mesma posição de antes por não saber o que falaria com o homem.

O vento gelado bateu na pele de Olívia e Pietro percebeu quando ela se encolheu e parou de conversar com o dono do Iate, e se aproximou de Olívia que o encarou enquanto ele tirava sua camisa social, ficando apenas com uma camiseta que vestia por baixo.

— Tome isto e se vista antes que pegue uma gripe ou algo assim. — Pietro disse, entregando a camisa para ela.

— Obrigada. — Olívia agradeceu. Em outras circunstâncias, talvez não aceitasse, mas ela estava usando um biquíni e uma saia de crochê. O sol já tinha ido embora naquele momento, e ela não sabia quanto tempo ainda teria que ficar ali até que conseguissem consertar o problema com o Iate ou quando exatamente chegariam as lanchas.

— Parece que o defeito é simples de ser consertado, mas vamos demorar mais ou menos uma hora para voltar para a casa de praia. — Pietro explicou.

— Mas, e as lanchas? — Olívia indagou.

— Eles devem demorar mais ou menos o mesmo tempo. Talvez uns quinze minutos a menos. — Pietro explicou. — Mas seria mais dinheiro gasto e Camila decidiu esperar o conserto do iate. O Aiden está impaciente com isso. Acho que ele assistiu "Titanic" mais vezes do que o recomendado. — Pietro falou e Olívia deu uma risada.

— Ele não me parece ser o tipo de pessoa muito paciente mesmo. — Olívia comentou após cessar seu riso e Pietro sentou-se ao seu lado. — Pietro, você acha que eu fiz certo em ter beijado o Aiden hoje? Todos pareciam muito entusiasmados com isso, mas você não pareceu concordar.

— Por que diz isso?

— Sua feição. — Olívia falou. — Você parecia chateado com a ideia. — Olívia fechou os olhos e uniu os lábios em uma linha fina. — Eu não consigo parar de pensar nisso.

— O que você achou? Você que precisa decidir se quer ou não beijá-lo. Ou se é a hora certa ou se não é. Se lembra que te falei sobre te ajudar, mas que suas decisões ainda eram importantes? — Pietro indagou e Olívia assentiu. — Eu posso te ajudar com algumas situações do programa, mas essas decisões cabem somente a você.

Pietro queria falar que não gostou de ver o beijo porque ele queria muito estar no lugar de Aiden, mas achava injusto falar aquilo e causar um problema tão grande a ela. Existia a certeza dentro do coração de Pietro que no momento em que ele demonstrasse a atração que sentia por ela, seria como abrir uma possibilidade que não poderia existir.

Mas ele queria aquela possibilidade com todas as suas células.

Era contraditório.

— Eu o deixei me beijar porque achei que o programa pedia por aquilo. — Olívia falou. — Eu mesma não queria beijá-lo. Não existiu sentimento naquele beijo. Aliás, o máximo que sinto por Aiden é admiração pelo trabalho dele e gradualmente percebo que ele não é a pessoa má que eu acreditava que ele fosse. — Olívia explicou. — Mas não gosto dele nesse sentido de me sentir atraída ou algo assim. Por mais incrível que isso possa parecer, já que todas as mulheres do programa parecem babar por ele. — Olívia falou e riu da própria situação. — Isso machucaria o ego leonino de Aiden, mas ele não faz meu tipo.

— Caramba. Me prometa nunca deixar ele saber disso ou ele vai se sentir tão deprimido que é capaz de abandonar a carreira e te juro, não estou sendo irônico aqui. — Pietro riu e Olívia o acompanhou. Pietro se perguntava se existia algum som tão maravilhoso quanto o da risada dela.

— Tem minha palavra. — Olívia falou em meio às risadas.

— Mas me responda um questionamento. — Pietro pediu, cessando às risadas. — Se o Aiden, não é o seu tipo, qual seria então?

— Ah, essa pergunta é difícil. — Olívia fez uma expressão de sofrimento no rosto. — Mas gosto de caras que se pareçam comigo. E que não se sintam superiores, nem que sejam babacas.

— Parece ter alguém em mente. — Pietro observou.

— Sim. — Olívia lembrou-se de João, o seu chefe na livraria. — Meu ex-chefe foi um nojento quando me demitiu do emprego. Disse que se eu jantasse com ele, poderíamos encontrar um jeitinho de resolver a situação do meu emprego. — Olívia sentiu nojo e raiva só de lembrar.

— Quem é esse filho da puta? — Pietro indagou, visivelmente irritado.

— É meu ex-chefe, já falei.

— Não, você não me entendeu. Eu quero o nome dele. — Pietro explicou.

— O que você pretende fazer? — Olívia ergueu as sobrancelhas. — Acho difícil ele pagar pelo que fez, e aliás, eu nem fui a primeira.

— Se você me der o nome dele, posso tentar trazer justiça para você e para todas as outras que passaram pela mesma situação. — Pietro falou, tentando conter sua raiva.

— João Pedro Aguiar. — Olívia falou.

— Não posso prometer nada, mas vou ver o que posso fazer. — Pietro falou e seu tom era sério. Mas ele mudou logo em seguida e voltou a sorrir. — Mas não aceito sua resposta. Ela foi muito vaga. Me fale as qualidades que admira em um homem.

— Hmm. Deixa eu ver. — Olívia falou, encarou o céu que começava a ser adornado com pontinhos luminosos. — Adoro quando o homem trabalha em algo que gosta e faça isso com paixão. E também, que se preocupe com as outras pessoas e as ajude sem desejar nada em troca. — Olívia falou, encarando Pietro bem dentro de seus olhos esverdeados. Ela percebeu que estava descrevendo ele, mas não queria dizer porque parecia muito errado quando ela simplesmente tinha beijado Aiden algumas horas antes. — Gosto que se preocupe comigo. Eu gosto de ser mimada quando se refere a carinho. — Olívia explicou, tentando não se desconcentrar enquanto Pietro parecia interessado demais em seus lábios. — E eu gosto de quem me faça sentir aquele formigamento e frio na barriga só de me encarar nos olhos.

— Engraçado você falar isso. — Pietro falou, voltando a encarar os olhos de Olívia, se sentindo completamente hipnotizado pelo olhar dela.

— Por que? — Olívia perguntou e entreabriu os lábios em busca do ar que parecia estar sumindo do universo.

— Pois eu estou sentindo exatamente isso agora. — Pietro confessou e Olívia engoliu seco, vendo-o se aproximar dela.

— Eu também.

— Não faz isso comigo, Olívia. Estamos em um terreno perigoso aqui e esse tipo de brincadeira não facilita em nada. — Pietro alertou.

— Mas eu não estou brincando. — Olívia rebateu e Pietro se aproximou ainda mais, fazendo com que os joelhos dos dois se encostassem. Ambos estavam tão perto que mal podiam respirar sem sentir o calor da respiração um do outro. — Estamos no Iate. Todos estão do outro lado, mas isso pode dar errado e podem nos ver. — Olívia alertou ao perceber o quão próximo estavam, mas não se afastou nem mesmo um centímetro.

— Eu sei. E eu juro que estou tentando afastar nesse exato momento, Olívia. — Pietro falou com a voz sussurrada. — Mas parece que você me puxa para mais perto. Se você não se afastar, eu não vou conseguir.

— Por mais errado e impróprio que isso seja. — Olívia olhou os lábios entreabertos de Pietro e depois encarou os olhos verdes dele. — Só nos resta deixar que essa força faça seu trabalho.

— Você quer dizer...

Pietro não terminou de falar, os lábios dele e de Olívia estavam colados e aquele era o fim da frase, mesmo que não fossem palavras, completava qualquer sentença.

As mãos de Olívia agarraram o pescoço de Pietro e um calor repentino se apossou de ambos. O vento frio que a maresia carregava não fazia mais efeito algum sobre a pele deles. Olívia se sentia quente e viva, como nunca se sentira antes. Como se ninguém soubesse como causar aquilo nela além do próprio Pietro.

O gosto dos lábios de Olívia era de chiclete de melancia, e os de Pietro lembrava caramelo. Pietro segurava a cintura de Olívia com firmeza e a puxava cada vez mais para perto de si, como se precisasse dela colada em seu corpo.

Olívia começou a deslizar seus dedos por entre os fios dos cabelos de Pietro quando uma gargalhada alta os assustou, fazendo-os se afastar de imediato. Era a risada de Aiden, mas ela estava distante, vinha do outro lado do barco.

Eles ainda estavam sozinhos.

Os dois se encararam em um misto estranho, a ligação deles estava intensa e forte naquele momento, e sabiam exatamente o que se passava na cabeça um do outro. Ambos sabiam que aquilo era muito errado, mas ao mesmo tempo se sentiam atraídos. Completamente magnetizados um pelo outro.

Pietro queria Olívia, queria seus beijos, seus toques e pelo olhar que Olívia lançou, ela também desejava o mesmo.

— Merda. — Olívia falou simplesmente, se levantando e encostando na porta que dava acesso à cabine. De repente, a força do que ela sentia ficou muito claro e ela sabia o tamanho da confusão em que estava se metendo. — Acho que estamos fodidos.

— Enquanto você acha, eu já tenho certeza. — Pietro, que também tinha se levantado, afirmou. Ele caminhou com segurança até Olívia, antes de se aproximar o suficiente para enfiar os dedos pelos fios dos cabelos da nuca e sugar o lábio inferior dela, que fechou os olhos, aproveitando todas as sensações que aquilo lhe causava. Pietro usou toda a sua força interna para se afastar em seguida. — Precisamos nos juntar a eles antes que percebam nossa ausência e venham até aqui.

— E isso não seria um problema se a gente parasse de se encarar assim ou parasse de se beijar. — Olívia falou um pouco ofegante. Pietro assentiu, se aproximando de Olívia e colando seu corpo ao dela novamente, e sentindo o gosto dos lábios da mulher mais uma vez. Dessa vez ele sentiu a língua quente dela contra a sua, brincando com sua imaginação.

Aquela sensação que se apossava dos dois, era como uma droga, viciante e perigosa.

— Mas esse é o problema. — Pietro falou ao separar sua boca da de Olívia. Sua respiração estava desregulada e ele estava completamente embriagado pelo desejo que sentia. — Eu não vou conseguir parar de te beijar, Olívia. Então, para o nosso próprio bem, precisamos ir para lá.

— Tudo bem. — Olívia assentiu, e eles ficaram se encarando por um segundo, sem se mexer e cumprir o que tinham acabado de decidir.

— Mas acho que podemos dar um beijo antes só para despedir. — Pietro sugeriu e mais uma vez, não houve resposta, pelo menos não com palavras. Olívia apenas assentiu rapidamente.

Ambos foram um ao encontro do outro, entregando-se ao beijo quente e envolvente que tanto queriam repetir. Deixando o turbilhão de sensações os tragarem, fazendo-os esquecer da vida real e de que tudo aquilo estava prestes a se tornar complicado demais.